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Faesp critica condução do governo após novo ‘tarifaço’ dos EUA


A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou, nesta sexta-feira (24), a condução do governo federal diante da decisão dos Estados Unidos de ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros. Em nota, a entidade classificou a medida como “unilateral e arbitrária” e cobrou uma reação mais efetiva da diplomacia brasileira.

Segundo a federação, a nova determinação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) impõe uma sobretaxa de 12,5% sobre parte dos produtos brasileiros que antes estavam fora da tarifa adicional de 25%, enquanto outros itens passarão a enfrentar tributação total de 37,5%.

O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, rejeitou as alegações de que o Brasil convive com trabalho forçado no campo. “Com um histórico de 200 anos de relações comerciais com os Estados Unidos, é totalmente descabida a insinuação de que o Brasil convive com trabalho forçado”, afirma a nota. A entidade acrescenta que o agronegócio brasileiro atua sob “rigorosos parâmetros de compliance e agendas ESG” para garantir os direitos dos trabalhadores.

A federação sustenta que o governo brasileiro demorou a enfrentar o tema e afirma que o problema já vinha sendo apontado pelo setor produtivo. “É lamentável a postura do Governo Federal, que não tratou este assunto com a devida gravidade desde o início“, diz o comunicado. Para a FAESP, a falta de uma resposta rápida acabou prejudicando especialmente o agronegócio, principal responsável pelo superávit da balança comercial brasileira.

A entidade também afirma que a lista de exceções anunciada pelos Estados Unidos não decorreu da atuação do Executivo brasileiro. Segundo a nota, o resultado foi obtido por meio do “árduo esforço direto feito pelo agro, indústria, comércio e serviços junto aos nossos parceiros comerciais internacionais“.

Ao cobrar uma postura mais ativa da diplomacia brasileira, a FAESP cita ainda outras barreiras enfrentadas pelo setor, como a tarifa de 55% aplicada pela China à carne bovina brasileira. Para a entidade, “é urgente acionar rápida e estrategicamente todos os canais de diplomacia comercial para restabelecer parâmetros que permitam a concorrência leal“.

Apesar das críticas, a federação defende que o caminho seja a negociação. Na avaliação da entidade, “ainda há espaço para o diálogo firme, propositivo e que salvaguarde quem produz a segurança alimentar mundial“, razão pela qual considera que este “não é o momento de ativação da Lei de Reciprocidade Econômica“.



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Justiça do RJ bloqueia R$ 135 mi de contas ligadas ao Master após caso Rioprevidência


A Justiça do Rio determinou o bloqueio das contas do Banco Master, da Trustee Dismtribuidora de Títulos e Valores Mobiliáros LTDA., da Axor Asset LTDA., de Alexandre Marchesani Canata e de Felipe Mota Separovic Rodrigues, até o valor de R$ 135 milhões.

A decisão dessa quinta-feira (23) decorre de pedido do próprio estado e do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência).

Entre os dias 4 de julho e 8 de agosto de 2025, o Rioprevidência realizou um aporte de R$ 150 milhões no Fundo de Investimento “Texas i Fia”, cuja carteira encontrava-se, quase em sua totalidade, exposta às ações da Ambipar Participações e Empreendimentos S.A.

Após cerca de um ano, no entanto, as ações sofreram grande desvalorização, o que determinou perda financeira para a Rioprevidência, com redução de quase R$ 15 milhões no saldo de seus investimentos.

“A sofisticação dos atos fraudatórios revela que a sua execução não seria possível sem o domínio do fato pelos evolvidos durante a operação que culminou com a pulverização do dinheiro público alocado”, destacou o juiz Wladimir Hungria, da Vara de Fazenda Pública, na decisão.

O magistrado também identificou indícios de gestão temerária no aporte praticado pelos gestores do Rioprevidência.

“A escolha por um aporte massivo em um único ativo revela, segundo a peça inicial, um forte indício da gestão temerária alegada pela autarquia estadual, seja porque ela pode ter sido utilizada como mecanismo de fabricação de demanda com vistas a elevar artificialmente o valor das ações, seja porque expôs o ente à fragilidade manifesta, abrangendo a captura fraudulenta do fundo de pensão como instrumento para viabilizar a manobra artificialmente produzida.”



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Por que Brasil foi taxado de novo? Entenda tarifa de 12,5% que passa a valer hoje


O Brasil tem sido um dos principais alvos das medidas protecionistas do presidente dos EUA, Donald Trump, desde o ano passado. Ontem, o governo americano decidiu taxar em 12,5% os produtos brasileiros sob a alegação de que o país falha em combater práticas de trabalho forçado nos setores produtivos. Mas a barreira tarifária recaiu também sobre outras 59 economias do mundo.

No caso brasileiro, a tarifa agora se soma aos 25% que entraram em vigor no último dia 22, após as primeiras conclusões da investigação aberta especificamente sobre o Brasil em julho do ano passado pelo Escritório do Representante Especial de Comércio (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

 Neste novo tarifaço, o Brasil e outros 53 países tiveram seus produtos sobretaxados em 12,5%. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão tiveram propostas tarifas de 10%. Ao todo, 60 países foram investigados pelo USTR sobe essa acusação de negligenciar produtos gerados por trabalhos forçados, o que é visto por analistas apenas como uma desculpa para reposicionar as tarifas criadas por Trump no ano passado e derrubadas pela Suprema Corte do País.

A ideia por trás da nova rodada de tarifas que atinge também o Brasil — e agrava o imposto de importação que os compradores americanos de produtos brasileiros terão de pagar, desestimulando a compra — é a mesma que orienta a política comercial de Trump desde que ele assumiu a Casa Branca: reaver déficits comerciais, reindustrializar a economia americana, recuperar empregos nas fábricas e atrair investimentos para o país.

O caminho até aqui, porém, passou por um vaivém nas alíquotas. A primeira foi imposta em abril de 2025 quando impôs uma taxa global de 10% sobre produtos comprados de outros países, inclusive do Brasil, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

Em julho, os produtos importados do Brasil passaram a sofrer com uma tarifa adicional de 40%, apesar de uma lista de isenções. No mesmo mês, foi aberta uma investigação pelo USTR sobre as práticas comerciais brasileiras com base na seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Após encontro com o presidente Lula em novembro, Trump retirou a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas vendidos pelo Brasil, voltando a permanecer somente os 10% globais.

Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais de 10%. Em resposta, o presidente instituiu uma tarifa básica de 10% amparada na Seção 122 da Lei de Comércio. Uma solução temporária, que não pode ficar em vigor por mais de 150 dias se não for prorrogada pelo Congresso e que expira nesta sexta-feira.

Para substituir essa medida provisória por algo mais duradouro, o governo americano abriu novas investigações comerciais com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Uma delas apura práticas de trabalho forçado em dezenas de economias, e é dela que vem a tarifa de 12,5% que atinge o Brasil agora.

Duas investigações, duas alegações diferentes

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As tarifas que hoje pesam sobre o Brasil resultam de investigações distintas. Os 25% em vigor desde o dia 22 vêm da investigação aberta em julho de 2025, que apurou supostas práticas desleais de comércio e analisou se ações do governo brasileiro prejudicavam empresas americanas.

Apesar do tarifaço, a lista de produtos isentos é extensa: mais de 2.100 itens brasileiros ficaram de fora da nova taxa, incluindo carne bovina, suco de laranja e componentes para aeronaves, além de açaí e água de coco.

Já os 12,5% agora anunciados têm origem na investigação sobre trabalho forçado, que mira 60 países. No caso brasileiro, o foco recai sobre cinco produtos – alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco – supostamente importados entre 2021 e 2025 de nações com práticas trabalhistas questionáveis. Para o governo americano, essas importações mais baratas criam concorrência desleal com o mercado dos EUA.

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Um embate politizado desde o início

As negociações entre Brasil e Estados Unidos estiveram atravessadas por tensão política desde o começo do processo. Em julho de 2025, quando foi aberta a investigação, Trump criticou o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado réu por tentativa de golpe de Estado e classificou o processo como uma “caça às bruxas”.

Em julho deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, chegou a ir aos Estados Unidos participar de uma audiência pública do USTR e enviou um documento ao órgão americano pedindo que a tarifas fossem adidas para depois das eleições brasileiras de outubro, argumentando que a medida daria uma vitória política ao presidente Lula.

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Beauvallet vê ausência demanda chinesa como maior desafio para indústria

A interrupção das compras chinesas de carne bovina brasileira já provoca reflexos nas operações da Beauvallet Brasil. Instalada em Inhumas (GO), a empresa afirma que a ausência do principal comprador internacional obrigou a reduzir o ritmo de abates e acendeu um alerta sobre a necessidade de diversificar mercados.

Segundo o presidente da Beauvallet Brasil, Charles Léguille, a China responde por cerca de 40% a 50% das exportações da companhia. Com o encerramento da cota destinada ao Brasil, o frigorífico precisou redirecionar parte da produção para o mercado interno.

“É difícil mensurar porque estamos no primeiro mês realmente sem China, mas o impacto é muito forte. Tivemos que reduzir o abate e talvez seja necessário reduzir ainda mais. Isso criou uma instabilidade muito grande”, afirmou.

Apesar do cenário, Léguille afirma que o mercado doméstico tem sido fundamental para amortecer os impactos da queda das exportações. Segundo ele, a empresa sempre buscou manter equilíbrio entre vendas internas e externas justamente para enfrentar momentos de volatilidade internacional.

Para o executivo, o maior desafio não é apenas a existência das cotas chinesas, mas a forma como elas são utilizadas. Como o limite anual é rapidamente preenchido, as indústrias concentram os embarques no primeiro semestre e ficam sem alternativas nos meses seguintes.

“O ideal seria um mecanismo de distribuição das cotas ao longo do ano, dando previsibilidade para toda a cadeia. Trabalhar muito durante seis meses e depois parar não é saudável para ninguém”, disse.

Léguille cita o modelo adotado pelo Uruguai como exemplo. Segundo ele, a divisão das cotas entre os frigoríficos, coordenada pelo governo, garante maior estabilidade para produtores e indústrias.

Na avaliação do executivo, essa solução seria mais eficiente do que medidas emergenciais, como programas de lay-off ou linhas especiais de financiamento.

“Em vez de pedir ajuda depois que a crise acontece, é melhor construir um sistema que evite a paralisação das plantas”, afirmou.

O presidente também destacou o papel da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) nas negociações com o governo federal para buscar alternativas que reduzam os impactos da perda do mercado chinês e ampliem o acesso da carne brasileira a novos destinos.

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veja lista completa dos países afetados por novo tarifaço dos EUA


Uma semana depois de aplicar um tarifaço de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o governo de Donald Trump anunciou ontem que vai sobretaxar o Brasil em 12,5%. A justificativa dessa vez é uma suposta ausência de medidas para evitar a circulação de produtos oriundos de trabalhos forçados no país.

O Brasil, no entanto, não é o único a sofrer com essa taxa, embora passe a ser o país com o maior aumento percentual de tarifas durante segundo mandato de Trump.

No total, 60 países foram alvos desta investigação. A medida passa a valer a partir de hoje.

O governo americano anunciou ontem tarifas de importação entre 10% e 12,5% sobre produtos da maioria de seus principais parceiros comerciais, no maior movimento até agora para reconstruir a barreira tarifária do presidente Donald Trump, abalada por uma decisão da Suprema Corte.

Confira a seguir, a lista completa de tarifas anunciadas em 23 de julho, segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Tarifa de 10%

Argentina

Bangladesh

Camboja

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Canadá

Equador

El Salvador

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União Europeia*

Guatemala

Honduras

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Índia

Indonésia

Jordânia

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Malásia

México

Paquistão

Sri Lanka

Taiwan*

Trinidad e Tobago

Reino Unido

Tarifa de 12,5%

Argélia

Angola

Austrália

Bahrein

Brasil

Chile

China

Colômbia

Costa Rica

República Dominicana

Egito

Guiana

Hong Kong

Iraque

Israel

Japão*

Cazaquistão

Kuwait

Líbia

Marrocos

Nova Zelândia

Nicarágua

Nigéria

Noruega

Omã

Peru

Filipinas

Catar

Rússia

Coreia do Sul*

Arábia Saudita

Singapura

África do Sul

Suíça*

Tailândia

Bahamas

Turquia

Emirados Árabes Unidos

Uruguai

Venezuela

Vietnã

* Nos casos de adoção da alíquota líquida da tarifa de nação mais favorecida (NMF) permite que o percentual anunciado desconte a tarifa-padrão que os Estados Unidos normalmente cobram daquele país. Por exemplo: se um produto já pagava 3% de tarifa NMF e a alíquota líquida anunciada fosse de 10%, a sobretaxa adicional seria, em princípio, de 7%, levando a tarifa total a 10%. Para os outros países, a tarifa anunciada se sobrepõe a outras.



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Anuário de Segurança: veja as 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025


O Brasil registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número representa uma queda de 8,2% em relação a 2024, com uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes.

Apesar da redução no índice do país, o estudo mostra que a violência segue concentrada em algumas regiões específicas. As 10 cidades com as maiores taxas de mortes violentas intencionais estão localizadas no Nordeste. O Anuário divulgou que, para elaborar o ranking, foram considerados apenas municípios com 100 mil habitantes ou mais.

As Mortes Violentas Intencionais incluem vítimas de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Confira as 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025

A Bahia concentra o maior número de municípios na lista, com cinco cidades. Em seguida aparecem Ceará, com três, Pernambuco e Paraíba, com uma cidade cada. Veja quais são:

  1. Maranguape (CE): 100,3 mortes por 100 mil habitantes;
  2. Eunápolis (BA): 85,1 mortes por 100 mil habitantes;
  3. Maracanaú (CE): 80,7 mortes por 100 mil habitantes;
  4. Porto Seguro (BA): 71,2 mortes por 100 mil habitantes;
  5. Simões Filho (BA): 68,1 mortes por 100 mil habitantes;
  6. Jequié (BA): 67,4 mortes por 100 mil habitantes;
  7. Caucaia (CE): 66,6 mortes por 100 mil habitantes;
  8. Cabo de Santo Agostinho (PE): 65,1 mortes por 100 mil habitantes;
  9. Santa Rita (PB): 60,9 mortes por 100 mil habitantes;
  10. Juazeiro (BA): 55,8 mortes por 100 mil habitantes.

O que explica os índices

Segundo o Anuário, as altas taxas de violência nessas cidades estão relacionadas, principalmente, à disputa entre facções criminosas pelo controle de rotas e mercados do tráfico de drogas.

No Ceará, por exemplo, Maranguape e Maracanaú são cortadas por rodovias utilizadas no tráfico de drogas, como a CE-065 e a BR-222. Em Maracanaú, o cenário é ainda pior pela atuação de três organizações criminosas com âmbito nacional em disputa pelo território.

Na Bahia, as cidades de Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho e Jequié também contêm rodovias, portos e outras estruturas logísticas que facilitam o tráfico de drogas.

Em Simões Filho, o Porto de Aratu é apontado como um dos fatores que influenciam o alto número. Já Porto Seguro tem um grande fluxo turístico, aeroporto e acesso rodoviário, características que, segundo o estudo, também favorecem a atuação do crime organizado.

“Esta lista permite destacar dois padrões de hipóteses para o aumento das disputas de grupos criminosos nesses municípios. O primeiro é o seguimento de padrão histórico de disputas por cidades cortadas por importantes rodovias, em cidades do interior, que funcionam como corredores logísticos para o escoamento interno do tráfico de drogas, podendo se relacionar com outros tipos criminais”Anuário Brasileiro de Segurança Pública

“O segundo é um padrão emergente, apresentando as cidades litorâneas do Nordeste servindo como um importante corredor de saída de drogas, especialmente a cocaína para o tráfico internacional durante a última década”, finaliza o levantamento.

Letalidade policial também influencia

No levantamento divulgado nesta quinta-feira, o Anuário também destaca que a letalidade policial tem influência na formação das taxas de mortes violentas em algumas dessas cidades.

Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho e Jequié aparecem entre os municípios com os maiores índices de mortes decorrentes de intervenção policial. Em Porto Seguro, por exemplo, a taxa foi de 32,3 mortes por 100 mil habitantes em 2025.

Além disso, cidades como Cabo de Santo Agostinho (PE) e Santa Rita (PB) são influenciadas pela proximidade dos portos de Suape e Cabedelo, apontados pelo levantamento como áreas utilizadas em rotas do tráfico internacional de drogas.

Desigualdade regional permanece

Embora o Brasil tenha alcançado antes do previsto a meta de redução de homicídios estabelecida pela Política Nacional de Segurança Pública – objetivo era atingir até 2027 -, o estudo mostra que as diferenças entre as regiões continuam expressivas.

Enquanto a região Sul registrou taxa de 11,9 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, o Nordeste apresentou 31,6, a maior do país.

Veja os números por região:

  1. Nordeste: 31,6 mortes por 100 mil habitantes;
  2. Norte: 25,3 mortes por 100 mil habitantes;
  3. Centro-Oeste: 17,3 mortes por 100 mil habitantes;
  4. Sudeste: 12,6 mortes por 100 mil habitantes;
  5. Sul: 11,9 mortes por 100 mil habitantes.



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O que fazer para garantir conforto em festivais de música e cinema ao ar livre


A temporada de altas temperaturas transforma o fim de tarde no momento ideal para consumir cultura fora dos espaços tradicionais. A migração do público para praças, estádios e parques urbanos exige adaptação na hora de montar a agenda de lazer. Saber exatamente como aproveitar os eventos culturais de verão que acontecem após o pôr do sol evita que problemas logísticos atrapalhem a experiência, seja diante de uma tela de cinema gigante ou no palco principal de um show internacional.

Planejamento de transporte e horários de chegada aos espaços abertos

A principal regra para eventos a céu aberto é antecipar o deslocamento para fugir dos congestionamentos típicos do fim de tarde nas grandes capitais. O ideal é chegar aos locais de evento pelo menos duas horas antes do anoitecer. Isso permite fazer o reconhecimento da área, encontrar os melhores pontos de visibilidade e garantir lugares confortáveis nas estruturas de gramado ou nas arquibancadas provisórias.

O uso de aplicativos de mobilidade ou transporte público sobre trilhos é a decisão mais inteligente, já que os estacionamentos oficiais costumam esgotar rapidamente e operam com tarifas inflacionadas. Planejar a rota de volta também é fundamental, pois o transporte público de massa muitas vezes encerra a operação antes do término das atrações principais, exigindo rotas alternativas para a madrugada.

A checagem rigorosa da previsão do tempo dita o ritmo da saída de casa e a escolha do vestuário. Mesmo nos meses mais quentes, a ausência de cobertura e a proximidade com áreas verdes ou litorâneas fazem com que a temperatura caia drasticamente à noite. Levar capas de chuva compactas e agasalhos leves de tecido corta-vento garante a permanência no local até o encerramento do evento sem sofrimento térmico.

Principais circuitos culturais noturnos para incluir na agenda

A oferta de entretenimento noturno em áreas abertas se divide basicamente entre experiências audiovisuais imersivas e grandes maratonas musicais. No segmento da sétima arte, o grande destaque do circuito nacional é o retorno do Open Air Brasil a São Paulo no mês de outubro de 2026, ocupando o Jockey Club com uma tela gigante de 325 metros quadrados e tecnologia de ponta para exibições sob as estrelas. Esse tipo de estrutura costuma agregar também shows instrumentais e praças gastronômicas de alta qualidade.

Já no cenário musical, a agenda de alta temporada ganha força com encontros tradicionais em regiões litorâneas ou grandes parques urbanos. Eventos consolidados como o Planeta Atlântida, no litoral gaúcho, ou festivais independentes espalhados pelo Nordeste, oferecem uma mistura de estilos que atravessam a madrugada e exigem preparo físico do visitante.

Identificar qual formato combina mais com o seu perfil de viagem ajuda a direcionar a compra de ingressos com antecedência. Enquanto as mostras de cinema ao ar livre atraem um público focado em contemplação e degustação gastronômica, os festivais de música demandam disposição para longas caminhadas entre palcos e interação intensa com multidões.

Programação sugerida para um fim de semana de eventos

Para quem viaja com o objetivo de consumir cultura ao ar livre em dias consecutivos, dividir a energia do corpo é o segredo para não sofrer com o desgaste físico. Intercalar propostas diferentes evita a exaustão.

Dia 1

Reserve a primeira noite na cidade para uma experiência de menor impacto físico, como uma sessão de cinema ao ar livre ou uma apresentação de jazz em praça pública. Chegue no fim da tarde para aproveitar o pôr do sol enquanto consome algo nas praças de alimentação do evento. Durante a exibição, o foco é o conforto térmico e visual. Leve uma canga ou assento dobrável, se a organização permitir, e foque em relaxar a musculatura após o deslocamento inicial da viagem.

Dia 2

O segundo dia exige maior preparo do corpo para encarar uma maratona musical. A hidratação deve começar de forma intensa ainda no hotel, durante o período da manhã. Vá para o local do festival no meio da tarde para mapear as saídas de emergência, os pontos de hidratação gratuita e os postos médicos. Durante a noite, intercale os shows principais com pausas longas em áreas de descanso afastadas das caixas de som, e evite ficar longos períodos sem alimentação adequada.

Estratégias de alimentação, hospedagem e segurança no local

A estrutura interna de grandes eventos a céu aberto melhorou significativamente na última década, mas os preços praticados nas praças de alimentação continuam altos. Para equilibrar o orçamento da viagem, verifique a política de entrada de alimentos do festival. A maioria permite a entrada de lanches rápidos e industrializados em embalagens transparentes lacradas, além de copos retráteis vazios para consumo de água nos bebedouros.

Na hora de escolher a hospedagem, priorize hotéis ou apartamentos de temporada que fiquem a curtas distâncias a pé dos portões de entrada ou próximos a estações de metrô de operação estendida. Essa decisão reduz drasticamente o estresse na hora da dispersão do público, momento crítico em que a frota de carros de aplicativo costuma cobrar tarifas dinâmicas extremamente elevadas pela alta demanda.

A segurança pessoal em locais com pouca iluminação e grande concentração de pessoas exige atenção constante. Mantenha os seus documentos, dinheiro e cartões em doleiras ou bolsos internos com zíper, minimizando os riscos de furtos. O celular deve ser mantido junto ao corpo, preferencialmente preso a cordões antifurto, e utilizado com discrição durante os deslocamentos entre os palcos.

O planejamento antecipado transforma o que poderia ser um teste de resistência física em um momento de lazer confortável e seguro. Quando a logística de transporte, alimentação e descanso está totalmente resolvida, o visitante consegue focar inteiramente na qualidade das atrações oferecidas pelas noites de verão. O contato direto com a cultura fora das paredes de teatros e arenas fechadas compensa o esforço, criando memórias que justificam cada etapa da preparação.



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Anuário revela as 10 cidades com mais roubos e furtos de celular em 2025; confira


O Brasil registrou 792.284 ocorrências de roubo e furto de celular em 2025, o equivalente a uma taxa de 371,2 casos por 100 mil habitantes. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Na comparação com o ano anterior, o número representa uma queda de 7,7%. Apesar da redução, o levantamento mostra que algumas cidades registraram índices muito acima da média do país. Para elaborar o ranking, o estudo considerou apenas municípios com 100 mil habitantes ou mais.

Entre as 10 cidades com as maiores taxas de roubos e furtos de celulares, há predominância de capitais das regiões Norte e Nordeste. A única exceção é a capital paulista.

Veja as 10 cidades com mais roubos e furtos de celular em 2025

Os estados do Pará e da Bahia são os únicos que possuem mais de uma cidade na lista. Confira:

  1. São Luís (MA): taxa de 1.517,0;
  2. Belém (PA): taxa de 1.487,0;
  3. São Paulo (SP): taxa de 1.390,5;
  4. Salvador (BA): taxa de 1.195,0;
  5. Lauro de Freitas (BA): taxa de 1.144,5;
  6. Porto Velho (RO): taxa de 1.123,2;
  7. Manaus (AM): taxa de 1.107,1;
  8. Olinda (PE): taxa de 1.060,3;
  9. Ananindeua (PA): taxa de 979,5;
  10. Teresina (PI): taxa de 975,3.

Embora apareça na terceira posição em taxa proporcional, São Paulo concentra 20% de todos os roubos e furtos de celulares registrados no país, mesmo reunindo cerca de 5,6% da população brasileira.

Roubos caem e furtos crescem

Os dados mostram uma mudança no perfil desses crimes. Enquanto os roubos, que envolvem violência ou ameaça, caíram 18,6% entre 2024 e 2025, os furtos, praticados sem violência, cresceram 0,9% no mesmo período.

Com isso, seis em cada 10 celulares subtraídos no Brasil são levados em furtos e quatro em roubos.

Segundo o Anuário, essa mudança está relacionada ao aumento do risco para quem pratica roubos, em razão da expansão de câmeras de monitoramento e da intensificação da atuação policial.

“O roubo exige contato direto entre o criminoso e a vítima, com uso de violência ou ameaça, o que aumenta significativamente a chance de o autor ser identificado ou preso. Há maior possibilidade de reação da vítima, intervenção de terceiros que estejam por perto, ação policial e registro por câmeras de segurança. Já o furto ocorre sem confronto direto”Anuário Brasileiro de Segurança Pública

O estudo também aponta que o programa Celular Seguro, lançado em dezembro de 2023 pelo Governo Federal, contribuiu para reduzir a rentabilidade desse tipo de crime ao dificultar o acesso imediato a aplicativos bancários.

“A hipótese é que o Celular Seguro reduziu sobretudo a rentabilidade do roubo, ao dificultar o acesso às contas e aos recursos financeiros das vítimas, enquanto seu impacto sobre o furto tende a ser menor, já que esse crime depende menos desse tipo de exploração e mais da comercialização do próprio aparelho”, diz o Anuário.

Coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o programa Celular Seguro permite que vítimas de roubo, furto ou perda de aparelhos pedem o bloqueio do celular, da linha telefônica e das contas vinculadas às instituições parceiras. Além disso, a plataforma possibilita consultar gratuitamente se um aparelho possui alguma restrição antes da compra, por meio do número IMEI.

O programa também faz parte do Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), que reúne informações de aparelhos roubados, furtados ou extraviados registradas pelas Polícias Civis e pelos sistemas integrados. Segundo o governo, a base de dados fortalece a atuação das forças de segurança, amplia as chances de recuperação dos aparelhos e busca reduzir o mercado de celulares de origem criminosa.

Quando e onde os crimes acontecem

O levantamento mostra que os roubos ocorrem principalmente em vias públicas (77,2%) e no período da noite, com maior concentração entre 18h e 23h.

Já os furtos são mais frequentes durante o dia, especialmente entre 8h e 17h, e costumam ocorrer em locais com grande circulação de pessoas, como nas ruas (49,3%), em estabelecimentos comerciais (15,2%) e no transporte (6,1%).

No ano passado, os meses de março, na época do Carnaval, e junho, durante as festas de São João, registraram os maiores volumes de furtos, cerca de 20% acima da média mensal. Na região Norte, o pico ocorreu em outubro, na época das celebrações do Círio de Nazaré.

Medo da violência permanece

Apesar da redução no número de roubos, o levantamento cita uma pesquisa produzida em março de 2026 pelo FBSP, em parceria com o Instituto Datafolha, que aponta que a sensação de insegurança continua alta. O estudo mostrou que 78,8% dos brasileiros têm medo de ter o celular roubado ou furtado.

O levantamento também avalia que esse tipo de crime tem alterado os hábitos da população e pontua que há indícios de subnotificação, já que apenas uma pequena parcela das vítimas registra a ocorrência em delegacias. Segundo a pesquisa, cerca de 5,7% dos casos seriam oficialmente comunicados às autoridades.

“Evitar sair à noite, não levar o celular, deixar de comprar determinados aparelhos passam a ser relatos mais frequentes dos brasileiros que veem sua circulação e liberdade limitados pela expectativa de ser vítima de um crime”, aponta o Anuário.



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AGI amplia investimentos em automação para fábricas de ração no Brasil

A AGI, empresa global de soluções para armazenagem, movimentação e processamento de grãos, está ampliando investimentos e projetos voltados à modernização da indústria de nutrição animal no Brasil.

A companhia afirma que tem observado crescimento na demanda por projetos de fábricas totalmente conectadas, com sistemas capazes de integrar desde o recebimento da matéria-prima até a expedição do produto final.

Segundo estimativas do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal) e da  ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o Brasil deve produzir cerca de 97 milhões de toneladas de ração em 2026, impulsionado principalmente pelas cadeias de aves, suínos, bovinos, peixes e animais de companhia.

Para a empresa, a indústria entrou em uma nova fase, na qual tecnologia e engenharia passaram a ser fatores determinantes para a competitividade.

Segundo Robson Engers, diretor sênior de Operações Brasil e América Latina da AGI, afirma que o setor vive um momento de amadurecimento estrutural. “Vivemos um momento de amadurecimento estrutural do setor. A indústria de nutrição animal deixou de competir apenas por escala e passou a competir por inteligência operacional. Eficiência, previsibilidade e uso racional dos recursos tornaram-se pilares estratégicos”, afirmaou.

Segundo o executivo, a empresa tem direcionado esforços para desenvolver soluções que conectam diferentes etapas da produção, permitindo que os clientes tenham uma visão mais ampla da operação.

“A demanda tem se concentrado em projetos que promovem conectividade entre as etapas produtivas, ampliando a capacidade de gestão, o controle de qualidade e a consistência dos processos”, disse.

Segundo indicadores da Embrapa Suínos e Aves, a ração representa entre 70% e 80% do custo total de produção em diferentes cadeias. Nesse cenário, a redução de desperdícios, a precisão na formulação e o controle sobre o uso das matérias-primas passaram a ser considerados fatores estratégicos para preservar margens.

De acordo com Franklin Oliveira, gerente nacional de Indústrias e Portos da AGI Brasil, a automação deixou de ser vista apenas como uma evolução tecnológica e passou a ser tratada como uma ferramenta financeira.

“O mercado busca soluções que reduzam a variabilidade dos processos, ampliem a previsibilidade dos resultados e sustentem a rentabilidade das operações ao longo do tempo”, destacou.

Segundo o Oliveira, as novas plantas industriais são projetadas para funcionar como sistemas integrados, em que equipamentos, sensores e plataformas digitais trabalham de forma coordenada.

“Não se trata apenas de construir uma estrutura física, mas de projetar um fluxo inteligente que elimine gargalos logísticos e falhas operacionais. O mercado exige escala industrial com precisão laboratorial”, afirma.

Na avaliação da AGI, essa integração permite ganhos em diferentes pontos da operação, como melhor aproveitamento dos insumos, redução de perdas, aumento da capacidade produtiva e maior estabilidade dos processos.

O movimento também atende a uma demanda crescente por rastreabilidade. Com mercados internacionais cada vez mais exigentes, as empresas precisam comprovar a origem, a qualidade e a segurança dos produtos utilizados na cadeia de proteína animal.

“A rastreabilidade tornou-se um elemento central da confiança comercial. Os clientes buscam tecnologias que garantam controle, transparência e capacidade de resposta rápida diante de auditorias e exigências regulatórias”, afirma Engers.

A empresa considera que a migração para modelos mais digitais e integrados deve continuar sendo uma das principais agendas do setor nos próximos anos.

A expectativa é que os investimentos em automação, engenharia e inteligência de dados avancem junto com a necessidade das empresas brasileiras de competir em um mercado global mais exigente.

“A principal oportunidade é consolidar a tecnologia como pilar da competitividade da indústria. O desafio é acompanhar essa transformação com soluções que combinem inovação, escala e proximidade com o cliente”, conclui Engers.

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Apenas sete estados tiveram alta nas mortes violentas em 2025, diz Anuário


O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de Mortes Violentas Intencionais (MVI) desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), iniciada em 2012. Apesar da redução, apenas sete estados foram na contramão e apresentaram aumento desse tipo de crime em relação a 2024. Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).

As Mortes Violentas Intencionais reúnem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Em 2025, foram registrados 40.775 mortes violentas, o equivalente a uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantesqueda de 8,2% na comparação com 2024 e de 31% em relação a 2012. Pela primeira vez, o indicador ficou abaixo da marca de 20 mortes por 100 mil habitantes.

A redução foi impulsionada principalmente pela queda dos homicídios dolosos, que recuaram 10% em um ano e fizeram o país antecipar em dois anos a meta prevista pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que estabelecia taxa de até 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Também caíram os registros de latrocínio (-17%) e de lesão corporal seguida de morte (-15,2%).

Apesar do cenário positivo no país, o levantamento mostra que sete estados registraram crescimento das MVI em 2025. São eles:

  1. Rio Grande Norte: +19,6%;
  2. Rondônia: +7,5%;
  3. Acre: +6,3%;
  4. Roraima: +5,8%;
  5. Distrito Federal: +5,8%;
  6. Mato Grosso do Sul: +4,9%;
  7. Rio de Janeiro: +2,1%.

O que explica essa alta

No Rio Grande do Norte, o crescimento foi puxado principalmente pelo aumento dos homicídios dolosos, que passaram de 655 vítimas em 2024 para 843 em 2025. Ainda assim, o estado manteve uma taxa inferior às registradas entre 2013 e 2023, o que indica que a alta interrompeu apenas parcialmente a tendência de queda observada nos últimos anos.

Já em Rondônia e no Rio de Janeiro, a principal influência veio das mortes decorrentes de intervenção policial. No estado do Norte, os registros desse tipo saltaram de oito para 47 em apenas um ano.

“O caso de Rondônia é emblemático pois, nesta Unidade da Federação, as MDIP equivalem a 9,5% de todas as MVI e, mesmo assim, tiveram a capacidade de influenciar a tendência geral. E não à toa, já que, em 2024, tinham sido registradas oito ocorrências de mortes por intervenção policial em Rondônia. Em 2025, esse número salta para 47 casos”Anuário Brasileiro de Segurança Pública

No Rio de Janeiro, as mortes provocadas por policiais passaram a representar 20,5% de todas as MVI registradas no estado. O levantamento destaca que cerca de 117 dessas mortes ocorreram em um único dia de outubro de 2025 (dia 28), durante a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que terminou com 122 mortos, incluindo cinco agentes de segurança.

Números das regiões reduziram

Embora apenas sete estados tenham registrado aumento, todas as cinco regiões brasileiras reduziram o número de mortes violentas entre 2024 e 2025. Ainda assim, o Nordeste continua concentrando a maior taxa do Brasil.

O Nordeste liderou o ranking regional, com 31,6 mortes por 100 mil habitantes, seguido pelo Norte, com 25,3. Na outra ponta, Sudeste (12,6) e Sul (11,9) apresentaram os menores índices. Veja a lista por região:

  1. Nordeste: 31,6 mortes por 100 mil habitantes;
  2. Norte: 25,3 mortes por 100 mil habitantes;
  3. Centro-Oeste: 17,3 mortes por 100 mil habitantes;
  4. Sudeste: 12,6 mortes por 100 mil habitantes;
  5. Sul: 11,9 mortes por 100 mil habitantes.

O levantamento citou também que, entre 2012 e 2025, o Centro-Oeste e o Sul registraram as maiores reduções proporcionais das taxas, enquanto o Nordeste apresentou a menor queda no período (-17,1%).

Letalidade policial e feminicídios seguem em alta

Embora o número total de mortes violentas tenha atingido o menor patamar da série histórica, duas categorias continuaram crescendo: os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial.

No ano passado, o país contabilizou 1.571 vítimas de feminicídio, alta de 4% em relação ao ano anterior. Já as mortes provocadas por policiais chegaram a 6.602, crescimento de 5,4%. Com isso, 16,2% de todas as Mortes Violentas Intencionais no Brasil tiveram autoria de agentes de segurança, o equivalente a uma em cada seis mortes violentas registradas no país.



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