O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionou nesta segunda-feira (8) a lei 15.429/2026, que torna voluntária a adesão à certificação de unidades armazenadoras de produtos agropecuários.
A norma busca modernizar a regulação, reduzir burocracias, estimular investimentos privados e ampliar a infraestrutura do setor, que hoje é um dos principais gargalos da produção nacional.
Até então, a certificação era obrigatória e realizada por organismos privados acreditados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), o que gerava reclamações de despesas adicionais por parte dos empresários do ramo.
Atualmente, apenas 17,6% dos armazéns brasileiros possuem certificado. A baixa adesão mostra que a maioria opta por outros meios para assegurar a qualidade dos padrões operacionais.
Com a mudança, o setor ganhou maior flexibilidade para decidir a necessidade da certificação, baseado nas próprias estratégias comerciais e exigências de mercado.
Na avaliação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a medida aumenta a eficiência no processo de regulamentação e facilita a expansão do setor.
“Estamos retirando um gargalo burocrático para acelerar investimentos em armazenagem, fortalecer a logística do agro e dar mais competitividade ao Brasil, sem abrir mão da qualidade e da segurança sanitária”, afirmou.
A lei sancionada nesta segunda não altera os mecanismos de fiscalização e controle sanitário aplicados a essas infraestruturas. A mudança legal é voltada à estrutura e á operação das unidades armazenadoras.
O acesso dos produtores a novos mercados internacionais também não é alterado pela nova norma. As obrigações sanitárias de parceiros comerciais do Brasil independem de certificações de armazéns e são atendidas por certificados emitidos por outras instituições.
A expansão dos armazéns agrícolas não acompanhou o crescimento na produção de grãos nos últimos anos.
Segundo levantamento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), na última década a produção de grãos cresceu, em média, 6,72% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem aumentou apenas 2,38% no mesmo período.
Dados do Mapa mostram que, atualmente, o Brasil tem capacidade de armazenar 60% a 63% da produção anual de grãos. O déficit acumulado soma 130 milhões de toneladas.
Na avaliação do ministério, a lei sancionada nesta segunda é um passo fundamental para reduzir essa defasagem.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O desempenho colocou o país entre as seis maiores altas de crescimento econômico do mundo no período e foi impulsionado principalmente pelo agronegócio, que avançou 2%. Já a indústria cresceu 1% e o setor de serviços teve alta de 0,5%.
Os números vieram acima das expectativas de parte do mercado, especialmente em um cenário de juros elevados no país.
Para Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, o cenário mostra como o agronegócio continua sendo o motor da economia brasileira.
Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, acrescenta dizendo que o agronegócio é decisivo para evitar uma desaceleração mais forte da atividade econômica desde 2023.
“O mercado esperava um PIB mais fraco justamente por causa da Selic elevada, mas o agro conseguiu compensar isso mais uma vez”, observa.
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Apesar do crescimento, o resultado ainda mostra uma dependência excessiva das commodities. Segundo Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, o modelo atual pode limitar o desenvolvimento do país no longo prazo.
“O agro é fundamental e extremamente importante hoje, mas existe um outro lado dessa história: não é possível sustentar crescimento por décadas só exportando commodities, pois os ciclos econômicos mudam. Em algum momento, é preciso avançar em industrialização”, avalia Pascowitch.
Enquanto isso, os especialistas destacam que países como a China conseguiram ampliar sua capacidade de crescimento ao longo dos anos por meio de investimentos constantes em infraestrutura, indústria e produtividade.
Marilia analisa que o Brasil enfrenta justamente o problema oposto: crescimento baixo combinado com pouco investimento.
“O que mais preocupa é que o PIB brasileiro continua muito concentrado e com um nível de investimento muito baixo. Isso acaba comprometendo o crescimento no futuro, principalmente porque a dívida pública segue aumentando em um cenário de juros muito altos”, complementa.
Segundo ela, essa falta de investimento reduz o chamado PIB potencial que é a capacidade que o país tem de crescer sem gerar inflação.
“Hoje, o Brasil cresce perto de 2% e isso já começa a pressionar a inflação. Isso mostra como o nosso PIB potencial é baixo. Quando um país investe mais em máquinas, infraestrutura e produtividade, ele consegue crescer mais sem criar pressão inflacionária”, afirma.
Godoy também destaca que o Brasil ainda precisa avançar em inovação e desenvolvimento tecnológico para transformar crescimento econômico em ganho estrutural de longo prazo.
“O país até passou por processos de industrialização, mas ainda está muito atrás no desenvolvimento de tecnologia de ponta. Crescer é positivo, mas transformar esse crescimento em investimento interno e capital humano continua sendo um grande desafio”, conclui.
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
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Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta segunda-feira (8) em queda na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho recuou 0,51% e fechou cotado a US$ 11,15 por bushel.
Segundo a Agrinvest, o complexo soja operou de forma lateral ao longo do dia, após perdas relevantes nas sessões anteriores, em uma tentativa de estabilização das cotações.
No início do pregão, o mercado chegou a encontrar algum suporte no óleo de soja, influenciado pela alta do petróleo. No entanto, esse movimento foi limitado pela forte queda do farelo, que acabou pressionando o conjunto do complexo.
Durante a manhã, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou a venda de 264 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos, o que não foi suficiente para sustentar os preços.
Além disso, os dados semanais de inspeções de exportação indicaram desempenho abaixo do registrado na semana anterior e também inferior ao mesmo período do ano passado, reforçando o viés negativo para o mercado.
Milho
Os contratos futuros do milho encerraram a sessão em alta na Bolsa de Chicago, após seis pregões consecutivos de queda.
O vencimento para julho avançou 0,30% e fechou cotado a US$ 4,18 por bushel.
Segundo análise da Granar, o mercado registrou um movimento de recuperação técnica, impulsionado por operações de hedge após o recente período de liquidação de contratos. A alta, no entanto, foi limitada pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras no Meio-Oeste dos Estados Unidos.
As previsões indicam chuvas ao longo da semana em importantes regiões produtoras, incluindo o Meio-Oeste e partes das Grandes Planícies. O cenário é considerado positivo para o desenvolvimento da safra, que pode avançar em direção a uma produção superior a 400 milhões de toneladas.
Além do fator climático, o mercado também reagiu positivamente aos dados semanais de inspeções de embarques divulgados pelo USDA.
O órgão informou embarques de 1.911.112 toneladas, acima das 1.749.952 toneladas registradas na semana anterior e também acima das expectativas de analistas privados, que variavam entre 1,20 milhão e 1,90 milhão de toneladas.
Apesar da reação positiva no pregão, o mercado segue atento ao equilíbrio entre a melhora nas exportações norte-americanas e as condições climáticas favoráveis à produção global.
Trigo
Os contratos futuros do trigo finalizaram o dia em alta na Bolsa de Chicago, após um período recente de forte desvalorização nos mercados internacionais.
O vencimento para julho avançou 0,56% e fechou cotado a US$ 5,83 por bushel.
Segundo análise da Granar, os preços do trigo registraram recuperação parcial depois de acumularem perdas expressivas nas últimas semanas. Entre o fechamento do pregão de 19 de maio e a última sexta-feira, o contrato de julho recuou 13,08% em Chicago.
A retomada das cotações foi impulsionada principalmente por operações de hedge realizadas por fundos de investimento, que haviam liquidado um grande volume de posições ao longo do período de queda. Esse movimento técnico contribuiu para uma recomposição parcial dos preços no pregão mais recente.
Apesar da alta desta sessão, o mercado segue atento ao comportamento dos fundos e às condições gerais de oferta e demanda, que continuam determinando a volatilidade dos contratos futuros do cereal.
Os preços do café arábica voltaram a recuar na bolsa de Nova York nesta segunda-feira (8), pressionados pelo avanço da colheita brasileira e pelas perspectivas de aumento da oferta global. O contrato futuro do café arábica com vencimento em julho encerrou o pregão em queda de 0,24%, cotado a US$ 2,45 por libra-peso.
Segundo análise da Barchart, o andamento da safra no Brasil continua sendo o principal fator baixista para as cotações. A desvalorização do real frente ao dólar também contribuiu para a pressão sobre os preços ao estimular as exportações dos produtores brasileiros.
De acordo com Leonardo Rossetti, especialista em inteligência de mercado da StoneX, o mercado já vinha acumulando perdas expressivas na última semana. Em Nova York, os contratos do café arábica recuaram 7,6%, atingindo os menores níveis em mais de um ano e meio.
“O principal fator de pressão continua sendo a expectativa de uma safra recorde no Brasil, que deve ampliar significativamente a oferta nas próximas semanas”, afirma Rossetti.
Apesar de ainda apresentar atraso em relação ao ritmo considerado ideal, a colheita brasileira segue avançando. Levantamento da StoneX mostra que os trabalhos no café arábica atingiram 23% da área cultivada até o fim da última semana, ante 16% na semana anterior. No café conilon, o percentual colhido avançou de 33% para 42% no mesmo período.
O cenário de maior oferta também foi reforçado pelas projeções mais recentes do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão estima que a produção brasileira de café na safra 2026/27 alcance 71 milhões de sacas. Embora abaixo da projeção da StoneX, de 75,3 milhões de sacas, o volume ainda representaria um recorde para o país.
No cenário global, o USDA prevê crescimento de 6,4% na produção mundial de café na próxima temporada, o que aumenta a expectativa de abastecimento e reduz a pressão sobre os estoques.
Para as próximas semanas, o mercado deve acompanhar de perto as condições climáticas nas principais regiões produtoras de café arábica do Brasil. Temperaturas próximas de 5°C durante o inverno podem aumentar a volatilidade dos preços. Também seguem no radar os impactos do fenômeno La Niña entre agosto e setembro, período considerado decisivo para a florada da próxima safra.
Cacau
Os contratos futuros do cacau encerraram com avanços impulsionados por preocupações com as condições climáticas na Costa do Marfim e por um movimento de cobertura de posições vendidas por investidores. O contrato com vencimento em julho avançou 1,83% e fechou cotado a US$ 3.831 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, relatos de produtores marfinenses indicam que fortes chuvas e ventos atingiram áreas produtoras do país, provocando danos em cacaueiros e destruindo botões florais jovens. A situação gerou preocupações sobre o potencial produtivo da próxima safra e deu suporte aos preços.
Além das questões climáticas, o mercado também foi influenciado pela intensa movimentação dos fundos de investimento. Após semanas de forte pressão baixista, investidores passaram a recomprar contratos para encerrar posições vendidas, movimento conhecido como cobertura de posições vendidas, que contribuiu para a recuperação das cotações.
Apesar da alta desta segunda-feira, o mercado segue atento ao aumento dos estoques globais da commodity. Na última sexta-feira, os preços do cacau haviam recuado para os menores níveis das últimas semanas em Nova York e Londres, pressionados pelo avanço dos estoques certificados.
Os estoques monitorados pela ICE, bolsa de referência para o mercado internacional, alcançaram 2,93 milhões de sacas, o maior patamar em aproximadamente um ano e nove meses. O aumento da disponibilidade física do produto continua sendo um fator de pressão para as cotações e limita movimentos mais expressivos de recuperação.
Açúcar
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Nova York, mesmo diante da valorização do petróleo, que trouxe algum suporte ao mercado ao longo do dia.
O contrato com vencimento em julho recuou 0,14% e fechou cotado a 14,12 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo análise da Barchart, a alta do petróleo bruto ajudou a sustentar parcialmente os preços do açúcar. Com a valorização da commodity energética, o etanol se torna mais competitivo, aumentando a possibilidade de que usinas direcionem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de biocombustível em vez de açúcar.
Esse movimento tende a reduzir a oferta global do adoçante e, consequentemente, dar suporte às cotações internacionais.
Algodão
Os contratos futuros do algodão encerraram a sessão desta com ganhos moderados na Bolsa de Nova York. O vencimento para julho avançou 0,17% e fechou cotado a 73,39 centavos de dólar por libra-peso.
O mercado encontrou suporte principalmente na fraqueza do dólar norte-americano. Um dólar mais desvalorizado tende a aumentar a competitividade das commodities dos Estados Unidos no mercado internacional, favorecendo a demanda e dando sustentação aos preços do algodão.
Além disso, os preços do petróleo também registraram alta ao longo do pregão, contribuindo para um ambiente mais positivo para as commodities agrícolas.
Suco de Laranja
O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em julho finalizou com valorização de 0,75%, em que o contrato fechou negociado a US$ 1,60 por libra-peso.
O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Eder Gatti, afirmou nesta segunda-feira (8/6) que a principal atenção das autoridades sanitárias está voltada para as pessoas que receberam a vacina da dengue do Instituto Butantan nos últimos 21 dias.
Segundo ele, esse período é considerado o mais relevante para o monitoramento de eventuais ocorrências que possam surgir após a imunização
De acordo com Gatti, após 21 dias da aplicação da vacina, não há motivos para relacionar possíveis problemas de saúde ao imunizante. Ele destacou que, passado esse intervalo, os vacinados passam a usufruir dos benefícios proporcionados pela proteção da vacina.
O diretor informou ainda que o Ministério da Saúde manterá a vigilância ativa por um período de 30 dias, com o objetivo de acompanhar possíveis notificações e garantir uma análise criteriosa dos casos registrados. Apesar disso, reforçou que os primeiros 21 dias permanecem como a principal referência para o monitoramento de eventuais eventos adversos.
“De qualquer forma, vamos orientar que a vigilância permaneça atenta por um período de 30 dias para monitoramento, tendo como referência esses 21 dias como o intervalo em que eventuais casos possam surgir”, afirmou Eder Gatti.
Gatti também afirmou que as pessoas vacinadas há mais de 21 dias não precisam se preocupar, uma vez que não há indicação de risco associado à vacinação após esse período. Segundo ele, a orientação é manter uma vigilância sensível para identificar e investigar qualquer caso que venha a ser notificado.
Devem ser observados:
O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, após o registro de 42 casos de reações adversas consideradas severas. Entre as ocorrências registradas, constam três casos mais graves, sendo duas mortes em investigação.
De acordo com Padilha, os 42 casos severos identificados representam cerca de oito ocorrências para cada 100 mil doses aplicadas.
Apesar da baixa incidência em termos proporcionais, o governo decidiu adotar uma postura cautelar. A suspensão valerá para profissionais da Atenção Primária à Saúde e para as áreas onde a vacina vinha sendo aplicada em campanhas específicas, incluindo os municípios de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), além da região de Araguaína (TO).
O primeiro caso envolve uma mulher, de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI).
A paciente recebeu alta hospitalar.
O segundo caso foi o de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação. Ela morreu.
O terceiro caso ocorreu com um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. O paciente evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e também morreu.
Segundo o Ministério da Saúde, os três episódios representam sinais de alerta importantes, mas ainda não permitem concluir que a vacina tenha sido a causa dos desfechos observados.
As duas mortes seguem sob investigação. Especialistas analisam informações clínicas, exames laboratoriais, histórico médico e outros fatores que possam ajudar a esclarecer se existe ou não relação causal entre os óbitos e a vacinação.
O governo reforça que, até o momento, não há evidências que permitam atribuir as mortes diretamente ao imunizante.
A partir desta terça-feira (9/6), a estratégia atual de vacinação será interrompida temporariamente enquanto ocorre uma revisão dos dados de segurança.
O Ministério da Saúde informou que ampliará o monitoramento de casos na rede hospitalar, com atenção especial para pessoas que receberam a vacina nos últimos 21 dias. A orientação é que qualquer sintoma ou reação adversa seja comunicada aos serviços de saúde para investigação.
Segundo o ministro Alexandre Padilha, as evidências disponíveis continuam mostrando que a vacina oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue.
O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não significa que a eficácia do imunizante tenha sido colocada em dúvida, mas sim que a medida busca aprofundar a avaliação dos eventos adversos antes da continuidade da campanha.
A perspectiva de um El Niño intenso preocupa especialistas do mercado financeiro e do agronegócio pelos possíveis impactos sobre a produção agrícola.
Para Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, o fenômeno agrava um cenário já desafiador relacionado aos custos de produção.
“As empresas do agro estão sofrendo com a questão dos fertilizantes e vão começar a produzir para o segundo semestre com todo o risco envolvendo esses insumos”, analisa Marilia.
Isso porque 80% dos fertilizantes utilizados no agronegócio brasileiro vêm do exterior, o que torna a produção dependente de mercados estratégicos e sujeita a oscilações de preços.
Os reflexos também podem atingir investimentos ligados ao agronegócio, como os Fiagros e os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), que cresceram nos últimos anos após mudanças na legislação.
“Os investidores desses ativos também podem ser impactados. Por isso, é importante analisar com cuidado e entender o quanto esses investimentos podem sofrer os efeitos do El Niño”, alerta Marilia.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador. Esse aquecimento altera a circulação de massas de ar e provoca mudanças climáticas em diferentes regiões do planeta.
No Brasil, os efeitos costumam ser sentidos de formas distintas. Enquanto o Sul enfrenta volumes elevados de chuva, outras regiões podem registrar períodos de seca e calor intenso.
Segundo Thiago Godoy, educador financeiro, a preocupação não fica restrita apenas ao campo. A quebra de safra pode atingir toda a cadeia econômica, elevando os preços dos alimentos e pressionando ainda mais a inflação.
“Na ponta, para o consumidor, significa aumento no preço dos alimentos, além de todo o prejuízo financeiro que eventos extremos, como as chuvas no Rio Grande do Sul, podem causar”, avalia Thiago.
O cenário inflacionário já é delicado, principalmente em um contexto de conflito no Oriente Médio e pressão global sobre commodities.
“Qualquer fator adicional que coloque mais pressão inflacionária é prejudicial para a economia e para os investimentos”, explica Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb.
Embora o Brasil já tenha enfrentado outros episódios de El Niño no passado, o atual contexto econômico torna os efeitos potencialmente mais desafiadores, analisa Pascowitch.
“Quando um fator inflacionário se soma a outro, o cenário fica ainda mais desafiador. Isso afeta diretamente a precificação do mercado, principalmente nas expectativas para os juros no Brasil, já que a queda pode acabar sendo menor do que a esperada”, acrescenta.
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.