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Justiça Federal determina indenização a filho de João Cândido


A Justiça Federal condenou a União a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais ao filho de João Cândido Felisberto, Adalberto Cândido, em razão das manifestações oficiais da Marinha consideradas ofensivas à memória do líder da Revolta da Chibata.

Na sentença, a 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro reconheceu que as expressões utilizadas pela Força em documento encaminhado à Câmara dos Deputados, em 2024, extrapolaram o direito à manifestação institucional e causaram dano moral reflexo ao descendente direto do marinheiro anistiado.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), em ofício encaminhado à Comissão de Cultura da Câmara, a Marinha teria classificado a Revolta da Chibata como “deplorável página da história nacional”, além de utilizar expressões como “abjetos” e “reprovável exemplo” para se referir aos marinheiros envolvidos no movimento.

Na decisão, a Justiça segue posição defendida pelo MPF, considera que a proteção jurídica da memória de João Cândido alcança também seus familiares e que o filho tem legitimidade para buscar reparação pelos danos sofridos em decorrência das manifestações oficiais.

Segundo a sentença, embora a Marinha tenha liberdade para apresentar interpretações históricas sobre a Revolta da Chibata, a prerrogativa não autoriza o uso de linguagem estigmatizante contra personagem posteriormente anistiado pelo próprio Estado brasileiro.

A sentença foi proferida em ação movida pelo filho de João Cândido contra a União. A Agência Brasil entrou em contato com a Marinha e aguarda retorno.

Revolta da Chibata

Em 1910, a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, mobilizou marinheiros, a maioria negros e pobres, contra açoites e condições degradantes na Marinha. O movimento emergiu após um homem receber 250 chibatadas. Em quatro dias de levante, os castigos foram abolidos.

Filho de ex-escravizados, João Cândido nasceu em 1880. Ele ingressou na Marinha aos 15 anos de idade. Por sua atuação à frente da Revolta da Chibata, foi apelidado de “Almirante Negro”.

A revolta envolveu a tomada de embarcações atracadas na Baía de Guanabara, entre os dias 22 e 27 de novembro de 1910, em protesto contra os baixos salários, a ausência de um plano de carreira e, sobretudo, as chicotadas aplicadas como punições.



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Veja os setores do agro isentos da tarifa de 12,5% dos EUA

O governo dos Estados Unidos excluiu café, carne bovina e outros produtos do agronegócio brasileiro da tarifa adicional de 12,5% anunciada nesta quinta-feira (23). A sobretaxa é resultado da investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) com base na Seção 301, que concluiu que o Brasil adota práticas consideradas desarrazoadas no comércio bilateral, incluindo questões relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

A exclusão ocorre após a conclusão da investigação conduzida pelo USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, aberta em julho de 2025. No relatório final, o órgão destacou que o Brasil adota práticas consideradas desarrazoadas no comércio bilateral e citou, entre os principais pontos, alegações relacionadas ao combate ao trabalho forçado, além de questionamentos sobre as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção, o tratamento tributário dado ao etanol americano e o funcionamento do sistema de pagamentos Pix.

Durante a consulta pública, representantes da indústria americana defenderam a retirada da carne bovina, do abacate e da páprica da lista de exceções. O USTR, no entanto, manteve esses produtos isentos da tarifa adicional, considerando fatores de abastecimento do mercado americano, especialmente no caso da carne bovina, que vive um dos piores momentos de falta de oferta nos Estados Unidos.

Entidades e empresas ainda analisam o documento, que reúne mais de 400 páginas e define as isenções por códigos da Tabela HTSUS (Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos). Por isso, a confirmação da isenção depende da classificação tarifária de cada produto.

O setor cafeeiro foi um dos primeiros a reagir ao anúncio. Em confirmação à CNN Agro, a Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) afirmou que a manutenção do café na lista de exceções dá fôlego para a recuperação das exportações brasileiras aos Estados Unidos.

Carnes e produtos de origem animal

  • Carne bovina fresca, refrigerada e congelada;
  • Miúdos bovinos;
  • Carne bovina salgada, seca e defumada;
  • Determinados produtos destinados à alimentação animal;
  • Couros e peles de animais.

Café

  • Café verde;
  • Café torrado;
  • Café descafeinado;
  • Cascas e películas de café.
  • Café solúvel;

Frutas e produtos tropicais

  • Abacate;
  • Açaí;
  • Bananas;
  • Abacaxi;
  • Mamão;
  • Manga congelada;
  • Frutas tropicais congeladas;
  • Coco e derivados;
  • Água de coco;
  • Castanha-do-brasil;
  • Castanha de caju.

Insumos agrícolas

  • Sementes para plantio;
  • Mudas e estacas;
  • Batata-semente;
  • Insumos para fertilizantes;
  • Insumos para pesticidas.

Produtos vegetais e florestais

  • Fibra de coco;
  • Juta;
  • Cordões de sisal;
  • Madeira e produtos de madeira;
  • Lâminas de compensado de eucalipto.

Outros

  • Açúcar e produtos com açúcar dentro das cotas tarifárias;

Páprica e derivados.

 

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Yellen diz que não há hoje evidência de choque de produtividade vindo da IA


Não há evidência hoje de um choque de produtividade vindo do avanço da inteligência artificial que possa gerar uma queda nos preços nos Estados Unidos e, com isso, motivar uma flexibilização na política monetária americana. A opinião é de Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve e ex-secretária do Tesouro dos EUA.

“Não estamos vendo evidências de melhoria na produtividade agregada e não vemos evidência de pressão desinflacionária”, declarou, durante o painel “Perspectivas Econômicas dos EUA e Globais: Desafios de Curto Prazo e Tendências de Longo Prazo”.

Leia também: Yellen: Num horizonte de 5 anos, contamos com inflação mais alta que 2% nos EUA

Ele fez uma clara distinção entre o período atual e os dos anos 1990, quando o então presidente do Fed Alan Greenspan mencionava esses ganhos na fase inicial de expansão da internet.

Yellen lembrou de uma reunião de setembro de 1996, quando todos os membros do Fomc achavam, que era adequado elevar as taxas de juros, mas Greenspan resistiu. “A história provou que ele estava correto – havia crescimento da produtividade. Escrevi documento sobre isso. O desemprego caiu em níveis não vistos em décadas, com inflação baixa.”

Leia também: Risco de dominância fiscal nos EUA está crescendo, diz Janet Yellen

Há uma distinção com o momento atual, segundo a ex-secretária do Tesouro. “Há grande investimento em IA e esses investimentos estão elevando preços de semicondutores e da eletricidade, enquanto o mercado de trabalho se fortalece. Os gastos de consumo estão em expansão pela expectativa de lucros futuros. Não acho que o Fomc pode baixar agora as taxas por causa da IA, mas no média prazo, nos próximos anos, talvez”, disse.

O painel foi mediado por Caio Megale, economista-chefe da XP.



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Milho sobe em Chicago com corte de área e demanda por etanol nos EUA

O mercado do milho também encerrou a sessão desta quinta-feira (23) em alta na Bolsa de Chicago, sustentado por uma combinação de fatores de oferta e demanda, além do cenário internacional. O contrato futuro com vencimento em dezembro fechou o dia negociado a US$ 4,87 por bushel, com valorização de 0,57%.

Segundo Gilberto Leal, head de commodities da Granel Corretora, o mercado do cereal tem encontrado suporte principalmente pela expectativa de uma oferta mais restrita nos Estados Unidos e pelo avanço do consumo interno para produção de etanol.

“O milho está fundamentado no forte programa de esmagamento de etanol nos Estados Unidos e também no corte de área. Existe uma expectativa do lado da oferta mais restritiva, o que acaba dando suporte aos preços”, afirma.

Outro fator observado pelo mercado é o cenário geopolítico, especialmente as tensões envolvendo o corredor de grãos no Mar Negro. De acordo com o analista, os riscos logísticos podem provocar uma migração de demanda para outras origens, como Estados Unidos, Brasil e Argentina.

No Brasil, a colheita da segunda safra avança para a reta final, com Mato Grosso praticamente concluindo os trabalhos. Leal destaca que o programa de exportações começa a ganhar força, assim como a demanda das indústrias de etanol de milho.

“O programa de exportação está ganhando tração e o esmagamento pelo etanol também tem avançado bastante. Isso trouxe uma melhora nos preços futuros e também no milho disponível”, explica.

Segundo o analista, no mercado interno, o milho para embarque em setembro chegou a ser negociado próximo de R$ 50 a R$ 51 por saca em algumas regiões produtoras.

Soja

A soja encerrou a sessão em alta na Bolsa de Chicago, impulsionada pela expectativa de demanda firme pelo produto norte-americano e por fatores externos que deram sustentação aos preços. O contrato futuro da oleaginosa para entrega em novembro fechou o pregão cotado a US$ 12,43 por bushel, com valorização de 0,38%.

Segundo Gilberto Leal, head de commodities da Granel Corretora, os fundamentos de curto prazo seguem positivos, principalmente pela procura pela soja dos Estados Unidos.

“Hoje tivemos as vendas semanais americanas dentro das expectativas para a soja, inclusive com destaque para a safra nova. Foram mais de 6 milhões de toneladas já comprometidas, contra cerca de 2,6 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, principalmente em função da China”, afirma.

Para o analista, o aumento da expectativa de demanda tem dado suporte às cotações em Chicago. Além das compras externas, o mercado também acompanha as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos sobre o petróleo, que influenciam o complexo da soja, especialmente o óleo destinado ao biodiesel.

“O mercado está olhando também para um clima um pouco mais quente e seco nos próximos dias nos Estados Unidos, mas hoje o principal fator é o balanço de oferta e demanda, com exportações, esmagamento robusto e demanda pelo óleo de soja”, explica.

Apesar da alta recente, Leal destaca que os contratos enfrentam uma resistência técnica próxima de US$ 12,49 por bushel, enquanto os fundos de investimento estão bastante posicionados na compra.

No Brasil, os prêmios da soja recuaram um pouco com a valorização de Chicago, mas os preços internos avançaram. Segundo o analista, em algumas regiões produtoras, como no Mato Grosso, a soja disponível chegou próxima de R$ 130 por saca.

Trigo

O contrato futuro do trigo com vencimento em setembro encerrou a sessão  em queda de 1,35%, cotado a US$ 6,96 por bushel na Bolsa de Chicago.

Apesar da desvalorização no pregão, o mercado segue atento aos riscos envolvendo a oferta global do cereal, principalmente após a Rússia restringir embarques noturnos a partir de Novorossiysk, um dos principais terminais de exportação de trigo do país.

A medida foi adotada após novos ataques com drones realizados pela Ucrânia e aumenta as incertezas sobre o fluxo de grãos no Mar Negro, uma das principais rotas de abastecimento do mercado internacional.

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“Não existe moeda que possa substituir o dólar”, diz Janet Yellen na Expert XP


O dólar vai perder espaço para outras divisas como moeda de reserva global? Na opinião de Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos EUA, a resposta é não, ainda que possa ser observada uma erosão marginal no crescimento da moeda americana. “Não existe moeda que possa substituir o dólar. Nenhum outro mercado tem sua profundidade e liquidez”, disse, durante painel na Expert XP 2026.

Mesmo com essa força, Yellen admite que ela é menor que no passado. As reservas mundiais em dólar, por exemplo, estão em cerca de 50%, em comparação com os 70% de décadas atrás. O aumento das posições em ouro é uma prova dessa diminuição.

Leia também: Yellen diz que não há hoje evidência de choque de produtividade vindo da IA

Mas ela reforçou a mensagem de que a profundidade dos mercados de câmbio não envolvem dólar é muito baixa.

Como exemplo, Yellen citou uma hipotética transação do Brasil com a França. “É muito provável que façam a conversão de reais para o dólar e então do dólar para euro”.

Sobre a regulação dos criptoativos, Yellen fez elogios às stablecoins, porque são cambiáveis ao dólar numa base de um para um, ou seja, são baseados em ativos estáveis.

Yellen admite que ela é menor que no passado. As reservas mundiais em dólar, por exemplo, estão em cerca de 50%, em comparação com um os 70% de décadas atrás. O aumento das posições em ouro é uma prova dessa diminuição



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Cenipa divulga relatório sobre acidente da Voepass: ‘Sobrecarga de estímulos’


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (23) o relatório final sobre a queda do avião da Voepass, ATR 72-500, que vitimou 62 pessoas em agosto de 2024.

voo seguia de Cascavel (PR) para o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando o ATR 72-500 caiu sobre um condomínio em Vinhedo. A aeronave explodiu após o impactonão houve sobreviventes entre os 58 passageiros e quatro tripulantes, e nenhuma pessoa em solo ficou ferida.

Os familiares tiveram acesso ao documento antes da divulgação oficial. O Tenente-Coronel Paulo Mendes Fróes ficou responsável por ler o relatório. Primeiramente, foi explicado como funcionavam os sistemas de identificação de formação de gelo na aeronave e como o veículo descongela o avião.

Fróes explicou que o avião apresentou falha no sistema de degelo dias antes do acidente. O problema apareceu no último pouso antes do acidente, mas não foi relatado no diário de bordo. O tenente também disse que os pilotos costumam menosprezar quedas de velocidade nos ATR, que podem ser causadas pelo acúmulo de gelo.

Froés disse que os mecânicos tinham uma cultura de trocar peças em pane entre aeronaves, mesmo sabendo dos defeitos dos componentes. Ele também explicou que, por diversas vezes, os aviões eram liberados para voar mesmo com algum defeito, desde que as manutenções fossem feitas em um período determinado, mas que elas não ocorriam.

O SIPAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) identificou diversas falhas sobre a manutenção, controle das aeronaves e o aviso sobre as panes da Voepass.

Simulação do voo

A investigação simulou as condições do voo em um simulador. Os resultados foram similares aos do acidente. Um voo também foi realizado com um ATR em Toulouse, na França, para testar a perda de velocidade do avião e se os avisos estavam claros aos pilotos.

A aeronave tinha condições de realizar voos em condições de gelo, mas não de gelo severo. Porém, conseguiria abandonar a condição, se necessário.

Segundo o tenente, o avião não poderia ter decolado quando foi autorizado, pois estava com o limpador da janela do cockpit quebrado e não poderia voar nas condições meteorológicas do dia do acidente, que teve chuva.

O copiloto teria se esquecido de ligar os sistemas de degelo da aeronave, segundo a gravação da cabine de voo, disse o Cenipa. Então o piloto ligou os sistemas, mas esqueceu de um deles. Mais tarde, no voo, o sistema foi ligado.

Segundo o relatório, os pilotos teriam ignorado os diversos alertas de perda de performance da aeronave por sobrecarga de estímulos na cabine e desatenção.

Relatório já tinha sido noticiado

No dia 7 de julho, a Folha de S. Paulo teve acesso e divulgou o relatório. Segundo o documento, o acidente foi resultado de uma sequência de fatores operacionais e organizacionais. O Cenipa afirma que os pilotos permaneceram durante parte significativa do voo em conversas sem relação com a operação da aeronave, o que reduziu a atenção ao ambiente externoàs condições favoráveis à formação de gelo e aos alertas emitidos na cabine.

O documento também aponta que um dos pilotos enfrentava problemas pessoais que, segundo a investigação, influenciaram seu estado emocional e desviaram sua atenção durante o voo. O órgão afirma ainda que houve coordenação ineficiente entre os tripulantes durante a emergência e descumprimento de procedimentos operacionais.

Na avaliação do Cenipa, a cultura de segurança da Voepass apresentava fragilidades que influenciaram o comportamento da tripulação. O relatório afirma que desvios operacionais haviam se tornado normalizados dentro da empresa e que alertas recorrentes da aeronave eram tratados de forma inadequada, reduzindo a percepção dos riscos.

Falhas no sistema de degelo

A investigação também concluiu que pilotos e equipes técnicas já conheciam falhas no sistema de degelo do avião antes do voo. Mesmo com a previsão de condições favoráveis à formação de gelo severo na rota, a operação foi mantida sem medidas adicionais para reduzir os riscos.

Ainda de acordo com o documento, registros de falhas apresentados em voos anteriores não constavam nos diários de bordo. Com isso, setores responsáveis pela manutenção e pela operação deixaram de adotar medidas como substituição da aeronavereplanejamento da rota ou manutenção corretiva do sistema de degelo.

O Cenipa afirma que, durante a emergência, os pilotos não reconheceram a gravidade da situação a temponão solicitaram descida imediata e também não declararam emergência, apesar dos alertas emitidos na cabine pouco antes da perda de controle da aeronave.

A investigação cita ainda características do sistema de alertas do ATR 72-500. Segundo o relatório, o aviso relacionado à degradação das condições de voo ofereceu pouco tempo para reação da tripulação. O órgão avalia que, caso esse alerta tivesse um nível mais elevado de prioridade, os pilotos poderiam ter identificado mais rapidamente a gravidade da situação e adotado medidas para reduzir o risco de perda de controle provocada pelo acúmulo de gelo.

O relatório também faz apontamentos sobre a atuação da Anac. Segundo o Cenipa, a agência havia realizado auditorias e inspeções na Voepass antes do acidente e identificado diversas não conformidades relacionadas à manutenção das aeronaves, além de práticas recorrentes de comunicação informal ou ausência de registro de falhas. Ainda assim, o documento relata que essas informações não resultaram em decisões capazes de amenizar os riscos operacionais identificados.

Como parte do procedimento internacional previsto para investigações desse tipo, o relatório foi encaminhado às autoridades da França, onde está sediada a fabricante ATR, e do Canadá, país de origem dos motores da aeronave.



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Carne bovina brasileira fica fora de sobretaxa de 12,5% dos EUA

A carne bovina brasileira, além de couros, peles e outros subprodutos de origem animal, ficou fora da sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos no âmbito das medidas relacionadas às investigações da Seção 301 sobre trabalho forçado.

A exclusão foi confirmada após o USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos) publicar os anexos com os produtos que não serão atingidos pela nova cobrança. Embora o Brasil estivesse incluído entre os países sujeitos à tarifa adicional, os principais produtos da cadeia pecuária nacional foram preservados.

Com a decisão, a carne bovina brasileira continuará seguindo o regime comercial já existente com os Estados Unidos, incluindo o sistema de cotas tarifárias. Fora do limite estabelecido, as exportações seguem sujeitas às tarifas previstas atualmente.

Além da carne, os couros bovinos, peles e outros couros de origem animal também foram retirados da lista de produtos tarifados. A medida atende a demandas de setores americanos, como as indústrias automotiva e de calçados, que utilizam o couro brasileiro como matéria-prima.

Também ficaram isentos insumos e subprodutos de origem animal destinados à fabricação de rações para bovinos, aves, animais de estimação e aquicultura.

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Ajuste fiscal será “no amor ou na porrada”, diz Walter Maciel


A escalada dos gastos do governo federal deverá passar por uma revisão “no amor ou na porrada”, na avaliação de Walter Maciel, CEO da AZ Quest. A análise foi feita durante um painel sobre o futuro dos mercados, na Expert XP 2026, nesta quinta-feira (23).

Além do debate sobre o desequilíbrio das contas públicas, Maciel, Daniel Dupont, gestor da Kapitalo, e Bruno Marques, gestor de fundos multimercado da XP Asset Management, também analisaram como o cenário internacional, marcado por gastos fiscais elevados nos Estados Unidos e pela desaceleração da China, impõe desafios às taxas de juros e ao controle da inflação. A mediação foi de Felipe Manfredini, responsável por parcerias com fundos de investimento na XP.

O Brasil tem solução?

Manfredini chamou a atenção para os dados econômicos locais, que mostram o Produto Interno Bruto (PIB) em crescimento e a balança comercial positiva, mas também um alto nível de endividamento e uma inadimplência preocupante.

Para Marques, isso mostra que o crescimento do país ocorre “não porque as coisas estão boas”, mas porque foram adotadas medidas para sustentar a economia que cobrarão um preço alto. Ele destaca que a relação entre a dívida e o PIB subiu quase 10% nos últimos três anos e que o governo anunciou R$ 200 bilhões em pacotes de medidas fiscais e parafiscais para sustentar o consumo — o que ajuda a explicar o crescimento, a inflação elevada e os juros restritivos.

“Seria necessário um ajuste de 3,5% a 4,5% para a dívida se estabilizar”, avalia.

Para Maciel, a saída seria fazer o ajuste das contas. “Solução tem, e a solução é fácil. O que não é fácil é botar a pessoa lá para fazer as coisas que têm que ser feitas”, afirma.

Ele destacou que o país tem a maior carga tributária da história, o maior endividamento das famílias, que chega a 38% da renda, e vem quebrando recordes no número de recuperações judiciais.

“Basicamente, a solução do Brasil passa por um ajuste de 4% do PIB. Se você pensar que hoje nós temos renúncias fiscais que chegam a 7% do PIB, não são medidas tão difíceis de fazer. Se for eleito um candidato que faça o fiscal, vai ter um efeito muito parecido com o Plano Real. Em um ano, vai colher resultados, porque você pode ter juros neutros de 4% a 4,5%. Você teria um real valorizado e os investimentos vindo”, afirma.

“Então, ou você vai ter um ajuste fiscal no amor ou vai ter um ajuste fiscal na porrada”, diz Maciel.

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Ele citou que os gastos do governo Lula, no primeiro mandato, ficaram em torno de 7% do PIB. No governo seguinte, passaram a 10% e, nesta terceira gestão, já se aproximam novamente desse patamar. “No próximo [governo], ele vai gastar quanto?”, questiona.

Maciel avalia que, caso os gastos continuem se elevando, há o risco de o país passar por uma crise — e cita até a possibilidade de impeachment. “O que eu acho quase impossível é passar mais quatro anos expandindo o gasto público sem ter uma crise que leve a um impeachment ou algo assim”, diz.

Cenário internacional mais adverso

A crise fiscal brasileira deve se somar a um cenário internacional mais adverso do que em anos anteriores.

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Marques apontou que, desde a pandemia, os países desenvolvidos vêm se assemelhando aos emergentes porque mantiveram fortes estímulos fiscais, o que elevou o endividamento e o consumo. Além disso, os investimentos massivos em inteligência artificial (IA) mudaram o perfil das empresas de tecnologia, que passaram de grandes poupadoras a grandes tomadoras de capital.

“As empresas de tecnologia tinham um lucro brutal e esse lucro voltava para a economia. Hoje, com esse investimento em data centers, você [empresa de tecnologia] passa a ser o maior tomador de poupança do mundo. Então, não só os governos estão precisando tomar muita dívida para se financiar, como agora as empresas também estão fazendo isso”, diz.

Marques afirma que as pressões inflacionárias internacionais vão atingir mais os países com política fiscal mais vulnerável. “A gente vê as curvas de juros no mundo inteiro para cima, e isso vai acabar prejudicando e atrapalhando ainda mais países que estão fiscalmente piores”, afirma.

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Nesse cenário, a gestora está tomada em juros, principalmente nos Estados Unidos e no México, e comprada em dólar contra moedas de países que devem sofrer mais nesse ambiente — como o euro e o real, por exemplo.

Desaceleração da China

Ainda no contexto internacional, Maciel destaca a desaceleração da China, que deve entrar no radar do mercado devido aos impactos econômicos e geopolíticos.

Ele aponta que o endividamento chinês atinge 350% do PIB e que o crescimento real é estimado em apenas 2% a 2,5%, em contraste com os 5% oficiais. Para Maciel, há sinais críticos de enfraquecimento da economia chinesa, como os 30 meses consecutivos de deflação industrial, a queda acentuada no consumo de veículos e a questão demográfica ligada ao envelhecimento da população. Soma-se a isso a falta de cobertura social, o que leva a população a poupar até 65% da renda.

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Na visão de Maciel, esse cenário de fragilidade interna é agravado pela pressão geopolítica dos Estados Unidos, que estão “apertando o garrote” por meio de tarifas e restrições, o que deve culminar em uma crise financeira e fiscal.



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Bebê morre após prender a cabeça em grade de creche no centro de SP


Um bebê de 1 ano e 4 meses morreu na quarta-feira (22) após sofrer um acidente no Centro de Educação Infantil (CEI) Luz do Brás, na região central de São Paulo. A vítima foi identificada como Abdoulaye Dieng. O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo as investigações preliminares do 8º Distrito Policial (Brás), o acidente ocorreu durante uma atividade recreativa em uma sala multiuso da unidade. De acordo com a apuração, o menino deitou-se no chão e colocou a cabeça no espaço entre a parede e a barra metálica que serve de estrutura de proteção de um espelho.

Imagens das câmeras de segurança registraram que a criança tentou se soltar sozinha por aproximadamente seis minutos, até que funcionárias da creche perceberam a situação e a retiraram do local.

Após ser retirada da estrutura, Abdoulaye foi carregado no colo por colaboradoras da unidade em busca de atendimento médico. No trajeto, as funcionárias encontraram uma equipe da Polícia Militar que realizava patrulhamento preventivo na região e pediram auxílio. O bebê foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, na zona leste, mas chegou ao local sem sinais vitais.

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