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IPC-Fipe sobe 0,56% na 1ª quadrissemana de outubro, após alta de 0,51% em setembro


O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,56% na primeira quadrissemana de outubro, acelerando levemente em relação à alta de 0,51% observada em setembro, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta sexta-feira.

Na leitura inicial de outubro, dois dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força na comparação com o mês passado: Alimentação (de 0,44% para 0,95%) e Despesas Pessoais (de 0,30% para 0,37%). Em Vestuário, houve variação de 0,02%, igual à anterior.

Os demais itens arrefeceram de um período para o outro: Habitação (de 0,98% para 0,62%), Transportes (de 0,30% para 0,29%), Saúde (de 0,19% para 0,16%) e Educação (de 0,01% para -0,01%).

Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe na primeira quadrissemana de outubro:

Habitação: 0,62%

Alimentação: 0,95%

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Transportes: 0,29%

Despesas Pessoais: 0,37%

Saúde: 0,16%

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Vestuário: 0,02%

Educação: -0,01%

Índice Geral: 0,56%

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Diplomacia agrícola não deve retroceder, seja qual for resultado eleitoral

O resultado das eleições presidenciais pode mexer com as estratégias de diplomacia agrícola e com as prioridades nas relações com parceiros comerciais, o que divide opiniões na cadeia agropecuária. De um lado, especialistas acreditam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) pode estreitar ainda mais as relações com os Estados Unidos, enquanto outros temem que um afastamento das pautas ambientais que abriram mercados exigentes aos produtos brasileiros nos últimos anos possa ter efeitos colaterais no longo prazo.

Se Flávio vencer o segundo turno, no próximo dia 25 de outubro, a relação política com a China pode se tornar mais cautelosa. Porém, a mudança de posicionamento diplomático não necessariamente teria impacto imediato sobre o comércio de produtos agrícolas com o país asiático, disseram representantes do setor.

Na avaliação de Larissa Wachholz, especialista em China e fellow do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), o principal efeito de um eventual alinhamento maior do Brasil aos Estados Unidos poderia aparecer nos investimentos chineses no país.

“A China tem olhado para a América Latina com muita cautela, buscando observar onde o seu investimento é bem-vindo, onde as suas relações comerciais são bem-vindas e onde não são”, afirmou na última quarta-feira (7), durante um evento do Insper Agro Global, em São Paulo.

O embaixador Rubens Barbosa, que serviu de 1994 a 2004, concorda que, nos próximos dois ou três anos, as relações comerciais com a China estarão preservadas, mesmo se Flávio Bolsonaro ganhar. Na avaliação dele, o setor agropecuário não vai querer perder a influência que construiu no âmbito técnico dessa relação.

“Não vão fazer nada que prejudique o agro. Não vejo o Brasil tomando medidas contra empresas chinesas, porque isso provocaria retaliação do país asiático”, explicou Barbosa à reportagem.

Ele reitera que a diplomacia agrícola vai continuar com a diversificação de mercados e novos acordos comerciais. “O Brasil deve manter uma posição de certa independência e distância tanto em relação à China quanto aos Estados Unidos, apesar das declarações de proximidade e alinhamento com os EUA”, acrescentou.

O agro, lembra o embaixador, não permitiria entraves nas relações comerciais com seu maior parceiro.

Wachholz, por sua vez, recorda que o cenário pode se tornar mais sensível à medida que cresce a disputa de influência entre Estados Unidos e China na América Latina. Em documentos internos, os americanos têm deixado explícito que consideram a região uma área de influência dos EUA.

Nesse contexto, uma aproximação de Brasília com Washington poderia afetar a disposição de empresas chinesas para investir em determinados setores brasileiros, principalmente aqueles considerados estratégicos.

“Eles [os chineses] não querem se estabelecer em locais de confronto porque isso impõe um risco muito grande. Os investimentos precisam fazer sentido econômico e eles só vão fazer se houver estabilidade jurídica”, acrescentou.

É nos investimentos que Wachholz vê maior possibilidade de mudança. Para a especialista, a China poderia participar do desenvolvimento de infraestrutura e de novas cadeias ligadas aos biocombustíveis, o que dependerá do ambiente oferecido pelo Brasil.

Além da China, outro mercado importante para a América Latina é a Europa. Com a aprovação do acordo UE-Mercosul, espera-se um intercâmbio maior de produtos agropecuários, ainda que haja resistência do setor produtivo europeu, que se sente ameaçado pela escala da oferta brasileira.

No caso de cadeias que desenvolveram um trabalho intenso de rastreabilidade e certificação de sustentabilidade nos últimos anos, há certo risco para os avanços na abertura de mercados, na agregação de valor e na comprovação do cumprimento de exigências, segundo fontes que preferiram falar sob condição de anonimato.

Uma delas afirmou que ainda é cedo para avaliar quais seriam as estratégias comerciais em uma eventual mudança de governo, especialmente sem saber quem ocuparia postos importantes, como os ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores. A imprevisibilidade, porém, divide integrantes do agronegócio dentro e fora da porteira.

O principal receio pode estar relacionado à articulação entre a pauta exportadora e a agenda ambiental, incorporada ao agronegócio ao longo dos anos. O jornal britânico Financial Times, por exemplo, questionou se Flávio reduziria as exigências ambientais, seguindo a estratégia do pai, Jair Bolsonaro, ou adotaria um caminho mais moderado caso saia vitorioso destas eleições.

Segundo o jornal, essa é a maior preocupação das agências responsáveis pela regulação do desmatamento.

“Na parte ambiental, o agro tem uma posição muito forte contra a legislação atual de proibição do desmatamento ilegal. Acho que essa discussão vai avançar e pode gerar problemas e efeitos econômicos. Por isso, haverá cuidado”, considera Barbosa.

Marcos Jank, pesquisador e professor do Insper, também não espera uma ruptura comercial com a China em um eventual governo Flávio, mas considera possível uma mudança no grau de proximidade política entre Brasília e Pequim.

Para Jank, a disputa entre as duas potências já tornou o ambiente comercial mais complexo, e há, internacionalmente, “um ambiente mais agressivo, mais complicado, sem regras”. Uma eventual vitória de Flávio poderia acrescentar a esse cenário uma mudança de posicionamento do Brasil, com maior proximidade de Washington.

“Talvez o Lula fosse mais próximo da China, talvez o Flávio vá ser mais próximo lá dos Estados Unidos”, disse. Na avaliação dele, isso não significa que o Brasil deixaria de negociar com Pequim. A dimensão do comércio agrícola entre os países, segundo Jank, cria incentivos econômicos para que a relação continue.

O especialista defende que o Brasil aproveite a necessidade de grandes mercados de contar com fornecedores de alimentos para se posicionar como um parceiro comercial confiável.

“Você tem que olhar a essencialidade dos nossos produtos, e [o Brasil] se colocar como um suprimento confiável de volume, preço competitivo, para todo mundo, para qualquer tipo de país”, afirmou.

É o caso das carnes. Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), afirmou que não vê, neste momento, motivo para esperar uma mudança significativa nas exportações de carnes caso Flávio seja eleito. “Frango não tem partido nem ideologia. Não dá para misturar isso”, afirmou.

Santin disse que o setor continuará trabalhando independentemente de quem ocupar a Presidência ou os ministérios e destacou a dependência mútua entre o Brasil e os mercados compradores.

O Brasil responde por cerca de 37% do comércio global de carne de frango, entre 25% e 30% do de carne bovina e 15% do de carne suína. Por isso, a avaliação é de que uma mudança de orientação política não deveria alterar a estratégia comercial das empresas compradoras, que dependem dos produtos brasileiros. “Não carimbamos nossas proteínas com ideologia ou partido”, reforçou.

De acordo com o representante da ABPA, os embarques de proteínas brasileiras à China cresceram mesmo em meio a mudanças de governo e a polêmicas, inclusive durante a gestão de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Para o executivo, a experiência recente das relações entre Brasil e Estados Unidos mostra que disputas políticas não necessariamente interrompem os fluxos comerciais. Santin citou o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil e afirmou que, mesmo durante o período de tensão, as exportações brasileiras continuaram avançando.

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Mendonça determina remoção de vídeo de Janones e Lindbergh contra Flávio


O vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro André Mendonça, determinou nesta quinta-feira (8) a remoção, em até três horas, de conteúdos falsos sobre supostas propostas do candidato Flávio Bolsonaro (PL publicados nos perfis dos deputados André Janones (Rede-MG) e Lindbergh Farias (PT-MG).

No vídeo, os parlamentares apresentaram “três bombas que Flávio Bolsonaro” deseja apresentar ao eleitorado brasileiro.

A primeira seria aumentar a idade de aposentadoria para 70 anos para homens e 65 para mulheres. A segunda seria desvincular a aposentadoria do salário mínimo, e a terceira, aumentar a carga de trabalho para 12 horas em uma escala de 7 por 0. Além disso, afirmaram que a Petrobras seria privatizada. Segundo o ministro, as informações veiculadas no vídeo não encontram respaldo concreto.

“É necessário distinguir a crítica política legítima, inclusive aquela que formula prognósticos desfavoráveis sobre determinado projeto de governo, da utilização da propaganda eleitoral para atribuir ao adversário propostas específicas que não encontram respaldo nos elementos objetivos disponíveis”, escreveu Mendonça em sua decisão.

O ministro pontuou ainda que o local em que o vídeo foi gravado, em frente ao Ministério da Fazenda, reforça a impressão de que as informações divulgadas possuem “respaldo técnico institucional”.

“A escolha do cenário, isoladamente, não configura irregularidade, tampouco permite presumir a intenção deliberada de simular manifestação oficial. Contudo, considerada em conjunto com a linguagem empregada, pode reforçar perante o eleitorado a impressão de que as informações divulgadas possuem respaldo técnico ou institucional.”

A publicação teve mais de 6,8 milhões de visualizações, 326 mil reações e 40,1 mil comentários, o que evidencia uma expressiva capacidade de circulação. Na avaliação da Corte Eleitoral, isso representa potencial de “produzir efeitos relevantes sobre a formação do eleitorado”, possivelmente impactando o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Diante disso, o vice-presidente do TSE determinou a remoção integral do conteúdo no prazo de três horas e estabeleceu multa diária de R$ 10 mil caso os deputados decidam republicar o vídeo. Além disso, Mendonça comunicou as plataformas digitais, como YouTube e Meta, sobre a decisão para que avaliem o uso de impulsionamento do vídeo.

“Determino, ainda, que as plataformas responsáveis preservem, na medida de sua disponibilidade e observada a legislação aplicável, os registros relativos ao alcance das publicações, às métricas de engajamento e à eventual contratação de impulsionamento pago, para subsidiar a instrução processual e o exame posterior da pretensão sancionatória”, concluiu.

 



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Custo do confinamento amplia diferença de lucro no Sudeste e Centro-Oeste

O custo de produção no confinamento bovino seguiu trajetórias diferentes em setembro no Sudeste e no Centro-Oeste. Enquanto a estabilidade das despesas com alimentação e a valorização do boi gordo favoreceram a rentabilidade dos pecuaristas do Sudeste, o aumento dos custos alimentares pressionou os resultados no Centro-Oeste.

Com essa diferença, o lucro estimado por animal chegou a R$ 1.210,21 no Sudeste, contra R$ 906,75 no Centro-Oeste, uma vantagem de R$ 303,46 por cabeça para a primeira região, a maior registrada em 2026.

Os dados são do ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta), da Ponta Agro, que acompanha as despesas com alimentação nos confinamentos bovinos. Em setembro, a relação entre o preço do boi gordo e o custo diário de alimentação atingiu um recorde histórico no Sudeste. Uma arroba passou a pagar 30,77 dias de cocho, superando pela primeira vez a marca de 30 dias na região.

O resultado foi impulsionado pela valorização de 4,40% do boi gordo, cuja cotação chegou a R$ 356 por arroba, enquanto o custo alimentar diário avançou apenas 0,26%, para R$ 11,57 por cabeça. Na prática, o preço de venda do animal aumentou em um ritmo que permitiu ampliar a capacidade de pagamento das despesas com alimentação durante o confinamento.

O ICAP subiu 6,64% em setembro, para R$ 12,68 por cabeça por dia, registrando a maior alta mensal desde março. O custo da dieta de terminação também aumentou 6,46%, alcançando R$ 1.088,66 por tonelada de matéria seca e interrompendo uma sequência de cinco meses de queda. O consumo diário de matéria seca avançou pelo sexto mês consecutivo e chegou a 10,02 quilos por animal.

Apesar da alta mensal, o custo alimentar no Centro-Oeste permaneceu praticamente estável na comparação anual, com avanço de 0,24% em relação a setembro de 2025. A diferença entre as duas regiões, porém, voltou a aumentar. Depois de recuar para R$ 0,35 por cabeça por dia em agosto, a distância entre os custos alimentares chegou a R$ 1,11 em setembro. O Sudeste manteve o menor ICAP pelo sétimo mês consecutivo.

Custo da arroba

A evolução das despesas também se refletiu no custo de produção de cada arroba obtida durante o confinamento. No Centro-Oeste, esse indicador subiu 11,92% em setembro, para R$ 224,52, o maior valor desde abril de 2025. No mesmo período, a cotação do boi gordo avançou 2,14%, para R$ 333,50 por arroba, ritmo inferior ao aumento do custo de produção.

No Sudeste, o custo da arroba produzida aumentou 4,61%, para R$ 203, enquanto o preço do boi gordo subiu 4,40%, para R$ 356 por arroba. Mesmo com a elevação das despesas por arroba, a região manteve o menor custo de produção entre as duas áreas analisadas.

A diferença entre o comportamento dos custos e o preço de venda ajuda a explicar a evolução da rentabilidade. No Sudeste, o lucro estimado por cabeça avançou 3,98%, para R$ 1.210,21 em setembro. No Centro-Oeste, o resultado recuou 7,77%, para R$ 906,75. A distância de R$ 303,46 por animal entre as regiões foi a maior registrada neste ano.

Outro fator que diferenciou os resultados foi a duração do ciclo de confinamento dos animais abatidos. No Centro-Oeste, o período médio de permanência no cocho passou de 107 para 118 dias. A produção também aumentou, de 7,81 para 8,32 arrobas por cabeça. No Sudeste, os animais permaneceram, em média, 112 dias no confinamento e produziram 7,91 arrobas por cabeça.

Apesar do aumento da produção por animal no Centro-Oeste, a alta das despesas alimentares e o ciclo mais longo pressionaram a rentabilidade estimada. No Sudeste, a valorização do boi gordo e o menor custo diário de alimentação contribuíram para um resultado superior.

A diferença também foi observada na estimativa voltada ao mercado de exportação para a China. Nesse cálculo, a lucratividade chegou a R$ 1.281,40 por cabeça no Sudeste, ante R$ 960,83 no Centro-Oeste.

Preços dos insumos

A comparação dos preços dos insumos de setembro com a referência de junho a agosto mostra que as duas regiões tiveram comportamentos distintos. No Centro-Oeste, os ingredientes proteicos ficaram mais baratos, mas a alta dos volumosos e de outros insumos contribuiu para pressionar os custos da alimentação.

Os insumos energéticos registraram aumento de 0,66%, enquanto os proteicos recuaram 18,51%. Na direção oposta, os volumosos avançaram 27,67%, e a categoria de outros insumos subiu 15,66%.

Entre os ingredientes proteicos, três produtos atingiram os menores preços do ano em setembro. O DDG foi cotado a R$ 937,95 por tonelada, o caroço de algodão a R$ 942,40 por tonelada e o farelo de algodão a R$ 796,90 por tonelada. A redução desses componentes contribuiu para que a categoria encerrasse o mês 18,51% abaixo da referência de junho a agosto.

Na categoria dos energéticos, os custos permaneceram próximos da média dos três meses anteriores, com alta de 0,66%. O milho em grão seco voltou a subir depois de atingir o menor patamar da safrinha em julho.

A principal pressão de alta no Centro-Oeste veio dos volumosos, cujos preços ficaram 27,67% acima da referência de junho a agosto. Segundo o levantamento, alterações na composição das dietas, nos teores de matéria seca ou na amostra de produtos podem contribuir para a variação observada. No entanto, os dados agregados não permitem identificar isoladamente o efeito de cada um desses fatores.

No Sudeste, todas as categorias de insumos ficaram abaixo da referência de junho a agosto. A maior queda ocorreu na categoria de outros produtos, com recuo de 12,67%. Os volumosos diminuíram 5,84%, os proteicos recuaram 4,99% e os energéticos tiveram redução de 1,72%.

Entre os volumosos, o bagaço de cana, que teve o maior número de clientes na amostra de setembro, ficou 8,8% abaixo da referência. A silagem de milho apresentou queda de 24% e atingiu o menor preço do ano.

Nos ingredientes proteicos, o caroço de algodão ficou 15,7% abaixo da referência de junho a agosto, também registrando o menor valor anual em setembro. Já nos energéticos, o milho em grão seco permaneceu praticamente estável, com queda de 0,9% em relação à referência.

O comportamento dos insumos ajuda a explicar parte da diferença entre os custos alimentares regionais. Enquanto o Sudeste registrou recuos em todas as categorias analisadas, o Centro-Oeste enfrentou uma elevação expressiva nos preços dos volumosos, mesmo com a redução dos custos dos ingredientes proteicos.

 

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Custo do confinamento amplia diferença de lucro no Sudeste e Centro-Oesto

O custo de produção no confinamento bovino seguiu trajetórias diferentes em setembro no Sudeste e no Centro-Oeste. Enquanto a estabilidade das despesas com alimentação e a valorização do boi gordo favoreceram a rentabilidade dos pecuaristas do Sudeste, o aumento dos custos alimentares pressionou os resultados no Centro-Oeste.

Com essa diferença, o lucro estimado por animal chegou a R$ 1.210,21 no Sudeste, contra R$ 906,75 no Centro-Oeste, uma vantagem de R$ 303,46 por cabeça para a primeira região, a maior registrada em 2026.

Os dados são do ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta), da Ponta Agro, que acompanha as despesas com alimentação nos confinamentos bovinos. Em setembro, a relação entre o preço do boi gordo e o custo diário de alimentação atingiu um recorde histórico no Sudeste. Uma arroba passou a pagar 30,77 dias de cocho, superando pela primeira vez a marca de 30 dias na região.

O resultado foi impulsionado pela valorização de 4,40% do boi gordo, cuja cotação chegou a R$ 356 por arroba, enquanto o custo alimentar diário avançou apenas 0,26%, para R$ 11,57 por cabeça. Na prática, o preço de venda do animal aumentou em um ritmo que permitiu ampliar a capacidade de pagamento das despesas com alimentação durante o confinamento.

O ICAP subiu 6,64% em setembro, para R$ 12,68 por cabeça por dia, registrando a maior alta mensal desde março. O custo da dieta de terminação também aumentou 6,46%, alcançando R$ 1.088,66 por tonelada de matéria seca e interrompendo uma sequência de cinco meses de queda. O consumo diário de matéria seca avançou pelo sexto mês consecutivo e chegou a 10,02 quilos por animal.

Apesar da alta mensal, o custo alimentar no Centro-Oeste permaneceu praticamente estável na comparação anual, com avanço de 0,24% em relação a setembro de 2025. A diferença entre as duas regiões, porém, voltou a aumentar. Depois de recuar para R$ 0,35 por cabeça por dia em agosto, a distância entre os custos alimentares chegou a R$ 1,11 em setembro. O Sudeste manteve o menor ICAP pelo sétimo mês consecutivo.

Custo da arroba

A evolução das despesas também se refletiu no custo de produção de cada arroba obtida durante o confinamento. No Centro-Oeste, esse indicador subiu 11,92% em setembro, para R$ 224,52, o maior valor desde abril de 2025. No mesmo período, a cotação do boi gordo avançou 2,14%, para R$ 333,50 por arroba, ritmo inferior ao aumento do custo de produção.

No Sudeste, o custo da arroba produzida aumentou 4,61%, para R$ 203, enquanto o preço do boi gordo subiu 4,40%, para R$ 356 por arroba. Mesmo com a elevação das despesas por arroba, a região manteve o menor custo de produção entre as duas áreas analisadas.

A diferença entre o comportamento dos custos e o preço de venda ajuda a explicar a evolução da rentabilidade. No Sudeste, o lucro estimado por cabeça avançou 3,98%, para R$ 1.210,21 em setembro. No Centro-Oeste, o resultado recuou 7,77%, para R$ 906,75. A distância de R$ 303,46 por animal entre as regiões foi a maior registrada neste ano.

Outro fator que diferenciou os resultados foi a duração do ciclo de confinamento dos animais abatidos. No Centro-Oeste, o período médio de permanência no cocho passou de 107 para 118 dias. A produção também aumentou, de 7,81 para 8,32 arrobas por cabeça. No Sudeste, os animais permaneceram, em média, 112 dias no confinamento e produziram 7,91 arrobas por cabeça.

Apesar do aumento da produção por animal no Centro-Oeste, a alta das despesas alimentares e o ciclo mais longo pressionaram a rentabilidade estimada. No Sudeste, a valorização do boi gordo e o menor custo diário de alimentação contribuíram para um resultado superior.

A diferença também foi observada na estimativa voltada ao mercado de exportação para a China. Nesse cálculo, a lucratividade chegou a R$ 1.281,40 por cabeça no Sudeste, ante R$ 960,83 no Centro-Oeste.

Preços dos insumos

A comparação dos preços dos insumos de setembro com a referência de junho a agosto mostra que as duas regiões tiveram comportamentos distintos. No Centro-Oeste, os ingredientes proteicos ficaram mais baratos, mas a alta dos volumosos e de outros insumos contribuiu para pressionar os custos da alimentação.

Os insumos energéticos registraram aumento de 0,66%, enquanto os proteicos recuaram 18,51%. Na direção oposta, os volumosos avançaram 27,67%, e a categoria de outros insumos subiu 15,66%.

Entre os ingredientes proteicos, três produtos atingiram os menores preços do ano em setembro. O DDG foi cotado a R$ 937,95 por tonelada, o caroço de algodão a R$ 942,40 por tonelada e o farelo de algodão a R$ 796,90 por tonelada. A redução desses componentes contribuiu para que a categoria encerrasse o mês 18,51% abaixo da referência de junho a agosto.

Na categoria dos energéticos, os custos permaneceram próximos da média dos três meses anteriores, com alta de 0,66%. O milho em grão seco voltou a subir depois de atingir o menor patamar da safrinha em julho.

A principal pressão de alta no Centro-Oeste veio dos volumosos, cujos preços ficaram 27,67% acima da referência de junho a agosto. Segundo o levantamento, alterações na composição das dietas, nos teores de matéria seca ou na amostra de produtos podem contribuir para a variação observada. No entanto, os dados agregados não permitem identificar isoladamente o efeito de cada um desses fatores.

No Sudeste, todas as categorias de insumos ficaram abaixo da referência de junho a agosto. A maior queda ocorreu na categoria de outros produtos, com recuo de 12,67%. Os volumosos diminuíram 5,84%, os proteicos recuaram 4,99% e os energéticos tiveram redução de 1,72%.

Entre os volumosos, o bagaço de cana, que teve o maior número de clientes na amostra de setembro, ficou 8,8% abaixo da referência. A silagem de milho apresentou queda de 24% e atingiu o menor preço do ano.

Nos ingredientes proteicos, o caroço de algodão ficou 15,7% abaixo da referência de junho a agosto, também registrando o menor valor anual em setembro. Já nos energéticos, o milho em grão seco permaneceu praticamente estável, com queda de 0,9% em relação à referência.

O comportamento dos insumos ajuda a explicar parte da diferença entre os custos alimentares regionais. Enquanto o Sudeste registrou recuos em todas as categorias analisadas, o Centro-Oeste enfrentou uma elevação expressiva nos preços dos volumosos, mesmo com a redução dos custos dos ingredientes proteicos.

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Veja os partidos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro e a Lula


Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições 2026 em 25 de outubro. Flávio obteve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. Desde o resultado, candidatos derrotados e partidos já começaram a declarar apoio a um dos dois presidenciáveis, enquanto alguns outros ainda não definiram seu posicionamento.

Entre os apoiadores de Flávio, estão os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além de Augusto Cury (Avante) e Clariana Barão (DC).

Lula recebeu declarações de apoio do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), ligado ao ex-candidato Hertz Dias; do PCB (Partido Comunista Brasileiro), representado por Edmilson Costa; e do UP (Unidade Popular), de Samara  Martins.

Até o momento, Renan Santos (Missão), Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) não declararam publicamente apoio a nenhum dos candidatos.

Quem declarou apoio a Flávio Bolsonaro

O escritor Augusto Cury, terceiro colocado na disputa presidencial, fechou apoio a Flávio Bolsonaro nesta quinta-feira (8). Na véspera, Cury havia pedido paciência e afirmado que se manifestaria “em breve”. Ele recebeu 2,89% dos votos, o equivalente a 3,45 milhões de votos, em números absolutos.

Romeu Zema anunciou o apoio na segunda-feira (5), por meio das redes sociais. Ele afirmou que o país corre risco com mais quatro anos do PT (Partido dos Trabalhadores) e disse que, por coerência com sua trajetória, não poderia “ficar em cima do muro“. Zema recebeu 0,27% dos votos, ou 326,5 mil.

“Em 2018 e 2022 estive com Jair Bolsonaro no segundo turno, e agora em 2026 apoio Flávio no segundo turno. O inimigo é um só. E ele será derrotado“, declarou.

Durante a apuração dos votos do primeiro turno das eleições gerais, Zema já havia dito que “onde tiver PT, eu, Girão e Novo estaremos do outro lado”.

Na terça-feira (6), Ronaldo Caiado oficializou seu apoio a Flávio durante um evento em Goiânia. Ele afirmou que estará com o senador “de corpo inteiro” e que a aliança é motivada pela convicção de “derrotar o PT”. Ele recebeu 2,18% dos votos, cerca de 2,61 milhões.

Clariana Barão também anunciou apoio ao senador na quarta-feira (7), após reunião com o presidente nacional do PL (Partido Liberal), Valdemar Costa Neto. A candidata recebeu 0,03% dos votos, ou 40 mil, e colocou-se à disposição para colaborar com a campanha.

Clariana afirmou, porém, esperar que Flávio preserve os direitos conquistados pelas mulheres e assuma o compromisso de destinar a elas pelo menos metade das indicações ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Quem declarou apoio a Lula

O partido UP (Unidade Popular) declarou apoio à reeleição de Lula nesta quinta-feira (8). A manifestação foi feita por Samara Martins, ex-candidata à Presidência, e pelo presidente nacional da sigla, Leonardo Péricles Vieira Roque. Samara recebeu 0,10% dos votos, o equivalente a cerca de 123 mil.

A legenda convocou a militância a ir às ruas para “derrotar o fascismo” e defendeu pautas como o fim do feminicídio e da escala de trabalho 6×1, a nacionalização das riquezas e o aumento do salário mínimo. “Bolsonaro nunca mais. Vamos derrotar o fascismo, vote 13 nesse segundo turno e viva a luta popular“, afirmou Roque.

O PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), de Hertz Dias, declarou apoio “crítico” a Lula na quarta-feira (7). Hertz recebeu 0,04% dos votos, o equivalente a 43,1 mil.

“Nós compreendemos o que significaria um governo de Flávio Bolsonaro no Brasil diante da ofensiva que existe do imperialismo norte-americano na América Latina e contra o nosso próprio país. Significaria aprofundar os ataques ao conjunto da classe trabalhadora e todos os seus setores oprimidos“, justificou Hertz.

O PCB (Partido Comunista Brasileiro) também defendeu a derrota da extrema direita e o voto em Lula. Em publicação nas redes sociais, o candidato da sigla, Edmilson Costa, afirmou que a prioridade é preservar as liberdades democráticas e impedir a volta da extrema direita ao poder. Costa recebeu 0,02% dos votos, ou 22,6 mil.

Quem ainda não definiu apoio

Renan Santos, presidente do partido Missão e quarto colocado na disputa presidencial, ainda não anunciou apoio a nenhum dos candidatos. Ele recebeu 2,24% dos votos, cerca de 2,68 milhões.

Após especulações nas redes sociais sobre uma possível aproximação com Lula após publicar fotos de uma cortina e um tapete vermelhos, Renan negou a intenção de apoiar o petista.

“Eu odeio o PT. Eu jamais vou votar no Lula. Tá bom? Para com isso. Isso aqui é só uma cortina“, afirmou nos stories do Instagram nesta quinta-feira (8). Ele também disse que não conversou nem pretende se encontrar com nenhum dos presidenciáveis.

O PCO (Partido da Causa Operária), de Rui Costa Pimenta, informou que definirá sua posição em uma Conferência Nacional. Segundo a sigla, a orientação será debatida e decidida pela militância, e não anunciada individualmente pelo presidente ou acertada em reunião fechada da direção. Rui Costa Pimenta recebeu 0,01% dos votos, ou 15 mil.

Wilson Grassi (Democrata), que recebeu 0,01% dos votos, ou 16,8 mil, também não anunciou uma decisão. Em vídeo publicado no Instagram, disse que consultou seus gatos e saruês sobre qual candidato apoiar, mas não chegou a um acordo. Depois, convocou os seguidores a comentar se deveria escolher Lula ou Flávio.



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