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RLA, indicador que limita despesas no Orçamento, fecha maio em 4,96%, mostra Tesouro


O indicador de receita líquida ajustada (RLA), usado para definir o limite anual de despesas no Orçamento da União, conforme prevê a lei do arcabouço fiscal, fechou maio em 4,96%. A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta segunda-feira, 29.

A RLA serve para suavizar o efeito das variações de receitas não previsíveis sobre os limites de despesas do novo arcabouço fiscal, expurgando fontes voláteis, como aquelas obtidas com concessões, dividendos, royalties, recursos não sacados do PIS/Pasep e com programas especiais de recuperação fiscal.

Considerando apenas o recolhimento de tributos que são mais aderentes à evolução da atividade econômica, a ideia é garantir uma base mais confiável e perene para o crescimento das despesas.

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A RLA usada para calcular o limite de crescimento real das despesas para o Orçamento compreende o período de julho do ano anterior a junho do ano corrente. Para o Orçamento de 2026, a RLA cresceu de 6,37% (entre julho de 2024 e junho de 2025) e resultou no limite de avanço das despesas de 2,50%, teto estipulado pelo arcabouço fiscal.



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Suprema Corte rejeita tentativa sem precedentes de Trump de demitir diretora do Fed


WASHINGTON, 29 Jun (Reuters) – ⁠A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou ⁠nesta segunda-feira a tentativa do presidente Donald Trump de ‌demitir a diretora do Federal Reserve Lisa Cook, mantendo-se firme na defesa da independência do banco central diante de ‌um desafio sem precedentes por parte do republicano.

O tribunal, em uma decisão por 5 votos a 4, bloqueou a tentativa de Trump de se tornar o primeiro presidente a destituir um membro do Fed desde que o Congresso criou o banco ⁠central ‌em 1913. Em seu segundo mandato como presidente, Trump ⁠também testou os limites do poder presidencial de inúmeras outras maneiras.

A decisão segue a determinação de 20 de fevereiro dos juízes em outro caso com importantes ramificações econômicas que anulou a maior parte das tarifas globais de ​Trump, uma decisão que provocou fortes críticas à Corte por parte do presidente.

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Em agosto passado, Trump citou alegações ​não comprovadas de fraude hipotecária ao tentar destituir Cook, a primeira mulher negra a ocupar o cargo de diretora do Fed, enquanto ela considerou isso um pretexto para removê-la devido a divergências sobre a política monetária.

Os juízes negaram ‌um pedido do Departamento de Justiça de ​Trump para revogar a ordem de uma juíza distrital que o impedia de demitir Cook imediatamente, enquanto a ação judicial movida por ela contra a ⁠demissão continuasse em ​andamento. Cook negou ​as alegações de Trump.

O mandato de Cook no cargo vai até 2038. Ela ⁠foi nomeada pelo ex-presidente democrata ​Joe Biden em 2022.

Os ataques de Trump a Cook e uma investigação criminal separada que seu governo iniciou em janeiro, mas que ​posteriormente foi arquivada, contra o então chair do Fed, Jerome Powell, representaram, juntos, o maior desafio à ​independência do banco ⁠central desde sua fundação.

O dia 15 de maio foi o último dos oito anos ⁠de Powell como presidente do Fed, embora ele continue sendo membro da diretoria. O Senado dos EUA votou, em 13 de maio, pela confirmação do indicado por Trump, Kevin Warsh, como sucessor de Powell, e ele tomou posse em 22 de ​maio.



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Boletim Focus mantém inflação de 2026 em 5,33% e Selic em 14%, com leve alta no PIB


O Boletim Focus desta semana manteve a projeção de inflação de 2026 em 5,33%, enquanto o câmbio permaneceu em R$ 5,20 e a Selic em 14% ao ano, ao mesmo tempo em que o PIB teve leve alta marginal para 1,99%.

O relatório do Banco Central mostra um quadro de relativa estabilidade nas projeções para os principais indicadores macroeconômicos de 2026, com poucas revisões relevantes em relação à semana anterior.

Inflação (IPCA, IGP-M e preços administrados)

Para 2026, a projeção do IPCA foi mantida em 5,33%, sem alteração na semana e após alta em relação a quatro semanas atrás, quando estava em 5,09%. Para 2027, a estimativa passou de 4,15% para 4,17%, em alta pela sexta semana consecutiva. Já para 2028, o mercado manteve a projeção em 3,70%, estável há uma semana após longo período sem alterações relevantes.

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No caso do IGP-M, a projeção para 2026 permaneceu em 6,15%, após estabilidade na semana e pequenas variações recentes. Para 2027, a estimativa subiu para 4,10%, em alta gradual por três semanas consecutivas. Em 2028, o indicador segue em 3,82%, sem mudanças há várias semanas.

Os preços administrados em 2026 ficaram estáveis em 5,00%, enquanto para 2027 a projeção avançou levemente para 3,86%, após duas semanas de alta marginal. Para 2028, a estimativa permanece em 3,50%, sem variação relevante e estável há cerca de 50 semanas.

PIB

Para 2026, a projeção do PIB foi elevada para 1,99%, em movimento gradual de alta nas últimas quatro semanas. Em 2027, a estimativa foi ajustada para baixo, passando de 1,70% para 1,68%, após leve sequência de revisões negativas recentes. Já para 2028, o mercado manteve crescimento de 2,00%, sem mudanças há mais de 120 semanas. Para 2029, a projeção também permanece em 2,00%, estável há várias semanas consecutivas.

Câmbio

Para 2026, a projeção do câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar, após leve alta acumulada nas semanas anteriores. Em 2027, o mercado revisou a estimativa de R$ 5,27 para R$ 5,28. Para 2028, a projeção passou para R$ 5,35. Já para 2029, o câmbio esperado foi mantido em R$ 5,40, sem alterações nas últimas semanas.

Selic

Para 2026, a projeção da Selic foi mantida em 14% ao ano. Em 2027, a expectativa segue em 12%, sem mudanças na semana. Para 2028, houve leve alta para 10,50%, após uma semana de ajuste altista. Já para 2029, a projeção permanece em 10% ao ano, estável há oito semanas consecutivas.



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IGP-M recua 0,50% em junho, após subir 0,84% em maio, revela FGV


O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) recuou 0,50% em junho, após ter subido 0,84% em maio, informou nesta segunda-feira, 29, a Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda foi mais intensa do que a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava recuo de 0,46% no mês.

Houve, nesta leitura, recuo de 0,97% no Índice de Preços ao produtor Amplo (IPA-M), ante alta de 0,91% em maio. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) desacelerou o ritmo de 0,61% no mês passado para 0,47% em junho.

Houve, por outro lado, avanço do Índice Nacional de Custo da Construção (0,77% para 0,85%).

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IPAs

Os preços industriais registraram queda de 1,29% no IGP-M de junho, após alta de 1,35% em maio. O resultado levou o Índice de Preços ao produtor Amplo (IPA-M) a recuar 0,97% neste mês, ante avanço de 0,91% na leitura anterior.

Houve, por outro lado, retorno dos preços agropecuários a terreno positivo (-0,44% para 0,04%).

Influências

De acordo com a FGV, as maiores influências de baixa sobre o IPA-M nesta leitura partiram de minério de ferro (-1,84% para -2,61%); café em grão (-8,37% para -9,69%); óleo diesel (0% para -6,18%); farelo de soja (-0,29% para -2,98%) e cana de açúcar (-8,27% para -1,88%).

Na outra ponta, as maiores pressões de alta foram: soja em grão (-0,87% para 2,41%); batata-inglesa (75,06% para 17,45%); feijão em grão (6,01% para 12,38%); óleos lubrificantes (24,61% para 16,70%) e leite in natura (9,28% para 2,14%).



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Governo central tem déficit primário de R$ 53,257 bi em maio, em linha com o esperado


Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$53 bilhões no mês passado

BRASÍLIA, 29 Jun (Reuters) – O governo central registrou um déficit primário de R$53,257 bilhões em maio, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira, em linha com o esperado pelo mercado e pior do que o déficit de R$40,249 bilhões obtido no mesmo mês de 2025.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$53 bilhões no mês passado.



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Onda de calor na Europa e El Niño puxam preços de açúcar, cacau e café


NOVA YORK, 26 Jun (Reuters) – Os contratos futuros do ⁠açúcar na bolsa ICE subiram nesta sexta-feira, à medida que ⁠os operadores deixaram de lado a queda nos preços do petróleo para se concentrarem ‌na onda de calor recorde na Europa e nos temores de que o fenômeno climático El Niño possa prejudicar a produção.

O cacau registrou enormes ganhos semanais, com os futuros de ‌cacau em Nova York subindo 20%.

AÇÚCAR

• O açúcar bruto fechou em alta de 0,43 centavo, ou 3,2%, a 13,98 centavo por libra-peso, após atingir uma máxima de duas semanas e meia, de 14,09 centavo. O mercado registrou alta de 2,8% na semana.

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• ‘Estamos encontrando suporte no mercado (devido) à situação climática na Índia, Europa, Tailândia, Flórida e em outros lugares’, disse o analista sênior e ⁠consultor ‌de açúcar Michael McDougall.

• Ele observou que a atual onda de calor na Europa foi ⁠reconhecida como a pior já registrada, as chuvas de monção na Índia caíram 42%, a Tailândia está quente e seca.

• No entanto, o que está limitando as perdas no mercado de açúcar são os preços mais baixos da energia, o que aumenta a perspectiva de que mais cana seja utilizada para a produção de açúcar, em vez ​de etanol como biocombustível.

• O açúcar branco subiu 4,3%, para US$464,00 por tonelada métrica, após atingir uma máxima de quase três meses, de US$466. Ele registrou alta de 5,2% ​na semana, já que os problemas na Europa afetam mais fortemente o mercado de açúcar branco.

CAFÉ

• O café robusta fechou em queda de US$35, ou 1%, a US$ 3.627 por tonelada, após atingir uma máxima de três meses de US$3.692 na quinta-feira.

• ‘O El Niño representa um importante risco de alta para os preços do robusta, devido ao seu potencial de ‌trazer condições mais quentes e secas para o Sudeste Asiático ​e a Índia’, afirmou o Rabobank em uma nota.

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• O café arábica caiu 1,2% na sessão, para US$2,732 por libra-peso, após atingir uma máxima de quase seis semanas de US$2,8480 por libra-peso na quarta-feira.

• As recentes chuvas no ⁠Brasil, associadas ao El Niño, causaram ​alguns problemas de qualidade ​e retardaram o andamento da colheita, embora, de modo geral, ainda se espere que o maior produtor mundial de arábica ⁠tenha uma safra excepcional nesta temporada.

• A analista ​de commodities agrícolas Judith Ganes afirmou que o tempo no cinturão cafeeiro brasileiro deve melhorar pelos próximos dez dias, pelo menos, o que ajudará na colheita.

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CACAU

• O cacau de Londres fechou em queda de £112, ​ou 2,8%, a £3.820 por tonelada, após ter atingido uma máxima de cinco meses de £4.014 na quinta-feira. O mercado de Londres registrou alta de 16% na semana.

• ​O cacau de Nova York ⁠caiu 2,9% na sessão, para US$5.095 por tonelada. O mercado registrou alta de 20% na semana.

• O Rabobank afirmou que ⁠o cacau está sendo impulsionado pela ‘transição para um evento ativo do El Niño, pelo abrandamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por um início lento no desenvolvimento da safra principal de 2026/27 da África Ocidental’.

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• O banco, no entanto, ainda prevê um excedente na safra de 2026/27 e considera os prêmios de risco relacionados ao El Niño um pouco supervalorizados.(Reportagem de May Angel e Marcelo ​Teixeira)



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Juro alto trava inovação e asfixia indústria de transformação, dizem especialistas


Com a Selic em 14,25%, o Brasil se consolidou no ranking dos países com maiores juros reais do mundo, a 9,67%, o que torna o crédito caro e freia o impulso produtivo. Para a indústria da transformação, isso representa mais um gargalo frente aos desafios para a inovação e a competitividade.

Os números refletem uma perda estrutural contínua. Segundo dados setoriais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 1985, a indústria de transformação respondia por 35,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2023, essa participação caiu para 15,2%, e chegou a 10,8% em 2024 (dados mais recentes da CNI). 

No cenário global, a relevância do país também encolhe ano a ano, ocupando hoje o 15º lugar entre as maiores indústrias, respondendo por 1,28% da produção mundial, distante do pico de 2,77% alcançado em 1995. O topo do ranking global da indústria de transformação é dominado pela China, que concentra 30,45% da produção mundial, seguida por Estados Unidos (16,76%) e Japão (4,76%). 

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Leia também: Insegurança aumenta custos de 62% das indústrias e pressiona preço dos produtos

Expandir ou investir

Para especialistas do setor produtivo, essa equação afasta o interesse na expansão empresarial. Beny Fard, economista e sócio da B8 Partners, destaca a dificuldade de atrair investimentos quando a própria operação fabril se torna menos rentável e mais arriscada que o mercado financeiro tradicional. “Se você fizer uma análise de uma indústria que tem um Ebitda na casa dos 15% e você tem o dinheiro jogando parado a 14%, o índice de confiança do industrial fica irrisório. Ele prefere não reinvestir”, afirma.

Segundo Fard, o resultado dessa asfixia reflete diretamente no aumento dos pedidos de recuperação judicial. As empresas buscam prolongar e reperfilar dívidas em um ambiente onde as instituições financeiras elevaram o rigor para conceder crédito.

Segundo Fard, os bancos exigem hoje garantias reais equivalentes a até 110% do valor dos empréstimos, praticamente abolindo as operações baseadas apenas no clássico “aval”, quando bancos concediam crédito às indústrias baseados apenas no bom relacionamento e na assinatura dos sócios, sem exigir garantias reais (como imóveis, maquinários ou recebíveis). Hoje, com o alto risco, essa prática praticamente desapareceu, diz Fard.

Leia também: Recuperação judicial da Estrela ilustra momento de pressão do crédito sobre empresas

Como reflexo direto da falta de liquidez, Fard observa a explosão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no Brasil, veículos usados pelas empresas para antecipar recebíveis. “Você realiza caixa daquilo que seria sustentar o seu futuro”, explica o economista, ressaltando o nível de estrangulamento do setor produtivo.

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O freio no consumo e no desenvolvimento

Para Stefano Pacini, economista do FGV Ibre, a atual política monetária restritiva atinge a indústria em duas frentes simultâneas: desestimula o consumidor, que evita compras a prazo de bens duráveis devido ao alto custo do financiamento, e paralisa o produtor, que opta por adiar a substituição de maquinários, a renovação de frotas e a modernização tecnológica.

Pacini detalha que as categorias de bens de consumo duráveis, semiduráveis e não duráveis são as que atravessam o período mais difícil, pois são altamente sensíveis ao encarecimento do crédito. Além de não vender, o cenário obriga a indústria a acumular produtos parados. “Se a empresa tem dificuldade de produzir e vender, ela vai acabar com maior estoque”, alerta o economista. 

“O investimento produtivo é muito afetado pela taxa de juros mais alta”, pontua Pacini, lembrando que a indústria nacional atua majoritariamente para atender à demanda interna e possui baixa competitividade externa, salvo raras exceções como a Embraer, o agronegócio e o setor de celulose e embalagens. 

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Contudo, mesmo em cadeias fortes no mercado interno, como a farmacêutica, a dependência estrangeira é considerável, chegando o setor a importar mais de 80% dos insumos necessários para a produção local.

Inovação sem combustível

A paralisação dos investimentos corporativos contamina de forma direta e severa a pesquisa tecnológica. Historicamente, a indústria de transformação é o motor da tecnologia aplicada, concentrando 62,4% de todo o investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, de acordo com a CNI. Setores como o de veículos automotores (18%) e o químico (16,5%) lideram esse esforço nacional.

Contudo, com a taxa de investimento do país travada em meros 16,8% do PIB, longe de potências emergentes como China e Índia, que superam os 30%, segundo a CNI, a inovação não encontra meios para se desenvolver. 

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A disparidade nas prioridades macroeconômicas do Brasil agrava o quadro, como ressalta o empresário e educador Tiago Zanolla: o país destina quase R$ 1 trilhão para pagar juros da dívida pública (cerca de 8% do PIB), enquanto apenas 1,19% do PIB é investido no desenvolvimento de pesquisa científica.

“Juro alto não encarece só o crédito. Ele é o imposto invisível sobre a inovação. Quem lidera a economia do conhecimento tratou a universidade como motor de desenvolvimento, não como despesa”, afirma.

O enfraquecimento contínuo do parque fabril afeta até mesmo o ecossistema acadêmico. O Brasil teve um dos piores desempenhos entre os grandes sistemas de ensino superior do mundo no ranking Global 2000 de 2026, divulgado pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR). Das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, o equivalente a 87% das instituições do país presentes na lista. Apenas cinco avançaram e duas permaneceram estáveis.

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Esse quadro gera um ciclo vicioso: as universidades sofrem com orçamentos apertados, a indústria retraída compra menos soluções inovadoras, e os talentos ficam sem espaço para produzir. “Hoje existe uma concorrência mundial por cérebros. Universidades e centros de pesquisa de diversos países oferecem infraestrutura, remuneração e condições de trabalho muito superiores. Quando o pesquisador brasileiro encontra mais oportunidades fora do país, o sistema inteiro perde capacidade de produzir conhecimento”, afirma Zanola.

Problema antigo

Beny Fard ressalta que gargalos históricos como a infraestrutura logística e portuária deficitária, a complexidade e o custo do acesso à energia, a baixa produtividade da mão de obra e um forte protecionismo estatal, prejudicam cronicamente a operação produtiva. “O Brasil é um dos países que mais tem barreiras de entrada em termos de proteção à sua indústria, o que nos faz perder competitividade”, pondera Fard.

Saída é olhar para fora

A saída para a sobrevivência e crescimento do parque industrial, segundo os especialistas, está no mercado externo. Ao adotar uma visão de longo prazo para aproveitar o atual rearranjo global (nearshoring), com foco nas exportações de itens com valor agregado, a indústria de transformação conseguirá diminuir a dependência de um mercado doméstico asfixiado pelas taxas restritivas.

Fard avalia que as disputas geopolíticas e o fim da globalização pacífica abriram uma janela de oportunidade fantástica para o Brasil. “Nós não somos alinhados a conflitos, nós somos uma democracia e nós temos recursos naturais e indústria manufatureira pronta para atender o mundo”, afirma o sócio da B8 Partners, ressaltando que, com acordos recentes como o do Mercosul com a União Europeia, o país precisa decidir se será um protagonista global ou se continuará sufocado pelas próprias regras e taxas. 



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Gigantes da renda fixa miram ponto ideal do mercado para a nova era Warsh


De Capital Group a Insight Investment, Natixis e Pacific Investment Management Co., a mensagem é a mesma: o ponto ideal está no chamado “miolo” da curva de Treasuries, ou seja, na faixa de cinco anos, e todos estão aumentando posição nesse trecho.

Os investidores estão migrando para esses vencimentos à medida que os rendimentos dos Treasuries se estabilizam, depois de terem disparado no início deste mês com os comentários mais duros de Warsh, presidente do Fed, sobre restaurar a estabilidade de preços. Recuperando-se dessas perdas, os títulos americanos registraram ganhos consistentes na semana passada, à medida que os preços do petróleo caíram e os traders reduziram parte de suas apostas mais agressivas em altas de juros para este ano e para 2027.

“O papel de cinco anos oferece um equilíbrio interessante” e é um “bom ponto de inflexão”, disse Brendan Murphy, chefe de renda fixa para a América do Norte da Insight Investment, gestora global com cerca de US$ 836 bilhões sob gestão.

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Com as autoridades do Fed divididas entre manter os juros inalterados ou elevar a taxa ao menos uma vez neste ano, o vencimento de cinco anos é atraente porque funciona como um proxy do quadro econômico mais amplo, ao capturar um período mais longo que pode incluir tanto ciclos de afrouxamento quanto de aperto monetário. Isso o diferencia da note de dois anos, que é guiada principalmente por apostas de curto prazo sobre juros. Além disso, carrega menos risco do que os títulos longos sensíveis à inflação, ao mesmo tempo em que ainda oferece rendimento generoso, de 4,13% na sexta-feira.

Trajetória dos juros do Fed dá reviravolta à medida que traders veem cortes em 2027 após altas

A curva de swaps do fim de 2026 para 2027 fica negativa com esperanças de afrouxamento

Os compradores do “miolo” dizem estar atentos ao fato de que a narrativa do mercado de títulos é fluida e sujeita a mudanças. Cortes de juros podem facilmente voltar ao debate, embora as altas tenham dominado as discussões recentemente. A atividade da última semana já mostra traders moderando a postura mais agressiva, precificando de uma a duas elevações até meados do próximo ano como pico do aperto monetário do Fed, depois de anteriormente se posicionarem para uma sequência de altas já a partir do mês que vem.

Os vencimentos intermediários em torno da faixa de cinco anos também podem oferecer proteção contra reações voláteis a dados econômicos que serão divulgados em breve, como o relatório mensal de emprego de junho na quinta-feira, seguido por indicadores de inflação no mês que vem. O mercado de Treasuries ficará fechado na sexta-feira em razão do feriado do Dia da Independência.

“A ponta curta da curva será mais volátil, por isso prefiro os juros intermediários”, disse Chitrang Purani, gestor de portfólio da Capital Group, que tem mais de US$ 3 trilhões sob gestão. “A trajetória da inflação e a resiliência do crescimento que vimos neste ano justificam a alta dos juros, mas, olhando para frente, os motores do crescimento econômico continuam desiguais e a inflação ainda não foi puxada por fatores do lado da demanda.”

Outro atrativo do “miolo”? Trata-se de um barganha relativa, como mostra uma métrica segundo a qual os Treasuries de cinco anos tiveram desempenho inferior ao dos vencimentos mais curtos e mais longos. A chamada borboleta — indicador de onde o rendimento do Treasury de cinco anos está em relação aos papéis de dois e 30 anos — está perto do maior nível em mais de um ano.

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Mesmo com os traders reduzindo nas últimas sessões a precificação de altas de juros, continua havendo cautela de que, se os próximos dados mostrarem que a inflação não está moderando — ela já roda acima da meta do Fed há anos —, o banco central provavelmente promoverá elevações já a partir de setembro. A pressão sobre os Treasuries será liderada pelo papel de dois anos, mais sensível à política monetária, enquanto os rendimentos mais longos devem subir menos, já que a perspectiva de política mais restritiva tende a implicar crescimento mais fraco em 2027.

“Se o Fed subir os juros em 2026, depois desfaz isso em 2027”, disse John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA da Natixis North America. Por isso, afirmou, prefere o “miolo, porque dá mais tempo para precificar possíveis cortes”.

É uma visão recentemente endossada pela PGIM, cuja expectativa é de três altas neste ano, seguidas por uma série de cortes em 2027 e 2028.

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O que dizem os estrategistas da Bloomberg …

“Os Treasuries de cinco anos estão na interseção entre a política do Federal Reserve e as expectativas de inflação. Assim, a ação recente dos preços reflete confiança em um choque de energia em dissipação, ao mesmo tempo em que ganha força a visão de que a inflação pode moderar sem uma deterioração significativa do crescimento.”

— Alyce Andres, estrategista macro, Markets Live. Para a análise completa, clique aqui.

Outras casas de investimento mantiveram em grande medida suas projeções, mesmo com a precificação do mercado ficando mais hawkish. Para a gigante de renda fixa Pimco, isso inclui posição no “miolo” da curva.

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“Nosso cenário-base diverge do mercado porque não acreditamos que o Fed vai elevar juros, já que a economia deve desacelerar no segundo semestre deste ano e dar tempo para que a autoridade monetária mantenha a taxa inalterada”, disse Michael Cudzil, gestor sênior de portfólio da Pimco.

A gestora, que administra US$ 2,3 trilhões, está overweight em exposição a juros e carrega tanto a ponta curta quanto o miolo da curva, ou seja, dos vencimentos de dois a cinco anos — uma faixa que, segundo Cudzil, ficou ainda mais atraente após a liquidação recente.

“É perfeitamente possível que os rendimentos da ponta curta e do miolo caiam abaixo de 4% no segundo semestre, se o mercado retirar do preço as altas e começar a falar em possível afrouxamento”, disse. “As narrativas de mercado podem mudar muito rapidamente, e bastam alguns dados para provocar alguma oscilação.”

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O que acompanhar

Dados econômicos:

  • 29 de junho: atividade manufatureira do Fed de Dallas
  • 30 de junho: índice de preços de imóveis da FHFA; S&P Cotality Case-Shiller 20 cidades e HPI dos EUA; PMI de Chicago da MNI; confiança e expectativas do consumidor do Conference Board; relatório JOLTS de vagas abertas e taxa de demissões voluntárias; atividade de serviços do Fed de Dallas
  • 1º de julho: pedidos de hipoteca da MBA; variação de emprego da ADP em junho; cortes de vagas da Challenger; PMI industrial dos EUA da S&P Global; ISM manufatureiro; gastos com construção; vendas totais de veículos da Omida
  • 2 de julho: payroll de junho, taxa de desemprego, ganho médio por hora; pedidos iniciais de auxílio-desemprego; encomendas à indústria; encomendas de bens duráveis; encomendas de bens de capital

Agenda do Fed:

  • 1º de julho: presidente do Fed, Kevin Warsh, em painel em Sintra; Warsh em painel do BCE em Sintra
  • 2 de julho: presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, participa de discussão moderada em conferência do Banco da Espanha, em Santander, Espanha

Calendário de leilões:

  • 29 de junho: bills de 13 e 26 semanas
  • 30 de junho: bills de 6 semanas
  • 1º de julho: bills de 17 semanas
  • 2 de julho: bills de 4 e 8 semanas

© 2026 Bloomberg L.P.



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Brasil está flertando novamente com “voo de galinha”, vê Franklin Templeton


O Banco Central surpreendeu o mercado ao indicar piora nas condições para a inflação e mesmo assim reduzir a Selic mais uma vez, e um novo corte na próxima reunião do Copom parecerá flertar com um maior risco de desancorar todo o processo de controle das expectativas de inflação, avalia Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton no Brasil. A casa trabalha com a projeção de pausa nos atuais 14,25%.

Segundo ele, foi a primeira vez que o Copom disse em seu comunicado e na ata da reunião que o balanço de riscos para a inflação apontava para alta e não subiu os juros no próprio encontro. “Ele poderia ter dito que faria uma pausa para averiguar os efeitos dos choques do petróleo e da própria atividade com o choque da expansão fiscal, que eles foram corretos de reconhecer”, avalia. “A sensação é que a comunicação combinaria mais com uma pausa do que uma queda dos juros”, diz.

Leia também: “Cenário de terra arrasada” deixa Brasil mais barato que Argentina

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Para Lima, a mudança no horizonte relevante para a meta, para o primeiro trimestre de 2028, também pareceu “forçar um pouco a barra”, mesmo com a justificativa de que até lá o efeito do El Niño nos alimentos será menor. “Mas todo o resto da avaliação não combina com a queda dos juros”, afirma, citando o Relatório de Inflação divulgado hoje, no qual o BC eleva a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,6% para 2,0%. “A atividade está mais forte, a projeção para o consumo das famílias cresceu de 1,7% para 2,8%, isso é demanda, estamos vendo a demanda mais forte e o hiato do produto mais aberto”, afirma.

Ele diz que a comunicação do Copom ficou confusa e isso tem um custo de credibilidade para o BC. Mesmo assim, observa que “não estamos com uma política monetária expansionista e nem em uma guinada de política monetária”. O economista acredita que o principal problema hoje para a queda dos juros é o excesso de estímulos fiscais e parafiscais, que amplia os gastos do governo. “Se no ano que vem não houver uma mudança na dinâmica fiscal, a queda do juro será mais limitada e podemos ter novamente o chamado voo de galinha, com os juros caindo e depois tendo de voltar a subir para conter a inflação”, diz.

Segundo ele, o país está “como o sapo na panela de água quente”, já que a situação econômica não está tão ruim, a inflação está controlada e a população não cobra uma mudança na política econômica. E os candidatos à Presidência não devem querer discutir medidas de cortes de gastos durante a campanha, o que deve manter as incertezas por mais tempo.

Diante disso, o economista espera maior pressão de alta no câmbio por conta da eleição. Mas não vê o real muito apreciado, o que limitaria espaço para desvalorização. “O risco maior é o dólar se fortalecer lá fora e pressionar aqui, mas a eleição no Brasil também aumenta a volatilidade da moeda”, diz.

Leia também: Super El Niño: por que o alarme no agro pode ser maior do que o impacto



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Dívida pública federal chega a R$ 9 trilhões em maio, diz Tesouro Nacional


O estoque da dívida pública federal chegou a R$ 9,03 trilhões em maio, aumento de 2,66% em relação a abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria do Tesouro Nacional.

Essa é a dívida do Tesouro Nacional, e não considera indicadores de estados, municípios e estatais, além de títulos do Banco Central – que é um cálculo mais usado por especialistas para avaliar a solvência do país.

O governo emite dívida para cobrir o déficit público e também para pagar por débitos.

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De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), o estoque da dívida deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Em janeiro, o Tesouro informou que o estoque havia crescido 18% em 2025, fechando o ano somando R$ 8,635 trilhões, em valores nominais. O ano de 2024 havia encerrado com um estoque de R$ 7,316 trilhões.

A dívida federal é detida por instituições financeiras, fundos, contas de Previdência, governos, seguradoras e pessoas físicas.



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