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Senado aprova regras para regularização ambiental de propriedades rurais

O Senado aprovou nesta quarta-feira (2) o Projeto de Lei 6.531/2025, que estabelece procedimentos e prazos para a regularização ambiental de propriedades rurais.

O texto determina que os órgãos ambientais tenham até 60 dias para analisar pedidos apresentados por responsáveis por áreas embargadas e segue agora para avaliação da Câmara dos Deputados.

De autoria do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto altera a Lei de Crimes Ambientais e cria regras específicas para propriedades que sofreram embargo por descumprimento das normas de proteção da vegetação previstas no Código Florestal.

Pela proposta, o responsável pela área poderá apresentar pedido de adequação ao órgão ambiental e celebrar um termo de compromisso para interromper a irregularidade, reparar eventuais danos e cumprir as medidas necessárias para que o imóvel volte à regularidade ambiental.

O principal objetivo é estabelecer um prazo para a análise dos processos. Segundo senador, produtores podem permanecer por anos com propriedades embargadas enquanto aguardam uma manifestação do órgão ambiental.

“Hoje, o órgão aplica o embargo e, muitas vezes, esse processo fica na gaveta por três, quatro, cinco anos. Essa pessoa fica totalmente impossibilitada de fazer qualquer coisa. O que o projeto faz é dar ao órgão 60 dias para dar uma resposta ao produtor”, afirmou.

O senador disse que a medida deve atingir principalmente pequenos produtores e agricultores familiares, que podem ter a atividade econômica comprometida durante o período em que a propriedade permanece sob embargo.

De acordo com a nota da FPA (Frente Parlamentar do Agronegócio), a proposta também estabelece regras para os efeitos econômicos do embargo, incluindo restrições de acesso ao crédito rural. Pelo texto, esses efeitos poderão ser suspensos enquanto estiver em andamento o processo de regularização, conforme as condições previstas no projeto.

Antes de ser levado ao plenário, o projeto foi aprovado por unanimidade pela CRA (Comissão de Agricultura e Reforma Agrária). O relator, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), apresentou parecer favorável acompanhado de cinco emendas, aprovadas pelo colegiado.

Segundo Marinho, as alterações buscaram delimitar a aplicação das novas regras e adequar o procedimento aos instrumentos já previstos no Código Florestal. O texto mantém a obrigação de reparação dos danos ambientais e o cumprimento das exigências para a regularização da propriedade.

Outro ponto destacado durante a votação foi a possibilidade de o embargo atingir uma área maior do que o local onde ocorreu a infração.

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO), 2º vice-presidente da FPA no Senado, afirmou que esse problema afeta principalmente produtores da Amazônia e citou situações em que uma infração cometida em uma pequena parcela do imóvel resulta no embargo de toda a propriedade.

“Às vezes, o produtor tem 20 ou 25 hectares e cometeu uma infração em um hectare ou meio hectare. Em vez de ficar embargado só o polígono onde ocorreu a infração, fica toda a área embargada”, afirmou.

Com a aprovação pelo Senado, o projeto será analisado agora pela Câmara dos Deputados. Se for aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial. Caso os deputados modifiquem o texto, a proposta retornará ao Senado.

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Entidades lançam programa para armazenamento de combustíveis no campo

Quatro entidades do setor de biocombustíveis e do agronegócio lançam nesta quinta-feira (3), durante a Expointer, no Rio Grande do Sul, uma iniciativa para orientar produtores sobre o armazenamento e o manuseio de combustíveis nas propriedades rurais.

A iniciativa reúne a Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil), a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), por meio da Aliança Biodiesel, o Senar-RS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul) e o SULPETRO (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul).

A proposta é levar informação técnica aos produtores para reduzir problemas relacionados à conservação dos combustíveis armazenados no campo. Entre as ações previstas estão capacitação de multiplicadores, participação em eventos técnicos, disponibilização de especialistas e produção de materiais educativos.

Entre os principais pontos de atenção estão a limpeza e conservação dos tanques, a presença de água e impurezas e as condições e o período de armazenamento. Esses fatores podem comprometer a qualidade do combustível antes mesmo de ele ser utilizado em tratores, colheitadeiras e outros equipamentos.

No caso do diesel B, que possui biodiesel na composição, os cuidados com o armazenamento ganham importância. A presença de água e contaminantes pode favorecer problemas como crescimento microbiológico, corrosão, formação de depósitos e obstrução de filtros.

Para o presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen, a expansão dos biocombustíveis aumenta a necessidade de disseminar informações sobre os cuidados com os produtos ao longo de toda a cadeia.

“Com a ampliação de seu uso, cresce também a necessidade de disseminar informações sobre os cuidados necessários em todas as etapas da cadeia, inclusive depois que o combustível chega ao consumidor”, afirmou.

A Aprobio e a Abiove devem contribuir com conhecimento técnico e especialistas, enquanto o Senar-RS ficará responsável por apoiar as ações de formação e assistência técnica junto aos produtores. O SULPETRO contribuirá com a mobilização dos revendedores e profissionais ligados ao recebimento, armazenamento e manuseio dos combustíveis.

Segundo o presidente da Abiove, André Nassar, o objetivo é transformar as orientações técnicas em práticas aplicáveis à rotina das propriedades.

“Nosso objetivo é levar conhecimento técnico e as melhores práticas de armazenamento de combustíveis diretamente aos produtores rurais gaúchos, garantindo mais segurança, qualidade e eficiência para as operações no campo”, disse.

O Senar-RS também avalia que a iniciativa pode contribuir para preparar os produtores para o avanço dos biocombustíveis no setor agropecuário. Para o superintendente da entidade, Eduardo de Mércio Figueira Condorelli, a parceria permite ampliar o acesso à formação profissional e às boas práticas de armazenamento.

Já o presidente do SULPETRO, Fabricio Severo Braz, afirma que a iniciativa deve contribuir para aumentar a segurança no armazenamento e comercialização de combustíveis nas propriedades rurais.

Após a assinatura, cada entidade indicará um representante para acompanhar a execução do protocolo e elaborar os planos de trabalho. Nessa etapa serão definidos objetivos, responsabilidades, cronogramas e recursos para as ações.

O acordo terá duração de 24 meses e poderá receber a adesão de outras entidades ligadas ao setor, com o objetivo de ampliar o alcance da iniciativa no período.

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Canção fatura R$ 3,35 milhões com produtos durante a Copa do Mundo

A Canção, marca de alimentos do grupo GTF, faturou R$ 3,35 milhões entre maio e julho de 2026 com produtos lançados para a campanha da Copa do Mundo.

No período, foram comercializados 154.736 quilos da linha desenvolvida para o torneio, que inclui itens como Fut Wings tradicional e apimentada, Fut Chicken de 300 gramas e 1kg, além dos produtos Fut Burguer e Fut Queijo.

De acordo com a companhia, o resultado comercial veio acompanhado de uma estratégia de comunicação que buscou aumentar a exposição dos lançamentos e aproximar a marca dos consumidores durante os 85 dias de campanha.

Para Alessandro Guerra, gerente de marketing da Canção, a estratégia teve como objetivo transformar a visibilidade proporcionada pela Copa em uma oportunidade de negócio e relacionamento com o consumidor.

“A campanha foi um sucesso do início ao fim. Nossa estratégia partiu de um desafio de comprar a Copa mesmo sem estar nela. E conseguimos transformar essa ideia em resultado. Alcançamos o público que queríamos, ampliamos nossa base de seguidores em um ritmo expressivo e, mais importante, conseguimos transformar esse alcance em relacionamento”, afirmou.

A campanha também contribuiu para o crescimento da audiência própria da marca nas redes sociais. A Canção passou de 88,3 mil para 135,2 mil seguidores no período, alta de 53,2%. Para a companhia, o avanço amplia a base de consumidores que pode ser impactada por futuras ações comerciais e lançamentos.

Durante o Siavs, em agosto, o CEO da GTF, Rafael Tortola, afirmou que a empresa busca aumentar a participação de produtos de maior valor agregado tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.

Atualmente, cerca de 65% da produção da companhia é destinada ao mercado interno e 35% às exportações. A meta é elevar a participação das vendas externas para 40% no próximo ano.

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Nunes sanciona lei que proíbe acorrentar cães e gatos em SP; entenda


O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) sancionou, nesta quarta (02) uma lei aprovada pela Câmara dos Vereadores que proíbe o acorrentamento de cães e gatos na capital paulista. A Lei 18.527/2026, publicada no Diário Oficial, também veda manter esses animais em alojamentos inadequados e presos a coleiras que pressionam o pescoço. Os infratores ficam sujeitos às multas e até prisão previstas na lei dos crimes ambientais.

A lei municipal reproduz integralmente a Lei Estadual 18.184/2025 sancionada em agosto do ano passado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A Prefeitura de São Paulo informou, em nota, que embora já exista legislação estadual sobre o tema, a lei municipal aprovada pela Câmara reafirma essas diretrizes no âmbito da capital paulista “fortalecendo a proteção de cães e gatos e estabelecendo de forma clara as condições para sua guarda e contenção”.

O que diz a nova norma?

A lei, que já está em vigor, considera acorrentamento qualquer meio de restringir a liberdade do animal usando correntes, cordas ou similares, impedindo-o de se movimentar livremente no espaço em que se encontra. Também considera inadequado qualquer espaço que ofereça risco à vida ou à saúde do animal, que não tenha dimensões adequadas ao tamanho ou desrespeite as normas e condições de bem-estar do animal.

Nos casos de impossibilidade temporária por falta de outro meio de contenção, o animal poderá ser aprisionado a uma corrente do tipo vaivém, mas apenas de forma temporária e que permita o deslocamento do cão ou gato.

A lei não proíbe o uso de coleiras, desde que seja compatível com o porte do animal e não o submeta a riscos, sendo vedado o uso de enforcadores (tipo de coleira que pressiona o pescoço do animal).

No caso de cão e gato contido, o animal precisa ter disponibilidade de água limpa e oferta de alimento, além de poder se abrigar do sol, da chuva, do calor ou frio excessivo. A lei exige ainda que se impeça o contato do pet com outros animais agressivos ou portadores de doenças.

Punições

Os infratores ficam sujeitos às penas previstas na Lei dos Crimes Ambientais que, no caso dos cães e gatos, foi alterada pela Lei 14.064/2020 (Lei Sansão) estabelecendo pela de reclusão de 2 a 5 anos para quem maltrata esses animais, além de multa e proibição da guarda. A pena é aumentada de um sexto a um terço se o crime causar a morte do animal.

No caso dos outros animais, incluindo os silvestres, a pena continua sendo de detenção de 3 meses a 1 anos, além de multa.

Mais segurança à fiscalização

Especialistas em legislação ouvidos pela reportagem do Estadão dizem que, embora seja redundante, por já haver lei estadual, a norma municipal dá mais segurança aos agentes da fiscalização.

“Embora a legislação estadual já estabeleça essa proteção, a lei municipal reforça a norma no âmbito local e seu caráter informativo e pedagógico. Além disso, dá maior segurança aos agentes municipais responsáveis pela fiscalização, cuja atuação é diretamente orientada pelo regramento do próprio município, fortalecendo, na prática, a proteção e o bem-estar dos animais”, diz Ricardo Teixeira da Silva, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Direito do Estado.

Já para o professor e advogado Luiz Felipe Rossini, coordenador da pós-graduação em Direito Animal da i9 Educação, a lei paulistana não cria uma nova modalidade de responsabilidade civil para os tutores. “Ela reforça e torna expressos deveres de cuidado e bem-estar que já decorriam da legislação anterior, inclusive porque a Lei Estadual nº 18.184/2025 já proibia, em todo o Estado de São Paulo, o acorrentamento de cães e gatos e a manutenção desses animais em alojamentos inadequados.”

Para ele, a novidade está na explicitação da obrigação no âmbito municipal, e não na criação de uma responsabilidade civil automática.

“A nova lei fortalece o fundamento para a responsabilização tutor. O descumprimento pode gerar sanções administrativas previstas na legislação ambiental, com multas de até R$ 37.000,00, além de responsabilização civil (pagamento das despesas de resgate do animal e tratamento veterinário), além de danos morais coletivos, uma vez que os maus tratos atingem os valores morais de toda a sociedade, e responsabilização penal (pode haver enquadramento no art. 32 da Lei Federal nº 9.605/1998, cuja pena pode chegar a 5 anos de reclusão)”, detalha.

Cidades paulistas já reforçaram proteção

Algumas cidades paulistas têm leis próprias para a proteção de cães, gatos e outros pets, mas sempre em consonância com o que dispõem as leis estaduais e federais.

Em Sorocaba, uma lei municipal sancionada em 2022 aumentou para até R$ 50 mil a multa para maus tratos que causem a morte do animal. A lei anterior previa multa de R$ 4 mil. No caso de lesões ou de abandono, a multa é de R$ 40 mil por animal. Já para maus tratos sem lesões ou morte, a multa é de R$ 10 mil. Segundo a prefeitura, a lei tem sido aplicada regularmente, com direito à ampla defesa dos autuados.

As cidades de Iperó e Boituva, que são vizinhas, incluíram emendas em suas leis orgânicas reconhecendo oficialmente os animais como seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor, emoções e bem-estar. As mudanças ocorreram em abril e agosto deste ano, respectivamente, após a morte do Cão Orelha, em Florianópolis, em janeiro de 2026. O caso teve repercussão internacional.

As emendas estabelecem que, como seres emocionais, cães, gatos e outros animais devem ser protegidos pela população e pelo Poder Público, de forma que sejam garantidos sua integridade física e bem-estar com políticas de prevenção à crueldade e maus tratos.



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Setor de carne segue trabalhando para reabilitar exportações à UE, diz Abiec


A indústria ⁠de carne bovina do ⁠Brasil continua trabalhando para reincluir o ‌Brasil entre os países aptos a exportar o produto para a União Europeia, depois ‌de garantias oficiais do Ministério da Agricultura já terem sido apresentadas, disse a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) nesta quarta-feira.

A UE confirmou na véspera ⁠que ‌suspenderá as importações de carnes do ⁠Brasil a partir de 3 de setembro, citando que o país não conseguiu garantir o cumprimento de suas normas sobre o uso de substâncias antimicrobianas. ​A retirada do Brasil da lista de países aptos a exportar determinados ​produtos de origem animal para o bloco foi divulgada inicialmente em maio.

Segundo a Abiec, já está em execução pela cadeia de carne bovina brasileira um ‌protocolo privado de controle ​sobre o uso de antimicrobianos, que foi desenvolvido em parceria com outras entidades.

‘Trata-se de um requisito regulatório ⁠de mercado, ​estabelecido pelo ​bloco para seus fornecedores, que não altera a qualidade, ⁠a segurança ou o ​status sanitário da carne bovina brasileira’, explicou.

A associação destacou ainda que a UE é ​um mercado estratégico para o segmento e não há ‘substituição automática’, já que ​diferentes destinos ⁠demandam produtos e cortes distintos.

‘A Abiec acompanha as negociações, ⁠conduzidas em âmbito governamental, e segue fornecendo os subsídios técnicos necessários para que o fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível.’

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Fertilizantes seguem caros e demanda deve cair no Brasil, diz Rabobank

O mercado global de fertilizantes continua pressionado por preços elevados e pelo enfraquecimento do poder de compra dos produtores rurais, mesmo após a redução das cotações observada desde o pico da guerra no Oriente Médio. 

É o que aponta o relatório semestral da Rabobank para o segundo semestre de 2026, publicado nesta quarta-feira (2). Segundo o banco, a recuperação da chamada affordability — indicador que mede a relação entre o custo dos fertilizantes e a renda obtida com as commodities agrícolas — ainda não foi suficiente para estimular uma retomada da demanda.

No Brasil, a combinação entre preços mais altos dos insumos, margens apertadas no campo e restrições financeiras levou a Rabobank a revisar para baixo sua projeção de entregas de fertilizantes em 2026. A estimativa passou de 47 milhões de toneladas, divulgada em abril, para 45,1 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 49,1 milhões registrado em 2025. O banco afirma que uma nova revisão para baixo ainda é possível caso as condições no Oriente Médio permaneçam adversas.

O relatório mostra que o índice global de affordability melhorou desde abril, quando os preços dos fertilizantes atingiram os níveis mais elevados após a escalada do conflito no Oriente Médio. Ainda assim, o indicador permanece abaixo da linha neutra e continua classificando os fertilizantes como “não acessíveis” para os produtores nas principais regiões agrícolas do mundo. 

O Rabobank projeta melhora gradual ao longo dos próximos 12 meses, mas afirma que a normalização será lenta devido aos problemas persistentes de oferta e à volatilidade do mercado.

Entre os nutrientes, os fosfatados seguem na situação mais crítica. O índice de acessibilidade do fosfato está em -0,59, o pior entre os principais fertilizantes, refletindo preços elevados e custos de produção pressionados pelo enxofre. O potássio aparece próximo da neutralidade, enquanto o nitrogênio também permanece em território negativo.

Brasil deve consumir menos fertilizantes 

O Rabobank avalia que a demanda brasileira entrou em um ciclo de ajuste depois do crescimento registrado em 2025. Segundo o banco, produtores seguem reduzindo alavancagem e enfrentando níveis recordes de inadimplência, o que mantém o controle de custos como prioridade nas propriedades rurais pelos próximos 18 meses.

O impacto aparece principalmente nas importações de fertilizantes. No primeiro semestre de 2026, as compras brasileiras de ureia caíram 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações de nitrogênio, em base nutriente, recuaram cerca de 22%. Já o MAP (fosfato monoamônico) teve queda de 24% em volume, embora parte dessa redução tenha sido compensada por um aumento de aproximadamente 40% nas importações de TSP (super fosfato triplo).

O banco destaca que o índice brasileiro de affordability deteriorou rapidamente após o início do conflito. O indicador passou de 0,05 em janeiro para -0,14 em abril, enquanto o índice específico para nitrogenados caiu de 0,22 para -0,25 no mesmo período.

Desde então, a acessibilidade da ureia voltou a melhorar e atingiu 0,19 em julho, movimento que, segundo a Rabobank, deve estimular novas compras nos próximos meses e reduzir parte da defasagem das importações antes da safra de milho safrinha de 2027. Ainda assim, o banco alerta que o atraso nas compras de ureia pode representar um risco para o abastecimento da próxima safrinha.

Para os fosfatados, a recuperação deve ser mais lenta. O banco holandês afirma que os preços internacionais continuam elevados e não oferecem incentivo suficiente para uma recomposição das importações. Nesse cenário, produtores brasileiros tendem novamente a utilizar o estoque de fósforo já presente no solo, estratégia semelhante à adotada em 2022.

O potássio é a exceção entre os principais nutrientes no mercado brasileiro. As importações cresceram 6% no primeiro semestre de 2026, sustentadas por preços internacionais mais estáveis e por uma oferta considerada confortável pelo banco.

Demanda global também desacelera

A perda de acessibilidade também deve reduzir o consumo de fertilizantes em outros mercados. O Rabobank estima que a demanda global por ureia cairá cerca de 5% em 2026, após as importações mundiais entre janeiro e julho ficarem aproximadamente 20% abaixo do registrado em 2025. O banco espera recuperação parcial em 2027, à medida que os preços recuem e a China retome parte das exportações.

Nos fosfatados, o cenário é mais restritivo. A instituição projeta queda de 7% na demanda global em 2026 e de mais 5% em 2027, o que representaria três anos consecutivos de retração no consumo. Segundo o relatório, o mercado continua pressionado pela oferta limitada de enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fosfatados, e pelos custos elevados de produção.

O Rabobank ressalta que os preços dos fertilizantes recuaram em relação aos picos observados durante os primeiros meses do conflito no Oriente Médio, mas a melhora não foi acompanhada por uma recuperação equivalente nos preços das commodities agrícolas. Com margens ainda comprimidas, produtores seguem adiando compras, reduzindo doses de aplicação ou substituindo nutrientes sempre que possível.

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Queda do consumo surpreende e mostra que ajuste fiscal é urgente, alerta FGV Ibre


O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre teve um crescimento de 0,5%, levemente acima das expectativas do mercado (0,4%), o que poderia indicar uma sustentação da atividade. No entanto, por trás do número cheio, a análise dos dados acende importantes alertas sobre a sustentabilidade desse ritmo, avalia Juliana Trece, coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre.

A economista ressalta que o Brasil vive um cenário de desaceleração evidente e corre o risco de ficar preso em um ciclo vicioso de juros altos se não reequilibrar suas contas públicas para estimular o investimento privado.

“A principal surpresa [no PIB do segundo trimestre] foi a retração do consumo das famílias. A gente sabe que estamos em um ambiente de condições restritivas, famílias muito endividadas, juros elevados, mas o mercado de trabalho aquecido vinha segurando esse componente”, diz Trece. 

Ela pontua que, mesmo com fatores que poderiam dar algum fôlego temporário ao consumo, como o programa Desenrola 2.0 que poderia liberar o orçamento para novas compras, e o próprio ano eleitoral com os estímulos do governo, a resiliência não se refletiu nos dados oficiais.

Leia também: PIB desacelera e mostra economia mais suscetível aos juros do que o esperado

O reflexo disso também foi sentido no setor de serviços, que cresceu ancorado apenas em segmentos menos sensíveis aos juros altos, como tecnologia da informação e comunicação. 

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Em contrapartida, atividades diretamente ligadas ao bolso das famílias, como o comércio e outros serviços (que incluem bares e restaurantes), registraram variação de 0%, consolidando a tendência de desaceleração, segundo Trece.

Juliana Trece, coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre (Foto: Divulgação)

Agro segura PIB, mas enfrentará El Niño

Os dados do PIB apontaram que o principal motor de crescimento da economia tem sido a agropecuária e setores menos afetados pelas condições financeiras apertadas. No entanto, esta sustentação do PIB está sobre bases expostas a fatores externos e climáticos o que, segundo Trece, representa um alto risco para o segundo semestre e para o ano que vem.

“O problema de a gente estar com esse ritmo de crescimento muito ancorado na agropecuária ou na indústria extrativa é que qualquer mudança nessas atividades, que são suscetíveis a variações climáticas ou dinâmicas internacionais, podem mudar nosso ritmo de crescimento”, pontua. 

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Caso ocorra essa perda de fôlego no agronegócio, os demais setores, fragilizados pelas condições de crédito restritivas, dificilmente conseguirão compensar o resultado geral, avalia. 

Apesar do risco, Trece descarta o cenário de recessão. A projeção é de que a economia vai encontrar uma estabilidade, com crescimento próximo a 0%, nos próximos trimestres.

Leia também: Empresas vão cortar investimento ao mínimo em 2027 por conta dos juros, espera Fitch

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Ciclo vicioso dos juros e do estímulo fiscal

A economista aponta que, nos últimos anos, a economia tem sido impulsionada por constantes estímulos fiscais que, embora tenham ajudado a manter o consumo temporariamente aquecido, cobraram um preço alto na deterioração das contas públicas e no endividamento do país 

O grande problema, segundo Trece, é a dinâmica inflacionária desse modelo de crescimento. Quando a economia é estimulada exclusivamente via consumo (demanda) e não via investimentos produtivos (capacidade de oferta), gera-se uma pressão inflacionária imediata. Assim, para conter a alta dos preços, o Banco Central é obrigado a intervir mantendo ou elevando a taxa de juros, o que acaba por sufocar novamente a atividade econômica.

“A gente precisa acertar as contas [fazer o ajuste fiscal] para que o ambiente se torne mais favorável para que investidores privados venham e façam os investimentos que a gente precisa para crescer sem gerar inflação, sem risco de pressão inflacionária toda hora, sem que todo o crescimento que a gente tiver acabe levando o Banco Central a subir juros e frear de novo a atividade econômica. A gente fica nesse ciclo”, explica a economista.

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Ela se refere ao capital privado porque o nível de endividamento do governo compromete investimentos públicos. Mas, no cenário atual, investidores estrangeiros e nacionais tendem a adotar uma postura de extrema cautela diante de uma trajetória fiscal instável, avalia Trece.

Leia também: Como a Reforma Tributária deve mexer na estratégia de negócios das empresas

A coordenadora de Contas Nacionais do FGV Ibre pondera que, por se tratar de um ano eleitoral, grandes movimentos de consolidação fiscal são improváveis de ocorrer de imediato. Contudo, a agenda de ajuste será inevitável e prioritária no primeiro ano do próximo governo, seja qual for a liderança eleita.

Embora o ajuste fiscal seja um remédio amargo a curto prazo — uma vez que a retirada de estímulos deve reduzir ainda mais o consumo das famílias, que hoje representa mais de 60% do PIB —, ele é apontado como o único caminho viável a médio e longo prazo para restabelecer a confiança dos agentes econômicos, atrair novos investimentos produtivos e quebrar o ciclo crônico de juros elevados no país.



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Oferta global maior derruba preços do cacau e contrato recua 4,54% em NY

A expectativa de aumento na oferta tem pressionado as cotações futuras do cacau na Bolsa de Nova York. Na sessão desta quarta-feira (02), o vencimento para dezembro fechou o dia negociado a US$ 6.273 por tonelada e com queda de 4,54%.

Os preços da commodity registram queda pelo segundo dia consecutivo, após registraram ganhos expressivos na semana anterior. De acordo com o Barchart,  a queda foi impulsionada após a Barry Callebaut AG, maior processadora de cacau do mundo, afirmar que o mercado global está bem abastecido, o que o torna mais preparado para gerenciar riscos do que durante o evento climático El Niño.

O mercado segue acompanhando o aumento da oferta de cacau da Costa do Marfim, sendo um dos maiores produtores mundiais. Os dados divulgados nesta terça-feira, mostram que os agricultores enviaram 2,14 milhões de toneladas de cacau para os portos, um aumento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Café

Os preços futuros do café arábica atingiram a mínima dos últimos cinco meses nesta sessão. O contrato para entrega em dezembro finalizou o dia com desvalorização de 3,67% e precificado em U$S 2,98 por libra-peso.

O Barchart apontou ainda que as cotações do grão caíram acentuadamente devido à perspectiva de que a safra de café do Brasil. Com o andamento da colheita, a maioria dos armazéns não está mais aceitando novos carregamentos de café.

“Com os estoques brasileiros lotados, isso sugere que os produtores possam ser mais cautelosos nas vendas na expectativa de preços mais altos, terão que aumentar as vendas de café à medida que o espaço de armazenamento diminui”, comentou o Barchart.

Açúcar

Os preços futuros para o açúcar finalizaram a sessão com ganho pelo terceiro dia consecutivo, em que o vencimento para outubro registrou valorização de 1,85% e negociado a 18,70 centavos de dólar a libra-peso.

De acordo com a análise do Barchart, as cotações alcançaram o maior patamar dos últimos 16 meses diante de um déficit global. A ISO (Organização Internacional do Açúcar) projetou uma queda de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após uma projeção de alta de mais de 1 milhão de toneladas na safra anterior.

Já a consultoria Green Pool Commodity Specialists também divulgou uma queda na produção para a safra 2026/27, em que deve ficar em 3,2 milhões de toneladas. Já para a safra 2025/26, a consultoria também reduziu a estimativa para 4,85 milhões de toneladas, frente a projeção divulgada em julho que estava em 4,93 milhões de toneladas.

Além disso, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia informou, na semana passada, que a produção de açúcar em 2026/27 deverá cair 19% em relação ao ano anterior, para 13,4 milhões de toneladas.

Algodão

O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro fechou em queda de 2,86%, a 88,93 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo a Trading Key, a baixa foi influenciada pela liquidação de posições compradas especulativas e pela realização de lucros após uma sequência de altas que levou os contratos aos maiores níveis em vários meses.

O movimento também foi pressionado pelo fortalecimento do dólar, que acaba impactando as commodities agrícolas negociadas na moeda norte-americana e reduziu o interesse dos investidores.

Suco de Laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em novembro finalizou com valorização de 2,93% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,49 por libra-peso.

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Crescimento do emprego no setor privado dos EUA desacelera em agosto, diz ADP


WASHINGTON, 2 Set (Reuters) – ⁠O número de ⁠empregos no setor privado dos ‌Estados Unidos registrou um aumento moderado em agosto, segundo o ‌Relatório Nacional de Emprego da ADP divulgado nesta quarta-feira.

O emprego no setor privado cresceu em 38 mil postos de ⁠trabalho ‌no mês passado, após ⁠um aumento revisado para 46 mil em julho. Economistas consultados pela Reuters previam que o emprego no setor ​privado avançaria em 48 mil, após um aumento anteriormente ​divulgado de 44 mil em julho.

O relatório da ADP é elaborado em parceria com o Laboratório de Economia ‌Digital de Stanford ​e foi publicado antes do relatório de emprego de agosto do Escritório de ⁠Estatísticas ​do Trabalho (BLS) ​na sexta-feira. A ADP tem se mostrado ⁠um indicador ​pouco preciso para a estimativa do BLS sobre a folha de ​pagamento do setor privado.

O BLS informou na terça-feira ​que havia ⁠1,05 vaga em aberto para cada desempregado ⁠em julho, praticamente inalterado em relação a junho, o que reflete condições estáveis no mercado de trabalho.



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Endividamento continua pressionando a condição financeira de famílias, diz BC


O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central ressaltou, na ata de sua 66ª reunião, que o endividamento segue pressionando a condição financeira de famílias e empresas.

“Embora a maior parte das corporações demonstre resiliência, observou-se redução no número de empresas com aumento do lucro líquido, ao mesmo tempo em que aumentou o número daquelas com elevação da despesa financeira líquida”, observou o Comef, que pontuou que níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default seguem indicando que a materialização de risco no crédito às empresas e às famílias deve permanecer elevada.

O comitê enfatizou que o endividamento das famílias permanece em patamar historicamente alto, e o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica. Esse quadro, disse, segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias.

“O cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, frisou o Comef.

O Comef do Banco Central também afirmou, na ata de sua 66ª reunião, que permanece, no mercado de capitais, a preocupação com estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento e que podem dificultar a adequada avaliação de riscos.

“A organização desses fundos em cadeias com múltiplos níveis aumenta a

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complexidade e a opacidade na identificação e no mapeamento das exposições. Tais estruturas dificultam a avaliação e a consolidação dos riscos assumidos pelos agentes econômicos que investem nesses instrumentos”, disse o comitê.

Segundo o Comef, a preocupação é particularmente relevante no caso dos FIDCs, que mantiveram aceleração no trimestre, vêm ampliando sua participação no crédito amplo como forma de financiamento às empresas e mantêm conexões relevantes com instituições reguladas pelo BC, por meio da cessão de ativos e do investimento em cotas.



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