A norte-americana ADM encerrou o segundo trimestre com lucro operacional total de US$ 1,5 bilhão, aumento de 75% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O lucro antes de impostos somou US$ 1,08 bilhão, contra US$ 830 milhões registrados um ano antes.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro operacional total atingiu US$ 2,2 bilhões, crescimento de 40% na comparação anual.
Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pelo avanço das margens em diferentes operações, pelo ambiente favorável para os biocombustíveis e pelo crescimento dos negócios de nutrição, segundo o presidente do conselho e CEO da ADM, Juan Luciano, em nota.
O volume global de processamento de oleaginosas aumentou cerca de 5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Serviços agrícolas e oleaginosas
O segmento Serviços Agrícolas e Oleaginosas registrou lucro operacional de US$ 867 milhões no segundo trimestre, alta de 129% na comparação anual.
O resultado refletiu principalmente a expansão das margens nas áreas de serviços agrícolas e processamento de oleaginosas na América do Norte, apoiadas pelas obrigações de volume de combustíveis renováveis (RVO, na sigla em inglês) dos Estados Unidos e pelos preços elevados da energia.
A companhia informou ainda que o trimestre incluiu aproximadamente US$ 100 milhões em impactos líquidos positivos de marcação a mercado e efeitos de timing, principalmente na operação de processamento.
Na divisão de serviços agrícolas, o lucro operacional aumentou 159% em relação ao segundo trimestre de 2025. Entre os fatores apontados pela empresa estão o uso da rede global de ativos em um ambiente operacional mais complexo, a retomada das operações do terminal de exportação de grãos de Barcarena (PA) e o aumento das exportações brasileiras de soja, favorecidas por maiores vendas dos produtores.
No processamento de oleaginosas, o lucro operacional cresceu US$ 330 milhões na comparação anual. Segundo a empresa, além da melhora das margens, o segmento foi beneficiado pelo aumento de aproximadamente 5% no volume global processado, maior utilização dos ativos e demanda aquecida por farelo de soja. A ADM destacou que Brasil e Estados Unidos registraram volumes recordes de exportação de farelo no período.
Já a divisão de produtos refinados e outros apresentou queda de 3% no lucro operacional, em razão, principalmente, de impactos negativos de marcação a mercado e de timing. Os resultados da participação acionária da ADM na Wilmar recuaram cerca de 22% na comparação anual.
Soluções em carboidratos
O segmento de Soluções em Carboidratos registrou lucro operacional de US$ 411 milhões no segundo trimestre, avanço de 22% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o resultado alcançou US$ 767 milhões, alta de 33%.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelas margens mais elevadas do etanol na América do Norte, favorecidas pela demanda doméstica, pelas exportações e pelos incentivos de política pública.
Segundo a empresa, a combinação entre as obrigações de volume de combustíveis renováveis, os preços elevados da energia e a queda dos preços do milho nos Estados Unidos ampliou a competitividade do etanol em relação a outros componentes da mistura de combustíveis.
Na divisão de amidos e adoçantes, o lucro operacional aumentou 7%, apoiado pelas margens do etanol produzido por moagem úmida de milho, embora parte desse avanço tenha sido compensada pela redução dos volumes e das margens de adoçantes líquidos, principalmente na América do Norte.
A operação de processamento de milho por moagem seca registrou aumento de US$ 52 milhões no lucro operacional em relação ao segundo trimestre de 2025.
Nutrição
A divisão de Nutrição, que reúne os negócios de nutrição humana e animal, registrou lucro operacional de US$ 172 milhões no segundo trimestre, crescimento de 51% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, o segmento somou US$ 307 milhões, alta de 46%.
Na área de nutrição humana, o resultado foi impulsionado pelo crescimento do negócio de aromas e pelo avanço das operações da planta de Decatur East.
Já a nutrição animal registrou aumento de 50% no lucro operacional, apoiada por melhorias operacionais e pelos efeitos das mudanças no portfólio implementadas ao longo de 2025, segundo a ADM.
Projeções
Após os resultados do segundo trimestre, a ADM revisou para cima sua projeção de EPS (lucro por ação ajustado) para 2026. A companhia passou a estimar um intervalo entre US$ 5,15 e US$ 5,60, acima da previsão anterior, que variava entre US$ 4,15 e US$ 4,70.
Segundo a empresa, a revisão considera a expectativa de continuidade da melhora dos resultados nas operações de processamento de oleaginosas e de etanol, sustentada pelo ambiente favorável de margens após a definição das obrigações de volume de combustíveis renováveis para 2026 e 2027 nos Estados Unidos, além da continuidade da recuperação da divisão de Nutrição.
A ADM informou ainda que segue monitorando fatores macroeconômicos, geopolíticos, regulatórios e comerciais e manteve a previsão de capex (despesas de capital) entre US$ 1,3 bilhão e US$ 1,5 bilhão em 2026.