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Vorcaro encomendou ataque hacker durante prisão domiciliar para tentar apagar dados do celular


O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encomendou um ataque hacker em janeiro, quando estava em prisão domiciliar em São Paulo, para impedir a Polícia Federal de acessar informações de seu celular. Ele pediu a Thiago Miranda, seu emissário em negócios no ramo da comunicação, que invadisse o iCloud, sistema de armazenamento de dados em nuvem da Apple, para apagar informações do dispositivo apreendido.

As informações foram publicadas pela revista piauí e confirmadas pelo Estadão. O relato sobre o ataque cibernético foi detalhado por Thiago Santos, profissional que ajudou a operacionalizá-lo, à PF. O Estadão procurou a defesa de Vorcaro e de Thiago Miranda e o espaço segue aberto.

Na época, a força-tarefa da Operação Compliance Zero já estava com o aparelho há dois meses. A inclusão de diálogos do banqueiro com interlocutores em relatórios da PF indicam que ele não teve sucesso na investida. Vorcaro também ordenou que fossem apagados dados da conta de seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, responsável por efetuar pagamentos a autoridades por meio de empresas e fundos ligados ao Master.

Após receber o pedido de Vorcaro, Miranda acionou Thiago Santos, especialista em segurança cibernética. O objetivo era deletar todos os dados antes que fossem extraídos pela PF. Santos teria conseguido acessar o iCloud, mas teve sua ação interrompida por policiais que identificaram a invasão.

Miranda era destinatário de pedidos de Vorcaro para derrubar matérias publicadas em sites de notícia. A investigação da PF aponta o publicitário como intermediário entre o banqueiro e a ação dos influenciadores contra o Banco Central após a liquidação do seu banco. A defesa nega qualquer ilegalidade.

Vorcaro é investigado por suspeita de fraudes no sistema financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e corrupção e já foi preso duas vezes, em novembro de 2025 e março de 2026. Ele permanece detido na Papudinha, em Brasília.



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Augusto Cury decide apoiar Flávio Bolsonaro no 2º turno | Blogs | CNN Brasil


O ex-candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) decidiu apoiar Flavio Bolsonaro no segundo turno das eleições.

O apoio foi definido após uma ambos conversarem na manhã desta quinta-feira por vídeo-chamada por nais de uma hora.

Na conversa, Cury condicionou o apoio a algumas medidas que Flavio se comprometeu por carta a assinar.

Veja a carta na íntegra:

TERMO DE COMPROMISSO PUBLICO COM O BRASIL
FLÁVIO BOLSONARO COM AUGUSTO CURY
COMPROMISSO COM AS FUTURAS GERAÇÕES, A PACIFICAÇÃO NACIONAL E A
TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL

Eu, Flávio Bolsonaro, consciente da dimensão dos desafios que o Brasil enfrentará nos próximos anos, estabeleço, perante Augusto Cury e a sociedade brasileira, o presente Termo de Compromisso Público com o Brasil, fundamentado na defesa da democracia, na altemância de poder, na pacificação nacional, no desenvolvimento econômico e social e na construção de uma nação mais justa, próspera e preparada para as profundas transformações que a inteligência artificial, a robótica e as novas tecnologias produzirão na sociedade.

Este compromisso é assumido com Augusto Cury e com o Brasil, sem qualquer troca de cargos, vantagens pessoais. Ele nasce de uma preocupação genuína de Augusto Cury com a necessidade de o Brasil ter um governante que se preocupe com todos os brasileiros, independentemente de sua origem, condição social, região, convicção política ou orientação ideológica.

A confiança manifestada por Augusto Cury decorre da compreensão de que a alternância de poder é o oxigênio para democracia, visto que o atual presidente busca seu quarto mandato, o que para ele que é Contra a reeleição é inaceitável. Além disso, é necessário se reorganizar o sistema econômico atual que tem asfixiado o Brasil, são mais de 82% das famílias brasileiras endividadas. Segundo o professor Augusto Cury, o dinheiro não garante a felicidade, mas a falta de dinheiro garante ansiedade.

A confiança de Augusto Cury não constitui um cheque em branco. Trata-se de um voto de confiança condicionado ao cumprimento dos princípios e compromissos aqui assumidos, à transparência, à responsabilidade fiscal, ao respeito às instituições democráticas e à prestação permanente de contas às instituições e à sociedade brasileira.

O apoio será sempre acompanhado do direito de cobrar, questionar, criticar e exigir coerência entre as palavras e os atos.

Com esse propósito, ficam estabelecidos os seguintes oito compromissos fundamentais:

1. FIM DA REELEIÇÃO PRESIDENCIAL
Defender uma reforma constitucional que estabeleça o fim da reeleição para presidente da República, combatendo o personalismo, o populismo, o uso da máquina pública para perpetuação no poder e os riscos de comupção. A democracia precisa de altemância, renovação e instituições fortes.

2. REVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO E VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES

Expandir progressivamente a educação em tempo integral, com currículos profundamente à O reformulados incluíndo oratória, gestão financeira, empreendedorismo, para formar pensadores fo críticos, criativos, emocionalmente saudáveis e preparados para o século XXI.

Valorizar os professores por meio de formação continuada, melhores salários e condições dignas de trabalho, gerando assim professores proativos, que provoquem à arte de perguntar desafiem a arte de pensar e elogiem sistematicamente a participação para gerar neuro inclusão e prevenção do bullying.

Ampliar, em larga escala, o ensino técnico e profissionalizante no ensino médio, integrando ciência, tecnologia, empreendedorismo, inteligência artificial e gestão da emoção. Termo de Compromisso Público com o Brasil | Página 1

3. REVOLUÇÃO DA SAÚDE E DA TELEMEDICINA

Construir uma das maiores redes públicas de telemedicina do mundo, integrada ao SUS, utilizando inteligência artificial, tecnologia e equipes médicas para reduzir drasticamente as filas de consultas com especialistas.

Pois atualmente demora mais de 50 dias a consulta com especialista e com a telemedicina teremos um salto sem precedentes no tempo de atendimento.

Ampliar o atendimento remoto seguro e humanizado, com encaminhamento presencial sempre que necessário, especialmente para as populações vulneráveis e regiões distantes.

4. PROTEÇÃO INTEGRAL ÀS MULHERES

Transformar o combate à violência contra as mulheres em prioridade nacional, utilizando tecnologias avançadas, sistemas inteligentes de prevenção, monitoramento e resposta rápida, incluindo aplicativo com botão de pânico conectado às redes de proteção e às forças de segurança.

Fortalecer delegacias especializadas, acolhimento psicológico, medidas protetivas e políticas de autonomia econômica. Nenhuma mulher deve viver aprisionada pelo medo.

5. COOPERATIVISMO

Defender o ato cooperativo, dar apoio integral às cooperativas e à verticalização agroindustrial.

6. FINANCIAMENTO DE MILHÕES DE MICROEMPRESAS

Trabalhar para que o BNDES, em parceria com instituições financeiras e outros agentes de desenvolvimento, viabilize o financiamento de milhões de microempreendimentos ao longo dos próximos anos, com crédito acessível, orientação técnica e responsabilidade fiscal.

Criar escolas de empreendedorismo nas comunidades e escolas públicas, preparando milhões de brasileiros para os impactos da inteligência artificial e da robótica sobre o mercado de trabalho.

O propósito é transformar jovens e também desempregados em empreendedores e sonhos em oportunidades.

7. REVOLUÇÃO DA AGRICULTURA E DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS Y

Perseguir a meta estratégica de dobrar a produção brasileira de alimentos nos próximos dez anos, mediante investimentos em ciência, tecnologia, irrigação sustentável, bioinsumos, cooperativismo, crédito rural acessível, infraestrutura e agregação de valor à produção.

Apoio integral ao cooperativismo para turbinar a economia distribuída em todo o Brasil. Ampliar a segurança alimentar e fortalecer o protagonismo do Brasil no combate à fome mundial, conciliando produtividade com responsabilidade ambiental, com o objetivo do Brasil alimentar mais de dois bilhões de seres humanos no mundo,

8. PACIFICAÇÃO NACIONAL: GOVERNAR PARA TODOS OS BRASILEIROS

Assumir o compromisso de não govemar movido por vingança, rancor, perseguição ou ressentimento
político.

Termo de Compromisso Público com o Brasil | Página 2 ]

| Govemar para brasileiros de direita, de esquerda, de centro e para aqueles que não se identificam com nenhuma corrente ideológica.

Afinal, mais de 90% das dores humanas não têm coloração partidária. A fome não é de direita nem de esquerda. A ansiedade, a depressão, o desemprego, a violência e a falta de oportunidades são dramas humanos, e não bandeiras ideológicas.

COMPROMISSO FINAL

Reconheço que o Brasil necessita de um novo modelo de liderança: uma mente capitalista e um coração social, capaz de gerar riqueza com responsabilidade, promover justiça social, proteger as liberdades individuais e pacificar a sociedade.

A assinatura deste instrumento representa o reconhecimento de que o exercício do poder deve estar subordinado ao interesse público e de que a confiança política exige responsabilidade, transparência e prestação de contas.

Ao assinar o presente termo, declaro minha concordância com os oito compromissos apresentados e assumo publicamente a responsabilidade de empenhar meus esforços políticos e institucionais para sua concretização, observadas as atribuições constitucionais da Presidência da República, a

Tesponsabilidade fiscal e a necessária participação do Congresso Nacional nas reformas legislativas e constitucionais.

O compromisso maior não é com um partido, um candidato ou um projeto pessoal de poder. É com

Augusto Cury, com o Brasil, com a democracia, com a altemância de poder e, sobretudo, com as futuras gerações.

O poder passa, os cargos terminam, mas as sementes que plantamos podem transformar a história de uma nação.

DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA E COMPROMISSO
1
Local: Alas [51
Brasil, 8 de outubro de 2026, às 12h30.
FLÁVIO BOLSONARO

“Termo de Compromisso Público com o Brasil | Página 3 ]



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Camil registra lucro líquido de R$ 41 milhões no 2º trimestre de 2026

A Camil Alimentos registrou lucro líquido de R$ 41,3 milhões no segundo trimestre de 2026, recuo de 47,5% em relação aos R$ 79 milhões registrados no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando o resultado foi de R$ 28 milhões, houve crescimento de 47,7%.

A receita líquida da companhia somou R$ 2,765 bilhões entre junho e agosto, queda de 7,2% na comparação anual, frente aos R$ 2,980 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Em relação ao primeiro trimestre de 2026, quando a receita foi de R$ 2,668 bilhões, houve alta de 3,6%.

O lucro bruto alcançou R$ 681,9 milhões, avanço de 1,2% em relação aos R$ 674 milhões registrados um ano antes. A margem bruta passou de 22,6% para 24,7%, aumento de 2,1 pontos percentuais na comparação anual.

O Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, totalizou R$ 225,3 milhões no segundo trimestre, queda de 10,1% ante os R$ 251 milhões registrados no mesmo período de 2025. A margem Ebitda recuou de 8,4% para 8,2%, redução de 0,3 ponto percentual.

As despesas com vendas, gerais e administrativas representaram 19,6% da receita líquida, ante 16,7% no segundo trimestre do ano passado, aumento de 2,9 pontos percentuais. Já o custo dos produtos vendidos caiu 9,7%, de R$ 2,306 bilhões para R$ 2,083 bilhões.

Desempenho operacional

No segmento de alto giro no Brasil, que reúne grãos e açúcar, o volume de vendas somou 335,9 mil toneladas, queda de 4,6% na comparação anual. O preço líquido médio avançou 10%, para R$ 3,89 por quilo. Na comparação trimestral, o volume cresceu 0,8%.

Na divisão de alto valor, que inclui massas, biscoitos, café e pescados, o volume comercializado atingiu 51,6 mil toneladas, alta de 14,1% em relação ao segundo trimestre de 2025. O preço líquido médio subiu 20%, para R$ 18,75 por quilo.

Nas operações internacionais, que abrangem Uruguai, Chile, Peru, Equador e Paraguai, o volume de vendas recuou 8,3% na comparação anual, para 217,1 mil toneladas. O preço líquido médio caiu 18,3%, para R$ 3,15 por quilo.

Endividamento

A dívida líquida da Camil totalizou R$ 4,083 bilhões no encerramento de agosto de 2026, alta de 17,8% em relação aos R$ 3,466 bilhões registrados em agosto de 2025. Na comparação com maio deste ano, porém, houve redução de 3,1%.

A relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses ficou em 4,7 vezes, ante 4,1 vezes um ano antes. O endividamento total alcançou R$ 5,936 bilhões, crescimento de 10,4% na comparação anual.

Os investimentos (Capex) somaram R$ 53 milhões no segundo trimestre. Segundo a companhia, os aportes voltaram a níveis de manutenção após a conclusão das obras de Cambaí, no quarto trimestre de 2025.

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Influenciador investigado por fraude é preso acusado de ameaçar empresários e citar PCC


O influenciador e empresário Gabriel Spalone foi preso novamente em São Paulo nesta quinta-feira (08) desta vez sob suspeita de se apresentar como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), extorquir e ameaçar dois empresários. A defesa de Spalone diz que não teve acesso ao processo e nega ligação do influenciador com o PCC.

Ele já havia sido alvo, em 2025, de uma operação policial que investigou um esquema suspeito de desviar R$ 146 milhões por meio do PIX.

A nova ordem de prisão foi expedida pelo Tribunal de Justiça de SP após as denúncias de extorsão. Spalone deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (09) informou o TJ-SP.

O influenciador teria se apresentado como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e ameaçado sequestrar familiares das vítimas caso não recebesse o dinheiro exigido desde abril de 2026. As vítimas eram sócias de Spalone e, por indicação dele, teriam investido em um criptoativo.

Em nota, Eduardo Maurício, advogado de defesa de Spalone, afirma que ainda não teve acesso ao processo, já que ele está em segredo de justiça. A defesa assegura que seu cliente não integra o PCC e que irá pleitear a sua liberdade em audiência de custódia e, se for o caso, a revogação de sua prisão preventiva

Ainda de acordo com a Justiça de São Paulo, em fevereiro deste ano, Spalone teve a liberdade provisória expedida após ter sido preso pela Interpol na Argentina e extraditado para o Brasil.

A Secretaria da Segurança Pública informou que policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), localizaram e apreenderam com ele três celulares, um tablet e um notebook. As investigações prosseguem.

Suspeita de desvio de R$ 146 milhões

Spalone é o principal alvo de uma investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo contra um grupo suspeito de desviar R$ 146 milhões por meio de fraudes no Pix.

Ele é dono de fintechs voltadas a operações de pagamentos e investimentos. Além de Spalone, outros dois homens também são investigados. A defesa deles não foi localizada.

A Polícia Civil constatou que o esquema utilizou diversas contas mantidas em uma instituição bancária para o recebimento dos valores. As investigações também apontaram que os suspeitos utilizaram o Pix como meio de transferência.

Ainda de acordo com a investigação, os suspeitos ainda usaram a credencial de uma prestadora de serviços para desviar os valores do banco em fevereiro de 2025.

Em 23 de setembro do ano passado, a 1ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil, deflagrou a Operação Dubai, que tinha como objetivo o cumprimento de mandados de prisão preventiva contra Spalone e os dois homens. Um deles foi localizado na capital paulista e outro em Campinas, no interior de São Paulo, mas Spalone não foi encontrado.

Difusão vermelha da Interpol

O nome dele chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol e as buscas mobilizaram agentes da Polícia Civil e autoridades da Argentina, do Panamá, do Paraguai e dos Estados Unidos. Ele foi preso em um aeroporto de Buenos Aires em 27 de setembro de 2025, após desembarcar de um voo que tinha saído do Panamá.

Na ocasião, a defesa de Spalone disse que o influenciador concordou com a extradição e que a decisão demonstrava a contribuição de Gabriel quanto à busca da verdade real dos fatos

“Gabriel nunca fugiu. Ele já se encontrava no exterior e isso tudo foi uma aventura jurídica por parte da autoridade policial, que fez constar que Gabriel tinha fugido”, disse Mauricio.



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Bancos priorizam títulos do governo e esfriam expansão do crédito na Argentina


A ofensiva do governo de Javier Milei para fazer os bancos argentinos voltarem a emprestar à economia está perdendo força. As instituições financeiras voltaram a depender dos títulos públicos como principal fonte de lucro, enquanto a desaceleração econômica e o aumento da inadimplência prejudicam o negócio tradicional de concessão de crédito.

Os ganhos com títulos do governo responderam por cerca de 56% da receita operacional dos bancos comerciais em julho, segundo os dados mais recentes do sistema financeiro divulgados pelo Banco Central da Argentina. O percentual é mais de três vezes superior aos 17% gerados pela receita líquida de juros do crédito ao setor privado, que corresponde à diferença entre os juros recebidos nos empréstimos e os juros pagos aos depositantes, descontadas as provisões para perdas com inadimplência.

“Os bancos ainda estão priorizando liquidez”, afirmou Juan José Vázquez, chefe de pesquisa da corretora argentina Cohen. “Em um ambiente incerto, manter instrumentos financeiros líquidos permite reagir muito mais rapidamente do que uma carteira de empréstimos.”

Trata-se de mais um sinal preocupante para Milei a um ano da próxima eleição presidencial argentina. O crescimento econômico desigual e o elevado desemprego têm pressionado sua popularidade, apesar do sucesso no combate à inflação de três dígitos. A política monetária rígida e os juros elevados, utilizados para conter a inflação e estabilizar a moeda, estão empurrando os bancos de volta para os títulos públicos em um momento de desaceleração da economia, agravada pela falta de crédito.

A tendência promissora observada no sistema bancário durante os primeiros meses do governo Milei perdeu força ao longo do último ano. O crédito ao setor privado cresceu de forma acelerada após a chegada do presidente libertário ao poder, mas os bancos continuam obtendo uma parcela muito maior de seus lucros com títulos públicos do que com a atividade tradicional de intermediação financeira.

No fim de 2023, o negócio bancário tradicional praticamente não existia. A receita líquida de juros era negativa, enquanto os ganhos com títulos públicos frequentemente superavam toda a receita operacional das instituições.

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A recuperação iniciada em 2024 foi expressiva. O crédito bancário ao setor privado mais que dobrou como proporção da economia, passando de cerca de 5,3% do PIB no fim de 2023 para aproximadamente 12,5% atualmente, segundo dados do Banco Central.

O ministro da Economia, Luis Caputo, celebrou essa transformação em um discurso realizado em Buenos Aires em maio de 2025.

“Os bancos estão começando a funcionar como bancos novamente”, afirmou. “Durante anos, eles captavam depósitos e emprestavam dinheiro ao setor público. Agora enxergam um negócio melhor ao financiar novamente o setor privado.”

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Mas essa dinâmica virtuosa encontrou um obstáculo.

Pressionada pelo aumento da inadimplência, a receita líquida de juros caiu para apenas 3% da receita operacional em janeiro e estava em 17% em julho. Em contraste, os títulos públicos geraram mais da metade da receita operacional durante todo o ano de 2026.

“O crédito está estagnado”, disse Marcelo de Gruttola, vice-presidente e analista bancário da Moody’s Ratings. “Existem fatores tanto do lado da oferta quanto da demanda: os bancos endureceram os critérios de concessão de crédito, enquanto a demanda também enfraqueceu.”

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O boom do crédito também começa a dar sinais de esgotamento à medida que a atividade econômica desacelera e a renda das famílias encontra dificuldades para acompanhar os preços. Ao mesmo tempo, os juros elevados afastam tomadores de melhor qualidade e aumentam o risco de que aqueles mais interessados em contrair empréstimos estejam sob pressão financeira.

Nesse contexto, os títulos públicos oferecem aos bancos uma alternativa atraente e prontamente disponível, algo que o próprio governo tem incentivado cada vez mais.

Com o acesso aos mercados internacionais de capitais ainda difícil e caro, o Tesouro argentino prefere financiar-se internamente e depende fortemente dos bancos para refinanciar sua dívida em pesos.

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O Banco Central também reforçou essa demanda em vários momentos. Em agosto de 2025, elevou os depósitos compulsórios e permitiu que os bancos cumprissem parte das exigências adicionais por meio da compra de títulos públicos em leilões do Tesouro. Posteriormente, os reguladores ampliaram o conjunto de ativos públicos aceitos para atender essas exigências.

Embora essas medidas criem uma fonte cativa de demanda para a dívida pública, elas também encarecem o custo do dinheiro na economia e adicionam mais um obstáculo à expansão do crédito. Para os bancos, representam mais um incentivo para manter recursos aplicados em títulos do governo.

Essa estratégia pode se tornar ainda mais atraente à medida que a Argentina se aproxima da eleição presidencial de 2027.

Enquanto os empréstimos permanecem nos balanços bancários até serem quitados, títulos públicos líquidos podem ser vendidos rapidamente caso o cenário mude.

“O peso pode ser extremamente volátil. Vimos isso até mesmo durante a eleição legislativa do ano passado”, afirmou Vázquez, referindo-se ao aumento da ansiedade dos investidores antes da vitória expressiva de Milei nas eleições legislativas de outubro de 2025.

“Às vésperas de uma eleição presidencial como a que esperamos em 2027, faz sentido que os bancos sejam ainda mais cautelosos.”

© 2026 Bloomberg L.P.



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Pecuária brasileira entra no fim de 2026 com oferta menor e demanda externa

A pecuária de corte brasileira deve chegar ao último trimestre de 2026 em um cenário de oferta mais restrita de animais para abate, ao mesmo tempo em que a demanda internacional continua sustentando as exportações de carne bovina, segundo dados da consultoria StoneX.

De acordo com a consultoria, a combinação entre a retenção de fêmeas e o avanço do ciclo pecuário tende a reduzir gradualmente a disponibilidade de gado, movimento que ajuda a manter os preços firmes no mercado físico e nos contratos futuros.

Segundo a Analista Senior de Inteligência de Mercado, Larissa Alvarez, a retenção de fêmeas é um dos principais fatores que começam a alterar o equilíbrio do mercado. Com mais matrizes permanecendo no rebanho, a oferta de animais para abate diminui, enquanto o avanço do ciclo pecuário também contribui para uma redução gradual da disponibilidade. “Esse movimento deve ganhar importância ao longo dos próximos meses e ajudar a sustentar as cotações da arroba”, comentou durante o 9º Seminário Multimercados StoneX.

Esse cenário de oferta mais ajustada ocorre mesmo com a pecuária brasileira mantendo um ritmo elevado de exportações. A demanda externa continua absorvendo volumes significativos de carne bovina produzida no país, enquanto a participação de diferentes mercados vem aumentando. China e Estados Unidos permanecem entre os principais compradores, mas países da América Latina, Oriente Médio, Ásia e Eurásia também ampliaram sua participação, tornando as vendas externas brasileiras mais diversificadas.

A diversificação dos destinos reduz a dependência do Brasil em relação a poucos mercados e reforça a competitividade da carne bovina nacional no comércio internacional. Para o quarto trimestre, a StoneX avalia que a demanda externa deve continuar dando suporte ao mercado, mesmo diante de mudanças nas regras de acesso e de restrições comerciais em alguns destinos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado passou por um período de preços elevados da carne bovina e de tarifas sobre as importações. Uma isenção temporária foi aplicada à carne moída produzida a partir de cortes magros, em uma medida relacionada às preocupações com o orçamento dos consumidores. Segundo a StoneX, o movimento também levanta questionamentos sobre a velocidade com que eventuais mudanças nos custos de importação podem chegar aos preços pagos pelo consumidor final.

Na União Europeia, as mudanças relacionadas à rastreabilidade do uso de antimicrobianos provocaram antecipação de embarques e reforçaram a necessidade de sistemas de controle mais robustos para que a carne brasileira mantenha acesso a mercados de maior valor agregado. A adaptação, porém, tende a ocorrer de forma gradual devido à complexidade da cadeia produtiva.

Para a StoneX, o quarto trimestre deve consolidar justamente essa combinação de menor oferta doméstica e demanda internacional ainda resistente. A retenção de fêmeas e a virada do ciclo pecuário apontam para uma redução gradual da disponibilidade de animais, enquanto os compradores estrangeiros continuam absorvendo volumes elevados da produção brasileira, mesmo diante das mudanças nas condições comerciais.

O equilíbrio entre oferta e demanda ajuda a explicar a sustentação observada tanto no mercado físico quanto nos contratos futuros. Os contratos com vencimento em 2027, inclusive, estavam sendo negociados próximos de R$ 390 por arroba, sinalizando que o mercado já incorpora uma perspectiva de menor disponibilidade de animais nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, o desempenho das exportações reforça a importância do mercado externo para a formação das condições da pecuária brasileira. A ampliação dos destinos compradores permite ao setor distribuir melhor os volumes exportados entre diferentes regiões e reduz a exposição às alterações de política comercial de um único país.

Com isso, a perspectiva para o encerramento de 2026 é de um mercado de carne bovina sustentado por dois vetores principais. De um lado, a oferta de animais tende a ficar mais limitada com a retenção de fêmeas e o avanço do ciclo pecuário. De outro, a demanda internacional permanece relevante, com o Brasil mantendo presença em diferentes mercados e ampliando a diversificação de seus destinos.

O cenário, portanto, aponta para uma pecuária que entra no fim do ano com menos animais disponíveis e uma demanda externa ainda capaz de absorver a produção, combinação que tende a manter os preços da arroba sustentados e a dar suporte às perspectivas para o mercado em 2027.

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Café arábica cai pelo segundo dia em Nova York com oferta brasileira

Pela segunda sessão consecutiva, os preços futuros do café arábica registraram queda nesta sessão de quinta-feira (08) na bolsa de Nova York. O vencimento futuro para entrega em dezembro teve baixa de 1,25% e precificado em U$S 2,89 por libra-peso. 

De acordo do Barchart, os preços do café estão sob pressão devido a sinais de aumento da oferta brasileira. Em setembro, o Brasil informou que as exportações brasileiras de café tiveram um aumento de mais de 20% em relação ao ano anterior, atingindo 236 mil toneladas. 

Na sessão anterior, o café arábica atingiu a maior cotação em um mês e já o robusta teve a maior em seis semanas, em meio à valorização do real brasileiro. “O real chegou a atingir a maior cotação em quase cinco meses frente ao dólar na terça-feira, desestimulando as exportações dos cafeicultores brasileiros”, informou o Barchart. 

Cacau

O contrato futuro do cacau para entrega em dezembro fechou a sessão desta quinta-feira (8) com alta de 1,49% na Bolsa de Nova York, cotado a US$ 5.665 por tonelada.

Segundo a Barchart, os preços se recuperaram das perdas registradas no início do pregão, em meio às previsões de continuidade das chuvas na Costa do Marfim, principal produtor mundial. O excesso de precipitações já provoca impactos sobre a logística no país, com relatos de estradas interrompidas e pontes danificadas, o que tem atrasado o transporte do cacau até os portos.

No início desta semana, os contratos atingiram o maior nível em duas semanas justamente diante das preocupações com a oferta. O mercado, no entanto, segue pressionado pelo aumento dos estoques monitorados pela ICE, que alcançaram na quarta-feira o maior patamar em dois anos e três meses, com 3.549.555 sacas.

Do lado da demanda, a Cargill, segunda maior processadora de cacau do mundo, informou nesta semana prejuízos de marcação a mercado relacionados ao cacau no trimestre encerrado em 31 de agosto. O resultado indica dificuldades da empresa em repassar aos clientes o aumento dos custos da matéria-prima, reforçando as preocupações sobre o consumo e limitando uma recuperação mais consistente dos preços.

Suco de laranja

Os contratos futuros do suco de laranja para entrega em novembro encerraram a sessão com alta de 2,32% na Bolsa de Nova York, em que a libra-peso foi negociada a US$ 1,49 ao final do pregão.

Algodão

O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou o dia com queda de 0,11% na Bolsa de Nova York, cotado a 79,94 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o relatório de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), foram comercializados 165 mil fardos de algodão na semana encerrada em 1º de outubro, queda de 18,51% em relação à semana anterior. Para a safra 2027/28, as vendas somaram 56.058 fardos.

Os embarques alcançaram 161.588 fardos no período, acima do registrado na semana anterior e 2,45% acima do volume observado na mesma semana do ano passado.

Além dos dados de exportação, os operadores mantiveram uma postura mais cautelosa antes da divulgação, nesta sexta-feira, de relatórios do USDA sobre as condições das safras e o balanço entre oferta e demanda nos Estados Unidos.

Açúcar

Após alcançar o maior nível em 19 meses na sessão anterior, os contratos futuros do açúcar passaram por uma correção na Bolsa de Nova York. O vencimento para março terminou o pregão com queda de 3,26%, cotado a 20,15 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo a Barchart, a baixa ocorreu em meio à realização de lucros por parte dos fundos, depois da forte valorização acumulada nas últimas duas semanas.

“A alta recente foi sustentada principalmente pelas chuvas persistentes na região Centro-Sul do Brasil, que atrasaram a colheita e reduziram o ritmo de moagem da cana nas usinas, limitando a oferta no curto prazo”, informou o Barchart.

As perspectivas para o balanço global também continuam dando suporte aos preços. Em 1º de setembro, a ISO (Organização Internacional do Açúcar) projetou déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.

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Justiça autoriza Stake a operar até 25 de outubro, apesar da proibição das bets


A Justiça Federal de São Paulo autorizou a Stake a continuar operando no Brasil até 25 de outubro, apesar da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibiu o funcionamento das bets no país. A decisão, proferida nesta quinta-feira (8) pela juíza Cristiane Farias Rodrigues dos Santos, da 9ª Vara Cível Federal de São Paulo, suspende medidas de bloqueio da plataforma e preserva temporariamente a autorização concedida à empresa pelo Ministério da Fazenda.

A liminar determina que os órgãos federais se abstenham de bloquear ou redirecionar o domínio stake.bet.br, os aplicativos e as estruturas tecnológicas autorizadas quando a medida tiver como fundamento exclusivo a antecipação do encerramento das atividades. A decisão também impede a aplicação de sanções à empresa apenas por manter a operação dentro dos limites estabelecidos pela Justiça.

A autorização vale até 25 de outubro ou até uma nova decisão judicial, o que ocorrer primeiro. A magistrada rejeitou, nesta fase do processo, o pedido principal da Stake para continuar funcionando até 31 de dezembro de 2029, prazo originalmente previsto na licença concedida pelo governo federal.

Justiça aponta diferença de prazos

Na decisão, a juíza destacou que a Medida Provisória nº 1.394/2026 estabeleceu dois prazos distintos: dez dias para a retirada das plataformas do ar e 30 dias para a extinção das autorizações concedidas às empresas.

Para a magistrada, a determinação de bloqueio antes do encerramento formal da licença exige uma análise sobre os direitos adquiridos pelas operadoras que receberam autorização do próprio governo.

“A Administração não pode, sem fundamentação específica e sem observância da coerência normativa, antecipar integralmente os efeitos extintivos para data anterior ao marco temporal previsto na própria medida”, afirmou.

A juíza também considerou que a interrupção imediata poderia provocar prejuízos de difícil reparação, como perda de usuários, rompimento de contratos e desmobilização de funcionários. Segundo a decisão, a preservação temporária da autorização não significa que a proibição estabelecida pelo governo seja inconstitucional.

Stake terá restrições

A liminar estabelece condições para a continuidade das atividades. A Stake está proibida de realizar novas campanhas promocionais, oferecer bônus para atrair apostadores ou adotar iniciativas destinadas a ampliar artificialmente sua base de usuários.

A empresa também deverá manter os mecanismos de identificação dos jogadores, verificação de idade, prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao jogo compulsivo. Continuam proibidas as apostas com recursos de programas sociais e a publicidade dirigida a crianças e adolescentes.

A decisão exige ainda que a plataforma assegure a retirada dos saldos dos apostadores, preserve recursos suficientes para os pagamentos e mantenha os registros financeiros e cadastrais disponíveis para fiscalização.

A magistrada ressaltou que a liminar não impede a fiscalização pelos órgãos públicos, não beneficia outras empresas e não garante o funcionamento da Stake após 25 de outubro.

Governo Lula determinou fechamento das bets em 6 de outubro

A decisão ocorre após a entrada em vigor da medida provisória assinada por Lula em 25 de setembro, que proibiu a operação de sites de apostas esportivas e cassinos online, incluindo jogos como o “tigrinho”.

Conforme o calendário anunciado pelo governo e divulgado pela Jovem Pan, as plataformas deveriam encerrar as atividades em 6 de outubro. Os depósitos foram proibidos a partir da publicação da medida, enquanto os usuários tiveram até 5 de outubro para retirar os saldos disponíveis.

O cronograma também estabeleceu a devolução dos valores remanescentes entre 9 e 14 de outubro, com participação da Caixa Econômica Federal nos casos em que houvesse impedimento ao ressarcimento.

A proibição provocou reação das empresas do setor. Em manifesto divulgado após o anúncio, nove entidades argumentaram que a mudança nas regras poderia provocar demissões, perda de arrecadação e migração dos apostadores para plataformas clandestinas.

A Stake apresentou argumentos semelhantes à Justiça. A empresa afirmou ter pago R$ 30 milhões pela autorização de funcionamento, além de realizar investimentos e despesas regulatórias de aproximadamente R$ 128,2 milhões. Também informou possuir 41 empregados e autorização originalmente válida até dezembro de 2029.

O processo ainda terá análise definitiva. A Justiça determinou que os órgãos federais envolvidos apresentem informações no prazo legal de dez dias, antes de uma nova avaliação sobre a legalidade das medidas questionadas pela empresa.



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IPCA deve mostrar reaceleração em setembro; teto da meta pode ter sido rompido no mês


Depois da “folga” nos últimos três meses, a conta da inflação voltou a ficar salgada em setembro, conforme estimativas de economistas consultados pelo InfoMoney. Na divulgação do IPCA fechado do mês, que acontece nesta sexta-feira (8), o indicador deve vir entre 0,70% e 0,82% — após índices de +0,16%, +0,07% e -0,32% entre junho e agosto –, com pressões vindas tanto de bens como de serviços. E a expectativa é que a inflação tenha atingido novamente o teto da meta (4,50%) em 12 meses.

O principal motivo para a reaceleração — já captada na divulgação do IPCA-15 –é o fim do efeito do bônus de Itaipu, um valor distribuído aos consumidores todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia. Mas os preços dos combustíveis e dos alimentos in natura também devem mostrar pressão, além de móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário.

Por conta desses fatores, a XP estima que o IPCA de setembro será de 0,75% na comparação mensal, que levará o índice anualizado para 4,50%. Essa é mesma projeção do ASA, enquanto o Daycoval estima uma inflação mensal de 0,72% e o JP Morgan projete uma variação mais acentuada, de 0,81%, assim como o C6 Bank (0,82%).

A projeção do Inter é de uma variação de 0,62% no mês e de 4,32% em 12 meses – para  o final do anos o banco digital estima um IPCA de 4,80%

A XP diz esperar que a taxa anualizada ajustada sazonalmente a três meses para a inflação subjacente subirá de 4,1% para 4,6%, enquanto a SAAR 3M para serviços subjacentes avançará de 4,9% para 5,7%. Assim, as médias da inflação subjacente e as medidas subjacentes dos serviços vão interromper a tendência benigna observada nas leituras recentes.

Leia mais: “Lua de mel” com a inflação acabou e BC deve cortar Selic “cautelosamente”, diz XP

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A projeção para o indicador de serviços intensivos em mão de obra é de um aumento de 0,56%, com a taxa anualizada de três meses permanecerá estável, mas em altos 7,4%.

A XP comenta que o impacto positivo do fim do crédito do Bônus de Itaipu nas contas de eletricidade, junto com o aumento dos preços da gasolina, impulsionará a reversão dos preços administrados — o principal fator por trás da aceleração na manchete do IPCA.

“Os preços definidos pelo mercado também contribuirão para esse aumento, com uma elevação significativa nos preços de alimentos em casa , impulsionada principalmente por alimentos frescos e carnes. Os serviços aumentarão devido ao aumento dos custos de transporte: passagens aéreas, seguro de veículos e aplicativos de transporte por aplicativo”, diz a XP.

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Um alívio parcial virá da queda nos preços dos cinemas devido a uma semana de preços promocionais no mês.

“No geral, vemos os riscos para nossa previsão principal do IPCA inclinados para alta, principalmente devido aos alimentos em casa e aos preços dos combustíveis.”

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, projeta um IPCA de cerca de 0,72% em setembro, próximo da prévia, que ficou em 0,70%, e também diz que o que mais deve pesar no mês é a conta de luz.

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“Em agosto, o bônus de Itaipu reduziu as contas e puxou o índice para baixo, a ponto de o IPCA do mês fechar em deflação. Em setembro o bônus acabou, e a energia volta a subir bastante. Parte desse movimento já apareceu na prévia, mas ele ainda deve contribuir de forma relevante para o número fechado do mês”, explica.

Kayo estima ainda que os alimentos também devem voltar a subir, depois de terem recuado em agosto. “Itens in natura devem ter ficado mais caros ao longo do mês, e esses preços costumam oscilar bastante de um mês para o outro”, afirma, destacando ainda as passagens aéreas, que tinham caído muito em agosto e devem ter recuperado parte dessa queda no mês seguinte.

Pressão dos serviços

Para o C6 Bank, além da energia elétrica, que será responsável por até 30 pontos base no indicador, as passagens aéreas devem trazer uma alta de cerca de 10% no mês, conforme antecipado no IPCA-15. A projeção para a alimentação no domicílio é outro destaque citado (deve chegar a 1,19% de alta).

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Para a inflação de serviços, a economista Claudia Moreno diz que a projeção do C6 Bank é de 0,60% em setembro. “Acho que é importante ir acompanhando essa dinâmica dos preços de serviços tanto o headline quando os serviços subjacentes”, afirma.

Claudia Moreno estima que IPCA em 12 meses tenha furado o teto da meta, passando de 4,22% em agosto para 4,58% em setembro. “A perspectiva para o final do ano é de ela caminhar ali para perto dos 5%. “A gente está com atividade aquecida, o mercado trabalho aquecido e uma taxa de desemprego baixa. Então, essa parte de inflação de serviços ela vai continuar pressionando aí a inflação”, comenta.

Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, que prevê o índice cheio entre os 0,70% antecipados pelo IPCA-15 e 0,75%, afirma que o núcleo de energia elétrica fez a reversão dos descontos da tarifa, que vai impactar bastante o grupo de habitação dos preços.

Ela atribuiu a recente piora na expectativas do boletim Focus também aos preço de transportes e alimentos, especialmente no grupo da alimentação no domicílio. “Temos uma intensificação da preocupação com o fato de o petróleo ter disparado”, afirma.

O JP Morgan também destaca que a inflação de setembro vai refletir principalmente a pressão de alta das tarifas de energia elétrica após o fim do bônus de energia.  Mas também enxerga um impulso vindo dos preços mais altos dos combustíveis e das pressões relacionadas ao El Niño sobre os preços de alimentos in natura. Mas ele cita o alívio parcial gerado pela “Semana do Cinema”.

“Além do índice cheio, a inflação de núcleo deve se fortalecer novamente, com as medidas subjacentes se movendo acima do limite superior da meta de inflação do Banco Central, diz o banco de investimentos.

O Daycoval também destaca em sua análise que o fim dos descontos temporários na conta de energia elétrica e a volta da pressão das passagens aéreas e dos alimentos devem levar a variação acumulada do IPCA em 12 meses para o teto da meta do BC, de 4,5%.

“Nossa projeção para a inflação ao final deste ano é de 5,0% e a probabilidade de um evento climático adverso intenso (El Niño) neste segundo semestre demanda cautela, diz o Daycoval, citando ainda que os preços das passagens aéreas devem voltar para o terreno positivo e que itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem seguir pressionados.

“Os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços) devem apresentar alta, mas em ritmo abaixo do observado na leitura anterior. Na variação interanual, o grupo deve inverter trajetória de arrefecimento, o que constitui um desafio para o Banco Central”, diz a análise.

Além disso, os bens industriais também devem registrar alta em setembro, refletindo pressão em móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário. Por sua vez, etanol e automóveis, em deflação, atenuam o grupo, que deve seguir benigno, segundo o Daycoval.

“Por fim, os preços administrados devem mostrar forte alta, com destaque para o fim do desconto na conta de energia elétrica. A volta da gasolina ao terreno positivo intensifica a deterioração do grupo.”

Leonardo Costa, economista do ASA, por sua vez, diz que o principal vetor de pressão deve vir dos preços administrados, especialmente da energia elétrica – ele lembra que o bônus de Itaipu havia gerado forte deflação em agosto.

“Também esperamos aceleração da alimentação no domicílio, puxada principalmente pelos alimentos in natura. Nos núcleos, projetamos média de +0,31%, sinalizando inflação subjacente ainda relativamente controlada”, comenta.

Para ele, a principal contribuição para a desaceleração frente aos meses anteriores vem dos serviços, beneficiados por descontos concentrados em itens de recreação, especialmente cinema, que teve a fase de promoção no mês.



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Soja recua em Chicago com expectativa para USDA e demanda da China

O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou a sessão desta quinta-feira (8) em queda de 0,77%, a US$ 12,87 por bushel, na Bolsa de Chicago.

Segundo a Granar, os investidores adotaram uma postura mais cautelosa antes da divulgação do relatório mensal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), prevista para esta sexta-feira (9). As expectativas de analistas privados apontam para ligeiros aumentos nas estimativas de produção e nos estoques de soja dos Estados Unidos, o que contribuiu para pressionar as cotações.

A Agrinvest também destacou que os futuros da soja operaram no campo negativo ao longo da sessão. A pressão sobre o complexo veio principalmente do farelo, que recuou cerca de US$ 8 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja apresentou leve alta.

O mercado também acompanha o avanço da colheita norte-americana. A previsão de tempo mais seco deve permitir uma aceleração dos trabalhos no campo, embora o atraso registrado até o momento mantenha a atenção dos investidores sobre a disponibilidade de oferta no curto prazo.

Nas vendas semanais de soja dos Estados Unidos, o volume recuou 47%, para 549,4 mil toneladas. No farelo, o volume total chegou a 1,048 milhão de toneladas, mas desse montante 861,9 mil toneladas correspondem a negócios de carregamento de períodos anteriores. As novas vendas somaram cerca de 185,7 mil toneladas.

Além dos dados de oferta e demanda dos Estados Unidos, o mercado segue atento aos próximos movimentos da China nas compras de soja norte-americana, em um momento de expectativa em relação ao fluxo comercial entre os dois países.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro fechou em queda de 0,35% na Bolsa de Chicago, a US$ 5,02 por bushel. O mercado de cereais operou pressionado antes da divulgação do USDA, com os investidores ajustando posições à espera das novas estimativas para oferta e demanda.

Segundo a Agrinvest, as perdas para as referências do milho foram consideradas contidas. Nas vendas semanais dos Estados Unidos, o milho somou 769,5 mil toneladas, alta de 44% em relação à semana anterior. O volume ficou dentro das expectativas do mercado, próximo do piso das projeções.

A Granar destacou que o milho também foi pressionado pelo resultado do relatório semanal de exportações, que foi considerado fraco. O volume negociado não foi suficiente para reduzir o ritmo de queda acumulada nos negócios externos dos Estados Unidos, enquanto o avanço da colheita no Meio-Oeste norte-americano também pesa sobre as cotações ao ampliar a perspectiva de disponibilidade de oferta.

Outro fator acompanhado pelos investidores é a valorização do dólar em relação ao euro nas últimas semanas. Mesmo com uma correção parcial no movimento, o câmbio continua aumentando o preço do milho norte-americano para compradores europeus.

Os Estados Unidos esperam ampliar sua participação no mercado da União Europeia diante da redução da produção do bloco e das restrições impostas pela Ucrânia às exportações pelo Mar Negro.

Trigo

O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro fechou em queda de 0,47% na Bolsa de Chicago, a US$ 6,83 por bushel, em uma sessão marcada pela pressão do câmbio e pela permanência dos riscos logísticos no Mar Negro.

Segundo a Granar, a força do dólar em relação ao euro continuou pesando sobre os preços do trigo nos mercados americanos. Embora o movimento tenha sido parcialmente atenuado, a valorização da moeda norte-americana reduz a competitividade do produto dos Estados Unidos diante dos embarques da União Europeia, que passam a ter maior vantagem no mercado internacional.

De acordo com a Agrinvest, os ataques registrados ao longo da semana mantêm as incertezas sobre a logística da região e elevam o risco de interrupções no fluxo de comercialização, o que contribui para aumentar a volatilidade das cotações do trigo.

 

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