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Milho recua em Chicago após realização de lucros e safra no Brasil

O contrato futuro do milho para dezembro encerrou o pregão desta quinta-feira (13) em queda de 1,82% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 4,72 por bushel.

Segundo a Granar, os contratos recuaram após investidores realizarem lucros depois da forte alta registrada na sessão anterior. O movimento também foi influenciado pelas condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.

A previsão de novas chuvas para Iowa, centro de Illinois e Indiana favorece o desenvolvimento das lavouras e ajuda a definir o potencial produtivo da safra norte-americana.

O mercado também repercutiu as perspectivas de uma produção maior na América do Sul. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a Conab elevou a estimativa para a safra brasileira de milho 2025/2026 de 141,73 milhões para 142,96 milhões de toneladas.

A projeção para a segunda safra, a safrinha, passou de 109,43 milhões para 111,03 milhões de toneladas. Apesar do aumento na produção, a Conab manteve a estimativa de exportações em 46,5 milhões de toneladas.

Na sessão anterior, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projetou a produção brasileira de milho em 140 milhões de toneladas e as exportações em 42 milhões de toneladas.

Soja

O contrato futuro da soja para novembro encerrou o pregão com leve queda de 0,08% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 11,82 por bushel.

Segundo a Granar, os preços da oleaginosa registraram pouca variação no mercado norte-americano, sustentados pela forte demanda chinesa.

O movimento foi reforçado pelo relatório semanal de exportações dos Estados Unidos e por novas confirmações de vendas de soja para a China.

O mercado também acompanha as expectativas em torno da visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, prevista para setembro, quando deverá se reunir com o presidente americano Donald Trump.

Trigo

O contrato do trigo para setembro encerrou o pregão deste pregão em queda de 0,22% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 6,68 por bushel.

Segundo a Granar, os preços do trigo fecharam majoritariamente em baixa nos mercados norte-americanos, após os ganhos registrados na sessão anterior. O movimento foi influenciado pela realização de lucros por fundos de investimento.

O mercado também acompanhou os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia. Ataques com drones ucranianos atingiram o porto russo de Novorossiysk e interromperam as operações no maior complexo portuário do país.

Em resposta, a Rússia atacou uma embarcação no porto ucraniano de Odessa. Os episódios aumentaram a atenção dos investidores sobre os riscos para o fluxo de exportações de grãos na região do Mar Negro.

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O que muda após decisão de Moraes sobre os ‘penduricalhos’


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (12) que sete tribunais suspendam o pagamento de verbas indenizatórias que ultrapassem o teto estabelecido pela Corte. A medida foi acompanhada pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes em ações sob a sua relatoria que tratam sobre os chamados “penduricalhos”.

Os ministros também ordenaram a devolução de valores recebidos por magistrados que ultrapassaram o teto. A decisão de Moraes citou pagamentos feitos pelos Tribunais de Justiça de Goiás, do Maranhão, do Paraná, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte, de Rondônia e do Distrito Federal.

A decisão também trata dos pagamentos de honorários de sucumbência feitos pela Advocacia-Geral da União (AGU). Moraes determinou que o advogado-geral envie ao processo as folhas de pagamento completas dos membros que tiveram valores implementados depois da decisão do STF.

A AGU também deverá identificar eventuais integrantes que tenham recebido pagamentos em desacordo com as regras estabelecidas pelo Supremo. Os documentos deverão ser encaminhados de forma sigilosa em até 72 horas.

O ministro determinou ainda que o corregedor nacional de Justiça seja comunicado para fiscalizar o cumprimento da decisão e apurar eventual responsabilidade administrativa e disciplinar dos presidentes dos tribunais pelos pagamentos realizados anteriormente em desacordo com as determinações do STF.

O que são ‘penduricalhos’

O termo “penduricalho” é utilizado para se referir a verbas indenizatórias, gratificações e auxílios, sendo somados à remuneração-base de servidores públicos e magistrados. Esses valores, em tese, permitem compensar gastos relacionados ao exercício da função ou ressarcir direitos não usufruídos, como a conversão de férias em dinheiro. Na prática, esses benefícios elevam o valor dos salários.

Em 30 de junho, o Supremo formou maioria para manter regras mais restritivas para o pagamento de “penduricalhos” a magistrados e integrantes do Ministério Público. O julgamento teve como último voto o da ministra Cármen Lúcia, que acompanhou os relatores Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Eles apresentaram, em conjunto, uma posição que alterou alguns pontos da decisão de março que havia estabelecido limites para as verbas indenizatórias. O presidente do STF, Edson Fachin, também acompanhou o entendimento.

Entre as mudanças, os tribunais e unidades do Ministério Público foram autorizados a converter em dinheiro as horas extras realizadas durante plantões presenciais. Nos virtuais, o pagamento fica restrito às horas em que magistrados e integrantes do MP forem efetivamente acionados.

Também foi permitida a realização de pagamentos referentes a períodos de férias, licenças-prêmio e plantões judiciais adquiridos antes da decisão de março.

A maioria dos ministros manteve, no entanto, o limite de 35% para esses adicionais. O percentual corresponde a 35% do teto do funcionalismo público, que é equivalente ao salário de um ministro do STF, atualmente de R$ 46,3 mil.

Outra alteração foi a possibilidade de pagamento simultâneo da parcela de valorização por tempo de antiguidade na carreira (PVTAC) e do Adicional por Tempo de Serviço (ATS), conhecido como quinquênio. Os dois representam um adicional de 5% a cada cinco anos de trabalho, até o limite de 35%. Os ministros proibiram que o mesmo período de atividade seja utilizado para calcular ambos os benefícios.



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Bancos veem sucessão de Wesley Batista na JBS como transição de baixo risco

A escolha de Wesley Batista Filho como novo CEO Global da JBS foi recebida de forma positiva por bancos e casas de análise. Em relatórios divulgados após o anúncio, a avaliação predominante é de que a sucessão representa mais uma continuidade da estratégia da companhia do que uma mudança de direção.

Wesley Batista Filho, atual CEO da JBS USA, assumirá o comando global da companhia em janeiro de 2027, no lugar de Gilberto Tomazoni. O atual CEO deixará o cargo após cerca de oito anos e passará a atuar como vice-presidente do conselho e senior advisor da JBS, além de permanecer como chairman da Pilgrim’s Pride.

O BofA (Bank of America) avaliou que a escolha de Wesley Batista Filho representa um sinal de continuidade na estratégia da JBS. Para o banco, a sucessão foi planejada e não deve provocar mudanças relevantes na direção da companhia.

Na avaliação do Bradesco, Wesley é o sucessor natural de Tomazoni, em uma transição que já vinha sendo preparada pela JBS. Embora o anúncio tenha ocorrido um pouco antes do esperado, o banco considera que a mudança faz sentido diante do longo período de Tomazoni à frente da companhia e das crescentes demandas de uma JBS listada nos Estados Unidos. Para o Bradesco, a troca representa “muito mais continuidade do que mudança de direção”.

Na avaliação do BTG Pactual, a transição vinha sendo construída havia algum tempo e, por isso, não deveria representar uma surpresa para o mercado. O banco destacou que Wesley, de 34 anos, está há 15 anos na JBS e acumulou posições de liderança em praticamente todos os principais negócios da companhia no Brasil e nos Estados Unidos.

O Citi também classificou a sucessão como uma transição planejada e destacou a experiência operacional de Wesley, que comandou a JBS Brasil, a Seara e, mais recentemente, a JBS USA, considerada a maior plataforma da companhia.

Para o banco, a principal questão para os investidores será acompanhar como a nova estrutura de liderança funcionará na prática, especialmente a divisão de responsabilidades entre CEO, vice-presidente do conselho e conselho de administração.

Na avaliação do J.P. Morgan, a transição também é amplamente antecipada por quem acompanha a JBS e deve resultar em “nenhuma mudança relevante” na estratégia. O banco ressaltou a passagem de Wesley por posições como CEO da JBS Brasil, presidente da Seara e, desde 2023, CEO da JBS USA.

O Morgan Stanley foi ainda mais direto ao avaliar que a mudança tem implicações estratégicas muito limitadas para a JBS. Embora o momento do anúncio tenha sido considerado incerto, a escolha de Wesley era amplamente esperada.

A instituição destacou a experiência acumulada pelo executivo em diferentes posições de liderança e sua participação em conferências e eventos com investidores.

O Morgan Stanley também avaliou que, com o tempo, a mudança tende a ser vista positivamente pelo mercado, diante de uma transição considerada organizada e da permanência de Tomazoni no conselho.

A casa descreveu Wesley como um líder experiente, com 15 anos de companhia, além de ter um perfil operacional e considerado energético e determinado.

O Safra adotou uma avaliação semelhante e classificou a troca como um passo natural dentro do planejamento sucessório de longo prazo da JBS. Para o banco, Wesley tem uma carreira sólida construída em diferentes operações globais da companhia e é altamente qualificado para dar continuidade à estratégia e à execução da empresa.

O Safra avaliou ainda que não há uma ruptura na gestão, já que Tomazoni continuará na companhia em uma função mais estratégica.

Entre as casas analisadas, a XP também recebeu positivamente a escolha. A corretora afirmou que o anúncio foi “positivo” e destacou que a sucessão já era amplamente esperada pelo mercado.

Para a XP, Wesley vem sendo preparado para a função há vários anos e reúne experiência operacional por ter passado por diferentes unidades de negócio da JBS, desde a produção e exportação até posições executivas.

A XP também apontou como fator positivo o conhecimento de Wesley sobre o ciclo pecuário dos Estados Unidos, considerado particularmente relevante diante do desempenho da operação de carne bovina americana, que tem sido um dos principais fatores negativos para as revisões de resultados da companhia.

Outro ponto destacado pela XP é que a chegada de Wesley ao comando global pode aumentar o alinhamento entre a companhia e seus acionistas controladores. Na avaliação da casa, isso poderia elevar a possibilidade de operações de fusões e aquisições mais agressivas no curto e médio prazo.

O Santander afirmou que a transição ocorre em um momento importante para a JBS, após a listagem nos Estados Unidos e a apresentação do primeiro formulário 10-Q, e avaliou que mudanças na liderança sempre carregam riscos de execução. O banco ressaltou o papel de Tomazoni no fortalecimento da governança corporativa e no crescimento da companhia.

A XP também mencionou um ponto de atenção relacionado à governança. Segundo a casa, o nome de Wesley ainda pode trazer lembranças negativas associadas a questões de governança da JBS, além de aumentar a concentração no conselho.

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O que se sabe sobre o caso do professor que ameaçou reprovar aluna se ela não enviasse foto nua


Um professor de um colégio estadual de Ponta Grossa, na região de Campos Gerais do Paraná, é investigado por assédio sexual após ameaçar uma aluna exigindo que ela enviasse uma foto dela nua. A polícia teve acesso a prints das mensagens enviadas por ele à estudante. No diálogo, a adolescente nega e o professor responde: “eu tô mandando, você não tem escolha ou você quer reprovar?”, continua, “quer decepcionar toda a sua família?”.

Segundo a polícia, a pasta cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o professor no último sábado, 8. Foram apreendidos um celular, um notebook e pendrives que serão periciados. O caso está sob responsabilidade do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria).

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) informou em nota que o docente não integra mais o quadro da rede estadual de ensino, em “razão da rescisão de seu contrato decorrente de procedimento administrativo”.

Em seguida, disse que a Seed e o Núcleo Regional de Educação de Ponta Grossa permanecem à disposição das autoridades para colaborar com a investigação e fornecer informações eventualmente solicitadas pelos órgãos competentes.

Por envolver menor de idade, o caso tramita sob sigilo, conforme determina a legislação.



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Exportações ucranianas de grãos caem 76%; país busca rotas alternativas

A Ucrânia planeja enviar mais grãos pelo rio Danúbio e por países vizinhos do leste europeu depois que um bloqueio russo aos principais portos do Mar Negro fez as exportações despencarem 76% em relação ao mesmo período do ano passado até agora em agosto, informou a operadora ferroviária estatal nesta quinta-feira (13).

Os embarques de grãos destinados à exportação totalizaram 201.700 toneladas até agora neste mês, informou a Ukrzaliznytsia.

“O ritmo dos embarques de exportação está extremamente baixo devido ao bloqueio dos portos marítimos”, afirmou a empresa em um relatório.

Os ataques russos contra portos ucranianos no Mar Negro, terminais de exportação e embarcações praticamente interromperam os embarques desde o fim do mês passado.

A Ukrzaliznytsia informou que as cargas destinadas à exportação estavam sendo redirecionadas para portos no rio Danúbio e para passagens ferroviárias com a Polônia, Hungria, Eslováquia e Romênia.

Os embarques para os portos do Danúbio desde o início de agosto chegaram a 91,1 mil toneladas, 11 vezes o volume registrado em julho, enquanto os volumes enviados para países do leste europeu aumentaram 81%, para 126 mil toneladas.

Volumes continuam baixos

Valeriy Tkachev, vice-chefe do departamento comercial da Ukrzaliznytsia, disse a comerciantes durante uma reunião on-line que as exportações por meio dos países europeus continuavam baixas, mas poderiam aumentar significativamente.

A Ucrânia enfrentou um bloqueio russo semelhante aos portos da região de Odesa em 2022 e 2023, quando as rotas de exportação através dos países vizinhos europeus ajudaram a manter o fluxo das exportações de grãos.

Durante os meses de pico naquele período, até 650 vagões de grãos atravessavam diariamente as fronteiras ocidentais da Ucrânia, disse Tkachev, em comparação com uma média de 140 por dia até agora em agosto.

A maioria dos vagões tinha como destino a Romênia e a Polônia.

Prontos para aumentar as exportações pelo Danúbio

Tkachev disse que as exportações pelos portos do Danúbio também poderiam aumentar, mas atualmente estão limitadas pelos baixos níveis de água e por entraves administrativos.

“Há escassez de capitães e pessoal, e o número de pilotos precisa ser aumentado”, disse Tkachev.

“Se os navios chegarem com mais regularidade, seremos capazes de movimentar mais carga”, acrescentou.

Os frequentes alertas de ataques aéreos, que interrompem as operações, também estão prejudicando as exportações, afirmou. Tkachev observou que somente na terça-feira houve 15 alertas de ataque aéreo, com duração total de 11 horas.

A Rússia intensificou os ataques com drones contra os portos do Danúbio nos últimos meses. O ataque mais recente foi registrado durante a noite, quando o porto de Izmail foi alvo.

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Polícia prende suspeito de participar de pichação da Embaixada dos EUA em Brasília


A Polícia Militar do Distrito Federal prendeu um indivíduo supostamente envolvido na pichação de um muro da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, nesta quinta-feira (13).

Segundo a PM, a pessoa foi levada à 1ª Delegacia de Polícia. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assumiu a autoria do ato de vandalismo.

A pichação diz: “os EUA fazem guerra e lucram com a morte“. Há também o mesmo escrito em inglês, dizendo: “the USA makes war and profits from death“.

Imagens ainda mostram objetos que parecem ser simulacros de uma cartola, em referência à vestimenta do ‘Tio Sam’, figura emblemática de campanhas de guerra dos EUA, modelos de ossos artificiais, e é possível ver uma marca de queimadura na parede, junto a restos de pano que se assemelham à bandeira dos Estados Unidos. Uma faixa também é vista no chão. Nela, pode-se ver o escrito: “Indústria da guerra dos EUA: mortes, fome e destruição da natureza“.

A ocorrência foi registrada na região da representação diplomática americana, no Setor de Embaixadas Sul, na capital federal. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado.

Procurada pela Jovem Pan, a Embaixada dos Estados Unidos afirmou que está “ciente dos atos de vandalismo em nossas dependências. Tais atos são inaceitáveis, e estamos trabalhando com as autoridades locais. Os EUA continuam comprometidos em dialogar com o povo brasileiro e em garantir a segurança de nossos funcionários e instalações. As atividades consulares seguem normalmente”.

MST assume autoria

Segundo o MST, a ação foi realizada pela Juventude Sem Terra e pelo Levante Popular da Juventude como uma manifestação contra o que classificou como “indústria da guerra” e “imperialismo dos EUA”.

A confirmação da autoria ocorreu por meio de uma publicação nas redes sociais do MST. Na mensagem, o grupo afirmou que a intervenção teve como objetivo fazer uma crítica à atuação dos Estados Unidos e terminou com uma declaração em defesa da mobilização da juventude pelo socialismo.

O ato ocorreu antes das 8h e deixou pichações nos muros da representação diplomática.

Parte do material foi queimada. Também foram encontrados objetos artesanais semelhantes a ossos, produzidos com fita crepe, e um chapéu de papelão que faz referência ao Tio Sam, personagem que simboliza os Estados Unidos.

Os participantes estavam com os rostos pintados e deixaram o local antes da chegada da Polícia Militar do Distrito Federal, que realizou buscas na região. A embaixada conta ainda com diversas câmeras de segurança, que podem ter registrado a movimentação durante a ação.

Após o vandalismo, a Polícia Civil realizou o trabalho pericial na área externa da representação diplomática. Com o fim da perícia, equipes de manutenção iniciaram a limpeza e já repintaram o trecho do muro que havia sido pichado.

Tensão diplomática

O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em 15 de julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando, entre outros pontos, práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA e falhas no combate ao desmatamento. A medida entrou em vigor no dia 22 e levou o governo Lula a acionar formalmente Washington na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 27 de julho.

A crise também chegou à área diplomática. Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse sobre a indicação do republicano Daniel Perez para comandar a embaixada americana em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément — autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o posto — e criticou Washington por ter tornado a indicação pública antes desse aval.



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Safra 2026 alcançará 353 milhões de t, 2% maior que a de 2025, afirma IBGE

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 353 milhões de toneladas, 2% maior (ou mais 6,9 milhões de toneladas) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas), com aumento de 1,6% (ou mais 5,6 milhões de toneladas) em relação à de junho de 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (13).

Segundo o IBGE, a área a ser colhida foi de 83,1 milhões de hectares, com aumento de 1,5 milhão de hectares ante área colhida em 2025, crescimento de 1,8%. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou declínio de 62.805 hectares (-0,1%).

O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,4% da área a ser colhida.

Para a soja, a estimativa de produção do instituto foi de 174,9 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 141,8 milhões de toneladas (29,9 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 111,9 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas; a do trigo, em 6,4 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço), em 9,2 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 5,8 milhões de toneladas.

No que se refere à produção, ocorreram acréscimos de 5,3% para a soja e de 7,6% para o sorgo, bem como decréscimos de 6,7% para o algodão herbáceo (em caroço), de 11,3% para o arroz em casca, de 6,9% para o feijão e de 18,6% para o trigo. Para o milho, houve um crescimento de 59 371 toneladas (0,0%), com aumento de 16,4% para o milho 1ª safra e declínio de 3,6% para o milho 2ª safra).

Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 1,3% na área a ser colhida da soja, de 2,3% na do milho (aumentos de 8,4% no milho 1ª safra e de 0,8% no milho 2ª safra) e de 21,5% na do sorgo, ocorrendo declínios de 4,9% na do algodão herbáceo (em caroço), de 12,3% na do arroz em casca, de 4,4% na do feijão e de 19,3% para o trigo.

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Muro da embaixada dos EUA em Brasília é pichado: ‘Lucram com a morte’


O muro da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi alvo de pichação nesta quinta-feira (13). A pichação diz “os EUA fazem guerra e lucram com a morte“. Há também o mesmo escrito em inglês, dizendo “the USA makes war and profits from death“.

Imagens ainda mostram objetos que parecem ser simulacros de uma cartola, em referência à vestimenta do ‘Tio Sam’, figura emblemática de campanhas de guerra dos EUA, modelos de ossos artificiais, e é possível ver uma marca de queimadura na parede, junto a restos de pano que se assemelham à bandeira dos Estados Unidos. Uma faixa também é vista no chão. Nela, pode-se ver o escrito: “indústria da guerra dos EUA: mortes, fome e destruição da natureza“.

A ocorrência foi registrada na região da representação diplomática americana, no Setor de Embaixadas Sul, na capital federal. Até o momento, nenhum suspeito foi identificado.

Procurada pela Jovem Pan, a Embaixada dos Estados Unidos afirmou que está “ciente dos atos de vandalismo em nossas dependências. Tais atos são inaceitáveis, e estamos trabalhando com as autoridades locais. Os EUA continuam comprometidos em dialogar com o povo brasileiro e em garantir a segurança de nossos funcionários e instalações. As atividades consulares seguem normalmente”.

Tensão diplomática

O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em 15 de julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando, entre outros pontos, práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA e falhas no combate ao desmatamento. A medida entrou em vigor no dia 22 e levou o governo Lula a acionar formalmente Washington na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 27 de julho.

A crise também chegou à área diplomática. Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse sobre a indicação do republicano Daniel Perez para comandar a embaixada americana em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément — autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o posto — e criticou Washington por ter tornado a indicação pública antes desse aval.



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Falhas de gestão ampliam pressão sobre crédito para o produtor rural

Bancos defendem que produtores rurais melhorem a organização financeira e a qualidade das informações sobre seus negócios para ampliar o acesso ao crédito e facilitar a negociação em momentos de dificuldade.

Em painel sobre o mercado de crédito rural, executivos do Santander e Itaú BBA afirmaram que, além do cenário de juros elevados, problemas de gestão e de comunicação entre produtores e financiadores têm contribuído para o aumento das dificuldades financeiras no setor.

“Se o sujeito que tem o restaurante consegue fazer contabilidade, faturando menos de R$ 500 mil por mês, como alguém que fatura R$ 30 milhões, R$ 40 milhões por ano ainda entrega a nota no saco para o contador?”, disse Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, em painel do Congresso da Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários).

Para Fernandes, a organização de dados financeiros e operacionais deve ser uma das prioridades do produtor rural diante do atual cenário de crédito. Segundo ele, a capacidade de apresentar de forma estruturada as informações do negócio é importante tanto para a avaliação de risco pelos bancos quanto para a negociação de dívidas quando surgem problemas financeiros. 

A falta de informações também tem impacto sobre a formação das taxas. Fernandes explicou que, quando um banco estima uma perda de crédito, esse risco é incorporado à precificação das operações. “Todo mundo, quando vai fazer esse orçamento, vai considerar 3% de perda, 4% de perda, vai colocar isso na margem”, afirmou. 

Na prática, segundo o executivo, produtores que mantêm seus pagamentos em dia acabam arcando indiretamente com parte do custo gerado pela inadimplência de outros tomadores. “Os bons vão pagar pelos maus”, disse. 

A questão da gestão aparece em um momento de maior pressão sobre o crédito rural. João Andrade, do Santander, afirmou que os juros elevados agravam as dificuldades do setor, mas avaliou que o problema do agronegócio é mais amplo e tem caráter estrutural.

“O juro para nós é um problema. O problema do agro hoje é estrutural”, disse Andrade. Segundo ele, o banco tem buscado trabalhar na reestruturação de dívidas e na negociação direta com produtores, em vez de esperar que os problemas cheguem à recuperação judicial.

Na avaliação do executivo, a comunicação entre credores e devedores é um dos principais pontos a serem melhorados. O banco pode tentar diversas vezes entrar em contato com um produtor inadimplente, mas, segundo Andrade, muitas vezes a negociação acaba sendo intermediada por advogados, dificultando uma solução direta.

O diretor do Itaú BBA afirmou ainda que a recuperação judicial responde por uma parcela dos problemas de inadimplência, mas não é a principal causa. Segundo ele, cerca de 20% dos problemas de inadimplência do banco estão relacionados a recuperações judiciais, enquanto os outros 80% envolvem situações em que o devedor não responde ou não mantém uma negociação com o credor.

Recuperação judicial

Os executivos também criticaram o uso da recuperação judicial como solução para problemas financeiros do produtor. Os executivos dos bancos afirmaram que o mecanismo não trata necessariamente das causas que levaram o negócio à crise, pode elevar o custo do crédito e deixar o produtor em situação financeira mais frágil após o processo.

Segundo Fernandes, uma negociação estruturada com os credores permite discutir medidas como a devolução de áreas arrendadas, máquinas e outros ativos ou contratos que deixaram de ser economicamente viáveis.

“Quando a gente olha para o Mato Grosso, onde essa onda pegou antes, hoje em dia acho que tem muito mais conversa do que pedido de recuperação judicial. Em outras praças o pessoal ainda não viu o vizinho se dar mal. Então o pessoal ainda está embarcando nessa”, afirmou Fernandes

O executivo também afirmou que a percepção de que a recuperação judicial oferece uma solução automática para as dívidas pode mudar depois que o produtor experimenta os efeitos do processo. Segundo ele, o produtor que chega ao processo com a percepção de que encontrou uma solução passa a enfrentar uma realidade diferente posteriormente.

“Aquele peito erguido que ele andou no primeiro dia, que ele não devia nada para ninguém depois da RJ, já muda a lógica”, afirmou.

Fernandes disse ainda que, caso as regras e os procedimentos sejam aplicados de forma adequada, a recuperação judicial pode perder espaço como instrumento para enfrentar dificuldades financeiras no campo. “Eu diria que, se o procedimento for respeitado, a RJ vai sair de moda”, afirmou.

Andrade também afirmou que o problema para os bancos não é apenas a recuperação judicial, mas a dificuldade de estabelecer uma negociação com o devedor antes que o processo seja iniciado. “A recuperação machuca, mas acho que é mais danoso a gente não acessar o devedor e entrar numa negociação com ele”, afirmou.

Garantias

A discussão sobre recuperação judicial também envolve as garantias dadas pelos produtores aos financiadores. Júlio Laure, sócio-fundador da Agromatic, afirmou que parte dos produtores que recorrem à recuperação judicial não considera os efeitos da alienação fiduciária sobre determinadas operações.

Segundo Laure, créditos garantidos por alienação fiduciária podem não se submeter aos efeitos da recuperação judicial da mesma forma que outras dívidas, o que permite ao credor buscar a execução da garantia fora do processo, conforme as condições legais aplicáveis.

O executivo afirmou que esse ponto é relevante porque parte das 517 recuperações judiciais de produtores rurais registradas no primeiro trimestre, número citado por ele durante o painel, envolveria operações com esse tipo de garantia.

A alienação fiduciária também está relacionada à formação do custo do crédito. Para Laure, quanto maior a efetividade da garantia, menor tende a ser a perda esperada pelo financiador. Isso pode resultar em menor prêmio de risco, prazos mais longos e maior volume de recursos disponíveis.

Outro ponto levantado por Laure foi a discussão judicial sobre a possibilidade de determinados bens dados em garantia serem considerados essenciais à continuidade da atividade rural. Segundo ele, decisões nesse sentido podem impedir temporariamente a execução de bens durante o período de suspensão das cobranças.

Laure afirmou que o período originalmente previsto de 180 dias pode ser prorrogado e que já há casos em que decisões judiciais estenderam a suspensão por períodos mais longos.

A combinação entre garantias, organização financeira e capacidade de negociação, segundo os participantes do painel, é central para determinar as condições de acesso do produtor ao crédito. “Garantia efetiva não é privilégio do credor, é o que torna o crédito mais barato para o produtor rural”, afirmou Laure.

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PM realiza operação em 27 comunidades do RJ contra avanço territorial do CV


A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro realizou nesta quinta-feira (13) uma megaoperação com o objetivo de conter a expansão territorial da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A ofensiva contou com a mobilização de 27 batalhões e atua de forma simultânea em aproximadamente 30 comunidades fluminenses, abrangendo a capital, a Baixada Fluminense e a Região Metropolitana.

As ações buscam interromper as disputas por territórios e frear a estratégia de expansão da facção criminosa, que vinha sendo divulgada pelo grupo de forma pública desde 2024, tanto em âmbito local quanto nacional.

Na capital, as incursões se concentram em pontos estratégicos e conhecidos redutos da organização, como Andaraí, Vila Vintém e Cidade de Deus, além de outros bairros da zona norte. Até o momento, as equipes policiais já registraram prisões e apreensões de materiais ilícitos.

Assista a reportagem completa abaixo:



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