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Ministro do MMA critica “dia do agro” na Câmara: retrocesso inimaginável

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (20), representantes do MMA (Ministério do Meio Ambiente), ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) se posicionaram de foram contrária e apresentaram contrapontos a cinco PLs (Projetos de Lei) aprovados para votação em regime de urgência na Câmara dos Deputados no “dia do agro”, na terça-feira (19).

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou a votação de terça como “uma ação coordenada” do agronegócio e as decisões como “um retrocesso inimaginável” para a proteção ambiental brasileira.

Na avaliação do titular da pasta, as aprovações na Câmara  acontecem em um momento de aproximação entre pautas do agro e do meio ambiente e que as decisões em plenário favorecem apenas uma pequena parcela do setor.

“A essa altura da história é surpreendente que tenha uma iniciativa tão danosa como essa, no momento em que os dois setores estavam caminhando juntos”, afirmou. 

Na análise dos órgãos, cinco PLs que tiveram requerimento de urgência aprovados apresentam impactos negativos sobre a política ambiental nacional, são eles:

  • PL 5900/2025 – Demanda manifestação técnica vinculante do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) sobre todos os atos normativos que impactem espécies de interesse produtivo, bem como exige parecer técnico do MAPA sobre quaisquer atos relativos a licenciamento e regularização ambiental. 
  • PL 364/2019 – Altera a Lei de Proteção da Vegetação Nativa para considerar áreas de vegetação não florestais como áreas consolidadas, mesmo que não tenha ocorrido conversão para uso humano, independentemente do bioma.
  • PL 2564/2025 – Altera a Lei de Crimes Ambientais para restringir medidas administrativas cautelares e vedar o embargo baseado exclusivamente em detecção remota de supressão de vegetação.
  • PL 3123/2025 – Dispõe sobre o compartilhamento de informações do produtor rural constantes de bases de dados públicas, para análise de risco em operações de financiamento rural, seguro rural e resseguro rural. 
  • PL 2486/2026 – Altera os limites da Floresta Nacional do Jamanxim e cria a Área de Proteção Ambiental do Jamanxim, localizados no Município de Novo Progresso, Estado do Pará. 

As autoridades argumentam que, caso aprovados, esses PLs minam a atuação dos órgãos ambientais federais, estaduais e municipais na defesa da preservação ambiental, além de subordinar “pareceres técnicos” do MMA a “decisões políticas” do Mapa. 

Ao final da coletiva, Capobianco afirmou que os órgãos em parceria com lideranças do governo no Congresso Nacional vão articular para que os Pls não sejam aprovados nos plenários.

Caso sejam, os três órgãos pretendem pressionar para que os projetos sejam vetados pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Governo libera crédito do FAT para produtores rurais investirem em inovação

O CMN (Conselho Monetário Nacional) ampliou o acesso de produtores rurais a linhas de financiamento voltadas à inovação e à digitalização com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), operadas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)

A decisão inclui empresários individuais e pessoas físicas residentes no país que atuem nos setores agropecuário, florestal, pesqueiro e aquícola entre os beneficiários das operações. A medida também alcança serviços diretamente relacionados a essas atividades.

Segundo o Ministério da Fazenda, os financiamentos poderão ser usados para ampliar a modernização tecnológica e digitalização da produção, além de estimular a comercialização de máquinas e equipamentos, especialmente no setor agrícola.

Os recursos são repassados ao BNDES com remuneração baseada na TR (Taxa Referencial), modelo que costuma oferecer condições mais favoráveis de crédito.

De acordo com a pasta, a medida deve gerar impactos indiretos sobre fabricantes, distribuidores e prestadores de serviços ligados ao agro, com expectativa de criação de empregos, aumento da renda e estímulo à atividade econômica nas regiões atendidas.

A decisão foi aprovada em reunião ordinária do CMN realizada nesta terça-feira (20).

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Câmara aprova PL que limita embargos baseados em imagens de satélite

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (20) o PL (Projeto de Lei ) 2564/2025, que regula a aplicação de medidas administrativas cautelares, impedindo que o embargo seja baseado exclusivamente em detecção remota de infrações decorrentes de desmatamento. 

O projeto aprovado impede que as medidas cautelares sejam usadas como ferramentas para antecipar sanções. 

De autoria do deputado federal Lucio Mosquini (PL-RR), esse projeto impede que produtores que foram notificados pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite)  sejam proibidos de acessar o crédito rural. 

O PL obriga que o produtor seja notificado de forma prévia da autuação para prestar esclarecimentos em “prazo razoável” antes da imposição das medidas legais. 

O autor do projeto defende que essa alteração na lei 9605 de 1998 garante “equilíbrio” na aplicação da legislação ambiental. 

“Acreditamos que a alteração pretendida tem a capacidade de promover mais equilíbrio e racionalidade à fiscalização ambiental. Isso porque, embora a Lei de Crimes Ambientais preveja expressamente que as infrações ambientais são apuradas em processo administrativo próprio”, justificou. 

“O fato é que muitas áreas têm sido embargadas a partir de apuração remota da infração, sem que o autuado tenha a oportunidade de se defender previamente”, complementou. 

Na justificativa da alteração, o texto defende que a legislação ambiental não deve ter caráter punitivo, mas sim para impedir prejuízos ambientais evitáveis. 

A aprovação desse PL era uma demanda antiga da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), que considera o impasse do Prodes uma “insegurança jurídica” para os produtores. 

Por outro lado, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, se posicionou de forma contrária ao PL e comparou a mudança na lei a fiscalização de trânsito sem radares eletrônicos. 

Com a aprovação, o projeto foi encaminhado para análise no Senado Federal.

Limites florestais 

Foi aprovado no plenário da Câmara o PL 2486/2026, que altera os limites da da Floresta Nacional do Jamanxim e cria a Área de Proteção Ambiental do Jamanxim, localizadas no Município de Novo Progresso, Estado do Pará. 

 A proposta busca redimensionar os perímetros da área florestal para incorporar áreas ocupadas por agricultores. Os parlamentares defenderam que essa mudança abre espaço para desenvolvimento da região e garante melhores condições para os trabalhadores localizados na reserva. 

Órgãos ambientais criticam a medida por considerar que a criação da APA (Área de Proteção Ambiental) facilita a exploração ilegal da área por flexibilizar as punições legais aplicáveis.

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Copa 2026 deve impulsionar demanda por proteínas em 10% no Brasil

A Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar de forma significativa a demanda por proteínas no Brasil, conforme o levantamento divulgado pela Scanntech. A expectativa aponta que o fluxo médio deve ter um incremento acima de 10% na demanda por carnes durante os dias de jogos da seleção brasileira.

De acordo com Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS (Associação Paulista de Supermercados), o período da Copa representa um dos momentos mais estratégicos para o varejo alimentar no país. “Os grandes eventos esportivos influenciam diretamente o comportamento de compra do consumidor brasileiro. Existe um aumento muito forte nas confraternizações e isso se traduz em maior demanda por proteínas, principalmente carne bovina, além de itens ligados ao churrasco e alimentos práticos para consumo em grupo”, afirma.

Queiroz destaca ainda que o setor supermercadista já trabalha antecipadamente para evitar rupturas de estoque durante a competição. “A preparação do varejo envolve reforço operacional, aumento de estoque e negociações antecipadas com a indústria justamente porque existe expectativa de crescimento importante nas vendas durante a Copa do Mundo”, completa.

Só para se ter uma ideia, o estudo da Scanntech na Copa do Mundo de 2022 o aumento no fluxo de consumidores chegou a 8,3% acima da linha de base no chamado D-1, o dia anterior aos jogos. Em cenários de forte apelo cultural, como sextas-feiras antes de partidas aos sábados, o crescimento atingiu 18,8%.

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Açúcar recua em Nova York com expectativa de maior oferta no Brasil

Os vencimentos futuros do açúcar encerraram a sessão desta quarta-feira (27) com desvalorização na bolsa de Nova York.

O movimento de queda ganhou força após a Unica (significa União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) elevar a produção no Brasil.

O contrato para entrega em julho registrou queda de 2,75% e fechou cotado em US$ 14,14 por libra-peso. De acordo com o Barchart, os valores atingiram a mínima de um mês nesta sessão.

A Unica reportou que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil deve ter um avanço na safra 2026/27 de de 55,3% frente ao ano anterior. A estimativa agora é que fique em 2,475 milhões de toneladas.

“A safra deve ser impulsionada por maiores rendimentos, com sacarose por tonelada de cana em 112,58 kg, um aumento de 5,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Outro fator que contribuiu para a pressão negativa no mercado foi a queda o petróleo bruto, que atingiu as mínimas de cinco semanas.

Segundo o Barchart, os preços fracos do petróleo bruto pressionam os preços do etanol e podem levar as usinas de açúcar globais a direcionar mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar em vez de etanol, aumentando assim a oferta de açúcar.

Café

A desvalorização da moeda brasileira pressionou as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York.

Nesta sessão, o contrato de julho encerrou o dia com queda de 1,51% e fechou cotado em US$ 2.698 por libra-peso.

De acordo com o Barchart, as negociações recuaram para as mínimas de uma semana e meia. “Esse cenário contribui para as vendas nas exportações do produto brasileiro, já que deixa mais competitivo frente a outros produtores”, informou.

Suco de Laranja

O contrato para entrega em julho registrou desvalorização de 5,65% e precificado em US$ 1.671,00 por tonelada.

Cacau

As expectativas de aumento da safra de cacau na Costa do Marfim e índice dólar impactaram as cotações futuras na Bolsa de Nova York.

O contrato para entrega em julho fechou com baixa de 0,70% e precificado em US$ 4.140 por tonelada.

O Barchart pontuou que os preços do cacau chegaram nas máximas de uma semana e meia na quarta-feira, mas fecharam em baixa após o índice do dólar se recuperar das perdas iniciais e subir, o que estimulou a liquidação de posições compradas em contratos futuros de cacau.

Além disso, a estimativa de oferta abundante de cacau deve seguir impactando os preços, já que os estoques de cacau da ICE atingiram o maior nível em quase dois anos, chegando a 2.745.277 sacas na sessão anterior.

Algodão

O algodão com contrato futuro para entrega em dezembro, sendo o mais negociado na sessão, fechou em recuo de 1,42% e precificado em US$ 78,66 por libra-peso.

O mercado acompanha a valorização do dólar, que reduz a competitividade da fibra norte-americana no cenário internacional, enquanto a forte queda do petróleo bruto também adiciona pressão às cotações.

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Trigo cai em Chicago com pressão de fundos e avanço da colheita nos EUA

Os preços do trigo fecharam em queda na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (27), registrando a quinta sessão consecutiva de desvalorização.

O mercado foi pressionado pelas vendas dos fundos de investimento, pela queda do petróleo e pelo avanço da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos.

Na Bolsa de Chicago, o contrato para entrega em julho encerrou o dia com baixa de 2,05%, cotado a US$ 6,2250 por bushel.

O mercado segue reagindo às expectativas de um possível avanço diplomático no Oriente Médio, mesmo diante das incertezas nas negociações.

“A percepção de que pode haver um acordo inicial para reduzir as tensões na região contribuiu para a queda do petróleo e ampliou o movimento de liquidação nos contratos futuros de commodities agrícolas”, destacou a Granar.

Além do cenário geopolítico, o início da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos também adicionou pressão às cotações.

Apesar disso, A Granar  reportou que a deterioração das lavouras ainda limita perdas mais intensas, especialmente no mercado de Kansas, referência para o trigo duro de inverno.

No relatório semanal divulgado ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu de 27% para 26% a parcela das lavouras classificadas entre boas e excelentes.

O índice permanece muito abaixo dos 50% registrados no mesmo período do ano passado e também ficou abaixo da expectativa média dos analistas privados, que projetavam 28%.

Soja

Os preços futuros da soja terminaram a sessão desta quarta-feira (27) em um movimento misto na bolsa de Chicago.

O vencimento mais negociado para entrega em julho registrou baixa de 0,06% e cotado em US$ 11,8525 por bushel.

Por outro lado, o contrato para entrega em dezembro também registrou uma movimentação expressiva neste pregão e finalizou o dia em alta de 0,11% e precificado em US$ 11,8150 por bushel.

De acordo com as informações da Granar, o óleo de soja impulsionou os preços da soja para os contratos para o final deste ano.

“Apesar da queda do petróleo, o mercado segue sustentado pela demanda interna, impulsionada pelo maior uso de biodiesel e pelos créditos fiscais 45Z, que reduzem a competitividade das importações”, destacou a Granar.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em julho encerrou a sessão desta quarta-feira com queda de 1,09% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,5250 por bushel.

As cotações seguem pressionadas pelas condições climáticas favoráveis no Meio-Oeste dos Estados Unidos, que aceleram a reta final do plantio diante da previsão de pouca chuva.

A Granar apontou que a desvalorização do petróleo, negociado próximo de US$ 91 por barril, também contribuiu para o movimento negativo, mesmo com o tráfego ainda restrito no Estreito de Ormuz e a ausência de um acordo entre Estados Unidos e Irã.

O mercado também acompanha o projeto de lei que autoriza a venda de E-15 durante todo o ano nos Estados Unidos.

Após aprovação apertada na Câmara dos Representantes, a proposta ainda aguarda análise no Senado, onde a influência do setor petrolífero é considerada forte e são necessários 60% dos votos para a aprovação definitiva.

 

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Mato Grosso alcança 75% da meta de recuperação de pastagens do Plano ABC+

O Mato Grosso já alcançou 3,82 milhões de hectares em recuperação de pastagens, o que representa avanço de 75,3% da meta estabelecida no Plano ABC+ para o estado.

O avanço foi destacado durante encontro com jornalistas promovido pela Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso) em que o governo apresentou resultados e estratégias do programa de agricultura de baixa emissão de carbono.

A secretária adjunta de Agronegócio da SEDEC (Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Mato Grosso), Linacis Lisboa, afirmou que o estado combina alta produção agropecuária com preservação ambiental e uso eficiente do território.

“O estado utiliza cerca de 40% do território para produção e preserva o restante. Isso mostra que Mato Grosso é o estado que mais produz e preserva ao mesmo tempo”, disse.

Segundo ela, o Plano ABC+ é uma política de produção sustentável e não apenas ambiental, baseada na adoção de tecnologias que aumentam a produtividade ao mesmo tempo em que reduzem impactos.

“O plano não é um plano ambiental, é um plano de produção sustentável. Produzir mais com menos emissão, com mais eficiência e melhor uso da terra”, afirmou.

Linacis explicou que o Plano ABC+ no estado está estruturado em metas ambiciosas e integra diferentes frentes produtivas.

Mato Grosso participa com cerca de 17% da meta nacional do programa, o que representa aproximadamente 12,5 milhões de hectares a serem impactados com tecnologias sustentáveis.

Entre as principais ações estão os sistemas integrados de produção, como a integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, que combinam diferentes atividades na mesma área para melhorar o uso do solo e elevar a produtividade.

“Esses sistemas permitem trabalhar a produção de forma integrada, seja lavoura com pecuária, seja pecuária com floresta, e em alguns casos os três componentes juntos. Isso aumenta a eficiência e recupera a capacidade produtiva da terra”, explicou.

A secretária também destacou o avanço das tecnologias de recuperação de pastagens degradadas, uma das bases do Plano ABC+.

Segundo ela, a classificação técnica utilizada no Brasil considera diferentes níveis de degradação, desde áreas com baixo vigor até estágios mais avançados de deterioração.

“Uma pastagem degradada é aquela que perdeu sua capacidade produtiva e precisa ser recuperada, independentemente do nível de degradação”, afirmou.

De acordo com Linacis, a recuperação dessas áreas traz ganhos diretos de produtividade e sustentabilidade.

“Você melhora a qualidade do pasto, aumenta a oferta de alimento para o rebanho, melhora a microbiota do solo, o controle hídrico e amplia a biomassa disponível. Tudo isso resulta em maior produtividade por área”, disse.

Ela reforçou que o modelo permite produzir mais sem necessidade de abertura de novas áreas.

“Com a recuperação de pastagens, conseguimos produzir mais na mesma área e evitar a expansão sobre novas terras, o que é fundamental para a sustentabilidade do sistema produtivo”, disse.

Segundo o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa, Flávio Wruck, o diagnóstico da qualidade das pastagens no Brasil mostra que ainda há espaço relevante para avanço no manejo e na recuperação dessas áreas dentro dos sistemas produtivos.

Para Wruck, a melhoria das pastagens depende diretamente da adoção de manejo adequado e da correção periódica do solo, o que impacta diretamente na produtividade do sistema pecuário.

O pesquisador destacou ainda que sistemas produtivos que integram lavoura e pecuária tendem a apresentar melhor desempenho das pastagens, especialmente quando combinados com práticas como plantio direto e recuperação de áreas degradadas.

Para os próximos anos, o pesquisador também ressaltou a importância do monitoramento contínuo da qualidade do solo como ferramenta de gestão.

Segundo o produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Rodrigo Destefani Minuzzi, a integração entre agricultura e pecuária tem sido fundamental para recuperar áreas degradadas e aumentar a eficiência da produção no campo.

De acordo com ele, o uso de culturas como soja e milho dentro do sistema contribui para melhorar a fertilidade do solo e devolver ao pasto melhores condições produtivas.

“A agricultura é usada como ferramenta para reformar as pastagens. Com o plantio de soja e milho, conseguimos melhorar o solo, aumentar a fertilidade e devolver uma pastagem mais estruturada. Isso reduz custos e eleva a produtividade”, afirmou.

Minuzzi também destacou que o manejo adotado na sua propriedade é sustentado por análises técnicas e pelo uso correto de tecnologias no campo.

“Tudo é baseado em análise de solo e em tecnologia aplicada da forma correta”, completou.

A jornalista viajou a convite da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso.

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Suno Asset abre 3ª emissão do Fiagro para captar R$ 120,3 milhões

A Suno Asset anunciou a abertura da terceira emissão de cotas do Suno Fazendas Fiagro Imobiliário (SNFZ11), em operação que prevê captação de R$ 120,3 milhões. 

Os recursos serão destinados à aquisição de novas propriedades rurais em Mato Grosso, estado onde o fundo já possui ativos voltados à produção agrícola.

A oferta é composta por 12 milhões de novas cotas, com preço de emissão fixado em R$ 10,20 por unidade. O valor mínimo da operação foi estabelecido em R$ 4,97 milhões, equivalente à subscrição de 500 mil cotas.

Segundo a gestora, a nova emissão ocorre em meio à ampliação da base de investidores do fundo. Desde a listagem do Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) na bolsa, em 2024, o número de cotistas ultrapassou 13 mil.

O fundo é voltado à aquisição de terras agrícolas destinadas ao arrendamento, e prevê a combinação entre valorização patrimonial dos imóveis rurais e geração de receitas por meio de contratos de arrendamento de longo prazo.

Atualmente, o fundo possui três fazendas localizadas em Gaúcha do Norte: Coliseu, Triângulo da Gaúcha e Xavante. As propriedades somam 1.020 hectares úteis e representam R$ 90,12 milhões em imóveis rurais, o equivalente a 75,5% do patrimônio líquido do fundo.

Além das propriedades, o fundo mantém R$ 81,23 milhões investidos em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio). Após o encerramento da colheita, as áreas registraram produtividade entre 60,19 e 63,18 sacas por hectare, segundo a Suno. De acordo com os contratos de arrendamento, o desempenho garante ao fundo o recebimento de valores adicionais vinculados à produtividade.

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Ações da Deere & Co caem 5,3% após balanço do 2º trimestre

As ações da Deere & Company fecharam em queda de 5,3% na sessão de quinta-feira (21), após a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre fiscal da companhia, controladora da marca John Deere.

No trimestre encerrado em 3 de maio, a empresa registrou lucro líquido de US$ 1,77 bilhão, recuo de 2% em relação aos US$ 1,8 bilhão reportados no mesmo período do ano anterior.

No acumulado dos primeiros seis meses do ano fiscal, o lucro líquido somou US$ 2,43 bilhões, queda de 9% frente aos US$ 2,67 bilhões registrados um ano antes.

A receita líquida da companhia cresceu 5% no trimestre, alcançando US$ 13,37 bilhões. As vendas líquidas passaram de US$ 11,17 bilhões no segundo trimestre do ano passado para US$ 11,78 bilhões neste ano.

Parte do resultado trimestral foi favorecida pelo recebimento de mais de US$ 270 milhões em reembolsos relacionados a tarifas pagas anteriormente. 

Apesar disso, a empresa manteve inalterada sua projeção para o lucro líquido do ano fiscal de 2026, estimado entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões.

A manutenção do guidance anual foi acompanhada de avaliações cautelosas da companhia sobre o cenário para o setor agrícola e para seus clientes nos próximos meses. “Embora nossos clientes enfrentem desafios contínuos, a John Deere continua firmemente comprometida em apoiar o sucesso deles por meio de operações disciplinadas e resiliência”, afirmou John May, chairman e CEO da empresa, em nota.

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Biodefensivos avançam no campo mesmo com crise de crédito

Em meio à crise de crédito no agronegócio e à alta dos custos de insumos importados, o mercado de defensivos biológicos mantém ritmo de crescimento impulsionado por uma vantagem competitiva: cerca de 90% da produção nacional de biodefensivos é feita no Brasil. Segundo Gustavo Herrmann, CEO da Koppert Brasil, de biodefensivos, a produção local reduz a dependência externa e melhora a relação de troca com o produtor rural em um cenário de pressão sobre custos e financiamento.

De acordo com o executivo, o setor de insumos agrícolas enfrenta um ambiente de dificuldades financeiras, marcado pelo aumento de recuperações judiciais tanto entre distribuidores quanto entre produtores. Ainda assim, “o biológico não deixou de crescer mesmo com a crise”, afirmou.

Herrmann disse que o segmento ganhou competitividade principalmente em culturas de commodities como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, nas quais os produtores têm pouca margem para ampliar custos por hectare. Segundo ele, a alta nos preços de defensivos químicos, agravada por fatores externos como o conflito no Oriente Médio, abriu espaço para substituições parciais de aplicações químicas por biológicas.

“Hoje a gente vê o produtor trocando aplicações de químicos por biológicos, coisa que não é tão corriqueira no dia a dia”, afirmou. Segundo o executivo, tradicionalmente os produtos biológicos eram usados de forma complementar, mas o cenário atual favorece uma ampliação do uso pela combinação de menor custo e perfil considerado mais sustentável.

Na avaliação do CEO da Koppert Brasil, a restrição de crédito afeta de forma semelhante empresas químicas e biológicas. Ele explicou que, diante da menor oferta de financiamento bancário, a própria indústria tem assumido parte do risco ao conceder prazos alongados de pagamento aos produtores, em alguns casos de até 365 dias.

“A indústria funciona muitas vezes como banco”, disse Herrmann. Segundo ele, o aumento do risco faz com que as empresas sejam mais seletivas na concessão de crédito, mas a produção nacional de biológicos reduz parte da exposição cambial e da dependência de importações.

A Koppert Brasil registrou crescimento de 15% em 2025, em linha com a expansão do mercado de biológicos, segundo o executivo. Para 2026, a expectativa é de avanço orgânico entre 10% e 15%, com potencial adicional impulsionado pelo lançamento de três novos produtos.

A empresa também prepara uma expansão de operações no país como parte de um movimento voltado a uma futura abertura de capital no médio prazo. Em novembro, a companhia iniciou uma captação de 100 milhões de euros, em operação conduzida pelo Itaú BBA. Os recursos serão destinados à construção de três novas fábricas no Brasil.

Segundo Herrmann, a operação faz parte da estratégia de busca por maior independência financeira e de gestão em relação à matriz holandesa. De acordo com o executivo, a estrutura permitirá à companhia acessar instrumentos financeiros que hoje não utiliza, como CPRs, CRAs e linhas do BNDES. A expectativa é concluir o anúncio da operação até julho.

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