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Senadores pressionam Warsh a manter reuniões do Fed após rumor de mudanças


Senadores democratas instaram nesta terça-feira, 25, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, a manter o cronograma de longa data do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) de realizar pelo menos oito reuniões por ano.

Segundo Ruben Gallego, que liderou o grupo de sete parlamentares que endereçou uma carta a Warsh, o posicionamento veio após relato recente do New York Times de que o presidente está considerando reduzir a frequência das reuniões.

“Desde 1981, o FOMC realiza um mínimo de oito reuniões anuais programadas. Nessas reuniões, o Comitê analisa as condições econômicas e financeiras, define a postura adequada da política monetária e avalia os riscos aos seus objetivos estatutários de estabilidade de preços e pleno emprego”, escreveram os senadores.

“Essa cadência tem proporcionado uma estrutura previsível para a condução da política monetária há 45 anos. Uma redução no número de reuniões para definição de taxas representaria o maior corte programado na história moderna do Fed”, afirmaram.

“A função do Fed é acompanhar a economia em tempo real, e não reduzir a frequência de monitoramento na esperança de que tudo corra bem. Se o Fed continuar seguindo esse caminho cada vez mais opaco, estará colocando a economia em geral em risco”, concluíram os senadores.

No ano passado, o senador Gallego apresentou a lei bipartidária Fed Forward Act para formalizar em lei o cronograma de oito reuniões anuais e outras práticas de longa data de transparência e prestação de contas do Fed.



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Mulheres em situação de violência passam a ter teleatendimento psicológico pelo SUS


Mulheres em situação de violência e mães atípicas de todo o país passam a ter teleatendimento psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, serão disponibilizadas até 100 mil consultas por mês.

Além das mulheres com 18 anos ou mais que vivenciam situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral; a assistência por videochamada abrange aquelas com sobrecarga de cuidado não remunerado, por exemplo, de pessoas com deficiências (PCD), de familiares neurodivergentes ou com doenças raras.

O objetivo do atendimento psicológico remoto é oferecer um espaço seguro e sem julgamentos para compreender a situação vivida pelas pacientes e construir estratégias de proteção, cuidado e bem-estar.

O teleatendimento integra a ação Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres do Ministério da Saúde em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Acesso

O serviço gratuito pode ser acessado por meio do aplicativo “Acolhe Mais”, localizado na página inicial do Meu SUS Digital ou no site. É necessário fazer o login com a senha da plataforma Gov.br.

Não é necessário o encaminhamento prévio por outra unidade pública de saúde ou apresentar qualquer documento que comprove a situação de violência, vulnerabilidade ou a condição de cuidadora sem remuneração.

Primeiramente, a mulher interessada deve fazer o cadastro, com o preenchimento do formulário online e responder às perguntas do acolhimento digital.

Procedimento

Após o envio da solicitação teleatendimento psicológico, a equipe de profissionais fará a avaliação das informações e o retorno à paciente deverá ocorrer em até 24 horas.

Feito o agendamento, a usuária receberá a confirmação da consulta, orientações, lembretes e o link para a videochamada.
Os atendimentos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, no horário de Brasília. E aos sábados, das 8h às 14h.

Atendimento

As sessões de teleatendimento psicológico têm duração mínima de 50 minutos.

A jornada prevê acolhimento inicial e acompanhamento psicológico, com ciclos de até 10 sessões e possibilidade de renovação quando houver necessidade.

A proposta é que a mesma psicóloga acompanhe a usuária ao longo do processo, favorecendo a construção de vínculo.

Ajuda

Se houver risco imediato de violência ou violência consumada, a vítima ou pessoa que tenha conhecimento da situação deve ligar para o telefone de emergência da Polícia Militar de sua localidade, no número 190, ou no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), número 192.

A rede de proteção também conta com a Central de Atendimento à Mulher 180. O atendimento é gratuito e funciona por 24 horas, sete dias por semana, inclusive nos feriados.



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Açúcar recua 2,15% em Nova York com petróleo e importações da Índia

Os contratos futuros de açúcar negociados na bolsa de Nova York recuaram nesta terça-feira (25), com o vencimento para outubro com baixa de 2,15% e negociado a 17,27 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o TradingView, os preços ficaram pressionados pela correção do mercado após as máximas recentes, além da queda nas cotações do petróleo, que reduz a atratividade do açúcar para a produção de etanol.

Além disso, o mercado acompanha as perspectivas de importações menores pela Índia, o que também contribuiu para a queda nos preços futuros nesta sessão.

A consultoria indiana Greenleaf estima que o país poderá importar no máximo 500 mil toneladas de açúcar até 31 de outubro, metade do volume de 1 milhão de toneladas autorizado sem tarifas pela Direção-Geral de Comércio Exterior.

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta produção de 705,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, alta de 4,7% em relação ao ciclo anterior.

Apesar do aumento da oferta de cana, a produção de açúcar deve recuar 2,9%, para 42,89 milhões de toneladas. Já a produção de etanol a partir da cana deve crescer 9,7%, alcançando 29,98 bilhões de litros.

O mercado também segue acompanhando a possibilidade de um El Niño de forte intensidade pode afetar a produção nas principais regiões produtoras de açúcar e limitar a oferta global.

Café

As cotações do café arábica encerraram o pregão em baixa na Bolsa de Nova York, mas permaneceram próximas dos maiores níveis recentes. O vencimento para dezembro recuou 1,80% e fechou cotado a US$ 3,35 por libra-peso.

Ao longo da sessão, os contratos chegaram a ser negociados próximos de US$ 3,40 por libra-peso, em um cenário de sustentação dos preços diante dos estoques reduzidos e das preocupações persistentes com a oferta global.

De acordo com as informações do Tranding View, os estoques de café arábica certificados pela ICE continuam em queda e se aproximam do menor nível em 26 anos.

No Brasil, a expectativa é de uma colheita recorde, de aproximadamente 75 milhões de sacas. Apesar do potencial produtivo, o ritmo dos trabalhos no campo está mais lento do que no mesmo período do ano passado.

“As condições climáticas mais secas, por outro lado, têm permitido aos produtores acelerar a colheita. A qualidade de parte da nova safra de arábica, porém, segue como ponto de atenção”, conforme destacou o Tranding View.

O mercado também acompanha a safra na Colômbia, em que a produção deve recuar para 12,5 milhões de sacas em 2026, ante 13,7 milhões de sacas no ano anterior. A queda é atribuída, em parte, aos impactos do fenômeno El Niño sobre as lavouras.

Cacau

Os sinais de uma oferta global mais confortável pressionaram as cotações do cacau nesta sessão na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em dezembro recuou 1,95% e encerrou a sessão negociado a US$ 5.829 por tonelada.

Segundo a Barchart, os preços atingiram o menor nível em uma semana durante o pregão, diante de indicações de aumento da disponibilidade da commodity no mercado internacional.

Um dos fatores que contribuíram para a pressão sobre as cotações foi o avanço das exportações de cacau em grão da Nigéria. Dados divulgados pela Bloomberg apontam que os embarques do país somaram 16.052 toneladas em julho, alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A Nigéria é o quinto maior produtor mundial de cacau, e o aumento das exportações reforça a percepção de uma oferta global mais elevada, contribuindo para a queda dos preços em Nova York.

Algodão

No mercado de algodão, as cotações encerraram o dia em baixa na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,55% e fechou a 88,34 centavos de dólar por libra-peso.

De acordo com o Barchart, o mercado acompanha a evolução das lavouras americanas, especialmente diante da piora nas condições em importantes regiões produtoras.

Os dados semanais do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre o andamento da safra americana mostraram que 81% das lavouras de algodão estavam em fase de formação de cápsulas até domingo. Outros 20% já apresentavam cápsulas abertas.

Apesar do avanço do desenvolvimento das plantas, a avaliação das condições da safra piorou. O percentual classificado entre bom e excelente caiu para 37%, uma redução de um ponto percentual em relação à semana anterior.

Suco de Laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em novembro finalizou com desvalorização de 2,08% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,55 por libra-peso.

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Governo deve prorrogar subsídio de R$ 0,44 na gasolina até 9 de setembro


O governo federal deve prorrogar até o dia 9 de setembro a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina, que venceria nesta semana, informaram duas fontes com conhecimento do assunto nesta terça-feira (25).

O prazo extra de poucos dias se deve à vigência da medida provisória que tem a base legal para a concessão do subsídio, que vencerá no dia 9 de setembro e ainda não foi apreciada pelo Congresso Nacional.

A informação foi inicialmente publicada pelo Valor Econômico e confirmada à Reuters pelas duas fontes da área econômica. Procurado, o Ministério da Fazenda informou que não vai comentar.

A última prorrogação do benefício, criado como forma de amortecer o choque do preço do petróleo diante da guerra no Oriente Médio, havia sido feita no mês passado, quando o governo estendeu a subvenção por 30 dias a partir de 26 de julho.

O custo mensal da subvenção à gasolina é estimado pelo governo em R$ 1,3 bilhão. A equipe econômica tem argumentado, porém, que a medida é neutra para as contas públicas, já que altas na cotação do petróleo geram ganhos para o governo com royalties, tributos pagos por empresas do setor e imposto de exportação do produto.

Membros da equipe econômica têm afirmado que pretendem encerrar os subsídios a combustíveis quando houver um arrefecimento do conflito no Oriente Médio, mas ainda não há sinais desse movimento. Uma subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel também segue em vigor.



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Quem é o desembargador que mostrou saldo de R$ 96 ao defender salário de juízes


O desembargador Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), publicou desabafo em seu perfil no Instagram sobre o pagamento de juízes. Na postagem, ele compartilhou um extrato bancário que mostrava saldo de R$ 96,10 em sua conta. Depois da repercussão, o texto intitulado “O custo da coragem e o saldo do fim do mês” foi apagado.

Na publicação, Alburquerque defendeu a remuneração da magistratura, criticou a cobertura da imprensa sobre os salários do Judiciário e disse desconhecer os chamados “penduricalhos”.

Segundo dados do próprio TJAL, o desembargador recebeu, em março deste ano, valor líquido de R$ 126.535,87. De janeiro a julho, o recebimento total somou R$ 546.423,19.

Em abril de 2024, Albuquerque foi empossado como desembargador do TJAL. Ele assumiu o assento deixado por José Carlos Malta Marques, que se aposentou no início do mesmo ano.

Antes, Albuquerque era Procurador-Geral de Justiça. Foi escolhido para o cargo, em abril de 2020, pelo ex-governador de Alagoas e senador, Renan Filho (MDB-AL).

Formado em direito em 1982, ingressou no Ministério Público cinco anos depois, onde atuou como promotor, procurador e subprocurador. Também foi corregedor de Justiça em 2013.



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Soja fecha em alta de 1,10% em Chicago com piora na safra dos EUA

A soja fechou em alta nesta terça-feira (25) na bolsa de Chicago, impulsionada pela piora nas condições das lavouras dos Estados Unidos e pela expectativa de novas compras chinesas do produto americano. O contrato para entrega em novembro avançou 1,10% e encerrou o pregão cotado a US$ 12,37 por bushel.

Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o percentual da safra classificado entre boa e excelente caiu de 61% para 60% na última semana. O resultado ficou abaixo dos 61% esperados pelo mercado e também dos 69% registrados no mesmo período do ano passado.

Entre os principais estados produtores, Illinois manteve 59% da lavoura em condições boas ou excelentes, mesmo percentual da semana anterior e acima dos 58% registrados há um ano. Em Iowa, o índice caiu de 78% para 77%, enquanto no mesmo período de 2025 estava em 79%.

O USDA informou ainda que 91% da safra de soja já havia formado vagens. O processo de perda de folhas alcançou 6% das lavouras, acima dos 4% registrados no ano passado e da média histórica de 4%.

A deterioração das condições das lavouras renovou as expectativas dos operadores sobre a possibilidade de novas compras chinesas de soja americana. O movimento ocorre menos de um mês antes da visita do presidente chinês Xi Jinping ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentando a atenção do mercado para possíveis avanços nas relações comerciais entre os dois países.

Além disso, o USDA confirmou nesta terça-feira uma nova venda de 132 mil toneladas de soja americana da safra 2026/27 para destinos ainda não divulgados. A operação também contribuiu para dar suporte às cotações em Chicago.

Milho

O preço do milho futuro acumulou a quinta sessão consecutiva de alta e alcançou o maior patamar em 20 meses. O movimento ganhou força após o USDA apontar uma nova piora nas condições das lavouras norte-americanas em seu relatório semanal divulgado nesta segunda-feira (24).

O vencimento para dezembro registrou avanço de 1,55% e terminou o dia negociado a US$ 5,23 por bushel.

Além disso, o mercado segue repercutindo a estimativa da ProFarmer, divulgada na sexta-feira (21), que projeta uma produção de milho nos Estados Unidos de 389,75 milhões de toneladas na safra 2026/27. O volume é 4,18% inferior à previsão oficial do USDA, de 406,75 milhões de toneladas.

No relatório mais recente, o USDA reduziu de 60% para 57% a parcela da safra de milho classificada como boa ou excelente. O índice ficou abaixo dos 71% registrados no mesmo período do ano passado e também da expectativa de 59% dos analistas.

Entre os principais estados produtores, Iowa manteve 78% da lavoura nas categorias boa ou excelente, enquanto Illinois registrou 58%. Na semana anterior, os índices eram de 78% e 59%, respectivamente. Um ano atrás, as proporções chegavam a 84% em Iowa e 61% em Illinois.

O relatório também mostrou avanço no desenvolvimento das lavouras. Cerca de 86% do milho já estava no estágio leitoso, enquanto 45% havia atingido a fase de formação de grãos e 6% estava maduro. Na semana anterior, apenas 4% da safra estava madura. No mesmo período do ano passado e considerando a média histórica, o índice era de 6%.

Trigo

O contrato do trigo para entrega em dezembro subiu 0,54% na Bolsa de Chicago e terminou o pregão cotado a US$ 7,03 por bushel.

Depois de registrar forte queda durante as negociações noturnas, a Granar apontou que o trigo recuperou terreno e fechou em alta nas bolsas americanas. O movimento ocorreu após o mercado reduzir o impacto inicial da suspensão dos impostos de exportação anunciada pela Rússia.

A realização de lucros e o movimento especulativo provocado pela notícia deram lugar à retomada das compras ao longo da sessão. O desempenho positivo do milho também contribuiu para sustentar os preços do trigo, já que uma possível redução na disponibilidade de grãos para alimentação animal pode aumentar a demanda pelo cereal nesse segmento.

A consultoria Granar também apontou que outro fator de suporte foi a incerteza em torno do comércio de grãos na região do Mar Negro. Os embarques seguem sob pressão em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, com ataques de drones e mísseis atingindo estruturas ligadas à logística de exportação e aumentando os riscos para o fluxo de mercadorias na região.

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Governo soltará decreto zerando IPI, diz ministro da Fazenda


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira, 25, que o governo vai soltar um decreto zerando o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Eu ouvi falar que a indústria paga muito tributo. Nós vamos soltar um decreto zerando o IPI do País. A indústria não vai acumular crédito como hoje acumula. O tributo vem por fora, vai ficar disponível para todo consumidor saber o quanto está pagando de tributo, como imposto sobre valor agregado, como acontece nas boas economias do mundo”, disse o ministro.

Durigan disse que muita gente fala contra a reforma tributária, mas que ela foi a “melhor resposta que o País deu” a um sistema tributário que é historicamente ruim.

Ponderou, na sequência, que o Ministério da Fazenda enviou um texto com menos exceções do que o que foi aprovado pelo Congresso. “Sempre o nosso esforço foi esse, aprovar uma reforma tributária de maneira que a gente amplie a barra de arrecadação, acabando com sonegação, acabando com privilégio, de modo que a gente tenha uma alíquota na reforma tributária para todo mundo. Essa é a primeira grande resposta para a produtividade.”

As declarações foram realizadas em evento organizado pela revista Exame e o Movimento Brasil Competitivo (MBC) em São Paulo, com coordenadores de campanha dos candidatos à Presidência da República.



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O que é a febre do Nilo Ocidental? Especialistas tiram as principais dúvidas


O Estado de São Paulo confirmou os dois primeiros casos humanos de febre do Nilo Ocidental de sua história. As pacientes são uma moradora de Ribeirão Preto e outra de São José do Rio Preto. Em Santa Catarina, outros dois casos foram confirmados, envolvendo moradores de Imbituba e Caçador. Um dos casos catarinenses evoluiu para morte.

Apesar de ainda ser pouco conhecida no Brasil, a infecção não é nova. O nome vem do vírus que causa a doença, identificado pela primeira vez em 1937 no sangue de uma mulher com febre na província de Nilo Ocidental, em Uganda.

No Brasil, o primeiro caso foi registrado em 2014, no Piauí. O Estado também foi o primeiro do país a notificar um óbito pela doença, em 2017.

A seguir, entenda como ocorre a transmissão da doença, quais são os principais sintomas, os riscos de complicações e as formas de diagnóstico, tratamento e prevenção.

O que é a febre do Nilo Ocidental?

A febre do Nilo Ocidental é uma doença causada pelo vírus do Nilo Ocidental. Assim como dengue, chikungunya e febre amarela, é uma arbovirose transmitida por insetos vetores.

“É considerada uma zoonose, pois afeta também outros animais, como aves e equinos”, explica Camila Romano, bióloga e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP).

Como ocorre a transmissão?

A principal forma de transmissão é pela picada de mosquitos infectados do gênero Culex, que costumam circular principalmente no início da manhã ou da noite.

O vírus circula principalmente entre aves e mosquitos. Ao picar uma ave infectada, o mosquito pode adquirir o vírus e transmiti-lo posteriormente para pessoas ou outros animais.

Seres humanos e cavalos, no entanto, não costumam manter esse ciclo de transmissão, porque apresentam uma quantidade baixa do vírus no sangue. “Diferentemente do que acontece em algumas outras arboviroses, como dengue, chikungunya e zika, os seres humanos não são a principal fonte do vírus para os mosquitos”, afirma Camila.

A doença passa de uma pessoa para outra?

Não há transmissão de pessoa para pessoa pelo contato cotidiano, como toque, tosse ou convívio próximo. A principal forma de infecção é a picada do mosquito infectado.

Segundo Victor Bertollo Gomes, médico infectologista e membro do comitê de arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), existem situações raras em que a transmissão pode ocorrer por outras vias, como transfusão de sangue, transplante de órgãos e da mãe para o feto durante a gravidez. Há ainda a possibilidade de transmissão pelo aleitamento materno.

Principais sintomas

Cerca de 80% das pessoas infectadas são assintomáticas. Entre as que apresentam sintomas, a maioria desenvolve um quadro leve, semelhante ao de uma virose comum.

Os primeiros sintomas costumam surgir entre dois e seis dias após a picada do mosquito infectado, mas esse intervalo pode chegar a 14 dias. Em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, o período pode ser ainda maior.

Segundo o infectologista, os principais sintomas são:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares e nas articulações;
  • náusea e vômito;
  • diarreia;
  • cansaço;
  • ínguas;
  • manchas na pele.

Menos de 1% dos infectados, aproximadamente uma em cada 150 pessoas, pode desenvolver complicações neurológicas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.

Quando a doença pode se tornar grave?

Os quadros mais graves ocorrem quando o vírus atinge o sistema nervoso central. Gomes explica que alguns sinais de alerta são febre alta, rigidez na nuca, dor de cabeça intensa, confusão mental, desorientação, sonolência excessiva, tremores e convulsões.

Também podem ocorrer fraqueza muscular, perda de visão, dormência e paralisia. Esses sintomas podem indicar meningite, uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula, ou encefalite, inflamação do próprio cérebro. “Qualquer um desses sinais exige atendimento médico imediato”, alerta o médico.

O risco de desenvolver essas complicações aumenta com a idade, principalmente após os 70 anos. Pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e doença renal também são mais vulneráveis, assim como aquelas com o sistema imunológico comprometido.

Desafios no diagnóstico

A febre do Nilo Ocidental pode ser confundida com outras arboviroses porque provoca sintomas semelhantes, como febre, dor de cabeça, dores no corpo e manchas na pele. Por isso, a confirmação da infecção depende de exames laboratoriais.

Segundo Camila, uma das formas de diagnóstico é a sorologia, que procura anticorpos contra o vírus e pode ser realizada a partir do quinto dia de sintomas. Outra possibilidade é o PCR, indicado principalmente nos primeiros dias da infecção.

O diagnóstico, porém, pode enfrentar algumas dificuldades. Gomes afirma que os testes sorológicos podem apresentar reação cruzada com vírus da mesma família, incluindo dengue, zika e febre amarela, dificultando a confirmação. Nesses casos, podem ser necessários exames mais específicos.

Já o RT-PCR, que pode identificar o material genético do vírus no sangue ou no líquor, líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, não está amplamente disponível.

Existe tratamento?

Não existe um antiviral específico aprovado para combater o vírus do Nilo Ocidental. O tratamento depende da gravidade do quadro.

Nos casos leves, Gomes afirma que são adotadas medidas para aliviar os sintomas, como repouso, hidratação e uso de analgésicos, antitérmicos e alguns anti-inflamatórios.

Nos casos graves, especialmente quando há comprometimento neurológico, pode ser necessária internação hospitalar. O atendimento pode envolver hidratação intravenosa, controle da dor, suporte respiratório e cuidados intensivos, conforme a necessidade do paciente.

Ainda não há vacina para humanos

Não existe uma vacina contra a febre do Nilo Ocidental aprovada para seres humanos. As vacinas disponíveis são de uso veterinário.

Por isso, a prevenção da doença depende principalmente de medidas para diminuir a exposição aos mosquitos.

Prevenção

Segundo Gomes, a prevenção envolve tanto medidas individuais quanto ações de controle dos mosquitos. Entre os principais cuidados estão:

  • eliminar recipientes com água parada que possam funcionar como criadouros;
  • usar repelentes;
  • utilizar roupas compridas nos horários de maior atividade dos mosquitos;
  • instalar telas em portas e janelas;
  • utilizar mosquiteiros;
  • não despejar lixo em valas, córregos, rios e riachos;
  • evitar manusear animais mortos.

O infectologista destaca ainda a importância de medidas públicas, como controle de criadouros, manejo ambiental, melhoria do saneamento básico e, em situações de surto, eventual controle químico dos mosquitos.

Há risco de aumento de casos no Brasil?

A identificação de casos em diferentes estados chama a atenção, mas ainda não é possível afirmar que houve um aumento da circulação do vírus. Para Gomes, os novos registros podem estar relacionados tanto a uma circulação mais intensa quanto ao aumento da suspeita e da realização de exames.

O infectologista ressalta que a febre do Nilo Ocidental ainda é uma doença rara no Brasil e apresenta baixo risco para a população em geral.



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Profert ajuda, mas setor de fertilizantes cobra crédito e apoio à indústria

O anúncio de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar nos próximos dias o Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes) foi recebido como um avanço pela indústria, mas executivos do setor afirmam que a medida precisará ser acompanhada de ações de curto prazo para enfrentar a crise de crédito e viabilizar investimentos na produção nacional.

As afirmações foram feitas nesta terça-feira (25), durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, da ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos), em São Paulo.

O country manager da Mosaic Brasil, Eduardo Monteiro, afirmou que o Profert cria uma perspectiva positiva para a indústria no médio e longo prazo, mas disse que a cadeia enfrenta dificuldades imediatas de financiamento.“Tendo o Profert, ótimo, vai nos ajudar no médio e longo prazo, mas a agricultura e o setor precisam de remédio e incentivo agora”, disse.

O Profert, anunciado por Geraldo Alckmin durante o congresso e já aprovado pelo Congresso Nacional, prevê mecanismos para estimular a indústria nacional de fertilizantes, incluindo metas graduais de mistura de produto nacional e linhas de financiamento para modernização, expansão e reativação de fábricas. A expectativa do governo é que a sanção presidencial ocorra nos próximos dias.

Segundo Monteiro, a principal demanda é a liberação urgente de crédito para produtores e empresas do setor. “O setor enfrenta a maior crise de crédito em 20 anos. A retração do crédito leva o Brasil a produzir menos, gerando menos riqueza e menos divisas.”

Ele também defendeu apoio para a aquisição de enxofre, insumo utilizado na produção de fertilizantes, e afirmou que o fechamento de unidades industriais no país preocupa a cadeia.

Ao comentar o papel do governo, Monteiro afirmou que o setor já enfrenta aumento de custos decorrente de mudanças tributárias. “Só não atrapalhar, já ajuda”, disse.

Produção nacional e risco

No mesmo painel, o presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, defendeu que ampliar a produção doméstica depende de um ambiente que permita novos investimentos.

Segundo Altieri, produzir fertilizantes no Brasil significa competir com mercados que possuem custos de produção menores. Por isso, afirmou que o país precisa avançar em marcos regulatórios e incentivos para tornar esses investimentos economicamente viáveis.

Altieri disse que a indústria de fertilizantes se tornou mais resiliente após reorganizar suas cadeias de suprimento nos últimos anos em resposta às crises geopolíticas, como a guerra da Rússia e Ucrânia. “Na Yara tivemos que mudar totalmente nossa cadeia para seguir operando”, disse.

Segundo ele, conflitos internacionais passaram a fazer parte da estrutura de custos de agricultores, empresas e consumidores, levando o setor a diversificar fornecedores, fortalecer o planejamento logístico e ampliar a gestão de riscos.

Dependência externa continuará, dizem executivos

Os dois executivos defenderam reduzir a vulnerabilidade do Brasil às oscilações externas, mas afirmaram que isso não significa buscar independência total da produção internacional.

Monteiro disse que segurança de suprimento não implica produzir todos os fertilizantes dentro do país e avaliou que os bioinsumos podem contribuir para diminuir parte da dependência externa e da exposição geopolítica.

Já Altieri afirmou que nenhuma potência agrícola é autossuficiente em fertilizantes. “É inimaginável pensar em eliminar as dependências internacionais, mas podemos tentar reduzir a exposição aos riscos”, disse.

“Nenhuma potência agrícola é 100% independente e com o Brasil não vai ser diferente. Mas precisamos reduzir a dependência de alguns segmentos”, acrescentou.

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Warsh encara prova de fogo após ruído que abalou mercados


O primeiro grande discurso de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve (Fed) transformou-se em um teste inesperado para seu novo estilo de comunicação, mais enxuto e menos explícito.

O desafio de Warsh é responder às críticas de que não tem sido suficientemente transparente sobre sua visão da economia sem abrir mão de sua determinação de evitar sinalizações detalhadas ao mercado sobre os próximos passos da política monetária.

O simpósio anual do Fed em Jackson Hole, no estado de Wyoming, onde Warsh discursará na sexta-feira, oferece a oportunidade de encontrar esse equilíbrio.

A pressão vinda de Wall Street aumentou após uma entrevista coletiva considerada confusa no mês passado, que desencadeou uma forte reação negativa no mercado de títulos. Desde então, analistas e economistas vêm criticando o dirigente por, na visão deles, levar longe demais a tentativa de reduzir a comunicação do banco central.

A situação ficou ainda mais delicada na semana passada, quando o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou inesperadamente um programa de recompra de dívida pública para tentar reduzir os rendimentos dos títulos de longo prazo.

“Claramente, Warsh quer dizer menos, não mais”, afirmou Anwiti Bahuguna, copresidente de investimentos da Northern Trust Asset Management. “Mas alguma transparência e explicações sobre por que você está onde está e o que está vendo na economia hoje são demandas razoáveis do mercado.”

Isso não significa que o novo presidente do Fed deva pedir desculpas.

Defensores de Warsh argumentam que a reação dos mercados à coletiva de julho foi exagerada. As expectativas de inflação, que deveriam subir caso a confiança no Fed fosse abalada, permaneceram relativamente estáveis e compatíveis com a meta de 2% da instituição.

Além disso, eles apontam que os juros dos títulos vêm sendo impulsionados por fatores como o aumento do endividamento do governo e das empresas, e não apenas pela comunicação do banco central.

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Segundo Randall Kroszner, ex-diretor do Fed e professor da Universidade de Chicago, Warsh está apenas iniciando uma reformulação na forma como o banco central se comunica.

“Os mercados às vezes erram. Eu estava no Fed quando os mercados erraram diversas vezes”, disse. “Sempre há um período de adaptação quando surge uma nova abordagem.”

Outros dirigentes do Fed também rejeitaram as críticas de que a credibilidade da instituição teria sido prejudicada.

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A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, afirmou em entrevista à Bloomberg Television que não vê riscos à confiança na autoridade monetária.

Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, declarou nesta terça-feira que apoia a manutenção dos juros nos níveis atuais, desde que haja progresso adicional no combate à inflação rumo à meta de 2%.

Após assumir o comando do Fed em maio, Warsh ganhou elogios ao enfatizar repetidamente seu compromisso com a meta de inflação de 2%.

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Durante um depoimento ao Congresso em julho, ele afirmou que o banco central não teria tolerância com a inflação, o que ajudou a reduzir temores de que, por ter sido indicado por Donald Trump, resistiria a elevar juros se necessário.

Seu primeiro grande tropeço ocorreu após a reunião de política monetária de julho.

Embora a decisão de manter os juros inalterados já fosse amplamente esperada, a entrevista coletiva posterior desagradou o mercado.

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Observadores apontam três problemas principais:

  • Falta de explicação clara para a manutenção dos juros;
  • Recusa em tratar futuras altas de juros como uma possibilidade explícita;
  • Comentário considerado ambíguo sobre a meta de inflação de 2%, levando alguns investidores a especular sobre uma possível revisão dessa meta em janeiro.

O resultado foi a pior venda de títulos do Tesouro americano em anos. Após a entrevista, o rendimento dos Treasuries de 30 anos atingiu o maior nível desde 2007.

“Warsh não conseguiu, ou não quis, explicar nem mesmo a decisão de não agir em julho, mesmo quando questionado diretamente”, afirmou Robert Tetlow, ex-conselheiro do Fed. “Era algo que ele poderia ter feito facilmente sem cair em orientação futura de política monetária.”

A pressão sobre os títulos americanos não pode ser atribuída apenas ao Fed.

Investidores também estão preocupados com o crescimento da dívida pública dos EUA, enquanto empresas de tecnologia elevam a demanda por capital para financiar investimentos em inteligência artificial.

Além disso, o aumento dos rendimentos de títulos soberanos na Europa e no Japão mostra que as preocupações vão além da economia americana.

“Há uma combinação de fatores contribuindo para juros mais altos nos títulos de longo prazo”, afirmou Adam Schickling, economista da Vanguard.

Outro ponto de atenção é o plano de Bessent para recomprar títulos de longo prazo. Caso seja financiado por emissões maiores de papéis de curto prazo, a iniciativa pode interferir em uma área tradicionalmente associada à atuação do Fed.

Dados divulgados desde a reunião de julho indicam uma desaceleração da atividade econômica, o que pode reduzir a necessidade de novas altas de juros.

As vendas no varejo registraram em julho a maior queda em mais de um ano, enquanto a inflação subjacente permaneceu contida.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho mostrou sinais de enfraquecimento: houve cortes inesperados de vagas e revisões para baixo nos números de contratação dos meses anteriores.

Mesmo assim, muitos analistas acreditam que Warsh precisará responder às críticas em Jackson Hole.

Para Ellen Meade, professora da Universidade Duke e ex-assessora do Fed, o presidente da instituição terá de encontrar um equilíbrio entre reduzir a orientação futura ao mercado e preservar a transparência.

“Warsh não está facilitando sua própria vida”, afirmou. “Ele acabou se colocando em uma situação bastante difícil.”

© 2026 Bloomberg L.P.



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