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Trigo mais caro pressiona moinhos e padarias; veja como fica preço do pão

Moinhos e padarias estão absorvendo parte do aumento dos custos do trigo em um momento de menor oferta doméstica e incerteza sobre a qualidade da próxima safra. Enquanto os moinhos tentam recompor margens sem perder mercado, as padarias seguram parte da alta da farinha para evitar um aumento maior dos preços ao consumidor. O movimento comprime as margens ao longo da cadeia e ocorre justamente na transição para uma nova safra de trigo. 

Segundo Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná) e CEO do Moinho Globo, os moinhos já repassaram, em média, entre 10% e 15% do aumento de custos, mas ainda existe a necessidade de novos reajustes. 

Os moinhos têm adotado medidas para preservar caixa e margem. Segundo Venturelli, algumas empresas estão reduzindo as metas de volume e moagem para evitar a comercialização de trigo sem margem em um período de incerteza quanto à reposição da matéria-prima.

“Diminui a tua meta de volume. Foca em ter algum tipo de margem de contribuição e ganho, porque não adianta você queimar o trigo só para vender”, afirmou.

Alguns moinhos relataram à reportagem que, ao tentarem repassar um aumento de 5% no preço do trigo, não encontraram compradores dispostos a aceitar o reajuste. Venturelli confirma o movimento.

“Esse repasse tinha que ter acontecido no primeiro semestre e, para algumas empresas, não aconteceu. E agora, que a água chegou no pescoço, está no desespero. Esse é o ano mais desafiador que já vi em 20 anos”, disse. 

A dificuldade para avançar com novos reajustes ocorre em paralelo a uma maior incerteza na compra da matéria-prima. A área plantada com trigo no Brasil vem diminuindo, enquanto o Rio Grande do Sul também preocupa em razão das condições climáticas em um ano de El Niño. Ao mesmo tempo, a qualidade do trigo argentino, principal origem do cereal importado pelo Brasil, é uma preocupação para a indústria.

Nesse cenário, produtores e cooperativas têm demonstrado resistência em fixar a produção antes de saber exatamente o que conseguirão entregar. Para os moinhos, a questão não é apenas o volume disponível, mas também as características do trigo, que determinam sua utilização na fabricação das diferentes farinhas. Segundo Venturelli, essa combinação deixa produtores, cooperativas e moinhos em uma posição de espera.

“Não é que a gente não queira, é que a gente não consegue fixar contratos. O produtor ou a cooperativa quer vender o volume, mas não quer fixar.  Eles não têm preço e também não têm como garantir a qualidade ainda. Em teores de proteína, a gente não sabe ainda o que vai vir”, afirmou. Para Venturelli, o setor só terá uma visão mais concreta da safra quando o trigo estiver colhido e armazenado.

A expectativa sobre a próxima safra também reduz a disposição para formar estoques maiores. Segundo Venturelli, muitas empresas têm trigo suficiente para atender à produção apenas até o fim de agosto ou setembro, o que deixa o setor com uma janela relativamente curta até a entrada de novos volumes.

“Você não está alongado em estoque, você depende de fatores que a gente não domina, não controla do mercado e necessita continuar na produção”, disse.

A incerteza é especialmente relevante para os moinhos porque a disponibilidade de trigo não significa, necessariamente, disponibilidade do cereal adequado a cada tipo de farinha. A indústria precisa definir a matéria-prima de acordo com o produto que será fabricado, principalmente em aplicações que exigem maior qualidade, como a panificação. 

E o pãozinho?

Na outra ponta da cadeia, as padarias também não conseguem repassar integralmente a alta da farinha. Segundo Alex Martins, presidente da Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), o aumento do trigo ocorrido no início do ano já provocou reajustes de até 15%, mas a capacidade de repasse é limitada pela sensibilidade do consumidor ao preço. 

Martins estima que o preço do trigo tenha subido entre 12% e 15% neste ano, bem acima dos aumentos mais próximos de 5% em períodos considerados normais, explicou. Para as padarias, a farinha representa entre 20% e 30% dos custos, dependendo do perfil de produtos vendidos.

Segundo ele, o pão francês seria o produto mais afetado, já que a farinha é responsável por cerca de 70% da receita, além da água e do fermento. Já produtos como pizzas, sanduíches, croissants e outros pães têm mais ingredientes e maior valor agregado.  

“O pão francês é um produto popular. Se for repassar tudo, a gente perde cliente. O cliente geralmente está trocando um produto mais caro por outro produto mais barato, e a gente tem visto uma evolução na venda do pão francês”, disse. 

Segundo Martins, a tendência é que o reajuste no preço do pão francês fique limitado a 4%, como forma de reduzir a resistência dos consumidores. Os demais produtos de padaria que utilizam farinha de trigo, considerados menos essenciais, devem concentrar uma parcela maior dos repasses. Isso ocorre porque o pão francês funciona como um dos principais atrativos das padarias, contribuindo para a venda de outros produtos. 

“Infelizmente, temos tido muitos aumentos no preço do trigo, que a padaria não consegue repassar integralmente. Essa margem já vem caindo há alguns anos dentro das padarias, e percebemos isso. A margem ficou tão pequena que, se não houver um trabalho muito correto de gestão e controle, hoje não é possível ter o mínimo de lucratividade dentro da padaria”, disse Martins. 

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Representante da empresa do helicóptero que caiu no Rio diz que eles tinham ‘todos os alvarás’


O advogado Bernardo Cortez, representante da empresa Voos Rio Panorâmico (VRP), responsável pelo voo do helicóptero que caiu na cidade fluminense neste sábado (8), afirmou que a aeronave estava com a manutenção em dia e que a empresa tinha todos os alvarás necessários para funcionar. Cortez disse ainda que o piloto era experiente e estava com todas as licenças em dia.

“O que nós podemos dizer é que a empresa tem todos os alvarás, a aeronave estava com a manutenção em dia, e somente saberemos o que ocorreu após a conclusão do relatório do Cenipa e sua disponibilização pela Aeronáutica”, disse o advogado.

Ainda não se sabe o que pode ter causado o acidente. A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento na 19ª DP (Tijuca). Foi realizada perícia no local, e os agentes aguardam o laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB)

Na tarde deste sábado, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, disse, em postagem no X, que solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) “que tome providências imediatas para intensificar a fiscalização e garantir a segurança nos voos de helicópteros que circulam com uma frequência cada vez maior na nossa cidade”. Ele acrescentou ter colocado todo o aparato da prefeitura à disposição do órgão para apoiar “com as medidas e ações que forem necessárias.”

A Anac foi procurada pela reportagem, mas ainda não houve resposta até a publicação desta matéria. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, a agência disse que está em contato com a prefeitura para uma ação conjunta de fiscalização desse tipo de voo.

O acidente deste sábado fez subir para 13 o número de vítimas em acidentes de helicóptero no Rio somente neste ano. Em janeiro, três homens morreram após a queda de um helicóptero em Guaratiba, bairro da zona oeste do Rio. Cinco meses depois, dois helicópteros colidiram no ar no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste da cidade. Foram seis mortos. Entre as vítimas, estavam o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspar Prim.



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Entre as vítimas do acidente de helicóptero no Rio, três eram turistas da Colômbia


Um acidente de helicóptero causou a morte de quatro pessoas neste sábado (8) no Rio de Janeiro, informaram os bombeiros. Segundo a imprensa, entre as vítimas estão três turistas da Colômbia.

O helicóptero caiu no Parque Nacional da Tijuca, uma área de floresta na encosta de uma montanha. Os bombeiros confirmaram que o piloto e três mulheres ficaram irreconhecíveis devido às queimaduras, e divulgaram imagens do helicóptero em chamas no coração da mata, em um terreno de difícil acesso.

Uma fonte da polícia informou à AFP que as vítimas ainda não foram identificadas oficialmente, mas vários veículos reportaram que as passageiras eram turistas da Colômbia. Segundo o portal de notícias G1, todas pertenciam à mesma família.

Uma colisão entre dois helicópteros no Rio causou em junho a morte de seis pessoas, entre elas o cantor americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspar Prim.

O prefeito Eduardo Cavaliere informou no X que solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil medidas imediatas para aumentar a fiscalização e garantir a segurança dos voos de helicóptero, cuja frequência cresce na cidade.



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AGU se reúne com Discord e cobra proteção de crianças na plataforma


A Advocacia-Geral da União (AGU) informou na sexta-feira (7) que se reuniu com representantes da rede social Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma.

O encontro foi agendado após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu no mês passado.

Durante a reunião, os representantes da AGU ressaltaram que a proteção de crianças e adolescentes é um dever legal que deve ser cumprido pelas empresas que operam as redes sociais e cobraram medidas concretas para prevenção de riscos, identificação de situações de vulnerabilidade e de proteção de menores de idade.

Segundo o órgão, os representantes do Discord manifestaram disposição para cumprir as exigências legais e corrigir as falhas identificadas.

A AGU avalia propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar o cumprimento das regras.

Em caso de descumprimento, o órgão estuda entrar com uma ação judicial contra a plataforma.

Assista à reportagem completa:



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