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Bancos priorizam títulos do governo e esfriam expansão do crédito na Argentina


A ofensiva do governo de Javier Milei para fazer os bancos argentinos voltarem a emprestar à economia está perdendo força. As instituições financeiras voltaram a depender dos títulos públicos como principal fonte de lucro, enquanto a desaceleração econômica e o aumento da inadimplência prejudicam o negócio tradicional de concessão de crédito.

Os ganhos com títulos do governo responderam por cerca de 56% da receita operacional dos bancos comerciais em julho, segundo os dados mais recentes do sistema financeiro divulgados pelo Banco Central da Argentina. O percentual é mais de três vezes superior aos 17% gerados pela receita líquida de juros do crédito ao setor privado, que corresponde à diferença entre os juros recebidos nos empréstimos e os juros pagos aos depositantes, descontadas as provisões para perdas com inadimplência.

“Os bancos ainda estão priorizando liquidez”, afirmou Juan José Vázquez, chefe de pesquisa da corretora argentina Cohen. “Em um ambiente incerto, manter instrumentos financeiros líquidos permite reagir muito mais rapidamente do que uma carteira de empréstimos.”

Trata-se de mais um sinal preocupante para Milei a um ano da próxima eleição presidencial argentina. O crescimento econômico desigual e o elevado desemprego têm pressionado sua popularidade, apesar do sucesso no combate à inflação de três dígitos. A política monetária rígida e os juros elevados, utilizados para conter a inflação e estabilizar a moeda, estão empurrando os bancos de volta para os títulos públicos em um momento de desaceleração da economia, agravada pela falta de crédito.

A tendência promissora observada no sistema bancário durante os primeiros meses do governo Milei perdeu força ao longo do último ano. O crédito ao setor privado cresceu de forma acelerada após a chegada do presidente libertário ao poder, mas os bancos continuam obtendo uma parcela muito maior de seus lucros com títulos públicos do que com a atividade tradicional de intermediação financeira.

No fim de 2023, o negócio bancário tradicional praticamente não existia. A receita líquida de juros era negativa, enquanto os ganhos com títulos públicos frequentemente superavam toda a receita operacional das instituições.

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A recuperação iniciada em 2024 foi expressiva. O crédito bancário ao setor privado mais que dobrou como proporção da economia, passando de cerca de 5,3% do PIB no fim de 2023 para aproximadamente 12,5% atualmente, segundo dados do Banco Central.

O ministro da Economia, Luis Caputo, celebrou essa transformação em um discurso realizado em Buenos Aires em maio de 2025.

“Os bancos estão começando a funcionar como bancos novamente”, afirmou. “Durante anos, eles captavam depósitos e emprestavam dinheiro ao setor público. Agora enxergam um negócio melhor ao financiar novamente o setor privado.”

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Mas essa dinâmica virtuosa encontrou um obstáculo.

Pressionada pelo aumento da inadimplência, a receita líquida de juros caiu para apenas 3% da receita operacional em janeiro e estava em 17% em julho. Em contraste, os títulos públicos geraram mais da metade da receita operacional durante todo o ano de 2026.

“O crédito está estagnado”, disse Marcelo de Gruttola, vice-presidente e analista bancário da Moody’s Ratings. “Existem fatores tanto do lado da oferta quanto da demanda: os bancos endureceram os critérios de concessão de crédito, enquanto a demanda também enfraqueceu.”

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O boom do crédito também começa a dar sinais de esgotamento à medida que a atividade econômica desacelera e a renda das famílias encontra dificuldades para acompanhar os preços. Ao mesmo tempo, os juros elevados afastam tomadores de melhor qualidade e aumentam o risco de que aqueles mais interessados em contrair empréstimos estejam sob pressão financeira.

Nesse contexto, os títulos públicos oferecem aos bancos uma alternativa atraente e prontamente disponível, algo que o próprio governo tem incentivado cada vez mais.

Com o acesso aos mercados internacionais de capitais ainda difícil e caro, o Tesouro argentino prefere financiar-se internamente e depende fortemente dos bancos para refinanciar sua dívida em pesos.

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O Banco Central também reforçou essa demanda em vários momentos. Em agosto de 2025, elevou os depósitos compulsórios e permitiu que os bancos cumprissem parte das exigências adicionais por meio da compra de títulos públicos em leilões do Tesouro. Posteriormente, os reguladores ampliaram o conjunto de ativos públicos aceitos para atender essas exigências.

Embora essas medidas criem uma fonte cativa de demanda para a dívida pública, elas também encarecem o custo do dinheiro na economia e adicionam mais um obstáculo à expansão do crédito. Para os bancos, representam mais um incentivo para manter recursos aplicados em títulos do governo.

Essa estratégia pode se tornar ainda mais atraente à medida que a Argentina se aproxima da eleição presidencial de 2027.

Enquanto os empréstimos permanecem nos balanços bancários até serem quitados, títulos públicos líquidos podem ser vendidos rapidamente caso o cenário mude.

“O peso pode ser extremamente volátil. Vimos isso até mesmo durante a eleição legislativa do ano passado”, afirmou Vázquez, referindo-se ao aumento da ansiedade dos investidores antes da vitória expressiva de Milei nas eleições legislativas de outubro de 2025.

“Às vésperas de uma eleição presidencial como a que esperamos em 2027, faz sentido que os bancos sejam ainda mais cautelosos.”

© 2026 Bloomberg L.P.



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IPCA deve mostrar reaceleração em setembro; teto da meta pode ter sido rompido no mês


Depois da “folga” nos últimos três meses, a conta da inflação voltou a ficar salgada em setembro, conforme estimativas de economistas consultados pelo InfoMoney. Na divulgação do IPCA fechado do mês, que acontece nesta sexta-feira (8), o indicador deve vir entre 0,70% e 0,82% — após índices de +0,16%, +0,07% e -0,32% entre junho e agosto –, com pressões vindas tanto de bens como de serviços. E a expectativa é que a inflação tenha atingido novamente o teto da meta (4,50%) em 12 meses.

O principal motivo para a reaceleração — já captada na divulgação do IPCA-15 –é o fim do efeito do bônus de Itaipu, um valor distribuído aos consumidores todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia. Mas os preços dos combustíveis e dos alimentos in natura também devem mostrar pressão, além de móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário.

Por conta desses fatores, a XP estima que o IPCA de setembro será de 0,75% na comparação mensal, que levará o índice anualizado para 4,50%. Essa é mesma projeção do ASA, enquanto o Daycoval estima uma inflação mensal de 0,72% e o JP Morgan projete uma variação mais acentuada, de 0,81%, assim como o C6 Bank (0,82%).

A projeção do Inter é de uma variação de 0,62% no mês e de 4,32% em 12 meses – para  o final do anos o banco digital estima um IPCA de 4,80%

A XP diz esperar que a taxa anualizada ajustada sazonalmente a três meses para a inflação subjacente subirá de 4,1% para 4,6%, enquanto a SAAR 3M para serviços subjacentes avançará de 4,9% para 5,7%. Assim, as médias da inflação subjacente e as medidas subjacentes dos serviços vão interromper a tendência benigna observada nas leituras recentes.

Leia mais: “Lua de mel” com a inflação acabou e BC deve cortar Selic “cautelosamente”, diz XP

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A projeção para o indicador de serviços intensivos em mão de obra é de um aumento de 0,56%, com a taxa anualizada de três meses permanecerá estável, mas em altos 7,4%.

A XP comenta que o impacto positivo do fim do crédito do Bônus de Itaipu nas contas de eletricidade, junto com o aumento dos preços da gasolina, impulsionará a reversão dos preços administrados — o principal fator por trás da aceleração na manchete do IPCA.

“Os preços definidos pelo mercado também contribuirão para esse aumento, com uma elevação significativa nos preços de alimentos em casa , impulsionada principalmente por alimentos frescos e carnes. Os serviços aumentarão devido ao aumento dos custos de transporte: passagens aéreas, seguro de veículos e aplicativos de transporte por aplicativo”, diz a XP.

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Um alívio parcial virá da queda nos preços dos cinemas devido a uma semana de preços promocionais no mês.

“No geral, vemos os riscos para nossa previsão principal do IPCA inclinados para alta, principalmente devido aos alimentos em casa e aos preços dos combustíveis.”

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, projeta um IPCA de cerca de 0,72% em setembro, próximo da prévia, que ficou em 0,70%, e também diz que o que mais deve pesar no mês é a conta de luz.

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“Em agosto, o bônus de Itaipu reduziu as contas e puxou o índice para baixo, a ponto de o IPCA do mês fechar em deflação. Em setembro o bônus acabou, e a energia volta a subir bastante. Parte desse movimento já apareceu na prévia, mas ele ainda deve contribuir de forma relevante para o número fechado do mês”, explica.

Kayo estima ainda que os alimentos também devem voltar a subir, depois de terem recuado em agosto. “Itens in natura devem ter ficado mais caros ao longo do mês, e esses preços costumam oscilar bastante de um mês para o outro”, afirma, destacando ainda as passagens aéreas, que tinham caído muito em agosto e devem ter recuperado parte dessa queda no mês seguinte.

Pressão dos serviços

Para o C6 Bank, além da energia elétrica, que será responsável por até 30 pontos base no indicador, as passagens aéreas devem trazer uma alta de cerca de 10% no mês, conforme antecipado no IPCA-15. A projeção para a alimentação no domicílio é outro destaque citado (deve chegar a 1,19% de alta).

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Para a inflação de serviços, a economista Claudia Moreno diz que a projeção do C6 Bank é de 0,60% em setembro. “Acho que é importante ir acompanhando essa dinâmica dos preços de serviços tanto o headline quando os serviços subjacentes”, afirma.

Claudia Moreno estima que IPCA em 12 meses tenha furado o teto da meta, passando de 4,22% em agosto para 4,58% em setembro. “A perspectiva para o final do ano é de ela caminhar ali para perto dos 5%. “A gente está com atividade aquecida, o mercado trabalho aquecido e uma taxa de desemprego baixa. Então, essa parte de inflação de serviços ela vai continuar pressionando aí a inflação”, comenta.

Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, que prevê o índice cheio entre os 0,70% antecipados pelo IPCA-15 e 0,75%, afirma que o núcleo de energia elétrica fez a reversão dos descontos da tarifa, que vai impactar bastante o grupo de habitação dos preços.

Ela atribuiu a recente piora na expectativas do boletim Focus também aos preço de transportes e alimentos, especialmente no grupo da alimentação no domicílio. “Temos uma intensificação da preocupação com o fato de o petróleo ter disparado”, afirma.

O JP Morgan também destaca que a inflação de setembro vai refletir principalmente a pressão de alta das tarifas de energia elétrica após o fim do bônus de energia.  Mas também enxerga um impulso vindo dos preços mais altos dos combustíveis e das pressões relacionadas ao El Niño sobre os preços de alimentos in natura. Mas ele cita o alívio parcial gerado pela “Semana do Cinema”.

“Além do índice cheio, a inflação de núcleo deve se fortalecer novamente, com as medidas subjacentes se movendo acima do limite superior da meta de inflação do Banco Central, diz o banco de investimentos.

O Daycoval também destaca em sua análise que o fim dos descontos temporários na conta de energia elétrica e a volta da pressão das passagens aéreas e dos alimentos devem levar a variação acumulada do IPCA em 12 meses para o teto da meta do BC, de 4,5%.

“Nossa projeção para a inflação ao final deste ano é de 5,0% e a probabilidade de um evento climático adverso intenso (El Niño) neste segundo semestre demanda cautela, diz o Daycoval, citando ainda que os preços das passagens aéreas devem voltar para o terreno positivo e que itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem seguir pressionados.

“Os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços) devem apresentar alta, mas em ritmo abaixo do observado na leitura anterior. Na variação interanual, o grupo deve inverter trajetória de arrefecimento, o que constitui um desafio para o Banco Central”, diz a análise.

Além disso, os bens industriais também devem registrar alta em setembro, refletindo pressão em móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário. Por sua vez, etanol e automóveis, em deflação, atenuam o grupo, que deve seguir benigno, segundo o Daycoval.

“Por fim, os preços administrados devem mostrar forte alta, com destaque para o fim do desconto na conta de energia elétrica. A volta da gasolina ao terreno positivo intensifica a deterioração do grupo.”

Leonardo Costa, economista do ASA, por sua vez, diz que o principal vetor de pressão deve vir dos preços administrados, especialmente da energia elétrica – ele lembra que o bônus de Itaipu havia gerado forte deflação em agosto.

“Também esperamos aceleração da alimentação no domicílio, puxada principalmente pelos alimentos in natura. Nos núcleos, projetamos média de +0,31%, sinalizando inflação subjacente ainda relativamente controlada”, comenta.

Para ele, a principal contribuição para a desaceleração frente aos meses anteriores vem dos serviços, beneficiados por descontos concentrados em itens de recreação, especialmente cinema, que teve a fase de promoção no mês.



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Investimento em IA ameniza perdas com guerra e OMC sobe projeção para comércio global


Mesmo com perturbações causadas pelo conflito no Oriente Médio, o comércio global se mostrou mais resiliente do que o esperado no primeiro semestre de 2026, afirma a Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o relatório de perspectiva e estatísticas divulgado nesta quinta-feira (8) pela entidade. Os economistas da organização atribuíram parte da resiliência no período ao forte investimento em inteligência artificial, que proporcionou um poderoso impulso ao comércio de bens.

No entanto, a OMC alerta que essa resiliência não foi uniforme, com problemas no comércio de serviços e algumas regiões mais expostas aos efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã.

De qualquer forma, a entidade do comércio global elevou para 3,9% a estimativa de crescimento do comércio de mercadorias em 2026, acima da previsão feita em março, de 1,9%. Para 2027, a expectativa é de alta de 4,1% em 2027.

Leia mais: OMC: reforma do comércio pode elevar PIB global em 2,9% até 2050

“A revisão reflete evidências de que as cadeias de suprimentos globais se adaptaram às perturbações nos mercados de energia e fertilizantes, enquanto o forte investimento em infraestrutura relacionada à IA impulsionou o comércio de bens viabilizadores de IA”, diz a OMC em nota.

Espera-se que o crescimento do comércio de serviços comerciais permaneça positivo, embora as perspectivas tenham se moderado devido ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre o transporte e as viagens internacionais.

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Assim, o volume do comércio de serviços deve crescer 3,3% em 2026, abaixo dos 4,8% da previsão de março, antes de subir para 6,4% em 2027.

Para a diretora-geral Ngozi Okonjo-Iweala, os números divulgados hoje refletem a resiliência do comércio em ação. “Quando ocorrem perturbações, uma economia mundial integrada e um sistema de comércio baseado em regras proporcionam às economias a flexibilidade para manter os produtos essenciais fluindo para as empresas e famílias que deles necessitam”, disse.

No entanto, ela ponderou que alguns sentiram o choque mais do que outros, e que nem todos podem acessar oportunidades emergentes como a IA. “É essencial garantir que o sistema de comércio baseado em regras continue a absorver choques e a preencher lacunas para que as oportunidades estejam abertas a todos.”

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Acima da expectativa

O volume do comércio de mercadorias cresceu 3,5% no primeiro semestre de 2026, superando as expectativas. O desempenho refletiu a capacidade das cadeias de suprimentos de se adaptarem aos choques que afetaram os mercados de energia, fertilizantes e transporte.

“Embora as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio tenham caído cerca de 24% e as exportações de gás natural liquefeito (GNL) em 47% no primeiro semestre de 2026, o aumento dos embarques de outros fornecedores ajudou a limitar o declínio das exportações globais para cerca de 6% no petróleo bruto e apenas 1% no GNL”, listou a OMC.

Os mercados de fertilizantes também se ajustaram, apesar das graves perturbações, com as importações globais de nitrogenados apenas 2,8% abaixo das médias recentes e as importações fosfatados 2,2% maiores, à medida que fornecedores alternativos entraram em cena.

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Enquanto isso, os fluxos comerciais foram redirecionados por meio de portos e corredores alternativos, lembra a OMC. O movimento global de contêineres permaneceu resiliente, subindo 3,9% no acumulado do ano até julho.

Inteligência artificial

A forte demanda ligada ao investimento em IA mais do que compensou esses efeitos negativos do conflito no Oriente Médio. A demanda por bens viabilizadores de IA, como semicondutores e servidores, foi responsável por 47% do crescimento do comércio global de mercadorias no primeiro semestre de 2026, e o comércio desses produtos aumentou 67% em relação ao ano anterior, acelerando-se em relação à já rápida expansão observada em 2024 e 2025.

Espera-se que o investimento relacionado à IA continue sendo um dos principais impulsionadores do comércio de mercadorias até 2027.

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Os gastos globais com infraestrutura de IA devem aumentar pelo menos 30% em 2026, destaca a OMC. As projeções atuais do mercado sugerem que os gastos de capital com IA continuarão a subir entre 10% e 20% em 2027.

Espera-se que o conflito no Oriente Médio pese sobre o comércio em 2026, por meio de preços mais altos de energia e perturbações nas rotas de transporte.

Defasagens regionais

As perspectivas comerciais regionais permanecem desiguais. Em 2026, espera-se que a Ásia registre o crescimento mais rápido das exportações de mercadorias (9,9%), seguida pela América do Norte (5,7%), África (5,6%) e América do Sul (3,4%).

Projeta-se que o desempenho das exportações permaneça fraco na Europa (-0,1%) e contraia-se fortemente na Comunidade de Estados Independentes (CEI) (-3,9%) e no Oriente Médio (-17,2%), refletindo o impacto do conflito em curso e das perturbações associadas aos fluxos comerciais.

No lado das importações, espera-se que Ásia (9,5%), África (8,9%) e CEI (8,8%) apresentem o crescimento mais forte, enquanto América do Norte (1,4%) e Europa (0,5%) provavelmente verão apenas aumentos modestos, e o Oriente Médio deve registrar um declínio acentuado (-15,4%).

Comércio de serviços

As perspectivas para os serviços comerciais enfraqueceram desde a previsão de março, à medida que o conflito no Oriente Médio continua a perturbar os serviços de transporte e viagens. Os economistas da OMC agora esperam que o volume do comércio de serviços comerciais cresça 3,3% em 2026, abaixo dos 4,8% da previsão anterior, antes de se recuperar para 6,4% em 2027.

Espera-se que o transporte e as viagens registrem apenas um crescimento modesto este ano, refletindo custos de energia mais altos, perturbações nas rotas marítimas e aéreas e redução da demanda por viagens internacionais.

Por outro lado, espera-se que outros serviços comerciais, incluindo os serviços prestados digitalmente, permaneçam mais resilientes e continuem apoiando o crescimento geral do comércio de serviços.



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Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caem, número de demissões em massa segue baixo


WASHINGTON, 8 Out (Reuters) – O número de norte-americanos que ⁠solicitaram novos benefícios de desemprego diminuiu na semana passada, ⁠indicando uma estabilidade contínua no mercado de trabalho, apesar da desaceleração acentuada no ‌crescimento do emprego em setembro.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram 2.000, para 197.000 (valor ajustado sazonalmente) na semana encerrada em 3 de outubro, informou o Departamento do Trabalho dos ‌EUA nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters haviam previsto 200.000 pedidos para a última semana.

Os pedidos têm se mantido próximos aos níveis mais baixos em 57 anos por quatro semanas consecutivas, em linha com o que os economistas descreveram como um mercado de trabalho que continua caracterizado por “baixa contratação e baixa demissão”. O número de empregos não agrícolas ⁠aumentou ‌em apenas 29.000 em setembro, informou o governo na semana passada.

Economistas afirmam que as ⁠contratações moderadas e a redução da oferta de mão de obra, em meio a aposentadorias e a medidas mais rígidas contra a imigração, estão freando o crescimento do emprego, deixando as demissões em massa em níveis historicamente baixos para sustentar o mercado de trabalho.

Embora os empregadores estejam retendo trabalhadores em um cenário de ​forte crescimento dos lucros e bom desempenho do mercado de ações, eles continuam hesitantes em aumentar o quadro de funcionários. Economistas atribuem essa tendência à incerteza, primeiro ​causada pelas tarifas comerciais e, depois, pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que elevou os preços do diesel a níveis recordes e impulsionou os preços de outras commodities.

A ata da reunião de política monetária do Federal Reserve, realizada entre 15 e 16 de setembro e publicada na quarta-feira, mostrou que as autoridades “avaliaram ‌que as condições do mercado de trabalho estavam estáveis ​e, de modo geral, consideraram o mercado de trabalho próximo do nível máximo de emprego”. A ata também observou que os membros do Fed “consideraram, de modo geral, que os riscos de alta e de baixa ⁠para o mercado de trabalho estavam ​amplamente equilibrados”.

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No mês passado, ​o banco central dos EUA elevou sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% ⁠a 4,00% — o primeiro aumento em três anos — ​e sinalizou novos aumentos nos custos de financiamento nos próximos meses.

As chances de outro aumento dos juros neste mês diminuíram devido aos ganhos decepcionantes na folha de pagamento em setembro, bem ​como aos índices de inflação mais baixos do que o esperado para julho e agosto. Economistas esperam que o Fed aumente os juros em dezembro.

O ​relatório sobre os pedidos ⁠de auxílio-desemprego mostrou que o número de pessoas recebendo o benefício após a primeira semana de auxílio — um indicador ⁠de contratações — aumentou em 17 mil, para 1,716 milhão (ajustado sazonalmente), na semana encerrada em 26 de setembro.

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Apesar do nível ainda baixo dos chamados pedidos contínuos, o ritmo lento de contratações fez com que alguns desempregados enfrentassem longos períodos de desemprego.

A duração mediana do desemprego foi de 11,5 semanas em setembro, próxima da maior marca em 4 anos e meio.



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Ministro diz ver avanços nas negociações com a UE sobre embargo a carnes do Brasil


O governo brasileiro espera superar ‌o impasse com a União Europeia que levou à ‌suspensão das certificações para exportações de carnes ao bloco, disse nesta quinta-feira (8) o ministro do Desenvolvimento, ⁠Indústria, Comércio ‌e Serviços, Márcio ⁠Rosa.

“A questão das proteínas precedia a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE e valia para todos os ​exportadores. O Ministério da Agricultura vem dialogando e ​o governo brasileiro vem conseguindo avançar. Acho que isso vai ser superado”, disse Rosa a ‌jornalistas na Federação das ​Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Leia mais: País não pode se desviar dos compromissos sustentáveis, diz chefe da UE no Brasil

Desde 3 de setembro, as ⁠certificações ​para ​exportações de carnes brasileiras à União Europeia ⁠estão suspensas ​por questões relacionadas às exigências do bloco para antimicrobianos.

Na ​avaliação do ministro, contudo, “a retração nas exportações nesse ​momento é ⁠temporária, passageira, e não vai se ⁠perpetuar”.

Ele não detalhou que tipo de avanços vêm ocorrendo nas negociações.



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Trump volta a pedir juros menores nos EUA e diz que Warsh “só pode dar 1 voto” no Fed


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta quarta-feira, 7, uma redução dos juros americanos e afirmou que o país deveria ter “as taxas de juros mais baixas do mundo”. Durante evento no Salão Oval, ele elogiou o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, mas ressaltou que o dirigente “só pode dar um voto” nas decisões da instituição.

Trump citou a Suíça como exemplo de país com juros baixos e argumentou que os EUA não deveriam pagar mais para financiar sua dívida. “A Suíça paga as taxas de juros mais baixas do mundo”, afirmou. Na sequência, o republicano frisou que Washington economizaria US$ 40 bilhões caso deixasse de comprar relógios suíços.

No mesmo evento, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, avaliou que os elevados rendimentos dos títulos soberanos são um “fenômeno global” e afirmou que a inflação subjacente americana está se aproximando da meta de 2% do Fed. Trump acrescentou ainda que as taxas de hipotecas e os preços do petróleo devem cair após o fim da guerra com o Irã.

Sobre o Canadá, o republicano afirmou que é “difícil negociar” com o país, embora tenha dito que os dois lados estão se dando bem. Segundo ele, Washington tenta alcançar um acordo com Ottawa, mas ainda não está satisfeito com os termos.

Trump também afirmou ter uma ligação telefônica agendada com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira, aniversário do líder russo.

Questionado sobre a morte de uma funcionária de laboratório na Rússia por suspeita de peste pneumônica, disse não acreditar, por ora, que o episódio envolva uma arma biológica, mas que o governo buscará esclarecimentos. Segundo Trump, Moscou “não está dizendo muito” sobre o caso.

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Ata mostra Fed mais atento à inflação e juro nos EUA pode ter mais uma alta este ano


O ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos deve ser mais persistente e os juros podem ter pelo menos mais uma elevação até o fim do ano, de acordo com a ata da reunião do Federal Open Market Comittee (Fomc) do Federal Reserve, o banco central americano, divulgada nesta quarta-feira (7).

“A ata do Fomc referente à decisão de setembro confirma a mudança para uma postura mais restritiva, diante da persistência da inflação, da atividade sólida e de um mercado de trabalho próximo do pleno emprego”, avalia Leandro Padulla, economista do ASA.

Leia também: Ata do Fed: todos os integrantes apoiaram aumento de juros e maioria vê nova alta

Ele destaca que todos os participantes apoiaram a alta de 25 bps na última reunião, enquanto a maioria avaliou que ao menos outro aumento seria apropriado até o fim do ano.

Na avaliação de Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, o documento indicou que o mercado de trabalho deixou de ser uma preocupação persistente, e o Fed passou a mirar na inflação, que segue com riscos altistas. Os efeitos desinflacionários do boom de inteligência artificial saíram do documento, para entrar as preocupações de curto prazo que vão além do choque de oferta.

O Fomc tem mais duas reuniões agendadas para este ano, marcadas para 27 e 28 de outubro e 8 e 9 de dezembro. A ata não indica a preferência dos integrantes do comitê sobre quando haveria mais um aumento de juro, e reforçou que a decisão vai depender de dados indicativos da economia.

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Juros ‘levemente restritivos’

Na avaliação de Padulla, chamou a atenção que vários participantes indicaram que a taxa de juros ainda não era restritiva o suficiente. Além disso, o staff revisou para cima as projeções de inflação entre 2026 e 2028 e passou a prever convergência para a meta de 2% somente em 2029. Atualmente, a inflação está em 3,4% no acumulado de 12 meses até agosto, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI).

“Direção e timing” na política de juros dos EUA

Para Leonardo Mendes, economista, financial advisor Manchester, a ata indica que o Fed não considera o trabalho de combate à inflação concluído, apesar de divergir no diagnóstico.

O documento mostrou que parte do Comitê interpretou a alta de juros feita em setembro como um movimento preventivo para evitar que choques de energia, tarifas e outros fatores de oferta contaminar as expectativas e a inflação de forma mais persistente, segundo Mendes.

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Já outro grupo mais hawkish viu sinais de que a pressão sobre os preços pode estar começando a refletir também uma demanda ainda forte, o que justificaria um aperto monetário adicional.

“Eu separaria duas coisas: a direção e o timing. A direção continua sendo hawkish, porque o Fed mantém aberta e relativamente provável a possibilidade de uma nova alta de juros. Mas o timing ficou mais flexível. Os dados de emprego e inflação divulgados depois da reunião vieram mais fracos e permitem ao Fed observar um pouco mais a economia antes de tomar uma nova decisão”, afirma Mendes.

Neste contexto, Mendes avalia que o cenário de pausa em outubro é mais provável, com a projeção para dezembro permanecendo em aberto. 

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A pausa, neste caso, não deverá ser vista como o fim do ciclo de aperto, mas indica que não há intenção de fazer uma sequência agressiva de aumentos de juros.

“Em resumo, vejo a ata como hawkish, mas não agressiva. O Fed mantém a porta aberta para mais uma alta em 2026, provavelmente em dezembro, porém pode utilizar a reunião de outubro para observar os próximos dados e avaliar quanto do aperto necessário já está sendo produzido pela própria curva de juros”, diz Mendes.

Para Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, o texto mostrou uma preocupação grande coma inflação, que segue elevada e acima da meta há mais de cinco anos – e com vários membros do Comitê assumindo a possibilidade de mais pressões inflacionárias. Por outro lado, há uma visão de manutenção de um bom desempenho da atividade econômica e do mercado de trabalho.

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“O texto da ata é condizente com a possibilidade de mais uma alta de juros à frente, que provavelmente deve ocorrer nesse ano – na nossa visão, na reunião de dezembro”, afirma Mecchi.



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STF exclui créditos de ICMS da base do PIS/Cofins e impõe derrota de R$ 16,5 bi


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 7 a 4, excluir os valores de créditos de ICMS concedidos pelos Estados da base de cálculo do PIS e da Cofins. A vitória dos contribuintes pode custar até R$ 16,5 bilhões para a União, de acordo com estimativa da Receita Federal.

O julgamento foi realizado nesta quarta-feira, 7. Já havia maioria formada a favor do contribuinte no plenário virtual desde 2021, mas o placar foi reiniciado no plenário presencial.

A corrente vencedora foi aberta pelo relator, Marco Aurélio (já aposentado). Ainda no plenário virtual, ele foi acompanhado por outros três ministros que já se aposentaram – Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso – e pelos ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Edson Fachin.

O regimento interno do Supremo determina que os votos de ministros aposentados devem ser mantidos mesmo após a mudança no titular da cadeira. Diante dessa situação, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou que o resultado poderá ser alterado no julgamento de recursos, quando os novos ministros (André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino) poderão se manifestar.

“Este é um daqueles casos em que a existência de quatro votos de ministros que já se aposentaram possivelmente fará com que, em breve, nós tenhamos que rediscuti-lo, porque os embargos de declaração colocarão quatro ministros, que não votaram ainda, na votação”, disse Moraes.

Na sessão desta quarta-feira, Toffoli mudou o voto que havia proferido no plenário virtual. “Compreendi, àquele momento, que os créditos presumidos se incluiriam no conceito de receita para fins de cobrança de PIS/Cofins. Todavia, as sustentações orais me convenceram da necessidade de evoluir no entendimento”, justificou.

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Para Toffoli, a incidência de tributos federais sobre os créditos de ICMS ofende o federalismo porque causa “importante retirada de efeitos da política fiscal adotada pelos Estados”.

Fachin disse que, apesar de o debate ser tributário, a discussão mais profunda trata sobre o desenho do federalismo à luz da Constituição de 1988. “Este é o pano de fundo da discussão. E, portanto, à luz desse desenho, reputo incompatível a inclusão dos créditos presumidos no cálculo do PIS e da Cofins”, afirmou.

Divergência

Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques votaram a favor da União. Para Gilmar, o contribuinte deixa de pagar o ICMS ao receber o benefício fiscal do Estado e, por isso, o valor representa uma vantagem econômica que deve ser tributada.

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“O crédito presumido de ICMS decorre de uma decisão do Estado de não exigir do contribuinte parcela do imposto que, a princípio, seria devida. O resultado econômico, contudo, é objetivo: o contribuinte deixa de desembolsar determinado valor, e, mais que isso, não assume qualquer obrigação de restituição ou repasse deste montante. Não se trata de recurso que apenas transita no seu patrimônio”, afirmou.

Já Moraes destacou que os valores dos créditos presumidos devem integrar a base do PIS e da Cofins porque “o Estado pode abrir mão do que é dele, mas não pode abrir mão do que é da União”.



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Expectativas de inflação nos EUA sobem ao maior nível em mais de três anos


As expectativas dos americanos para a inflação no curto prazo aumentaram no mês passado, enquanto a percepção sobre o mercado de trabalho melhorou, segundo uma pesquisa do Federal Reserve Bank de Nova York divulgada nesta quarta-feira.

As estimativas dos consumidores para a inflação nos próximos 12 meses subiram para uma mediana de 3,9% em setembro, ante 3,6% no mês anterior, atingindo o maior nível desde maio de 2023. Já a avaliação sobre o mercado de trabalho melhorou, à medida que os trabalhadores passaram a enxergar menor probabilidade de perder o emprego e maiores chances de pedir demissão voluntariamente, de acordo com a pesquisa mensal de expectativas dos consumidores do Fed de Nova York.

Divulgado a menos de um mês das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, o levantamento é o mais recente a destacar o pessimismo persistente dos americanos em relação a uma economia que continua crescendo. Dados divulgados nas últimas semanas mostraram que a confiança do consumidor caiu ao menor nível em quatro meses em setembro e que a taxa de desemprego avançou levemente, embora permaneça historicamente baixa.

O relatório desta quarta-feira também mostrou que as expectativas para a inflação em três anos avançaram para uma mediana de 3,3%, ante 3,2% em agosto. Já as estimativas para a inflação em cinco anos permaneceram estáveis em 3%.

As autoridades do Fed elevaram a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em setembro, uma decisão que, segundo alguns dirigentes, dá mais tempo para que o banco central avalie os rumos da economia. A próxima reunião da instituição está marcada para os dias 27 e 28 de outubro, em Washington.

Perspectivas melhores para o mercado de trabalho

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Apesar da inflação elevada, a percepção das famílias sobre o mercado de trabalho melhorou. A parcela dos entrevistados que espera uma alta da taxa de desemprego nos próximos 12 meses recuou para cerca de 44%. Já a percepção das chances de encontrar um novo emprego nos três meses seguintes a uma eventual demissão aumentou para 46%.

As expectativas de perda de emprego no próximo ano também diminuíram, com a melhora mais acentuada entre trabalhadores de 40 a 60 anos e aqueles com renda familiar anual superior a US$ 100 mil. As chances de deixar um emprego voluntariamente também aumentaram, especialmente entre trabalhadores sem diploma universitário e com mais de 40 anos.

Autoridades do Fed vêm afirmando há algum tempo que o mercado de trabalho atravessa um equilíbrio de baixas contratações e baixas demissões. Em setembro, a taxa de desemprego subiu para 4,2%, à medida que as empresas reduziram o ritmo de contratação e os desempregados passaram, em média, seis meses procurando trabalho.

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A pesquisa do Fed de Nova York mostrou ainda que a percepção dos consumidores sobre a própria situação financeira piorou pelo segundo mês consecutivo. Cerca de 42% das famílias disseram estar em situação muito ou um pouco pior do que há um ano, enquanto aproximadamente 18% afirmaram ter registrado melhora.

Mais famílias também passaram a esperar uma deterioração de suas finanças nos próximos 12 meses, e um número maior de consumidores afirmou que está mais difícil obter crédito do que há um ano.

Ainda assim, há sinais de que os consumidores continuam encontrando maneiras de manter os gastos. A expectativa de crescimento das despesas nos próximos 12 meses atingiu o maior nível desde maio de 2023, em um avanço observado entre diferentes grupos etários e níveis de escolaridade. Os consumidores seguem projetando que seus gastos crescerão mais rapidamente do que sua renda. Ao mesmo tempo, a percepção da probabilidade de atrasar pagamentos de dívidas nos próximos três meses recuou ligeiramente para 12%.

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© 2026 Bloomberg L.P.



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Exportação de carne de frango do Brasil cresce com antecipação de cargas para UE


As ⁠exportações brasileiras de carne de frango totalizaram ⁠500,3 mil toneladas em setembro, alta de 3,7% sobre ‌o mesmo mês de 2025, com uma antecipação de maiores fluxos para a União Europeia, que proibiu a produção nacional ‌certificada após o dia 3, afirmou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta quarta-feira (7).

A receita alcançou US$ 984,2 milhões, avanço de 14,7% na mesma comparação.

A União Europeia foi o segundo principal destino da carne de frango brasileira em setembro, com 43,5 ⁠mil ‌toneladas, ante apenas 3,9 mil toneladas no mesmo período do ⁠ano passado.

Leia também: UE conclui que produções de frango e mel do Brasil atendem requisitos para exportação

O aumento se deve a uma antecipação de embarques, mas também a uma pequena base de comparação — no mesmo período do ano passado, os embarques ainda eram pressionados por embargos sanitários decorrentes de um caso de gripe ​aviária em granja comercial.

No caso da União Europeia, o resultado de setembro de 2026 inclui cargas produzidas e certificadas ​até 2 de setembro, explicou o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota.

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A suspensão temporária da emissão de novos certificados para a UE entrou em vigor no dia 3, sem impedir o embarque dos produtos que já haviam ‌cumprido essa etapa, acrescentou ele.

A antecipação de ​volumes por exportadores e importadores também contribuiu para reduzir os efeitos imediatos da medida, disse Santin.

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países ⁠autorizados a exportar ​depois que considerou ​que o país não cumpriu normas sobre antimicrobianos.

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Os Emirados Árabes Unidos foram o ⁠principal destino da carne de ​frango brasileira em setembro, com 45,9 mil toneladas, volume 23,3% superior na comparação anual.

Já a China importou 40,9 mil toneladas, ante somente ​51 toneladas em setembro de 2025 — os chineses levaram mais tempo para retomar compras do produto brasileiro, ​após o caso de ⁠gripe aviária em maio do ano passado.

No acumulado de janeiro a setembro, os ⁠embarques do maior exportador global de carne de frango chegaram a 4,4 milhões de toneladas, crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2025. A receita acumulada atingiu US$8,7 bilhões, avanço de 21%, segundo a ABPA.



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