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Crise do enxofre muda mercado de fertilizantes e reduz produção no Brasil | Blogs | CNN Brasil

A Mosaic paralisou unidades e mira vender a fábrica de Araxá (MG). A Eurochem realizou layoff na Serra do Salitre (MG), que já foi a “menina dos olhos” da empresa russa. A OCP, um dos maiores produtores mundiais de fosfatados, também reduziu em cerca de 30% a produção no Marrocos diante das condições do mercado. 

Os movimentos já não são isolados. Eles indicam que a crise dos fertilizantes fosfatados entrou em uma nova fase: o problema já não está apenas no preço do enxofre, na dificuldade de importação ou na perspectiva de falta de produto. A pressão chegou à operação das fábricas.

O ponto mais relevante dessa sequência é que a indústria está ajustando a oferta justamente em um momento de demanda enfraquecida. E isso torna o cenário mais complexo do que uma simples história de falta de fertilizantes.

Desde o início do ano, o mercado brasileiro de fertilizantes vem convivendo com dois movimentos simultâneos. De um lado, o produtor perdeu poder de compra, em razão dos preços dos insumos, das condições financeiras do campo e do crédito mais caro. De outro, a indústria passou a enfrentar custos elevados para produzir, principalmente nos fosfatados, em razão do enxofre.

A Mosaic já havia deixado isso claro em junho, quando afirmou que o custo de produção de alguns fosfatados havia ultrapassado o preço pelo qual o produto poderia ser vendido. A companhia paralisou unidades no Brasil e nos Estados Unidos justamente diante desse desequilíbrio.

A consequência é uma espécie de círculo: o fertilizante fica mais caro, o produtor adia ou reduz a compra, a demanda cai, mas a indústria também não consegue manter toda a capacidade produtiva diante dos custos elevados. A queda da demanda, portanto, não resolve automaticamente o problema de oferta. É esse o ponto que começa a aparecer com mais nitidez agora.

Em julho, discussão ainda estava muito concentrada na contradição entre os planos brasileiros de reduzir a dependência das importações e a perspectiva de encolhimento da capacidade doméstica. Os fosfatados eram, entre os três principais grupos de nutrientes, aqueles em que o Brasil tinha a maior produção relativa. Mas, mesmo assim, a indústria já indicava redução de capacidade. Desde então, a situação avançou e, agora, as próprias empresas produtoras estão ajustando suas estruturas.

Isso não significa que o Brasil esteja necessariamente diante de uma falta generalizada de fertilizantes. Há importações, estoques remanescentes e possibilidade de redirecionamento de produto entre mercados. A própria Mosaic disse que poderia utilizar sua produção na América do Norte para atender o Brasil caso houvesse disponibilidade e demanda.

Mas existe uma diferença importante entre ter produto disponível no mercado e ter capacidade produtiva suficiente para responder rapidamente a uma recuperação da demanda. Essa distinção pode se tornar especialmente relevante daqui para frente.

A demanda brasileira de fertilizantes está mais fraca neste ano. Dados e projeções já apontavam uma desaceleração nas compras, e os preços dos fosfatados chegaram a recuar nas últimas semanas justamente em parte por causa da menor procura brasileira por importações. O SSP, por exemplo, acumulou queda de cerca de 30% entre o início de maio e o fim de agosto.

À primeira vista, preços menores e demanda menor poderiam indicar um mercado caminhando para uma normalização. Mas a indústria está operando com outra equação, a de que produzir ficou mais caro e, em alguns casos, a conta deixou de fechar. É por isso que as paralisações merecem ser observadas para além do efeito imediato sobre os volumes.

Se a demanda continuar fraca, a indústria pode manter parte da capacidade parada sem que isso provoque imediatamente uma escassez. Mas, se a demanda voltar antes que o fornecimento de enxofre se normalize e as unidades retomem a produção, o mercado pode se encontrar em uma situação diferente, em que o produtor volta a querer comprar justamente quando uma parte da capacidade de produção está fora de operação.

A situação também expõe uma característica estrutural da cadeia de fertilizantes. O Brasil discute há anos como reduzir sua dependência externa, mas a expansão da produção doméstica não depende apenas da existência de jazidas ou da construção de novas fábricas. Depende de uma cadeia de matérias-primas competitiva, capital para investimentos e condições econômicas que permitam operar essas plantas.

No caso dos fosfatados, o episódio atual mostra isso de maneira bastante concreta. O país pode ter rocha fosfática e capacidade industrial instalada, mas isso não significa que toda essa capacidade seja economicamente viável em qualquer cenário de preços.

O enxofre, que durante muito tempo ficou em segundo plano nas discussões sobre segurança de fertilizantes, acabou se transformando em uma variável capaz de alterar decisões industriais.

E talvez a principal mudança observada agora seja justamente essa: a crise deixou de ser apenas uma questão de quanto custa produzir fertilizante e passou a ser uma questão de quanto da indústria continuará produzindo enquanto essa conta não fecha.

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STJ mantém condenação de Flordelis a 50 anos de prisão


A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação da ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza a 50 anos de prisão pela morte do pastor Anderson do Carmo de Souza, seu marido, em 2019.

No ano de 2022, ela foi condenada por homicídio triplamente qualificado, homicídio duplamente qualificado tentado, associação criminosa armada e uso de documento falso.

O STJ também manteve a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que anulou a absolvição da neta biológica da ex-deputada, Rayanne dos Santos Oliveira, e de dois adotivos, Marzy Teixeira da Silva e André Luiz de Oliveira, argumentando que a decisão dos jurados foi contrária às provas do processo.

O crime aconteceu em Niterói (RJ), na casa da família, onde Anderson foi morto a tiros. O Ministério Público, Flordelis também participou de tentativas anteriores de matar o marido por envenenamento.



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Produção manufatureira dos EUA frustra e cai em agosto após sete meses de alta


WASHINGTON, 18 ⁠Set (Reuters) – ⁠A produção nas ‌fábricas dos Estados Unidos caiu inesperadamente ‌em agosto, após sete meses consecutivos de alta, mas ⁠a ‌atividade ⁠continua sendo sustentada pela expansão dos investimentos em inteligência artificial.

A ​produção manufatureira teve queda de ​0,3% no mês passado, após um aumento não ‌revisado de ​0,2% em julho, informou o Federal ⁠Reserve nesta ​sexta-feira.

Economistas ​consultados pela Reuters previam ⁠um ​aumento de 0,3% na produção.

​Em agosto, a produção registrou ​um ⁠crescimento de 0,9% em ⁠relação ao mesmo mês do ano anterior.



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Crise no STF ameaça deixar decisões importantes do agro em espera

Ao menos 19 processos de interesse do agronegócio podem ser afetados pela crise interna no STF (Supremo Tribunal Federal). A instabilidade pode reduzir ainda mais o espaço para a retomada de julgamentos com impacto direto sobre o setor.

Marco temporal, regularização fundiária, aquisição de terras por estrangeiros, faixa de fronteira e licenciamento ambiental estão entre os temas acompanhados pelo setor e que dependem de decisões da Corte. [Confira a lista ao fim desta reportagem]

Entidades representativas do agronegócio se manifestaram nesta semana cobrando a não paralisação dos temas em virtude da situação no Supremo. O  risco, segundo especialistas ouvidos pela CNN, não é apenas o adiamento de um julgamento. A permanência de processos sem uma definição final mantém dúvidas sobre propriedade, garantias, contratos, investimentos e acesso ao crédito.

A preocupação ganhou força em meio à crise que se aprofundou dentro do STF. O julgamento que ocorreu na terça-feira (15) foi dominado por discussões sobre a condução processual e críticas ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

O episódio não foi a causa dos adiamentos de processos relacionados ao agro que já ocorreram ao longo do ano. Mas, segundo especialistas, a instabilidade institucional pode dificultar a retomada de uma pauta que já tem casos relevantes parados.

Entre os processos estão os embargos de declaração relacionados ao Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365, que trata do marco temporal, e o conjunto formado pela Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 87 e pelas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7.582, 7.583 e 7.586, relacionadas à demarcação de terras indígenas.

No caso da ADI 7.586, por exemplo, o julgamento dos embargos de declaração foi suspenso após pedido de vista do ministro Dias Toffoli em agosto. O processo teve novas petições depois da suspensão.

Também estão no radar as ações que questionam a lei de regularização fundiária. O julgamento das ADIs 5.771 e 5.787 foi iniciado em agosto e suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

No licenciamento ambiental, ações que discutem a legislação sancionada em 2025 também tiveram o calendário afetado. O cenário reforça a preocupação do setor de que temas com impacto econômico e patrimonial permaneçam sem uma definição.

Para Walisson Lima, advogado especialista em direito do agro, o principal efeito de uma eventual paralisação não é apenas o atraso na conclusão dos processos, mas a manutenção da insegurança jurídica.

“Enquanto determinadas questões permanecem sem uma decisão definitiva, produtores rurais, empresas, instituições financeiras e investidores precisam tomar decisões considerando diferentes possibilidades de interpretação e de resultado. Isso pode afetar diretamente o planejamento de investimentos, a obtenção de crédito, a estruturação de contratos, a aquisição e venda de propriedades e a avaliação de eventuais passivos”, afirmou.

Segundo ele, a indefinição pode afetar planejamento de investimentos, obtenção de crédito, contratos e operações envolvendo propriedades rurais.

“Em temas fundiários, ambientais, tributários e relacionados ao direito de propriedade, por exemplo, uma decisão do STF pode estabelecer parâmetros que serão observados em todo o país. Enquanto essa definição não ocorre, processos podem permanecer suspensos ou ter sua conclusão postergada, prolongando situações de incerteza para os envolvidos”, destacou.

Terra, crédito e investimento

Richard Torsiano, diretor executivo da R. Torsiano Consultoria Agrária, Ambiental e Fundiária e especialista internacional em governança e administração de terras, avalia que a demora na definição de temas estruturantes amplia a insegurança para produtores, investidores, instituições financeiras e comunidades tradicionais.

“A demora na definição de temas estruturantes pelo Supremo Tribunal Federal tem ampliado um cenário de insegurança jurídica que afeta diretamente produtores rurais, investidores, comunidades tradicionais, instituições financeiras e o próprio Estado”, afirmou.

Entre os assuntos que, segundo ele, exigem uma definição estão a regularização fundiária na Amazônia Legal, a aquisição de terras por estrangeiros, o domínio de áreas em faixa de fronteira e conflitos envolvendo terras indígenas.

Para Torsiano, a indefinição das pautas gera incerteza, restrição de investimento e paralisação de projetos estratégicos.

“A segurança jurídica é um dos principais ativos para o desenvolvimento sustentável no país. O país precisa de decisões claras e estáveis que conciliem direitos constitucionais, proteção ambiental, direitos dos povos indígenas e a necessária previsibilidade para a produção agropecuária e o desenvolvimento territorial. Mais do que definir vencedores e perdedores, o papel do STF nesses temas é estabelecer regras transparentes e duradouras que reduzam conflitos e fortaleçam a governança de terras”, frisou.

Agro já chega pressionado

A preocupação jurídica ocorre em um momento em que o agronegócio já enfrenta maior dificuldade de financiamento. Segundo levantamento da RGF-BIZDOC, as emissões de CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) tiveram uma queda de 77% do primeiro para o segundo semestre deste ano. As ações judiciais envolvendo CPRs (Cédulas de Produto Rural) também passaram de cerca de 100 por mês em 2022 para mais de 400 em junho de 2026.

Tomaz Lobo, especialista em Direito do Agronegócio e advogado do Bento Muniz Advocacia, ressalta que o aperto de crédito começou antes da crise do STF.

“A crise do Judiciário não criou esse quadro, mas chega como piora de margem em um setor que hoje tem pouca folga para absorver prêmio adicional de risco. A ligação entre o funcionamento do Supremo e o custo do dinheiro no campo passa pela garantia e pelo comprador da safra. O crédito privado do agro é majoritariamente lastreado em imóvel rural, penhor de safra e CPR, e boa parte dessas operações tem a trading como compradora e financiadora ao mesmo tempo”, destacou.

Na avaliação do advogado, o efeito da insegurança aparece principalmente na análise das garantias utilizadas nas operações de crédito. Para ele, o custo da indefinição é o ponto principal, pois encarece a operação e leva transtornos ao setor como um todo.

“Sessões canceladas, pedidos de vista sem prazo e adiamentos sucessivos transferem ao tomador de crédito um custo que nada tem a ver com a atividade dele. A superação da crise institucional é assunto interno do Supremo. A preservação do calendário de julgamento dos temas fundiários e ambientais, não. São processos maduros, muitas vezes em fase de embargos, de definição de efeitos ou de julgamento já iniciado, e concluí-los devolveria previsibilidade ao setor a custo institucional baixo”, avaliou.

Não decidir é mais caro ainda

O economista e advogado Antônio Teodoro, da João Domingos Advogados, resume a preocupação do setor em uma questão de previsibilidade.

“O que o agro precisa pedir não é decisão favorável, é data. Calendário anual de julgamentos com impacto econômico relevante, publicado com antecedência e cumprido; devolução efetiva das vistas no prazo regimental de noventa dias; julgamento em bloco dos processos conexos, evitando que a mesma controvérsia volte à pauta em quatro ocasiões distintas. […] Decidir contra é caro. Não decidir é mais caro ainda”, pontuou.

O desafio, portanto, não é atribuir à crise do STF todos os atrasos registrados nos processos do agro. Cada julgamento pode ser adiado por diferentes razões processuais e regimentais.

O ponto de atenção para o setor é outro: em um momento de instabilidade interna da Corte, processos que já aguardam conclusão podem permanecer ainda mais tempo sem uma definição.

“Prosperidade no campo não nasce de decisão favorável: nasce de ambiente previsível. O produtor que conhece a regra planta, investe, financia, contrata e gera emprego, mesmo quando a regra é dura. O que ele não consegue é operar no escuro e não lhe resta, repita-se, a opção de parar de operar”, disse.

Processos que estão no radar

RE 1.017.365, relator Edson Fachin
Tema 1.031, que trata do marco temporal para demarcação de terras indígenas. O mérito já foi julgado e, em 2026, o STF analisa embargos de declaração. Parte dos julgamentos foi suspensa após pedido de vista do ministro Dias Toffoli. O caso segue relacionado ao conjunto de ações sobre a Lei 14.701/2023 (que estabelece regras sobre a demarcação e a gestão de terras indígenas, entre outros pontos).

ADC 87, relator Gilmar Mendes

Discute a Lei 14.701/2023 (que estabelece regras sobre a demarcação e a gestão de terras indígenas, entre outros pontos). O mérito foi julgado parcialmente procedente em 2025 e os embargos de declaração continuam em análise. O processo tramita em conjunto com as ADIs 7.582, 7.583 e 7.586.

ADI 7.582, relator Gilmar Mendes
Questiona dispositivos da Lei 14.701/2023. Os embargos de declaração estão em tramitação conjunta com a ADC 87 e as ADIs 7.583 e 7.586. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Dias Toffoli.

ADI 7.583, relator Gilmar Mendes
Também questiona dispositivos da Lei 14.701/2023. Os embargos de declaração estão sendo analisados em conjunto com a ADC 87 e as demais ações do bloco. O julgamento aguarda a retomada após pedido de vista

ADI 7.586, relator Gilmar Mendes
Integra o conjunto de ações sobre a Lei 14.701/2023. Em agosto de 2026, houve voto e pedido de vista de Dias Toffoli no julgamento dos embargos de declaração. A ata foi publicada em 25 de agosto e o processo teve novas movimentações no dia seguinte.

ADI 5.623, relatora Cármen Lúcia
Discute a ratificação de títulos de imóveis rurais situados em faixa de fronteira. O mérito foi julgado em 2022 e o STF modulou os efeitos da decisão em 2023. O processo não está pendente de julgamento de mérito, mas a decisão continua relevante para a segurança jurídica de propriedades rurais na faixa de fronteira.

ACO 1.560, relator Ricardo Lewandowski
Envolve a validade de títulos de terras rurais localizadas em áreas apontadas como faixa de fronteira e a discussão sobre o domínio dessas áreas pela União. O processo envolve proprietários rurais, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Há discussão sobre perícias para definir a localização das glebas.

ACO 2.463, relator originário Marco Aurélio, redator do acórdão Gilmar Mendes
Discute a aquisição de imóveis rurais por empresas estrangeiras ou equiparadas. O mérito foi julgado em 23 de abril de 2026. O STF reconheceu a validade constitucional do artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 5.709/1971 (que estabelece regras para a aquisição de imóveis rurais por estrangeiros no Brasil). Em agosto, foram apresentados embargos de declaração. O processo é um dos mais importantes para o setor porque a decisão interfere diretamente na compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro.

ADI 5.771, relator Dias Toffoli
Questiona dispositivos da Lei 13.465/2017, que trata da regularização fundiária. O julgamento de mérito começou em agosto de 2026 e foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. A retomada do julgamento é um dos principais pontos de atenção para o setor.

ADI 5.787, relator Dias Toffoli
Também questiona dispositivos da Lei 13.465/2017. O julgamento começou em 14 de agosto de 2026 e foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. A ação tramita em conjunto com as ADIs 5.771, 5.883 e 6.787.

ADI 5.883, relator Luiz Fux
Integra o conjunto de ações que questionam a Lei 13.465/2017. A ação tem forte componente de regularização fundiária e tramita junto às demais ações sobre a legislação. O julgamento conjunto ainda precisa ser concluído.

ADI 6.787, relator Dias Toffoli
Também integra o conjunto de ações sobre a Lei 13.465/2017. O julgamento ocorre em conjunto com as demais ações que questionam a legislação e ainda depende da conclusão do julgamento.

ADI 7.913, relator Alexandre de Moraes
Questiona a Lei 15.190/2025, a Lei Geral do Licenciamento Ambiental. O processo foi preparado para julgamento de mérito e tramita em conjunto com as ADIs 7.916 e 7.919. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil participa como amicus curiae. O próximo ponto de atenção é a inclusão efetiva em pauta e a análise dos votos.

ADI 7.916, relator Alexandre de Moraes
Discute dispositivos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, incluindo regras de competência e procedimentos. Tramita em conjunto com as ADIs 7.913 e 7.919 e com a ADC 102. O julgamento de mérito ainda deve ser acompanhado.

ADI 7.919, relator Alexandre de Moraes
Questiona a Lei 15.300/2025, relacionada à Licença Ambiental Especial. O processo teve movimentações em agosto, mas saiu do calendário de julgamento e recebeu novas petições e despachos. Ainda não há conclusão de mérito.

ADC 102, relator Alexandre de Moraes
Discute a constitucionalidade de dispositivos da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e tramita em conjunto com as ADIs 7.913, 7.916 e 7.919. O ponto de atenção é a definição da pauta e o início do julgamento.

ADI 7.611, relator Flávio Dino
Questiona regras ambientais do Ceará relacionadas a áreas de preservação permanente, supressão de vegetação, recursos hídricos e licenciamento. Houve decisão cautelar e voto do relator no mérito. O julgamento está suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.

ACO 1.100, relator Edson Fachin
Envolve a Terra Indígena Ibirama-Lá Klãnõ, em Santa Catarina, e a disputa sobre a validade de ato administrativo que declarou a área como terra indígena. O caso envolve União, Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Santa Catarina e particulares e tem relação direta com a discussão sobre demarcação e imóveis rurais.

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Traficante foragido é preso no Galeão ao desembarcar de viagem a Dubai


A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu no Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), na zona norte do Rio, um homem apontado como integrante do tráfico de drogas que estava foragido da Justiça. A prisão ocorreu no momento em que o suspeito desembarcava de um voo vindo de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Identificado como Thiago Américo do Livramento, conhecido como “Cocão”, o investigado ostentava uma rotina de luxo no exterior durante o período em que esteve foragido. Em publicações realizadas em suas redes sociais, ele compartilhava fotos e vídeos dirigindo veículos de alto padrão, visitando pontos turísticos conhecidos do emirado e exibindo compras em lojas de grifes internacionais. A defesa de Thiago ainda não foi localizada.

A prisão foi feita pelos policiais assim que o passageiro desembarcou no terminal carioca. Após o cumprimento do mandado de prisão preventiva que vigorava contra ele, o homem foi conduzido à delegacia e, em seguida, encaminhado ao sistema prisional.

De acordo com as investigações, iniciadas em 2025, o homem faz parte de um grupo criminoso da comunidade do São Carlos, no Centro do Rio. Ele é apontado como liderança do núcleo responsável pelo desbloqueio, fraudes bancárias e revenda de aparelhos celulares roubados e furtados na zona sul da capital.



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Produção de açúcar do centro-sul cai 4,8% na 2ª quinzena de agosto, indica governo


A produção de açúcar do centro-sul do Brasil caiu cerca de 4,8% na segunda quinzena de agosto ante o mesmo período do ano passado, para 3,72 milhões de toneladas, uma vez que as usinas seguiram destinando uma parcela maior da cana para a produção de etanol, de acordo com dados publicados pelo Ministério da Agricultura nesta quinta-feira.

Já a produção de etanol cresceu 3,5% na segunda quinzena na comparação anual, com um aumento da moagem, enquanto o setor tem ampliado também a fabricação do combustível a partir do milho.

A moagem de cana-de-açúcar, por sua vez, aumentou 3,3% na segunda metade de agosto, para 52 milhões de toneladas.

Leia também: Com El Niño, açúcar pode ser a commodity “super quente” de 2027, diz ex-Wilmar

No período, a fabricação de etanol avançou para 2,55 bilhões de litros, impulsionada principalmente pelo etanol hidratado, cuja produção aumentou 7%.

O ministério não publica comentários sobre os dados, fornecidos pelos produtores.

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A informação do governo dá uma ideia de como caminha a safra, uma vez que a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) não tem divulgado periodicamente as informações de moagem e produção, como costumava fazer.

A última publicação da Unica é referente ao acumulado da moagem até o final de junho.

Acumulado até agosto

No acumulado da safra 2026/27 até o final de agosto, a moagem de cana-de-açúcar somou 413,55 milhões de toneladas, aumento de 2,2% no comparativo com o mesmo período do ano passado.

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Já a produção de açúcar somou 23,95 milhões de toneladas, queda de 10,7% em relação ao mesmo período da temporada passada, enquanto a produção total de etanol cresceu 13,2%, para 21,22 bilhões de litros.

Os números também mostram um aumento expressivo dos estoques de combustíveis. Os estoques físicos totais de etanol alcançaram 7,59 bilhões de litros em 31 de agosto, alta de mais de 15% sobre um ano antes, puxada por um salto de 29,6% nos volumes de hidratado armazenados.



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Não é um chatbot. É a colheita de doze anos de dados | Colunas | CNN Brasil

A John Deere lançou no dia 1º de setembro, no Farm Progress Show, em Iowa, um assistente de IA chamado JD. O produtor pergunta por texto, e o sistema responde com base na própria fazenda dele: qual máquina gastou mais combustível na última safra, qual operador cobriu mais área por hora, quando os dados indicam que a colheita deve começar.

Por enquanto, está disponível apenas para clientes nos Estados Unidos, em acesso antecipado. As versões para web, celular e tela da cabine chegam até o fim do ano.

A pergunta que importa não é o que o JD faz. É por que a Deere consegue fazer isso antes das outras.

Primeiro o dado, depois a IA

A plataforma que sustenta o JD nasceu em agosto de 2014, com o nome de MyJohnDeere Operations Center. Naquele ano, a empresa vendia tratores no embalo da supersafra americana, e ninguém falava em modelo de linguagem. A proposta era simples: a máquina manda os dados do talhão para a nuvem, e o produtor vê tudo em um só lugar.

Doze anos depois, são 1,2 milhão de máquinas conectadas mandando dados todos os dias. Em 2022, eram 500 mil. Cada uma delas alimenta uma base que abrange mais de 520 milhões de acres, o equivalente a 2,6 vezes a área de grãos do Brasil. A plataforma é usada por 450 mil pessoas por mês.

O JD não foi treinado do zero. Ele lê o que já está organizado. A Deere não revela qual modelo de IA está por trás e diz que o trabalho dela é esconder essa complexidade do produtor. Faz sentido. O modelo é commodity. O dado limpo, padronizado, com doze anos de histórico e ligado à máquina certa no talhão certo, não é.

Gigante que erra em público

Nada disso veio de uma empresa perfeita. Em julho, a Deere fechou um acordo com a FTC, a agência antitruste americana, depois de ser acusada de restringir o conserto das próprias máquinas. Por dez anos, terá de dar às oficinas independentes o mesmo software de diagnóstico que oferece aos concessionários. Em abril, já havia pago US$ 99 milhões em uma ação coletiva de produtores pelo mesmo motivo.

Errou, pagou, corrigiu e, dois meses depois, lançou o JD. Uma empresa de 189 anos que testa, apanha e continua investindo no fundo do ciclo se comporta mais como startup do que muita startup. É por isso que segue líder.

O lançamento no fundo do ciclo

Doze dias antes do lançamento do JD, no balanço de 20 de agosto, a Deere reafirmou aos investidores que 2026 é o fundo do ciclo de máquinas agrícolas. A divisão de máquinas grandes vendeu US$ 26,8 bilhões em 2023 e cerca de US$ 17,3 bilhões em 2025, uma queda de 35% em dois anos. Neste trimestre, as vendas caíram mais 6%. A tarifa de importação custa US$ 1,1 bilhão no ano. O lucro previsto para 2026 é metade dos US$ 10,2 bilhões registrados em 2023.

Enquanto a venda de ferro caía, a base de dados só crescia. E foi ela que sustentou o discurso.

O problema brasileiro está no banco do operador

No Brasil, o produtor compra o mesmo trator, com a mesma tecnologia embarcada. Mas a máquina chega à fazenda, e o operador usa 30% do que ela oferece. Piloto automático ligado, telemetria desligada. Mapa de produtividade sem calibrar. Talhão cadastrado com nome errado ou sem cadastro nenhum.

O dado até sobe para a nuvem. Sobe sujo. E dado sujo não vira decisão, muito menos IA.

O gargalo brasileiro não é o acesso à tecnologia. É a falta de gente treinada para aproveitar o que a tecnologia já faz. Quem tenta o caminho inverso, IA primeiro e dado depois, compra um assistente que responde bonito sobre nada.

A mensagem que fica

Junto com o JD, a Deere reforçou o que chama de Farmer Data Commitment. Em quatro linhas: o dado é do produtor. A Deere não vende. O produtor decide quem acessa e pode cortar o acesso a qualquer momento. E o dado não será usado para especular no mercado de commodities.

Não é generosidade. É pré-condição. Sem essa confiança, o produtor não conecta a máquina, a base não cresce e a IA não tem o que ler. A Deere entendeu que o ativo mais valioso da empresa é emprestado.

No Brasil, a conversa ainda está uma fase atrás. A cooperativa quer o dado do cooperado, a revenda quer o dado do cliente, a indústria de insumos quer o dado de todo mundo. E o produtor, com razão, segura.

A Deere mostrou a ordem: garante que o dado é do dono, treina quem opera, organiza os dados e só então pergunta.

Quem pular etapas vai descobrir que a IA responde exatamente com base no que o produtor a deixou ver.

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Gastrite, resgate de animais: quem era dentista que morreu após ser liberada por UPA


Jaqueline de Melo Silva, de 28 anos, morreu na última terça-feira (15) após sofrer um infarto em casa, depois de ser atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com dores no estômago.

O caso aconteceu no município de Cruzeiro do Sul, no Acre. Segundo um familiar afirmou ao portal g1, a jovem vivia sorrindo.

Ela vivia sorrindo. Era dentista e a gente brincava com ela sobre o fato de viver sorrindo. Era uma pessoa muito engraçada, esperta, gentil, bonita e simpática com todo mundo. Ficamos em choque.Familar em entrevista ao g1

O parente relatou que o problema do estômago da dentista era antigo e ela já tinha passado por duas cirurgias há cerca de quatro anos. O familiar também relata que Jaqueline não conseguia comer qualquer alimento e sofria com crises de gastrite e ansiedade.

Após passar mal na noite de terça-feira, Jaqueline foi levada à UPA de Cruzeiro do Sul. Ela foi medicada e liberada para voltar para casa após melhora no quadro; no entanto, voltou a passar mal ao chegar em casa e sofreu o infarto.

Ela amava sushi, mas só comia de um lugar específico, assim como hambúrguer, pastel. Eram lugares que ela já sabia que não ia passar mal. Se comesse qualquer coisa errada, tinha uma crise de gastrite”,Familar em entrevista ao g1

Relação com animais

Jaqueline atendia em uma clínica no município. Segundo o parente, ela também amava resgatar animais das ruas. A dentista tinha um gato de estimação chamado Flock, e ela o considerava o amor de sua vida.

Os animais eram a segunda paixão dela. Resgatou vários, tinha essa veia de protetora. Ela tinha o sonho de casar, falava em ter filhos e sonhava em mudar de cidade para aprender mais. Era muito querida por amigos e pacientes.Familiar ao g1

No relato, o familiar afirmou que Jaqueline queria cursar medicina veterinária para ajudar mais animais.

Comoção

A clínica onde a profissional atuava lamentou a morte de Jaqueline. “Seremos eternamente gratos pelos momentos que vivemos juntos e todo carinho dedicado aos pacientes e amigos”, afirmou em nota.

O Conselho Regional de Odontologia do Acre também lamentou o falecimento da jovem. “Expressamos nossas mais sinceras condolências a familiares e amigos, desejando que encontrem conforto neste momento de dor”, afirmou o conselho.

A Associação dos Militares do Estado do Acre (AME-AC) também publicou uma nota sobre o falecimento da dentista, filha do 1º Tenente PM RR Salésio Figueira da Silva. “Neste momento de dor, rogamos a Deus que, em sua infinita bondade, conceda conforto, força e consolo aos familiares e amigos, amenizando a saudade deixada por sua partida”, diz nota publicada pela AME-AC nas redes sociais.



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Preços recordes do diesel nos EUA pressionam agricultores e podem encarecer alimentos


Washington (Reuters) – No nordeste do Missouri, Addie Yoder, produtora de milho, soja e criadora de gado, opera duas colheitadeiras, três caminhões-reboque e vários tratores, de meados de setembro até o final de outubro, para colher e transportar suas safras.

Com os preços do diesel em níveis recordes e apenas uma colheitadeira consumindo 300 galões do combustível, o melhor que ela pode fazer é tentar reduzir outras despesas, disse ela.

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No sudeste da Dakota do Sul, Drew Peterson, produtor de soja, milho e criador de gado, prevê gastar até US$ 1.500 por dia apenas para abastecer uma de suas colheitadeiras nesta safra — o dobro dos custos do ano passado –, entre as muitas máquinas que ele precisa utilizar para colher sua safra.

“Não dá para simplesmente dizer: ‘Bem, o diesel está caro, então não vou colher’”, disse ele. “Você tem que fazer isso caber no seu orçamento.”

Em todo o território dos EUA, os agricultores estão enfrentando preços recordes do diesel no auge da safra, o que reduz ainda mais as margens de lucro já estreitas. Aumentos de preços parecem inevitáveis nos supermercados norte-americanos antes das eleições de meio de mandato de novembro, nas quais o custo de vida deve ser uma das principais preocupações dos eleitores.

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O abastecimento global de combustível tem sido afetado pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e pelos ataques ucranianos às refinarias russas. O preço médio do diesel nos EUA atingiu um novo recorde nesta semana, US$6,29 por galão, um aumento de 68% em relação aos US$3,74 registrados há um ano, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia.

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Os preços mais altos do diesel elevam os custos em todas as etapas da cadeia de abastecimento alimentar, desde a colheita nas fazendas até o transporte de carga que leva os alimentos aos supermercados, disse David Ortega, economista da Universidade Estadual de Michigan.

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“A maior parte dos nossos alimentos é transportada por caminhões, e esses caminhões usam diesel”, disse Ortega.

Os preços dos alimentos ao consumidor subiram 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior em agosto, de acordo com o último Índice de Preços ao Consumidor.

Preços dos combustíveis dobram

Os agricultores têm acesso ao diesel para uso fora de estrada, que não está sujeito a impostos estaduais e federais. Mas, mesmo com o desconto, muitos agricultores ainda estão pagando significativamente mais pelo combustível do que no ano passado.

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Wayne Gularte, que cultiva uma variedade de hortaliças em cerca de 600 acres perto de Gonzales, na Califórnia, disse que seus custos com combustível aumentaram cerca de 40%, passando de aproximadamente US$ 5 por galão para US$ 7 por galão.

Para economizar, ele colocou de volta em operação alguns tratores mais antigos movidos a gasolina, da década de 1950, e tirou de circulação uma das picapes a diesel da fazenda. “O único dinheiro que podemos ganhar é o que economizamos”, disse Gularte.

Os custos com combustível na agricultura aumentaram US$ 11 por acre em relação ao ano passado para o milho e US$ 7 por acre para a soja, segundo Michael Langemeier, economista da Universidade de Purdue.

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Os futuros de milho, soja e trigo registraram alta significativa desde meados de agosto e atingiram máximas de vários anos no início de setembro. Ainda assim, as margens dos agricultores permanecem estreitas em comparação com as médias históricas, disse o economista agrícola da Universidade de Illinois, Nick Paulson, que alertou que os altos preços dos combustíveis podem elevar os custos no próximo ano para sementes e fertilizantes.

“A preocupação é que o diesel a mais de US$ 6 por galão comece a exercer pressões inflacionárias sobre tudo o mais, e até mesmo sobre parte desse potencial de maior lucratividade”, disse ele.

Muitos agricultores já apertaram os cintos, deixando pouca margem para absorver aumentos nos preços dos combustíveis, disse Jon Paul Driver, produtor de feno próximo a Spokane, no estado de Washington, e segundo vice-presidente do Washington Farm Bureau.

“Qualquer aumento no preço do combustível neste momento representa uma dívida adicional para a propriedade”, disse Driver.

O senador norte-americano Roger Marshall, republicano do Kansas, solicitou à secretária de Agricultura Brooke Rollins, em uma carta datada de 11 de setembro, que concedesse alívio temporário aos agricultores, uma vez que eles “absorvem custos substanciais e imprevistos com combustível durante um dos períodos do ano em que o consumo de diesel é mais intenso”.

Um porta-voz do USDA afirmou que a agência “não está deixando pedra sobre pedra” em relação aos altos preços do diesel e citou uma entrevista à NewsMax em 15 de setembro, na qual Rollins disse que teria mais a anunciar sobre o assunto nas próximas semanas.

Preços dos alimentos podem subir

Embora o combustível represente uma pequena parcela do custo dos alimentos, os consumidores ainda podem ver os preços subirem à medida que a cadeia de abastecimento absorve os custos mais elevados de combustível nos próximos meses, disse Ortega.

Esses efeitos podem demorar a se manifestar porque os varejistas podem tentar absorver os aumentos de preço no curto prazo, ou porque os contratos de frete firmados a preços mais baixos ainda não refletem as sobretaxas de combustível, disse Ortega.

Ele acrescentou que alguns dos itens mais vulneráveis aos aumentos de preço são produtos básicos de supermercado, como frutas e verduras, laticínios e carnes, que exigem transporte refrigerado por caminhão, o que consome muito combustível.

As tarifas para transportar maçãs e peras em reboques refrigerados a partir do Vale de Yakima, no estado de Washington, atingiram o maior nível em quatro anos, com a safra ainda na metade, disse Dean Croke, analista-chefe da DAT Freight & Analytics.

O custo para transportar frutas e verduras da Califórnia aumentou de 40% a 120% em relação ao ano passado. Em algumas cidades da Califórnia, os preços do diesel ultrapassaram US$ 8 por galão, disse Croke.

Os caminhoneiros autônomos, que normalmente pagam o combustível antecipadamente, podem não conseguir suportar novos aumentos, disse Croke.

“Estamos prestes a ver falências de empresas de transporte rodoviário causadas pelo preço do diesel”, disse ele.



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A tríade esquecida na “fumaça” da inteligência artificial | Colunas | CNN Brasil

Conheço o caso de um produtor em Mato Grosso que levou cerca de dezesseis anos para organizar os processos de uso da tecnologia na fazenda. Dezesseis anos! Não de implantação de software, mas de organização de processos: definir quem decide o quê, com qual dado, em qual momento, e registrar isso de um jeito que sobreviva à troca de gerente.

Hoje, é uma operação que adota a tríade de que vamos falar aqui — tecnologia, processos e pessoas — e, por isso, extrai valor real de cada ferramenta nova que entra. O problema é que esse produtor é exceção e pertence à pequena fração de produtores que trabalha assim.

A cena mais comum é outra e se repete no agro brasileiro com uma frequência que os relatórios de mercado raramente capturam: a fazenda compra a plataforma, o agrônomo continua preenchendo a planilha antiga por segurança, o gerente não sabe o que fazer com o alerta de estresse hídrico às seis da manhã e o dono mede o retorno pela quantidade de dashboards, não pela decisão errada que deixou de ser tomada.

O McKinsey Global Farmer Insights 2026, publicado nesta semana com 5.500 produtores em dez países, é uma exceção. Lido com atenção, ele conta uma história que o discurso da inteligência artificial prefere não contar. O Brasil foi o único país onde a adoção caiu.

A adoção global de agtech subiu 4 pontos percentuais desde 2024 e chegou a 50% dos produtores. O Brasil andou na direção contrária: foi o único, entre os sete países pesquisados nas duas edições, onde a adoção recuou, com queda de 3 pontos. Na Argentina, subiu 7; na França, 14; na Índia, 11.

Isso não é falta de acesso nem de apetite. A pesquisa da Embrapa, do Sebrae e do Inpe já mostrava que 84% dos produtores brasileiros usam ao menos uma tecnologia digital. E a própria McKinsey aponta que a América Latina é a região onde a inovação pesa mais na decisão de compra, citada por 42% dos produtores, contra 24% na média global.

O que mudou foi o dinheiro e a paciência. A intenção líquida de gasto no Brasil caiu 24 pontos percentuais em dois anos.

E é normal que a intenção de gasto com tecnologia despenque em períodos turbulentos como o que estamos vivendo. Tarifas comerciais, oscilação nos preços das commodities, conflitos geopolíticos e uma mudança estrutural na forma como a China enxerga a importância da supremacia da cadeia alimentar. Some a isso juros altos e crédito caro dentro da porteira. Isso afeta o produtor, e não é para menos.

O que a pesquisa mostra, portanto, é o corte. A leitura do corte é minha: quando o caixa aperta, a primeira coisa a sair é a tecnologia que nunca chegou a provar retorno, e a que nunca prova retorno é justamente a que entrou sem processo desenhado e sem gente preparada para usá-la.

O aperto não cria o problema. Ele revela quem tinha comprado ferramenta sem ter comprado mudança.

A IA generativa cresce mais rápido do que a confiança nela

O dado mais comentado do relatório é o da IA generativa: 17% dos produtores no mundo já usam ferramentas como o ChatGPT para tarefas da fazenda, com a América Latina liderando ao lado da América do Norte.

Nos Estados Unidos, a adoção paga chegou a 11% e segue uma curva parecida com a da taxa variável nos primeiros anos. Setenta e dois por cento esperam algum impacto da IA na operação em três a cinco anos.

O dado menos comentado está duas páginas depois. Apenas 6% dos produtores citam a IA generativa como fonte confiável para decidir uma compra.

O agrônomo técnico é citado por 56%, e, entre produtores jovens da América Latina, esse número chega a 89%.

Os usos concentram-se em planejamento (43%) e manejo (33%) e caem quase a zero em colheita, financiamento e gestão de equipe.

A leitura é simples. A IA está sendo usada como ferramenta de pesquisa e de resolução de problemas do dia a dia, não como sistema de decisão.

Um produtor de uva na França resume: recebeu da IA um conselho sobre cobertura de solo que “errou completamente o alvo”.

Já quem cultiva soja, milho e algodão no Brasil, na mesma pesquisa, descreve o método que funciona: trazer a tecnologia aos poucos, calcular custo e retorno no fim.

É o que sempre digo: não adianta colocar tecnologia em processos antigos. A tecnologia serve para eliminar etapas, não para digitalizar o processo que já existia.

Quando ela entra sem mexer no fluxo, o resultado é a mesma rotina de antes, agora com uma tela a mais e um custo a mais.

Em outras palavras: tecnologia, processos e pessoas. A tríade que todo gestor de operações conhece e que a fumaça da IA está fazendo esquecer.

Tecnologia: o vértice superestimado

Com o advento da inteligência artificial, ficou mais evidente uma distinção que o agro sempre tratou como detalhe: a diferença entre tecnologia informacional e tecnologia de ação.

A tecnologia informacional só informa. Ela entrega o mapa de produtividade, o alerta de praga, a imagem de satélite com a mancha de estresse e para ali.

Tudo depende de uma ação humana no momento específico: alguém precisa ver, interpretar, decidir e executar. Se essa pessoa não está lá ou está ocupada com outra coisa, a informação envelhece sem virar resultado.

A tecnologia de ação fecha o ciclo. Ela identifica o problema, atua, grava a ação tomada, gera o relatório sobre o diagnóstico e a decisão e acompanha se a solução foi eficaz.

O pulverizador que enxerga a daninha e aplica só onde precisa, registrando o que fez e quanto economizou, é o exemplo mais claro.

O ponto principal é que, assim, fica muito mais fácil demonstrar o retorno sobre o investimento, porque a própria tecnologia produz a evidência do que entregou.

Isso ajuda a explicar por que a agronomia digital lidera a adoção global com 31%, segundo a McKinsey, enquanto categorias mais sofisticadas ficam abaixo de 10%.

As que crescem são as que entram na rotina de pulverizar, irrigar e operar máquina e provam valor nas condições locais. As demais informam muito e agem pouco.

Mas há uma condição que a fumaça da IA costuma esconder: a tecnologia de ação só funciona sobre processos organizados e dados confiáveis. Ela depende da tríade.

Sem processo desenhado, não há o que automatizar. Sem dado limpo, não há o que medir. Sem gente que confie no sistema, a ação é desligada na primeira dúvida.

O lançamento mais relevante da última semana ilustra o ponto pelo lado de quem acertou o desenho. Em 1º de setembro, no Farm Progress Show, em Iowa, a John Deere apresentou o JD, um assistente de IA embutido no Operations Center, a plataforma que há mais de uma década concentra os dados de campo, máquina e operação dos clientes.

O produtor faz perguntas em linguagem comum sobre os próprios dados: se o trator novo reduziu o consumo de diesel no preparo, como variou a singulação da plantadeira entre talhões, qual operador de pulverizador rende mais hectares por hora.

Sem custo adicional, sem assinatura, com acesso antecipado restrito a clientes nos Estados Unidos e chegada ao display da cabine prevista para o fim do ano.

Três escolhas da Deere dizem mais do que o chatbot em si. A IA não foi lançada como produto novo, e sim como camada sobre dados que o produtor já gera e um sistema que ele já usa, exatamente o critério de adoção que a McKinsey identifica.

A empresa se recusa a dizer qual modelo está por trás, com a justificativa de que o trabalho dela é esconder essa complexidade do produtor.

E lançou junto um Compromisso de Dados do Produtor, reafirmando que os dados pertencem a ele e não serão vendidos. Ou seja: a maior fabricante de máquinas do mundo entendeu que a tecnologia é o vértice mais fácil e gastou o anúncio nos outros dois: processo e confiança.

O que o JD não resolve também importa. Ele responde sobre dados que existem. Se a fazenda não registra o que planta, quando pulveriza e quanto colhe, a IA não tem sobre o que responder.

O assistente pressupõe um processo de coleta que a maioria das operações brasileiras ainda não têm.

Implicação prática: ao avaliar qualquer solução de IA, a pergunta central não é o que ela faz, mas em qual decisão ela entra, quem executa essa decisão hoje e o que muda na rotina dessa pessoa.

Processos: o vértice invisível

Processo é a palavra menos glamourosa do agro e a mais decisiva. A safra brasileira de grãos ultrapassou 340 milhões de toneladas, segundo a Conab, com a maior parte desse volume gerida por operações que ainda dependem de conhecimento tácito, mensagens de WhatsApp e reuniões de pátio.

Não há inteligência artificial que substitua um processo que não existe.

O que a IA agêntica traz de novo é a capacidade de executar etapas inteiras de um fluxo, não apenas sugeri-las. Isso muda o peso do processo.

Um agente que abre uma ordem de compra de insumo, negocia prazo com o fornecedor e registra a operação no ERP precisa de um fluxo desenhado com regras claras de alçada, exceção e auditoria.

Se o fluxo não está desenhado, o agente automatiza a desordem.

E aqui vai a observação mais desconfortável deste texto: poucas vezes vi empresas que conseguiram criar processos organizados e, principalmente, dados padronizados e categorizados. Poucas.

Esse é um ponto importantíssimo para quem quer se dizer grande adepto da inteligência artificial. Não existe IA boa sobre dado que muda de nome a cada safra, talhão que se chama de três formas diferentes em três sistemas e custo lançado ora por hectare, ora por operação.

O trabalho chato de padronizar e categorizar é o que separa quem vai usar IA de quem vai só falar sobre ela.

A McKinsey confirma o padrão pelo lado da compra: 36% dos produtores já preferem canais digitais para comparar opções, alta de 14 pontos em dois anos, mas a conversão continua passando pelo agrônomo.

O digital ganhou o começo do funil. A decisão continua sendo um processo humano, e é esse processo que precisa estar mapeado antes de qualquer automação.

Implicação prática: mapear os cinco processos que mais consomem tempo de decisão na operação e perguntar, para cada um, se ele está claro o suficiente para ser executado por alguém que nunca esteve na fazenda.

Se a resposta for não, ele ainda não está pronto para IA.

Pessoas: o vértice que decide

A influência do representante comercial caiu de 67% para 56% em dois anos, a primeira queda significativa na história da pesquisa. A do agrônomo técnico ficou estável.

O produtor não está trocando gente por máquina. Está trocando gente que vende por gente que sabe e usando a IA para chegar à conversa com o agrônomo com perguntas melhores.

Esse é o retrato do vértice que decide. No agro brasileiro, ele tem nome: o agrônomo de campo, o gerente de fazenda, o técnico de cooperativa.

São eles que transformam uma recomendação em ação e uma ferramenta em rotina. E são eles que a maioria dos projetos de IA trata como usuários a treinar, e não como líderes da mudança a desenvolver.

A liderança da mudança, na prática do agro, significa três coisas. O dono ou o CEO da operação usando a ferramenta na frente da equipe, e não apenas cobrando relatórios.

Tempo protegido na rotina para aprender, em vez de treinamento único no dia da implantação. E indicadores que premiem a decisão tomada com dado, e não a quantidade de dados gerada.

Implicação prática: antes de contratar IA, definir quem será o dono da adoção dentro da operação, com tempo e mandato para isso. Sem esse nome, a tecnologia terá um comprador, mas não terá um usuário.

O que a fumaça esconde?

A inteligência artificial vai mudar o agro. Mas vai mudar primeiro as operações que já tinham processos claros e pessoas preparadas, porque nelas a IA encontra onde se encaixar.

Nas demais, ela será mais uma plataforma comprada com entusiasmo e abandonada em silêncio, e o Brasil acaba de entregar o primeiro dado global de que isso já está acontecendo.

A tríade não é uma ideia nova. É uma ideia esquecida. E o custo de esquecê-la, agora, é maior do que nunca, porque a tecnologia finalmente ficou boa o suficiente para expor a fragilidade dos outros dois vértices.

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