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Boletim Focus mantém inflação de 2026 em 5,33% e Selic em 14%, com leve alta no PIB


O Boletim Focus desta semana manteve a projeção de inflação de 2026 em 5,33%, enquanto o câmbio permaneceu em R$ 5,20 e a Selic em 14% ao ano, ao mesmo tempo em que o PIB teve leve alta marginal para 1,99%.

O relatório do Banco Central mostra um quadro de relativa estabilidade nas projeções para os principais indicadores macroeconômicos de 2026, com poucas revisões relevantes em relação à semana anterior.

Inflação (IPCA, IGP-M e preços administrados)

Para 2026, a projeção do IPCA foi mantida em 5,33%, sem alteração na semana e após alta em relação a quatro semanas atrás, quando estava em 5,09%. Para 2027, a estimativa passou de 4,15% para 4,17%, em alta pela sexta semana consecutiva. Já para 2028, o mercado manteve a projeção em 3,70%, estável há uma semana após longo período sem alterações relevantes.

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No caso do IGP-M, a projeção para 2026 permaneceu em 6,15%, após estabilidade na semana e pequenas variações recentes. Para 2027, a estimativa subiu para 4,10%, em alta gradual por três semanas consecutivas. Em 2028, o indicador segue em 3,82%, sem mudanças há várias semanas.

Os preços administrados em 2026 ficaram estáveis em 5,00%, enquanto para 2027 a projeção avançou levemente para 3,86%, após duas semanas de alta marginal. Para 2028, a estimativa permanece em 3,50%, sem variação relevante e estável há cerca de 50 semanas.

PIB

Para 2026, a projeção do PIB foi elevada para 1,99%, em movimento gradual de alta nas últimas quatro semanas. Em 2027, a estimativa foi ajustada para baixo, passando de 1,70% para 1,68%, após leve sequência de revisões negativas recentes. Já para 2028, o mercado manteve crescimento de 2,00%, sem mudanças há mais de 120 semanas. Para 2029, a projeção também permanece em 2,00%, estável há várias semanas consecutivas.

Câmbio

Para 2026, a projeção do câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar, após leve alta acumulada nas semanas anteriores. Em 2027, o mercado revisou a estimativa de R$ 5,27 para R$ 5,28. Para 2028, a projeção passou para R$ 5,35. Já para 2029, o câmbio esperado foi mantido em R$ 5,40, sem alterações nas últimas semanas.

Selic

Para 2026, a projeção da Selic foi mantida em 14% ao ano. Em 2027, a expectativa segue em 12%, sem mudanças na semana. Para 2028, houve leve alta para 10,50%, após uma semana de ajuste altista. Já para 2029, a projeção permanece em 10% ao ano, estável há oito semanas consecutivas.



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Investimentos estaduais em infraestrutura preparam Ribas do Rio Pardo para o futuro


Da pavimentação dos bairros às grandes obras rodoviárias, investimentos impulsionam a infraestrutura do município e acompanham o crescimento econômico vivido pela cidade.

Investimentos estaduais em infraestrutura preparam Ribas do Rio Pardo para o futuro

Impulsionada pelo acelerado crescimento econômico dos últimos anos, Ribas do Rio Pardo vive um dos maiores ciclos de investimentos públicos de sua história. Para acompanhar essa transformação, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém aproximadamente R$ 393 milhões em investimentos no município, contemplando infraestrutura, habitação, saneamento, educação e saúde. Neste domingo (28), representando o governador Eduardo Riedel, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, cumpriu uma extensa agenda no município, marcada pela entrega de obras, assinatura de novas ordens de serviço e supervisão de empreendimentos em andamento.

Ao lado do prefeito Roberson Luiz Moureira, parlamentares federais e estaduais, vereadores e lideranças locais, Barbosinha participou de uma série de ações voltadas à melhoria da infraestrutura urbana, da logística regional e da qualidade de vida da população.

Durante a agenda, o vice-governador destacou que os investimentos acompanham o novo momento vivido por Ribas do Rio Pardo e reforçam a capacidade do Estado de preparar o município para o futuro. “O resultado aparece na vida das pessoas. São casas, asfalto, obras de saneamento, investimentos em saúde e rodovias que conectam regiões e trazem desenvolvimento”, afirmou o vice-governador.

Rodovias fortalecem logística e desenvolvimento

A primeira agenda do dia aconteceu na MS-338, onde as autoridades participaram do descerramento do totem que marca a conclusão de uma das mais importantes obras de infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul. Com extensão de 66,26 quilômetros, a pavimentação da rodovia recebeu investimentos superiores a R$ 219 milhões e consolida um novo corredor logístico para Ribas do Rio Pardo e toda a região.

O conjunto de investimentos em infraestrutura viária também contempla a implantação e pavimentação de 12,18 quilômetros da MS-357, com aporte de R$ 33,6 milhões, além da construção da passagem inferior na MS-338 para a travessia segura dos hexatrens, obra que recebeu aproximadamente R$ 10 milhões em recursos estaduais.

Para Barbosinha, as obras representam um divisor de águas para o desenvolvimento regional. “São praticamente 120 quilômetros de pavimentação asfáltica que interligam Ribas do Rio Pardo, Camapuã, o Estado de Goiás e o Estado de Mato Grosso. A pavimentação dessas rodovias muda o perfil do município.”

O prefeito Roberson também ressaltou o impacto das novas ligações rodoviárias para o crescimento da cidade. “A ligação da MS-357 até Camapuã, conectando o norte do Estado, Goiás e Mato Grosso, representa uma redenção para Ribas do Rio Pardo. É uma obra que transforma uma região que sofreu durante décadas pela falta de infraestrutura.”

Segundo ele, o crescimento acelerado do município exige investimentos permanentes em infraestrutura. “Temos empresas chegando ao município, mas precisamos preparar Ribas do Rio Pardo para esse futuro. Queremos deixar de ser uma cidade de passagem para ser uma cidade de destino.”

Investimentos estaduais em infraestrutura preparam Ribas do Rio Pardo para o futuro

Asfalto, drenagem e mais qualidade de vida para três bairros

Em seguida aconteceu a assinatura da ordem de serviço para as obras de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais nos bairros Boa Vista, Nossa Senhora Aparecida e Jardim das Palmeiras. O investimento de mais de R$ 13 milhões, por meio do programa MS Ativo II, vai levar infraestrutura completa a uma região que, há décadas, convive com problemas provocados pela falta de drenagem e pelas ruas sem pavimentação.

Além do asfalto, a obra prevê um robusto sistema de drenagem, fundamental para eliminar pontos de alagamentos e garantir mais segurança e mobilidade aos moradores.

“É uma alegria vir aqui no Boa Vista para assinar a ordem de serviço da obra de pavimentação asfáltica que vai mudar o Boa Vista, o Nossa Senhora Aparecida e o Jardim das Palmeiras, com asfalto, drenagem e rede de esgoto”, destacou o vice-governador.

O chefe do executivo municipal lembrou que a obra representa uma reivindicação histórica da comunidade. “Essa obra é um sonho antigo da população e de várias gestões que passaram pelo município. Nós não tínhamos condições de fazer um investimento dessa magnitude. Dos R$ 13 milhões aplicados aqui, cerca de 70% são destinados à drenagem, para acabar definitivamente com as enchentes e com a invasão da água da chuva nas casas.”

Os aportes em drenagem e pavimentação acompanham também a expansão da rede de saneamento no município, que já alcança índices próximos da universalização. “Essa obra é fundamental. Com o avanço da coleta e do tratamento de esgoto, diminuem as doenças de veiculação hídrica e melhora a qualidade de vida da população”, ressaltou Barbosinha.

Um sonho esperado há mais de duas décadas

A expectativa pela obra era antiga. Durante anos, moradores do Boa Vista, Nossa Senhora Aparecida e Jardim das Palmeiras conviveram com ruas de terra, com muita lama durante o período chuvoso e poeira na estiagem. A implantação da drenagem e da pavimentação representa uma mudança significativa na rotina de centenas de famílias.

Entre elas está dona Gerci de Oliveira, moradora do Boa Vista há 23 anos e uma das primeiras a construir sua casa no bairro. Depois de acompanhar durante décadas as dificuldades enfrentadas pelos moradores, ela comemorou o início das obras. “Estou muito feliz. Ribas do Rio Pardo está melhorando cada vez mais”, resumiu.

Habitação acompanha crescimento da cidade

Durante a programação, Barbosinha e as autoridades também acompanharam o andamento da construção de 100 unidades habitacionais no Jardim das Acácias. A obra, realizada em parceria entre Governo do Estado e Prefeitura, recebe investimentos de R$ 8,6 milhões e já está em execução.

O empreendimento integra uma política habitacional mais ampla desenvolvida pelo Governo do Estado em Ribas do Rio Pardo, que contempla centenas de novas moradias, lotes urbanizados e subsídios habitacionais voltados à população.

Para o prefeito, o projeto representa mais do que a construção de casas. “As 100 moradias representam dignidade para famílias que hoje vivem em condições precárias. Estamos construindo essas casas em parceria com o Governo do Estado para oferecer uma nova oportunidade a essas pessoas.”

Investimentos estaduais em infraestrutura preparam Ribas do Rio Pardo para o futuro

Investimentos que transformam a vida das pessoas

Ao encerrar a agenda, Barbosinha destacou que o conjunto de investimentos realizados em Ribas do Rio Pardo demonstra o compromisso do Governo do Estado em acompanhar o crescimento acelerado do município, investindo em infraestrutura, habitação, saneamento e logística para garantir mais qualidade de vida à população.

“O crescimento só faz sentido quando vem acompanhado de investimentos que melhoram a vida das pessoas. É isso que estamos fazendo em Ribas do Rio Pardo: preparando a cidade para o futuro”, afirmou o vice-governador.

Somando investimentos em infraestrutura urbana, logística, habitação, saneamento, educação e outras áreas estratégicas, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém aproximadamente R$ 393 milhões aplicados em Ribas do Rio Pardo. Um conjunto de ações que acompanha o acelerado desenvolvimento do município e prepara a cidade para um novo ciclo de crescimento econômico e social.



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IGP-M recua 0,50% em junho, após subir 0,84% em maio, revela FGV


O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) recuou 0,50% em junho, após ter subido 0,84% em maio, informou nesta segunda-feira, 29, a Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda foi mais intensa do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava recuo de 0,46% no mês.

Houve, nesta leitura, recuo de 0,97% no Índice de Preços ao produtor Amplo (IPA-M), ante alta de 0,91% em maio. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou o ritmo de 0,61% no mês passado para 0,47% em junho.

Houve, por outro lado, avanço do Índice Nacional de Custo da Construção (0,77% para 0,85%).

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IPAs

Os preços industriais registraram queda de 1,29% no IGP-M de junho, após alta de 1,35% em maio. O resultado levou o Índice de Preços ao produtor Amplo (IPA-M) a recuar 0,97% neste mês, ante avanço de 0,91% na leitura anterior.

Houve, por outro lado, retorno dos preços agropecuários a terreno positivo (-0,44% para 0,04%).

Influências

De acordo com a FGV, as maiores influências de baixa sobre o IPA-M nesta leitura partiram de minério de ferro (-1,84% para -2,61%); café em grão (-8,37% para -9,69%); óleo diesel (0% para -6,18%); farelo de soja (-0,29% para -2,98%) e cana de açúcar (-8,27% para -1,88%).

Na outra ponta, as maiores pressões de alta foram: soja em grão (-0,87% para 2,41%); batata-inglesa (75,06% para 17,45%); feijão em grão (6,01% para 12,38%); óleos lubrificantes (24,61% para 16,70%) e leite in natura (9,28% para 2,14%).



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a nova agenda do desenvolvimento em Mato Grosso do Sul – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


Empreendedorismo, investimentos e qualificação conectam o crescimento econômico às oportunidades, à renda e à melhoria da qualidade de vida dos sul-mato-grossenses

 A trajetória da empreendedora Marlene Alzira Teixeira Andrade, de 49 anos, ajuda a ilustrar uma transformação que se repete em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul: pequenos negócios que surgem dentro de casa, ganham mercado, se profissionalizam e ampliam sua contribuição para a economia local.

Há dez anos, a produção da Lene Salgados acontecia na cozinha da família, com uma pequena panela que permitia fritar apenas dez salgados por vez. O que começou como uma alternativa para complementar a renda evoluiu para uma empresa estruturada, equipada com fritadeira industrial, masseira, modeladora, freezers e espaço próprio para produção.

O caminho até essa expansão não foi simples. Em 2021, Lene recebeu o diagnóstico de câncer de mama e precisou enfrentar dois anos de tratamento. Durante esse período, contou com o apoio da família para manter a empresa em funcionamento. A filha assumiu parte da produção enquanto a empreendedora conciliava a recuperação da saúde com a gestão do negócio.

Antes de se dedicar integralmente à empresa, ela trabalhava em um supermercado da cidade. O incentivo decisivo veio do marido, José Erivaldo, que investiu na compra de um freezer para ampliar a capacidade de produção e ajudar a transformar o empreendimento em uma atividade permanente.

Com o aumento das vendas, vieram novos investimentos em equipamentos, qualificação e gestão. A empreendedora deixou de atuar como Microempreendedora Individual (MEI) e migrou para o Simples Nacional, adotando uma estrutura empresarial mais robusta.

Salgados sendo preparados por Lene (Foto: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA)

Hoje, a empresa conta com acompanhamento contábil, planejamento de crescimento e apoio de instituições como o Sebrae e a Sala do Empreendedor. A produção, que no início alcançava cerca de três mil salgados, chegou à marca de 15 mil unidades, enquanto o cardápio passou a incluir produtos gourmet para atender às novas demandas do mercado.

Além de contratar diaristas nos períodos de maior movimento, Lene já planeja ampliar a equipe de forma permanente. Para ela, empreender significa mais do que vender produtos, é gerar renda, criar oportunidades e construir relações duradouras com os clientes.

“O dia que percebi que precisava deixar de ser MEI e virar empresa de verdade foi quando caiu a ficha de que aquele sonho tinha crescido. Já não era mais só eu fazendo salgado. Era uma empresa sustentando projetos, gerando renda e abrindo novas possibilidades para a minha família”, conta. 

A história de Lene ajuda a explicar como o crescimento econômico alcança as pessoas, transformando esforço individual em geração de renda, fortalecimento dos pequenos negócios e novas perspectivas para as famílias.

É o que também apontam dados da Receita Federal sobre a expansão do número de empresas no Estado. Entre 2023 e 2025, o Mato Grosso do Sul registrou um crescimento expressivo na abertura de empresas, passando de 53,1 mil para 69,5 mil novos negócios, um avanço acumulado de 30,8% no período.

O destaque foram os pequenos negócios, que responderam por quase 96% das aberturas em 2025, com 66,6 mil registros, além do empreendedorismo feminino, que cresceu de 17,8 mil empresas abertas em 2024 para 24,1 mil em 2025, alta de 35,5%. Os números de 2026, ainda parciais, já apontam para a continuidade desse movimento, com 40,9 mil novas empresas abertas até junho, sendo 39,7 mil pequenos negócios.

Histórias como as da Lene estão longe de ser um caso isolado, elas são semelhantes a muitas outras que têm se multiplicado em Mato Grosso do Sul, impulsionadas pelo avanço do empreendedorismo feminino e pela crescente participação das mulheres na economia.

Movimento que, segundo a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, tem se consolidado como uma importante força de geração de renda e desenvolvimento no Estado. “O empreendedorismo feminino tem crescido porque cada vez mais mulheres enxergam nele um caminho concreto para a independência financeira, a realização pessoal e a geração de impacto nas suas comunidades. Esse movimento tem se consolidado como uma força econômica relevante em Mato Grosso do Sul”, afirma.

Os dados do Sebrae confirmam essa maturidade. Entre as empreendedoras atendidas pelo programa Sebrae Delas, 61% possuem negócios com mais de três anos de existência. Isso significa que as mulheres não estão apenas abrindo empresas, mas conseguindo mantê-las e estruturá-las ao longo do tempo. É um sinal de uma presença cada vez mais consistente e qualificada no mercado.

Para Sandra Amarilha, o fortalecimento dessa presença feminina também está relacionado à existência de redes de apoio, capacitação e troca de experiências.

Sandra Amarilha é diretora técnica do Sebrae e analisa o bom cenário de MS (Foto: Sebrae-MS)

“Além do suporte técnico, iniciativas como o Delas Day contribuem para esse movimento ao criar espaços de conexão e apoio mútuo entre empreendedoras. Neste ano, o evento reuniu mais de 30 instituições parceiras mobilizadas para fortalecer o protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul, o que mostra que essa agenda vai além do Sebrae e envolve toda uma rede de atores comprometidos com o avanço das mulheres no mercado”, destaca.

Os números revelam não apenas o crescimento da participação feminina no empreendedorismo, mas também uma mudança no perfil desses negócios. Assim como ocorreu com Lene, muitas mulheres estão avançando para uma nova etapa, marcada pela profissionalização da gestão, ampliação da capacidade produtiva e busca por novos mercados.

Embora comércio e serviços continuem concentrando a maior presença feminina, especialmente em áreas como alimentação, beleza, saúde, educação e economia criativa, a atuação das empreendedoras vem se diversificando.

“As mulheres estão chegando com força também em segmentos ligados à inovação, à tecnologia e aos negócios digitais. Mas o que mais chama atenção é que elas não estão preocupadas apenas em abrir uma empresa. Existe uma busca cada vez maior por qualificação, estruturação dos processos, ampliação das vendas e consolidação dos negócios no mercado”, afirma a diretora técnica do Sebrae.

“O empreendedorismo é um dos caminhos para promover uma economia mais inclusiva e sustentável. Ele permite a autonomia financeira e cria oportunidades de trabalho e renda para quem historicamente tem menos acesso a elas, como mulheres, pessoas com deficiência e pessoas de baixa renda. Nesse contexto, a economia criativa surge como uma alternativa cada vez mais relevante, gerando impactos positivos nas comunidades ao promover a valorização da cultura local e das identidades regionais”, avalia.

Do balcão ao PIB – o ambiente que impulsiona o desenvolvimento

As histórias de empreendedores que ampliam seus negócios ajudam a revelar uma transformação maior. Enquanto novos empreendimentos surgem e se consolidam em diferentes regiões, Mato Grosso do Sul vive um dos mais intensos ciclos de crescimento econômico de sua história recente, impulsionado por investimentos privados, industrialização e integração logística.

Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu 13,4%, resultado mais de quatro vezes superior à média nacional no período. O desempenho refletiu a força de setores como agropecuária, indústria e serviços, além de um ambiente favorável à instalação de novos empreendimentos.

Atualmente, Mato Grosso do Sul reúne mais de R$ 105 bilhões em investimentos privados anunciados e, desse total, R$ 81 bilhões já estão consolidados, evidenciando a confiança do setor produtivo no potencial de crescimento do Estado. Os aportes estão distribuídos em áreas estratégicas como celulose, bioenergia, proteína animal, logística e infraestrutura.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o projeto da Arauco, em Inocência, considerado um dos maiores investimentos privados em andamento no Brasil. Com previsão de aporte de US$ 4,6 bilhões, a nova fábrica de celulose reforça a posição de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais do setor e amplia a capacidade de atração de novos negócios para a região.

Fila de caminhões com eucalipto na estrada (Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo)

As perspectivas de crescimento também são impulsionadas pela Rota Bioceânica, corredor internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico. A iniciativa representa uma mudança estrutural na logística de exportação brasileira, ao aproximar o Estado dos mercados asiáticos e reduzi tempo de deslocamento e custos associados ao transporte de cargas.

O impacto vai além do setor exportador. Com acesso mais rápido aos portos do Pacífico, Mato Grosso do Sul amplia sua capacidade de inserção em cadeias globais de valor, fortalece a atração de investimentos e consolida sua posição como plataforma logística da América do Sul.

Para o governador Eduardo Riedel, esse movimento faz parte de um ciclo de desenvolvimento que combina competitividade econômica com políticas públicas voltadas à preparação das pessoas para as novas oportunidades criadas pela expansão da economia.

“O crescimento econômico é o ponto de partida, não o ponto de chegada. Nosso compromisso é criar um ambiente que atraia investimentos, gere empregos e fortaleça a economia, mas, ao mesmo tempo, garantir que esse desenvolvimento chegue às pessoas por meio de educação de qualidade, qualificação profissional, infraestrutura, saúde e políticas públicas capazes de ampliar oportunidades. Crescer é importante. Fazer esse crescimento melhorar a vida das famílias sul-mato-grossenses é o que realmente mede o sucesso desse trabalho.”

Crescimento com reflexos sociais

Os efeitos desse ciclo de expansão econômica começam a aparecer também em indicadores ligados à qualidade de vida da população. Embora o crescimento do Produto Interno Bruto seja um dos sinais mais visíveis do desempenho da economia, especialistas destacam que o desenvolvimento de um território depende da capacidade de transformar riqueza em oportunidades, renda e melhoria das condições de vida do sul-mato-grossense.

Para o PhD em Economia e professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Michel Constantino, os resultados observados em Mato Grosso do Sul ganham relevância quando analisados à luz do cenário nacional. Ele lembra que o Brasil ainda convive com elevados níveis de desigualdade de renda e figura entre os países mais desiguais do grupo analisado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Nesse contexto, avalia que o desempenho sul-mato-grossense demonstra a importância de combinar crescimento econômico com políticas capazes de ampliar oportunidades e promover inclusão social.

Michel é PhD em Economia e destaca relevância de MS nacionalmente (Foto: Arquivo Pessoal)

“Enquanto o PIB estadual projetado para 2025 aponta um crescimento de 6,86%, muito superior à projeção nacional de 2,3%, o Estado também comemora a saída de 40 mil pessoas da linha de pobreza entre 2023 e 2024. Distribuir resultados significa fortalecer o mercado consumidor local, reduzir a dependência de programas assistenciais no longo prazo e garantir que o ciclo de prosperidade seja mais duradouro e menos vulnerável a crises externas”, afirma.

Os indicadores de capital humano ajudam a explicar por que o crescimento econômico tem produzido reflexos sociais cada vez mais perceptíveis em Mato Grosso do Sul. Em 2025, o Estado alcançou a segunda posição nacional no pilar Capital Humano do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), consolidando-se como referência nacional em aspectos ligados à formação, empregabilidade e desenvolvimento da população.

O desempenho está associado a iniciativas voltadas à preparação da mão de obra para atender às novas demandas da economia. Entre elas está o MS Qualifica, política estadual criada para ampliar o acesso à capacitação profissional e aproximar trabalhadores das oportunidades abertas pelo ciclo de investimentos em curso no Estado. Já são mais de 500 mil qualificações.

Os reflexos desse processo também podem ser observados nos indicadores sociais. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul caiu de 2,7% para 1,6%, uma redução superior a 40% em dois anos.

O resultado reforça uma discussão que ganha cada vez mais espaço entre gestores, economistas e especialistas em desenvolvimento: mais do que acelerar o crescimento econômico, é preciso garantir que seus benefícios alcancem um número cada vez maior de pessoas.

Nesse contexto, a geração de empregos, a qualificação profissional, o fortalecimento do empreendedorismo e a ampliação da renda passam a ser indicadores tão importantes quanto o próprio desempenho da economia. Para Michel Constantino, a capacidade de transformar crescimento em desenvolvimento depende diretamente da atuação do poder público.

“Em Mato Grosso do Sul, essa estratégia tem acompanhado a chegada de grandes empreendimentos. O Estado tem direcionado esforços para preparar os territórios e ampliar as oportunidades para a população. Esse trabalho envolve investimentos em infraestrutura, saúde, educação e qualificação da mão de obra, criando condições para que trabalhadores e empresas locais participem dos benefícios gerados pela expansão econômica.”

Segundo o economista, essa preparação ajuda a explicar parte dos resultados alcançados pelo Estado nos últimos anos. Mato Grosso do Sul possui atualmente a maior taxa de investimento público do país, equivalente a 15,3% da Receita Corrente Líquida, além de indicadores que refletem um ambiente favorável aos negócios, como a elevada abertura de empresas e a agilidade nos processos de formalização.

“O poder público atua na criação de um ambiente de negócios favorável, evidenciado pela alta taxa de novos negócios (55,4% em 2025) e pela agilidade na abertura de empresas, que fomenta o empreendedorismo local. O papel estatal, portanto, é o de construir a ponte entre o grande capital investidor e o pequeno empreendedor ou trabalhador local, garantindo que a riqueza circule dentro do Estado”, avalia.

Elaine Paes, Comunicação Segov
Foto de capa e galeria: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA



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Governo central tem déficit primário de R$ 53,257 bi em maio, em linha com o esperado


Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$53 bilhões no mês passado

BRASÍLIA, 29 Jun (Reuters) – O governo central registrou um déficit primário de R$53,257 bilhões em maio, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira, em linha com o esperado pelo mercado e pior do que o déficit de R$40,249 bilhões obtido no mesmo mês de 2025.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$53 bilhões no mês passado.



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Onda de calor na Europa e El Niño puxam preços de açúcar, cacau e café


NOVA YORK, 26 Jun (Reuters) – Os contratos futuros do ⁠açúcar na bolsa ICE subiram nesta sexta-feira, à medida que ⁠os operadores deixaram de lado a queda nos preços do petróleo para se concentrarem ‌na onda de calor recorde na Europa e nos temores de que o fenômeno climático El Niño possa prejudicar a produção.

O cacau registrou enormes ganhos semanais, com os futuros de ‌cacau em Nova York subindo 20%.

AÇÚCAR

• O açúcar bruto fechou em alta de 0,43 centavo, ou 3,2%, a 13,98 centavo por libra-peso, após atingir uma máxima de duas semanas e meia, de 14,09 centavo. O mercado registrou alta de 2,8% na semana.

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• ‘Estamos encontrando suporte no mercado (devido) à situação climática na Índia, Europa, Tailândia, Flórida e em outros lugares’, disse o analista sênior e ⁠consultor ‌de açúcar Michael McDougall.

• Ele observou que a atual onda de calor na Europa foi ⁠reconhecida como a pior já registrada, as chuvas de monção na Índia caíram 42%, a Tailândia está quente e seca.

• No entanto, o que está limitando as perdas no mercado de açúcar são os preços mais baixos da energia, o que aumenta a perspectiva de que mais cana seja utilizada para a produção de açúcar, em vez ​de etanol como biocombustível.

• O açúcar branco subiu 4,3%, para US$464,00 por tonelada métrica, após atingir uma máxima de quase três meses, de US$466. Ele registrou alta de 5,2% ​na semana, já que os problemas na Europa afetam mais fortemente o mercado de açúcar branco.

CAFÉ

• O café robusta fechou em queda de US$35, ou 1%, a US$ 3.627 por tonelada, após atingir uma máxima de três meses de US$3.692 na quinta-feira.

• ‘O El Niño representa um importante risco de alta para os preços do robusta, devido ao seu potencial de ‌trazer condições mais quentes e secas para o Sudeste Asiático ​e a Índia’, afirmou o Rabobank em uma nota.

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• O café arábica caiu 1,2% na sessão, para US$2,732 por libra-peso, após atingir uma máxima de quase seis semanas de US$2,8480 por libra-peso na quarta-feira.

• As recentes chuvas no ⁠Brasil, associadas ao El Niño, causaram ​alguns problemas de qualidade ​e retardaram o andamento da colheita, embora, de modo geral, ainda se espere que o maior produtor mundial de arábica ⁠tenha uma safra excepcional nesta temporada.

• A analista ​de commodities agrícolas Judith Ganes afirmou que o tempo no cinturão cafeeiro brasileiro deve melhorar pelos próximos dez dias, pelo menos, o que ajudará na colheita.

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CACAU

• O cacau de Londres fechou em queda de £112, ​ou 2,8%, a £3.820 por tonelada, após ter atingido uma máxima de cinco meses de £4.014 na quinta-feira. O mercado de Londres registrou alta de 16% na semana.

• ​O cacau de Nova York ⁠caiu 2,9% na sessão, para US$5.095 por tonelada. O mercado registrou alta de 20% na semana.

• O Rabobank afirmou que ⁠o cacau está sendo impulsionado pela ‘transição para um evento ativo do El Niño, pelo abrandamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por um início lento no desenvolvimento da safra principal de 2026/27 da África Ocidental’.

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• O banco, no entanto, ainda prevê um excedente na safra de 2026/27 e considera os prêmios de risco relacionados ao El Niño um pouco supervalorizados.(Reportagem de May Angel e Marcelo ​Teixeira)



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Juro alto trava inovação e asfixia indústria de transformação, dizem especialistas


Com a Selic em 14,25%, o Brasil se consolidou no ranking dos países com maiores juros reais do mundo, a 9,67%, o que torna o crédito caro e freia o impulso produtivo. Para a indústria da transformação, isso representa mais um gargalo frente aos desafios para a inovação e a competitividade.

Os números refletem uma perda estrutural contínua. Segundo dados setoriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 1985, a indústria de transformação respondia por 35,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2023, essa participação caiu para 15,2%, e chegou a 10,8% em 2024 (dados mais recentes da CNI). 

No cenário global, a relevância do país também encolhe ano a ano, ocupando hoje o 15º lugar entre as maiores indústrias, respondendo por 1,28% da produção mundial, distante do pico de 2,77% alcançado em 1995. O topo do ranking global da indústria de transformação é dominado pela China, que concentra 30,45% da produção mundial, seguida por Estados Unidos (16,76%) e Japão (4,76%). 

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Leia também: Insegurança aumenta custos de 62% das indústrias e pressiona preço dos produtos

Expandir ou investir

Para especialistas do setor produtivo, essa equação afasta o interesse na expansão empresarial. Beny Fard, economista e sócio da B8 Partners, destaca a dificuldade de atrair investimentos quando a própria operação fabril se torna menos rentável e mais arriscada que o mercado financeiro tradicional. “Se você fizer uma análise de uma indústria que tem um Ebitda na casa dos 15% e você tem o dinheiro jogando parado a 14%, o índice de confiança do industrial fica irrisório. Ele prefere não reinvestir”, afirma.

Segundo Fard, o resultado dessa asfixia reflete diretamente no aumento dos pedidos de recuperação judicial. As empresas buscam prolongar e reperfilar dívidas em um ambiente onde as instituições financeiras elevaram o rigor para conceder crédito.

Segundo Fard, os bancos exigem hoje garantias reais equivalentes a até 110% do valor dos empréstimos, praticamente abolindo as operações baseadas apenas no clássico “aval”, quando bancos concediam crédito às indústrias baseados apenas no bom relacionamento e na assinatura dos sócios, sem exigir garantias reais (como imóveis, maquinários ou recebíveis). Hoje, com o alto risco, essa prática praticamente desapareceu, diz Fard.

Leia também: Recuperação judicial da Estrela ilustra momento de pressão do crédito sobre empresas

Como reflexo direto da falta de liquidez, Fard observa a explosão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil, veículos usados pelas empresas para antecipar recebíveis. “Você realiza caixa daquilo que seria sustentar o seu futuro”, explica o economista, ressaltando o nível de estrangulamento do setor produtivo.

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O freio no consumo e no desenvolvimento

Para Stefano Pacini, economista do FGV Ibre, a atual política monetária restritiva atinge a indústria em duas frentes simultâneas: desestimula o consumidor, que evita compras a prazo de bens duráveis devido ao alto custo do financiamento, e paralisa o produtor, que opta por adiar a substituição de maquinários, a renovação de frotas e a modernização tecnológica.

Pacini detalha que as categorias de bens de consumo duráveis, semiduráveis e não duráveis são as que atravessam o período mais difícil, pois são altamente sensíveis ao encarecimento do crédito. Além de não vender, o cenário obriga a indústria a acumular produtos parados. “Se a empresa tem dificuldade de produzir e vender, ela vai acabar com maior estoque”, alerta o economista. 

“O investimento produtivo é muito afetado pela taxa de juros mais alta”, pontua Pacini, lembrando que a indústria nacional atua majoritariamente para atender à demanda interna e possui baixa competitividade externa, salvo raras exceções como a Embraer, o agronegócio e o setor de celulose e embalagens. 

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Contudo, mesmo em cadeias fortes no mercado interno, como a farmacêutica, a dependência estrangeira é considerável, chegando o setor a importar mais de 80% dos insumos necessários para a produção local.

Inovação sem combustível

A paralisação dos investimentos corporativos contamina de forma direta e severa a pesquisa tecnológica. Historicamente, a indústria de transformação é o motor da tecnologia aplicada, concentrando 62,4% de todo o investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, de acordo com a CNI. Setores como o de veículos automotores (18%) e o químico (16,5%) lideram esse esforço nacional.

Contudo, com a taxa de investimento do país travada em meros 16,8% do PIB, longe de potências emergentes como China e Índia, que superam os 30%, segundo a CNI, a inovação não encontra meios para se desenvolver. 

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A disparidade nas prioridades macroeconômicas do Brasil agrava o quadro, como ressalta o empresário e educador Tiago Zanolla: o país destina quase R$ 1 trilhão para pagar juros da dívida pública (cerca de 8% do PIB), enquanto apenas 1,19% do PIB é investido no desenvolvimento de pesquisa científica.

“Juro alto não encarece só o crédito. Ele é o imposto invisível sobre a inovação. Quem lidera a economia do conhecimento tratou a universidade como motor de desenvolvimento, não como despesa”, afirma.

O enfraquecimento contínuo do parque fabril afeta até mesmo o ecossistema acadêmico. O Brasil teve um dos piores desempenhos entre os grandes sistemas de ensino superior do mundo no ranking Global 2000 de 2026, divulgado pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR). Das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, o equivalente a 87% das instituições do país presentes na lista. Apenas cinco avançaram e duas permaneceram estáveis.

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Esse quadro gera um ciclo vicioso: as universidades sofrem com orçamentos apertados, a indústria retraída compra menos soluções inovadoras, e os talentos ficam sem espaço para produzir. “Hoje existe uma concorrência mundial por cérebros. Universidades e centros de pesquisa de diversos países oferecem infraestrutura, remuneração e condições de trabalho muito superiores. Quando o pesquisador brasileiro encontra mais oportunidades fora do país, o sistema inteiro perde capacidade de produzir conhecimento”, afirma Zanola.

Problema antigo

Beny Fard ressalta que gargalos históricos como a infraestrutura logística e portuária deficitária, a complexidade e o custo do acesso à energia, a baixa produtividade da mão de obra e um forte protecionismo estatal, prejudicam cronicamente a operação produtiva. “O Brasil é um dos países que mais tem barreiras de entrada em termos de proteção à sua indústria, o que nos faz perder competitividade”, pondera Fard.

Saída é olhar para fora

A saída para a sobrevivência e crescimento do parque industrial, segundo os especialistas, está no mercado externo. Ao adotar uma visão de longo prazo para aproveitar o atual rearranjo global (nearshoring), com foco nas exportações de itens com valor agregado, a indústria de transformação conseguirá diminuir a dependência de um mercado doméstico asfixiado pelas taxas restritivas.

Fard avalia que as disputas geopolíticas e o fim da globalização pacífica abriram uma janela de oportunidade fantástica para o Brasil. “Nós não somos alinhados a conflitos, nós somos uma democracia e nós temos recursos naturais e indústria manufatureira pronta para atender o mundo”, afirma o sócio da B8 Partners, ressaltando que, com acordos recentes como o do Mercosul com a União Europeia, o país precisa decidir se será um protagonista global ou se continuará sufocado pelas próprias regras e taxas. 



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Tecnologia no campo avança além das máquinas e aproxima jovens da ciência em assentamento de MS


Projetos ligados à biotecnologia, inovação rural e pesquisa aplicada tentam transformar conhecimento acadêmico em soluções para produção de alimentos e permanência no campo

Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã, jovens filhos de agricultores familiares discutem inteligência artificial, produção de alimentos e problemas do cotidiano rural. O ambiente lembra mais um laboratório comunitário do que a imagem tradicional associada ao agronegócio de alta tecnologia, marcado por grandes máquinas e extensas plantações mecanizadas.

É nesse espaço que pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolvem projetos voltados à educação, ciência e inovação rural, numa tentativa de aproximar tecnologia e realidade do campo. A iniciativa faz parte do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul. 

A coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, afirma que o trabalho começou a partir da escuta da comunidade local. Segundo ela, o objetivo era entender quais eram os principais desafios enfrentados pelos moradores antes de definir estratégias de atuação.

“O foco sempre foi alinhar produção de alimentos, desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento”, afirma. 

A experiência em Nova Itamarati ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla em curso no Estado. A incorporação de tecnologia ao agronegócio deixou de se restringir à mecanização das lavouras e passou a incluir pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e agricultura de precisão desenvolvidas dentro de universidades e centros de pesquisa. 

Biotecnologia ganha espaço na economia do Estado

Entre as áreas consideradas estratégicas está a biotecnologia, setor que reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura, sustentabilidade e desenvolvimento industrial. A estimativa é de que esse mercado movimente cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2030. 

As pesquisas incluem desde vacinas para doenças do rebanho até soluções para problemas agrícolas, como o greening — doença que afeta plantações cítricas — além de iniciativas ligadas à melhoria genética, produção de bioinsumos e tecnologias voltadas à indústria sustentável. 

Parte dessa estratégia passa pelo incentivo às chamadas Deep Techs, startups de base científica criadas a partir de pesquisas acadêmicas. A proposta é transformar conhecimento produzido nas universidades em produtos, serviços e empresas capazes de alcançar mercados fora do Estado e até do país. 

Segundo o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, a intenção é aproximar pesquisadores e setor produtivo para ampliar a aplicação prática das pesquisas.

“A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios”, disse. 

Educação e permanência dos jovens no campo

No assentamento de Ponta Porã, a inovação aparece também como tentativa de enfrentar outro desafio histórico do meio rural: a saída de jovens para os centros urbanos.

O Hub de Educação e Inovação Rural atua justamente para fortalecer vínculos entre estudantes e o território onde vivem. O projeto reúne professores, técnicos, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação em ações voltadas à formação tecnológica e produção rural. 

Segundo Juliana Carrijo, a equipe reúne cerca de 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e busca financiamento em editais públicos de pesquisa e extensão tecnológica.

Ela afirma que o espaço deverá funcionar como uma espécie de vitrine tecnológica voltada à agricultura familiar, conectando conhecimento científico e saberes locais em projetos aplicados à realidade do assentamento. 

Pesquisa aplicada mira novo perfil econômico

A aposta em ciência aplicada ao agro faz parte de uma estratégia mais ampla do Estado para diversificar a economia ligada à produção rural. Drones com inteligência artificial, agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos aparecem entre as áreas vistas como promissoras. 

Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa passam a ocupar papel cada vez mais próximo das cadeias produtivas, em uma tentativa de transformar conhecimento científico em atividade econômica.

Mais do que ampliar o uso de tecnologia nas lavouras, o movimento busca criar soluções desenvolvidas dentro do próprio Estado, com potencial de aplicação em outros mercados.

Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc
Fotos: Semadesc/Arquivo



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Gigantes da renda fixa miram ponto ideal do mercado para a nova era Warsh


De Capital Group a Insight Investment, Natixis e Pacific Investment Management Co., a mensagem é a mesma: o ponto ideal está no chamado “miolo” da curva de Treasuries, ou seja, na faixa de cinco anos, e todos estão aumentando posição nesse trecho.

Os investidores estão migrando para esses vencimentos à medida que os rendimentos dos Treasuries se estabilizam, depois de terem disparado no início deste mês com os comentários mais duros de Warsh, presidente do Fed, sobre restaurar a estabilidade de preços. Recuperando-se dessas perdas, os títulos americanos registraram ganhos consistentes na semana passada, à medida que os preços do petróleo caíram e os traders reduziram parte de suas apostas mais agressivas em altas de juros para este ano e para 2027.

“O papel de cinco anos oferece um equilíbrio interessante” e é um “bom ponto de inflexão”, disse Brendan Murphy, chefe de renda fixa para a América do Norte da Insight Investment, gestora global com cerca de US$ 836 bilhões sob gestão.

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Com as autoridades do Fed divididas entre manter os juros inalterados ou elevar a taxa ao menos uma vez neste ano, o vencimento de cinco anos é atraente porque funciona como um proxy do quadro econômico mais amplo, ao capturar um período mais longo que pode incluir tanto ciclos de afrouxamento quanto de aperto monetário. Isso o diferencia da note de dois anos, que é guiada principalmente por apostas de curto prazo sobre juros. Além disso, carrega menos risco do que os títulos longos sensíveis à inflação, ao mesmo tempo em que ainda oferece rendimento generoso, de 4,13% na sexta-feira.

Trajetória dos juros do Fed dá reviravolta à medida que traders veem cortes em 2027 após altas

A curva de swaps do fim de 2026 para 2027 fica negativa com esperanças de afrouxamento

Os compradores do “miolo” dizem estar atentos ao fato de que a narrativa do mercado de títulos é fluida e sujeita a mudanças. Cortes de juros podem facilmente voltar ao debate, embora as altas tenham dominado as discussões recentemente. A atividade da última semana já mostra traders moderando a postura mais agressiva, precificando de uma a duas elevações até meados do próximo ano como pico do aperto monetário do Fed, depois de anteriormente se posicionarem para uma sequência de altas já a partir do mês que vem.

Os vencimentos intermediários em torno da faixa de cinco anos também podem oferecer proteção contra reações voláteis a dados econômicos que serão divulgados em breve, como o relatório mensal de emprego de junho na quinta-feira, seguido por indicadores de inflação no mês que vem. O mercado de Treasuries ficará fechado na sexta-feira em razão do feriado do Dia da Independência.

“A ponta curta da curva será mais volátil, por isso prefiro os juros intermediários”, disse Chitrang Purani, gestor de portfólio da Capital Group, que tem mais de US$ 3 trilhões sob gestão. “A trajetória da inflação e a resiliência do crescimento que vimos neste ano justificam a alta dos juros, mas, olhando para frente, os motores do crescimento econômico continuam desiguais e a inflação ainda não foi puxada por fatores do lado da demanda.”

Outro atrativo do “miolo”? Trata-se de um barganha relativa, como mostra uma métrica segundo a qual os Treasuries de cinco anos tiveram desempenho inferior ao dos vencimentos mais curtos e mais longos. A chamada borboleta — indicador de onde o rendimento do Treasury de cinco anos está em relação aos papéis de dois e 30 anos — está perto do maior nível em mais de um ano.

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Mesmo com os traders reduzindo nas últimas sessões a precificação de altas de juros, continua havendo cautela de que, se os próximos dados mostrarem que a inflação não está moderando — ela já roda acima da meta do Fed há anos —, o banco central provavelmente promoverá elevações já a partir de setembro. A pressão sobre os Treasuries será liderada pelo papel de dois anos, mais sensível à política monetária, enquanto os rendimentos mais longos devem subir menos, já que a perspectiva de política mais restritiva tende a implicar crescimento mais fraco em 2027.

“Se o Fed subir os juros em 2026, depois desfaz isso em 2027”, disse John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA da Natixis North America. Por isso, afirmou, prefere o “miolo, porque dá mais tempo para precificar possíveis cortes”.

É uma visão recentemente endossada pela PGIM, cuja expectativa é de três altas neste ano, seguidas por uma série de cortes em 2027 e 2028.

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O que dizem os estrategistas da Bloomberg …

“Os Treasuries de cinco anos estão na interseção entre a política do Federal Reserve e as expectativas de inflação. Assim, a ação recente dos preços reflete confiança em um choque de energia em dissipação, ao mesmo tempo em que ganha força a visão de que a inflação pode moderar sem uma deterioração significativa do crescimento.”

— Alyce Andres, estrategista macro, Markets Live. Para a análise completa, clique aqui.

Outras casas de investimento mantiveram em grande medida suas projeções, mesmo com a precificação do mercado ficando mais hawkish. Para a gigante de renda fixa Pimco, isso inclui posição no “miolo” da curva.

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“Nosso cenário-base diverge do mercado porque não acreditamos que o Fed vai elevar juros, já que a economia deve desacelerar no segundo semestre deste ano e dar tempo para que a autoridade monetária mantenha a taxa inalterada”, disse Michael Cudzil, gestor sênior de portfólio da Pimco.

A gestora, que administra US$ 2,3 trilhões, está overweight em exposição a juros e carrega tanto a ponta curta quanto o miolo da curva, ou seja, dos vencimentos de dois a cinco anos — uma faixa que, segundo Cudzil, ficou ainda mais atraente após a liquidação recente.

“É perfeitamente possível que os rendimentos da ponta curta e do miolo caiam abaixo de 4% no segundo semestre, se o mercado retirar do preço as altas e começar a falar em possível afrouxamento”, disse. “As narrativas de mercado podem mudar muito rapidamente, e bastam alguns dados para provocar alguma oscilação.”

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O que acompanhar

Dados econômicos:

  • 29 de junho: atividade manufatureira do Fed de Dallas
  • 30 de junho: índice de preços de imóveis da FHFA; S&P Cotality Case-Shiller 20 cidades e HPI dos EUA; PMI de Chicago da MNI; confiança e expectativas do consumidor do Conference Board; relatório JOLTS de vagas abertas e taxa de demissões voluntárias; atividade de serviços do Fed de Dallas
  • 1º de julho: pedidos de hipoteca da MBA; variação de emprego da ADP em junho; cortes de vagas da Challenger; PMI industrial dos EUA da S&P Global; ISM manufatureiro; gastos com construção; vendas totais de veículos da Omida
  • 2 de julho: payroll de junho, taxa de desemprego, ganho médio por hora; pedidos iniciais de auxílio-desemprego; encomendas à indústria; encomendas de bens duráveis; encomendas de bens de capital

Agenda do Fed:

  • 1º de julho: presidente do Fed, Kevin Warsh, em painel em Sintra; Warsh em painel do BCE em Sintra
  • 2 de julho: presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, participa de discussão moderada em conferência do Banco da Espanha, em Santander, Espanha

Calendário de leilões:

  • 29 de junho: bills de 13 e 26 semanas
  • 30 de junho: bills de 6 semanas
  • 1º de julho: bills de 17 semanas
  • 2 de julho: bills de 4 e 8 semanas

© 2026 Bloomberg L.P.



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Brasil está flertando novamente com “voo de galinha”, vê Franklin Templeton


O Banco Central surpreendeu o mercado ao indicar piora nas condições para a inflação e mesmo assim reduzir a Selic mais uma vez, e um novo corte na próxima reunião do Copom parecerá flertar com um maior risco de desancorar todo o processo de controle das expectativas de inflação, avalia Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton no Brasil. A casa trabalha com a projeção de pausa nos atuais 14,25%.

Segundo ele, foi a primeira vez que o Copom disse em seu comunicado e na ata da reunião que o balanço de riscos para a inflação apontava para alta e não subiu os juros no próprio encontro. “Ele poderia ter dito que faria uma pausa para averiguar os efeitos dos choques do petróleo e da própria atividade com o choque da expansão fiscal, que eles foram corretos de reconhecer”, avalia. “A sensação é que a comunicação combinaria mais com uma pausa do que uma queda dos juros”, diz.

Leia também: “Cenário de terra arrasada” deixa Brasil mais barato que Argentina

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Para Lima, a mudança no horizonte relevante para a meta, para o primeiro trimestre de 2028, também pareceu “forçar um pouco a barra”, mesmo com a justificativa de que até lá o efeito do El Niño nos alimentos será menor. “Mas todo o resto da avaliação não combina com a queda dos juros”, afirma, citando o Relatório de Inflação divulgado hoje, no qual o BC eleva a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,6% para 2,0%. “A atividade está mais forte, a projeção para o consumo das famílias cresceu de 1,7% para 2,8%, isso é demanda, estamos vendo a demanda mais forte e o hiato do produto mais aberto”, afirma.

Ele diz que a comunicação do Copom ficou confusa e isso tem um custo de credibilidade para o BC. Mesmo assim, observa que “não estamos com uma política monetária expansionista e nem em uma guinada de política monetária”. O economista acredita que o principal problema hoje para a queda dos juros é o excesso de estímulos fiscais e parafiscais, que amplia os gastos do governo. “Se no ano que vem não houver uma mudança na dinâmica fiscal, a queda do juro será mais limitada e podemos ter novamente o chamado voo de galinha, com os juros caindo e depois tendo de voltar a subir para conter a inflação”, diz.

Segundo ele, o país está “como o sapo na panela de água quente”, já que a situação econômica não está tão ruim, a inflação está controlada e a população não cobra uma mudança na política econômica. E os candidatos à Presidência não devem querer discutir medidas de cortes de gastos durante a campanha, o que deve manter as incertezas por mais tempo.

Diante disso, o economista espera maior pressão de alta no câmbio por conta da eleição. Mas não vê o real muito apreciado, o que limitaria espaço para desvalorização. “O risco maior é o dólar se fortalecer lá fora e pressionar aqui, mas a eleição no Brasil também aumenta a volatilidade da moeda”, diz.

Leia também: Super El Niño: por que o alarme no agro pode ser maior do que o impacto



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