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Tornado atinge região do Paraná e deixa moradores desalojados


Um tornado atingiu, no fim da tarde de sábado (8) a área rural de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo a Defesa Civil do Estado, 20 residências foram afetadas e pelo menos 20 pessoas ficaram desalojadas. Não há registro de feridos até o momento.

Os estragos foram registrados a cerca de 30 quilômetros do centro do município, nas comunidades de Capinzal, Jararaca, Fundão e no bairro Santo André.

Moradores relataram danos em imóveis e outras estruturas, além de quedas de árvores e postes e interrupções no fornecimento de energia elétrica.

As equipes da Defesa Civil e do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) estão em campo neste domingo (9) para avaliar os danos e prestar assistência à população. Após a passagem do tornado, foram distribuídas lonas para cobrir imóveis que tiveram o telhado danificado.

O bairro Santo André chegou a ficar isolado após árvores caírem em trechos de rodovias. A prefeitura utiliza máquinas para remover os obstáculos e liberar o acesso à região.

Classificação do tornado

O Simepar confirmou a ocorrência do tornado com base em vídeos enviados ao centro operacional. “As imagens apresentam características visuais compatíveis com o fenômeno”, diz a entidade.

A intensidade, no entanto, ainda não foi determinada. Uma equipe fará análise de campo em conjunto com a Defesa Civil, com apoio de um operador de drone, para registrar imagens aéreas da região atingida.

Além dos vídeos, os técnicos vão considerar relatos de moradores e a distribuição e as características dos danos para definir a categoria e a intensidade do tornado.

“As características visuais observadas nos registros em vídeo enviados ao Centro Operacional do Simepar indicam a ocorrência de um tornado. Porém, a classificação oficial da categoria e a determinação de sua intensidade serão concluídas a partir do cruzamento dos levantamentos aéreos, depoimentos de moradores e do mapeamento da distribuição dos danos“, informou a Defesa Civil.

Outros municípios afetados

As instabilidades provocadas pelo temporal também causaram danos em outras cidades do Paraná, incluindo Jaguariaíva, Sapopema e Candói.

Em Candói, um boletim municipal contabiliza, até o momento, 40 danos humanos e dez danos materiais. Na classificação da Defesa Civil, “danos humanos” não se restringem às pessoas que tiveram as casas atingidas. O termo também inclui moradores e outras pessoas afetadas por ocorrências que comprometem a circulação ou o funcionamento de determinada área, como a queda de uma árvore sobre uma via.

Em Piraí do Sul, as ações são coordenadas a partir de um Posto de Comando instalado no quartel da Brigada Comunitária. Participam da operação equipes da Defesa Civil, do Simepar, do Núcleo Regional de Atuação, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos de segurança.



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Anvisa determina apreensão de seis tipos de sal fabricados clandestinamente


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e proibiu a venda, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de todos os produtos da marca Quanqton: “Quanqton Ocean Salts”, “Sal integral Quanqton”, “Sal Perfeito, New Quantic”, “Endurance” e “Sal Marinho Integral”.

De acordo com a agência, os produtos eram fabricados por empresa desconhecida, de forma clandestina e, portanto, não têm regularização sanitária.

Além de plataformas de e-commerce, os produtos eram vendidos por meio de um site próprio, onde eram veiculadas propagandas com falsas alegações, como as de que o produto seria um “sal marinho integral com concentração elevada de magnésio”, desenvolvido para “atletas que precisam de reposição mineral real durante e após o esforço físico intenso”.

Entre as promessas associadas ao produto estavam ainda evitar “cãibra e fadiga muscular”, “reposição mineral durante treinos longos e provas”, “prevenção de cãibras e fadiga muscular”, “hidratação celular real – não só água, mas eletrólitos que o corpo absorve”, “recuperação mais rápida após esforço intenso” e “equilíbrio do sistema nervoso e muscular”.

No site, também havia alegações de que os produtos seriam superiores ao sal de cozinha comum, que passa por um processo de refinamento. Vale lembrar, porém, que, embora o refinamento retire parte dos minerais naturalmente presentes no sal bruto, isso não significa uma perda nutricional relevante.

O sal de cozinha é composto principalmente por cloreto de sódio e, no Brasil, é iodado – ou seja, recebe iodo, nutriente essencial para a produção dos hormônios da tireoide e importante para o desenvolvimento neurológico.

A reportagem tentou localizar os responsáveis pela marca, mas não há informações de contato disponíveis no site onde os produtos são oficialmente vendidos.



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Ex-marido de Maria da Penha é preso por descumprir medida protetiva contra a ativista


Ex-marido da ativista Maria da Penha Marco Antônio Heredia Viveros foi preso por descumprimento de medida protetiva contra a ativista e as duas filhas dela. Ele foi preso, neste domingo (9), em Natal, no Rio Grande do Norte. O Ministério Público do Ceará (MP-CE)solicitou a prisão após Marco Antônio dar entrevista a uma emissora de televisão comentando sobre a tentativa de feminicídio que cometeu contra Maria da Penha, o que descumpre decisão judicial.

A Justiça acolheu pedido do MP-CE e decretou a prisão preventiva. A decisão foi proferida no sábado (8).

O crime contra Maria da Penha foi em 1983. Marco Antônio Heredia Viveros foi condenado pela tentativa de feminicídio e preso em 2000, permanecendo detido por cerca de dois anos, até ser solto em 2002.

Em 2024, a Justiça impôs medidas cautelares contra ele, incluindo a proibição de divulgar informações sobre o processo e o nome ou a imagem das vítimas.

Campanha de ódio

No dia 9 de março, a Justiça já havia aceitado uma denúncia do MP-CE contra quatro suspeitos de participação em campanha de ódio contra Maria da Penha, entre eles, Marco Antônio.

Foram acusados, também, o influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva; o produtor do documentário “A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha Marcus Vinícius Mantovanelli”; e o editor e apresentador do documentário, Henrique Barros Lesina Zingano, também foram nomeados.

Segundo a denúncia, na época, os acusados atuaram de forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a lei que leva o nome dela, utilizando perseguições virtuais, notícias falsas e um laudo de exame de corpo de delito forjado para sustentar a inocência de Heredia, já condenado por tentativa de homicídio.

Na situação, Marco Antônio foi denunciado por falsificação de documento público; enquanto Mantovanelli e Zingano respondem por uso de documento falso, ao utilizarem um laudo adulterado no documentário.



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Pai é preso em flagrante após PM encontrar os filhos de 3 e 5 anos mortos em SP



Brasil

O homem, de 24 anos, se apresentou no 48º Distrito Policial, na Cidade Dutra, e indicou o local onde os corpos estavam

Duas crianças, de 3 e 5 anos, foram encontradas mortas dentro de um carro na manhã deste domingo (9) na zona sul de São Paulo.

O pai das vítimas, de 24 anos, foi preso em flagrante sob as acusações de homicídio e violência doméstica, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ele teria se apresentado para confessar a morte dos filhos, informou a Polícia Militar (PM).

Conforme a PM, o homem se apresentou no 48º Distrito Policial, na Cidade Dutra, e indicou o local onde os corpos estavam.

Após o relato, policiais militares foram até o endereço indicado, na Rua Luiz Supertti, 25, no Jardim Guanabara, na zona sul paulistana. Lá, localizaram as duas crianças já mortas dentro do carro.

Apesar de o pai ter se apresentado no 48º DP, a ocorrência foi registrada como flagrante no 101º DP, no Jardim das Imbuias.



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AGU se reúne com Discord e cobra proteção de crianças na plataforma


A Advocacia-Geral da União (AGU) informou na sexta-feira (7) que se reuniu com representantes da rede social Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma.

O encontro foi agendado após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu no mês passado.

Durante a reunião, os representantes da AGU ressaltaram que a proteção de crianças e adolescentes é um dever legal que deve ser cumprido pelas empresas que operam as redes sociais e cobraram medidas concretas para prevenção de riscos, identificação de situações de vulnerabilidade e de proteção de menores de idade.

Segundo o órgão, os representantes do Discord manifestaram disposição para cumprir as exigências legais e corrigir as falhas identificadas.

A AGU avalia propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar o cumprimento das regras.

Em caso de descumprimento, o órgão estuda entrar com uma ação judicial contra a plataforma.

Assista à reportagem completa:



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Entre as vítimas do acidente de helicóptero no Rio, três eram turistas da Colômbia


Um acidente de helicóptero causou a morte de quatro pessoas neste sábado (8) no Rio de Janeiro, informaram os bombeiros. Segundo a imprensa, entre as vítimas estão três turistas da Colômbia.

O helicóptero caiu no Parque Nacional da Tijuca, uma área de floresta na encosta de uma montanha. Os bombeiros confirmaram que o piloto e três mulheres ficaram irreconhecíveis devido às queimaduras, e divulgaram imagens do helicóptero em chamas no coração da mata, em um terreno de difícil acesso.

Uma fonte da polícia informou à AFP que as vítimas ainda não foram identificadas oficialmente, mas vários veículos reportaram que as passageiras eram turistas da Colômbia. Segundo o portal de notícias G1, todas pertenciam à mesma família.

Uma colisão entre dois helicópteros no Rio causou em junho a morte de seis pessoas, entre elas o cantor americano Oliver Tree e o influenciador argentino Gaspar Prim.

O prefeito Eduardo Cavaliere informou no X que solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil medidas imediatas para aumentar a fiscalização e garantir a segurança dos voos de helicóptero, cuja frequência cresce na cidade.



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Representante da empresa do helicóptero que caiu no Rio diz que eles tinham ‘todos os alvarás’


O advogado Bernardo Cortez, representante da empresa Voos Rio Panorâmico (VRP), responsável pelo voo do helicóptero que caiu na cidade fluminense neste sábado (8), afirmou que a aeronave estava com a manutenção em dia e que a empresa tinha todos os alvarás necessários para funcionar. Cortez disse ainda que o piloto era experiente e estava com todas as licenças em dia.

“O que nós podemos dizer é que a empresa tem todos os alvarás, a aeronave estava com a manutenção em dia, e somente saberemos o que ocorreu após a conclusão do relatório do Cenipa e sua disponibilização pela Aeronáutica”, disse o advogado.

Ainda não se sabe o que pode ter causado o acidente. A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento na 19ª DP (Tijuca). Foi realizada perícia no local, e os agentes aguardam o laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB)

Na tarde deste sábado, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, disse, em postagem no X, que solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) “que tome providências imediatas para intensificar a fiscalização e garantir a segurança nos voos de helicópteros que circulam com uma frequência cada vez maior na nossa cidade”. Ele acrescentou ter colocado todo o aparato da prefeitura à disposição do órgão para apoiar “com as medidas e ações que forem necessárias.”

A Anac foi procurada pela reportagem, mas ainda não houve resposta até a publicação desta matéria. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, a agência disse que está em contato com a prefeitura para uma ação conjunta de fiscalização desse tipo de voo.

O acidente deste sábado fez subir para 13 o número de vítimas em acidentes de helicóptero no Rio somente neste ano. Em janeiro, três homens morreram após a queda de um helicóptero em Guaratiba, bairro da zona oeste do Rio. Cinco meses depois, dois helicópteros colidiram no ar no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste da cidade. Foram seis mortos. Entre as vítimas, estavam o cantor e produtor norte-americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspar Prim.



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Trigo mais caro pressiona moinhos e padarias; veja como fica preço do pão

Moinhos e padarias estão absorvendo parte do aumento dos custos do trigo em um momento de menor oferta doméstica e incerteza sobre a qualidade da próxima safra. Enquanto os moinhos tentam recompor margens sem perder mercado, as padarias seguram parte da alta da farinha para evitar um aumento maior dos preços ao consumidor. O movimento comprime as margens ao longo da cadeia e ocorre justamente na transição para uma nova safra de trigo. 

Segundo Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná) e CEO do Moinho Globo, os moinhos já repassaram, em média, entre 10% e 15% do aumento de custos, mas ainda existe a necessidade de novos reajustes. 

Os moinhos têm adotado medidas para preservar caixa e margem. Segundo Venturelli, algumas empresas estão reduzindo as metas de volume e moagem para evitar a comercialização de trigo sem margem em um período de incerteza quanto à reposição da matéria-prima.

“Diminui a tua meta de volume. Foca em ter algum tipo de margem de contribuição e ganho, porque não adianta você queimar o trigo só para vender”, afirmou.

Alguns moinhos relataram à reportagem que, ao tentarem repassar um aumento de 5% no preço do trigo, não encontraram compradores dispostos a aceitar o reajuste. Venturelli confirma o movimento.

“Esse repasse tinha que ter acontecido no primeiro semestre e, para algumas empresas, não aconteceu. E agora, que a água chegou no pescoço, está no desespero. Esse é o ano mais desafiador que já vi em 20 anos”, disse. 

A dificuldade para avançar com novos reajustes ocorre em paralelo a uma maior incerteza na compra da matéria-prima. A área plantada com trigo no Brasil vem diminuindo, enquanto o Rio Grande do Sul também preocupa em razão das condições climáticas em um ano de El Niño. Ao mesmo tempo, a qualidade do trigo argentino, principal origem do cereal importado pelo Brasil, é uma preocupação para a indústria.

Nesse cenário, produtores e cooperativas têm demonstrado resistência em fixar a produção antes de saber exatamente o que conseguirão entregar. Para os moinhos, a questão não é apenas o volume disponível, mas também as características do trigo, que determinam sua utilização na fabricação das diferentes farinhas. Segundo Venturelli, essa combinação deixa produtores, cooperativas e moinhos em uma posição de espera.

“Não é que a gente não queira, é que a gente não consegue fixar contratos. O produtor ou a cooperativa quer vender o volume, mas não quer fixar.  Eles não têm preço e também não têm como garantir a qualidade ainda. Em teores de proteína, a gente não sabe ainda o que vai vir”, afirmou. Para Venturelli, o setor só terá uma visão mais concreta da safra quando o trigo estiver colhido e armazenado.

A expectativa sobre a próxima safra também reduz a disposição para formar estoques maiores. Segundo Venturelli, muitas empresas têm trigo suficiente para atender à produção apenas até o fim de agosto ou setembro, o que deixa o setor com uma janela relativamente curta até a entrada de novos volumes.

“Você não está alongado em estoque, você depende de fatores que a gente não domina, não controla do mercado e necessita continuar na produção”, disse.

A incerteza é especialmente relevante para os moinhos porque a disponibilidade de trigo não significa, necessariamente, disponibilidade do cereal adequado a cada tipo de farinha. A indústria precisa definir a matéria-prima de acordo com o produto que será fabricado, principalmente em aplicações que exigem maior qualidade, como a panificação. 

E o pãozinho?

Na outra ponta da cadeia, as padarias também não conseguem repassar integralmente a alta da farinha. Segundo Alex Martins, presidente da Abip (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria), o aumento do trigo ocorrido no início do ano já provocou reajustes de até 15%, mas a capacidade de repasse é limitada pela sensibilidade do consumidor ao preço. 

Martins estima que o preço do trigo tenha subido entre 12% e 15% neste ano, bem acima dos aumentos mais próximos de 5% em períodos considerados normais, explicou. Para as padarias, a farinha representa entre 20% e 30% dos custos, dependendo do perfil de produtos vendidos.

Segundo ele, o pão francês seria o produto mais afetado, já que a farinha é responsável por cerca de 70% da receita, além da água e do fermento. Já produtos como pizzas, sanduíches, croissants e outros pães têm mais ingredientes e maior valor agregado.  

“O pão francês é um produto popular. Se for repassar tudo, a gente perde cliente. O cliente geralmente está trocando um produto mais caro por outro produto mais barato, e a gente tem visto uma evolução na venda do pão francês”, disse. 

Segundo Martins, a tendência é que o reajuste no preço do pão francês fique limitado a 4%, como forma de reduzir a resistência dos consumidores. Os demais produtos de padaria que utilizam farinha de trigo, considerados menos essenciais, devem concentrar uma parcela maior dos repasses. Isso ocorre porque o pão francês funciona como um dos principais atrativos das padarias, contribuindo para a venda de outros produtos. 

“Infelizmente, temos tido muitos aumentos no preço do trigo, que a padaria não consegue repassar integralmente. Essa margem já vem caindo há alguns anos dentro das padarias, e percebemos isso. A margem ficou tão pequena que, se não houver um trabalho muito correto de gestão e controle, hoje não é possível ter o mínimo de lucratividade dentro da padaria”, disse Martins. 

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Justiça de SP autoriza penhora de parte da produção do Grupo Itajobi

O Grupo Itajobi, dono das usinas de açúcar e álcool Itajobi, Carolo e Rio Pardo, poderá ter parte da produção diária das três unidades penhorada para o pagamento de uma dívida com um de seus credores. A decisão foi tomada pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) em meio às negociações do grupo para reorganizar uma dívida de R$ 3,76 bilhões.

A decisão é do desembargador Rui Cascaldi e atende a um pedido da VA&E Trading do Brasil. Com o novo entendimento, volta a valer, em parte, a possibilidade de penhora de 15% da produção diária das usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo.

Na prática, isso significa que uma parcela da produção poderá ser destinada ao pagamento da dívida com a credora, mesmo enquanto o Grupo Itajobi tenta negociar um acordo com os demais credores.

O desembargador também afirmou que, neste momento, as empresas do grupo não apresentaram as condições necessárias para obter a proteção de uma recuperação judicial. Segundo ele, é preciso demonstrar, entre outros pontos, que a empresa tem condições de continuar funcionando e apresentar de forma transparente sua situação financeira.

A decisão também levou em consideração, segundo o magistrado, o risco de prejuízo para a VA&E Trading caso a cobrança permanecesse suspensa.

O Grupo Itajobi tenta chegar a um acordo com seus credores sem entrar, por enquanto, em recuperação judicial em um processo que envolve aproximadamente 4 mil credores. A estratégia do grupo é negociar uma forma de reorganizar os pagamentos e manter as atividades das usinas enquanto busca uma solução para o endividamento.

Em nota, o escritório Martinez & Associados, que representa o Grupo Itajobi, criticou a decisão. A defesa afirma que a proteção contra cobranças foi solicitada para beneficiar todos os credores.

“A restauração de atos de constrição em favor de um só credor rompe a paridade de tratamento que é o pressuposto de qualquer negociação coletiva e transfere aos demais o custo de uma vantagem individual”, disse a defesa, em nota à imprensa.

Segundo o escritório, permitir que a VA&E Trading tenha acesso à produção antes dos demais credores pode dificultar o acordo que está sendo negociado.

A defesa também afirmou que a decisão pode afetar a audiência de conciliação marcada para 24 de agosto, quando o grupo e os credores deverão discutir alternativas para a dívida.

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Com guerra, companhias aéreas registram gastos extras de R$ 5,2 bilhões


As companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 5,2 bilhões a mais do que o previsto com querosene de aviação (QAV) desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), entidade fundada por Azul, Gol e Latam.

De acordo com a entidade, após o reajuste de 1,9% (ou R$ 0,09 por litro) anunciado pela Petrobras no último dia 1.º, o preço do QAV acumula alta de 49% desde o início da guerra, em fevereiro. Com o aumento, o combustível passou a responder por 39% dos custos das companhias aéreas brasileiras. Antes do conflito, essa participação era de 32%.

Segundo a Abear, a forte exposição ao mercado internacional de petróleo e derivados fez com que o preço do combustível praticamente dobrasse em maio na comparação com o período anterior à guerra.

Dados da associação mostram que as empresas tiveram um gasto adicional de cerca de R$ 1,6 bilhão apenas naquele mês. O valor equivale, por exemplo, ao custo de arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves.

“Para se ter uma ideia, hoje temos em torno de 500 aviões voando no Brasil. O que pagamos a mais de combustível em maio já representa mais da metade do que gastamos com o leasing da frota atual. É exorbitante“, afirmou, em junho, o presidente da Abear, Juliano Noman, durante audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.

O preço do QAV é reajustado mensalmente pela Petrobras. Em julho, a estatal reduziu o valor do combustível em 14,2% (ou R$ 0,93 por litro), após três aumentos consecutivos. Ainda assim, os preços permanecem significativamente acima dos níveis registrados antes do início do conflito.

No fim de julho, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, anunciou a liberação de R$ 13,2 bilhões em crédito para as três maiores companhias aéreas do país e para a regional Abaeté. Desse total, R$ 8 bilhões serão destinados a capital de giro. A taxa de financiamento será de 4% ao ano.

“Estamos dando linhas de crédito para as aéreas atravessarem a guerra no Irã”, afirmou Mercadante. Segundo ele, diferentemente de muitas concorrentes internacionais, as empresas brasileiras não receberam aportes diretos do governo nos últimos anos.

Pelo programa, Gol, Latam e Azul terão acesso a financiamentos de até R$ 2,6 bilhões cada uma, enquanto a Abaeté Táxi Aéreo poderá contratar até R$ 8 milhões.

Crise

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou os temores de interrupções na oferta global de petróleo, especialmente devido à importância estratégica da região para o abastecimento mundial.

O risco de restrições ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta, provocou uma disparada das cotações internacionais do barril nos últimos meses.

O aumento dos preços da energia tem efeitos que vão além do setor aéreo. Custos mais elevados de combustíveis tendem a pressionar a inflação global, encarecer o transporte de mercadorias e reduzir o ritmo de crescimento econômico em diversos países.



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