O Conabio (Conselho Nacional de Biodiversidade) adiou por mais 90 dias a decisão a respeito da classificação de espécies exóticas invasoras presentes no Brasil, o que pode influenciar na produção de tilápia no país.
Após dois dias de reunião, o conselho optou pela criação de um grupo de trabalho com 15 representantes, sendo oito do Governo e sete de entidades privadas, para formular a lista de espécies consideradas exóticas e invasoras.
Ao final do prazo, o grupo deverá divulgar a lista com três subclassificações: espécies exóticas invasoras sem interesse socioeconômico; espécies exóticas invasoras com cadeia produtiva consolidada; e espécies exóticas invasoras que impactam negativamente atividades socioeconômicas.
Segundo o MMA (Ministério do Meio Ambiente) a categorização levará em conta evidências científicas e impacto econômico.
A pasta garantiu que serão ouvidos especialistas e membros dos setores possivelmente afetados.
A tilápia é uma das espécies que pode ser enquadrada como exóticas e invasoras. Os produtores temem que uma eventual classificação da espécie nessa lista possa prejudicar o mercado de pescados no país.
A vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Michelle Bowman, afirmou nesta sexta-feira, 29, que o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia, embora ainda esteja sendo mensurado, pode levar a aumentos persistentes da inflação, exigindo uma política monetária mais restritiva.
“Estou otimista de que, assim que o conflito for resolvido, as interrupções no abastecimento (de petróleo) vão diminuir, deixando apenas um impacto temporário na inflação e efeitos mínimos sobre a atividade econômica. No entanto, caso as interrupções persistam até bem adiante no segundo semestre, poderemos começar a observar efeitos mais amplos na inflação”, ponderou ela, em discurso na Conferência Econômica de Reykjavík de 2026, na Islândia.
Para a dirigente, quanto mais persistentes forem os preços elevados do petróleo, maior será a probabilidade de ela considerar uma mudança de abordagem ao avaliar o equilíbrio de riscos. “A parte complicada é entender o que pode ou não ter efeitos persistentes sobre a inflação”, afirmou.
Segundo ela, a postura atual “moderadamente restritiva” do Fed busca manter condições estáveis no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, permitir que a inflação retome a trajetória rumo a 2% assim que os efeitos das tarifas e dos preços do petróleo se dissiparem. Reagir a um choque energético temporário pode prejudicar a economia, acrescentou.
Bowman disse ainda que o crescimento dos EUA tem se mostrado resiliente, mas que o mercado de trabalho segue vulnerável a choques adversos e que os avanços na redução da inflação parecem ter “estagnado”.
Em sua visão, uma alta de juros seria justificada caso os preços elevados se mostrem persistentes, em um cenário de emprego sem sinais de folga e de PIB crescendo bem acima do potencial.
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Sobre inteligência artificial, Bowman disse que ganhos de produtividade associados à IA podem exercer pressão baixista sobre a inflação. “Políticas favoráveis, incluindo regulamentações menos restritivas e impostos mais baixos para as empresas, provavelmente também contribuirão para essas condições”, acrescentou.
TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO DF – SENADO/VOTA REFORMA TRIBUTÁRIA – POLÍTICA – Foto, Presidente do Senado Senador Rodrigo Pacheco.
O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado, se pronunciou nesta sexta-feira (29) contra a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, afirmando que essa rotulação das facções banaliza o conceito de terrorismo. “Ao classificar essas organizações como organismos de terrorismo, há banalização do conceito de terrorismo.”
Para Pacheco, essa é uma avaliação que deve ser feita pela nação brasileira, e a decisão dos Estados Unidos foi equivocada, pois terrorismo é uma classificação muito específica e envolve aspectos muito particulares, que não contemplam PCC e CV. Segundo o senador, as organizações criminosas são um problema grave, mas que há métodos próprios de combate, diferentes de grupos terroristas.
“Organizações criminosas são graves, é importante que sejam combatidas, são muito sofisticadas, mas são organizações criminosas e há métodos próprios para se combater organizações criminosas, que não os métodos próprios de terrorismo.”
Rodrigo Pacheco explica que a maior diferença entre as facções e grupos terroristas é que o principal objetivo das organizações brasileiras é o lucro. O Estado tem a obrigação de combatê-las, mas deve ser soberano na decisão de como fará esse combate, e a classificação americana não ajuda nisso. Agora, para o senador, tratativas devem ser feitas com os EUA e outros países, que podem ajudar a combater PCC e CV, mas como organizações criminosas, não grupos terroristas.
“Uma decisão equivocada dos EUA, e caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os EUA e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas. E eu considero que essa classificação (como grupos terroristas) não é necessariamente uma ajuda.”
Anúncio americano
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, fez um pronunciamento na quinta-feira (29) anunciando que os Estados Unidos classificam as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como terroristas globais especialmente designados e organizações terroristas estrangeiras, com vigência a partir de 5 de junho de 2026.
O anúncio foi feito poucas horas depois de um encontro entre Rubio, senador Flávio Bolsonaro (PL) e representantes ligados ao governo americano em Washington. O filho do ex-presidente afirmou a jornalistas que o principal tema da conversa foi a classificação das facções como terroristas, proposta que teria sido bem recebida por Rubio.
Com a inclusão de PCC e CV na lista de organizações terroristas, o Departamento do Tesouro americano consegue interromper o acesso de grupos ou indivíduos a fundos sob jurisdição dos Estados Unidos, integrantes da organização ficam proibidos de entrar nos Estados Unidos. Também é considerado ilegal o fornecimento de qualquer tipo de apoio ou recursos aos grupos, além de outras sanções.
A economia brasileira começou o ano com avanço de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, comparado ao trimestre imediatamente anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, o avanço do indicador foi de 1,8%. Em 2025, o avanço do primeiro trimestre havia sido de 1,4%.
O resultado veio em linha com as estimativas do mercado e, na análise dos especialistas, a economia segue resiliente.
Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que, desta vez, o resultado do PIB não foi impulsionado pelo agro, mas sim pela recuperação da indústria e do varejo, além do crescimento constante em diversas atividades de serviços. Na comparação anual, a indústria avançou 1,6%, e serviços cresceu 2,1%, já perdendo fôlego, segundo Margato.
O agro teve desempenho 0,7% superior ao primeiro trimestre do ano passado, percentual relativamente baixo porque a base de comparação era alta, já que em 2025 houve uma supersafra após um ano de queda.
A expectativa para o ano é de que a atividade doméstica permaneça sólida, sustentada por impulsos de renda e crédito, avalia Margato.
Período
PIB
AGRO
INDUS
SERV
FBCF
CONS. FAM
CONS. GOV
1T26 / 4T2025 (com ajuste sazonal)
1,10%
2,00%
1,00%
0,50%
3,50%
1,00%
0,40%
1T26/1T25 (sem ajuste sazonal)
1,80%
0,70%
1,60%
2,10%
-1,40%
1,70%
2,80%
Acumulado em quatro trimestres / mesmo período do ano anterior (sem ajuste sazonal)
2,00%
7,50%
1,30%
1,80%
0,40%
1,20%
2,30%
Fonte: IBGE
Pela ótica da oferta, o crescimento da agropecuária foi sustentado pela safra recorde de soja, com produção 4,8% acima da estimativa anual, favorecida por condições climáticas e expansão de área plantada, avalia Leonardo Costa, economista do Asa. Na direção oposta, Costa destaca que o milho teve recuo de 2,5%, e o arroz perdeu 10,6% no desempenho.
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A indústria avançou 1,0% no trimestre, tracionada, sobretudo, pela indústria extrativa mineral, que saltou 3,6% devido à forte extração de petróleo e gás. A construção civil também demonstrou força, com alta de 2,9%, o que reflete o crescimento do pessoal ocupado na atividade e a execução de obras de programas habitacionais.
Por outro lado, a indústria de transformação ficou praticamente estagnada, registrando apenas 0,1% de variação. Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, esse cenário ratifica o quadro de “comportamento apenas moderado” de setores sensíveis aos ciclos da economia doméstica.
O setor de serviços, responsável por cerca de 70% da economia, cresceu 0,5%. As áreas de informação e comunicação aceleraram 2,4%, enquanto o segmento de transportes e logística recuou 0,7%. Costa relaciona essa queda em transportes aos custos de combustíveis, alertando que o impacto pode se agravar no segundo trimestre em decorrência das tensões no Oriente Médio.
Demanda doméstica puxada por estímulos fiscais
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias expandiu 1,0% no primeiro trimestre. Esse avanço encontrou suporte em um mercado de trabalho resiliente e em medidas de estímulo governamentais, como o reajuste real do salário mínimo, transferências sociais e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, destaca Margato.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), principal métrica de investimentos, surpreendeu positivamente ao crescer 3,5%, revertendo a queda de 3,4% do trimestre anterior.
Apesar do dado positivo na comparação trimestral, a leitura anual aponta retração de 1,4%, impactado pela queda na produção de bens de capital. Além disso, a taxa de investimento recuou de 17,6% (no 1T25) para 16,5%. Costa alerta que a combinação de investimento em queda e poupança pressionada segue como um ponto de atenção estrutural para a trajetória de crescimento sustentável.
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No setor externo, as exportações recuaram 1,7% e as importações subiram 4,4%, configurando uma contribuição sequencial negativa para o PIB.
Projeções: Desaceleração à vista
Para o restante de 2026, o consenso entre os analistas aponta para uma continuidade do crescimento, porém com uma desaceleração gradual.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, adverte que o mercado continua preocupado com o segundo semestre, porque juros altos, inflação pressionada, cenário eleitoral e incertezas externas podem desacelerar a atividade mais à frente. Carlos Lopes, economista do banco BV, corrobora essa visão, indicando que os primeiros sinais do segundo trimestre apontam para um crescimento possivelmente mais próximo de zero.
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Apesar da esperada perda de fôlego, o viés para o encerramento do ano é altista, com projeções de mercado variando majoritariamente entre 1,7% (C6) e 2,0% (XP e AZ Quest).
Rodolfo Margato, da XP, prevê que o amplo conjunto de medidas de estímulo do governo “pode adicionar até 1,5 ponto percentual ao crescimento geral do PIB” em 2026. Rafael Perez, da Suno Research, projeta 1,8%, também ressaltando o viés de alta.
A consequência direta desse cenário incide sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) é que a resiliência da demanda interna pode forçar a autoridade monetária a recalcular a rota.
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Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, destaca que o Banco Central deverá revisar suas estimativas para o hiato do produto. “A estimativa [do BC] passa a carregar um claro viés de alta, convergindo para um cenário que ainda não havia sido incorporado pela autoridade monetária em seu balanço de riscos”, conclui a economista.
Ação pede reparação por crimes contra as Ligas Camponesas e explica como a estratégia militar inviabilizou a organização social no estado
Divulgação / MPF Ditadura queimou corpos de camponeses em usinas de açúcar na Paraíba, aponta MPF
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na terça-feira (26) uma ação civil pública contra a União e o estado da Paraíba por graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar. Segundo o documento, corpos de camponeses vinculados às Ligas Camponesas da Paraíba foram queimados em fornalhas de usinas de açúcar da região para ocultar evidências de assassinatos e torturaspraticados por agentes estatais e latifundiários após o golpe de 1964.
A investigação do MPF detalha o caso de lideranças como João Alfredo Dias, conhecido como “Nego Fuba”, e Pedro Inácio de Araújo, o “Pedro Fazendeiro”. Eles desapareceram entre agosto e setembro de 1964 após serem mantidos sob custódia militar no 15º Regimento de Infantaria, em João Pessoa.
João Alfredo Dias, conhecido como ‘Nego Fuba’, e Pedro Inácio de Araújo, o ‘Pedro Fazendeiro’
O documento afirma que houve uma estratégia coordenada para inviabilizar a organização camponesa por meio de desaparecimentos forçados, prisões ilegais e mortes.
De acordo com a decisão, os corpos dos militantes teriam sido incinerados para apagar rastros das execuções. O texto cita que “há testemunhos convergentes de que as vítimas teriam sido conduzidas para usinas açucareiras da região, onde foram executadas e seus corpos destruídos em fornalhas de açúcar para eliminar vestígios biológicos”. As usinas São João e Santa Helena são mencionadas como locais onde esses atos teriam ocorrido.
‘Justiça de Transição’
A ação é fundamentada no conceito de Justiça de Transição, que estabelece o dever do Estado de reconhecer violações passadas e reparar as vítimas.
O MPF destaca que a repressão contou com uma “simbiose operacional” entre as Forças Armadas, as polícias militares e milícias privadas financiadas por grandes proprietários de terra.
Entre os pedidos formulados pelo Ministério Público, estão:
A formalização de um pedido oficial de desculpas à população brasileira;
O pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão;
A abertura e preservação de arquivos históricos da época;
A implementação de medidas educativas e criação de lugares de memória sobre as Ligas Camponesas;
O documento também identifica a cadeia de comando responsável pelas operações na época, citando nomes como o do Major José Benedito Montenegro de Magalhães Cordeiro e do Coronel da Polícia Militar Luiz Ferreira Barros. Como os envolvidos já faleceram, o MPF busca a responsabilização civil dos entes públicos para garantir que os fatos sejam esclarecidos e que medidas de “não repetição” sejam adotadas.
Para o órgão, o esclarecimento desses crimes é essencial para romper um padrão de violência e impunidade que ainda persiste no campo. A ação ressalta que a ocultação dos corpos impediu que as famílias realizassem o luto, prolongando o sofrimento por décadas devido à ausência de informações oficiais e à negativa do direito à despedida.