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veja quais bancos vão financiar carros para motoristas de app e taxistas


Começa nesta sexta-feira a fase mais esperada do Move Brasil: a contratação do financiamento de carros novos por motoristas de aplicativo e taxistas. A partir de hoje, os profissionais que já tiveram o cadastro aprovado pelo governo federal podem procurar concessionárias e bancos para pedir o crédito, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado.

As condições foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e confirmadas pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante: os juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. As duas taxas ficam abaixo da Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano.

Isso é possível porque o presidente Lula assinou uma medida provisória que autoriza o Ministério da Fazenda a repassar R$ 30 bilhões ao BNDES para bancar essas operações. O programa é voltado a taxistas e a motoristas de plataformas como Uber e 99 que tenham feito ao menos 100 corridas no período de um ano — o equivalente a cerca de duas corridas por semana.

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O ponto de corte é uma tentativa do governo de restringir o crédito a quem realmente trabalha na atividade, e não a interessados apenas em pegar um empréstimo mais barato.

Quais bancos vão operar o crédito

O C6 Bank confirmou que vai operar a linha e informou que começa a receber pedidos em 26 de junho. As taxas serão as do teto do programa — 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres —, e a exigência de entrada e de documentos vai depender da análise de crédito de cada cliente.

“Feita de forma on-line, a análise de crédito, na maior parte dos casos, ocorre em até um minuto”, disse o banco em nota.

O Santander também vai operar o crédito, por meio da Santander Financiamentos, e deve começar a receber propostas na próxima semana, seguindo o calendário do programa. As condições serão apresentadas na simulação. Já a contratação ficará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida.

“As condições serão apresentadas durante a simulação, e a contratação estará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida na jornada, incluindo documentos pessoais, comprovação de elegibilidade ao programa e documentação do veículo”, esclareceu o Santander em nota.

O Itaú Unibanco informou que não vai aderir a esta linha. O banco alegou questões de cronograma operacional e afirmou que seu teto de garantias no FGI já está integralmente alocado e consumido pelo fluxo de outras modalidades de crédito — como o Renova Frota, o FGI Capital de Giro, o Pronampe e o Desenrola.

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“Em relação à nova linha voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, o banco optou por não aderir a este desenho específico por questões de cronograma operacional e pelo fato de seu teto de garantias do FGI já estar integralmente alocado e consumido pelo fluxo atual de outras modalidades”, afirmou a instituição financeira

O Bradesco preferiu não se manifestar. Procurados, Nubank, BTG Pactual, Banco Inter, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não responderam até o fechamento desta reportagem.

“A esperança é a última que morre”

Motorista de aplicativo há dez anos e dono de um salão de festas, Carlos Coutinho, de 39 anos, é um dos que pretendem aproveitar o programa logo na largada. Morador de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, ele usa os aplicativos como complemento de renda e hoje roda com uma Chevrolet Spin 2015, de sete lugares. A ideia é trocá-la por um elétrico.

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— Com esse programa do governo, estou vendo a possibilidade de trocar o meu carro por um veículo elétrico, que é o BYD Dolphin — conta.

Carlos já fez o cadastro e foi aprovado pelo governo em poucos dias. A aprovação do governo, porém, é só a primeira etapa. Falta a parte mais incerta: a análise de crédito do banco.

Carlos tem o nome negativado e conta com o fundo garantidor para conseguir o financiamento mesmo assim.

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— Tenho negativação no meu nome, mas não é nada muito grave, alguns cartões de crédito. Não regularizei porque existe uma luz no fim do túnel: muita gente falando que vai liberar para negativado — afirma. — A esperança é a última que morre.

Para tentar reduzir o valor financiado, ele e três amigos do bairro vão juntos a uma concessionária de carros elétricos nesta sexta. Dos quatro, diz ele, só um está com o nome limpo.

— A gente vai ver se consegue dar os nossos carros de entrada para financiar um valor menor — explica.

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O que pesa na escolha pelo elétrico é a economia, segundo Carlos:

— A gente gasta de R$ 3 mil a R$ 3.500 por mês com combustível, fora a manutenção. Com o elétrico, fica em torno de R$ 800 a R$ 1.000 de recarga, e a manutenção é menor — compara.

Com o BYD, ele também poderia rodar na categoria Black da Uber, a mais bem paga — mas já sabe que, para esse modelo, o acesso à categoria vai até o fim de 2027.

— Todo mundo foi pego de surpresa com essa informação que a Uber soltou, um dia antes de todo mundo comprar o carro — diz.

Quem está com o nome negativado pode conseguir?

A aprovação no cadastro do governo é apenas a primeira etapa e não garante o financiamento. A análise de crédito é feita pelo banco, caso a caso, depois do pedido — e cada instituição decide se aprova ou recusa, segundo suas próprias regras.

Para ampliar as chances de quem tem renda informal e pouca garantia a oferecer, a medida provisória incluiu taxistas e motoristas de aplicativo no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES, que pode cobrir até 80% do risco de cada operação. Na prática, o fundo protege o banco em caso de calote — o que torna o crédito mais acessível —, mas a dívida continua sendo do motorista.

O que diz o especialista

Para quem vive de renda variável, o maior risco não é o juro, e sim o tamanho da parcela. É o que avalia Rodolfo Takashi, CEO da Gooroo Crédito, fintech especializada em crédito para o trabalhador.

— Para um motorista sem renda fixa, a pergunta principal não deveria ser “quanto o banco aprova?”, mas sim “qual carro o meu faturamento consegue sustentar, mesmo nos meses mais difíceis?” — afirma.

Takashi lista alguns cuidados. O primeiro é fazer a conta pela pior semana, não pela melhor: se a renda líquida oscila entre R$ 3.500 e R$ 7.000 por mês, a parcela precisa caber confortavelmente no cenário de R$ 3.500. Como regra geral, ele recomenda que a prestação não passe de 15% a 20% da renda líquida média.

O segundo é não financiar o valor máximo só porque ele está disponível. O programa permite financiar veículos de até R$ 150 mil, mas, segundo o especialista, um carro de R$ 100 mil pode render praticamente o mesmo nos aplicativos.

— Um veículo de R$ 100 mil pode gerar praticamente a mesma receita em aplicativos como Uber e 99 do que um veículo de R$ 150 mil. O custo adicional não necessariamente se traduz em maior rentabilidade — diz.

Takashi orienta ainda a encarar a prestação como um aluguel, um custo fixo da atividade, e a não confundir faturamento com renda: é possível faturar R$ 10 mil por mês e ter renda líquida bem menor depois de descontar combustível, manutenção, lavagem e seguro.

— O risco está em assumir uma parcela baseada nos meses de maior faturamento e descobrir, nos meses mais fracos, que o carro pertence mais ao banco do que ao motorista — resume.

Para ele, o Move Brasil pode valer a pena sobretudo para quem hoje gasta muito com aluguel de veículo, desde que a escolha seja pelo carro mais econômico capaz de gerar a mesma receita.

Quantos já se inscreveram

O governo não respondeu ao pedido da reportagem sobre o número atualizado de cadastrados e de aprovados no programa.

O dado mais recente divulgado é do dia 3 de junho, quando o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que as inscrições no Move Brasil já chegavam a 600 mil.

Atenção ao prazo

As contratações precisam ocorrer até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa. Procurados, MDIC e BNDES não esclareceram o que acontece com o motorista que pedir o financiamento dentro do prazo, mas tiver a análise de crédito concluída pelo banco depois dessa data.

Como faço para solicitar o financiamento?

Confira abaixo o passo a passo:

  • A primeira etapa é acessar a plataforma gov.br/movebrasil e rolar até encontrar a opção de fazer o cadastro a partir do Gov.br.
  • Insira seu CPF e depois sua senha gov.br
  • Ao abrir a próxima página, clique em “Solicitar adesão”.
  • Informe se é taxista, motorista 99 ou motorista Uber. Depois é só ler e aceitar o termo de consentimento e clicar em “Solicitar adesão”.

 Com isso, seu perfil já ficará em análise. O governo federal irá validar consultar a plataforma para validar seu cadastro.

Em seguida, é necessário esperar até 5 dias úteis para ser informado se está apto ou não a participar do programa Move Brasil. O motorista receberá a resposta via caixa postal do gov.br e via mensagem de WhatsApp.

No caso de motoristas de aplicativo, o governo irá checar uem está apto diretamente com a plataforma.

No caso de motorista de táxi, o governo irá chegar por meio da Receita Federal. Eles devem autorizar que o órgão envie às instituições financeiras a confirmação do registro como taxista e autorize a instituição financeira a praticar as condições de financiamento do programa.

Por fim, os motoristas que receberam a confirmação de participação no programa podem procurar as concessionárias e instituições financeiras participantes do programa para análises de crédito e de avaliação de viabilidade de concessão do financiamento.



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Governo chinês aponta interesse em parceria com o Brasil sobre o Pix


No momento em que os Estados Unidos apontam o Pix como uma “prática desleal” do Brasil, um comunicado do Banco Central da China divulgado neste mês destacou o potencial de cooperação com sistemas de pagamento brasileiros. No documento, a autoridade monetária do país asiático cita o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), mecanismo hoje usado no Mercosul, mas os chineses já indicaram interesse na integração com o sistema brasileiro para facilitar transferências internacionais.

Na investigação comercial dos EUA que implicou na recomendação de tarifas de 25% sobre as exportações brasileiras, o Pix é apontado como uma política “desleal” do Brasil, que prejudica o comércio americano devido a um suposto tratamento preferencial do BC.

Segundo as autoridades americanas, a atuação do banco público como regulador do sistema financeiro e gestor do Pix cria um conflito de interesses que deixa os provedores de pagamento dos Estados Unidos em desvantagem.

Além de um incômodo das empresas de cartão e do mercado de stablecoins com o Pix, integrantes do governo brasileiro também veem um receio da Casa Branca com possíveis ligações diretas entre sistemas de pagamento em tempo real de diferentes países devido ao impacto sobre o poder do dólar no mercado global. Atualmente, a maioria das transações entre os países passa pela moeda americana.

Comunicado chinês

No comunicado publicado no site do Banco Central da China, o órgão resume as discussões do 4º encontro do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégia China-Brasil, que ocorreu em Xangai, no dia 9 de junho, e contou com a presença do presidente do BC brasileiro, Gabriel Galípolo.

O texto cita avanços nos debates sobre o uso de moeda local, investimento e financiamento bilaterais e pagamentos transfronteiriços. Dentre os assuntos abordados, o texto destaca que os representantes dos dois países discutiram o potencial do Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) e cooperação em sistemas de pagamento para o comércio bilateral.

“Ambas as partes também discutiram o potencial do SML e da cooperação em sistemas de pagamento, a fim de fornecer serviços de pagamento e compensação seguros e eficientes para o comércio bilateral”, diz o texto.

O SML é um sistema de pagamento internacional administrado pelo BC brasileiro que permite que exportadores e importadores dos países conveniados realizem operações usando suas moedas locais, sem passar por uma moeda intermediária, como o dólar, o que reduz custos.

Sistema SML

A taxa SML é responsável por fazer a conversão. Ela é a relação diária entre a taxa de câmbio de referência do real ante o dólar e a taxa de câmbio de referência divulgada pelo BC do outro país conveniado, no caso Argentina, Paraguai ou Uruguai. O BC brasileiro só atua como intermediário.

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As discussões com a China ainda são preliminares e não há definição de como seria o modelo, mas possivelmente envolveria criar um mecanismo similar ao SML que facilitasse o comércio com o Brasil. Os chineses já tem parcerias parecidas com outros países.

Integração de sistemas

Além do SML, o governo chinês já manifestou em outras oportunidades o interesse em fazer a integração dos seus sistemas de pagamento instantâneo com o Pix. A demanda, contudo, não é exclusiva de Pequim e há conversas também com outras jurisdições, em um contexto de discussão global sobre a redução de custos em transações internacionais.

O BC brasileiro reconhece a importância do debate, mas o assunto não é considerado prioridade em um momento em que o regulador está focado na pauta de segurança e sofre com a redução do orçamento e do quadro de funcionários.

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Fazer uma conexão internacional de sistemas não é trivial e demanda, antes de tudo, uma discussão de governança, mas também esforços de desenvolvimento de negócio e de tecnologia. No caso da governança, teria de definir como seria feita a troca de moeda, se passaria pelo dólar, como no caso do SML, ou não.



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Analfabetismo no Brasil cai abaixo de 5% pela primeira vez, diz IBGE


Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo no Brasil ficou abaixo de 5%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua: Educação, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, o país tinha em 2025 cerca de 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever um bilhete simples — o equivalente a 4,9% da população nessa faixa etária.

Em 2016, primeiro ano da Pnad Educação, a taxa era de 10,6%. Em nove anos, portanto, o índice caiu pela metade. Apesar da melhora gradual nos indicadores educacionais, o país não conseguiu cumprir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024. Hoje, a maior parte dos analfabetos tem 60 anos ou mais, é negra e vive nas regiões Norte e Nordeste.

O analfabetismo segue fortemente associado à idade. A maior parte das pessoas que não sabem ler nem escrever no Brasil — 4,8 milhões, o equivalente a 58% do total — tem 60 anos ou mais. Desconsiderando esse grupo, a taxa de analfabetismo entre a população de 15 a 59 anos cai para 2,6%.

Segundo técnicos do IBGE, essa diferença mostra, de um lado, a falta de políticas de alfabetização voltadas para adultos e idosos e, de outro, o maior acesso das novas gerações à escolarização e à alfabetização ainda na infância.

O recorte por cor ou raça também evidencia a persistência das desigualdades educacionais, embora haja uma tendência de redução ao longo do tempo.

Entre os brancos, a taxa de analfabetismo é de 2,8%. Já entre pretos e pardos, chega a 6,5%. A diferença fica ainda mais acentuada entre os idosos: entre negros com 60 anos ou mais, a taxa é de 20,6%, ante 7,3% entre os brancos da mesma faixa etária. Segundo o IBGE, trata-se de “um legado estrutural de exclusão educacional”.

As desigualdades regionais também seguem marcantes. O Nordeste e o Norte registraram as maiores taxas de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais: 10,6% e 5,7%, respectivamente. Na outra ponta, os menores índices foram observados no Sudeste (2,8%) e no Sul (2,7%). O Centro-Oeste registrou taxa de 3,3%.

A pesquisa aponta ainda uma diferença por sexo, em linha com a tendência de maior avanço educacional entre as mulheres. A taxa de analfabetismo é de 4,6% entre as mulheres e de 5,2% entre os homens.

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Brasil cai sete posições e fica em 65º em ranking de competitividade de 70 países


O Brasil caiu sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026 e passou a ocupar a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, na pior marca já registrada pelo país em anos recentes pelo levantamento, elborado há 38 anos pelo IMD World Competitiveness Center (WCC), em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC).

O recuo apaga o avanço de 2025, quando o país havia alcançado a 58ª posição, sua melhor marca desde 2020. O estudo mede a capacidade das economias de criar e sustentar um ambiente favorável ao desempenho das empresas, sejam elas privadas ou estatais.

A metodologia combina dados estatísticos internacionais com a percepção de executivos sobre o ambiente de negócios de cada país, somando 341 indicadores. No Brasil, a apuração é feita em parceria com o Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC, sediada em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A colocação representa a pior posição absoluta já ocupada pelo Brasil no ranking, superando os pisos anteriores de 62º, registrado em 2024, e de 61º, em 2017. Ao longo da última década, o país havia oscilado em uma faixa entre a 56ª e a 62ª posição, sem nunca cair abaixo desse intervalo.

Leia também: Move Brasil libera hoje crédito para motoristas de app e taxi: vendas devem subir 15%

Em termos relativos, o Brasil aparece como o sexto pior colocado em 2026, à frente apenas de Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela, situação parecida com a de outros anos em que o país rondou o fundo da tabela. O número de economias avaliadas cresceu de 61 países em 2015 para 70 nesta edição.

O país apresentou deterioração em todas as dimensões avaliadas, distribuídas nos quatro grandes pilares do estudo, que são desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. A maior queda veio da eficiência dos negócios, que perdeu 11 posições, enquanto o desempenho econômico recuou seis colocações.

Mesmo com a perda, o desempenho econômico segue como o melhor pilar brasileiro, na 36ª posição. Já a eficiência governamental manteve a trajetória de deterioração observada desde 2022, e a infraestrutura também piorou no comparativo anual.

Custo de capital e educação na lanterna

Entre os pontos mais críticos, o Brasil aparece na última posição global em indicadores como custo de capital, educação básica, endividamento corporativo e produtividade da força de trabalho. No caso do custo de capital, o estudo associa o resultado aos juros elevados, que encarecem decisões de investimento e reduzem a previsibilidade financeira dos projetos, com impacto direto sobre a formação de capital de longo prazo.

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Leia também: Neo: Copom muda regras do jogo para cortar juro e gera ruído no mercado

A qualificação da mão de obra é apontada como um dos principais gargalos, já que o país também figura entre os piores colocados em educação e competências financeiras.

Apesar do recuo geral, alguns indicadores colocam o país entre os mais bem avaliados do mundo. A capacidade de gerar empregos no longo prazo aparece como o principal ponto forte, na quinta colocação. Também figuram entre os melhores resultados os subsídios governamentais e a participação de energias renováveis na matriz energética, ambos em quinto lugar, além do fluxo de investimento direto estrangeiro, em sétimo, e da atividade empreendedora em estágio inicial, em oitavo.

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Singapura assume a liderança

No topo da classificação, Singapura assumiu a liderança após ocupar o segundo lugar em 2025, impulsionada pelo ambiente favorável aos negócios e pela solidez de suas instituições. O país asiático é seguido por Hong Kong, Suíça e Taiwan, enquanto os Emirados Árabes Unidos aparecem em quinto e registram o melhor desempenho em performance econômica entre as 70 economias. Dinamarca, Países Baixos e Suécia completam a presença europeia no grupo dos dez primeiros. Na outra ponta, fecham a lista Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.



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BC do Japão alerta para risco de inflação e sinaliza intenção de aumentar juros


TÓQUIO, 19 Jun (Reuters) – O ⁠vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo ⁠Himino, afirmou nesta sexta-feira que a inflação pode ultrapassar a ‌meta de 2% do banco central e alertou para os riscos de se demorar demais a aumentar a taxa de ‌juros, sinalizando determinação em continuar elevando os custos dos empréstimos.

As declarações reforçam as expectativas do mercado de que o Banco do Japão elevará a taxa de juros novamente este ano, após alta na terça feira para 1%, maior nível em 31 anos, já ⁠que ‌o aumento dos custos das importações devido ao iene fraco ⁠e do petróleo com o conflito no Oriente Médio agravam a pressão sobre os preços.

A ata da reunião de abril do banco central mostrou que alguns dos nove membros da diretoria viam margem para acelerar o ritmo dos aumentos ​de juros, com um deles defendendo alta a cada poucos meses — um sinal de crescente preocupação com o risco ​de inflação.

A inflação no atacado está acelerando a um ritmo um tanto rápido conforme as empresas repassam os custos crescentes decorrentes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, o que pode levar a aumentos de preços mais ‌generalizados, disse Himino.

“Existe a possibilidade de que ​a inflação subjacente se desvie para acima de nossa meta de 2%. Um atraso na resposta poderia levar à concretização desses riscos, o que pode prejudicar ⁠a economia”, disse Himino ​ao Parlamento.

O banco ​central precisará considerar o aumento dos juros caso choques de oferta levem avanços ⁠generalizados de preços e haja risco ​de afetar a inflação subjacente, disse Himino.

“Há também um aspecto impulsionado pela demanda nos recentes aumentos de preços”, com lucros corporativos robustos, ganhos ​salariais estáveis e uma demanda global vigorosa relacionada à IA sustentando o crescimento, disse ele. “Analisaremos se esses movimentos ​se ampliarão.”

Questionado sobre ⁠a fraqueza do iene, Himino disse que o banco central está acompanhando de perto ⁠a movimentação da moeda, já que ela está entre os principais fatores que afetam a economia e a inflação.

A diretoria do Banco do Japão se reunirá novamente para uma reunião de política monetária em julho, quando também apresentará novas previsões trimestrais de crescimento e ​preços.

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Austrália é alvo de tarifa chinesa de 55% para carne bovina – Brasil pode ser próximo


(Bloomberg) – As exportações de carne bovina da Austrália para a China enfrentarão uma tarifa adicional de 55% a partir deste fim de semana, após atingirem o limite da cota anual estabelecida por Pequim; isso pode afetar os fluxos comerciais e levar os produtores a buscar novos mercados para a carne vermelha.

Em dezembro, o governo chinês impôs uma cota de 205 mil toneladas às importações de carne bovina da Austrália, como parte de uma série de restrições comerciais aplicadas aos principais países produtores de carne vermelha — incluindo Brasil e Argentina — em um esforço para proteger os pecuaristas locais.

Os embarques atingiram esse patamar na quinta-feira – antes mesmo da metade do ano – e a tarifa adicional, que se somará aos impostos já existentes, entrará em vigor em 20 de junho, informou o Ministério do Comércio da China em comunicado na sexta-feira.

As exportações de carne bovina australiana para a China têm crescido de forma constante nos últimos anos, ultrapassando 300 mil toneladas em 2025 e atingindo o maior nível em seis anos. Esse aumento foi impulsionado tanto pelo consumo crescente na China quanto pela forte produção na Austrália, que alcançou um recorde em 2025. A China é a maior importadora de carne bovina do mundo.

O governo australiano tem pressionado Pequim para suspender a cota, mas não há sinais claros de que o limite será removido. Produtores de carne bovina e analistas comerciais da Austrália mostram-se cautelosamente otimistas quanto à possibilidade de encontrar novos mercados para as exportações, visto que o rebanho dos EUA está em seu menor nível em décadas e a demanda por carne vermelha permanece forte em toda a Ásia.

O Brasil também pode atingir sua cota de embarques para a China antes da metade do ano, conforme noticiou a Bloomberg no mês passado.

© 2026 Bloomberg L.P.



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BC amplia abertura de contas em moeda estrangeira para empresas


O Banco Central editou uma resolução, publicada nesta quinta-feira (18) no Correio BC, que amplia as possibilidades de abertura e movimentação de contas de depósito em moeda estrangeira no país. Segundo a autoridade monetária, o objetivo é “modernizar o mercado de câmbio, aumentar a eficiência das operações internacionais e reduzir custos para empresas que realizam operações no mercado internacional”.

O BC esclareceu que a nova norma, que entra em vigor em 1º de outubro deste ano, não altera as regras que restringem o uso de moeda estrangeira para pagamentos no país nem interfere na formação da taxa de câmbio.

Pelas regras atuais, essas contas já podem ser usadas por determinados agentes econômicos, como instituições financeiras, embaixadas, seguradoras e empresas de alguns setores específicos. A nova medida, segundo o BC, amplia esse rol e inclui novas categorias de titulares.

Poderão ter contas em moeda estrangeira no país pessoas jurídicas exportadoras de bens, empresas com dívidas externas, sociedades com participação estrangeira no capital e entidades não residentes que realizem operações de crédito externo ou investimento direto no Brasil. “A ampliação busca acompanhar a crescente integração da economia brasileira ao ambiente internacional e a evolução do mercado financeiro”, afirmou o BC.

A norma estabelece condições específicas para o uso dessas novas modalidades de conta, com o objetivo de garantir segurança e gestão adequada de risco. Entre as exigências está a proibição de saques e depósitos em espécie. No caso dos exportadores, os valores creditados deverão ter origem em receitas de exportação ou em transferências do exterior. Já nas operações relacionadas a crédito externo e investimento estrangeiro, o BC exigirá a comprovação das operações e o cumprimento das regras de capitais internacionais.

O Banco Central informou ainda que a medida prevê a dispensa de operação de câmbio para transferências de moeda estrangeira entre contas em moeda estrangeira nos casos já previstos na regulamentação atual. A expectativa é que isso simplifique as operações e reduza custos para os titulares.

Segundo o BC, a ampliação das contas em moeda estrangeira deve trazer benefícios para as empresas com atuação internacional, como melhora na gestão de recursos, redução da exposição cambial e ganho de competitividade. A autoridade monetária também afirmou que a medida pode atrair para o sistema financeiro nacional serviços hoje prestados no exterior.

O BC ressaltou ainda que continuam valendo todas as exigências ligadas à prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. “O BC seguirá monitorando o mercado e coletando informações necessárias para a produção de estatísticas macroeconômicas e para o cumprimento de compromissos internacionais do país”, disse a nota.



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Copom muda regras do jogo para cortar juro e gera ruído no mercado


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, não surpreendeu o mercado. Mas a comunicação adotada pela autoridade não foi bem recebida: na curva de juros, os prefixados ampliaram o fosso para a taxa básica, e o juro do papel de inflação subiu ao maior nível da série.

Para Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, a explicação passa pela citação, no comunicado, do primeiro trimestre de 2028 como justificativa para cortar a Selic, que adicionou um ruído desnecessário ao processo, quebrando a coerência histórica do modelo utilizado pelo Banco Central, e aparentando que o BC quis mudar as regras do jogo.

“Deu a impressão de que [o Copom] teve que lançar mão de uma modificação no arcabouço com o qual ele trabalha para poder cortar o juro”, avalia Sobral em entrevista ao InfoMoney.

Leia também: Comunicado do Copom traz sinais de que fim – do ciclo de cortes – está próximo

O trecho que causou incômodo cita que “o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.” Para quem acompanha os comunicados à risca, citar um período fora da análise atual abre espaço para interpretações.

Tradicionalmente, o BC projeta seis trimestres à frente, o que culminaria no quarto trimestre de 2027. Ao estender o horizonte para o início de 2028, o Copom passou a impressão de estar “arrumando subterfúgios para cortar o juro num cenário que ele devia estar parado”, avalia Sobral.

Para ele, a “escolha infeliz” do ponto de vista reputacional obrigará a instituição a passar os próximos meses se explicando ao mercado. “Ele poderia acomodar a decisão desde que mantivesse a coerência com o discurso anterior”, afirma.

Foco na eleição: O fator “Lula 4”

Para o mercado, o conflito no Oriente Médio já é assunto resolvido, com o petróleo tendo passado do pico inicial, afirma Sobral. Ele aponta que, desde que o cenário eleitoral se consolidou com o favoritismo de Lula para um quarto mandato, o mercado mudou de postura, com o real apresentando desempenho inferior ao de outras moedas.

O mercado opera agora com a expectativa de que o Banco Central terá que interromper o ciclo de cortes na reunião de agosto devido à piora nas expectativas de inflação e à percepção de leniência da autoridade monetária frente ao cenário político.

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Sobral argumenta que o Brasil não sustenta mais quatro anos com juros reais em patamares tão elevados, em torno de 10%, o que acelera o crescimento da dívida pública mesmo com esforço no resultado primário. O receio é que, após a eleição, o governo tenha que escolher entre um ajuste fiscal rigoroso ou uma guinada para políticas heterodoxas, semelhantes às adotadas na Turquia, o que aumentaria a desconfiança dos investidores.

Economia real: dualidade e custo do capital

Na economia real, há uma dualidade: setores ultraprodutivos de commodities e agro, muitas vezes subsidiados, sobrevivem bem, enquanto o restante da indústria sofre com o custo do capital. Isso faz com que a economia avance em “múltiplas velocidades”, dependendo da conexão dos setores com o governo.

“Se o próximo governo for parecido com este, em que o fiscal for frouxo e tudo ficar nas costas do Copom, o Banco Central provavelmente vai aumentar o juro”, afirma Sobral.

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O alto custo de crédito e a energia cara são apontados como entraves severos para o investimento, especialmente na indústria de transformação. “O Brasil tem essa eterna promessa da energia barata, mas que não se materializa. O arcabouço jurídico é inseguro, a energia é cara, você está longe do centro consumidor”, analisa Sobral.



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Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caem 4 mil na semana, a 226 mil


O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caiu quatro mil na semana encerrada em 13 de junho, para 226 mil, segundo pesquisa divulgada pelo Departamento do Trabalho nesta quinta-feira, 18. O resultado ficou marginalmente acima da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam queda para 225 mil solicitações.

O total de pedidos da semana anterior foi revisado para cima, de 229 mil para 230 mil.

Já o total de pedidos continuados mostrou acréscimo de 24 mil na semana encerrada em 6 de junho, para 1,810 milhão, superando a projeção de 1,789 milhão da FactSet. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.



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Banco da Inglaterra vota por 7 a 2 pela manutenção dos juros em 3,75%


LONDRES, 18 Jun (Reuters) – ⁠O Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros em ⁠3,75% nesta quinta-feira, como vem fazendo desde o início da guerra entre os Estados ‌Unidos e o Irã, considerando que seria prematuro aumentar os juros neste momento dada a incerteza quanto à intensidade das crescentes pressões inflacionárias.

O Comitê de Política Monetária do banco central ‌britânico votou por 7 a 2 pela manutenção dos juros, em linha com as expectativas dos economistas em uma pesquisa da Reuters, depois que Megan Greene se juntou ao economista-chefe Huw Pill na defesa de um aumento de 0,25 ponto percentual.

No entanto, a maioria dos demais membros do comitê não pareceu muito mais inclinada a aumentar os juros, mantendo-se fiel ao que o ⁠presidente ‌Andrew Bailey chamou de “manutenção ativa” — que ele considera um aperto monetário efetivo em comparação com ⁠as expectativas do mercado de cortes antes do conflito no Oriente Médio.

A abordagem do Banco da Inglaterra contrasta com as do Banco Central Europeu e do Banco do Japão — que elevaram as taxas de juros na semana passada — e com as projeções do Federal Reserve após sua primeira reunião sob o comando do novo chair, Kevin ​Warsh. O banco centra dos EUA indicou que as autoridades esperam alta dos juros ainda este ano.

Antes da reunião do Banco da Inglaterra, uma trégua provisória entre os Estados Unidos ​e o Irã promete reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir os preços do petróleo.

No entanto, o banco central afirmou que ainda é cedo para declarar que a ameaça de inflação tenha passado.

“Aconteça o que acontecer no futuro, os preços mais altos da energia nos últimos quatro meses significam que já há alguma pressão inflacionária a caminho”, disse Bailey em ‌comunicado divulgado junto com a decisão de quinta-feira.

O banco central ​prevê que a inflação subirá para mais de 3,25% no último trimestre deste ano, ante 2,8% em maio, embora esse aumento seja menor do que o previsto em abril — de 3,6% a 3,7% — em dois de seus ⁠três principais cenários.

O banco central também ​se mostrou ligeiramente mais otimista ​em relação ao crescimento, estimando que a economia esteja se expandindo a uma taxa subjacente de 0,2% por trimestre, ⁠acima do 0,1% de seu último conjunto de ​previsões, apesar de uma pequena queda na produção em abril.

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Tanto Pill quanto Greene afirmaram que um aumento da taxa de juros agora é necessário para conter as expectativas das famílias em relação à inflação futura, ​que estão em seu nível mais alto desde pelo menos 2009, segundo uma pesquisa trimestral do Banco da Inglaterra, embora estejam diminuindo em uma pesquisa ​mensal mais frequente.

A inflação ultrapassou ⁠a meta de 2% do banco central durante a maior parte dos últimos cinco anos devido a uma série de choques ⁠de alta desde a pandemia da Covid-19, com destaque para a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que elevou a inflação britânica para mais de 11%.

“Um aumento proativo da taxa básica de juros neste momento deve ajudar a ancorar as expectativas de inflação”, disse Greene.

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O aumento do custo de vida tem sido um fator decisivo por trás da insatisfação de muitos britânicos com os ​políticos.



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