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ANP abre consulta e audiência sobre regras do etanol

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) publicou, nesta terça-feira (26), aviso de consulta e audiência pública sobre mudanças na regulamentação da comercialização de etanol anidro combustível e na formação de estoques para o período de entressafra da cana-de-açúcar.

O aviso trata de proposta de alteração da Resolução ANP nº 946/2023, norma que estabelece regras para a comercialização de etanol anidro combustível e para a constituição de estoques durante o período de menor produção do setor sucroenergético.

Segundo a ANP, a medida integra a ação 4.10 da Agenda Regulatória 2025-2026. O objetivo da consulta pública é receber contribuições de agentes econômicos, consumidores e demais interessados sobre a minuta de resolução e os documentos técnicos que embasam a proposta.

A consulta pública ficará aberta por 45 dias a partir da publicação do aviso no Diário Oficial da União. As contribuições deverão ser encaminhadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no portal da agência.

A audiência pública está marcada para 3 de agosto, em formato virtual. Durante o encontro, a Superintendência de Distribuição e Logística da ANP fará a apresentação do tema e, em seguida, haverá espaço para manifestações dos inscritos.

Os interessados em participar como expositores ou ouvintes deverão se inscrever até 20 de julho, também pelo site da agência. Cada expositor terá tempo definido pela presidência da audiência e seguirá a ordem de inscrição.

A ANP informou ainda que pretende publicar o relatório das contribuições recebidas em até dez dias úteis após o encerramento da consulta pública. Já o relatório da audiência pública deverá ser divulgado em até 30 dias após a realização do evento. O posicionamento final da agência sobre as contribuições será publicado após deliberação da Diretoria Colegiada.

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São Martinho tem alta de 64,6% no lucro líquido do trimestre

A São Martinho encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 172,8 milhões, resultado 64,6% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior. 

A receita líquida da companhia somou R$ 2,2 bilhões no trimestre, alta de 29,1% na comparação anual. 

O Ebitda ajustado atingiu R$ 1 bilhão no trimestre, avanço de 41,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

No acumulado da safra 2025/26, a empresa registrou lucro líquido de 836,2 milhões, 50,2% a mais na comparação interanual. 

A receita líquida totalizou R$ 7,4 bilhões, 3,3% maior que um ano antes. Já o Ebitda ajustado alcançou R$ 3,5 bilhões, crescimento de 1,7%.

A margem Ebitda ajustada fechou o período em 47,1%, recuo de 0,7 ponto percentual em relação à safra anterior. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, encerrou o ciclo em 1,41 vez, queda de 1,1% na comparação anual.

Produção e processamento

Durante a safra, a São Martinho processou cerca de 21,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e 521 mil toneladas de milho, totalizando 3,045 milhões de toneladas de ATR (açúcar total recuperável) produzido. 

Segundo a companhia, o período foi marcado por escassez de chuvas em uma fase considerada crítica para o desenvolvimento da lavoura, o que impactou a produtividade agrícola e o nível de ATR do canavial.

No período, a empresa comercializou aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de açúcar, 1,2 bilhão de litros de etanol, 1.113 mil MWh de energia elétrica renovável e 137 mil toneladas de DDGs.

Em comunicado, a companhia afirmou que o cenário da safra foi marcado por volatilidade nos preços das commodities, desafios climáticos e incertezas macroeconômicas. 

A empresa informou ainda que, diante da queda nos preços do açúcar e da volatilidade no mercado de etanol, alterou o mix de produção em setembro para ampliar a participação do biocombustível e concentrou 40% das vendas de etanol no quarto trimestre.

A São Martinho também destacou investimentos realizados ao longo de 2025, entre eles a aquisição de áreas de canavial da Santa Elisa. 

No segmento de novos negócios, a empresa informou o início da operação de sua planta de biometano na unidade Santa Cruz e anunciou novos investimentos em etanol de milho.

Segundo a companhia, os resultados da primeira planta acoplada na unidade Boa Vista motivaram a aprovação da expansão da capacidade de produção.

Projeção 2026/27

Para a próxima safra, a empresa projeta crescimento de 10,7% no ATR, totalizando 3,37 milhões de toneladas, e moagem recorde de cerca de 23,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar

De acordo com a companhia, a expectativa está relacionada aos índices pluviométricos registrados no encerramento do ciclo, à expansão na área de colheita e à gestão da massa verde nos canaviais.

Para a safra 2026/27, a empresa estima que a planta de etanol de milho contribua com 364,3 mil toneladas de ATR, a partir do processamento de 495 mil toneladas de milho, volume 5% inferior ao registrado anteriormente. A projeção considera produção de aproximadamente 209 mil metros cúbicos de etanol, queda de 5,4%, além de 134 mil toneladas de DDGs, recuo de 3,1%, e 8 mil toneladas de óleo de milho, redução de 0,3%.

Segundo a companhia, a estimativa considera níveis de eficiência industrial alinhados aos da safra 2025/26 e um período maior de manutenção em razão do cronograma de implementação da segunda fase da planta da unidade Boa Vista.

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O que é glifosato, alvo de ação do MPT na Justiça; entenda

O MPT (Ministério Público do Trabalho) pediu que a Anvisa e o governo federal proíbam o uso do glifosato, defensivo mais utilizado no Brasil. Mas o que é o glifosato e por que ele gera tanta controvérsia?

O glifosato é um herbicida usado para controlar plantas daninhas em áreas agrícolas, urbanas e de manejo florestal, bloqueando uma enzima essencial ao crescimento das plantas invasoras. 

Desenvolvido na década de 1970 e comercializado inicialmente pela empresa Monsanto, o produto tornou-se um dos defensivos mais utilizados no mundo, especialmente em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

Mas o glifosato é alvo de debate científico e regulatório há anos. Em 2015, a IARC (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde), classificou a substância como “provavelmente cancerígena para humanos”. A classificação levou diversos países a revisar regras de uso e estimulou disputas judiciais e debates públicos sobre segurança sanitária e impactos ambientais.

Ao mesmo tempo, outras agências reguladoras internacionais, como a Autoridade Europeia para Segurança dos Alimentos e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, concluíram que não havia evidências suficientes para classificar o glifosato como cancerígeno nas condições autorizadas de uso. 

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) realizou uma reavaliação toxicológica e afirmou, em parecer publicado em 2019, que não encontrou evidências conclusivas de carcinogenicidade, mutagenicidade ou desregulação hormonal relacionadas ao produto nas condições avaliadas.

“Avaliações conduzidas em diferentes países ou por organismos internacionais podem adotar metodologias, parâmetros e objetivos distintos, considerando características próprias de cada sistema regulatório. Por esse motivo, comparações diretas ou interpretações isoladas de estudos e classificações podem não refletir integralmente as condições de uso, exposição e os referenciais adotados em cada jurisdição”, disse o Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), em nota.

As controvérsias também chegaram aos tribunais. Nos Estados Unidos, milhares de ações judiciais foram movidas contra a Bayer, que adquiriu a Monsanto, acusando a companhia de não alertar adequadamente consumidores e trabalhadores rurais sobre possíveis riscos associados ao herbicida. 

Alguns processos resultaram em indenizações milionárias a agricultores diagnosticados com linfoma não-Hodgkin. A empresa afirma que o produto é seguro quando utilizado conforme as orientações regulatórias e contesta a relação causal entre o glifosato e o câncer.

Além das discussões sobre saúde humana, estudos e movimentos sociais levantam preocupações relacionadas à contaminação ambiental, impactos sobre biodiversidade, resistência de ervas daninhas e presença de resíduos em água e alimentos. Em alguns países e regiões foram adotadas restrições parciais ou planos de redução do uso da substância.

No Brasil, o uso do glifosato é regulamentado por órgãos federais como a Anvisa, o Ministério da Agricultura e o Ibama. A legislação prevê regras de segurança para armazenamento, preparo e aplicação do produto. Entre as exigências estão o uso de equipamentos de proteção individual, treinamento de aplicadores, respeito a distâncias mínimas de moradias e fontes de água, além da observância das instruções presentes em bula e receituário agronômico.

As normas também estabelecem cuidados para evitar a deriva da pulverização, descarte inadequado de embalagens e contaminação ambiental. Segundo o Sindiveg, a segurança nas operações com defensivos agrícolas depende da adoção de protocolos de aplicação, planejamento das atividades e observância dos parâmetros técnicos específicos de cada modalidade de uso.

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MBRF investe R$ 500 milhões na Gelprime para ampliar produção de colágeno

A MBRF anunciou nesta terça-feira (26) um investimento de R$ 500 milhões na Gelprime, empresa especializada na fabricação e distribuição de gelatina e colágeno, da qual a MBRF detém 50% de participação desde outubro. Os recursos serão destinados à expansão da capacidade produtiva da companhia.

Segundo comunicado divulgado pela MBRF, os aportes permitirão a inauguração de uma nova linha de colágeno funcional no segundo semestre. O investimento inclui a aquisição de equipamentos para a produção do ingrediente, utilizado pela indústria alimentícia em produtos com maior valor agregado.

O plano de expansão também prevê a ampliação da linha de colágeno hidrolisado, com entrada em operação prevista para 2027. O produto é utilizado em suplementos e pode ser incorporado a diferentes categorias, incluindo bebidas e alimentos industrializados.

De acordo com a empresa, as novas operações devem permitir que a Gelprime dobre sua capacidade de produção. A expectativa é que a companhia alcance cerca de 30 mil toneladas de capacidade até 2030, posicionando-se entre as cinco maiores produtoras globais de gelatina e colágeno.

No comunicado, o chairman da MBRF, Marcos Molina, afirmou que a estratégia de crescimento da companhia está alinhada ao aumento da demanda global por proteínas e produtos de maior valor agregado, como gelatinas e colágenos.

Já o CEO da Gelprime, Vinícius Vanzella, declarou que a operação conjunta entre as empresas amplia a oferta de soluções proteicas derivadas da cadeia da carne, com foco em ingredientes de alta concentração de proteínas e pureza voltados à indústria alimentícia.

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