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França anuncia 2 bilhões de euros em empréstimos sem juros a agricultores

O Ministério da Agricultura da França anunciou que irá conceder até 2 bilhões de euros em empréstimos sem juros aos agricultores, após as ondas de calor e secas recordes neste verão devastaram plantações e pastagens.

A medida, destinada a ajudar os agricultores a comprar ração, fertilizantes e outros insumos essenciais, soma-se a um pacote de ajuda emergencial de 1,3 bilhão de euros anunciado no início do mês passado.

Vários bancos já começaram a oferecer empréstimos especiais para situações de “seca”, com taxas de juros reduzidas, em torno de 2,5%. Pelo novo programa, o governo arcará com os pagamentos dos juros.

“O governo introduzirá o equivalente a empréstimos sem juros, cobrindo ele próprio os juros restantes, para um saldo devedor de 2 bilhões de euros, a fim de permitir que os agricultores comprem ração e outros insumos, entre outras coisas”, afirmou o ministério em comunicado.

O plano, que também inclui medidas técnicas para aliviar a pressão financeira sobre os agricultores, surge enquanto o governo enfrenta negociações politicamente delicadas sobre o orçamento do próximo ano, às vésperas da eleição presidencial do ano que vem.

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Serial killer em SP? O que se sabe sobre as mortes com sinais de execução


A Polícia Civil de São Paulo investiga ao menos oito mortes com características de execução registradas em diferentes regiões da capital. Os casos passaram a chamar atenção nas redes sociais pela semelhança na forma como alguns corpos foram encontrados, mas a corporação informou que, até o momento, não há evidências de que os crimes tenham sido cometidos por um serial killer.

A diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Ivalda Aleixo, afirmou na quarta-feira (7) que a possibilidade de um assassino em série está sendo tratada como um boato.

“Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”Delegada Ivalda Aleixo

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), pelo menos oito ocorrências estão sob investigação do DHPP. Cada caso possui um inquérito policial próprio e é apurado individualmente.

As ocorrências foram registradas em diferentes pontos da cidade: quatro na zona leste, três na zona sul, uma na zona norte e uma na zona oeste. Até o momento, não há registro de casos semelhantes na região central.

A polícia já conseguiu identificar sete das vítimas. Em um dos casos, a identidade ainda não foi confirmada.

Possibilidade de serial killer

A possibilidade passou a circular principalmente pela maneira como alguns corpos foram encontrados. Há registros de vítimas colocadas em sacos, cobertores, mantas ou outros tecidos.

De acordo com Ivalda Aleixo, porém, esse tipo de acondicionamento não é suficiente para estabelecer uma ligação entre os crimes.

“Esse tipo de acondicionamento infelizmente é recorrente para transportar e ocultar cadáveres. Mas, isoladamente, não constitui a assinatura de um criminoso”, explicou a delegada.

Para a polícia, a localização dos crimes e as circunstâncias de cada ocorrência também indicam, até o momento, que não há elementos suficientes para tratar os homicídios como parte de uma mesma série.

Quais são os casos conhecidos?

Entre as ocorrências investigadas está a de um corpo encontrado amarrado e colocado dentro de um saco no dia 5 de setembro, na região do Jabaquara, na zona sul.

Outro caso ocorreu no dia 19 de setembro, quando um cadáver foi localizado esquartejado no Jaçanã, na zona norte.

Apesar das características que chamaram atenção nas redes sociais, a polícia ainda não confirmou uma relação entre os crimes.

‘Tribunal do crime’

Embora descarte, neste momento, a hipótese de um serial killer, o DHPP também apura se algumas das mortes podem ter relação com integrantes do chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A expressão é usada para descrever uma espécie de sistema de julgamento e punição mantido pela facção criminosa à margem da Justiça oficial.

Segundo a SSP, entre as linhas de investigação consideradas em algumas das ocorrências estão hipóteses relacionadas a vingança ou “justiçamento”.

Isso não significa, porém, que a polícia tenha confirmado uma conexão entre todos os casos ou que as mortes tenham sido determinadas pelo PCC.

O que a polícia ainda tenta esclarecer?

Com sete vítimas identificadas, o DHPP concentra as diligências na identificação de suspeitos, na reconstrução das circunstâncias dos crimes e na descoberta das possíveis motivações.

No caso da vítima que ainda não foi identificada, os investigadores também trabalham para decifrar sua identidade.

A polícia mantém os inquéritos separados e afirma que as investigações continuam.

*Com informações do Estadão Conteúdo



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Mais de 3,5 mil pessoas já perderam o emprego após proibição das bets legalizadas


Mais de 3,5 mil profissionais do setor de apostas já foram demitidos no Brasil desde a edição da Medida Provisória 1.394, que proibiu a operação das bets legalizadas. Levantamento parcial da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), divulgado nesta quarta-feira (7), indica que o corte representa cerca de 23% da força de trabalho das empresas consultadas e pode chegar a 5,6 mil desligamentos em 90 dias.

Os dados foram compilados pela entidade a partir de informações fornecidas pelas próprias operadoras. Além das demissões já efetivadas, 4.167 funcionários estão em férias coletivas. Se a projeção se confirmar, o percentual de postos eliminados no período subiria para 37% do contingente mapeado.

O volume de cortes já registrados supera o de um ajuste recente anunciado pela maior plataforma de mobilidade urbana do mundo, que desligou 3,3 mil pessoas no mês passado. A ANJL não detalhou, no levantamento parcial, a distribuição dos desligamentos por porte de empresa nem o peso de cada estado no total.

A medida provisória interrompeu a atividade de plataformas que operavam com autorização federal. Representantes do setor afirmam que a mudança ocorreu sem período de transição e atingiu empresas que haviam contratado com base na regulamentação anterior. O governo, por sua vez, tem defendido a restrição como forma de conter efeitos sociais associados às apostas.

Bloqueio pode atingir até 60 mil postos

Operadoras de apostas online iniciaram rodadas de demissões após as restrições impostas pelo governo federal às plataformas legalizadas. Levantamento da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (Amig), também divulgado nesta quarta-feira (7), aponta que ao menos 36 das 188 marcas autorizadas a atuar no país já realizaram cortes até o início da semana. O impacto aparece com mais força em empresas de pequeno e médio porte. Os números ainda não incluem fornecedores e prestadores terceirizados.

Casos tornados públicos ilustram o ritmo dos desligamentos. A H2Bet dispensou 170 dos 270 colaboradores e manteve apenas uma estrutura mínima. A Rivalo desligou quase toda a equipe brasileira, estimada em cerca de 100 profissionais. Em outra operação de grande porte, o serviço de teleatendimento foi encerrado, com a demissão de 500 funcionários de call center.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) projeta que, se a Medida Provisória 1.394 for mantida, até 60 mil empregos diretos e indiretos podem ser atingidos. O número é cerca de quatro vezes superior à estimativa divulgada em dezembro de 2025 pela LCA Consultores para a cadeia que inclui tecnologia, análise de dados, marketing, comunicação, ativação e segurança. A projeção da ANJL abrange não só as operadoras, mas também contratos com publicidade, atendimento e outros serviços.

“Estamos diante de um cenário drástico, que decorre diretamente da falta de planejamento do governo ao editar uma Medida Provisória sem estudos prévios”, afirmou Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw. Segundo ele, empresas autorizadas “viram-se privadas de exercer sua atividade econômica da noite para o dia, sem qualquer aviso prévio”. Freire classificou a medida como ilegal e inconstitucional. A avaliação jurídica não é compartilhada pelo governo, que sustenta a validade da restrição.

A Ana Gaming, controladora da 7k Bet, disse em nota que a MP “provoca uma grave ruptura de segurança jurídica ao inviabilizar uma atividade que o próprio Estado regulamentou e autorizou”. A empresa afirma que investimentos e contratações foram feitos com base nas regras anteriores e que a interrupção “compromete empregos, afeta famílias e impõe prejuízos a fornecedores e parceiros”. A companhia defende uma saída que combine proteção ao consumidor, fiscalização e preservação dos contratos já firmados.

Igor Sá, executivo com mais de 11 anos no mercado e passagens por Esportes da Sorte, BETesporte, F12 e HiperBet, observou que a regulamentação havia estimulado a formação de profissionais especializados. “A ruptura total e imediata impacta diretamente na carreira de diversas pessoas que investiram em capacitação para o cenário de iGaming”, disse.

O efeito também começa a aparecer no mercado imobiliário corporativo. Mapeamento da consultoria RealtyCorp, feito nos últimos dias, registra devoluções de espaços em São Paulo por empresas do setor, que ocupavam milhares de metros quadrados em escritórios de alto padrão. O levantamento não inclui outras 15 companhias instaladas em coworkings.

João Fraga, CEO da Paag, plataforma de gestão de risco para o segmento, lembrou que a regulamentação havia puxado a contratação de executivos vindos de finanças, tecnologia e entretenimento. “Havia escassez de talentos com vivência específica em apostas esportivas”, afirmou. Segundo ele, as empresas vinham investindo em capacitação interna, parcerias com universidades e, em alguns casos, contratação no exterior.

Reginaldo Diniz, CEO da Agência End to End, que gere dezenas de clubes, argumentou que o debate prático não é apenas sobre a existência das apostas, mas sobre o modo e o momento da decisão. Ele contestou a associação direta entre autoexclusão e ludopatia e disse que o estudo citado pelo governo faz ressalvas sobre causalidade em casos de suicídio e depressão. “O dano direto prático é insegurança jurídica”, afirmou.



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