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Todos os integrantes apoiaram aumento de juros e maioria vê nova alta


No mês passado, o Fed elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%

A ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve foi divulgada nesta quarta-feira (7). O documento, que amplia discussões que foram apresentadas com a última decisão de juros do Federal Open Market Comittee (FOMC) do Federal Reserve, mostrou que todos os participantes defenderam que fosse realizado o aumento de juros na última reunião.

A maioria dos integrantes do Comitê também consideraram que uma outra alta deve ser apropriada ainda neste ano. A razão que levou os participantes a considerarem as elevações foi o temor com riscos de alta da inflação e riscos vistos como “equilibrados” para o mercado de trabalho. Alguns integrantes consideraram também que a expansão da Inteligência Artificial (IA) pode exerce pressão de alta sobre a inflação.

No mês passado, o Fed elevou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%. As projeções divulgadas após a reunião mostraram que 16 das 18 autoridades do Fed que apresentaram previsões projetavam mais um aumento ainda este ano.

O aumento dos juros na reunião de 15 e 16 de setembro foi descrito pelo chair do Fed, Kevin Warsh, como uma medida destinada a remover uma “dose de acomodação” em um momento em que a inflação parece estagnada acima da meta de 2% do banco central e a política monetária, na visão de Warsh, parecia exercer pouca restrição sobre a economia como um todo.



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“Tenho dificuldade em entender essa euforia”, diz Durigan sobre mercado após 1º turno


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira, 7, que promessas da direita de entregar superávit de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) não são críveis e representam uma ilusão vendida ao eleitorado. “A direita fala em superávit de 1,5% do PIB e isso não é crível, compra quem quer”, disse, ao participar do 9º Incorpora Abrainc – Rotas para 2027, para uma plateia majoritariamente formada por empresários da construção civil.

Ele alertou sobre promessas consideradas inexequíveis no debate público. “Comprarmos ilusão como compramos no passado é um erro”, disse.

Durigan afirmou que a agenda econômica precisa combinar responsabilidade fiscal, credibilidade e um esforço contínuo para melhorar as contas públicas, sem “mágicas” ou soluções fáceis. “O País precisa de responsabilidade fiscal e muito trabalho”, disse.

Na avaliação do ministro, o governo tem como desafio imediato avançar na redução da taxa de juros e reforçar um regime fiscal confiável. “Temos que rever a taxa de juros e fazer uma política fiscal crível”, declarou.

O ministro também buscou reforçar a disposição do governo de manter e aperfeiçoar o arcabouço fiscal. “Fizemos uma regra fiscal, que precisa melhorar, e que tem de se manter”, afirmou.

Segundo ele, a previsibilidade do regime é condição para a queda estrutural do juro e para a melhora das expectativas, com efeitos diretos sobre investimento e crescimento.

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Ao comparar o desempenho macroeconômico do governo com o de gestões anteriores, Durigan disse que os indicadores atuais são favoráveis e que a inflação está em patamar historicamente baixo. “Inflação no Brasil é a mais baixa de todos os governos”, afirmou. Ele acrescentou que, na comparação dos números, dos dados, atual governo não perde para o anterior.

Durigan voltou a criticar a condução fiscal do governo passado, dizendo que houve expansão de despesas sem o correspondente endereçamento das fontes de compensação. “O governo anterior fez maluquice com fiscal; com gastos sem dizer onde tirar o dinheiro”, afirmou. O ministro também disse que a atual gestão não sofreu rebaixamentos por agências de classificação de risco. “No nosso governo não tivemos rebaixamento de nota de crédito”, declarou.

Em recado ao setor de construção, Durigan afirmou que medidas de estímulo e desoneração foram adotadas pela atual administração, inclusive na pauta trabalhista. “Foi o atual governo que desonerou folha de pagamento”, disse aos empresários.

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Ao final, o ministro procurou reforçar seu compromisso com a agenda econômica do governo e minimizou leituras de permanência no cargo como questão pessoal. “Eu me movo por princípios e não por apego ao cargo”, afirmou.

Eleições

Durigan disse estar “empolgado” com o processo eleitoral de 2026 e afirmou esperar um ambiente de normalidade democrática no País, em contraste com a disputa de 2022. “A eleição é muito bonita no País. Como não sou negacionista da democracia, acho que as pessoas têm que votar, o resultado da urna tem que ser sempre bem recebido e bem interpretado por todos”, comentou.

O ministro disse que 2026 tende a marcar um ano diferente de 2022, com democracia em festa e sem bagunça no País.

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A fala foi recebida como um recado político em meio ao ambiente de campanha, com o segundo turno previsto para o fim do mês e a leitura do mercado já influenciada pelas projeções eleitorais.

Ele contestou a interpretação de que a melhora recente em ativos – com queda do câmbio e valorização da bolsa – refletiria uma euforia com a perspectiva de mudança de governo. Para ele, a reação se apoia mais em expectativa do que em fatos. “Eu tenho alguma dificuldade em entender essa euforia”, disse.

Mais comparações econômicas

Na avaliação do ministro, a comparação entre o governo anterior e o atual, especialmente no campo fiscal, não sustentaria uma virada positiva baseada apenas em promessas. “Essa história de que você vende pastel de vento, diz que vai privatizar tudo, diz que vai fazer no primeiro ano um corte de 1,5% do PIB sem mostrar como faz, é difícil você comprar pastel de vento nessa euforia”, insistiu.

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Ao defender a agenda econômica do governo Lula, Durigan citou resultados de mercado anteriores e indicadores de risco como evidências de trajetória consistente.

Segundo ele, o risco País caiu no atual governo, enquanto teria subido na gestão anterior.

Durigan também mencionou melhora na percepção de crédito do Brasil sob as regras fiscais atuais. “No nosso governo teve (melhora), com as nossas regras fiscais”, disse.

Durigan reforçou ainda a importância da reforma tributária como vetor de produtividade e criticou, sem citar nomes, adversários que defendem aumento de produtividade sem dizer como. Para ele, a mudança no sistema tributário é um grande ganho de produtividade do Brasil pós-88 e aproxima o País de padrões internacionais.

Ao se dirigir ao setor, Durigan usou a construção civil como exemplo do que chamou de parceria entre Estado e iniciativa privada e alertou para risco de retrocesso caso prevaleça uma agenda de desmonte. Ele citou programas habitacionais e instrumentos de financiamento, como o uso do FGTS, e disse que o setor depende de coordenação pública para ampliar o crédito e enfrentar o déficit habitacional.

Ao tratar do quadro fiscal, Durigan reconheceu o desafio histórico de despesas crescendo acima das receitas desde meados da década passada, mas disse que o novo arcabouço busca reverter essa dinâmica ao impor crescimento do gasto abaixo da arrecadação. “Não é uma regra fiscal que eu estou criando para ser cumprida pelo próximo governo por 20 anos. A gente fez uma regra fiscal que foi cumprida por esse governo”, afirmou, acrescentando que o modelo “precisa ser reforçado”.



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“Lua de mel” com a inflação acabou e BC deve cortar Selic “cautelosamente”, diz XP


Após uma sequência de surpresas baixistas na inflação que vinha desde maio, o IPCA-15 mostrou uma alta de 0,70% na comparação mensal de setembro, num sinal de “a lua de me acabou”, segundo análise do boletim Brasil Macro Mensal, que a XP divulgou nesta quarta-feira (7). Também é feito o alerta de riscos para a inflação estão se acumulando para 2027, mas a projeção é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) continuará a reduzir a taxa Selic cautelosamente (em 25 pontos-base) nas próximas reuniões.

A análise sobre o cenário para a inflação, assinada pelos economistas Basiliki Litvac e Alexandre Maluf, destaca que a aceleração já era esperada, refletindo o rebote do fim do crédito do Bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica.

No entanto, também foram citados outros aumentos antecipados, como na alimentação no domicílio e itens voláteis de serviços de transporte, como passagens aéreas, transporte por aplicativo e seguro de automóvel, que superaram as estimativas iniciais. “Da mesma forma, a inflexão esperada na trajetória de queda das medidas de inflação subjacente refletiu esses movimentos de forma um pouco mais forte do que o antecipado”, disseram.

Leia mais: Cresce aposta em queda de meio ponto da Selic após rali no mercado de juros

Para o IPCA cheio de setembro, os economistas esperam  um aumento semelhante ao da prévia, impulsionado pelo rebote nos preços de energia elétrica, pela incorporação de surpresas altistas recorrentes e pela retomada dos aumentos de preços de alimentos in natura — devido às chuvas acima da média histórica na região Sudeste — e da carne.

“As perspectivas permanecem sob pressão. A inflação acumulada em 12 meses voltará a ultrapassar o limite superior da faixa da meta no 4º trimestre. Os preços dos alimentos aumentarão ainda mais, refletindo condições climáticas adversas sob a influência do El Niño, que pode se intensificar até o final do ano, combinadas com sazonalidade menos favorável e preços mais altos da carne”, listaram.

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Segundo Litvac e Maluf, esses aumentos devem superar significativamente os observados no 4º trimestre de 2025. E a inflação de serviços, especialmente em categorias intensivas em mão de obra, deve permanecer resiliente, dado o mercado de trabalho ainda robusto e as medidas de estímulo fiscal e quase fiscal anunciadas.

A projeção é de que os preços do petróleo permanecendo próximos a US$ 100 por barril — acima da premissa da XP, de US$ 85 para este semestre — pressionam os reajustes dos preços dos combustíveis, que devem novamente se refletir nos custos de insumos de bens industriais e nos preços das passagens aéreas. “As chuvas mais intensas interromperam a moagem da cana-de-açúcar, revertendo grande parte da queda nos preços do etanol nas usinas observada entre o final de março e agosto — uma fonte adicional de pressão sobre os bens industriais e os preços da gasolina na bomba”, explicam.

Sobre os preços regulados, a análise é que os subsídios estão domando o repasse. Assumimos que os subsídios e as isenções fiscais serão renovados mensalmente até o final do ano, impedindo que as flutuações nos preços internacionais da gasolina e do diesel cheguem aos consumidores”, estimaram, acrescentando que está mantida a projeção de bandeira tarifária verde para as contas de energia elétrica em novembro e dezembro.

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Por conta dessa análise, a XP elevou a previsão do IPCA para 2026 de 5,0% para 5,1%, incorporando as recentes surpresas inflacionárias. E a projeção de inflação para 2027 foi elevada de 4,2% para 4,4%, uma vez que os riscos permanecem inclinados para cima.

El Niño e combustíveis

Sobre a possibilidade de um fenômeno climático El Niño mais forte e persistente do que o antecipado, a avaliação é de que isso pode afetar a oferta de alimentos por um período mais longo, tornando tanto o momento quanto a magnitude da reversão dos aumentos de preços mais incertos.

“Nesse caso, nossas estimativas apontam para um aumento de 0,20 a 0,25 p.p. no índice cheio. Segundo, tarifas de energia elétrica: as condições hidrológicas podem se tornar mais desfavoráveis se o El Niño for mais intenso, acionando bandeiras tarifárias com custos adicionais para os consumidores. Por exemplo, uma bandeira tarifária amarela em dezembro de 2027 adicionaria 0,10 p.p. à inflação”, escreveram.

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Sobre os preços dos combustíveis, os economista da XP acreditam que um período prolongado de conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, com instabilidade nos fluxos de transporte de petróleo e danos à infraestrutura de refino, pode ampliar ainda mais a defasagem entre as referências internacionais e os preços domésticos dos combustíveis.

“Se essa situação persistir, um realinhamento dos preços nas refinarias será inevitável. Um aumento de 10% nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias adicionaria 0,16 p.p. e 0,01 p.p. ao IPCA, respectivamente.”

Outra fonte de incerteza a ser monitoradas pela XP é a implementação da nova estrutura do IPCA a partir de janeiro de 2027, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada entre 2024 e 2025. “Um aumento no peso dos serviços pode adicionar 0,10 a 0,20 p.p. à inflação cheia do próximo ano”, advertem.

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Eles também citam outro fatores a serem observados: a possível mudança no regime de jornada de trabalho semanal e os estágios iniciais da reforma tributária, que podem afetar os preços de serviços e bens.

Sobre os fatores atenuantes, são citados um Real (BRL) mais forte, refletindo um ajuste crível da política fiscal, uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica e a possível manutenção de uma postura de política monetária mais restritiva do que a assumida em nosso cenário base.

Copom “cauteloso”

Sobre as decisões de política monetária, a XP continua projetando cortes graduais nas taxas de juros nos próximos meses. Isso apesar dos sinais contrários, adverte o economista Rodolfo Margato. “Considerando o recente fortalecimento da taxa de câmbio e as indicações do Banco Central de efeitos de segunda ordem limitados — sobre preços e salários — decorrentes do choque energético global, não esperamos mudanças relevantes em seu “plano de voo” de cortes de juros.”

A XP, portanto, mantém suas projeções para a taxa Selic em 13,25% até o final de 2026 e 11,50% em 2027. Esse cenário considera reduções de 25 pontos-base nas próximas três reuniões do Copom (novembro, dezembro e janeiro), seguidas por cortes de 50 pontos-base até o final do primeiro semestre do próximo ano (março, abril e junho).

Na avaliação de Margato, tanto o ambiente doméstico quanto o global apresentam vetores opostos para as perspectivas da política monetária no Brasil.

Em relação ao front doméstico, ele cita que o enfraquecimento da atividade econômica está se tornando mais claro. “A desaceleração econômica é cada vez mais evidente e generalizada entre os setores. O baixo dinamismo da demanda doméstica e o aumento dos custos de produção dificilmente serão revertidos tão cedo”, afirma

Segundo o economista, espera-se que o PIB permaneça estagnado (ou se contraia moderadamente) no semestre atual, e que o próximo ano provavelmente será marcado por um crescimento econômico abaixo do potencial, “empurrando o hiato do produto para território negativo, o que contribui para o afrouxamento da política monetária.”

Por outro lado, os riscos de inflação estão aumentando, conforme a análise e as projeções da XP para 2026 e 2027.

Além dos fatores cíclicos, é citado o debate eleitoral e seu impacto sobre as perspectivas de reformas fiscais podem levar a diferentes trajetórias de taxas de juros, especialmente no médio prazo — a partir do segundo semestre de 2027).

É feita a ponderação de que, se a dinâmica cambial continuar favorável e as expectativas de inflação recuarem, o Copom poderia optar por acelerar o ritmo de afrouxamento monetário (para 50 pontos-base) já na reunião de dezembro.

“De acordo com nossas simulações, o modelo de projeção do Banco Central mostraria inflação em 2,9% no horizonte relevante atual para a política monetária (2º trimestre de 2028) se a taxa de câmbio permanecer em torno de 5,00 reais por dólar. Assumindo 4,80, por exemplo, a projeção de inflação do IPCA cairia para 2,7%. Tudo o mais constante, essa dinâmica permitiria uma queda adicional de cerca de 100 pontos-base na taxa básica de juros”, escreve Margato.

Segundo ele, as perspectivas de uma taxa Selic terminal mais baixa podem ganhar impulso se houver progresso na agenda de ajuste fiscal. “O cenário de continuação do afrouxamento monetário até meados de 2027 tem sido sustentado, por vários meses, pela expectativa de crescimento econômico abaixo do potencial e pela resiliência da taxa de câmbio em meio à turbulência global. Na ocorrência de medidas robustas de ajuste fiscal e uma consequente redução nos prêmios de risco, acreditamos que o Copom encontraria maior espaço para cortes de juros ao longo de 2027”, conclui.



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Produção industrial da Alemanha sobe 2% em agosto ante julho e surpreende mercado


Analistas consultados pela FactSet esperavam queda de 0,1% no mês. No confronto anual, a produção da indústria alemã avançou 2,3% em agosto

A produção industrial da Alemanha subiu 2% em agosto ante julho, segundo dados com ajustes sazonais e de calendário divulgados nesta quarta-feira, 7, pelo Destatis, o escritório de estatísticas do país.

Analistas consultados pela FactSet esperavam queda de 0,1% no mês. No confronto anual, a produção da indústria alemã avançou 2,3% em agosto.

A leitura mensal de julho foi revisada: a produção indicou queda de 1,2% ante junho e recuo anual de 1,8% no levantamento anterior.



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Discussão sobre ajuste no Bolsa Família deve ir além do valor pago, sugere FGV/Ibre


O reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado em 17 de setembro, terá efeito na redução da pobreza, especialmente no Norte e Nordeste. Mas uma redução mais persistente da pobreza depende da articulação das transferências com políticas capazes de ampliar a geração de renda, diz o FGV/Ibre em artigo assinado pelo doutor em Economia Vitor Hugo Miro, pesquisador do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste.

Ele sugere que exista uma combinação de dimensões sobre o tema para além do caráter discricionário de elevar o valor pago, incluindo um cronograma de periodicidade das revisões, critérios de correção e a relação entre o benefício e a linha de ingresso.

“Uma redução mais persistente da pobreza depende da articulação das transferências com políticas capazes de ampliar a geração de renda. Educação, qualificação profissional, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva são importantes nesse processo, assim como um mercado de trabalho capaz de criar ocupações mais produtivas e mais bem remuneradas”, afirma o especialista.

O piso mensal por família passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto os demais componentes do programa também foram reajustados. O Benefício de Renda de Cidadania aumentou de R$ 142 para R$ 164 por integrante; o Benefício Primeira Infância, de R$ 150 para R$ 173 por criança; e o Benefício Variável Familiar, de R$ 50 para R$ 58.

O pesquisador se propôs a estimar, por meio de uma microssimulação, o possível alcance de um aumento das transferências sobre a incidência, o hiato e a severidade da pobreza monetária no Brasil. No artigo, ele não entra na discussão das motivações políticas do governo para a concessão do reajuste neste momento, nem examina seus efeitos fiscais — embora admita que o impacto orçamentário constitua uma dimensão relevante a ser considerada.

Leia mais: Bolsa Família: impacto do reajuste será de R$ 5,8 bi em 2026 e R$ 22,7 bi em 27 e 28

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Para o cálculo dos indicadores de pobreza monetária, Miro adotou três linhas de referência: o limite administrativo de renda familiar mensal por pessoa de R$ 218, utilizado como critério de ingresso no Bolsa Família; as outras duas seguem os parâmetros internacionais do Banco Mundial: US$ 3,00 por pessoa ao dia para a extrema pobreza e US$ 8,30 para a pobreza em países de renda média-alta, expressos pela paridade do poder de compra de 2021.

Confira os cálculos

Os resultados mostram que o reajuste nas transferências teria efeitos relevantes, sobretudo entre as pessoas de menor renda. Considerando a linha de R$ 218 mensais por pessoa, a proporção da população abaixo desse limite passaria de 3,14% para 2,49%.

Essa redução de 0,65 ponto percentual corresponde a uma queda relativa de 20,8%, a maior entre as três linhas analisadas.

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Em termos absolutos, aproximadamente 1,39 milhão de pessoas ultrapassariam esse limite de renda no cenário simulado.

Para a linha internacional de extrema pobreza, equivalente a aproximadamente R$ 280 mensais por pessoa, a incidência diminuiria de 4,61% para 4,01%. Isso representa uma redução de 0,60 ponto percentual, ou 13,1% em termos relativos.

Cerca de 1,29 milhão de pessoas deixariam a condição de extrema pobreza definida por esse parâmetro, segundo os cálculos do pesquisador.

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O efeito proporcional é menor quando se considera a linha mais ampla de pobreza, de R$ 775 mensais por pessoa. Nesse caso, a incidência passaria de 25,09% para 24,50%, uma redução de 0,59 ponto percentual ou 2,35% em termos relativos.

Ainda assim, aproximadamente 1,25 milhão de pessoas ultrapassariam essa linha.

O estudo mostra que um mesmo reajuste pode retirar algumas pessoas da pobreza, aproximar outras da linha sem que consigam ultrapassá-la e produzir efeitos mais expressivos entre aquelas situadas na base da distribuição. “A simulação permite, portanto, avaliar a potência distributiva da medida, distinguindo seus efeitos sobre a incidência, o hiato e a severidade da pobreza, além de revelar como esses impactos se distribuem entre regiões”, diz Miro.

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Impactos por região

O estudo aponta que os efeitos da medida também são bastante diferentes entre as regiões. A proporção de pessoas residentes em domicílios que recebem Bolsa Família alcança aproximadamente 40% no Norte e 39% no Nordeste.

No Sul, essa proporção é de pouco mais de 9%; no Sudeste, de 13%; e no Centro-Oeste, de aproximadamente 15%.

Por essa razão, o acréscimo médio na renda domiciliar per capita seria mais elevado nas regiões Nordeste e Norte. “No cenário simulado, o aumento seria de aproximadamente R$ 11,87 por pessoa no Nordeste e R$ 11,07 no Norte, ante R$ 3,86 no Sudeste e R$ 2,65 no Sul.”

Pela linha de extrema pobreza de R$ 280, as taxas do Norte e do Nordeste cairiam aproximadamente 1,29 ponto percentual. No Norte, a incidência passaria de 6,83% para 5,54%. No Nordeste, diminuiria de 8,70% para 7,41%.

O pesquisador diz que, em razão do tamanho de sua população, o Nordeste concentraria o maior contingente beneficiado: aproximadamente 734 mil pessoas ultrapassariam a linha de extrema pobreza.

Efeitos simulados do aumento no Bolsa Família sobre a incidência da pobreza

(Fonte: Vitor Hugo Miro/ FGV/Ibre)

Para a linha de R$ 775, a maior redução também ocorreria no Norte, com queda de 1,12 ponto percentual, seguido pelo Nordeste, com redução de 0,92 ponto percentual.

Nas demais regiões, a diminuição ficaria entre 0,30 e 0,44 ponto percentual.

Leia mais: Reajuste no Bolsa Família começa a ser pago no dia 19 de outubro, diz governo

Miro reforça em suas conclusões que, mais do que discutir apenas o valor nominal do benefício, é necessário considerar outros aspectos do desenho do programa. “A atualização dos benefícios recompõe seu poder de compra diante da inflação acumulada, mas não foi acompanhada por uma revisão da linha de elegibilidade”, argumenta.

Ele explica que, se o limite de R$ 218 permanecer nominalmente constante, seu valor real continuará diminuindo, o que pode restringir gradualmente o acesso de famílias que ainda se encontram em situação de vulnerabilidade.



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IGP-DI acelera alta a 1,50% em setembro, por commodities agrícolas e energia, diz FGV


O ⁠Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou ⁠alta de 1,50% em setembro, depois de ‌avanço de 0,06% no mês anterior, pressionado por commodities agrícolas e energia, informou a Fundação Getulio ‌Vargas (FGV) nesta quarta-feira (7).

O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters e levou o índice a acumular em 12 meses alta de 3,80%.

Leia mais: FGV: IGP-M passa a subir 1,57% em setembro com pressão ao consumidor e ao produtor

No período, o Índice de Preços ao ⁠Produtor ‌Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador ⁠geral, subiu 1,95%, de alta de 0,10% no mês anterior.

“No IPA, destacou-se a alta das commodities agrícolas, com elevações expressivas da soja, do farelo de soja e do milho, além ​do reajuste da gasolina automotiva”‘, explicou Matheus Dias, economista do FGV/Ibre.

Já o Índice de ​Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — mostrou que a pressão aos consumidores aumentou com alta de 0,67% em setembro, deixando para trás a queda de 0,37% em agosto.

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“A ‌pressão partiu sobretudo da habitação, ​refletindo o aumento da tarifa de eletricidade residencial após o fim dos efeitos de descontos concedidos por conta do Bônus ⁠de Itaipu, e ​dos alimentos ​in natura, com destaque para as altas do tomate e da ⁠batata-inglesa”, disse Dias.

O bônus ​é um valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado ​na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

O ​Índice Nacional de ⁠Custo de Construção (INCC), por sua vez, registrou desaceleração da alta a ⁠0,22% em setembro, de 0,66% antes.

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O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.



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reservas cambiais caem em setembro, enquanto as de ouro aumentam


As reservas internacionais em moeda estrangeira da China caíram em setembro, como economistas já esperavam, devido a um efeito negativo de valorização, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 7, pelo Banco do Povo da China (PBoC, em inglês).

O estoque de reservas cambiais recuou US$ 38,1 bilhões e terminou setembro em US$ 3,4 trilhões, informou o PBoC. Economistas ouvidos pelo The Wall Street Journal estimavam que as reservas ficariam em US$ 3,409 trilhões no fim do mês.

Economistas apontaram que o fortalecimento do dólar e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA podem ter reduzido o valor das reservas chinesas.

Já as reservas de ouro da China aumentaram para 77,47 milhões de onças troy finas no fim de setembro, ante 76,73 milhões de onças no mês anterior, segundo o banco central. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.



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Balança comercial tem superávit acumulado em 2026 até setembro de US$ 62,396 bi


A balança comercial brasileira acumula superávit comercial de US$ 62,396 bilhões no ano até setembro, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 6, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor foi alcançado com exportações de US$ 284,654 bilhões e importações de US$ 222,259 bilhões e é 34,8% maior do que no mesmo período de 2025.

No acumulado de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações registraram alta de 10,4%, com crescimento de 8,9% em Agropecuária, que somou US$ 64,837 bilhões; alta de 21,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 71,150 bilhões; e, por fim, crescimento de 6,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 146,915 bilhões.

As importações subiram 5,0% de janeiro a setembro de 2026 ante o mesmo período de 2025, com queda de 10,1% em Agropecuária, que somou US$ 4,178 bilhões; queda de 3,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 9,476 bilhões; e, por fim, crescimento de 5,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 207,167 bilhões.



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Exportações brasileiras para a China caem 7,6% em setembro ante igual mês de 2025


As exportações de produtos brasileiros para a China caíram 7,6% em setembro de 2026 na comparação interanual, somando US$ 7,89 bilhões no mês passado, ante US$ 8,69 bilhões em setembro de 2025.

Pelo lado das importações, houve crescimento de 12,6% nas compras vindas da China em setembro, totalizando US$ 7,06 bilhões no mês, ante US$ 6,377 bilhões em igual mês do ano passado.

Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 0,83 bilhão com o país asiático no nono mês deste ano.

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou, durante entrevista coletiva relativa à balança comercial de setembro, que as exportações brasileiras para a China foram afetadas por uma queda nas vendas de carne bovina, soja, minério de ferro e milho.

Na venda de carne bovina, houve redução de 93,5%, devido ao atingimento da cota comercial, que gera uma sobretaxa sobre o produto, reduzindo o volume de vendas ao país, explicou o diretor.

Brandão afirmou ainda que parte da queda do volume de carne vendida à China é compensado por EUA e outros países, mas não em sua totalidade.

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“Esse volume, para os Estados Unidos, ajuda a mitigar essa queda, mas o tamanho do mercado não é suficiente para absorver todo esse volume que caiu mais de 90% para a China”, disse.

O diretor ressaltou ainda que, no ano passado, os chineses compraram 53% da carne brasileira.

A queda na exportação de milho ao país asiático, pode ter sido influenciada por uma crescente na demanda interna pelo produto, segundo Brandão.

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Ele também analisou que o Brasil segue muito competitivo na exportação da soja e não teria dificuldade de redirecionar o produto para além desse mercado chinês.

Acumulado do ano

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as vendas para a China cresceram 12% e atingiram US$ 84,64 bilhões.

As importações cresceram 9,9% e totalizaram US$ 58,62 bilhões. Consequentemente, neste período, a balança comercial com a China apresentou superávit de US$ 26,05 bilhões.

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Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).



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Exportações brasileiras para UE sobem 60,1% em setembro; vendas para Argentina caem


As exportações de produtos brasileiros para a União Europeia (UE) cresceram 60,1% em setembro deste ano e somaram US$ 6,95 bilhões, ante US$ 4,34 bilhões em setembro de 2025. As importações caíram 8,7% (somando US$ 4,06 bilhões, ante US$ 4,45 bilhões no mesmo mês do ano passado). A balança comercial com este bloco resultou em superávit de US$ 2,89 bilhões em setembro.

No período acumulado de janeiro a setembro de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as exportações para a UE cresceram 20% e atingiram US$ 44,15 bilhões. As importações subiram 0,8% e totalizaram US$ 38,05 bilhões.

Consequentemente, neste período do acumulado do ano, a balança comercial com este bloco comercial apresentou superávit de US$ 6,10 bilhões.

Argentina

No caso da Argentina, as exportações caíram 25,2% e somaram US$ 1,36 bilhão. As importações cresceram 5,7% e totalizaram US$ 1,31 bilhão. Logo, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 50 milhões.

Nos nove meses do ano, as vendas para a Argentina caíram 18,5% e atingiram US$ 11,58 bilhões. As importações cresceram 4,4% e chegaram a US$ 9,95 bilhões. Com isso, neste período, a balança comercial com este país apresentou saldo positivo de US$ 1,63 bilhão.

Argentina e UE, ao lado da China e dos Estados Unidos, são os principais parceiros comerciais do Brasil.

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Os resultados da balança comercial de setembro, em que foi registrado superávit de US$ 7,741 bilhões, foram divulgados nesta terça-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC.



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