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os desafios do vencedor | Blogs | CNN Brasil


Quando as urnas revelarem o presidente eleito neste domingo (25), seja ele o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vencedor terá pela frente o desafio de adotar uma nova maneira de governar após uma das disputas presidenciais mais apertadas da história.

Escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Planalto para manter a força do bolsonarismo dentro da família, Flávio, segundo aliados, terá de imprimir uma marca própria à Presidência, sem reproduzir os erros do pai.

Lula, por sua vez, reconhece a necessidade de rever a forma de governar depois de um terceiro mandato em que a frente ampla anunciada em 2022 não se traduziu, na avaliação de interlocutores, em uma efetiva divisão de poder nem conseguiu atrair eleitores para além da esquerda.

O próprio fato de a eleição chegar à reta final sem um favorito definido indica que, qualquer que seja o vencedor, encontrará uma oposição organizada e mobilizada.

As pesquisas divulgadas neste sábado (24) mostram Flávio numericamente à frente, em empate técnico. A vantagem alimenta a expectativa de vitória entre os aliados do senador, enquanto o entorno do presidente aposta em uma virada.

Flávio e a influência do pai

No entorno de Flávio, aliados afirmam que, se eleito, o senador terá o pai como conselheiro, mas será o “dono da caneta Bic”. Não renegará o DNA bolsonarista, mas buscará imprimir um estilo mais aberto ao diálogo e à composição política do que o ex-presidente.

Questionado sobre a possibilidade de nomear Jair Bolsonaro para um cargo, o senador afirmou que o pai nunca tratou do assunto com ele. “Meu pai vai ser você, vai ser o povo brasileiro”, disse, em sabatina à TV Globo.

A missão, contudo, não será simples. Além da influência do pai, Flávio terá de administrar os interesses dos irmãos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e de Carlos Bolsonaro, senador eleito por Santa Catarina, identificados com a ala mais ideológica do bolsonarismo.

Há ainda a relação com a madrasta, Michelle Bolsonaro, senadora eleita pelo Distrito Federal. Os dois tiveram atritos durante a pré-campanha e depois se reaproximaram, mas a ex-primeira-dama teve participação discreta na corrida presidencial.

A necessidade de equilibrar as diferentes forças da família se soma às pressões dos aliados que defendem uma gestão mais ao centro.

Um dos argumentos usados por interlocutores do senador para sustentar que seu eventual governo não será um Jair 2.0 é a própria construção da candidatura. Diferentemente do pai, que chegou à Presidência em 2018 pelo então pequeno PSL, com uma aliança partidária restrita e cercado de militares, Flávio disputou a eleição com a estrutura do PL e uma rede mais ampla de apoios políticos.

Depois de disputar o primeiro turno sem a adesão formal de parte expressiva dos partidos de centro, recebeu no segundo turno o apoio de Republicanos, Novo, União Brasil, PP e Podemos. Conquistou ainda o respaldo de integrantes do MDB e do PSD, como o ex-governador Ronaldo Caiado, quinto colocado na corrida presidencial.

Apenas o PL elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores a partir de 2027, além de contar com governadores aliados. A força parlamentar coloca Flávio em uma condição diferente da enfrentada pelo pai, mas também exigirá acomodar interesses de grupos políticos distintos.

Outro desafio será administrar a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A bancada de direita no Senado promete pressionar pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que atingem o clã e um dos principais alvos de críticas do bolsonarismo.

Flávio, se eleito, também encontrará uma oposição de esquerda que voltou a se mobilizar nas ruas e ganhou força nas plataformas digitais, especialmente com o canal Exército de Lula, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

A oposição deverá manter a pressão sobre as suspeitas levantadas contra Flávio durante a campanha, como a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e a relação do senador com o advogado e amigo Willer Tomaz, investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro.

Lula e a reconstrução da frente ampla

Já Lula, se reeleito, permanecerá no Planalto depois do feito histórico de reverter a desvantagem do primeiro turno. A eventual vitória, porém, não apagará as dificuldades enfrentadas em seu terceiro mandato para conquistar apoio fora do eleitorado tradicional do PT.

Embora considere a atual gestão a melhor de seus três mandatos, Lula chega ao fim da disputa sem uma marca que tenha conseguido expandir significativamente sua base eleitoral. O presidente teve dificuldades para dialogar com setores resistentes ao petismo, especialmente evangélicos, representantes do agronegócio e parcelas da classe média.

A campanha também expôs os limites de sua comunicação nas redes sociais. Lula demorou a se adaptar à linguagem digital e só no segundo turno passou a participar mais diretamente de iniciativas nesse ambiente, com a entrada de Janones na estratégia de mobilização.

Foi ao lado de Janones, em uma transmissão na quinta-feira (22), que o presidente fez seu aceno mais explícito à necessidade de mudanças em um eventual quarto mandato.

“Depois da nossa vitória a gente vai ter que discutir um novo jeito de governar este país. A participação do povo nesta campanha, a saída na rua dos estudantes, das mulheres, dos trabalhadores, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar este país. Este país nunca mais será o mesmo”, disse Lula.

Para aliados, porém, a mudança terá de ir além da mobilização popular. A frente ampla que levou Lula de volta ao poder em 2022 não se concretizou, na avaliação desses interlocutores, na condução do governo. O PT preservou o controle de áreas estratégicas e do núcleo mais próximo do presidente, enquanto integrantes da coalizão consideram que tiveram espaço limitado nas decisões.

Auxiliares também descrevem um Lula mais fechado neste terceiro mandato do que nos dois anteriores, com menor disposição para a articulação política e o diálogo com os próprios ministros. Segundo esses interlocutores, o presidente demonstrou resistência a conselhos e a mudanças na forma de conduzir o governo.

O resultado das eleições legislativas reforça a necessidade de negociação. O PT elegeu 70 deputados federais e terá uma bancada de 88 parlamentares com PCdoB e PV, partidos de sua federação. Somados PSOL, Rede, PSB e PDT, as legendas do campo progressista terão 124 cadeiras na Câmara, apenas três a mais que o PL sozinho.

O número está distante dos 257 votos necessários para formar maioria absoluta na Casa. No Senado, o PT terá nove representantes, contra 28 do PL.

Se reeleito, Lula terá de construir uma coalizão capaz de sustentar seu governo em um Congresso de perfil conservador, sem repetir os impasses políticos do terceiro mandato.

Mas a eleição deste domingo também marca um momento decisivo na trajetória política de Lula. O presidente, que completará 81 anos na próxima terça-feira (27), disputa sua última eleição presidencial. Se vencer, conquistará um quarto mandato e poderá completar 16 anos à frente do país — apenas dois a menos que Getúlio Vargas.

Se perder, encerrará sua última campanha ao Palácio do Planalto com uma derrota nas urnas. O petista concorreu em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2022, sendo eleito nas três últimas disputas.

Desta vez, o petista entrou na campanha convencido de que venceria Flávio Bolsonaro. Apenas ao sair atrás do candidato do PL no primeiro turno é que Lula viu sua reeleição ameaçada. A mobilização nas ruas e nas redes deu novo fôlego à campanha do ex-sindicalista.

“A única campanha similar a esta foi a de 1989. Foi a mais emocionante que participei pela participação da sociedade”, afirmou Lula, ao participar de seu último ato de campanha na Avenida Paulista neste sábado (24).



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Conheça a trajetória das três goianas entre as 100 mulheres mais poderosas do agro brasileiro, segundo a Forbes

Três mulheres que atuam em diferentes frentes do agronegócio goiano estão entre as 100 mulheres poderosas do agro brasileiro, lista elaborada pela Forbes Brasil. Ana Amélia Paulino, Camila Colpo e Nathália Secco representam trajetórias distintas, que passam pela pecuária, pela produção de sementes e pela inovação tecnológica. Em comum, elas têm a atuação em um setor historicamente marcado pela presença masculina e a busca por ampliar a participação feminina em posições de liderança.

Em Porangatu, Ana Amélia Paulino construiu sua trajetória entre a administração de propriedades rurais e a representação dos produtores. Advogada de formação, ela se tornou a primeira mulher a presidir o Sindicato Rural do município, após enfrentar resistências para ocupar espaços de decisão. À frente das fazendas da família, também trabalha com pecuária de cria e criação de cavalos, conciliando a atividade rural com a defesa dos interesses do setor.

Em Formosa, Camila Colpo ocupa uma posição estratégica em uma das principais empresas brasileiras de sementes. Engenheira-agrônoma formada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela preside o conselho de administração da Boa Safra Sementes desde 2015, participando do desenvolvimento de uma companhia que alcançou projeção nacional. Já em Rio Verde, Nathália Secco percorreu um caminho diferente: depois de construir carreira na música, direcionou sua experiência para o empreendedorismo e fundou uma aceleradora de agtechs voltada à aproximação entre startups e o agronegócio.

As histórias das três mostram como a presença feminina no agro se manifesta em diferentes áreas, da gestão de propriedades e empresas à incorporação de novas tecnologias no campo. Com experiências que conectam tradição familiar, formação técnica e empreendedorismo, Ana Amélia, Camila e Nathália ajudam a ilustrar as transformações de um setor que depende cada vez mais de conhecimento, inovação e capacidade de gestão para ampliar sua competitividade.

Ana Amélia: do sonho de infância à Forbes

Ana Amélia Paulino tinha um destino traçado pela família: seguir a carreira do pai, advogado com clientela consolidada em São Paulo. Ela, porém, tinha outros planos. Desde criança, sonhava em viver na roça e trabalhar com a atividade rural desenvolvida pela família no Norte de Goiás. A decisão de trocar a cidade grande pelas fazendas não foi bem recebida em casa, mas se tornou o ponto de partida de uma trajetória que a levaria à presidência do Sindicato Rural de Porangatu e ao reconhecimento nacional.

Pecuarista e advogada de formação, Ana Amélia está entre as 100 mulheres poderosas do agronegócio brasileiro, lista elaborada pela Forbes Brasil. À frente das propriedades rurais da família desde 2005, ela também preside a Comissão de Equideocultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e se tornou a primeira mulher a comandar o sindicato rural do município.

A história começou muito antes dos cargos e das premiações. As visitas às propriedades durante as férias escolares alimentaram o desejo de trocar a rotina urbana pela vida no campo. A lembrança de uma conversa com o avô ajuda a explicar a escolha.

Desde que eu nasci eu queria morar na roça, eu matava aula na escola e que meu avô um dia falou pra mim, minha filha tem que estudar, se quem não estuda vai pra roça. Eu falei, então pronto, resolvi meu problema, é só não estudar

A brincadeira de infância, no entanto, não significava que ela deixaria os estudos de lado. Ana Amélia se formou em Direito e, em 2000, mudou-se para Goiás para assumir o trabalho nas fazendas. A decisão provocou um rompimento familiar. O pai queria que ela desse continuidade ao legado profissional dele em São Paulo e não acreditou, inicialmente, que a filha estivesse preparada para a atividade rural.

“E eu vim pra cá, quando eu vim meu pai me tirou da fazenda, me colocou pra fora e mandou eu me virar, né? Achando que tava querendo brincar de ser fazendeira, vamos dizer assim”, relata.

Ana Amélia Paulino, primeira mulher a presidir o Sindicato Rural de Porangatu | Foto: Divulgação

Longe das propriedades, Ana Amélia encontrou outro caminho para se manter. Trabalhou como professora de História e Geografia e também deu aulas na Universidade Estadual de Goiás (UEG), onde permaneceu por 12 anos. A reaproximação com o pai aconteceu depois de uma experiência na política municipal. Em 2004, ela trabalhou em uma campanha eleitoral e recebeu elogios pelo desempenho. A avaliação positiva fez o pai reconsiderar a decisão.

“E aí em 2004 eu trabalhei numa campanha eleitoral aqui do município e aí falaram pro meu pai que eu tinha trabalhado muito bem, tinha feito muito bem e aí meu pai viu que eu tava no caminho certo, me chamou e me passou a administração das fazendas”, conta.

Desde então, Ana Amélia passou a administrar as três propriedades rurais da família, localizadas em Trombas, a cerca de 30 quilômetros de Porangatu. Na Fazenda Barra das Onças, a atividade é voltada à pecuária de cria, com matrizes bovinas e manejo direcionado ao desenvolvimento dos animais. A propriedade também abriga sua paixão pelos cavalos: ela mantém um plantel de 69 éguas de corrida da raça Quarto de Milha.

A gestão das fazendas também trouxe novos desafios. A pecuarista aposta na tecnologia para melhorar o controle do rebanho. Segundo ela, os animais são identificados por chips e bottons, o que permite acompanhar o desenvolvimento das matrizes e dos bezerros. Para Ana Amélia, a rastreabilidade é uma exigência que deve fazer parte do futuro da pecuária, e não um obstáculo à produção.

“Eu não vejo dessa forma”, afirma sobre a possibilidade de a rastreabilidade se tornar um entrave para os produtores. Ela reconhece os custos envolvidos, mas defende que sindicatos e associações encontrem alternativas para facilitar o acesso dos pequenos pecuaristas às ferramentas necessárias.

A preocupação com quem produz também orienta sua atuação sindical. Ana Amélia entrou na diretoria do Sindicato Rural de Porangatu entre 2010 e 2011, tornando-se a primeira mulher a ocupar uma vaga na direção. Durante esse período, participou de iniciativas ligadas à equideocultura, como a criação de um shopping de cavalos, e de projetos voltados à ecoterapia.

Depois de duas gestões na diretoria, decidiu disputar a presidência. O caminho, mais uma vez, foi marcado por resistência. Ela relata ter enfrentado questionamentos e dificuldades para viabilizar a candidatura, em um ambiente no qual a presença feminina em posições de liderança ainda provoca desconfiança. Em 2023, voltou a se candidatar e conseguiu assumir o comando da entidade, tornando-se pioneira no cargo.

Para ela, o machismo no agronegócio não se limita a episódios isolados. A pecuarista afirma que mulheres precisam demonstrar repetidamente sua capacidade e enfrentam julgamentos diferentes dos dirigidos aos homens.

“A mulher, eu sempre falo que a mulher é testada, retestada, reprovada, até ela entrar num carro”, diz.

Ana Amélia avalia, porém, que a participação feminina não deve ser entendida como uma disputa com os homens, mas como uma contribuição para ampliar as perspectivas do setor. Na rotina das propriedades, ela acredita que a sensibilidade para perceber as condições dos trabalhadores pode complementar a visão técnica da atividade.

“O que a gente tem que entender é que mulheres e homens têm características comportamentais diferentes e conseguem ter visões que podem agregar muito para o agronegócio”, afirma.

O reconhecimento da Forbes chega em um momento em que ela pretende ampliar essa contribuição para além das próprias fazendas. Ana Amélia diz que seu principal objetivo é transformar a maneira como o sindicalismo rural se relaciona com os produtores, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades para permanecer na atividade.

“O meu sonho é deixar o legado de um sindicalismo diferenciado”, resume.

A proposta, segundo ela, é aproximar pequenos, médios e grandes produtores das entidades representativas e ampliar o acesso à orientação, à capacitação e às políticas públicas. O Sindicato Rural de Porangatu, afirma, oferece cursos e treinamentos a 16 assentamentos, iniciativa que considera importante para fortalecer o vínculo dos trabalhadores com o setor.

E que os pequenininhos também venham pra dentro do sindicalismo. O sindicalismo é pra todos. Pra orientar

A atuação também passa pela defesa de medidas que ajudem a reduzir os custos de produção e facilitem o acesso ao crédito rural. Ana Amélia cita o endividamento de pecuaristas e as dificuldades para conseguir recursos como questões que exigem atenção das entidades representativas e dos governos. Para ela, o papel do sindicato é ouvir as demandas de quem está na base e buscar soluções que permitam a continuidade da produção.

Apesar de já ter sido apontada como possível candidata a prefeita, ela afirma que, neste momento, não pretende entrar na política partidária. Sua prioridade continua sendo a defesa dos produtores rurais. “O meu partido é o partido do produtor rural. Eu trabalho para o produtor rural”, declara.

A vida na fazenda, segundo Ana Amélia, também transformou sua maneira de enxergar as pessoas e a liderança. Longe do ambiente de escritório, ela passou a acompanhar de perto as dificuldades de quem trabalha sob o sol e depende de condições climáticas favoráveis para produzir. A experiência, afirma, ensinou humildade, resiliência e espírito de coletividade.

“Humildade, resiliência, espírito de coletividade”, responde ao falar sobre o que aprendeu com a rotina rural.

É esse vínculo com o campo que ela pretende preservar como parte de seu legado. Mais do que ocupar espaços de liderança, Ana Amélia quer contribuir para que o agronegócio seja compreendido como uma atividade que movimenta a economia, sustenta municípios e envolve produtores de diferentes portes. “E que minha filha possa ter orgulho da mãe que ela tem. Falar, ó, minha mãe fez isso”, diz.

Entre a menina que sonhava em morar na roça e a pecuarista reconhecida nacionalmente, a trajetória foi marcada por escolhas difíceis, recomeços e resistência. Agora, Ana Amélia quer usar a experiência acumulada nas fazendas e no sindicalismo para aproximar o setor da sociedade e abrir espaço para que mais produtores sejam ouvidos.

Nathália Secco: da música à tecnologia

Nathália Secco, que idealizou a Orchestra Innovations Center | Foto: Divulgação

Aos 14 anos, Nathália Secco gravou o primeiro CD pela Universal Music e começou a construir uma carreira na música. Em 2004, lançou um videoclipe e um álbum no programa do Faustão. Mais de duas décadas depois, seu nome ganhou espaço por outro motivo: o trabalho para aproximar startups de tecnologia do agronegócio brasileiro. A transição entre os dois universos, no entanto, não significou o abandono da criatividade que a acompanhava desde a infância. Foi justamente essa característica que a levou a empreender e a apostar na inovação como ferramenta para transformar o campo.

Natural de Goiás, Nathália começou a cantar por volta dos seis anos. Aos 16, conheceu a música clássica, interessou-se pelo canto lírico e ingressou na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde se formou em Música e Canto Lírico. Enquanto desenvolvia a carreira artística, também acompanhava de perto o agronegócio, atividade que sempre esteve presente na vida familiar. Seus pais foram produtores rurais e mantiveram, por mais de 40 anos, uma revenda agrícola.

O interesse pelo universo dos negócios levou Nathália a buscar formação em liderança e gestão. Ela cursou MBA na Fundação Getulio Vargas (FGV) e, por volta de 2016, aprofundou os estudos em inovação e investimentos, com especializações na Universidade Stanford e na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos.

A experiência acadêmica e profissional abriu caminho para uma mudança de perspectiva. Ao conhecer empresas de tecnologia e startups com soluções voltadas ao campo, Nathália percebeu uma oportunidade: levar essas ferramentas ao mercado brasileiro e aproximar os empreendedores dos desafios reais enfrentados pelos produtores.

E tudo isso me fez perceber que eu poderia, além de levar soluções e empresas, startups, que eu conheci ali, para o Brasil, para o mercado brasileiro do agronegócio, que precisa de tecnologia e investe muito em tecnologia

A ideia ganhou forma em Rio Verde, município do sudoeste goiano reconhecido pela força do agronegócio. Em 2019, ela fundou a Orchestra Innovations Center, aceleradora de empresas de tecnologia agrícola, as chamadas agtechs. A proposta era ajudar startups brasileiras e estrangeiras a desenvolver mercado, adaptar soluções e testar tecnologias em propriedades rurais, indústrias e empresas do setor.

O empreendimento nasceu em um ambiente que ainda não contava com uma estrutura consolidada de inovação aberta dedicada exclusivamente ao agronegócio. Para Nathália, construir esse modelo fora dos grandes centros de negócios exigiu mais do que trazer referências internacionais: foi necessário adaptar a experiência à realidade regional e demonstrar, na prática, os benefícios das tecnologias.

“Então, a gente não estava em um grande centro de negócios e de inovação em si, em um grande centro do agronegócio. Então, a gente teve que adaptar. E esse pioneirismo foi um desafio muito grande”, relata.

A empresária destaca que a Orchestra foi a primeira aceleradora do Centro-Oeste dedicada exclusivamente ao agronegócio. A iniciativa também contribuiu para inserir Rio Verde nas redes de inovação que conectam empresas, investidores e empreendedores de diferentes países.

Além da aceleradora, Nathália criou a Orchestra Ventures, gestora de investimentos que atua com startups e capital de risco. A estrutura ampliou a possibilidade de apoiar empresas de tecnologia e conectar soluções desenvolvidas no Brasil e no exterior às demandas do setor agropecuário.

O trabalho resultou em tecnologias aplicadas a aproximadamente 200 mil hectares de lavouras de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, conforme o histórico da iniciativa. Entre as soluções estão ferramentas de inteligência artificial para mapear áreas e identificar focos de plantas daninhas, permitindo direcionar a pulverização de herbicidas e reduzir desperdícios.

Segundo Nathália, algumas tecnologias aplicadas no campo proporcionaram redução de até 80% nos custos com herbicidas. Ela também relata que algumas empresas atendidas pela aceleradora chegaram a triplicar o faturamento durante um período de três meses no programa de aceleração.

O objetivo, explica, não é apenas apresentar uma tecnologia ao produtor, mas fazer com que ela funcione nas condições reais da operação agrícola. Por isso, a aceleradora trabalha com empresas que já possuem produtos desenvolvidos e precisam ampliar sua presença no mercado, além de adaptar soluções estrangeiras às características do agronegócio brasileiro.

A empresária reconhece, porém, que o acesso à inovação ainda é desigual. No Brasil, muitas startups concentram seus esforços em grandes propriedades, onde conseguem alcançar uma escala maior de negócios. Para pequenos produtores, existem soluções específicas de gestão, crédito e mecanização, mas a ampliação do acesso também depende de condições que permitam investir nessas ferramentas.

Mas, no termo de investimento, já se vê investimento sendo feito em startups para desenvolver tecnologias e para os produtores pequenos

Nathália defende que a inovação deve contribuir tanto para aumentar a produtividade quanto para tornar a produção mais sustentável. Entre as tecnologias que considera estratégicas para o futuro do setor está a biotecnologia, especialmente pelo potencial de desenvolver insumos mais eficientes e reduzir a dependência de produtos químicos.

“Eu acredito muito na biotecnologia, né, porque a gente tem visto muito a mudança nas soluções agrícolas nos últimos anos aí”, diz.

A trajetória na inovação também levou a empresária a receber reconhecimento internacional. Em 2021, ela foi selecionada para uma lista da Forbes voltada a empreendedores e lideranças em tecnologia e inovação e integrou uma seleção de mulheres inovadoras no setor. Em 2025, recebeu uma premiação na categoria de tecnologia agrícola durante o Global Women in Agritech, realizado na Bélgica, no qual foi a única brasileira premiada, segundo seu relato.

Agora, Nathália integra a lista das 100 mulheres poderosas do agronegócio brasileiro da Forbes Brasil. Para ela, a presença na seleção representa não apenas uma conquista individual, mas o reconhecimento de um trabalho desenvolvido ao longo de anos para aproximar o setor agropecuário dos ecossistemas de inovação.

“Então, assim, é uma responsabilidade estar nessas listas, todas elas. E também é uma alegria por saber que o nosso trabalho árduo de tantos anos, ele está sendo e sempre foi, nesse tempo, sempre vem sendo apoiado”, afirma.

Nathália integra a lista das 100 mulheres poderosas do agronegócio brasileiro da Forbes Brasil | Foto: Divulgação

Apesar da mudança de carreira, a música continua fazendo parte de sua vida. Nathália ainda realiza trabalhos artísticos, mas agora tem liberdade para escolher repertórios e projetos sem depender exclusivamente da atividade. Ela conta que sentia falta de criar algo próprio e exercer a liderança, desejo que encontrou no empreendedorismo.

“Eu sentia que faltava algo, que eu tinha o desejo de liderar, de desenvolver algo meu, sabe, do zero, e liderar algo, e foi aí eu sempre fui muito criativa, então eu queria criar algo diferente”, explica.

A expansão dos negócios também ganhou uma dimensão internacional. Nathália afirma que a Orchestra Ventures abriu uma operação em Orlando, nos Estados Unidos, e passou a atuar em uma nova frente de investimentos no setor imobiliário, além do venture capital.

Entre a carreira artística e o empreendedorismo, a empresária construiu uma atuação que une criatividade, gestão e tecnologia. Seu objetivo é fazer com que soluções desenvolvidas por startups cheguem às propriedades rurais e produzam resultados concretos, ao mesmo tempo que fortalece a presença de Rio Verde e de Goiás no cenário internacional da inovação aplicada ao agronegócio.

Camila Colpo

A história de Camila Colpo Koch com o agronegócio começou antes de ela assumir uma posição de liderança. Filha de produtores rurais gaúchos que chegaram a Goiás em 1979, ela cresceu acompanhando a atividade no campo e transformou a experiência familiar em uma carreira que combina conhecimento técnico, inovação e gestão empresarial. Hoje, aos 36 anos, está entre as 100 mulheres poderosas do agronegócio brasileiro, lista publicada pela Forbes Brasil.

A trajetória da família está ligada à expansão agrícola do Cerrado. O pai de Camila chegou a Goiás quando a região ainda era pouco explorada pela agricultura comercial. Segundo reportagem da Forbes, ele trocou um Fusca usado por um pedaço de terra em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, apostando no potencial produtivo da região.

A experiência no campo despertou em Camila o interesse pelo estudo das sementes. Entre 2008 e 2013, ela cursou Engenharia Agronômica na Universidade Federal de Goiás (UFG). Depois de formada, assumiu a gestão de uma propriedade rural da família e passou a participar diretamente do desenvolvimento dos negócios.

A produção de sementes, iniciada pela família na década de 1990, ganhou novos investimentos em qualidade e tecnologia. Em 2013, a empresa implantou um laboratório próprio para análise de sementes, iniciativa voltada ao controle técnico da produção. Camila também liderou investimentos em climatização de armazéns, com controle de temperatura e umidade para preservar o vigor e a capacidade de germinação.

Em 2017, ela se especializou em melhoramento genético de sementes no centro de pesquisas da Syngenta, em Toulouse, na França. Também buscou formação em gestão do agronegócio e governança corporativa, incluindo cursos pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Ao lado do irmão, Marino Colpo, atual diretor-presidente da companhia, Camila é cofundadora e acionista controladora da Boa Safra Sementes. Ela preside o conselho de administração desde 2015, enquanto o irmão conduz a gestão executiva. A atuação de Camila tem foco na qualidade técnica e no desenvolvimento dos produtos.

Com sede em Formosa, a Boa Safra abriu capital na Bolsa de Valores brasileira (B3) em 2021 e se consolidou como uma das principais empresas nacionais do segmento. A companhia detém cerca de 10% do mercado brasileiro de sementes de soja. Em 2025, registrou receita líquida de R$ 2,62 bilhões, crescimento de 42% em relação ao ano anterior.

A produção envolve aproximadamente 350 agricultores parceiros, responsáveis pela multiplicação de sementes em cerca de 300 mil hectares. Além da soja, a empresa investe no desenvolvimento de sementes de milho e girassol, com foco em melhoramento genético, análises laboratoriais e tecnologias voltadas à qualidade.

A presença de Camila na lista da Forbes destaca a atuação de mulheres em posições estratégicas de decisão no agronegócio. Sua trajetória reúne a continuidade de um negócio familiar e a busca por profissionalização, pesquisa e inovação em uma companhia que cresceu a partir do interior de Goiás e alcançou o mercado nacional.

Leia também: As trajetórias que levaram três mulheres de Goiás à lista de poderosas do agronegócio

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Urnas são abertas no exterior para o segundo turno das eleições


Já é dia de eleição na Nova Zelândia. Brasileiros que vivem no país são os primeiros a votar para o segundo turno das eleições 2026. Por lá, as urnas abiram às 16h deste sábado (24) pelo horário de Brasília. No Brasil, a votação começa às 8h deste domingo (25), pelo horário oficial.

Ao todo, 918 mil brasileiros que vivem fora do país estão aptos a votar neste ano, distribuídos por 186 cidades de 134 países, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número representa um aumento de 31,82% em relação às eleições de 2022, quando aproximadamente 697 mil eleitores estavam habilitados a votar no exterior.

A diferença de fuso horário entre os países permite que os primeiros votos sejam registrados antes mesmo da abertura das seções eleitorais em território brasileiro.

A votação no exterior ocorre, em geral, das 8h às 17h no horário local, o que faz com que o processo eleitoral dure, ao todo, 29 horas — começando no sábado às 16h na Nova Zelândia e terminando com o Canadá às 21h de domingo.

Depois da Nova Zelândia, as urnas abrem na Austrália e países da Ásia na noite de sábado. Na madrugada e manhã de domingo, brasileiros que vivem na Europa começam a votar.

Às 8h da manhã de domingo, é a vez do Brasil iniciar o pleito. Ao longo de domingo, a votação ocorre nos Estados Unidos, Canadá e demais países das Américas.

Neste ano, os Estados Unidos concentram o maior número de brasileiros aptos a votar fora do país, com cerca de 265,4 mil eleitores. Portugal aparece em segundo lugar, com aproximadamente 134,7 mil, seguido pelo Japão, com 88,4 mil. Juntos, os três países reúnem pouco mais da metade do eleitorado brasileiro no exterior.

Entre as cidades, Lisboa, em Portugal, tem o maior contingente de eleitores, com 78,8 mil pessoas registradas. Na sequência aparecem Boston, nos Estados Unidos, com 53,4 mil, e Porto, também em Portugal, com 47,6 mil.

No primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou na liderança entre os brasileiros que vivem no exterior. Flávio ficou em segundo lugar.

O presidente venceu em 64 países, com 47,57% dos votos válidos, enquanto o senador liderou em 36, com 43,49% dos votos válidos.

 



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O TEMPO E A TEMPERATURA: temporais isolados atingem Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e DF no domingo (25)


O domingo (25) tem pancadas de chuva e trovoadas isoladas em toda a região. Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande tem muitas nuvens com pancadas e trovoadas e máxima de 27°C, com umidade de até 100%. O mesmo sistema pode atingir Três Lagoas, a leste, Ponta Porã, na fronteira, e Corumbá, no Pantanal, com rajadas de vento do sul e do sudoeste.

Em Mato Grosso, Cuiabá tem calor de 39°C, com pancadas e trovoadas isoladas à tarde e à noite. A instabilidade pode alcançar Cáceres, a oeste, Rondonópolis, ao sul, Barra do Garças, no leste, e Sinop, no norte do estado. Em Goiás, Goiânia chega a 35°C com pancadas e trovoadas isoladas. Anápolis, Catalão, Itumbiara e Jataí podem ter chuva forte e rápida.

No Distrito Federal, Brasília tem muitas nuvens, pancadas isoladas e máxima de 30°C. O sistema pode se estender a Formosa e Planaltina de Goiás. A umidade fica em torno de 40% na capital.

5 motivos para acompanhar as previsões do tempo

  • Agricultura: garantia de uma boa colheita;
  • Marinha: proteção de marinheiros, navios e passageiros;
  • Aeronáutica: segurança de pilotos, aeronaves e passageiros;
  • Pesca: condições favoráveis e seguras para a atividade;
  • Turismo: garantia de passeios e viagens tranquilas e agradáveis.

Importância das observações meteorológicas no INMET

As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).



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