O Banco Central surpreendeu o mercado ao indicar piora nas condições para a inflação e mesmo assim reduzir a Selic mais uma vez, e um novo corte na próxima reunião do Copom parecerá flertar com um maior risco de desancorar todo o processo de controle das expectativas de inflação, avalia Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton no Brasil. A casa trabalha com a projeção de pausa nos atuais 14,25%.
Segundo ele, foi a primeira vez que o Copom disse em seu comunicado e na ata da reunião que o balanço de riscos para a inflação apontava para alta e não subiu os juros no próprio encontro. “Ele poderia ter dito que faria uma pausa para averiguar os efeitos dos choques do petróleo e da própria atividade com o choque da expansão fiscal, que eles foram corretos de reconhecer”, avalia. “A sensação é que a comunicação combinaria mais com uma pausa do que uma queda dos juros”, diz.
Para Lima, a mudança no horizonte relevante para a meta, para o primeiro trimestre de 2028, também pareceu “forçar um pouco a barra”, mesmo com a justificativa de que até lá o efeito do El Niño nos alimentos será menor. “Mas todo o resto da avaliação não combina com a queda dos juros”, afirma, citando o Relatório de Inflação divulgado hoje, no qual o BC eleva a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,6% para 2,0%. “A atividade está mais forte, a projeção para o consumo das famílias cresceu de 1,7% para 2,8%, isso é demanda, estamos vendo a demanda mais forte e o hiato do produto mais aberto”, afirma.
Ele diz que a comunicação do Copom ficou confusa e isso tem um custo de credibilidade para o BC. Mesmo assim, observa que “não estamos com uma política monetária expansionista e nem em uma guinada de política monetária”. O economista acredita que o principal problema hoje para a queda dos juros é o excesso de estímulos fiscais e parafiscais, que amplia os gastos do governo. “Se no ano que vem não houver uma mudança na dinâmica fiscal, a queda do juro será mais limitada e podemos ter novamente o chamado voo de galinha, com os juros caindo e depois tendo de voltar a subir para conter a inflação”, diz.
Segundo ele, o país está “como o sapo na panela de água quente”, já que a situação econômica não está tão ruim, a inflação está controlada e a população não cobra uma mudança na política econômica. E os candidatos à Presidência não devem querer discutir medidas de cortes de gastos durante a campanha, o que deve manter as incertezas por mais tempo.
Diante disso, o economista espera maior pressão de alta no câmbio por conta da eleição. Mas não vê o real muito apreciado, o que limitaria espaço para desvalorização. “O risco maior é o dólar se fortalecer lá fora e pressionar aqui, mas a eleição no Brasil também aumenta a volatilidade da moeda”, diz.
O estoque da dívida pública federal chegou a R$ 9,03 trilhões em maio, aumento de 2,66% em relação a abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Essa é a dívida do Tesouro Nacional, e não considera indicadores de estados, municípios e estatais, além de títulos do Banco Central – que é um cálculo mais usado por especialistas para avaliar a solvência do país.
O governo emite dívida para cobrir o déficit público e também para pagar por débitos.
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De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), o estoque da dívida deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Em janeiro, o Tesouro informou que o estoque havia crescido 18% em 2025, fechando o ano somando R$ 8,635 trilhões, em valores nominais. O ano de 2024 havia encerrado com um estoque de R$ 7,316 trilhões.
A dívida federal é detida por instituições financeiras, fundos, contas de Previdência, governos, seguradoras e pessoas físicas.
As transformações provocadas pela Inteligência Artificial costumam ser associadas ao setor de tecnologia. Mas, para Gustavo Montezano, CEO da YvY Capital e ex-presidente do BNDES, um dos impactos mais relevantes da nova tecnologia pode acontecer justamente em uma área tradicional da economia: a infraestrutura.
As declarações foram feitas durante participação no programa O Clima na Faria Lima, apresentado por Marina Cançado.
Na avaliação do executivo, a combinação entre Inteligência Artificial, machine learning e automação pode ajudar a resolver gargalos históricos da infraestrutura brasileira, criando uma oportunidade especialmente relevante para países como o Brasil.
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O motivo é que a tecnologia tende a reduzir custos, acelerar projetos e aumentar a produtividade justamente em mercados que ainda enfrentam escassez de capital humano e elevado custo de financiamento.
Por que a IA pode ter mais impacto no Brasil do que nos países ricos
Segundo Montezano, a IA deve acelerar etapas fundamentais do desenvolvimento de projetos de infraestrutura, desde a engenharia até a modelagem financeira.
Hoje, grandes empreendimentos levam anos entre a concepção e a execução, em razão da elaboração de estudos técnicos, licenciamento ambiental, projetos de engenharia e estruturação financeira. Para ele, esse processo deve mudar rapidamente. “A tecnologia vai comprimir globalmente o tempo de preparação desses projetos“, afirma.
Na visão do executivo, esse benefício será ainda mais relevante em economias emergentes. “Onde tem juro alto, você encurtou a duration, o ganho é muito maior do que onde tem juro baixo”, complementa.
Segundo Montezano, quanto maior o custo do capital, maior o ganho econômico proporcionado pela redução do tempo de desenvolvimento dos projetos. Isso faz com que países como o Brasil possam se beneficiar proporcionalmente mais da Inteligência Artificial do que economias desenvolvidas.
Menos erros, mais produtividade e projetos melhores
Outro impacto esperado está na melhoria da qualidade dos projetos. Para Montezano, a IA tende a reduzir falhas de engenharia, planejamento e estruturação financeira, tornando os investimentos mais eficientes e aumentando a previsibilidade dos empreendimentos. “Ou seja, a tecnologia vai fazer com que a gente melhore muito a qualidade dos projetos”, diz.
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Além disso, ele acredita que a produtividade das equipes responsáveis pela preparação desses investimentos deve crescer significativamente. “Um mesmo cérebro vai produzir N vezes mais projetos do que produz hoje”, acrescenta.
Na prática, isso significa que o mesmo número de profissionais será capaz de estruturar muito mais empreendimentos, reduzindo um dos principais gargalos enfrentados pela infraestrutura brasileira.
De acrodo com o executivo, esse efeito será ainda mais intenso em regiões que sofrem com escassez de profissionais qualificados.
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“O impacto tecnológico da inteligência artificial na pré-infraestrutura vai ser muito maior em regiões de juro alto, baixa educação e escassez de capital humano do que em regiões desenvolvidas”
Uma oportunidade para destravar investimentos
Para Montezano, a IA não servirá apenas para tornar projetos mais eficientes, mas também para permitir que investimentos considerados inviáveis hoje passem a sair do papel. “A gente vai ter capacidade de processar e colocar ativos em mercados que nunca vimos na história”, afirma.
Essa transformação ganha ainda mais relevância quando combinada ao histórico déficit de investimentos em infraestrutura na América do Sul. O executivo diz que o Brasil ainda possui enormes necessidades em áreas como rodovias, saneamento, portos, logística, armazenagem e mobilidade, o que amplia o potencial de ganhos caso a tecnologia consiga acelerar a preparação desses projetos.
Infraestrutura volta ao centro da economia
Na avaliação do ex-presidente do BNDES, a infraestrutura deve voltar a ocupar posição central na economia global, impulsionada pela demanda crescente por ativos físicos ligados à nova economia.
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Segundo Montezano, investimentos em data centers, segurança alimentar, transição energética, logística e novas cadeias produtivas possuem um elemento em comum: todos exigem grandes projetos de infraestrutura.
Por isso, ele acredita que a próxima década será marcada pela combinação entre Inteligência Artificial e investimentos em ativos reais, criando uma nova onda de crescimento para países capazes de executar esses projetos.
Quem se preparar agora pode sair na frente
Apesar do potencial, Montezano afirma que empresas e profissionais precisarão adaptar rapidamente suas estratégias diante da velocidade das transformações tecnológicas.
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Na avaliação do executivo, olhar apenas para o curto prazo pode fazer empresas perderem oportunidades relevantes nos próximos anos. Por isso, ele recomenda que empresários, investidores e profissionais passem a construir cenários de médio e longo prazo, antecipando as mudanças que a IA deve provocar em diversos setores da economia.
“Quem pensar em três anos e enxergar a disrupção que a gente está tendo em tudo isso pode ter muitos dividendos”
Para Montezano, os maiores vencedores não serão necessariamente aqueles que dominarem a tecnologia primeiro, mas aqueles que conseguirem utilizá-la para acelerar investimentos, aumentar produtividade e transformar projetos em ativos reais.
O dólar já bateu a casa dos R$ 5,20 e está deixando de ser o colchão amortecedor da inflação, em um movimento que não deve ser revertido tão cedo, e pode fazer o País reviver o pânico cambial do segundo governo Dilma. A avaliação é de Fabio Kanczuk, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda e ex-diretor de política econômica do Banco Central.
A razão é o quadro fiscal, diz o economista: com a perspectiva de continuidade do atual governo, o ritmo de gastos continuaria a deteriorar a confiança do mercado na capacidade de o governo honrar dívida, o que levaria a uma corrida pelo dólar.
“A aritmética é fácil. Ninguém pode ter dúvida de que o fiscal do Brasil está insustentável. Mas, a gente está nesse mundo em que o governo fala que está ótimo esse fiscal. Mas ninguém pode, cada vez mais, aumentar a sua dívida”, analisa Kanczuk em entrevista ao InfoMoney.
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“[O aumento dos gastos e da dívida pública] vai ter que parar, e tem duas formas de isso acontecer: uma é o governo cortar gasto, mas eles não estão falando isso. A outra é o mercado fazer parar na marra. E daí é igual a crise que a gente teve na Dilma II, em que o dólar dispara, os juros disparam e a economia afunda”, diz.
Kanczuk pinta o quadro mais pessimista que envolve perda de confiança do investidor a ponto de dificultar o financiamento da dívida a níveis insustentáveis, levando a uma corrida pelo dólar e catapultando a divisa americana já pressionada pela inflação e por juros mais altos nos Estados Unidos.
“O mercado somos nós. Eu tenho dinheiro no CDB, você também tem algum dinheiro no banco. E daí a gente começa a falar: ‘Opa, esse negócio não tem uma cara boa’. Você tira [recursos] do Brasil e compra dólar, porque o governo americano vai pagar”.
A consequência para a economia real é o aumento da inflação, queda na atividade e desemprego. Kanczuk alerta que esse cenário puniria de forma mais severa a parcela da população que não possui mecanismos financeiros de defesa. Enquanto alguns conseguem proteger o patrimônio comprando dólares, o cidadão de baixa renda sofreria os impactos diretos. “O cara mais carente não tem a menor chance de se proteger de crise fiscal, econômica, financeira. E daí ele perde tudo que ele ganhou nesses anos e mais”, afirma.
Diante do choque externo e fiscal, Kanczuk avalia que o Banco Central decidiu não “peitar” a inflação, e critica a comunicação da autoridade ao justificar o corte da Selic para 14,25%. Segundo ele, o comunicado gerou a impressão de que a autarquia estava “desrespeitando o mandato” ao justificar o adiamento do horizonte de convergência pelo risco de a inflação ficar abaixo da meta — algo que, na sua visão, não representa nenhum problema.
Ao contrário de boa parte do mercado, ele vê coerência na explicação, mas discorda da priorização por suavizar os juros futuros em vez de reforçar a credibilidade. “Eu acho que é melhor você colocar a inflação na meta. Isso é mais importante do que a flutuação dos juros, principalmente no momento atual”, afirma.
A consequência de uma postura leniente, diz, é a desancoragem das expectativas, ou seja, quando o mercado deixa de acreditar que a meta de inflação será cumprida e passa a reajustar preços projetando taxas maiores, aumentando o custo de controle da inflação. Kanczuk projeta inflação acima de 5% neste e no próximo ano, forçando a taxa Selic a estacionar no patamar de 14,25% até meados do ano que vem.
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Portfólio deve esperar eleição
Com a inflação em alta e a escalada do dólar no horizonte, o profissional afirma que a definição do próximo governo será o balizador dos investimentos: “Se o Lula ganhar é para comprar dólar mesmo, para mudar o portfólio. Se o Lula não ganhar, aí tem a chance de você ter um rali, bolsa para cima”, afirma.
Apesar de ver tendência de desvalorização do real, o ex-diretor do BC alerta que montar grandes posições em dólar de forma imediata pode não ser a melhor estratégia devido à Selic em patamar muito alto. Até que o quadro eleitoral seja definido, avalia, o CDI continuará sendo “um belo investimento”.
BRASÍLIA, 25 Jun (Reuters) – O Banco Central elevou sua projeção de crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2,0% estimado em março, conforme Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira, apontando que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.
“A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi revisada de 1,6% para 2,0% principalmente pela surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e pela melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa”, disse no documento.
A autarquia disse que a revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, “em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”.
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O Ministério da Fazenda previu em maio uma expansão de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,98% neste ano.
Nas contas do BC, a balança comercial terá superávit de US$ 78 bilhões neste ano, ante estimativa de US$ 73 bilhões feita em março
BRASÍLIA, 25 Jun (Reuters) – O Banco Central melhorou nesta quinta-feira sua estimativa para o resultado das transações correntes neste ano, passando a ver um saldo negativo de US$56 bilhões, ante rombo de US$58 bilhões projetado em maio.
Em seu Relatório de Política Monetária, o BC aumentou a US$75 bilhões a perspectiva para os Investimentos Diretos no País (IDP) em 2026, contra US$70 bilhões antes.
Nas contas do BC, a balança comercial terá superávit de US$78 bilhões neste ano, ante estimativa de US$73 bilhões feita em março.
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A despesa líquida com viagens, por sua vez, foi estimada em US$15 bilhões, contra US$14 bilhões antes.
A notícia é boa para o trabalhador. A taxa de desemprego está em 5,6%, o melhor resultado para o trimestre encerrado em maio em 14 anos, de acordo com a Pnad, divulgada nesta sexta-feira (26). A população ocupada teve alta (0,5%), na comparação mensal, e a massa de rendimento real habitual avançou 4,8% no ano.
Mas, para a política monetária, os dados ainda mantêm o sinal de alerta. Esse quadro de mercado de trabalho forte tem um efeito colateral para o bolso do brasileiro. Com mais dinheiro na conta, a tendência é que isso aumente o consumo e pressione a inflação, o que leva a juros mais altos por mais tempo.
Apesar do quadro anual positivo, há “ventos de arrefecimento”, na avaliação da XP. A análise dos dados mensais aponta para uma leve desaceleração na criação de vagas, segundo a gestora, e “perda de fôlego”, pelo segundo mês consecutivo, nos rendimentos reais do trabalho.
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O Goldman Sachs também destaca essa tendência nos dados. “O mercado de trabalho permanece aquecido, mas já surgem sinais iniciais de desaceleração na criação de vagas e no crescimento dos salários reais”, diz o banco americano.
“O número é bom para quem trabalha, mas coloca o Banco Central em uma posição delicada”, avalia João Debom, sócio da Alude Capital. “Mercado de trabalho aquecido significa consumo firme, e consumo firme significa inflação de serviços resistente. É exatamente esse o fator que limita o espaço para novos cortes da Selic. O juro vai cair, mas o ritmo será lento.”
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, também destaca o impacto dos dados na política de juros. “Mais gente empregada ganhando salários reais maiores sustenta o consumo das famílias”, diz. “O mercado de trabalho não dá sinais de arrefecimento. Com desemprego na mínima histórica, renda em alta e massa salarial em recorde, o consumo segue aquecido, e os estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral não deixam esse quadro mudar tão cedo”, avalia. Kayo afirma que, para o Banco Central, o mercado de trabalho segue sendo “um dos principais calcanhares de Aquiles no combate à inflação”. “E os dados de hoje não facilitam a vida de quem busca trazer a inflação de volta à meta”, avalia.
Indicador/Período
Mar-abr-mai 2026
Dez-jan-fev 2026
Mar-abr-mai 2025
Taxa de desocupação
5,60%
5,80%
6,20%
Taxa de subutilização
13,30%
14,10%
14,90%
Rendimento real habitual
R$ 3.726
R$ 3.756
R$ 3.583
Variação do rendimento habitual em relação a:
–
Estabilidade
4,00%
Fonte: Pnad/IBGE
Ocupação e renda aquecidos
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, destaca que, embora a Pnad tenha mostrado uma leve queda na renda média em termos reais nos últimos meses, os rendimentos ainda registram forte alta na comparação anual. “A renda real média habitual subiu 4% frente a maio de 2025, e a massa de renda habitual – equivalente à soma dos ganhos de todos os trabalhadores – saltou 4,8% no mesmo período”, aponta.
“O que os dados da Pnad sugerem é que, nos últimos meses, a taxa de desemprego ficou praticamente estável em um nível historicamente baixo para os padrões do país. Mesmo que a desaceleração da economia possa afetar o ritmo de criação de vagas ao longo de 2026, o mercado de trabalho deve continuar aquecido”, avalia.
Leve desaceleração
O Goldman Sachs cita os dados que indicam leve moderação na ocupação. Em relatório, o banco destaca que a renda real média dos trabalhadores ocupados desacelerou para 4,0% na comparação anual, mas caiu -0,9% na mensal com ajuste sazonal. A massa salarial real da economia expandiu 4,8% na comparação anual, mas recuou -0,8% na mensal com ajuste sazonal. A taxa de participação na força de trabalho manteve-se em 62,1% (com ajuste sazonal), abaixo dos 62,5% registrados anteriormente.
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“De modo geral, as condições monetárias restritivas ainda não geraram um ponto de inflexão visível no mercado de trabalho, e o cenário de mercado aquecido continua exercendo pressões significativas de custos sobre a inflação, particularmente no setor de serviços” diz o Goldman Sachs.
As economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, do Itaú, apontam em relatório que os salários reais efetivos registraram a primeira queda desde agosto do ano passado. “De modo geral, os dados sugerem que, embora o mercado de trabalho permaneça em níveis historicamente apertados, ele começa a apresentar sinais de arrefecimento. Para o futuro, esperamos que o mercado de trabalho se estabilize em vez de continuar melhorando — mas sem sofrer uma deterioração acentuada”, avaliam.
Para o Bradesco, os dados de maio mostram “perda de ímpeto”. O destaque da instituição foi para a queda mensal do rendimento, em 0,6%, a primeira queda mensal desde setembro de 2024. “Ainda que o mercado de trabalho continue sendo motor de robustez da atividade econômica, o sinal de maio é de perda de ímpeto. O aumento de atividade no segundo trimestre será menor que no segundo”, afirma o banco.
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Leonardo Costa, economista do ASA, afirma que a piora observada até aqui é “bastante modesta e gradual”. A expectativa da gestora é de deterioração adicional ao longo do ano, de forma lenta e progressiva.
André Valério, economista sênior do Inter, afirma não haver sinal de aceleração no emprego e a expectativa da instituição é de moderação ao longo do ano.
Projeções
Para o Itaú, a projeção é que a taxa de desemprego feche o ano em 5,7%, mesmo patamar projetado pelo banco Inter.
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Para a XP, a taxa de desemprego deve ficar em torno de 5,5% até o fim de 2026, subindo para 6,2% até o fim de 2027 (estimativas com ajuste sazonal). A projeção de crescimento do PIB é de 2,0% para 2026, com viés de alta.
Rafael Perez, economista da Suno Research, estima que a taxa deve ficar em 5,3%. “Para este ano continuamos projetando um mercado de trabalho resiliente, que deverá permanecer como um dos principais vetores de sustentação da atividade econômica. Mesmo com uma desaceleração gradual esperada para os próximos trimestres, ainda enxergamos espaço para uma queda moderada da taxa de desemprego”, afirma.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,41% em junho de 2026, sobre alta de 0,62 por cento no mês anterior, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na base de comparação anual, o avanço foi de 4,80%.
As expectativas em pesquisa da Reuters eram de altas de 0,44% no mês e de 4,82% em 12 meses.
Entre produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para o cálculo do IPCA-15, os maiores impactos sobre o índice geral vieram da energia elétrica residencial (2,04% e 0,08 p.p.), batata-inglesa (29,42% e 0,06 p.p), da passagem aérea (7,24% e 0,05 p.p), do tomate (17,27% e 0,05 p.p), da higiene pessoal (1,03% e 0,04 p.p) e do feijão-carioca (14,29% e 0,02 p.p.). Já entre os subitens com impactos negativos neste mês, destacaram-se gasolina (-0,73% e -0,04 p.p.), etanol (-5,30% e -0,04 p.p.), seguro voluntário de veículo (-3,40% e -0,03 p.p), café moído (-3,69% e -0,02 p.p.) e frutas (-0,96% e -0,01 p.p.).
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A alimentação no domicílio saiu de 1,73% em maio para 0,87% em junho. Contribuíram para esse resultado as altas da batata-inglesa (29,42%), do tomate (17,27%), do feijão-carioca (14,29%) e da cebola (9,54%). Os subitens tomate, cenoura e batata-inglesa mais que dobraram de preço no 1º semestre, com acumulados de, respectivamente, 103,84%, 103,10% e 100,20%. No lado das quedas destacam-se o café moído (-3,69%) e as frutas (-0,96%).
Os preços do grupo Habitação desaceleraram de 1,03% em maio para 0,72% em junho. A energia elétrica residencial subiu 2,04%, configurando-se como o principal impacto individual no resultado de junho (0,08 p.p.), com a vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 Kwh consumido e reajustes tarifários em algumas das áreas pesquisadas.
No grupo Saúde e cuidados pessoais (0,47%), os destaques são para os artigos de higiene pessoal (1,03%) e o plano de saúde, cuja variação de 0,35% reflete a incorporação de reajuste de 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vigente a partir de maio de 2026.
No grupo Transportes (-0,03%), houve aumento na passagem aérea (7,24%), ônibus urbano (1,18%) e automóvel novo (0,42%). Entre os recuos, se destacam os combustíveis (-1,22% e -0,08 p.p.), em termos de impacto.
Entre as 11 localidades onde os preços são coletados para o cálculo do IPCA-15, a maior alta foi registrada em Brasília (0,93%), por conta das altas da passagem aérea (11,05%) e da gasolina (3,62%). O menor resultado (0,28%) foi no Rio de Janeiro, em Curitiba e em Salvador. No Rio, destacam-se a hospedagem (-5,98%) e o seguro voluntário de veículos (-4,69%). Em Curitiba, destacam-se os recuos do emplacamento e licença (-4,83%) e da gasolina (-1,05%). Já em Salvador, os destaques ficam com o café moído (-5,00%) e a gasolina (-1,53%).
No mês, os investimentos diretos no país alcançaram US$ 7,974 bilhões, contra US$ 5,75 bilhões projetados na pesquisa
26 Jun (Reuters) – O Brasil teve déficit em transações correntes de US$ 3,185 bilhões em maio, com o déficit acumulado em 12 meses totalizando o equivalente a 2,60% do Produto Interno Bruto, informou o Banco Central nesta sexta-feira.
A expectativa em pesquisa da Reuters com especialistas era de um rombo de US$ 4,159 bilhões em maio.
No mês, os investimentos diretos no país alcançaram US$ 7,974 bilhões, contra US$ 5,75 bilhões projetados na pesquisa.
O Itaú revisou sua projeção para a taxa Selic terminal e agora espera que o ciclo de afrouxamento monetário encerre em 14% ao ano, ante estimativa anterior de 13,75%. Na avaliação do banco, resta apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual, a ser realizado na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom).
A revisão reflete a leitura do banco sobre a comunicação mais cautelosa emitida pelo Banco Central após a reunião de junho. O Copom manteve o ciclo de afrouxamento com um novo corte de 0,25 ponto percentual, mas endureceu o diagnóstico ao destacar a aceleração da atividade econômica no curto prazo, a inflação acima do limite superior da meta, e um balanço de riscos com viés de alta.
Na avaliação do banco, ao caracterizar o balanço de riscos com viés de alta, o Copom sinalizou que o espaço remanescente para novos cortes se esgota rapidamente, justificando a revisão da Selic terminal.
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O Itaú aponta que, dado o cenário de expectativas desancoradas e atividade acelerando, existe risco de que mesmo o último corte projetado para agosto não se materialize. Após o fim do ciclo de afrouxamento, o Itaú prevê que a taxa permaneça em território contracionista por período prolongado, com retomada da queda dos juros apenas em 2027, quando a Selic deve recuar a 12,50% ao ano.
Fiscal e IPCA no radar
As projeções para inflação foram mantidas, mas com mudança de composição. O Itaú segue com IPCA de 5,4% para 2026 e 4,5% para 2027. No entanto, o banco retirou do cenário novas altas de gasolina na refinaria ao longo do ano, dado o recuo recente do petróleo, e elevou a projeção para a inflação de alimentos, incorporando possível efeito do El Niño sobre a oferta de grãos, com impactos esperados especialmente em 2027.
No campo fiscal, o banco manteve a projeção de resultado primário negativo em 0,5% do PIB em 2026 e 0,6% em 2027, mas alertou para o risco de piora diante da queda do petróleo, que pode inviabilizar a materialização de receitas extraordinárias vinculadas ao commodity. A instituição também reiterou a necessidade de um ajuste fiscal relevante para estabilizar a dívida pública, estimando que o esforço necessário equivale a cerca de 4 pontos percentuais do PIB.
Real mais fraco
No câmbio, o Itaú elevou sua projeção para o dólar ao fim de 2026 de R$ 5,15 para R$ 5,30, e de R$ 5,35 para R$ 5,50 ao fim de 2027. A revisão reflete o cenário externo mais adverso, com juros americanos mais altos por mais tempo e tendência de fortalecimento do dólar globalmente, além da deterioração nos termos de troca causada pela queda no preço do petróleo. No plano doméstico, o banco cita o aumento do prêmio de risco associado à dinâmica sazonal típica do segundo trimestre em anos eleitorais.
Apesar da revisão, o crescimento do PIB foi mantido em 2,1% para 2026, sustentado pelo impulso fiscal e quase-fiscal, e em 1,7% para 2027, com a desaceleração do estímulo prevista para o período.