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Acidente da Voepass: ‘Empresa nos enviava informações falsas’, diz presidente da Anac


Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo, 26, o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a Voepass informava ter feito reparos em suas aeronaves que, na verdade, não eram realizados. A queda de um avião da empresa em 9 de agosto de 2024 provocou a morte de 62 pessoas que iam de Cascavel (PR) a Guarulhos (SP).

“Muitas das informações que a empresa nos enviava eram informações falsas. Eu vou citar um exemplo: na operação assistida, um fiscal da Anac chamava o mecânico da Voepass e falava assim: ‘Ó, você tem que trocar essa peça aqui’. Quando o fiscal ia lá ver, via que tinha o documento da troca, que ele tinha reportado a troca, mas que na prática não tinha trocado nada”, disse Faierstein.

O diretor-presidente chegou a admitir ao Fantástico que a agência foi enganada pela Voepass. “Eu posso dizer que sim. Muito sim. O nosso time técnico, o nosso corpo técnico, fez análises baseadas em documentos que não eram documentos verdadeiros”, afirmou.

Em nota divulgada na última quinta-feira, 23, após a divulgação do relatório final sobre o acidente feito pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), a Voepass alegou que, ao longo de três décadas, “sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.”

A FAB concluiu que a queda do avião foi causada por um conjunto de falhas da empresa, da aeronave, dos pilotos e da Anac. A investigação durou quase dois anos e apontou 19 fatores que influenciaram na queda do avião, sendo 15 que contribuíram diretamente para o acidente. Os demais foram classificados como de contribuição indeterminada.

Um dos fatores contribuintes foi o fato de a aeronave PS-PVB, modelo ATR-72, ter decolado sem que pudesse ter saído do solo nas condições em que estava. Ela tinha o limpador de para-brisa inoperante. Pelos manuais, o avião até poderia decolar sem o equipamento, desde que as condições meteorológicas não fossem como as do dia do acidente.

O Cenipa também apontou falhas expressas da Anac, que não teria aproveitado no processo de gestão de risco “condições latentes identificadas”. Segundo a investigação, houve falta de supervisão sobre práticas informais na empresa.

É a primeira vez que ações ou omissões da agência reguladora são relacionadas como fatores causadores de um acidente aéreo, segundo técnicos do Cenipa. O órgão da FAB reconhece que a agência chegou a aplicar sanções à Voepass, mas evitou apontar quais seriam as medidas mais adequadas no caso da empresa.

Os investigadores concluíram que um dos sistemas de degelo, responsável por inflar as borrachas nas asas do avião para quebrar o gelo, apresentava falhas recorrentes.

Essas falhas foram registradas em voos imediatamente anteriores ao do acidente, mas não foram relatadas no diário de bordo por nenhuma das tripulações. “Houve normalização do desvio”, afirmou o encarregado da investigação, tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado.

O Cenipa analisou 1.206 voos da aeronave que caiu, realizados entre agosto de 2023 e agosto de 2024, para traçar um histórico dos equipamentos e verificar como a Voepass lidou com o histórico de falhas da aeronave.

“Tivemos uma cultura organizacional de normalização de desvios dentro do operador. Ela vem de uma cultura de informalidade em que pilotos e mecânicos não relatavam falhas para que a aeronave pudesse voar no dia seguinte”, afirmou Fróes.

O relatório final apontou que a estrutura mecânica da empresa adotava a prática de usar em uma aeronave peças que estavam em pane em um outro avião. Ou mesmo utilizar componentes defeituosos que estavam estocados. Tudo para declarar as aeronaves como em situação regular para voo.

Os investigadores também concluíram que os pilotos mantiveram conversas sobre problemas pessoais durante momentos críticos do voo e não seguiram protocolos recomendados para enfrentar condições de gelo severo, como alterar a altitude do voo.

A constatação de normalização de desvios na empresa foi reforçada pela análise de mais de 15 mil voos da Voepass entre 2022 e 2024. Na comparação com outras companhias aéreas, as aeronaves registraram mais falhas, como, por exemplo, no componente que apontava “degradação de performance” durante o voo.

Segundo o relatório final, piloto e copiloto estavam submetidos a uma “alta carga de trabalho”, o que pode ter explicado a ausência de medidas quando os sistemas indicaram a “degradação de performance” do avião.

“Uma carga de trabalho elevada pode ter causado surdez e cegueira por desatenção, quando o cérebro não consegue receber e processar as informações disponíveis naquele momento”, disse Fróes.

Os 4 fatores com contribuição indeterminada:

1. Capacitação e treinamento: Embora os tripulantes tivessem sido submetidos aos treinamentos exigidos, as ações observadas durante o voo do acidente não se mostraram condizentes com o nível mínimo de proficiência desejado. Não houve o reconhecimento, em tempo oportuno, da severidade da condição enfrentada e não houve uma resposta adequada aos alertas recorrentes. A atuação nos comandos de voo ocorreu de forma divergente daquela preconizada nos treinamentos.

2. Estado emocional: O piloto enfrentava problemas pessoais que afetavam negativamente seu desempenho operacional. Estado emocional pode ter influenciado ação durante o voo, de modo a reduzir capacidade de tomar decisões críticas.

3. Influências externas: Problemas pessoais do piloto foram tema de conversas informais com o copiloto durante o voo, o que pode ter desviado o foco.

4. Projeto: O fato de o alerta para aumentar a velocidade ter sido categorizado como alerta de nível 2 pelo fabricante do avião pode ter induzido as tripulações a subestimarem a gravidade da condição a ser gerenciada.

Os 15 fatores contribuintes:

1. Aplicação dos comandos: A atuação dos pilotos no sentido de cabrar o avião (puxar o bico do avião para cima) quando foi acionado o alerta de stall (perda de sustentação) foi em desacordo com os procedimentos preconizados.

2. Atenção: Conversas informais não relacionadas à condução técnica e operacional da aeronave reduziram o foco de atenção da tripulação de voo tanto no monitoramento do ambiente externo quanto na observação das indicações e alertas ativados no cockpit.

3. Atitude: Apesar da ciência prévia acerca da falha no sistema de degelo e da previsão de condições propícias à formação de gelo severo ao longo da rota, houve a decisão por prosseguir o voo conforme planejado, sem a adoção de medidas mitigatórias destinadas à redução do risco.

4. Condições meteorológicas: Mal tempo contribuiu para a configuração do cenário da ocorrência, criando um ambiente desfavorável à operação segura da aeronave. A exposição prolongada à condição de gelo severo resultou em aumento do arrasto aerodinâmico e comprometimento da performance.

5. Coordenação de cabine: Houve gerenciamento inadequado das tarefas de cada tripulante, falha na comunicação e a inobservância de normas operacionais caracterizaram a ineficiência na coordenação de cabine.

6. Cultura de grupo do trabalho: O aparecimento frequente de avisos e alertas gerou complacência no grupo de pilotos da empresa, culminando com redução da vigilância e relaxamento diante da alta repetitividade. O grupo de pilotos da empresa tendia a subestimar os alertas/avisos, apoiados na falsa sensação de segurança justificada pela experiência pregressa.

7. Cultura organizacional: Predominava na empresa a informalidade nas interações entre os seus membros, o que perpassava os diferentes níveis hierárquicos e setores. A proximidade e a informalidade abriam espaço para improvisos e permissividade, acarretando a flexibilização de regras e a degradação da cultura de segurança de voo. As percepções coletivas dos integrantes da empresa refletiam valores centrais equivocados e baixa adesão aos princípios de segurança de voo. A existência de regras informais, institucionalizadas informalmente, resultou na fragilização da cultura de segurança, acarretando a operação do PS-VPB abaixo dos níveis mínimos de segurança aceitáveis.

8. Julgamento de pilotagem: Em nenhum momento do voo os pilotos solicitaram descida imediata ou declararam situação de emergência em função da condição de acúmulo de gelo e perda de performance. Essa omissão, associada à não execução das ações previstas nos procedimentos operacionais diante dos avisos/alertas de degradação de performance emitidos pela aeronave, indicou que a tripulação de voo realizou uma avaliação inadequada de parâmetros relacionados à operação segura da aeronave.

9. Manutenção da aeronave: A ausência de registro formal no Diário de Bordo, após o surgimento de falhas em voo, em especial no que tange ao mau funcionamento do sistema de degelo nos voos que antecederam ao acidente, impediu que os setores técnicos e operacionais da empresa pudessem aplicar medidas mitigadoras.

10. Percepção: Foram identificados prejuízos na capacidade dos tripulantes de voo de reconhecer, compreender e projetar as sensações provenientes dos estímulos internos e externos ao ambiente da operação, como as informações meteorológicas de formação de gelo severo, indicações de perda de performance e avisos/alertas do monitor de performance.

11. Planejamento de voo: O planejamento não considerou todas as condições restritivas para o voo na rota pretendida, permitindo a operação abaixo dos níveis mínimos de segurança aceitáveis. Essa lacuna contribuiu para a manutenção da aeronave em um nível de voo suscetível ao acúmulo de gelo, culminando na degradação progressiva da performance e na construção do cenário da ocorrência.

12. Processo decisório: A decisão de realizar o voo de cruzeiro em nível que havia previsão de formação de gelo severo evidenciou dificuldades no processo de análise e escolha de alternativas por parte da tripulação de voo. Tais dificuldades podem ter se originado de vieses oriundos de uma cultura organizacional que abria espaço para os improvisos e permissividade, acarretando a flexibilização de regras e a degradação da cultura de segurança de voo.

13. Processos organizacionais: O subaproveitamento das informações disponibilizadas, especialmente as relacionadas à degradação de performance por acúmulo de gelo, associado à ausência de assessoria em tempo real relacionada às condições meteorológicas na rota aos pilotos, demonstrou que os processos organizacionais não estavam consolidados como instrumentos eficazes de mitigação de riscos. Esse conjunto de fragilidades favoreceu a adoção de uma conduta passiva diante dos alertas e inibiu ações estruturadas previstas nos procedimentos operacionais.

14. Supervisão gerencial: A ausência de supervisão gerencial eficaz sobre as práticas informais adotadas tanto nas operações aéreas quanto nas de manutenção de aeronaves criou brechas para que a aceitação de desvios se normalizasse, ao ponto de os alertas da aeronave serem menosprezados, diminuindo a percepção do risco envolvido naquele contexto de operação. Com isso, medidas preventivas mais robustas deixaram de ser adotadas, permitindo operações com níveis abaixo dos mínimos de segurança aceitáveis.

15. Atuação da Anac: As auditorias e inspeções realizadas pela Anac no operador antes do acidente revelaram diversas não conformidades técnicas e procedimentais relacionadas à manutenção das aeronaves, à rastreabilidade de componentes, ao descumprimento das condições de lista de equipamentos mínimos e à prática recorrente de reporte informal de panes ou não reporte Os achados da Comissão de Investigação indicaram que os sinais que identificavam perigos, degradação das condições técnicas e condições latentes antes do acidente não foram capazes de, analisados no âmbito do processo de gerenciamento de risco da Anac, auxiliar nas tomadas de decisões estratégicas necessárias à mitigação e ao controle dos riscos no ambiente operacional por ela regulado e fiscalizado. Dessa forma, pode-se concluir que os meios de registro, tratamento e monitoramento de dados e informações relativas aos perigos, com a finalidade de gerenciar os riscos, ainda estavam em fase de amadurecimento, permitindo a continuidade das operações da empresa apesar das degradações dos níveis de segurança.



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Milei critica BC argentino e pede reforma


12.819.532.788.614.400.000%. É com esse número, que representa 13 trilhões por cento de inflação acumulada na Argentina desde 1935, quando foi criado o Banco Central da República Argentina (BCRA), que o presidente Javier Milei defende neste domingo em artigo publicado no jornal Clarín a reforma ou mesmo a extinção da autoridade monetária.

“Este número representa a inflação acumulada desde o ano de 1935 (inclusive), ou seja, desde que foi criado o Banco Central da República Argentina, que supostamente tinha como missão fundamental preservar o valor da moeda. Evidentemente, o BCRA, como toda instituição argentina, não apenas não cumpriu seu objetivo, mas a obscenidade do registro torna inevitável o debate sobre se deveria ou não existir um Banco Central e, caso se decida por sua existência, sob quais regras deveria operar”, diz o artigo.

Milei inicia sua argumentação com um histórico sobre os motivos da existência do dinheiro, criado diante do desafio da dupla coincidência e da indivisibilidade dos bens, como uma forma de facilitar as trocas. A necessidade de que o bem utilizado como dinheiro não perdesse valor ao longo do tempo, explica, resultou no uso dos metais preciosos, dando origem à função de reserva de valor.

“No entanto, o uso dos metais trazia consigo o problema da portabilidade e do risco de transporte, o que levou à criação do papel-moeda conversível. Em suma, a oferta monetária nada mais é do que a prestação de um serviço de liquidez que permite realizar transações, independentemente da propriedade do negócio. E está claro que a prestação estatal desse serviço tem sido deplorável”, critica.

O presidente passa então a criticar a esquerda e os “nacionalistas de quinta categoria”, para quem “a provisão de dinheiro deve estar nas mãos do Estado, já que, dado o curso forçado, a oferta monetária não apenas provê o serviço de liquidez, mas também oferece uma fonte de arrecadação tributária sem a necessidade de legislar impostos explícitos”.

Milei diz que “o roubo” não é dado pelo imposto inflacionário (a taxa de inflação multiplicada pela demanda por moeda), mas sim pela “senhoriagem” (emissão sem lastro). “Um exemplo deixará isso claro. Se uma economia cresce, a demanda por moeda cresce; portanto, se a oferta monetária permanecer constante, haverá deflação, o que faz com que os indivíduos aumentem sua riqueza real. No entanto, se a oferta de moeda crescer de modo que a inflação seja nula, o imposto inflacionário seria nulo e, ainda assim, o Estado agora conta com mais recursos, portanto, o setor privado não os tem”, explica.

Ele conclui que há expropriação. “E não apenas isso: a forma como o Estado introduz o dinheiro afeta a distribuição de renda e os preços relativos, portanto, afetará a poupança, o investimento e a taxa de juros. Ou seja, haverá danos no presente e no futuro.”

O caso argentino

Para Milei, o caso argentino é muito claro. Antes de existir o BCRA, a taxa de inflação anual era de 1,03% ao ano. Por sua vez, nos dez anos posteriores à sua criação, a taxa de inflação saltou para 6,05% ao ano. Após a estatização durante o governo do General Juan Domingo Perón, a inflação até 2025 teve uma média de 63,2% ao ano. Além disso, essa média geométrica não foi homogênea ao longo da história.

O presidente segue a explicação lembrando que, no período 1946-1974, a taxa foi de 29,7%. No período 1974-1991 subiu para 312,8%, o que levou à Lei de Conversibilidade, que conseguiu reduzir a taxa de inflação para 8,2% ao ano durante os dez anos em que esteve vigente.

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No entanto, a ideia de restringir o uso fiscal da emissão de dinheiro — algo permitido até que a posição em títulos públicos do Estado não ultrapassasse um terço da base monetária — não era do agrado da classe política. Assim, durante 2002, a conversibilidade foi encerrada sob a premissa de que desta vez seria diferente e que a política monetária seria conduzida racionalmente.

“Além da fraude que implicou retirar o lastro dos pesos — que em dólares de hoje equivale a cerca de US$ 30 bilhões —, a racionalidade progressista nos trouxe uma inflação de 168.580,3%, ou seja, uma inflação anual de 36,3%. No entanto, considerando o que aconteceu ao longo do século XXI, um desfecho ainda pior do que o do período 1974-1991 estava reservado, já que podemos observar que Néstor Kirchner deixou a mesma inflação que recebeu, apesar da tendência decrescente herdada, enquanto Cristina Fernández de Kirchner, Mauricio Macri e Alberto Fernández deixaram a seus sucessores uma inflação maior do que a herdada.”

Milei diz que, naturalmente, para alcançar tamanho desastre, foi necessário um BCRA à altura das necessidades da casta política. “E embora as mudanças na Carta Orgânica de 2002 já fossem nefastas, a modificação de 2012 levou os níveis da brutalidade política ao paroxismo, onde a nova Carta Orgânica foi delineada para justificar o roubo de US$ 10 bilhões para o Fundo do Bicentenário de 2010, que permitiu uma nova edição do “Pão e Circo” que possibilitou a reeleição de CFK”.

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Por fim, ele critica as mudanças na instituição. “Não bastou criar o arcabouço legal para viabilizar o saque das reservas internacionais via Letras Intransferíveis; como consagração da ignorância, atribuíram a um instrumento de política econômica cinco objetivos: (i) estabilidade monetária; (ii) estabilidade financeira; (iii) emprego; (iv) desenvolvimento econômico; e (v) equidade social. Ou seja, era preciso entrar no BCRA com capacete para não morrer de uma pancada na cabeça enquanto os maços de dinheiro voavam em direção à Casa Rosada.”

Leia também: Moody’s eleva nota soberana da Argentina e dá novo impulso aos planos de Milei

Proposta

Milei diz que, diante da “paixão expropriatória da alta política”, decidiu pôr fim a 91 anos de história e reformular a Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina com base em cinco linhas analíticas.

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Em primeiro lugar, acaba-se com o que chamou de “bestialidade de cinco objetivos para um instrumento”, com a missão fundamental do BCRA voltando a ser preservar o valor da moeda. “Ou seja, a nova Carta reconhece a natureza monetária da inflação, já que esta é, sempre e em todo lugar, um fenômeno monetário gerado por um excesso de oferta (seja porque a oferta aumenta e/ou a demanda diminui), que leva a uma perda do poder aquisitivo do dinheiro, isto é, todos os preços em unidades monetárias sobem.”

A segunda modificação é proibir o financiamento do Estado, o que vale tanto para o Tesouro Nacional quanto para os Estados Provinciais e os Municípios, e toda compra de títulos públicos do Estado Nacional no mercado primário.

A terceira modificação será blindar o presidente do BCRA e a diretoria contra o que considera os “atropelos da política”. “Embora se mantenha o mecanismo de nomeação, a remoção será muito mais exigente. (…) Exigirá dois terços não apenas da Câmara de Senadores, mas também da Câmara de Deputados.

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Em quarto lugar, será restringido o pagamento de dividendos pelos resultados derivados da prestação do serviço de liquidez. Determinados os ativos até 31/12/2026, estes serão assimilados em unidades físicas, de modo que os resultados de posse associados a mudanças nos preços desses ativos serão imputados a uma reserva técnica não distribuível –conceito similar à reavaliação técnica.

Por outro lado, os resultados associados à gestão de carteira do Banco só poderão ser repassados ao Tesouro Nacional para a liquidação de dívidas.

Por fim, serão eliminados, “de forma radical”, outras mudanças introduzidas pela Carta Orgânica de 2012, ao mesmo tempo que se elimina “a fraude das Letras Intransferíveis”.

Para Milei, essa reforma da Carata Orgânica do BCRA, juntamente com as novas regras fiscais (déficit zero e shutdown), a nova lei de Mercado de Capitais e a desregulamentação do Mercado de Seguros, “colocará fim a 91 anos de saque, expropriação, impunidade e decadência, o que nos permitirá tornar a Argentina grande novamente.”



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Milei critica BC argentino e pede reforma


12.819.532.788.614.400.000%. É com esse número, que representa 13 trilhões por cento de inflação acumulada na Argentina desde 1935, quando foi criado o Banco Central da República Argentina (BCRA), que o presidente Javier Milei defende neste domingo em artigo publicado no jornal Clarín a reforma ou mesmo a extinção da autoridade monetária.

“Este número representa a inflação acumulada desde o ano de 1935 (inclusive), ou seja, desde que foi criado o Banco Central da República Argentina, que supostamente tinha como missão fundamental preservar o valor da moeda. Evidentemente, o BCRA, como toda instituição argentina, não apenas não cumpriu seu objetivo, mas a obscenidade do registro torna inevitável o debate sobre se deveria ou não existir um Banco Central e, caso se decida por sua existência, sob quais regras deveria operar”, diz o artigo.

Milei inicia sua argumentação com um histórico sobre os motivos da existência do dinheiro, criado diante do desafio da dupla coincidência e da indivisibilidade dos bens, como uma forma de facilitar as trocas. A necessidade de que o bem utilizado como dinheiro não perdesse valor ao longo do tempo, explica, resultou no uso dos metais preciosos, dando origem à função de reserva de valor.

“No entanto, o uso dos metais trazia consigo o problema da portabilidade e do risco de transporte, o que levou à criação do papel-moeda conversível. Em suma, a oferta monetária nada mais é do que a prestação de um serviço de liquidez que permite realizar transações, independentemente da propriedade do negócio. E está claro que a prestação estatal desse serviço tem sido deplorável”, critica.

O presidente passa então a criticar a esquerda e os “nacionalistas de quinta categoria”, para quem “a provisão de dinheiro deve estar nas mãos do Estado, já que, dado o curso forçado, a oferta monetária não apenas provê o serviço de liquidez, mas também oferece uma fonte de arrecadação tributária sem a necessidade de legislar impostos explícitos”.

Milei diz que “o roubo” não é dado pelo imposto inflacionário (a taxa de inflação multiplicada pela demanda por moeda), mas sim pela “senhoriagem” (emissão sem lastro). “Um exemplo deixará isso claro. Se uma economia cresce, a demanda por moeda cresce; portanto, se a oferta monetária permanecer constante, haverá deflação, o que faz com que os indivíduos aumentem sua riqueza real. No entanto, se a oferta de moeda crescer de modo que a inflação seja nula, o imposto inflacionário seria nulo e, ainda assim, o Estado agora conta com mais recursos, portanto, o setor privado não os tem”, explica.

Ele conclui que há expropriação. “E não apenas isso: a forma como o Estado introduz o dinheiro afeta a distribuição de renda e os preços relativos, portanto, afetará a poupança, o investimento e a taxa de juros. Ou seja, haverá danos no presente e no futuro.”

O caso argentino

Para Milei, o caso argentino é muito claro. Antes de existir o BCRA, a taxa de inflação anual era de 1,03% ao ano. Por sua vez, nos dez anos posteriores à sua criação, a taxa de inflação saltou para 6,05% ao ano. Após a estatização durante o governo do General Juan Domingo Perón, a inflação até 2025 teve uma média de 63,2% ao ano. Além disso, essa média geométrica não foi homogênea ao longo da história.

O presidente segue a explicação lembrando que, no período 1946-1974, a taxa foi de 29,7%. No período 1974-1991 subiu para 312,8%, o que levou à Lei de Conversibilidade, que conseguiu reduzir a taxa de inflação para 8,2% ao ano durante os dez anos em que esteve vigente.

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“Além da fraude que implicou retirar o lastro dos pesos — que em dólares de hoje equivale a cerca de US$ 30 bilhões —, a racionalidade progressista nos trouxe uma inflação de 168.580,3%, ou seja, uma inflação anual de 36,3%. No entanto, considerando o que aconteceu ao longo do século XXI, um desfecho ainda pior do que o do período 1974-1991 estava reservado, já que podemos observar que Néstor Kirchner deixou a mesma inflação que recebeu, apesar da tendência decrescente herdada, enquanto Cristina Fernández de Kirchner, Mauricio Macri e Alberto Fernández deixaram a seus sucessores uma inflação maior do que a herdada.”

Milei diz que, naturalmente, para alcançar tamanho desastre, foi necessário um BCRA à altura das necessidades da casta política. “E embora as mudanças na Carta Orgânica de 2002 já fossem nefastas, a modificação de 2012 levou os níveis da brutalidade política ao paroxismo, onde a nova Carta Orgânica foi delineada para justificar o roubo de US$ 10 bilhões para o Fundo do Bicentenário de 2010, que permitiu uma nova edição do “Pão e Circo” que possibilitou a reeleição de CFK”.

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Leia também: Moody’s eleva nota soberana da Argentina e dá novo impulso aos planos de Milei

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Milei diz que, diante da “paixão expropriatória da alta política”, decidiu pôr fim a 91 anos de história e reformular a Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina com base em cinco linhas analíticas.

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Em primeiro lugar, acaba-se com o que chamou de “bestialidade de cinco objetivos para um instrumento”, com a missão fundamental do BCRA voltando a ser preservar o valor da moeda. “Ou seja, a nova Carta reconhece a natureza monetária da inflação, já que esta é, sempre e em todo lugar, um fenômeno monetário gerado por um excesso de oferta (seja porque a oferta aumenta e/ou a demanda diminui), que leva a uma perda do poder aquisitivo do dinheiro, isto é, todos os preços em unidades monetárias sobem.”

A segunda modificação é proibir o financiamento do Estado, o que vale tanto para o Tesouro Nacional quanto para os Estados Provinciais e os Municípios, e toda compra de títulos públicos do Estado Nacional no mercado primário.

A terceira modificação será blindar o presidente do BCRA e a diretoria contra o que considera os “atropelos da política”. “Embora se mantenha o mecanismo de nomeação, a remoção será muito mais exigente. (…) Exigirá dois terços não apenas da Câmara de Senadores, mas também da Câmara de Deputados.

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Em quarto lugar, será restringido o pagamento de dividendos pelos resultados derivados da prestação do serviço de liquidez. Determinados os ativos até 31/12/2026, estes serão assimilados em unidades físicas, de modo que os resultados de posse associados a mudanças nos preços desses ativos serão imputados a uma reserva técnica não distribuível –conceito similar à reavaliação técnica.

Por outro lado, os resultados associados à gestão de carteira do Banco só poderão ser repassados ao Tesouro Nacional para a liquidação de dívidas.

Por fim, serão eliminados, “de forma radical”, outras mudanças introduzidas pela Carta Orgânica de 2012, ao mesmo tempo que se elimina “a fraude das Letras Intransferíveis”.

Para Milei, essa reforma da Carata Orgânica do BCRA, juntamente com as novas regras fiscais (déficit zero e shutdown), a nova lei de Mercado de Capitais e a desregulamentação do Mercado de Seguros, “colocará fim a 91 anos de saque, expropriação, impunidade e decadência, o que nos permitirá tornar a Argentina grande novamente.”



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Associação Brasileira de Municípios lança guia sobre El Niño para prefeitos


A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção e no enfrentamento dos efeitos do El Niño, fenômeno que pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses.

Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027.

De acordo com a ABM, os efeitos podem variar de acordo com a região. “Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal”, explica a associação.

Leia também: Assad, da FGV: “El Niño expõe atraso da agricultura na adaptação à mudança climática”

“No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos”, complementou.

Recomendações

O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres.

Entre as recomendações estão o mapeamento de áreas de risco, a atualização de planos de contingência, a definição prévia de abrigos e equipes de atendimento e a organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.

A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.



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Fed pode elevar os juros nesta semana e mercado já começa a se preparar


Os dirigentes do Federal Reserve chegarão à reunião de política monetária desta semana confrontando uma ressurgência das pressões inflacionárias que pode tornar a decisão sobre manter ou elevar os juros algo muito próximo do empate — e bastante controverso.

A renovação das tensões no Oriente Médio fez os preços do petróleo dispararem novamente, ofuscando uma leitura mais comportada do que o esperado sobre os preços ao consumidor em junho, que parecia oferecer aos dirigentes uma folga para manter os juros estáveis. Some-se a isso um boom de demanda impulsionado pela inteligência artificial e os anúncios de novas tarifas pelo governo Trump, e os observadores do Fed veem a possibilidade de dissidências na reunião de 28 e 29 de julho caso os dirigentes optem novamente por não alterar a política monetária.

Investidores também aumentaram nos últimos dias suas apostas de que o banco central poderia elevar os juros na reunião desta semana, com as probabilidades chegando perto de 40% em determinado momento na semana passada.

“As coisas estão definitivamente esquentando no conflito do Oriente Médio e, para o petróleo, o risco de uma alta significativa a partir daqui aumentou”, disse Alex Payne, gestor sênior de portfólio da Vanguard. “O mercado está se ajustando ao risco de a inflação ser um pouco mais persistente por causa de algumas dessas questões geopolíticas.”

Possível resistência interna

Um número crescente de dirigentes delineou uma justificativa para apoiar juros mais altos agora, ou em breve.

A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, defendeu no início deste mês uma elevação modesta dos juros, citando sua avaliação de que a inflação não está caminhando de forma sustentável de volta à meta de 2% do Fed. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, também se manifestou recentemente, afirmando que “não há conflito” nos mandatos do Fed e que a inflação é uma preocupação maior do que o emprego no momento. Ambas votarão na decisão de juros desta semana e poderiam apresentar votos dissidentes caso os dirigentes optem por manter a taxa estável.

“Ouvindo os dirigentes do Fed, fica claro que há um pequeno grupo — como Logan e Hammack — que provavelmente já está pronto para agir”, disse Claudia Sahm, economista-chefe da New Century Advisors. “E depois há um grupo bem grande que quer ver mais melhora — e logo.”

Mesmo na reunião do mês passado, quando os dirigentes mantiveram a política estável pela quarta vez consecutiva, alguns já viam motivos para elevar os juros. A ata daquela reunião também mostrou que a maioria dos dirigentes havia discutido cenários em que a inflação permaneceria elevada devido à demanda relacionada à IA, ao conflito no Oriente Médio ou aos efeitos das tarifas. E quase todos nesse grupo indicaram que tais cenários provavelmente justificariam juros mais altos.

Desde aquela reunião, o governo Trump anunciou novas tarifas sobre o Canadá e outros parceiros comerciais, um frágil cessar-fogo entre o Irã e os EUA se desfez e o robusto investimento em IA mostrou poucos sinais de desaceleração.

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O presidente do Fed, Kevin Warsh, reafirmou o compromisso do banco central com a redução da inflação, prometendo no Congresso neste mês usar as ferramentas do banco central para alcançar a estabilidade de preços. Mas sua relutância em oferecer detalhes sobre como planeja usar essas ferramentas deixou os mercados sem clareza sobre o rumo dos juros — mesmo no curto prazo.

Ao fechamento da semana passada, os investidores precificavam uma probabilidade de cerca de 35% de elevação de juros nesta reunião, de acordo com contratos futuros de fundos federais. Essas probabilidades haviam caído para cerca de 10% após dados do Departamento do Trabalho divulgados em 14 de julho mostrarem que o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA caiu em junho pela primeira vez em seis anos, à medida que os preços da gasolina recuaram. Mas a queda se reverteu com a reescalada da guerra com o Irã.

“Cerca de um terço dos bancos com os quais trabalhamos estão se posicionando para novas altas de juros, enquanto o restante está se protegendo contra cortes”, disse Pradeep Bhatia, CEO da Derivative Path, empresa que ajuda instituições financeiras a proteger riscos de juros e câmbio. “Esse tipo de bifurcação diz que o mercado parou de tentar prever o Fed e começou a se preparar para os dois resultados.”

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Agora ou depois

Os dirigentes podem se sentir confortáveis em manter os juros inalterados na esteira da leitura mais fria da inflação de junho, disse Veronica Clark, economista do Citigroup. Se os dados futuros mostrarem passagem limitada dos preços de energia mais altos e aumento do desemprego, os dirigentes podem optar por estender a pausa nos custos de crédito ou até mesmo cortar os juros, disse ela.

Alguns dirigentes de fato sugeriram que o Fed pode ser paciente por ora. Mas também disseram que o banco central pode precisar elevar os juros nas próximas reuniões caso as pressões de preços não arrefeçam.

“Em um cenário em que a inflação efetiva não começa a arrefecer em breve, acredito que poderia ser adequado reconsiderar nossa postura de política atual”, disse o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, dois dias após o relatório do CPI.

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Elevar os juros neste mês poderia ajudar Warsh a construir credibilidade em sua batalha contra a inflação e pode ser visto como menos político do que uma mudança de juros mais próxima das eleições de meio de mandato em novembro, disse Joseph Lavorgna, economista-chefe das Américas do SMBC Nikko Securities America e ex-funcionário do Departamento do Tesouro durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.

Trump criticou o ex-presidente do Fed Jerome Powell depois que os dirigentes reduziram os juros em meio ponto percentual em setembro de 2024, semanas antes da eleição presidencial, chamando isso de “movimento político” destinado a ajudar sua rival nas eleições, a ex-vice-presidente Kamala Harris.

“Ir em setembro ou, Deus me livre, outubro — uma primeira alta bem antes das eleições de meio de mandato — como vai parecer isso? Ele pode muito bem ir agora”, disse Lavorgna.

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Lavorgna acrescentou que Warsh poderia aplacar o presidente enquadrando uma alta como um movimento que poderia ajudar a conter as taxas de mercado de longo prazo — algo que Trump se importa — ao controlar as expectativas de inflação.

Qualquer que seja o resultado, a coletiva de imprensa pós-decisão de Warsh será acompanhada de perto em busca de pistas sobre como ele e seus colegas veem a evolução da economia.

“Acho que essa é a coisa fundamental que precisamos aprender ao longo das próximas reuniões — sobre onde está o centro do comitê em relação a se as altas de juros são ou não necessárias”, disse Matthew Luzzetti, economista-chefe dos EUA do Deutsche Bank Securities.

© 2026 Bloomberg L.P.



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Ex-presidente do STF, Octavio Gallotti morre aos 95 anos


O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Octavio Gallotti morreu neste domingo (26) aos 95 anos. Casado com Iára Chateaubriand Pereira Diniz Gallotti, teve dois filhos: Luiz Gallotti Neto e a ministra Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Luiz Octavio Pires e Alburquerque Gallotti nasceu em 27 de outubro de 1930, no Rio de Janeiro. Era filho de Maria Antonieta Pires e Albuquerque Gallotti e do ex-presidente do STF Luiz Gallotti. Seu avô materno, Antônio Pires e Albuquerque, também integrou a Corte.

Em 1953, concluiu o curso de direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, a atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a graduação, estagiou no então Ministério Público do Distrito Federal, na antiga capital.

Formado, iniciou a carreira como assistente do Procurador-Geral da República. Em 1956, tornou-se procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas. Dez anos depois, em 1966, assumiu o cargo de procurador-geral.

Em 19 de junho de 1973, foi empossado ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Oito dias depois, foi eleito vice-presidente e, em dezembro do mesmo ano, presidente.

Gallotti foi nomeado pelo ex-presidente João Figueiredo para o STF em 1984. Ele foi o último ministro indicado pela Ditadura Militar. Tornou-se integrante efetivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1989.

De 1993 a 1995, Gallotti presidiu o STF. No período, exerceu brevemente a Presidência da República, de 13 a 15 de junho e de 4 a 6 de agosto de 1994. Em 2000, aposentou-se.



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Do ovo ao tijolo, tráfico e milícias do Rio instauram monopólio e sequestram economia


Depois de erguer barricadas, controlar territórios com homens armados e restringir o direito de ir e vir de moradores, o tráfico e as milícias avançam sobre um novo mercado: o de produtos essenciais para o dia a dia da população. Na Região Metropolitana, grupos armados passaram a comandar a distribuição de alimentos — como arroz e trigo —, itens de limpeza e materiais de construção, forçando comerciantes a comprar de fornecedores indicados por eles.

A nova frente de atuação do crime transforma mercadorias básicas em mais uma fonte de financiamento das facções, afasta empresas formais, sufoca a concorrência e distorce o mercado. Especialistas afirmam que, a longo prazo, o avanço pode comprometer o desenvolvimento econômico do estado.

Investigações mostram que a exploração de serviços e produtos não é uma prática restrita a uma única organização criminosa. Facções, como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), além de grupos milicianos, operam como um cartel territorial, ampliando o controle sobre o consumo das famílias.

Custo de R$ 21,4 bilhões por ano

Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) calcula que esse domínio custa cerca de R$ 21,4 bilhões por ano à economia formal fluminense — um dos maiores valores absolutos do país.

Samuel Rivero, especialista em Segurança Pública da Firjan, explica que esse prejuízo inclui o impacto de mercados ilícitos sobre a produção, a circulação e a comercialização de bens. Enquanto isso, nas ruas, a população se depara com a exploração do crime nos afazeres mais simples do cotidiano, como ir à feira ou à padaria.

“A ilegalidade representa um custo relevante para o ambiente de negócios, ampliando a concorrência desleal, elevando riscos operacionais e pressionando gastos com logística, segurança e gestão de risco. Ou seja, desorganiza cadeias produtivas e reduz competitividade.”

O promotor de Justiça Fábio Corrêa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público do Rio, classifica o avanço desse monopólio como a “terceira onda” de atuação do crime organizado. A primeira foi a do comércio varejista de drogas; a segunda, a exploração de serviços, como TV por assinatura clandestina, internet e transporte alternativo. Agora, os grupos criminosos migram para setores da economia formal.

“Eles estão passando a controlar o fornecimento de matérias-primas e produtos essenciais. Se antes extorquiam dinheiro de construtoras e comerciantes, hoje atuam de outra forma: abrem os próprios negócios ou impõem que apenas os produtos indicados pela facção sejam comercializados, pelos preços que eles determinam. Em muitos casos, sequer precisam recorrer a laranjas. Eles criam e administram suas próprias empresas”, explica o promotor.

“Paramos de vender ovos”

Em um bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, um supermercado deixou de vender ovos após os proprietários serem pressionados a comprar o produto de fornecedores indicados pelo tráfico. Uma funcionária do estabelecimento, que pediu para não ser identificada, contou que a cartela com 20 unidades era adquirida legalmente por valores entre R$ 8,99 e R$ 10,50, mas passou a ser oferecida pelos criminosos por R$ 14:

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“Nós paramos de vender ovos na loja. O produto não conseguia mais se pagar. Era comprar para estragar. No caso do pão, já somos obrigados a comprar a farinha com eles, mas tivemos que repassar todos os custos para o cliente. O produto se paga, mas não dá lucro algum, e a qualidade caiu muito. Hoje, temos uma média mensal de vendas muito abaixo da que tínhamos antes, e tudo por causa do tráfico. O preço do pão subiu cerca de 200% na região. Os rumores agora são de que o próximo produto será o alho.”

Segundo a funcionária, os criminosos começaram a impor a compra da farinha no início deste ano:

“Eles entram armados nas lojas e avisam: ‘Agora, o fornecedor de farinha de vocês somos nós’. Se outro caminhão entra na região, há risco até de assalto.

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Daniel Cerqueira, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que a infiltração cada vez mais intensa do crime organizado no mercado formal tem impacto direto sobre a produtividade da economia.

“Quando o crime se apropria da distribuição de produtos e do controle de empresas, elas deixam de operar pela lógica normal do mercado, que busca aumentar os lucros por meio da eficiência e da competitividade. Em vez disso, passam a funcionar puxando a produtividade da economia para baixo. No longo prazo, isso gera uma série de consequências, sendo a principal delas a redução da capacidade de crescimento sustentável. É um verdadeiro tiro no pé da economia”, afirma.

Cerqueira destaca ainda que essa dinâmica cria um ambiente hostil para empresas que atuam dentro da legalidade. A extorsão, o monopólio imposto pelo crime organizado e a insegurança comprometem o desenvolvimento das regiões dominadas por essas organizações:

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“As áreas sob domínio do crime organizado no Rio continuam se expandindo e, para uma empresa legal funcionar nesses locais, há muitos riscos. Por isso, elas acabam indo embora. Isso tem um efeito direto sobre os investimentos e a atividade empresarial. Se essas empresas deixam de operar, muitas pessoas perdem o emprego e acabam recorrendo à informalidade para sobreviver.”

Segundo a Firjan, empresas que atuam no Rio têm um gasto adicional de cerca de R$ 9,7 bilhões por ano, o equivalente a 0,7% do PIB do estado, com segurança, seguro, logística e gestão de risco, além de perdas de produtividade e de atratividade para novos investimentos.

Em março do ano passado, Rafael da Silva Braga, de 43 anos, acordou cedo e deixou a família dormindo em casa. Naquela manhã, foi informado de que uma de suas padarias, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, estava sem energia elétrica. Ao chegar ao estabelecimento, por volta das 6h, enviou um áudio à esposa pedindo ajuda para transportar os pães até outra unidade da rede, a cerca de 1,5 quilômetro dali. Ela, porém, não teve tempo de ouvir a mensagem. Cerca de dois minutos depois, dois homens passaram em frente ao comércio em uma motocicleta e dispararam cinco vezes contra Braga, que morreu no local. Ele deixou três filhos.

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A Delegacia de Homicídios da Capital apurou que o crime teria sido motivado pela recusa do comerciante de aderir à “taxa da farinha”, mecanismo que, além de impor o fornecedor do trigo, determina o preço de venda do pão, que passou de R$ 0,30 para R$ 0,60 a unidade. Rafael, que havia inaugurado a padaria apenas quatro meses antes de ser assassinado, já pagava a “taxa de segurança”.

Após esse crime, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) identificou pelo menos três empresas ligadas ao crime organizado que monopolizavam a distribuição de trigo na Zona Oeste. Segundo o delegado Jefferson Ferreira, o controle exercido por milicianos e pelo TCP chegou ao ponto em que a demanda superou a capacidade dos fornecedores ligados ao grupo.

“Eles pegaram um fornecedor pequeno e deram a ele o monopólio da distribuição. Só que começou a faltar matéria-prima, porque a demanda era muito grande. Quando os produtos acabavam, eles até permitiam que os comerciantes comprassem de outro fornecedor. O problema é que, quando os caminhões chegavam para fazer a entrega, eram assaltados e, as cargas, roubadas. Depois, esse material era repassado ao fornecedor ligado ao crime, que continuava revendendo a farinha e mantendo o monopólio”, explicou o delegado.

Esse controle, que já atinge há mais tempo a venda de botijões de gás e água mineral, também está chegando à cesta básica, ao arroz, ao cigarro e às bebidas. Em uma denúncia anônima encaminhada ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) no fim do ano passado, um morador conta que comerciantes desses produtos numa determinada área da Zona Oeste são obrigados a comprar exclusivamente de empresas ligadas à milícia. “Estamos vivendo em um local onde não temos o direito de ir e vir, nem de nos expressar ou questionar as ordens impostas por eles, o que faz com que todos vivam coagidos”, relatou.

O crime também avançou na venda de tijolos e areia para lojas de materiais de construção em Queimados, Nova Iguaçu e Itaguaí, na Baixada Fluminense. Segundo denúncias investigadas pela Promotoria de Investigação Penal de Itaguaí, comerciantes estariam sendo obrigados a adquirir esses produtos de fornecedores indicados por paramilitares. O órgão apura ainda a suspeita de extorsão a proprietários de usinas de energia solar. Além de cobrança de taxas para funcionar no município, os criminosos estariam exigindo dos empresários a contratação de empresas de manutenção vinculadas à quadrilha.

Apesar de o monopólio da venda de gás por grupos criminosos ser uma prática antiga associada ao controle territorial exercido por facções e milícias, ele continua sendo uma importante fonte de renda para essas organizações. Por se tratar de um produto essencial para as famílias, os criminosos impõem preços acima dos praticados no mercado, contando com a falta de alternativas e o medo dos moradores para garantir as vendas. Na Rocinha, na Zona Sul do Rio, um botijão de gás chega a ser vendido por R$ 170. O valor é 84% superior ao preço de R$ 92,12 pago pelo governo às distribuidoras para abastecer beneficiários do programa Gás do Povo, voltado para famílias de baixa renda.

“É um absurdo pagar isso. Esse dinheiro que a gente acaba pagando a mais, porque só pode comprar deles, faz muita falta”, disse um morador, que pediu anonimato.

Também há relatos de preços superfaturados na Muzema (R$ 150), no Itanhangá, e na Gardênia Azul (R$ 129), em Jacarepaguá. As duas localidades, na Zona Sudoeste, têm áreas sob influência do Comando Vermelho.

‘Gatos’ bilionários

Tão antiga quanto a exploração da venda de gás é a apropriação do fornecimento de energia pelo crime organizado. Segundo a Light, a concessionária perde cerca de R$ 1,3 bilhão por ano em decorrência do furto de energia. Desse total, de acordo com o superintendente de Serviços Comerciais da empresa, Keison Thurler, uma parcela expressiva é atribuída diretamente à atuação das organizações criminosas.

Diante da expansão territorial desses grupos, a Light desenvolveu um projeto de “blindagem da rede”, que consiste na instalação de medidores protegidos por estruturas resistentes a disparos de arma de fogo, dificultando furtos e adulterações:

“Essas estruturas foram instaladas principalmente nas franjas das comunidades, que são as áreas onde o domínio do crime organizado avança em direção ao asfalto.”



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União reconhecerá emergência em seis cidades atingidas por temporal no interior de SP


O governo federal vai reconhecer imediatamente a situação de emergência de seis municípios do interior de São Paulo atingidos pelo forte temporal da última sexta-feira (24). Com a medida, as prefeituras poderão solicitar recursos da União para ações de assistência às famílias, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução das áreas afetadas.

As cidades de Ribeirão Preto, Dumont e Taquaritinga já tiveram o reconhecimento confirmado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Guariba, Barrinha e Pradópolis, que também sofreram danos provocados pelas chuvas, devem receber o mesmo apoio federal.

O temporal atingiu a região de Ribeirão Preto com chuva intensa, granizo, raios e rajadas de vento de até 122 km/h. Uma pessoa morreu e outra ficou ferida após um desabamento. Segundo o Ministério da Integração, 370 famílias ficaram desalojadas e duas estão desabrigadas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve sobrevoar nesta manhã as áreas mais afetadas. No sábado (25), o vice-presidente Geraldo Alckmin esteve em Ribeirão Preto e afirmou que os recursos federais serão liberados o mais rápido possível. Ele também destacou que moradores das áreas atingidas poderão solicitar o saque de até 50% do saldo do FGTS.

“O importante é dizer que estamos à inteira disposição dos prefeitos da região. É dever do Estado apoiar os municípios, ajudar as famílias na ajuda humanitária, no restabelecimento dos serviços essenciais e na reconstrução”, afirmou Alckmin.

Também no sábado, o vice-governador Felicio Ramuth e o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Henguel Ricardo Pereira Monteiro, acompanharam as ações de apoio às vítimas. Segundo Ramuth, parte das cidades ainda enfrenta problemas no fornecimento de energia elétrica, e o Estado enviou cestas básicas, kits de higiene, colchões, cobertores, 3 mil telhas, caminhões-pipa e máquinas para auxiliar na desobstrução das vias.

A Defesa Civil informou ainda que dez caminhões-pipa foram deslocados para reforçar o abastecimento de água na região. O órgão orienta que a população continue evitando áreas de risco e acompanhe os alertas meteorológicos, que podem ser recebidos por SMS após cadastro com o CEP no número 40199.



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Saiba quem eram os funcionários dos EUA que tiveram visto negado pelo Brasil


O Brasil negou o visto de dois oficiais do governo dos Estados Unidos que viriam ao país para, segundo o jornal The Washington Post, deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro a pedido do presidente norte-americano, Donald Trump, e do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Ao Estadão, o Itamaraty confirmou que a entrada foi negada para Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado norte-americano.

Ambos foram citados em conversas de oficiais dos EUA com o jornal americano. Nos diálogos, havia a indicação de que a dupla seria escolhida para desembarcar no Brasil, mas não foi informado o propósito da viagem.

Riley Barnes

Nascido na cidade de Uvalde, no Texas, Barnes se formou em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e possui mestrado em Relações Internacionais.

No site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ele é apresentado como subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, cargo que ocupa desde 2025.

Neste ano, Marco Rubio o indicou para atuar como Coordenador Especial dos Estados Unidos para Questões Tibetanas e lhe delegou as atribuições de Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.

Antes de se tornar subsecretário, Barnes ocupou outros cargos no Departamento de Estado, onde iniciou sua trajetória em 2018, de acordo com sua rede social profissional.

Conforme o site do Departamento, por lá, ele foi conselheiro sênior do subsecretário para Assuntos Políticos, redator-chefe de discursos do secretário, integrante da equipe de planejamento de políticas, entre outras funções.

Também trabalhou como redator-chefe de discursos do então líder adjunto da maioria no Senado, John Cornyn, do Texas.

Antes de trabalhar para o governo americano, atuou no Atlantic Council, um centro de estudos de Relações Internacionais, onde foi diretor assistente e pesquisador de um centro para Estratégia e Segurança.

Samuel Samson

Samuel Samson, de 27 anos, é subsecretário-adjunto de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) no Departamento de Estado dos Estados Unidos e foi designado para o cargo em 3 de maio de 2026.

Anteriormente, ele atuou como conselheiro sênior de Políticas no DRL, tendo sido nomeado por Trump em 20 de janeiro de 2025.

Filho de mãe filipina e pai americano, Samson nasceu no Texas e se formou na Universidade do Texas em Austin, onde se especializou em teoria do direito natural e sua interseção com as políticas públicas americanas. Hoje, reside em Washington, D C.

Conhecido por ser religioso desde cedo, em 2013, quando era presidente estudantil de sua escola primária católica em Houston, declarou ter “uma fé pessoal e ativa em Deus, um profundo respeito pelos valores intelectuais e uma consciência social que impulsiona à ação”.

Já no ensino médio, Samson se candidatou ao conselho estudantil com o slogan inspirado no movimento MAGA, “Make America Great Again” (Tornar a América Grande Novamente, em tradução livre) e, segundo o jornal da escola, era conhecido como um “conservador feroz”.

Na universidade, demonstrou frustração com o ambiente acadêmico. Após trabalhar durante um verão como assessor do senador republicano pelo Texas Ted Cruz, Samson afirmou ter recebido insultos e ameaças na universidade por causa de seu posicionamento político conservador.

Seu ativismo religioso o levou ao grupo político American Moment, ligado ao atual vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Samson trabalhou por quase três anos na entidade, principalmente como diretor de parcerias estratégicas.

Em 2025, sob a nova gestão de Donald Trump à frente da presidência dos Estados Unidos, Samson foi nomeado conselheiro sênior do Departamento de Estado, no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Ele permaneceu no cargo até maio de 2026, quando assumiu como subsecretário-adjunto de Estado.

Recentemente, ele viajou pela África e Europa promovendo a política de Trump e fortalecendo relações com grupos de direita. Além disso, produziu relatórios que, segundo críticos, tratavam de questões relacionadas aos direitos humanos a partir de uma perspectiva partidária.

Não há registros públicos informando se o diplomata é casado ou se possui filhos.

Entenda o caso

De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post, na sexta-feira (24), o governo de Donald Trump pretendia enviar dois oficiais ao Brasil para lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Autoridades brasileiras que conversaram com o jornal norte-americano afirmam que a intenção dos EUA era elaborar um relatório que pudesse ser usado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica do Brasil.

O Estadão apurou que o Brasil já havia identificado a intenção da Casa Branca em 20 de julho, quando o governo brasileiro soube que o Departamento de Estado dos EUA solicitara os vistos ao Consulado do Brasil em Washington.

Um sinal de alerta veio quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com embaixadores no dia seguinte, 21. No encontro, ele citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas.

Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater “liberdade de expressão relacionada às eleições”. As autoridades brasileiras identificaram uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.

O TSE afirmou que a área internacional da Corte foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada sobre a pauta da agenda. A reunião não foi marcada em razão do recesso do Judiciário.



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Família do RS faz campanha para comprar remédio de R$ 8 mi para bebê com AME


A família de Léo Wolschick Soares, de 1 ano e 11 meses, corre contra o tempo para conseguir o medicamento Zolgensma antes de ele completar 2 anos, em 22 de agosto. Considerado o remédio mais caro do mundo, é utilizado para o tratamento de atrofia muscular espinhal (AME) em bebês.

Segundo a fabricante Novartis, o Zolgensma é um tipo de medicamento de dose denominado “terapia gênica”. O laboratório afirma que o remédio fornece uma “cópia totalmente funcional” do gene ausente ou anormal em pacientes com diagnóstico de AME. Assim, o fármaco promete neutralizar os efeitos da atrofia muscular espinhal.

Em entrevista à Jovem Pan, o pai de Léo, Giovane Soares, contou que o custo para a aplicação do Zolgensma no filho foi orçado em R$ 8.662.000,00. A família iniciou uma campanha na região onde mora, em Santa Clara do Sul, no Rio Grande do Sul, e nas redes sociais. Até o momento, foi arrecadado cerca de R$ 1,5 milhão.

Em paralelo, corre na Justiça um processo contra a União para o fornecimento da medicação. Giovane disse que o pedido da família foi negado. Eles recorreram e conseguiram aval para que a aplicação do Zolgensma fosse feita em até 10 dias. Entretanto, o governo federal contestou a determinação. Agora, esperam por uma nova decisão.

“A gente acredita que vai dar certo. O caminho é longo, é uma corrida contra o tempo, mas temos muita esperança”, declarou Giovane.

O pai também relatou que o período para conseguir a decisão favorável na Justiça ou para arrecadar o valor é curto em razão do prazo de envio do medicamento ao Brasil. De acordo com Geovane, a fabricante precisa de 10 dias para fazer a exportação.

Diagnóstico

Quando Léo estava com 1 ano e 5 meses, a família procurou fisioterapia para ele. Geovane disse que ele e a esposa ficaram preocupados por o filho não conseguir caminhar.

Cerca de 30 dias depois do início do tratamento, a fisioterapeuta indicou que Léo fosse levado a um neurologista, porque ele não havia apresentado evolução. O bebê recebeu o diagnóstico para AME tipo II em junho, quando estava com 1 ano e 10 meses.

Geovane contou que Léo “já perdeu alguns movimentos”. Antes, ele dava alguns passos e ficava em pé após descer do sofá, mas já não consegue mais.

Atualmente, Léo faz tratamento com Risdiplam, um medicamento de uso contínuo. Segundo Geovane, o atual remédio apresenta resultados a longo prazo. Já o Zolgensma, combinado com terapias, pode proporcionar uma vida “normal”.

Atrofia muscular espinhal

De acordo com o Ministério da Saúde, a AME é uma doença rara e genética que afeta os neurônios motores espinhais, responsáveis por conectar a médula espinhal com o músculo para o envio de comandos do cérebro. Em pessoas diagnosticadas com a atrofia, essas estruturas param de funcionar gradualmente.

A perda de neurônios resulta em fraqueza dos músculos, afetando os movimentos, a postura, a capacidade de engolir e a respiração. Conforme informações do Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname), há cinco classificações de AME. Os casos mais graves são os tipo 0 e I, em que os problemas motores aparecem nos primeiros meses de vida. Os mais comuns são os I, II e III.

No tipo II, segundo o Iname, a fraqueza muscular costuma aparecer na faixa dos 6 aos 18 meses. O bebê consegue sentar sem apoio, mas não chega a andar. A criança também pode apresentar dificuldade respiratória e para engolir. Ao longo da vida, o paciente pode desenvolver escoliose, deformidades articulares e ter deslocamento de quadril.





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