A Pilgrim’s Pride Corp informou nesta sexta-feira (9) que seu conselho de administração formou um comitê especial composto por conselheiros independentes para avaliar a oferta não solicitada da JBS para adquirir as ações restantes da empresa de carne de frango norte-americana.
A JBS, acionista majoritária da Pilgrim’s, divulgou em agosto que pretendia adquirir as ações que ainda não possuía, buscando o controle total e o fechamento de capital da empresa.
Maior produtora global de carnes, que já detém cerca de 82% da companhia dos EUA, a JBS ofereceu 2,086 ações da Classe A, ou US$28,49, por ação da Pilgrim’s Pride em sua proposta — em linha com o preço de fechamento das ações naquele dia.
O comitê especial nomeou a Ropes & Gray LLP como consultora jurídica e a Moelis & Company LLC como consultora financeira para auxiliar na análise da proposta, informou a Pilgrim’s Pride.
A empresa afirmou que seu conselho não aprovaria a transação proposta sem uma recomendação favorável do comitê especial.
Acrescentou ainda que não havia garantia de que um acordo definitivo fosse alcançado ou de que qualquer transação fosse, de facto, concluída.
As ações da empresa fecharam a última sessão a US$28,50, o que lhe confere uma capitalização de mercado de US$6,79 bilhões, de acordo com dados compilados pela LSEG.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal (PF) prender Nailze Aparecida Ribeiro Silva, de 54 anos, condenada nos atos golpistas de 8 de Janeiro.
Neilze foi condenada por cinco crimes, sendo eles associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Antes da decisão, era monitorada com tornozeleira eletrônica.
A prisão foi determinada pela ação penal de Neilze estar em trânsito em julgado, ou seja, não cabem mais recursos em nenhuma instância. O mandado foi expedido na última quarta-feira (7).
Em virtude do trânsito em julgado desta Ação Penal, DETERMINO o início do cumprimento da pena de reclusão, em regime fechado, imposta a NAILZE APARECIDA RIBEIRO SILVA.Alexandre de Moraes
O total da pena imposta a Neilze é de 14 anos em regime fechado. Neilze mora em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
A inflação de setembro avançou 0,82%, acima das expectativas, e reverteu a deflação do mês anterior, levando o acumulado de 12 meses a 4,58%, rompendo o teto da meta, de 4,5%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (16).
Segundo os economistas, houve uma piora qualitativa do indicador, marcada pela aceleração nos núcleos de inflação e pela resiliência nos preços do setor de serviços. Isso fez com que parte do mercado se dividisse sobre a análise dos rumos da política monetária, que está em uma tendência de corte de juros.
Enquanto parte dos analistas defende a continuidade dos cortes da taxa Selic, baseada no alívio do câmbio e em sinais de desaceleração da economia, uma outra ala já avalia que as pressões inflacionárias exigem uma pausa no ciclo de afrouxamento.
“As perspectivas permanecem sob pressão: a inflação de serviços deve continuar resiliente dado o mercado de trabalho aquecido, os preços de alimentos devem manter-se pressionados pelo fenômeno El Niño, e os preços do petróleo próximos a US$ 100 o barril adicionam pressão sobre os reajustes de combustíveis, bens industriais e tarifas aéreas”, avalia a XP.
Para o Goldman Sachs, a conjuntura deixa pouco espaço para o corte de juros no curto prazo, e a recomendação é de uma cautela adicional.
Continua depois da publicidade
Agosto (%)
Setembro (%)
Índice Geral
-0,32
0,82
Alimentação e bebidas
-0,34
0,83
Habitação
-1,87
2,31
Artigos de residência
0,64
0,27
Vestuário
0,12
0,71
Transportes
-0,86
0,89
Saúde e cuidados pessoais
0,23
0,08
Despesas pessoais
1,3
0,26
Educação
0,47
0,04
Comunicação
-0,09
0,64
Fonte: IBGE
O que puxou a alta do IPCA de setembro
A elevação de 0,82% no mês veio acima das projeções medianas do mercado, que estavam em torno de 0,76%. A principal força do avanço foi o grupo Habitação, que registrou alta de 2,31% no período, puxado pela energia elétrica residencial, que avançou 7,98% após o fim do Bônus de Itaipu, que havia derrubado artificialmente as contas em agosto.
Em paralelo, fatores climáticos como a seca, as queimadas e os reflexos iniciais do fenômeno El Niño atingiram a oferta agrícola e pesaram sobre o grupo Alimentação e Bebidas, que vinha de três meses consecutivos de queda. Os choques mais severos ocorreram nos alimentos in natura, com o preço do tomate subindo 37,76%, seguido pela batata-inglesa (24,07%) e pela cebola (10,14%).
O cenário de preços voláteis foi agravado pelos combustíveis, setor no qual a gasolina subiu 1,21% e o etanol encareceu 3,16%, frustrando as expectativas de queda.
Continua depois da publicidade
Piora nos núcleos e alerta no setor de serviços
Para além das oscilações pontuais de tarifas e alimentos, a grande preocupação dos economistas se voltou para a base estrutural do IPCA. Houve uma aceleração na média dos núcleos de inflação — métrica que exclui os itens mais voláteis —, que passou de 0,23% em agosto para 0,36% em setembro, indicando que o processo desinflacionário perdeu tração.
O grande alerta veio do setor de serviços, que teve um salto inflacionário de 0,03% para 0,61% no mês. Embora parte dessa pressão derivasse da disparada de 9,66% nas passagens aéreas e da ausência de descontos em ingressos de cinema, métricas vitais como a alimentação fora de casa (0,49%) e os serviços intensivos em trabalho permaneceram rodando em patamares elevados.
“Com o mercado de trabalho aquecido, renda crescendo acima da produtividade e expectativas de inflação acima da meta, o repasse de custos fica mais fácil e a inflação de serviços demora mais a ceder”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Continua depois da publicidade
Roberto Luis Troster, coordenador do Cefeb/Fipe, destaca que os núcleos mais sensíveis à mão de obra intensiva estão resistindo a desacelerar, limitando a desinflação orgânica.
Impacto do IPCA de setembro na taxa Selic
Diante da composição desfavorável do IPCA, a percepção do mercado se dividiu em relação à decisão que o Comitê de Política Monetária (Copom) tomará no início de novembro.
Uma ala de economistas passou a prever umaparalisação nos cortes da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, estima que não haverá mais cortes de juros neste ano, com a Selic terminando 2026 no atual patamar.
Continua depois da publicidade
Para Gabriel Foglieni, da Eleva Invest, também vê que o avanço da inflação e o descontrole nos serviços fortalecem a leitura de que o Banco Central pode pausar o ciclo de cortes na próxima reunião.
Troster, do Cefeb/Fipe, avalia que os números da inflação tiram a margem de manobra do Banco Central. Para ele, “é razoável” esperar uma pausa no ciclo de redução dos juros.
No outro lado, especialistas avaliam que os choques não alteram a trajetória de longo prazo da política monetária. Leonardo Costa, economista do ASA, sustenta que a estratégia provável segue sendo “cortes graduais de 25bps”, apoiada na avaliação de que a atividade doméstica dá sinais concretos de esfriamento.
Filipe Stona, da Sicredi Asset, diz que a desaceleração econômica em curso e a expressiva valorização da moeda brasileira mantém aberto o “espaço para continuidade do ciclo de calibração” dos juros.
Projeções para a Selic em 2026 e 2027
Como fator atenuante da inflação, o recuo da taxa de câmbio, com o dólar operando próximo a R$ 5,00, tem sido visto como fator de retirada da pressão nos preços.
Segundo especialistas, esse patamar cambial tem o potencial de subtrair até 0,5 ponto percentual da inflação acumulada, amortecendo o aumento dos insumos importados.
Apesar do dissenso de curto prazo, o consenso ainda indica uma redução residual da Selic em novembro de 0,25 ponto percentual, o que levaria os juros a encerrarem 2026 em 13,50% ao ano.
Olhando para o longo prazo, há uma convergência de que o juro continuará em declínio ao longo de 2027, ainda que condicionado ao cenário fiscal do próximo governo e ao ambiente externo.
Matheus Pizzani, da PicPay, projeta que a taxa terminal alcance 11,50% em 2027. Para André Valério, economsita do Inter, a Selic deve cair ainda mais, atingindo 11% no mesmo período. Consultorias financeiras, como Wiser Asset e MA7 Capital, estimam uma Selic perto dos 12% ao fim de 2027, marco apontado como fundamental para permitir a reestruturação das dívidas empresariais e uma gradual retomada das concessões de crédito livre.
O receio de ter o nome associado ao Partido dos Trabalhadores (PT) levou o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) a antecipar o anúncio de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, segundo aliados.
Inicialmente, a manifestação estava prevista para ocorrer somente após o retorno de Cury ao Brasil, já que o ex-presidenciável está na Europa.
Segundo interlocutores, a decisão foi acelerada após contatos da campanha de Flávio e manifestações de diretórios do Avante favoráveis à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O entorno de Cury temia que a ausência de um posicionamento público abrisse espaço para especulações sobre uma possível aproximação com o petista, provocando desgaste em sua imagem.
No Piauí, o presidente estadual do Avante, Gustavo Henrique, anunciou apoio à reeleição de Lula. Na Bahia, Ronaldo Carletto, que comanda a legenda no estado, também reafirmou o apoio ao petista.
Durante a campanha presidencial, circularam informações falsas de que Cury teria apoiado Lula em 2022. Naquele ano, porém, quem integrou oficialmente a coligação petista foi o Avante, partido ao qual o escritor só se filiou em 2026.
Saindo da neutralidade
Terceiro colocado no primeiro turno, com 3.448.569 votos, o equivalente a 2,89% dos votos válidos, Cury chegou a alcançar 11% das intenções de voto em pesquisa. Durante a campanha, o candidato havia afirmado que não apoiaria “nem Lula nem Flávio”. A posição inicial era de neutralidade.
Noiva cobiçada
Enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu estabelecer contato direto com o escritor, Lula não chegou a conversar com o ex-presidenciável. Ainda no primeiro turno, o petista havia declarado, em entrevista à Rádio Itatiaia, que pretendia procurá-lo para discutir uma possível aliança na segunda etapa da disputa.
A adesão à campanha de Flávio ocorreu depois que outros dois ex-presidenciáveis, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), anunciaram apoio ao senador. Ao ser procurado pela campanha bolsonarista, Cury condicionou sua manifestação à assinatura de uma carta com oito compromissos.
Na manhã de quinta-feira (8), Flávio e Cury conversaram por videoconferência durante mais de uma hora. O encontro resultou na assinatura do documento intitulado Termo de Compromisso Público com o Brasil, no qual o senador assumiu compromissos defendidos pelo escritor durante a campanha.
Compromissos
Entre as exigências estão a defesa de uma reforma constitucional para acabar com a reeleição presidencial, a ampliação da educação em tempo integral, a valorização dos professores e a expansão do ensino técnico. Na saúde, Flávio se comprometeu a criar uma ampla rede pública de telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), com o uso de inteligência artificial para reduzir o tempo de espera por consultas com especialistas.
O documento também prevê medidas de combate à violência contra as mulheres, incluindo a criação de um aplicativo com botão de pânico conectado às forças de segurança, além do fortalecimento de delegacias especializadas e de políticas de autonomia econômica feminina.
Na economia, os compromissos incluem o financiamento de microempreendimentos por meio do BNDES, o incentivo ao cooperativismo e a meta de dobrar a produção brasileira de alimentos em dez anos.
Outro ponto da carta trata da pacificação nacional. Flávio assumiu o compromisso de governar sem perseguições políticas e de respeitar brasileiros de diferentes correntes ideológicas.
O documento ressalta que a adesão de Cury não envolve negociação de cargos ou vantagens pessoais e estabelece que o escritor manterá independência para cobrar e criticar uma eventual gestão de Flávio.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou inflação de 0,82% em setembro de 2026, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base de comparação anual, alta foi de 4,58%.
O dado foi acima do esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de inflação de 0,73% no mês e alta de 4,50% em 12 meses.
Todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram variação positiva em setembro. Habitação registrou a maior alta e impacto (2,31% e 0,35 p.p.), seguido de Transportes (0,89%) e Alimentação e bebidas (0,83%).
Com o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto, a energia elétrica residencial, do grupo Habitação (2,31%), subiu 7,98% em setembro, destacando-se como o principal impacto individual no índice do mês (0,32 p.p.). Ressalta-se a continuidade da vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.
Além disso, houve a incorporação dos seguintes reajustes tarifários: 6,63% em Belém (7,05%) desde 18 de setembro; 5,42% em São Luís (12,84%) a partir de 28 de agosto e 6,89% em Vitória (10,85%), a partir de 7 de agosto. Em Rio Branco (3,41%) e Fortaleza (1,57%), as tarifas foram reduzidas em, respectivamente, 5,20% e 6,65%, a partir de 26 de agosto, em razão da incorporação de recursos da repactuação do Uso de Bem Público (UBP), aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Continua depois da publicidade
Ainda em Habitação destaca-se, também, a variação de 0,05% no gás encanado, em função dos reajustes nas tarifas de 10,21% e 1,80% em Curitiba (0,29%) e no Rio de Janeiro (0,05%), respectivamente, ambos a partir de 1º de agosto. A taxa de água e esgoto (0,13%) reflete o reajuste de 6,94% em Vitória (6,94%), vigente desde 1º de setembro.
A variação do grupo Transportes (0,89%) reflete, além da alta de 9,66% das passagens aéreas, a variação positiva de 1,41% nos combustíveis, com a subida nos preços do etanol (3,16%), do óleo diesel (1,69%), da gasolina (1,21%) e do gás veicular (0,10%). O subitem táxi (0,20%) considera o reajuste de 8,42% nas tarifas em Belo Horizonte (1,97%), vigente desde 08 de agosto.
O grupo Alimentação e bebidas apresentou variação positiva de 0,83% em setembro, após três recuos consecutivos. A alimentação no domicílio subiu 0,96% devido às altas do tomate (37,76%), da batata-inglesa (24,07%), da cebola (10,14%), do arroz (4,56%) e das carnes (0,63%). No lado das quedas, destacam-se o frango inteiro (-1,96%), frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).
Continua depois da publicidade
A alimentação fora do domicílio acelerou de 0,36% em agosto para 0,48% em setembro, com a refeição saindo de 0,18% para 0,49% e o lanche desacelerando de 0,62% para 0,47%, no mesmo período.
Em relação aos índices regionais, a maior variação (1,08%) ocorreu em Vitória, por conta da alta da energia elétrica residencial (10,85%) e do tomate (43,19%). Já a menor variação ocorreu em Rio Branco (0,53%), em função dos recuos da passagem aérea (-14,13%) e do ovo de galinha (-7,40%).
A moagem de cacau no Brasil permaneceu abaixo dos níveis registrados antes da crise do setor, apesar da recuperação observada no terceiro trimestre de 2026. Entre janeiro e setembro, o processamento somou 155.169 toneladas, volume 18,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2023 e 8,6% abaixo de 2024. Na comparação com os nove primeiros meses de 2025, houve crescimento de 7,7%.
Os dados foram compilados pelo SindiDados – Campos Consultores e divulgados pela AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau). O levantamento aponta uma recuperação recente da atividade industrial em um cenário de aumento da oferta nacional de amêndoas, mas indica que a moagem ainda não retornou aos patamares anteriores à crise.
No terceiro trimestre, o processamento alcançou 53.743 toneladas, alta de 8,1% em relação ao segundo trimestre e de 16,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
Recebimento de amêndoas
Entre outubro de 2025 e setembro de 2026, o recebimento de amêndoas de cacau pelas indústrias brasileiras totalizou 226.497 toneladas, crescimento de 25,3% em relação à safra anterior.
No terceiro trimestre de 2026, o volume recebido foi de 71.652 toneladas, aumento de 7,7% frente ao trimestre anterior e de 5% na comparação anual. Foi o maior volume registrado em um terceiro trimestre entre 2023 e 2026.
O resultado acompanha a sazonalidade da produção brasileira, que concentra maior disponibilidade de cacau entre abril e setembro. Segundo a AIPC, a manutenção desse desempenho dependerá de fatores como condições climáticas, sanidade das lavouras, produtividade, assistência técnica e investimentos no campo.
Para a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a continuidade dessa recuperação depende da evolução da demanda por derivados de cacau. Segundo ela, o avanço da oferta de matéria-prima precisa ser acompanhado pelo aumento do consumo para ampliar a atividade industrial, a geração de renda e os empregos na cadeia produtiva.
A entidade destaca que o aumento da oferta, isoladamente, não garante a retomada da atividade industrial. A evolução da moagem será um dos indicadores a acompanhar nos próximos períodos para avaliar se a maior disponibilidade de matéria-prima se traduzirá em aumento sustentado do processamento.
Exportações de derivados
As exportações brasileiras de derivados de cacau somaram 17.311 toneladas entre julho e setembro, alta de 22,1% em relação ao segundo trimestre e de 54,3% na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
De janeiro a setembro, os embarques totalizaram 44.050 toneladas, crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Argentina e Estados Unidos foram os principais destinos no terceiro trimestre, com aproximadamente 32% do volume exportado cada um.
De acordo com a AIPC, o aumento das exportações contribuiu para o avanço da moagem no período. A entidade, no entanto, ressalta que a continuidade dos embarques será importante para confirmar uma recuperação consistente da demanda por derivados.
No mercado interno, as importações de derivados recuaram 16,1% no terceiro trimestre, para 9.373 toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, somaram 32.709 toneladas, queda de 2% em relação a 2025.
Importações de amêndoas
O Brasil não registrou importações de amêndoas de cacau no segundo e no terceiro trimestres de 2026. Todo o volume importado nos nove primeiros meses do ano, de 18.068 toneladas, ingressou no país entre janeiro e março.
O total representa uma redução de 57,1% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a AIPC, a queda está relacionada ao aumento da disponibilidade de matéria-prima nacional e ao nível de atividade da indústria.
A associação ressalta, porém, que a redução das compras externas não significa que o país tenha alcançado autossuficiência estrutural na oferta de cacau. As importações continuam sendo utilizadas de forma complementar, conforme as condições de produção e demanda.
No ano, o saldo total da poupança está negativo em R$ 66,432 bilhões; o único mês de 2026 com mas depósitos do que retiradas foi maio
A caderneta de poupança voltou a apresentar saldo negativo líquido em setembro. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (9), as retiradas superaram os depósitos em R$ 9,350 bilhões, um saldo negativo menor que as saídas líquidas de R$ 10,573 bilhões de agosto.
Os depósitos em setembro somaram R$ 338,993 bilhões, enquanto as retiradas alcançaram R$ 348,343 bilhões.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o governo vai editar a medida provisória (MP) que regulamenta o Imposto Seletivo depois das eleições. O tributo federal foi criado pela Reforma Tributária, incide sobre bens e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. O ministro afirmou que antes vai ouvir representantes dos setores impactados pelo novo imposto.
— Na semana que vem vai ter uma reunião, e há o compromisso do governo, do presidente Lula, de encaminhar o acordo feito com os setores nessa reunião para o Congresso, após as eleições, de maneira a preservar o acordo com os setores — afirmou o ministro nesta quinta-feira, após se reunir com o relator da Reforma Tributária na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
A partir de fevereiro
Com o adiamento da publicação, o governo só vai arrecadar o Imposto Seletivo a partir de fevereiro, por conta do intervalo necessário de 90 dias entre a publicação do tributo e quando ele começará a valer.
O ministro aproveitou para defender o split payment, mecanismo também instituído pela reforma, que separa automaticamente os tributos sobre o consumo na hora do pagamento pelo cliente e os repassa ao Fisco. Segundo ele, trata-se de um instrumento inovador de combate à sonegação. O fim do split payment é defendido pela equipe econômica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
— O split payment é um instrumento tecnológico, uma inovação que foi incluída, debatida no Congresso, aprovada por ampla maioria, que garante a diminuição da sonegação, da emissão de nota fiscal fria, da existência de noteiras e empresas fraudulentas que emitem uma nota fiscal sem que haja o respectivo pagamento do tributo, gerando um crédito fictício, demanda e contencioso, seja na Receita Federal, seja na Polícia Federal, pra apurar a sonegação — observou o ministro.
Split payment começará opcional e gradual
Continua depois da publicidade
Ele destacou que o split payment começa a valer de forma opcional e gradual nas transações entre empresas.
— As empresas, em especial as pequenas empresas que têm uma relação no varejo, vendendo pro consumidor final, não serão impactadas agora pela discussão do split payment, num primeiro momento — disse o ministro, acrescentando que, em caso de dificuldades com o novo mecanismo, as empresas terão ajuda:
— Vai haver apoio do governo, seja com linha de crédito, seja com transições normativas, adaptando o calendário, de maneira que a gente não jogue fora ou não prejudique um grande ganho pro país, que é a reforma tributária.
Continua depois da publicidade
O ministro também rebateu as críticas à Reforma Tributária, argumentando que um eventual adiamento, além de trazer insegurança jurídica, prejudicaria os consumidores, sobretudo os de baixa renda.
— Atrasar, prejudicar, de alguma maneira querer prorrogar a reforma tributária é prorrogar as decisões que o Congresso tomou, com apoio técnico do Ministério da Fazenda, que vão trazer redução de preço da cesta básica — disse Durigan.
O mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar o ano com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de aproximadamente 10% em volume na comparação com 2025, segundo projeção da ANPII Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos).
No primeiro semestre, o volume comercializado aumentou 7% em relação ao mesmo período de 2025. Já o valor das vendas permaneceu estável, em um cenário marcado pelo adiamento de compras e pela pressão sobre os preços dos insumos agrícolas.
A desaceleração foi mais acentuada no segundo trimestre, quando problemas relacionados aos preços e ao abastecimento de fertilizantes, somados às incertezas sobre as cotações futuras das principais commodities agrícolas, influenciaram as decisões dos produtores. Parte das compras foi postergada para períodos mais próximos do início do plantio da safra de verão.
Segundo Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio, o crescimento do volume comercializado indica a continuidade da adoção de produtos biológicos, embora o comportamento dos preços tenha limitado o avanço do faturamento no primeiro semestre. A entidade projeta uma retomada do ritmo de compras na segunda metade do ano, com impacto no resultado anual.
Os dados foram apresentados pela consultoria 5P2R Marketing de Precisão às empresas associadas à ANPII Bio no fim de agosto. A plataforma reúne uma série histórica iniciada em 2009 e conta atualmente com informações de 30 empresas, permitindo acompanhar a evolução do mercado e as mudanças na composição da indústria.
Mudanças no mix
Além dos indicadores de vendas, os dados apontam mudanças no perfil dos produtos disponíveis no mercado. Entre os biodefensivos, aumentou a participação de soluções que combinam mais de uma classe de uso, como nematicidas-fungicidas e acaricidas-inseticidas biológicos. No segmento de inoculantes, também avançam formulações que reúnem diferentes espécies de microrganismos.
Essas categorias responderam por 22% do valor das vendas no primeiro trimestre de 2026, contra 16% em 2025, conforme os dados da plataforma.
“Essa mudança no mix é um dos sinais de amadurecimento do mercado. As empresas estão ampliando seus portfólios e incorporando tecnologias com diferentes funcionalidades e combinações de microrganismos. Também observamos uma diversificação na atuação das indústrias, que passaram a estar presentes em mais de um segmento, acompanhando a demanda por soluções cada vez mais integradas ao manejo agrícola”, disse Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão.
A diversificação também aparece no perfil das companhias monitoradas. Das 30 empresas analisadas em 2026, metade atua tanto com inoculantes quanto com defensivos biológicos. As demais concentram suas operações em um dos dois segmentos. Em 2022, a proporção de empresas presentes nas duas categorias era de 26%.
Lei de Bioinsumos
O mercado de bioinsumos também acompanha a regulamentação da Lei nº 15.070/2024, conhecida como Lei de Bioinsumos. Em outubro de 2026, a expectativa da indústria é pela publicação do decreto regulamentador, etapa que deverá anteceder a discussão de portarias e de outros atos complementares necessários à aplicação prática da legislação.
Para a ANPII Bio, a conclusão desse processo está relacionada à previsibilidade regulatória e às condições para investimentos e desenvolvimento de novas tecnologias. A entidade também destaca a necessidade de estabelecer regras compatíveis com as características dos diferentes produtos biológicos e com a operação das empresas do setor.
Após a publicação do decreto, a implementação do marco legal deverá avançar por meio de normas complementares. A expectativa da associação é que esse processo contemple aspectos de segurança, inovação, proporcionalidade e viabilidade operacional, considerando também as necessidades dos produtores rurais.
As linhas 1-Azul e 5-Lilás do Metrô de São Paulo apresentaram problemas na circulação dos trens na manhã desta sexta-feira (9). As ocorrências provocaram redução de velocidade, aumento no intervalo entre as composições e acionamento do sistema de ônibus gratuito Paese. A Linha 3-Vermelha também foi afetada.
Na Linha 1-Azul, o problema começou por volta das 4h40, após um trem de manutenção ficar preso em um túnel na região da estação Vergueiro. A necessidade de retirar o veículo provocou interferência na via e obrigou os trens a circular com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas plataformas.
Entre as estações São Joaquim e Paraíso, as composições passaram a operar por via singela, sistema em que uma única via é utilizada alternadamente pelos trens que circulam nos dois sentidos. No restante da linha, a operação continuou pelas duas vias.
Segundo o Metrô, o processo de normalização começou às 6h06. A ocorrência também provocou restrições de velocidade na Linha 3-Vermelha. Para reduzir os transtornos, a companhia acionou dez ônibus do sistema Paese para atender gratuitamente os passageiros no trecho entre as estações Sé e Ana Rosa. O Metrô pediu desculpas aos usuários pelos problemas na operação.
Linha 5-Lilás
A Linha 5-Lilás registrou uma falha em equipamento de via na região da estação Santo Amaro, provocando maiores intervalos entre os trens na manhã desta sexta-feira.
Segundo a concessionária Motiva, responsável pela operação, os trens passaram a circular por uma única via na estação Santo Amaro, enquanto equipes de manutenção trabalhavam para solucionar o problema. Diante da ocorrência, 60 ônibus do sistema Paese foram acionados para reforçar o transporte de passageiros.