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Lula explora ataque dos EUA ao Pix e força reação de Flávio Bolsonaro


A estrutura de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou aliados a explorarem a ofensiva dos Estados Unidos contra o Pix para desgastar a pré-candidatura de seu provável adversário nas eleições de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O foco dos petistas é capitalizar o que chamam de “tropeços” da família Bolsonaro após um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, apontando o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos como um dos fatores que justificam a medida.

De olho no impacto da investida do PT nas redes, a campanha de Flávio Bolsonaro deflagrou uma contraofensiva para frear o desgaste político e conter os danos à imagem do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A articulação do governo Lula foi desenhada logo após a divulgação do relatório americano. O presidente associou publicamente a proposta de taxação a reuniões dos filhos de Bolsonaro com auxiliares do presidente dos EUA, Donald Trump. Na sequência, o PT passou a classificar a ação do USTR como um ataque ao funcionamento e à gratuidade da ferramenta.

Lula chegou a posar com um cartaz contendo a frase “O Pix é do Brasil” e declarou que os EUA têm “medo” do sistema. Ministros também saíram em defesa da ferramenta, ressaltando que o Pix não está em negociação. No ambiente digital, parlamentares e militantes da base governista criaram o termo “Tariflávio” para tentar vincular a proposta do USTR ao senador.

Ciente do potencial destrutivo do tema, Flávio Bolsonaro reagiu rapidamente. O parlamentar enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, solicitando que as tarifas não sejam aplicadas. Além disso, rebateu o gesto de Lula publicando fotos com o mote que guiará sua defesa pública: “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.

Para reverter a narrativa do PT, estrategistas do PL ouvidos pelo portal Metrópoles afirmam que a campanha de Flávio deve focar na paternidade do sistema. O argumento central lembrará que o Pix começou a ser desenvolvido em 2018 e foi oficialmente lançado em 2020, sob a gestão de Jair Bolsonaro.

Paralelamente, o entorno de Flávio pretende explorar supostas contradições do partido adversário. Em grupos que reúnem parlamentares da oposição, voltaram a circular publicações feitas em outubro de 2020 por Marcio Pochmann, atual presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), criticando a ferramenta antes de seu lançamento.

A campanha petista, por sua vez, nega que a sigla tenha atuado contra a tecnologia e argumenta que as primeiras diretrizes para um sistema de pagamentos gratuitos surgiram no governo de Dilma Rousseff (PT).

O fantasma da crise do Pix

A preocupação mútua com o uso político do episódio está embasada na ampla aceitação e no sucesso popular da ferramenta criada pelo Banco Central. Os dois lados mencionam que episódios recentes envolvendo o Pix levaram a um desgaste do presidente Lula em 2025.

Naquela época, a oposição, encabeçada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), utilizou uma norma da Receita Federal para afirmar que o governo Lula taxaria o Pix. A forte repercussão negativa fez o Palácio do Planalto recuar e revogar a medida, que, segundo o governo, não levaria a qualquer cobrança pelo uso do sistema.

O episódio teve reflexo direto nos índices de popularidade do governo: segundo o instituto Datafolha, em fevereiro de 2025, a aprovação do terceiro mandato de Lula desabou para 24%, enquanto a reprovação atingiu o recorde de 41% — patamares dos quais o petista nunca se recuperou totalmente.

“O PT nunca esteve ao lado do Pix. Nós defendemos e implementamos a modernização e automação do sistema bancário brasileiro”, disse um membro do núcleo político da campanha de Flávio, sinalizando o tom de confronto adotado pelo senador.

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Após Lula usar cartaz com afirmação sobre Pix, Flávio Bolsonaro replicou frase do petista com relação a Bolsonaro
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Após Lula usar cartaz com afirmação sobre Pix, Flávio Bolsonaro replicou frase do petista com relação a Bolsonaro

Reprodução

Lula segura cartaz com a frase "O Pix é do Brasil"
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Lula segura cartaz com a frase “O Pix é do Brasil”

Ricardo Stuckert/Presidência da República

Relatório acusou Pix brasileiro de prejudicar as empresas americanas
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Relatório acusou Pix brasileiro de prejudicar as empresas americanas

Luh Fiuza/Metrópoles @Luhfiuzafotografia

EUA dizem que BC atua de forma desleal ao priorizar o Pix
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EUA dizem que BC atua de forma desleal ao priorizar o Pix

Bruno Peres/Agência Brasil

Em contrapartida, a campanha petista planeja explorar declarações recentes do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que participou das agendas de Flávio com auxiliares de Trump. Em uma entrevista, Eduardo afirmou que os EUA “têm mecanismos muito semelhantes ao Pix” e avaliou que isso abriria caminho para “você ir para uma mesa de negociação com os americanos”.

Na declaração, Eduardo fazia referência ao Zelle, um sistema privado que permite a transferência de dinheiro entre contas de clientes de instituições financeiras conveniadas.

O entorno de Flávio admite reservadamente que a fala gerou ruído e “pegou mal”, mas alega que a declaração foi distorcida. Segundo os aliados, a família Bolsonaro não defende intervenções no Pix e não colocou a ferramenta como moeda de troca na mesa de negociação com os EUA.


O desenvolvimento do Pix

  • O Pix nasceu de estudos do Banco Central que identificaram falhas em meios de pagamento, especialmente em custo e conveniência para os usuários.
  • Há documentos que mostram que, em 2014, no governo Dilma Rousseff (PT), o BC já monitorava sistemas de pagamento instantâneos e havia estabelecido recomendações para soluções de “pagamentos de varejo em tempo real e ininterruptos”.
  • Em 2016, no governo Michel Temer (MDB), o BC promoveu um workshop internacional para debater experiências de outros países com pagamentos instantâneos.
  • Dois anos depois, o BC concluiu que o mercado não conseguiria implementar sozinho uma solução aberta e assumiu a liderança do projeto.
  • Ainda em 2018, no governo Temer, foi criado um grupo de trabalho que definiu as bases do sistema; as diretrizes foram publicadas em dezembro.
  • Um ano depois, já no governo Bolsonaro, o Banco Central avançou na regulamentação e na construção da infraestrutura necessária para o funcionamento do Pix.
  • Em outubro de 2020, começou o cadastramento das chaves Pix, que superou 25 milhões de registros nos primeiros dias.
  • A operação restrita teve início em 3 de novembro de 2020; o lançamento oficial ocorreu em 16 de novembro, no governo Jair Bolsonaro.
  • Hoje, mais de 175 milhões de brasileiros já utilizaram o Pix. Em 2025, as transações somaram o recorde de R$ 35,3 trilhões.

Para acalmar a base aliada, Eduardo chegou a enviar explicações via WhatsApp: “Jamais sugeri substituir o PIX!”. Mais tarde, ele reforçou a linha de defesa adotada pelo irmão nas redes sociais e afirmou que o serviço continuará “sem taxa”.

O bombardeio petista atinge a campanha de Flávio Bolsonaro em um momento de recuperação política, semanas após o desgaste provocado pelo vazamento de diálogos nos quais ele pedia dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar um filme sobre seu pai.

Parlamentares do PL também avaliam que a divulgação do relatório do USTR com críticas ao Pix freou os ganhos da campanha de Flávio com outro anúncio do governo americano que abalou a gestão Lula: a classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

PL vai atribuir crise à política externa de Lula

Além de defender a “autoria” do Pix, uma ala da equipe de Flávio avalia que é necessário subir o tom contra Lula. A tática envolve resgatar o desgaste de escândalos antigos das gestões petistas e associar a atual ofensiva a uma tentativa de “roubar” os créditos pela ferramenta do Banco Central. “O Lula roubou no mensalão, roubou no petrolão e no escândalo do INSS. Ele agora quer roubar o Pix”, afirmou um membro da campanha.

A estratégia de contra-ataque bolsonarista também buscará explorar o que o grupo classifica como um “isolamento diplomático” do atual governo brasileiro em relação à Casa Branca sob Donald Trump. A oposição aponta a falta de diálogo da gestão Lula como a verdadeira causa por trás da proposta do novo tarifaço americano.

“O nosso papel vai ser falar o que realmente aconteceu, inclusive da dificuldade que o Lula e seus ministros têm, por questões ideológicas, de tratar de forma adequada as necessárias negociações com o nosso maior parceiro comercial, os EUA”, concluiu um interlocutor da campanha do PL.



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O perigo invisível das madrugadas: o que o frio extremo faz com o verniz do seu carro


Quedas bruscas de temperatura geram microfissuras na lataria; descubra como proteger a pintura do carro contra os danos causados pelo sereno intenso e pela geada

ReproduçãoVidro do carro embaçado na chuva

As baixas temperaturas trazem um inimigo silencioso para quem deixa o veículo estacionado ao ar livre. Durante a madrugada, a combinação implacável de frio, umidade e poeira ataca diretamente a camada mais superficial da carroceria. O resultado aparece algumas semanas depois na forma de manchas opacas e trincas invisíveis, forçando o proprietário a arcar com reparos estéticos de alto custo. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), a busca por serviços de repintura automotiva cresceu de forma considerável, sendo o descaso diário com as intempéries climáticas um dos principais responsáveis pelas visitas às oficinas.

Por que a umidade noturna e o gelo craquelam a lataria

O verniz automotivo funciona como a pele do veículo. Quando os termômetros despencam, a superfície metálica sofre choques térmicos ao amanhecer, expandindo e contraindo de forma contínua. Se a lataria estiver coberta por finas camadas de geada ou pelo tradicional sereno noturno misturado com poluição, essa umidade retida congela e dilata, o que abre caminho para fissuras na camada de proteção.

Ao contrário do que a maioria dos motoristas imagina, polir o carro em excesso não resolve o problema. Na realidade, a fricção mecânica constante desgasta a espessura original do verniz, deixando a cor do automóvel ainda mais exposta aos raios solares que surgem pela manhã. A saída mais inteligente exige a criação de barreiras físicas e químicas aplicadas de maneira preventiva.

Como blindar a carroceria na garagem de casa

Ajustar alguns hábitos na rotina de lavagem é o primeiro passo efetivo para evitar o desgaste do verniz. A limpeza do final de semana deve abandonar as receitas caseiras e adotar exclusivamente o sabão com pH neutro. Produtos de base solvente, álcool ou detergentes comuns removem a proteção natural das ceras e aceleram o ressecamento da pintura sob o frio.

Para os motoristas que não possuem garagem coberta, o uso de capas automotivas impermeáveis funciona como um excelente bloqueio. Contudo, o acessório de tecido ou lona só deve ser posicionado sobre o carro limpo e totalmente seco. Cobrir a lataria ainda molhada ou com poeira acumulada cria um ambiente úmido por baixo do material, o que favorece o surgimento de fungos e provoca arranhões circulares assim que o vento balança a capa.

Quanto custa manter o veículo a salvo do clima

Para garantir durabilidade à cor do automóvel, o dono do veículo precisa criar uma camada extra de proteção química. A rota mais tradicional e acessível é a aplicação manual de cera à base de carnaúba. Com um investimento médio que oscila entre R$ 40 e R$ 130 no mercado de autopeças, o próprio motorista consegue aplicar o produto, o que garante que as gotas de água escorram rapidamente sem congelar sobre a lataria.

Para quem busca comodidade e não tem tempo para o enceramento mensal, os estúdios de estética oferecem a vitrificação à base de nanocerâmica. O serviço aplica um revestimento químico robusto que repele água, sujeira e geada. Os orçamentos variam de R$ 800 para modelos compactos até R$ 2.500 para SUVs grandes, entregando um brilho espelhado que pode durar até três anos. Apesar do custo inicial pesar no orçamento, o escudo invisível diminui as lavagens detalhadas e valoriza o modelo na revenda.

A adaptação aos extremos de temperatura já começou a moldar a rotina de quem não aceita perder dinheiro na hora de passar as chaves do usado adiante. Com os revestimentos sintéticos e cerâmicos ganhando as prateleiras populares, a proteção veicular deixa de ser um preciosismo de entusiastas para integrar o pacote de manutenção financeira. O motorista que antecipa o cuidado com a carroceria garante um trânsito de inverno sem manchas e preserva integralmente o próprio patrimônio para as próximas estações.





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Mulher que perdeu a visão após cirurgia no nariz receberá R$ 50 mil


Decisão da Justiça exige que médico e associação hospital paguem indenização por danos morais e materiais



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Trem de pouso de avião colapsa e deixa feridos na Alemanha


Um porta-voz da Lufthansa informou na noite desta quinta-feira (4) que as vítimas sofreram apenas lesões leves

Reprodução/Redes SociaisTrem de pouso de um Boeing 787-9 Dreamliner da Lufthansa que colapsou e a aeronave inclinou-se sobre o nariz
Trem de pouso de um Boeing 787-9 Dreamliner da Lufthansa que colapsou e a aeronave inclinou-se sobre o nariz

O trem de pouso de um Boeing 787-9 Dreamliner da Lufthansa colapsou e a aeronave inclinou-se sobre o nariz quando estava prestes a embarcar passageiros no aeroporto de Frankfurt nesta quinta-feira (4), deixando vários funcionários feridos, informou a companhia aérea alemã.

O incidente ocorreu às 12h45 (7h45 de Brasília), pouco antes de os passageiros embarcarem na aeronave, que deveria voar para Los Angeles.

O trem de pouso dianteiro “recolheu-se de forma inesperada enquanto o avião estava estacionado”, disse uma porta-voz da companhia à AFP.

Membros da tripulação e funcionários de solo estavam a bordo, e vários deles ficaram feridos e receberam atendimento médico, informou a empresa.

Outro porta-voz da Lufthansa disse à AFP na noite desta quinta-feira que os feridos sofreram apenas lesões leves. Eles foram levados ao hospital para tratamento. O voo para Los Angeles foi cancelado.

“Neste momento, especialistas estão no local inspecionando a aeronave”, informou a Lufthansa.

Espera-se que o avião seja levado ainda na noite desta quinta-feira para um hangar, “onde serão realizadas novas inspeções antes que a aeronave seja reparada”, acrescentou a companhia.

Segundo o site Aerotelegraph, o avião danificado tem apenas um ano de uso e foi entregue à Lufthansa em janeiro.





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Brasil é eleito para o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas


Segundo o Itamaraty, o país recebeu 181 votos na eleição que definiu os membros do órgão para o mandato 2027-2029



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Exportação de algodão tem volume recorde para maio de 2026

As exportações brasileiras de algodão atingiram 291,2 mil toneladas em maio de 2026, com receita de US$ 449,6 milhões, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), analisados pela Anea (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão).

O desempenho representa o maior volume já registrado para um mês de maio e reforça o momento histórico do setor, que acumula 3,129 milhões de toneladas embarcadas na temporada julho de 2025 a maio de 2026, um recorde inédito para a cadeia do algodão brasileiro.

Apesar da queda em relação a abril, quando foram exportadas 370,4 mil toneladas e registrados US$ 560,6 milhões em receita, o comparativo anual mostra forte expansão. Na comparação com maio de 2025, houve crescimento de 51,5% no volume e de 45,3% na receita, consolidando o avanço expressivo do produto no mercado internacional.

No cenário das exportações totais do país, o algodão respondeu por 1,41% em maio, ocupando a 15ª posição no ranking geral e a terceira colocação entre os produtos do agronegócio, com participação de 5,52%.

De acordo com a Anea, a retração em relação a abril é explicada pela sazonalidade dos embarques da fibra, enquanto o desempenho acumulado da safra 2025/2026 segue em ritmo forte e consistente.

“Já passamos de 3 milhões de toneladas no acumulado de julho de 2025 a maio de 2026. É mais um mês com recorde mensal, já temos o maior segundo trimestre da história e ainda falta junho. O Brasil se consolidou como fornecedor de 12 meses, e os exportadores estão fazendo um trabalho excelente, mesmo diante das questões geopolíticas atuais. O algodão brasileiro segue avançando”, afirmou o presidente da Anea, Dawid Wajs.

Destinos

Entre os principais destinos das exportações brasileiras em maio, o destaque foi Bangladesh, que liderou as compras com 21,1% de participação. Na sequência aparecem Paquistão, com 19%, Turquia, com 14,2%, e Vietnã, com 13,4%.

Juntos, Bangladesh e Paquistão concentraram cerca de 40% dos embarques do mês, evidenciando a forte demanda de grandes mercados têxteis asiáticos pela fibra brasileira.

A China, que já respondeu por cerca de um terço das exportações na temporada, reduziu sua participação para 9,6% em maio. Também figuram entre os destinos Indonésia, com 8,5%, Índia, com 6,3%, Malásia, com 3,6%, Egito, com 2,1%, Coreia do Sul, com 0,8%, Tailândia, com 0,5%, Maurício, com 0,4%, e África do Sul, com 0,1%.

A Índia registrou queda na participação, passando de 11% em abril para 6,3% em maio, após o fim da isenção de impostos para importação de algodão. No período anterior, o benefício havia impulsionado significativamente as compras indianas da fibra brasileira.

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Metas fiscais são insuficientes para estabilizar dívida do governo, diz TCU


As conclusões são da equipe técnica da Unidade Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal

Divulgação/MPTCUMPTCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou na quarta-feira, 3, para a “insuficiência das metas fiscais vigentes” para a estabilização da dívida bruta do governo geral (DBGG) em relação ao PIB. Também foi destacada a trajetória ascendente da dívida em todos os cenários projetados até 2029.

As conclusões são da equipe técnica da Unidade Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal).

Nesta quarta-feira, o Plenário da Corte de Contas determinou que o Tesouro Nacional passe a deixar evidente o nível de resultados fiscais “consistente com a estabilização” da dívida bruta em relação ao PIB no horizonte de dez anos. A obrigação é para os próximos projetos de lei de diretrizes orçamentárias.

A equipe do TCU avaliou as projeções oficiais publicadas pelo Tesouro Nacional nos Relatórios de Projeções Fiscais (RPFs) e nos Relatórios de Projeção da Dívida Pública (RPDPs). Os cálculos realizados pela fiscalização mostraram que, mesmo com o cumprimento das metas fiscais, a estabilização da relação dívida/PIB não está assegurada nas projeções.

“A equipe concluiu que as metas fiscais efetivas são insuficientes para assegurar a estabilização da DBGG até 2029 em todos os cenários projetados, inclusive naquele que pressupõe o cumprimento integral das metas de resultado primário efetivo estabelecidas na LDO 2026 [para os próximos anos]”, detalha o acórdão.

Nos cenários de referência das projeções, o TCU vê como um problema central a “dependência crescente” das chamadas receitas condicionais. Exemplos são as estimativas de arrecadação que dependem da aprovação prévia de novas medidas legais.

A lei do arcabouço fiscal, aprovada em 2023, passou a exigir a compatibilidade das metas fiscais com o objetivo de médio prazo de estabilização da relação dívida/PIB.

Outras inconsistências apontadas pela fiscalização do TCU incluem: deterioração dos indicadores de capacidade de pagamento; hiato entre o resultado primário efetivo e o estabilizador estimado; e, além disso, transparência insuficiente das projeções oficiais de DBGG/PIB quanto à sensibilidade a receitas condicionais. O indicador “juros/receita” foi o que apresentou pior evolução no triênio de 2023 a 2025, ainda de acordo com a fiscalização.





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Brasil e Guatemala assinam acordo para cooperação agropecuária

O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e o Maga (Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento para ampliar a cooperação bilateral em áreas estratégicas do setor agropecuário.

O acordo marca os 50 anos de relações de cooperação entre Brasil e Guatemala e prevê a intensificação de ações conjuntas em pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.

A assinatura integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo Cleber Soares, e também dá continuidade aos avanços registrados após a visita da ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil.

Na ocasião, foram aprofundadas discussões bilaterais e avançadas pautas comerciais, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.

Durante a reunião, as delegações identificaram novas oportunidades de cooperação entre instituições dos dois países, com destaque para o intercâmbio de tecnologias em manejo sustentável de solos, uso de bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e ferramentas voltadas ao aumento da produtividade.

O memorando também estabelece mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, como a criação de um grupo de trabalho conjunto, além de intercâmbio de especialistas, missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.

A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como melhoramento genético de pescado e bovinos, com foco no fortalecimento da pecuária e na transferência de tecnologia.

O governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio técnico para o aprimoramento genético e fortalecimento do rebanho bovino.

As delegações também discutiram a ampliação do comércio agropecuário bilateral, com avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades de expansão das relações comerciais entre os dois países.

A programação incluiu ainda uma reunião no Instituto IICA (Interamericano de Cooperação para a Agricultura), na Cidade da Guatemala, onde foram debatidas iniciativas regionais em bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.

As discussões reforçaram o potencial de cooperação entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para impulsionar projetos voltados à inovação, sustentabilidade e desenvolvimento do setor agropecuário na região.

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Adolescente de 12 anos finge sequestro para exigir dinheiro dos pais


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De 36 para 18 meses: pecuária reduz pela metade idade de abate dos bovinos

A idade de abate dos bovinos no Brasil vem caindo nos últimos anos e, em sistemas mais tecnificados, os animais já são abatidos com 18 meses. A mudança é resultado da intensificação da produção, com investimentos em genética, nutrição, confinamento e integração lavoura-pecuária, além das exigências de mercados importadores como a China.

Dados da Famasul (Federação da Agricultura de Pecuária  do Mato Grosso do Sul) referentes a abril de 2026 mostram que a redução da idade de abate já é uma realidade em parte importante do rebanho sul-mato-grossense.

Entre os machos abatidos no período, a maior concentração ocorreu nas categorias de 13 a 24 meses, com 72.106 animais, e de 25 a 36 meses, com 71.455 cabeças. Outros 20.941 bovinos tinham mais de 36 meses, enquanto 1.556 animais foram abatidos antes dos 12 meses de idade.

No caso das fêmeas, foram abatidas 59.785 cabeças entre 13 e 24 meses, 47.868 entre 25 e 36 meses e 62.300 com mais de 36 meses. O levantamento também registrou 710 fêmeas abatidas com menos de 12 meses.

Os números indicam que a maior parte dos bovinos abatidos no estado já chega aos frigoríficos antes dos três anos de idade, especialmente entre os machos, refletindo os avanços dos sistemas de produção mais intensivos.

Em Mato Grosso, a tendência é ainda mais evidente e os dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) mostram que, entre janeiro e abril de 2026, 44% dos bovinos abatidos no estado tinham até 24 meses de idade, o maior percentual da série histórica iniciada em 2006. Para efeito de comparação, no início do levantamento os animais abatidos com até dois anos representavam apenas 2% do total.

Dados apresentados pela Cargill, com base em um levantamento que reúne informações de mais de 11,7 milhões de bovinos avaliados ao longo de uma década, mostram que os animais estão entrando cada vez mais leves nos sistemas de terminação.

Segundo o estudo, o peso de entrada dos bovinos nos confinamentos brasileiros tem recuado, em média, 1 kg por ano nos últimos dez anos. Embora a redução pareça pequena, ela sinaliza uma mudança estrutural na produção de carne bovina nacional.

De acordo com Felipe Bortolotto, líder de tecnologias para bovinos de corte da Cargill, a tendência reflete um processo de antecipação do ciclo produtivo. Em vez de manter os animais por mais tempo nas fazendas, os pecuaristas têm buscado acelerar a terminação e aumentar o giro dos rebanhos.

“O que estamos observando é uma entrada cada vez mais precoce dos animais nos confinamentos. Isso está ligado à necessidade de produzir mais carne com o mesmo rebanho e melhorar os índices de desfrute da pecuária brasileira”, explicou.

A mudança foi destacada durante a APAS Show 2026 pelo diretor executivo de originação e confinamentos da Friboi, Eduardo Pedroso. Segundo ele, a redução do ciclo produtivo é uma das principais transformações da pecuária brasileira nas últimas décadas e tem contribuído para ampliar a competitividade do país no mercado global de carne bovina.

De acordo com Pedroso, a pecuária tradicional brasileira era baseada em sistemas extensivos, nos quais os animais ganhavam peso durante o período das chuvas e perdiam desempenho na estação seca. Esse modelo resultava em bovinos abatidos com idade superior a quatro anos.

Com a evolução dos sistemas de produção, especialmente por meio da integração lavoura-pecuária, do uso de genética melhorada, da suplementação nutricional e do confinamento, o ciclo foi encurtado significativamente.

“Hoje praticamente toda a produção da JBS está abaixo de 30 meses, caminhando para 20 meses”, afirmou o executivo.

O movimento ganhou força principalmente após o aumento das exportações para a China. O mercado chinês passou a exigir animais com até 30 meses de idade para habilitação das plantas exportadoras, além de oferecer bonificações para bovinos mais jovens.

Segundo Bortolotto, a exigência estimulou os produtores a encurtarem os ciclos produtivos. “O pecuarista passou a girar mais rápido os animais para atender esse mercado. Isso fez com que mais bovinos fossem direcionados para o confinamento em idade mais jovem”, afirmou.

A medida foi adotada pelos chineses como forma de mitigação de riscos sanitários relacionados à encefalopatia espongiforme bovina (BSE), conhecida como doença da vaca louca.

Para atender a esse mercado, produtores passaram a investir mais intensamente em tecnologias que permitem acelerar o ganho de peso dos animais e reduzir a idade de abate sem comprometer o desempenho produtivo.

Além dos ganhos de eficiência, a redução da idade de abate tem impacto direto sobre a qualidade da carne ofertada ao consumidor.

Segundo Rodrigo Gomes, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, animais abatidos mais jovens apresentam características valorizadas pelo mercado.

“O animal mais velho pode produzir uma carne mais dura, mais escura e com gordura mais amarela. Quando você intensifica a produção e reduz a idade de abate, a tendência é obter uma carne mais macia, com gordura mais clara e um aspecto visual melhor”, destacou.

De acordo com o pesquisador, os sistemas de terminação intensiva utilizam dietas com maior concentração energética, favorecendo a deposição de gordura e melhorando atributos relacionados ao sabor e à suculência da carne.

“Em geral, a redução da idade de abate melhora a qualidade da carne. O animal consegue depositar mais gordura de forma adequada, o que contribui para uma melhor experiência de consumo”, afirmou.

Apesar de entrarem mais leves no confinamento, os animais tendem a permanecer mais tempo nos cochos para atingir os pesos desejados de abate. Os dados da Cargill apontam que o período médio de confinamento também está aumentando gradualmente, em cerca de um dia por ano.

A expectativa é que essa tendência continue nos próximos anos. Atualmente, a média de permanência dos bovinos em confinamento gira em torno de 112 dias, mas pode avançar para patamares entre 120 e 150 dias. Nos Estados Unidos, principal referência mundial em confinamento, o período médio já varia entre 180 e 200 dias.

A redução da idade de abate também tem permitido ganhos importantes dentro das propriedades rurais. Com ciclos mais curtos, os produtores conseguem aumentar o número de animais terminados ao longo do ano utilizando a mesma área.

A Fazenda Rio Manso, localizada em Campo Verde (MT), é um exemplo desse modelo. A propriedade desenvolve atividades integradas de agricultura e pecuária, com 1.300 hectares de soja, mil hectares de milho, 1.030 hectares destinados à pecuária de corte e 200 hectares de eucalipto.

Segundo o proprietário da fazenda e presidente do Sindicato Rural de Campo Verde, Rodrigo Minuzzi, os animais já são abatidos aos 18 meses de idade, especialmente as novilhas terminadas em confinamento.

O sistema produtivo inclui IATF (inseminação artificial em tempo fixo), recria intensiva e engorda em confinamento, permitindo maior produtividade por hectare e melhor aproveitamento dos recursos da propriedade.

A redução da idade de abate ocorre em um momento em que o Brasil amplia sua participação no mercado global de carne bovina. A produção de carne bovina brasileira ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior produtor mundial de carne bovina, além de liderar as exportações globais há mais de uma década.

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