A economia brasileira começou o ano com avanço de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, comparado ao trimestre imediatamente anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, o avanço do indicador foi de 1,8%. Em 2025, o avanço do primeiro trimestre havia sido de 1,4%.
O resultado veio em linha com as estimativas do mercado e, na análise dos especialistas, a economia segue resiliente.
Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que, desta vez, o resultado do PIB não foi impulsionado pelo agro, mas sim pela recuperação da indústria e do varejo, além do crescimento constante em diversas atividades de serviços. Na comparação anual, a indústria avançou 1,6%, e serviços cresceu 2,1%, já perdendo fôlego, segundo Margato.
O agro teve desempenho 0,7% superior ao primeiro trimestre do ano passado, percentual relativamente baixo porque a base de comparação era alta, já que em 2025 houve uma supersafra após um ano de queda.
A expectativa para o ano é de que a atividade doméstica permaneça sólida, sustentada por impulsos de renda e crédito, avalia Margato.
| Período | PIB | AGRO | INDUS | SERV | FBCF | CONS. FAM | CONS. GOV |
| 1T26 / 4T2025 (com ajuste sazonal) | 1,10% | 2,00% | 1,00% | 0,50% | 3,50% | 1,00% | 0,40% |
| 1T26/1T25 (sem ajuste sazonal) | 1,80% | 0,70% | 1,60% | 2,10% | -1,40% | 1,70% | 2,80% |
| Acumulado em quatro trimestres / mesmo período do ano anterior (sem ajuste sazonal) | 2,00% | 7,50% | 1,30% | 1,80% | 0,40% | 1,20% | 2,30% |
Pela ótica da oferta, o crescimento da agropecuária foi sustentado pela safra recorde de soja, com produção 4,8% acima da estimativa anual, favorecida por condições climáticas e expansão de área plantada, avalia Leonardo Costa, economista do Asa. Na direção oposta, Costa destaca que o milho teve recuo de 2,5%, e o arroz perdeu 10,6% no desempenho.
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A indústria avançou 1,0% no trimestre, tracionada, sobretudo, pela indústria extrativa mineral, que saltou 3,6% devido à forte extração de petróleo e gás. A construção civil também demonstrou força, com alta de 2,9%, o que reflete o crescimento do pessoal ocupado na atividade e a execução de obras de programas habitacionais.
Por outro lado, a indústria de transformação ficou praticamente estagnada, registrando apenas 0,1% de variação. Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, esse cenário ratifica o quadro de “comportamento apenas moderado” de setores sensíveis aos ciclos da economia doméstica.
O setor de serviços, responsável por cerca de 70% da economia, cresceu 0,5%. As áreas de informação e comunicação aceleraram 2,4%, enquanto o segmento de transportes e logística recuou 0,7%. Costa relaciona essa queda em transportes aos custos de combustíveis, alertando que o impacto pode se agravar no segundo trimestre em decorrência das tensões no Oriente Médio.
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias expandiu 1,0% no primeiro trimestre. Esse avanço encontrou suporte em um mercado de trabalho resiliente e em medidas de estímulo governamentais, como o reajuste real do salário mínimo, transferências sociais e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, destaca Margato.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), principal métrica de investimentos, surpreendeu positivamente ao crescer 3,5%, revertendo a queda de 3,4% do trimestre anterior.
Apesar do dado positivo na comparação trimestral, a leitura anual aponta retração de 1,4%, impactado pela queda na produção de bens de capital. Além disso, a taxa de investimento recuou de 17,6% (no 1T25) para 16,5%. Costa alerta que a combinação de investimento em queda e poupança pressionada segue como um ponto de atenção estrutural para a trajetória de crescimento sustentável.
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No setor externo, as exportações recuaram 1,7% e as importações subiram 4,4%, configurando uma contribuição sequencial negativa para o PIB.
Para o restante de 2026, o consenso entre os analistas aponta para uma continuidade do crescimento, porém com uma desaceleração gradual.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, adverte que o mercado continua preocupado com o segundo semestre, porque juros altos, inflação pressionada, cenário eleitoral e incertezas externas podem desacelerar a atividade mais à frente. Carlos Lopes, economista do banco BV, corrobora essa visão, indicando que os primeiros sinais do segundo trimestre apontam para um crescimento possivelmente mais próximo de zero.
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Apesar da esperada perda de fôlego, o viés para o encerramento do ano é altista, com projeções de mercado variando majoritariamente entre 1,7% (C6) e 2,0% (XP e AZ Quest).
Rodolfo Margato, da XP, prevê que o amplo conjunto de medidas de estímulo do governo “pode adicionar até 1,5 ponto percentual ao crescimento geral do PIB” em 2026. Rafael Perez, da Suno Research, projeta 1,8%, também ressaltando o viés de alta.
A consequência direta desse cenário incide sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) é que a resiliência da demanda interna pode forçar a autoridade monetária a recalcular a rota.
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Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, destaca que o Banco Central deverá revisar suas estimativas para o hiato do produto. “A estimativa [do BC] passa a carregar um claro viés de alta, convergindo para um cenário que ainda não havia sido incorporado pela autoridade monetária em seu balanço de riscos”, conclui a economista.
Ação pede reparação por crimes contra as Ligas Camponesas e explica como a estratégia militar inviabilizou a organização social no estado

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na terça-feira (26) uma ação civil pública contra a União e o estado da Paraíba por graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar. Segundo o documento, corpos de camponeses vinculados às Ligas Camponesas da Paraíba foram queimados em fornalhas de usinas de açúcar da região para ocultar evidências de assassinatos e torturas praticados por agentes estatais e latifundiários após o golpe de 1964.
A investigação do MPF detalha o caso de lideranças como João Alfredo Dias, conhecido como “Nego Fuba”, e Pedro Inácio de Araújo, o “Pedro Fazendeiro”. Eles desapareceram entre agosto e setembro de 1964 após serem mantidos sob custódia militar no 15º Regimento de Infantaria, em João Pessoa.
João Alfredo Dias, conhecido como ‘Nego Fuba’, e Pedro Inácio de Araújo, o ‘Pedro Fazendeiro’
O documento afirma que houve uma estratégia coordenada para inviabilizar a organização camponesa por meio de desaparecimentos forçados, prisões ilegais e mortes.
De acordo com a decisão, os corpos dos militantes teriam sido incinerados para apagar rastros das execuções. O texto cita que “há testemunhos convergentes de que as vítimas teriam sido conduzidas para usinas açucareiras da região, onde foram executadas e seus corpos destruídos em fornalhas de açúcar para eliminar vestígios biológicos”. As usinas São João e Santa Helena são mencionadas como locais onde esses atos teriam ocorrido.
A ação é fundamentada no conceito de Justiça de Transição, que estabelece o dever do Estado de reconhecer violações passadas e reparar as vítimas.
O MPF destaca que a repressão contou com uma “simbiose operacional” entre as Forças Armadas, as polícias militares e milícias privadas financiadas por grandes proprietários de terra.
Entre os pedidos formulados pelo Ministério Público, estão:
O documento também identifica a cadeia de comando responsável pelas operações na época, citando nomes como o do Major José Benedito Montenegro de Magalhães Cordeiro e do Coronel da Polícia Militar Luiz Ferreira Barros. Como os envolvidos já faleceram, o MPF busca a responsabilização civil dos entes públicos para garantir que os fatos sejam esclarecidos e que medidas de “não repetição” sejam adotadas.
Para o órgão, o esclarecimento desses crimes é essencial para romper um padrão de violência e impunidade que ainda persiste no campo. A ação ressalta que a ocultação dos corpos impediu que as famílias realizassem o luto, prolongando o sofrimento por décadas devido à ausência de informações oficiais e à negativa do direito à despedida.
O Banco Central publicou nesta sexta-feira resolução para regulamentar conceitos relacionados a informações de instituições financeiras associadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“As alterações aumentam a consistência das métricas utilizadas na regulação, melhoram a qualidade das informações disponíveis e reforçam a capacidade das instituições financeiras de lidar com riscos”, disse o BC em nota.
A autarquia informou que foi disciplinado o Ativo de Referência (AR), além de ter sido feito aprimoramento na forma de cálculo do Valor de Referência (VR) e do Patrimônio Líquido Ajustado (PLA) das instituições.
O Ativo de Referência, instituído neste ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é um indicador voltado a refletir a qualidade, a diversificação e a transparência dos ativos mantidos pela instituição. Já o Valor de Referência representa a exposição potencial do FGC aos instrumentos de captação das instituições.
De acordo com o BC, sempre que o VR superar o AR, a instituição deverá aplicar recursos equivalentes à diferença em títulos públicos, “reforçando sua liquidez e capacidade de enfrentar riscos”.
O Patrimônio Líquido Ajustado, por sua vez, é usado para avaliar a capacidade das instituições de absorver perdas. Segundo o BC, passam a ser incluídos no cálculo desse indicador instrumentos adicionais “que reforçam a base de capital das instituições em situações adversas”.
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Ainda em relação ao VR, a autarquia disse que a partir de novembro deste ano os depositários de ativos financeiros deverão fornecer às instituições associadas ao FGC dados sobre créditos cujos titulares não sejam cobertos pela garantia.
“Esse detalhamento permitirá a exclusão de créditos de titulares inelegíveis à garantia da base de cálculo do VR, permitindo a melhor calibração da exposição de risco”, afirmou.
O Banco Central e o governo federal têm promovido ajustes em normas do FGC, que sofreu forte impacto da liquidação do Banco Master, que fez o fundo desembolsar mais de R$40 bilhões em coberturas a investidores após seu colapso, mesmo sendo uma instituição de porte não significativo para o sistema financeiro.
O FGC é uma entidade privada que atua para proteger depositantes e investidores por meio do pagamento de garantias em casos de intervenção ou liquidação de instituições financeiras.
O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 230,4 bilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta foi de 0,7%.
A agropecuária respondeu por cerca de 7% do PIB brasileiro no período, que totalizou R$ 3,3 trilhões com alta de 1,1% na comparação com o trimestre anterior. Considerando atividades relacionadas, como insumos, agroindústria, transporte e comércio, a participação do agro na economia é maior.
No primeiro trimestre, também houve crescimento da Indústria, de 1,0%, e dos Serviços, de 0,5%.
De acordo com o IBGE, o desempenho da agropecuária foi influenciado pelo aumento da produção e da produtividade agrícola. Dados do LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola) indicam que condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras e a ampliação da área plantada impulsionaram a produção de soja, que registrou aumento de 4,8% na estimativa anual e alcançou recorde na série histórica.
Por outro lado, culturas com participação relevante no primeiro trimestre apresentaram redução na estimativa anual de produção e produtividade, como o milho, com queda de 2,5%, e o arroz, de 10,6%.
O PIB acumulado nos quatro trimestres encerrados em março de 2026 avançou 2,0% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Nesse período, o Valor Adicionado da Agropecuária registrou crescimento de 7,5%.
Em nota, presidente estadual do PSDB no Ceará afirma que pré-candidatura é necessária para conter polarização

O presidente do PSDB no Ceará, Ciro Gomes, defendeu o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República para as eleições de outubro. O posicionamento ocorre após um histórico de críticas de Ciro ao parlamentar mineiro, a quem já classificou como “cadáver político” em 2017 e com quem afirmou não desejar contato em 2022.
Em nota, o pré-candidato ao Governo do Ceará justificou o apoio como uma medida para buscar o equilíbrio no cenário político atual. “Vejo como muito importante para este momento brasileiro a possibilidade de o PSDB lançar a candidatura de Aécio Neves à presidência da República”, afirmou.
Segundo o ex-governador, o país necessita de um projeto que preze pela conciliação para superar o “fosso ideológico” entre as forças políticas.
“O aprofundamento do fosso ideológico, manipulado de lado a lado de forma interesseira e imediatista, não permitirá ao Brasil reunir-se, como dramaticamente necessita, após a disputa eleitoral radicalizada”, disse Ciro.
A manifestação de Ciro ocorre após declarações do próprio Aécio Neves na terça-feira (26). Em entrevista à Jovem Pan, o deputado afirmou que “se preparou a vida inteira” para o cargo e que tem disposição para a disputa.
Aécio avaliou que seu papel atual é “posicionar o PSDB no centro da política” e criticou a polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), nomes que, segundo ele, não apresentam avanços para o futuro do Brasil.
O apoio de Ciro Gomes marca uma mudança em relação a declarações anteriores. Em 2017, durante encontro com empresários na Firjan, Ciro afirmou que Aécio era um “cadáver político” e que “o que faz com o cadáver é enterrar”. Na ocasião, o ex-ministro criticava a manutenção do parlamentar na presidência do PSDB.
Em 2022, Ciro reforçou o distanciamento por meio das redes sociais, escrevendo: “Há anos que não tenho qualquer tipo de contato com deputado Aécio Neves. Nem pretendo ter”.
Há anos que não tenho qualquer tipo de contato com deputado Aécio Neves. Nem pretendo ter.
— Ciro Gomes (@cirogomes) July 8, 2022
Além da ala cearense presidida por Ciro, o ex-senador Tasso Jereissati também defendeu o nome de Aécio Neves. Em nota, Jereissati afirmou que a pré-candidatura reafirma o compromisso histórico do PSDB com o Plano Real e a responsabilidade fiscal.
De acordo com o ex-senador, Aécio se apresenta como uma alternativa de “retomada de um projeto social-democrata de sucesso e longe dos extremos”.
“Neste momento em que nos vemos sob o risco de uma danosa divisão entre brasileiros, resultado de posições da extrema direita e da esquerda, Aécio se apresenta com não apenas como conciliador, mas como retomada de um projeto social-democrata de sucesso e longe dos extremos”, afirma o ex-senador.
O PSDB deve discutir internamente a viabilização da candidatura para o pleito presidencial que ocorre daqui a cinco meses.