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Comissão aprova PL que regula importação de leite no Brasil

A CAPADR (Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural) aprovou nesta quarta-feira (20) o PL (Projeto de Lei) 5557/2025, que regula a importação de leite, leite em pó, queijo mussarela e derivados. 

O projeto prevê que a entrada desses produtos no país só poderá acontecer quando a produção nacional corresponder a, no mínimo, 70% do consumo interno. A liberação será feita pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) a partir de bases de dados oficiais. 

O projeto garante que, caso necessário, o Poder Executivo possa intervir nesse percentual. A proibição de importação se estende para os países membros do Mercosul. 

Essa cláusula foi adicionada devido a suspeita da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) da importação de produtos de outros países via triangulação comercial. 

“Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) demonstram que as importações desses produtos têm ocorrido em volumes superiores à capacidade produtiva dos países exportadores, configurando triangulação comercial com produtos oriundos de nações como a Nova Zelândia, que ingressam no Brasil sob o selo do Mercosul e com isenção de tarifas”, justifica o autor do PL, Clodoaldo Magalhães (PV-PE). 

Na avaliação da Comissão, essa prática derruba os preços no mercado interno e inviabiliza a produção em regiões do país.

A medida é inspirada em uma política adotada durante a gestão de Dilma Rousseff e foi aprovada para “reforçar a soberania alimentar, valorizar o produtor brasileiro, especialmente em regiões historicamente afetadas pela concorrência desleal internacional”. 

O PL proibe também a a reidratação, industrialização, comercialização ou qualquer forma de transformação de leite em pó importado em leite fluido, bebidas lácteas, queijos ou produtos similares destinados ao consumo interno.

Indústrias que mantenham a prática estarão sujetias à perda de incentivos fiscai e benefícios tributários. O texto será encaminhado para votação em plenário.

Presença do ministro 

A comissão aprovou também nesta quarta-feira um requerimento que pede a presença do Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, para “prestar esclarecimentos” acerca da exclusão do  Brasil na lista de exportadores de animais destinados a alimentação humana e produtos de origem animal  para a União Europeia.

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Indústria de defensivos prevê ano mais difícil e margens apertadas

A combinação de custos mais altos, crédito mais restrito e preços deprimidos das commodities agrícolas deve pressionar o agronegócio brasileiro e a indústria de defensivos agrícolas ao longo deste ano, segundo representantes do setor. 

Vice-presidente do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal) e executivo da Ihara, Julio Borges Garcia afirmou que o ambiente não é favorável para o setor. “Eu receio que esse ano será pior do que foi o ano passado”, disse. 

Segundo ele, o aumento dos custos de produção, com alta de fertilizantes, combustíveis e fretes, somado ao crédito mais caro e escasso, ocorre em um momento em que os preços das commodities não acompanharam a mesma trajetória de alta.

Garcia afirmou que os preços dos defensivos chegaram a atingir níveis elevados durante a pandemia, mas depois recuaram de forma significativa. “Os preços estão nos níveis mais baixos que a gente já viu na história”, afirmou. Segundo ele, porém, a recente escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar os custos de matérias-primas. “Já tivemos pelo menos uns 30 ativos que subiram mais de 20%, 30%, 40%”, disse, destacando, sobretudo, o glifosato.

Garcia disse que os aumentos de custos ainda não foram totalmente repassados aos produtores rurais, mas devem chegar gradualmente ao mercado. Segundo ele, parte das compras realizadas anteriormente ainda aproveitou estoques antigos. “Uns 15% do que foi comprado conseguiu aproveitar os preços antigos”, explicou.

Apesar disso, o executivo afirmou que não há, neste momento, problemas globais de oferta de produtos. A avaliação é compartilhada por André Pozza, diretor de marketing da Syngenta no Brasil.

“Não existe hoje, globalmente falando, um problema de falta de produção ou algum problema de não conseguir produzir algum produto como a gente teve no período da Covid”, afirmou Pozza. Segundo ele, os principais impactos atuais estão relacionados à alta da energia, do petróleo e do frete.

Pozza afirmou que os reajustes variam conforme a origem dos produtos. Segundo ele, defensivos provenientes da China registraram aumento de cerca de 40% no custo de origem, também influenciados pelo frete, enquanto outros produtos tiveram elevação entre 3% e 5%.

De acordo com Garcia, o repasse dos custos não deve resultar em aumento de margens para a indústria. “É só um repasse desse aumento de custo para as indústrias, não vai ser um aumento de margem”, afirmou. Ele acrescentou que fabricantes, revendedores e cooperativas vêm registrando resultados inferiores aos observados nos anos anteriores, em razão da combinação entre preços menores dos produtos e custos fixos mais elevados.

Pozza também descreveu um ambiente de margens pressionadas em toda a cadeia do agronegócio. “Desde o agricultor, passando pela indústria, pela rede de distribuição, toda cadeia está trabalhando com pressão de margem pelo aumento dos custos”, afirmou.

Ritmo de compras

Em relação às compras para a safra 2026/27, Pozza disse que o ritmo está acima do registrado no mesmo período do ano passado, embora ainda abaixo da média histórica. Segundo ele, o mercado estava em torno de 25% comercializado nesta época em 2025, enquanto atualmente varia entre 30% e 35%, dependendo da região. Historicamente, porém, o percentual médio neste período seria próximo de 40%.

Pozza atribuiu a antecipação das compras ao receio de novos aumentos de preços após o início dos conflitos internacionais. “Os produtores que já estavam com seu planejamento alinhado anteciparam essa agenda de incremento e foram ao mercado tomar sua posição de custo”, afirmou.

Ele destacou, contudo, que não há muito espaço para o adiamento de compras dos produtores. Para Pozza, o calendário da próxima safra, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, reduz o espaço para postergação das negociações.

Crédito e inadimplência

O crédito rural também foi apontado como uma das principais preocupações do setor. Garcia afirmou que a indústria perdeu recursos nos últimos anos e que deve haver uma disputa maior por garantias para concessão de financiamento.

“O banco não vai querer dar direto ao produtor como estava fazendo. Vai ser mais através das indústrias”, afirmou. Segundo ele, as empresas tendem a atuar como intermediárias na seleção de produtores com melhores condições de crédito.

Garcia disse ainda que o custo do financiamento se tornou um obstáculo adicional para os agricultores. “O produtor não consegue pagar”, afirmou. Segundo ele, a rentabilidade dos grãos nos últimos anos caiu a níveis que dificultam até o pagamento de arrendamentos.

O executivo também relatou aumento da inadimplência no setor. Segundo ele, o índice dobrou entre 2024 e 2025 e, no primeiro trimestre de 2026, voltou a dobrar em relação ao mesmo período do ano passado

Além da pressão dos custos, o setor acompanha a queda das commodities agrícolas e o comportamento do câmbio. “Eu estava esperando um pouquinho de reação dos preços das commodities, mas bem longe do que deveria ser para compensar esses aumentos de custo”, disse Garcia. Ele afirmou ainda que a valorização do real frente ao dólar também preocupa o segmento.

Presidente do Sindiveg e executivo da Bequisa, Maurício Marques afirmou que o cenário “mexe com o ânimo do produtor”. Segundo ele, em anos de condições climáticas favoráveis, os agricultores tendem a investir mais em tecnologia e em produtos de maior valor agregado.

Marques descreveu o momento atual como difícil para a agricultura brasileira, especialmente devido à queda nos preços das commodities. Segundo ele, a soja, que chegou a ser comercializada a cerca de R$ 180 por saca há três anos, atualmente gira em torno de R$ 110. Já o milho, que era vendido entre R$ 75 e R$ 80, estaria próximo de R$ 50. “Os custos de insumos, de maneira geral, subiram. O petróleo subiu, o frete subiu. E a commodity não”, afirmou.

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Receita Federal recebeu 34,1 milhões de declarações do IR 2026


A poucos dias do fim do prazo, a Receita Federal (RF) recebeu 34,1 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026, o equivalente a cerca de 75% do total esperado para este ano. Ainda assim, cerca de dois em cada dez contribuintes obrigados a prestar contas com o Fisco seguem sem enviar o documento.

O prazo para entrega termina na próxima sexta-feira (29/5), e a expectativa do órgão é alcançar cerca de 44 milhões de declarações.

A tendência, como ocorre todos os anos, é de concentração dos envios nos últimos dias, o que costuma sobrecarregar os sistemas e aumentar o risco de erros por parte dos contribuintes.

Segundo dados da Receita, das declarações recebidas até o momento, 60,7% possuem valores a restituir e 21,6% a pagar. 

Quem perder a data limite está sujeito a multa mínima de R$ 165,74, que pode chegar a 20% do imposto devido. Além disso, o atraso pode gerar pendências no CPF, o que dificulta desde a obtenção de crédito até a realização de alguns serviços.

O encerramento do prazo também coincide com o pagamento do primeiro lote de restituições, previsto para o mesmo dia, e com o vencimento da primeira cota do imposto para quem tem valores a pagar.

A RF orienta que os contribuintes não deixem o envio para a última hora, tanto para evitar instabilidades no sistema quanto para ter tempo de revisar as informações e reduzir as chances de cair na malha fina.

Como fazer a declaração

A declaração pode ser feita por site ou pelo aplicativo Meu Imposto de Renda. Ao começar a preencher a declaração, o contribuinte pode escolher entre três opções: importar as informações do ano anterior, iniciar um formulário em branco ou, quando disponível, usar a versão pré-preenchida.

Neste momento, a alternativa mais prática é a importação, principalmente para quem utiliza o mesmo computador da declaração de 2025.

Na abertura do programa, é necessário definir o tipo de envio. Para quem ainda não declarou, a escolha deve ser a declaração de ajuste anual. Já a opção retificadora é indicada apenas para corrigir dados após o envio. Ao importar as informações do ano anterior, o número do recibo é preenchido automaticamente pelo sistema.

Cronograma de restituição

A consulta para saber se o contribuinte está no primeiro lote foi aberta às 10h da última sexta-feira (22/5). A expectativa do Fisco é de que 8,75 milhões de contribuintes estejam incluídos.

O valor deve chegar a R$ 16 bilhões. Conforme a Receita Federal, os 8,75 milhões de contribuintes vão compor o maior lote de restituição da história.

Neste ano, o cronograma de pagamento dos lotes de restituição foi reduzido para quatro, em vez de cinco. O procedimento começa em 29 de maio e vai até 28 de agosto. Veja as datas:

  • 1º lote: 29 de maio de 2026;
  • 2º lote: 30 de junho de 2026;
  • 3º lote: 31 de julho de 2026;
  • 4º lote: 28 de agosto de 2026.



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Cowmed prevê salto de 65% no faturamento com vendas de coleiras na pecuária

A Cowmed, empresa de tecnologia especializada em monitorar a nutrição de vacas leiteiras, projeta crescer 65% em faturamento em 2026, impulsionada pela expansão da demanda por tecnologias de monitoramento animal e soluções de inteligência artificial voltadas à pecuária leiteira.

A empresa deve encerrar o ano de 2026 com receita em torno de R$ 30 milhões acima dos cerca de R$ 18 milhões registrados no ano passado, refletindo a consolidação de um modelo de negócio baseado em assinatura mensal por animal monitorado.

A empresa afirma que o crescimento de 65% projetado para 2026 reflete justamente essa lacuna de adoção tecnológica.

Do total de expansão esperada, cerca de 90% deve vir do mercado brasileiro, enquanto 10% virá de operações internacionais, com presença já iniciada em países como Paraguai, México e Uruguai.

O crescimento ocorre em um momento em que o setor leiteiro passa a incorporar com mais intensidade ferramentas de análise de dados, automação e sensores de comportamento animal, antes restritas a grandes propriedades e agora mais acessíveis a produtores de diferentes portes.

A principal tecnologia da companhia é uma coleira equipada com sensores que monitoram em tempo real o comportamento das vacas.

Segundo o Thiago Martins, CEO da Cowmed, o dispositivo acompanha variáveis como alimentação, ruminação, nível de atividade, repouso, ofegância e sinais de estresse térmico.

Além disso, o sistema identifica comportamentos de monta, um dos principais indicadores de cio, o que melhora a eficiência reprodutiva dos rebanhos.

As informações coletadas são enviadas para a nuvem e processadas por um sistema de inteligência artificial chamado Vic, desenvolvido pela própria empresa.

“A plataforma interpreta os dados e emite recomendações operacionais aos produtores, incluindo alertas de saúde, identificação de doenças, gestão de reprodução e otimização de manejo nutricional”, afirmou Martins.

Com 100 mil animais monitorados, empresa brasileira tem buscado expandir o modelo de monitoramento animal e tem como meta monitorar 1 milhão de vacas em cinco anos.

A estratégia, no entanto, permanece concentrada no Brasil, considerado o principal polo de crescimento por conta do tamanho do rebanho e do processo contínuo de modernização das fazendas.

Outro fator que impulsiona a demanda é a crescente exigência por rastreabilidade e eficiência produtiva na cadeia do leite.

Cooperativas e indústrias têm pressionado por maior controle de qualidade, redução de perdas e aumento da produtividade por animal.

Nesse contexto, soluções de monitoramento em tempo real passaram a ser vistas não apenas como inovação, mas como ferramenta operacional estratégica.

O modelo de negócios baseado em assinatura mensal, com custo por animal entre R$ 22 e R$ 23 reais, permite que propriedades de pequeno e médio porte adotem o sistema sem necessidade de grandes investimentos iniciais.

A empresa calcula que o custo representa entre 1% e 1,5% da receita mensal de um produtor, enquanto os ganhos podem chegar a até 4% em aumento de faturamento ao longo do tempo, considerando ganhos de produtividade, redução de mortalidade e melhora na eficiência reprodutiva.

Paraguai

A Cowmed quer instalar 5 mil coleiras inteligentes em rebanhos leiteiros no Paraguai até o fim de 2026. A meta faz parte de uma parceria com a Rural Makro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do país.

A expansão coloca a companhia em um mercado com mais de 12 milhões de cabeças de gado, segundo a Associação Rural do Paraguai (ARP), e reforça a estratégia de crescimento baseada em soluções de inteligência artificial aplicadas ao agronegócio.

A avaliação da companhia é que o Paraguai reúne potencial de crescimento justamente pela baixa penetração de ferramentas de monitoramento contínuo no campo.

A expectativa é que o avanço da tecnologia ajude produtores a antecipar diagnósticos, reduzir perdas e otimizar ciclos reprodutivos.

“O desafio não é só levar tecnologia, mas garantir que ela se pague no campo. Em mercados como o paraguaio, a adoção vem quando o produtor enxerga retorno claro, e isso exige consistência de dados e usabilidade”, afirma Martins.

 

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Ataque russo a depósito da ONU na Ucrânia afeta ajuda alimentar para 130 mil pessoas


SERGEY BOBOK / AFPucrania
Equipes de resgate e residentes locais removem destroços após ataques russos, em Zmiiv, região de Kharkiv

Um míssil balístico guiado de alta precisão russo danificou instalações, veículos e suprimentos do Programa Mundial de Alimentos (WFP) localizados na Ucrânia, nesta segunda-feira (25). Os alimentos armazenados no depósito seriam destinados a apoiar as pessoas que vivem próximas à linha de frente da guerra, na região de Dnipro, centro-leste do país.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), no momento do ataque, a instalação armazenava comida suficiente para alimentar 130 mil pessoas, com um valor aproximado de 1,4 milhão de dólares, mas nenhum funcionário da agência ficou ferido.

O representante do Programa Mundial de Alimentos na Ucrânia Richard Ragan disse que atacar agentes humanitários que tentam salvar civis inocentes afetados pela guerra “é um crime e uma violação do direito humanitário internacional”. 

O mesmo galpão já havia sido atingido em novembro de 2025, quando foi danificado por um ataque de drone. Nos últimos 18 meses, o WFP registrou mais de 84 incidentes que afetaram seus armazéns, veículos, pontos de distribuição e bens de parceiros humanitários locais. A agência fornece assistência alimentar e em dinheiro a quase 600 mil pessoas nas regiões de linha de frente da Ucrânia.

Patrimônio cultural 

Com a escalada da guerra, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, declarou estar profundamente alarmada com os ataques aéreos registrados durante o fim de semana, especialmente na região de Kyiv. 

De acordo com a organização, as ofensivas russas resultaram em graves danos a mais de 10 instituições culturais e 2 instalações educacionais e de pesquisa, além de veículos de mídia.

 Entre os monumentos atingidos, três estão dentro da zona tampão do sítio do Patrimônio Mundial da Unesco e nas proximidades imediatas. Eles são a Academia Nacional de Música da Ucrânia, o Correio Central e o Edifício do Ministério das Relações Exteriores.

A Unesco se pronunciou condenando ataques contra bens culturais, instituições educacionais, estudantes, profissionais de educação e profissionais de mídia protegidos pelo direito internacional. 

*com informações da ONU News





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Vamos tentar votar dívidas rurais “até o último minuto”, diz Lupion

O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (PP-PR), afirmou nesta terça-feira (26) que a bancada tenta “até o último minuto” votar o projeto de lei 5122/23 sobre renegociação das dívidas rurais no Senado, apesar da possibilidade de o governo editar uma MP (Medida Provisória) sobre o tema.

“Vamos tentar até o último minuto fazer essa votação. A medida provisória tem a vantagem de que a eficácia é mais rápida, porém, a gente não sabe o que é. A partir do momento que vier algo que não seja satisfatório para o setor, a gente fica de mãos atadas”, disse Lupion após reunião da bancada.

A declaração ocorre após a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado adiar novamente a votação do PL que trata da renegociação das dívidas rurais. O relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), negocia com o governo federal um acordo sobre pontos considerados sensíveis pela equipe econômica.

Nos bastidores, ganhou força a possibilidade de o governo editar uma MP para destravar parte das medidas antes do lançamento do próximo Plano Safra 2026/2027. A equipe econômica resiste principalmente à inclusão de dívidas contratadas com juros livres, fora das linhas oficiais de crédito rural.

O governo também tenta calibrar fontes de recursos e critérios de adesão ao programa, diante da preocupação com impacto fiscal e possível restrição de crédito ao setor.

O texto em discussão no Senado amplia o alcance da renegociação para operações contratadas até 31 de dezembro de 2025 e prevê uso de recursos do FS (Fundo Social) do pré-sal, além de superávits de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda.

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Delegado aponta “farsa ensaiada” de réus sobre morte de Henry Borel


O delegado Edson Henrique Damasceno, então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca) e responsável pela investigação inicial da morte de Henry Borel, de 4 anos, afirmou nesta terça-feira (26/5) que a versão apresentada por Dr. Jairinho e Monique Medeiros após a morte do menino foi uma “farsa ensaiada” para tentar enganar a polícia sobre as circunstâncias do crime.

A declaração foi dada durante o segundo dia do julgamento do casal, no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O ex-padrasto e a mãe da criança respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

“No decorrer da investigação, mostramos que tudo era uma farsa ensaiada. As versões apresentadas eram mentirosas, e as lesões sofridas pelo menino eram incompatíveis com qualquer queda de cama. As lesões eram gravíssimas”, ressaltou o delegado em depoimento.

Delegado aponta “farsa ensaiada” de réus sobre morte de Henry Borel - destaque galeria


 

Incosistência nos depoimentos à polícia

  • No júri, Damasceno explicou que o caso chegou inicialmente à delegacia como suspeita de acidente doméstico, mas as investigações apontaram inconsistências nos relatos apresentados por Jairinho e Monique.
  • Segundo o delegado, Monique afirmou que retornou às pressas para casa após receber um alerta da babá.
  • No entanto, a análise de mensagens mostrou que ela permaneceu em um salão de beleza por horas antes de chegar ao apartamento.
  • O policial também afirmou que Jairinho tentou evitar que o corpo da criança fosse encaminhado para perícia.
  • De acordo com Damasceno, o ex-vereador chegou a procurar um “alto executivo” do hospital para pedir que o óbito fosse atestado na própria unidade, sem necessidade de envio ao Instituto Médico Legal (IML). O pedido, porém, foi recusado.
  • Foi no IML que os peritos identificaram lesões incompatíveis com a versão apresentada pelo casal.
  • “Se o corpo não tivesse ido para o IML, a mentira iria seguir. Se não tivessem os prints mostrando as agressões, a mentira iria seguir”, declarou o delegado.

Casal obrigava testemunhas a mentir e Monique sabia das agressões, diz delegado

Durante o depoimento, Damasceno afirmou ainda que testemunhas, entre elas a babá e a avó de Henry, teriam sido orientadas por advogados a mentirem nos primeiros depoimentos prestados à polícia.

O delegado também declarou que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho antes da morte.

“Ela sabia disso e, mesmo assim, quando o menino morreu por ação contundente, com somente ela, o menino e o Jairo em casa, foi à delegacia dizer que o Jairinho tinha um relacionamento maravilhoso com ele”, afirmou.

Damasceno relatou ainda que Henry havia sido levado anteriormente a uma unidade de saúde em Bangu com lesões consideradas suspeitas. Segundo ele, na ocasião, Monique apresentou a mesma justificativa usada após a morte da criança.

A previsão é DE que o júri se estenda entre sete e 10 dias. Além de Damasceno, a programação desta terça inclui os depoimentos da delegada Ana Carolina Medeiros e do perito Luiz Carlos Prestes. A babá Thayná deve ser ouvida nos próximos dias.

No início da tarde, Sérgio Figueiredo, um dos advogados da defesa de Jairinho, anunciou que deixará o caso. Segundo ele, foi um “absurdo” a manutenção do júri após o infarto do advogado Fabiano Lopes, que também integra a defesa do ex-vereador.

Relembre o caso

Henry Borel morreu na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho.

À época do crime, os dois alegaram que a criança teria sido encontrada desacordada no imóvel. Henry foi levado ao hospital com lesões corporais graves, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática.

A partir daí, uma investigação complexa foi iniciada para esclarecer o que teria ocorrido no imóvel. Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico.

No entanto, o laudo do IML  invalidou essa versão, após constatar 23 lesões pelo corpo da criança.



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Frio e umidade impulsionam safra de cogumelos selvagens no Sul do Brasil

As baixas temperaturas e a elevada umidade do outono nas serras gaúcha e catarinense ampliaram a colheita de cogumelos selvagens no Sul do Brasil, especialmente do Porcini, espécie do gênero Boletus amplamente valorizada pela alta gastronomia.

A procura pelo fungo movimenta extrativistas, chefs de cozinha e turistas em regiões de mata e silvicultura de Pinus. As árvores, originárias de regiões frias da América do Norte e da Europa, se adaptaram ao Sul do país principalmente para produção de madeira, resina e celulose.

No município de São Francisco de Paula (RS), a empresa Fungaia prevê colher mais de uma tonelada da iguaria entre maio e julho. A meta é repetir o desempenho do ano anterior após o mapeamento de cerca de 8 mil hectares de áreas serranas.

Segundo o empresário Franco Martinelli, todas as áreas utilizadas possuem autorização prévia e seguem critérios ambientais específicos.

“É uma corrida contra o tempo. As áreas que exploramos são destinadas à silvicultura, então precisamos organizar o trabalho antes do manejo das equipes florestais. Mapeamos previamente os locais que chamamos de talhões florestais e vamos às buscas”, afirma.

Frescor e desafio logístico

Por se tratar de um alimento altamente perecível e valorizado principalmente fresco, a velocidade logística tornou-se um fator decisivo para atender restaurantes especializados do Sudeste brasileiro.

Após a colheita, os cogumelos precisam ser despachados em até dois dias úteis para manter textura, aroma e qualidade até o consumo.

Parte da produção também passa por processos de secagem e beneficiamento, aumentando a durabilidade e permitindo comercialização ao longo do ano.

A procura por experiências ligadas à natureza e gastronomia também impulsionou o turismo de caça aos cogumelos selvagens na região sul do país.

No Parador Cambará do Sul, por exemplo, visitantes percorrem áreas de mata nas primeiras horas da manhã acompanhados pelo empresário Altemir Pessali, considerado uma das referências nacionais no tema.

A atividade é sazonal e depende das condições climáticas, já que algumas espécies aparecem por poucas semanas ao longo do ano. A proposta busca aproximar turistas da biodiversidade regional e do conhecimento sobre fungos silvestres.

Ao final da experiência, os participantes também podem degustar os cogumelos encontrados durante a atividade.

Mão de obra especializada

Mesmo que pareça simples, a colheita de cogumelos exige capacitação técnica e identificação precisa das espécies encontradas no campo.

Além do Porcini, a Serra do Sul do Brasil também produz variedades silvestres semelhantes a shimeji e champignon, além de espécies tóxicas, como a Amanita muscaria, conhecida popularmente pelo visual associado ao personagem Mario Bros.

O trabalho de formação dos extrativistas conta com apoio do pesquisador Jefferson Timm, autor do livro Primavera Fungi. Há cerca de oito anos, ele atua no mapeamento de áreas produtivas, identificação das espécies e orientação sobre manejo e qualidade dos cogumelos silvestres.

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Justiça autoriza fim do dinheiro em espécie para pagamento nos ônibus do Rio


Medida passa a valer a partir do dia 30 de maio

ARION MARINHO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOVilência Rio de Janeiro
A medida foi reconhecida pela 2ª Vara de Fazenda Pública nesta terça-feira (26)

A cidade do Rio de Janeiro não aceitará mais o pagamento em espécie nos ônibus da capital. A medida foi reconhecida pela 2ª Vara de Fazenda Pública nesta terça-feira (26), após ação do Procon do Rio tentar invalidar a decisão em relação ao transporte. A medida passa a valer a partir do dia 30 de maio para os ônibus municipais.

A juíza Georgia Vasconcellos considerou que a “mudança pretendida pela parte ré na forma de pagamento das passagens em nada resvala na qualidade do serviço de transporte prestado, de forma a torná-lo inadequado ou ineficiente.”

Ela também lembrou que o BRT e VLT já operam nesse sistema, que, segundo ela, traz celeridade e praticidade aos usuários desses meios de transporte.

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, defendeu a mudança, afirmando que a cobrança apenas por meios digitais é mais segura e traz mais “transparência, mais controle e mais eficiência ao serviço, além de contribuir para a redução de crimes patrimoniais”.

A reportagem tenta contato com o Procon e o texto será atualizado se tivermos resposta.





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Eco Invest mira fertilizantes verdes para reduzir importações

O governo federal lançou nesta segunda-feira (25) o 5º leilão do programa Eco Invest Brasil, com foco em inovação industrial e transição ecológica, incluindo fertilizantes verdes. 

O programa surge em um momento em que o Brasil ainda depende fortemente das importações de fertilizantes, uma vez que cerca de 80% do consumo nacional, segundo o Ministério da Fazenda. A aposta do governo é usar recursos públicos para reduzir riscos e atrair capital privado para projetos de inovação capazes de ampliar a produção doméstica e desenvolver tecnologias nacionais.

A nova rodada cria instrumentos financeiros voltados a aproximar universidades, startups, empresas e investidores privados para desenvolver tecnologias consideradas estratégicas para a competitividade brasileira. Além de fertilizantes, o programa engloba minerais críticos, inteligência artificial aplicada à indústria, baterias e química verde.

Ao todo, o Tesouro Nacional poderá aportar até R$ 2,5 bilhões. Desse total, até R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação e até R$ 1 bilhão às linhas de crédito corporativo. O desenho exige participação privada mínima equivalente ao dobro do capital público, mecanismo usado pelo governo para ampliar o volume total de investimentos e reduzir o risco para investidores.

No caso dos fertilizantes verdes, o objetivo é estimular tecnologias ligadas à produção de insumos com menor pegada de carbono e reduzir a dependência externa. De forma simplificada, fertilizantes verdes são produtos fabricados com processos menos poluentes, geralmente usando energia renovável e também com produtos biológicos. A proposta é reduzir emissões sem comprometer produtividade agrícola.

Além da produção em si, o programa também tenta conectar a indústria com centros de pesquisa e startups. As empresas financiadas deverão contratar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação ligados às cadeias estratégicas do leilão, podendo recorrer tanto a universidades brasileiras quanto estrangeiras. O modelo também permite aquisição de empresas de base tecnológica no exterior para internalizar conhecimento.

O leilão prevê três frentes principais de financiamento: a criação de seis Fundos de Inovação Eco Invest; uma linha de crédito corporativo para empresas em fase de expansão; recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada e empreendedorismo tecnológico.

Cada instituição financeira participante disputará uma cadeia específica do leilão com base na capacidade de mobilizar capital privado. As vencedoras ficarão responsáveis pela estruturação dos fundos e dos demais mecanismos financeiros.

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