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Setor público tem déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho, afirma BC


O setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras e Eletrobras) teve déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho, após déficit de R$ 56,131 bilhões em maio, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira, 31. Em junho de 2025, o resultado foi deficitário em R$ 47,091 bilhões.

O déficit do mês passado foi mais intenso do que o previsto pela mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de R$ 49,300 bilhões. As estimativas, todas negativas, iam de R$ 42,000 bilhões a R$ 56,400 bilhões.

O resultado foi o maior déficit para o mês desde junho de 2021, quando somou R$ 65,508 bilhões.

Em junho de 2026, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve déficit primário de R$ 55,169 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Estados e municípios tiveram resultado negativo de R$ 1,236 bilhão. As empresas estatais tiveram superávit de R$ 273 milhões

Isoladamente, os Estados tiveram déficit de R$ 956 milhões, e os municípios, de R$ 280 milhões.

Acumulado

O setor público consolidado tem superávit primário de R$ 80,196 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2026, informou o Banco Central. O montante equivale a 1,20% do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado reflete um superávit primário de R$ 93,375 bilhões nas contas do governo central, o equivalente a 1,40% do PIB, somando a um superávit de R$ 22,061 bilhões nos governos regionais (0,33% do PIB). As empresas estatais têm déficit acumulado de R$ 8,882 bilhões, ou 0,13% do PIB.

Isoladamente, os Estados têm superávit de R$ 11,864 bilhões no acumulado de janeiro a junho (0,18% do PIB), e os municípios, saldo positivo de R$ 10,196 bilhões (0,15% do PIB).

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‘Joker’: polícia de SP prende um dos principais criminosos digitais do Brasil


O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) anunciou nesta sexta-feira (31) a prisão de um criminoso digital responsável por desenvolver e comercializar programas de computador para quadrilhas que utilizavam centrais telefônicas falsas.

“Joker”, como era conhecido, foi detido na noite de ontem em Santos, litoral do estado de São Paulo. A prisão foi realizada após uma operação de monitoramento das atividades de Joker, especialmente na Dark Web, uma espécie de internet paralela que exige navegadores específicos para a navegação.

Segundo o Deic, uma das principais atividades do criminoso era a comercialização de um programa que disparava mensagens telefônicas falsas com o objetivo de obter senhas e dados de identificação das vítimas.

O homem detido já tinha sido preso em 2023, durante a Operação Falsa Central, realizada pela Polícia Civil de Sergipe, mas foi liberado no ano seguinte. A Justiça sergipana decretou novamente a prisão de Joker por coação e ameaça contra a delegada que o prendeu primeiro, mas ele permanecia foragido.

Foram recolhidos notebooks, um celular e um HD externo utilizados nos crimes e passaram por análise.



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Bioinsumos podem adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB brasileiro, diz FGV

A adoção de bioinsumos na agricultura brasileira pode adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) entre 2030 e 2035, evitar o desmatamento de 9,2 milhões de hectares e gerar cerca de 160,5 mil novos empregos. As estimativas são de um estudo elaborado pelo Observatório de Bioeconomia da FGV (Fundação Getulio Vargas), com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni.

A pesquisa avaliou os impactos econômicos, sociais e ambientais da adoção de bioinsumos e de outras seis tecnologias previstas no Plano ABC+. Entre os produtos considerados estão a Fixação Biológica do Nitrogênio e microrganismos promotores de crescimento vegetal, utilizados para aumentar a eficiência da produção agrícola.

Segundo o levantamento, o uso dessas tecnologias pode gerar retorno de R$ 79 para cada R$ 1 investido nas lavouras de arroz, milho, cana-de-açúcar e soja. 

O estudo estima que, até 2030, a adoção de bioinsumos alcance cerca de 13 milhões de hectares, com impacto equivalente a 0,13% do PIB e geração de aproximadamente R$ 15,2 bilhões por ano em valor econômico, além dos efeitos sobre produtividade e uso da terra.

O estudo também projeta a criação de aproximadamente 160,5 mil novos postos de trabalho em áreas como produção local, biofábricas, pesquisa e desenvolvimento, controle de qualidade, logística e assistência técnica especializada.

Na avaliação da FGV, a ampliação do uso de bioinsumos também pode reduzir a pressão por abertura de novas áreas agrícolas. O estudo estima que 9,2 milhões de hectares de desmatamento poderão ser evitados, principalmente nos biomas Cerrado e Amazônia, em função do aumento da produtividade. 

Além disso, cerca de 4,8 milhões de hectares de pastagens com algum nível de degradação poderão ser convertidos em áreas agrícolas, enquanto outros 14,1 milhões de hectares de lavouras poderão registrar ganhos de produtividade. As estimativas apontam para um crescimento de até 3,4% na produção de soja e de 1,5% na produção de milho.

“O estudo mostra que o uso de bioinsumos pode gerar grandes contribuições para o País. Além do retorno econômico, com possibilidade de ganhos rápidos e baixo investimento, a tecnologia traz benefícios ambientais bastante expressivos, possibilitando a proteção dos biomas e a redução da abertura de novas fronteiras agrícolas”, afirmou o pesquisador da FGV responsável pelo levantamento, Cícero Lima.

Os resultados também são apresentados pelo Instituto Equilíbrio como parte da discussão sobre fertilizantes verdes, uma das frentes de atuação da entidade voltada à agricultura regenerativa. Segundo o instituto, a substituição da rota fóssil pela produção de fertilizantes por processos de menor impacto ambiental pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente de óxido nitroso (N₂O), além de diminuir a dependência brasileira da importação de fertilizantes, que atualmente responde por cerca de 85% do consumo nacional.

Para o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes e do Profert (Programa Nacional de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), aliado à ampliação da coordenação entre setor público e iniciativa privada, pode contribuir para estimular investimentos e ampliar a produção nacional de fertilizantes de menor impacto ambiental.

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Dois dissidentes do Fed dizem que juro mais alto é necessário para combater inflação


31 Jul (Reuters) – Dois dos três membros do Federal Reserve que votaram contra na reunião de política monetária desta semana, defendendo um aumento da taxa de juros, afirmaram nesta sexta-feira que é necessário agir agora para reduzir a inflação de volta à meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.

“A inflação tem permanecido teimosamente acima de 2% há mais de cinco anos, e não estou confiante de que ela voltará ao nosso objetivo por conta própria”, disse a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, em comunicado divulgado por seu banco regional.

“Uma taxa de juros mais alta ajudaria a conter a atividade econômica e reduzir as pressões inflacionárias”, e a economia pode lidar com juros mais altos, dada a estabilidade do mercado de trabalho, disse Hammack. “Preferi agir em nossa recente reunião porque não considerava a postura atual da política monetária adequadamente restritiva.”

Em comunicado separado, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, também expressou preocupação com a inflação e afirmou que o Fed deveria ter elevado os juros na quarta-feira, como o primeiro de uma série de aumentos.

“Para conter o risco de que a inflação elevada se torne arraigada, prefiro apertar a política monetária de gradualmente à medida que coletamos mais dados sobre a trajetória da inflação e do emprego”, escreveu Kashkari.

“Se a inflação permanecer elevada, na minha opinião, uma possível série de pequenos ajustes na política monetária seria melhor do que esperar e, eventualmente, concluir que ações ainda mais ousadas seriam necessárias”, disse Kashkari. Se a inflação esfriar, o Fed poderia desacelerar ou suspender os aumentos dos juros “sem impacto desnecessário sobre a economia real”, acrescentou ele.

Hammack discordou em três de oito votações nas reuniões de política monetária, enquanto Kashkari discordou seis vezes em 30 votações, de acordo com a Wrightson ICAP.

A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, foi a terceira autoridade a defender o aumento da taxa básica de juros do banco central em 0,25 ponto percentual, em relação à faixa atual de 3,50% a 3,75%. A votação a favor da manutenção dos juros foi de 9 a 3.

O resultado da reunião de política monetária desta semana era excepcionalmente incerto, já que o novo chair do Fed, Kevin Warsh, recusou-se a dar indícios sobre suas perspectivas para a política monetária.

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Os mercados financeiros já haviam precificado a possibilidade de uma alta na quarta-feira e, de modo geral, esperam que o Fed aumente os juros em sua reunião de 15 e 16 de setembro. O indicador de inflação preferido do banco central — o índice PCE, subiu 3,7% em junho na base anual e continua enfrentando pressão de alta.



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Setor russo de grãos afirma que ataques de Kiev ameaçam exportações

O principal grupo de representação do setor de grãos da Rússia alertou nesta sexta-feira que os ataques de drones ucranianos contra navios e portos russos podem interromper, em um futuro próximo, as exportações de grãos pelo Mar Negro, elevando os preços e provocando fome na África e no Oriente Médio.

A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, e a Ucrânia, também uma grande exportadora de produtos agrícolas, vêm atacando nas últimas semanas as instalações de exportação agrícola e embarcações comerciais uma da outra na região do Mar Negro.

A União Russa dos Exportadores e Produtores de Grãos informou à Reuters que as consequências desses ataques serão sentidas por muitos países em um futuro próximo.

“Os ataques sistemáticos iniciados em julho poderão em breve levar ao bloqueio completo dos corredores de exportação na bacia do Mar Negro”, afirmou a entidade em comunicado enviado à Reuters.

Segundo a organização, o déficit no fornecimento de trigo russo para outros países nesta temporada poderá atingir entre 30 e 35 milhões de toneladas métricas, o equivalente a cerca de 15% do comércio global de trigo. A entidade acrescentou que não será possível compensar essa falta por meio do aumento das exportações de outros países.

“As interrupções no transporte marítimo no Mar Negro causadas pelos ataques ucranianos contra navios de carga e infraestrutura portuária representam uma ameaça direta à segurança alimentar global”, afirmou a entidade.

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Natalie Victal, da SulAmérica, é “voz dissonante” e defende Selic em pausa


Enquanto a maior parte do mercado (89,4%) converge para a aposta de corte de 0,25 pontos-base na taxa Selic, Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica, se junta aos 9% que veem e defendem a manutenção dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 4 e 5 de agosto.

Na análise de Victal, a atual conjuntura exige uma “cautela majorada”, e a recomendação dela no questionário que o Copom envia aos agentes do mercado é de que “o corte deveria ser zero”.

Leia também: Opções de Copom da B3 apontam para corte de 0,25% na Selic em agosto

“Panela de pressão”

Em entrevista ao InfoMoney durante a Expert XP, Victal defendeu que a desancoragem das expectativas está contaminando as projeções de inflação futuras, com média de projeção subindo para horizontes longos, como 2029 e 2030.

“Sou uma voz dissonante do mercado, defendo que o corte deveria ser zero, e faço isso há muito tempo. O Banco Central vem operando sobre uma certeza muito elevada e, quando olho para as condições da economia brasileira, me parece que são condições que demandam uma cautela majorada, e isso demanda manter nossas defesas o máximo que puder. Porque, se houver uma turbulência e ela chegar aqui, o ideal é que estejamos com 11 na área para defender”, afirma.

Mesmo com a mais recente divulgação do IPCA-15 mostrando uma tendência de inflação mais contida, ela afirma que mantém a análise. “Continuamos com a visão de que deveria manter. A desancoragem das expectativas aumentou na margem, o cenário segue ruim”, afirma.

Leia também: Prévia da inflação encosta no teto da meta e pode favorecer novo corte de juros

Apesar de os juros estarem elevados há bastante tempo, comprimindo as margens das famílias e empresas, Victal destaca que a atividade não está recuando, haja vista os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, o que mostram uma economia bastante resiliente. “É uma economia que não mostra sinais de fraqueza e tem um impulso fiscal e parafiscal muito grande. Se a economia virar, a gente muda o debate dos juros, mas não é isso que estamos vendo, por enquanto”, diz.

Ela afirma que as expectativas mais longas do mercado para a inflação, como as de 2029 e 2030, trazem médias maiores, que ainda não se refletem nas medianas, mas apontam uma insegurança à frente. “Quando a gente faz uma análise estatística do que é divulgado no Boletim Focus, a gente vê uma panela de pressão para 2029, com expectativas que já começam a subir e, quando a  gente junta tudo isso, nos parece ser um cenário complexo para continuar o ciclo de calibração”, diz, apontando um sinal de que o mercado está questionando a credibilidade da trajetória de metas.

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Para embasar o argumento, a SulAmérica conduziu um estudo estatístico sobre o histórico do Boletim Focus e identificou que o Brasil vive um momento de forte desancoragem, comparável a picos registrados no início dos anos 2000, embora em menor magnitude do que em 2002 e 2003.

Nesse ambiente, a inflação futura torna-se altamente correlacionada à inflação corrente. “O que aconteceu com 2029 foi que o corpo [da distribuição do Focus] está se movendo, então você tem mais pessoas no meio da distribuição que estão indo para cima do consenso”, explica Victal. Esse cenário já afeta o curto prazo: eventos recentes forçaram a equipe a alterar o balanço de riscos do IPCA deste ano — projetado em 5,2% — de “baixista” para “neutro”. 

Desejo vs. realidade

Victal faz uma distinção clara entre o que chama de “desejo” da autoridade monetária e a “realidade” dos dados. Enquanto o Banco Central sinaliza uma preferência em continuar o ciclo de cortes, Victal argumenta que os indicadores de atividade resiliente e o risco fiscal demandam pausa.

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Para ela, a economia brasileira tem mostrado um desempenho robusto — com mercado de trabalho forte e PIB acima do potencial — o que dificulta o processo de desinflação.

A equipe da SulAmérica projetava a reaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre e mantém, há mais de sete meses, o mesmo cenário-base de crescimento para a economia. Essa firmeza da atividade é sustentada por um mercado de trabalho muito resiliente, que formou um “colchão” para o consumo das famílias, impulsionado também por fatores como isenções pontuais de Imposto de Renda e forte concessão de crédito livre pelos bancos. 

O alerta fiscal feito pela economista vai além dos ruídos de curto prazo e esbarra no risco demográfico do país. Victal critica decisões recentes do Congresso que, segundo ela, caminham na direção contrária ao ajuste necessário para uma população que envelhece rapidamente.

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Leia também: Expert XP: Ajuste fiscal será “no amor ou na porrada”, diz Walter Maciel

Ela cita a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que criou um novo regime especial de previdência — rompendo o esforço de unificação da última reforma — e as articulações políticas para ampliar o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). Na prática, essas medidas estimulam a fuga de contribuintes do regime de carteira assinada para modelos com menor carga tributária, reduzindo a arrecadação da Previdência Social no longo prazo e enrijecendo ainda mais o orçamento público. 

E, manter a inflação sob controle não é uma demanda só do mercado, segundo a economista. Indo além dos números técnicos, Victal ressalta trata-se, também, de uma política social, já que a inflação corrói o poder de compra da população, especialmente daqueles que não têm proteção financeira, como trabalhadores informais e beneficiários do Bolsa Família.

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Victal relembra o período de 2014 a 2016 para alertar que conduções “voluntaristas” da política econômica geram danos profundos, como recessão e aumento da pobreza, algo que o país deve evitar repetir ao manter a proteção frente a um mundo mais instável.

O quadro doméstico torna-se mais delicado quando exposto às incertezas externas. O cenário-base da SulAmérica prevê que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não subirá juros no segundo semestre, mas um revés nessa premissa seria punitivo.

Um dólar fortalecido em âmbito global faria o real sofrer acima da média devido à fragilidade fiscal brasileira, o que impulsionaria revisões de alta na inflação. “O ambiente internacional não necessariamente é o determinante, mas ele amplifica ou amortece os nossos problemas”, avalia Victal, reforçando a urgência de o Brasil manter suas “defesas altas”. 

Apesar de sua posição ter sido isolada inicialmente, Victal observa que a probabilidade de manutenção da taxa (pausa) começou a subir no mercado recentemente. Para ela, a “realidade se impõe” e o Banco Central não pode correr o risco de ser visto como um órgão que deseja cortar juros “a qualquer custo”, sob pena de perder ainda mais credibilidade perante os agentes econômicos.



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Pesquisador da USP é condenado a 12 anos por estupro e morte de estudante


A 14ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou, de forma unânime, um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) a 12 anos de prisão, em regime inicial fechado, por estupro de vulnerável que resultou na morte de uma estudante de graduação da instituição. A decisão alterou a sentença de primeira instância, que havia absolvido o réu por insuficiência de provas.

De acordo com os autos, o pesquisador, que integrava um programa de pós-graduação da USP, conheceu a estudante no refeitório da universidade e a convidou para sua residência no Conjunto Residencial da USP (Crusp). Segundo o processo, a vítima relatou a amigos que ingeriu uma bebida com gosto estranho, perdeu a consciência e acordou sem as roupas íntimas.

Nos dias seguintes, a estudante apresentou lesões na região genital, febre e sinais de infecção. O quadro evoluiu para septicemia, e ela morreu em decorrência das complicações.

Septicemia, também chamada de sepse, é uma resposta intensa do organismo a uma infecção causada por bactérias, vírus ou fungos. A condição pode comprometer o funcionamento de órgãos e, quando não tratada rapidamente, evoluir para um quadro grave, com risco de morte.

Ao votar pela condenação, a relatora do recurso, desembargadora Fátima Gomes, afirmou que o conjunto de provas demonstrou que os atos sexuais ocorreram quando a vítima estava em situação de vulnerabilidade.

Segundo a magistrada, embora a estudante não tenha prestado depoimento formal por ter morrido, ela relatou o ocorrido, ainda em vida, a diferentes pessoas, com versões consideradas convergentes e corroboradas por elementos técnicos produzidos durante a investigação.

“É relevante mencionar ainda que, o sentimento de vergonha, culpa ou receio de julgamento é circunstância frequente em delitos contra a dignidade sexual e, no caso, não compromete a credibilidade do relato da vítima, sobretudo porque ele foi reiterado a pessoas distintas e corroborado por elementos técnicos independentes”Desembargadora Fátima Gomes

A desembargadora também rejeitou a alegação da defesa de que teria havido consentimento para a relação sexual. No voto, destacou que aceitar um convite para ir ao alojamento estudantil ou demonstrar interesse inicial pelo acusado não significa consentimento para a prática de ato sexual em circunstâncias nas quais a vítima estava inconsciente ou incapaz de oferecer resistência.

Os desembargadores J. E. S. Bittencourt Rodrigues e Heitor Donizete de Oliveira acompanharam o voto da relatora.



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Agrogalaxy adia novamente divulgação de demonstrações financeiras

A distribuidora de insumos Agrogalaxy, em recuperação judicial desde 2024, informou nesta sexta-feira (31) o adiamento da divulgação de suas demonstrações financeiras referentes ao quarto trimestre de 2025 e ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. Os documentos, que estavam previstos para serem publicados nesta sexta (31), serão divulgados em 31 de agosto, segundo comunicado da companhia na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Segundo comunicado ao mercado, a companhia também adiou a divulgação do Formulário de Referência de 2025, que agora está prevista para 30 de setembro. A empresa informou que a alteração busca manter o alinhamento entre as demonstrações financeiras auditadas e os demais documentos periódicos obrigatórios.

Com a mudança no cronograma, a Agrogalaxy também revisou as datas de divulgação das informações financeiras de 2026. Os resultados do primeiro trimestre serão publicados em 30 de setembro, enquanto os do segundo trimestre estão previstos para 30 de outubro.

No comunicado, a companhia afirmou que o prazo adicional é necessário em razão das reestruturações internas em andamento. De acordo com a empresa, a postergação permitirá “assegurar a qualidade, a precisão e a conformidade das informações financeiras”, além do “atendimento aos requisitos técnicos aplicáveis”.

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PMI industrial da China cai para 49,2 em julho e indica contração da atividade


O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da China caiu de 50,3 em junho para 49,2 em julho, informou nesta sexta-feira, 31, o Escritório Nacional de Estatísticas do país (NBS). O resultado veio abaixo da expectativa dos analistas ouvidos pela FactSet, de queda para 50. O indicador abaixo de 50 indica contração da atividade.

Ainda segundo o NBS, o PMI não manufatureiro, que cobre tanto a atividade de serviços quanto a de construção, recuou de 50,2 para 49,0 no período, ante projeção de 50.

Já o PMI composto cedeu para 49,3 em julho, bem abaixo dos 50,6 registrados no mês anterior.

*Com informações da Dow Jones Newswires



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Ventania expõe falhas na resposta a extremos climáticos no Brasil antes do El Niño


Nos últimos dias, ventos acima de 100 quilômetros por hora (km/h) provocaram mortes e transtornos generalizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Para especialistas em clima e meio ambiente, o fenômeno expôs, mais uma vez, que as cidades brasileiras não estão preparadas para lidar com eventos climáticos extremos.

A preocupação é ainda maior com a previsão de que, ao longo do segundo semestre deste ano, o país sofra com impactos de intensidade moderada a muito forte por causa do fenômeno El Niño.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão inclui chuvas excessivas, secas severas e ondas de calor, a depender da região.

Para o professor de Ciências Ambientais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Pedro Torres, a gestão das cidades é apenas reativa diante dos fenômenos extremos e ignora riscos futuros.

O pesquisador também integra o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), principal órgão científico global da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Se entendemos que estamos vivendo uma emergência climática, as ações para a adaptação precisam também entrar nessa seara da emergência. Eventos extremos vão acontecer cada vez mais e com mais intensidade. Não se trata apenas de ter um melhor alerta. O desafio agora é construir cidades mais resilientes.”

Etapas

O porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus, diz que a gestão de riscos precisa considerar três etapas complementares para ser eficiente.

Não basta a previsão meteorológica e a emissão de alertas, se as cidades não tiverem estruturas adaptadas para lidar com o problema quando ele acontece.

“A maior atenção tem que ser dada em como a cidade está sendo pensada para proteger as pessoas. Eventos extremos serão o nosso normal a partir de agora”, diz Rodrigo.

“A gente precisa priorizar a prevenção e o pós-desastre justamente para, quando a emergência chegar, não ficar perdido tentando saber o que fazer”.

Alertas

No Rio de Janeiro, os alertas sobre ventos fortes foram emitidos pouco tempo antes do início do fenômeno na quarta-feira (29). O que levantou questionamentos sobre a eficácia do monitoramento meteorológico e da comunicação à população.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio), o Sistema Alerta Rio emitiu um aviso meteorológico às 14h15 com informações sobre a possibilidade de rajadas atingirem a cidade do Rio a partir da tarde.

“A partir do momento em que foram identificadas rajadas intensas de vento, os avisos foram emitidos via SMS e WhatsApp para todos os moradores cadastrados no Sistema de Avisos”, diz a nota do COR-Rio.

Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec-RJ), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu alerta às 15h30 sobre a possibilidade de rajadas de vento moderados ou fortes nas regiões Costa Verde, Sul Fluminense, Baixada Fluminense, Metropolitana, Baixadas Litorâneas e Norte Fluminense.

“Quarenta e quatro prefeituras têm autonomia para emitir as mensagens via SMS diretamente à população. Os demais [48] são cobertos pelos serviços da Sedec-RJ, que efetua o envio dos avisos dentro dos protocolos estabelecidos pelo Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil”, diz a nota da Sedec-RJ.

Segundo o especialista do Greenpeace, Rodrigo Jesus, a ventania que atingiu o Rio de Janeiro pode ser considerada um fenômeno de evolução rápida, que traz alguma margem de incerteza para a meteorologia.

Porém, a pergunta central não deve ser se a previsão acertou a velocidade exata do vento, mas sim se a cidade conseguiu responder rapidamente e proteger a população diante de um evento grave.

“A imprevisibilidade meteorológica não deve ser justificativa para que a gente não tenha uma cidade preparada. O limite não é da tecnologia, o limite é justamente da política pública e dos gestores públicos”, analisa Rodrigo.

Adaptação das cidades

Além das mortes, os transtornos da ventania no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul envolveram quedas de árvores, apagões de energia para milhares de pessoas e paralisação no transporte público.

Para o especialista do Greenpeace, estes problemas que poderiam ser evitados com um planejamento adequado. Entre as medidas apontadas estão o manejo preventivo da arborização urbana, a modernização da rede elétrica, a atualização dos mapas de risco, a revisão dos planos de adaptação climática e a incorporação do risco climático em projetos de infraestrutura.

“Todos os projetos aprovados pelas secretarias de obras deveriam passar por uma avaliação sobre como aquela intervenção contribui para proteger a população diante das mudanças climáticas”, defende Rodrigo.

Ele também entende que concessionárias privadas responsáveis por serviços públicos, como energia elétrica, precisam apresentar planos de gestão de risco.

“A prefeitura precisa ficar atenta aos contratos de concessão e verificar se a empresa privada está apresentando o plano de mitigação de manejo de risco diante dessas situações”, diz.

Para o professor Pedro Torres, uma das medidas que podem fortalecer a adaptação das cidades é a criação de abrigos climáticos.

“Seriam espaços para proteger as pessoas durante um evento extremo. Eles também podem funcionar como locais de cultura, debate e informação, onde a população aprende sobre os riscos climáticos e fortalece essa cultura do risco e da prevenção”, analisa.

Educação para o risco

Além da adaptação física das cidades, os especialistas defendem investimentos permanentes em educação ambiental e formação da população para situações de emergência.

Para o professor Pedro Torres, o Brasil ainda apresenta um déficit nesse tema. Segundo ele, esse processo depende de ações permanentes de educação e conscientização, envolvendo escolas, universidades, empresas e o poder público.

“Os próprios alertas muitas vezes não são levados a sério. Isso revela uma falta de cultura do risco que precisa ser trabalhada desde cedo”, diz o pesquisador.

Para Rodrigo Jesus, o Brasil deveria seguir o exemplo de países frequentemente atingidos por desastres naturais, como Japão e Filipinas, que incorporaram protocolos de emergência ao cotidiano da população por meio de campanhas permanentes, simulados e atividades nas escolas.

“A gente aprende desde cedo como agir em um incêndio ou em um acidente de trânsito. Mas poucas pessoas recebem orientação sobre como agir diante de uma ventania extrema, uma onda de calor ou uma inundação”, diz o especialista.



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