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Federal Reserve mantém juros em primeira reunião comandada por Kevin Warsh







O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decidiu manter o patamar da taxa básica de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75% em decisão nesta quarta-feira (17).

A decisão do Fomc (Federal Open Market Committee) foi a primeira comandada por Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve, e veio em linha com as expectativas do mercado. No comunicado que acompanha a decisão, a instituição afirmou que a inflação segue elevada em relação a meta de 2%, refletindo choques de oferta causada pela alta de preços em alguns setores.

No comunicado, foram retirados alguns trechos importantes que indicavam viés para cortes futuros, mesmo com a manutenção da taxa no intervalo atual.

Menos um no “plot dot”

As projeções para jutos e e economia no geral foram apresentadas pelo gráfico “plot dot”, que traz as indicações dos participantes para as projeções. Uma nota anexada ao material monstrou que 18 dos 19 participantes enviaram suas projeções. Devido ao anonimato do envio, não é possível saber qual autoridade deixou de contribuir com o gráfico.

O gráfico indicou uma projeção mediana para a taxa dos Fed funds de 3,8% no fim do ano — cerca de 0,16 ponto percentual acima do nível atual, sugerindo que uma alta está claramente em consideração. Eles continuaram projetando uma taxa de longo prazo de 3,1%.

De acordo com a CNBC, há suspeitas de que o próprio Warsh não tenha enviado suas projeções, por já ter se apresentado contrário ao Sumário de Projeções Econômicas. Há expectativas, inclusive, de que o chair interrompa a divulgação do instrumento. s

Warsh tem sido crítico dessa ferramenta de projeções, assim como de outras formas de guidance antecipado do comitê, incluindo projeções sobre desemprego, inflação e Produto Interno Bruto no SEP.

Além da decisão sobre os juros, que já era amplamente esperada pelos mercados financeiros, o comunicado do FOMC após a reunião não apenas retirou a linguagem anterior vista como um aceno para um viés mais brando no futuro, como também enxugou fortemente o restante do texto.

Comunicado mais curto

O comunicado foi drasticamente encurtado, como esperado. Com dados recentes indicando forte criação de empregos nos EUA, uma taxa de desemprego relativamente baixa de 4,3% e inflação bem acima da meta de 2% do banco central norte-americano, muitos analistas previam que o Fed retirasse de seu comunicado a menção a “ajustes adicionais” à taxa básica de juros — uma referência que vinha sendo usada para indicar prováveis reduções futuras nos custos dos empréstimos.

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O comunicado desta semana teve apenas 130 palavras, ante 341 palavras no texto de 29 de abril, divulgado após a reunião anterior. O texto trouxe apenas um breve resumo das condições econômicas, seguido por uma promessa de controlar a inflação.

Confira comunicado na íntegra:

O Comitê decidiu manter a faixa-alvo para a taxa dos federal funds em 3,5% a 3,75%, em apoio ao duplo mandato do Federal Reserve. O Comitê reafirmou sua política de manter reservas abundantes no sistema bancário.

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A atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza, que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio. O crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco.

A inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo em parte choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo energia. O Comitê entregará estabilidade de preços.



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Comunicado do Copom traz sinais de que fim – do ciclo de cortes – está próximo


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, a 14,25%, já era esperada pelo mercado, apesar de não ser unanimidade. O comunicado que embasa a decisão era o que estava sendo mais esperado, e ele deixou em aberto se haverá mais cortes à frente ou se já é hora de uma pausa na próxima reunião, marcada para 4 e 5 de agosto.

No texto, a autoridade reconheceu o impacto dos juros altos na economia e a incerteza frente à inflação, considerando o cenário doméstico e global. Neste contexto, o Copom buscou equilibrar a convergência dos preços sem comprometer excessivamente o crescimento, optando pelo corte ao invés da manutenção.

Leia também: Brasil tem maior juro real do mundo com Selic em 14,25%

Risco de inflação ameaça novos cortes da Selic

Em seu comunicado, o Copom afirma que o ambiente externo permanece incerto porque ainda há indefinição nos termos para o acordo de fim do conflito no Oriente Médio. Diz, também, que as consequências do conflito já estão materializadas, exigindo cautela dos países emergentes devido à “elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.

No ambiente doméstico, a autoridade monetária aponta aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, e o mercado de trabalho com sinais de resiliência, além da inflação cheia e medidas subjacentes acelerando e se distanciando da meta da inflação. 

“O conjunto de indicadores da nossa atividade doméstica mostrou que, apesar da aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, existe sim uma pressão inflacionária que pesa o balanço de risco de forma bastante forte, principalmente agora com a inflação de maio”, avalia Bruna Centeno, economista e sócia da Blue3 Investimentos. 

No texto do comunicado, a autoridade cita que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual”, e cita que as expectativas de inflação para o atual horizonte relevante (quarto trimestre de 2027) é de 3,7%.

Projeção da Selic: Analistas avaliam pausa

A redução de 0,25 ponto percentual pode ser a última deste ciclo de calibração, caso o cenário macroeconômico não mostre sinais de que a inflação será domada. 

Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que, embora o modelo do Banco Central aponte inflação de 3,7% no horizonte relevante atual, o comunicado enfatiza a incerteza ao redor dessas projeções e afirma explicitamente que há múltiplas trajetórias de juros possíveis para garantir a convergência. Além disso, Costa cita que o comunicado introduz a mudança de horizonte para o primeiro trimestre de 2028 na próxima reunião, indicando que “trajetórias alternativas podem levar à convergência com menor custo em termos de atividade”.

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Para José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos, a piora nas projeções de inflação e a preocupação do comitê com efeitos de fenômenos climáticos, como o El Niño, apontam para o fim do afrouxamento monetário. 

Carlos Lopes, economista do Banco BV, avalia que a Selic deverá pausar em 14,25% até o fim do ano, diante da piora no balanço de riscos. Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, segue a mesma avaliação e vê aumento da probabilidade de manutenção da Selic em agosto.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, reforça essa visão cautelosa, avaliando que o juro real segue acima de 9% ao ano, o que dá gás para manter a política monetária fortemente contracionista. “A leitura, assim, é de corte com viés de encerramento, e não a porta aberta para uma sequência”, afirma Trevisan. 

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Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avalia que o comunicado mostrou serenidade e cautela do comitê, sem sinalizar direção para agosto. “Com projeções de inflação deterioradas, atividade acima do esperado e expectativas desancoradas, o BC deixa claro que os próximos passos dependem da evolução dos dados, elevando a barra para novas reduções”.

Camilo Cavalcanti gestor de portfólio da Oby C, também avalia que a próxima decisão do Copom está “totalmente em aberto”, e o mercado tende a precificar a chance de que o ciclo seja pausado em breve.

Por outro lado, o setor produtivo reagiu com forte insatisfação. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão do Copom como “insuficiente e incapaz” de reverter a estagnação dos investimentos. A entidade calcula que a Selic a 14,25% está 3,1 pontos percentuais acima do patamar de equilíbrio (11,1%), que garantiria o pleno emprego e o controle inflacionário.

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“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai inviabilizar os planos de produção e expansão da indústria”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, vê espaço para mais cortes, dado o alto grau de aperto nos juros. 

Juros nos EUA impactam o corte da Selic no Brasil

O cenário macroeconômico internacional adiciona pressão sobre as decisões do Banco Central, limitando movimentos mais agressivos. A decisão do Copom ocorreu logo após o Federal Reserve (Fed) anunciar a manutenção da taxa de juros dos Estados Unidos no patamar restritivo de 3,50% a 3,75%. Alexandre Pletes, Head de Renda Variável da Faz Capital, destaca que a autoridade monetária americana adotou um tom duro, indicando que a inflação pode permanecer elevada por mais tempo e não descartando novas altas ainda neste ano. 

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Essa postura conservadora do Fed reduz a margem de manobra do Copom. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, explica que a manutenção dos juros americanos mantém o dólar sob pressão e o investidor global avesso a riscos, o que influencia diretamente o fluxo estrangeiro e o câmbio no Brasil, que estavam atuando como um amortecedor da inflação.

Projeção para as próximas reuniões

Para os próximos encontros do Comitê, o mercado projeta um cenário estritamente dependente de dados e fortemente influenciado pela geopolítica. Um vetor que abre espaço para otimismo é o avanço diplomático no Oriente Médio. 

Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest, pontua que o acordo fechado entre Estados Unidos e Irã, que estabeleceu um cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, desenha uma combinação favorável de distensão geopolítica e queda nos preços do barril de petróleo. Com o petróleo recuando para abaixo de US$ 80, Daniel Miraglia, da Integral Group, projeta que há espaço para o Copom dar continuidade às reduções e até acelerar os cortes em setembro e dezembro. 

No entanto, as pressões domésticas exigem prudência, com a inflação de serviços resistente e projeções do Boletim Focus subindo para 5,30% em 2026. João Pedro Moreno, analista da Nexgen Capital, nota que o comunicado oficial não ofereceu garantias de novas quedas automáticas. Dessa forma, a decisão sobre a manutenção ou pausa do ciclo de cortes já na reunião de agosto continuará condicionada à sustentação do alívio nos preços das commodities e ao controle do risco fiscal brasileiro. 



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Brasil tem maior juro real do mundo com Selic em 14,25%







O Brasil voltou a ocupar a primeira posição no Ranking Mundial de Juros Reais, elaborado pela Money You e Lev Intelligence. Segundo o levantamento, a taxa real atingiu 9,67% ao ano, mesmo com o corte de 25 pontos-base na Selic, que está em 14,25%. 

A liderança isola o mercado brasileiro de outras economias emergentes, superando a Rússia, que marca 9,31%, a Turquia, com 5,57%, e o México, com 5,10%. 

Caso o Banco Central optasse pela manutenção da Selic em 14,5%, o juro real do Brasil seria de 10,09%. Se cortasse em 0,50 ponto percentual, o juro real iria para 9,36%.

O documento aponta que as tensões entre Irã e Estados Unidos reconfiguraram as posições do ranking ao pressionarem as projeções de inflação global para os próximos doze meses. 

Segundo a análise, o acordo de paz pode atenuar os impactos, mas as perspectivas inflacionárias atuais foram majoritariamente revisadas para cima na maior parte das nações listadas, “criando uma série significativa de juros reais mais baixos e negativos, em meio ao cenário adverso”.

Ranking dos juros reais
1 Brasil 9,67%
2 Rússia 9,31%
3 Turquia 5,57%
4 México 5,10%
5 África do Sul 3,74%
6 Indonésia 3,31%
7 Colômbia 3,17%
8 Hungria 3,02%
9 Polônia 2,61%
10 Chile 2,43%
11 República Tcheca 2,20%
12 Índia 2,19%
13 Austrália 1,71%
14 Israel 1,66%
15 Coréia do Sul 1,35%
16 Tailândia 1,21%
17 China 1,19%
18 Malásia 1,18%
19 Bélgica 1,11%
20 Hong Kong 0,94%
21 França 0,90%
22 Cingapura 0,82%
23 Itália 0,79%
24 Suécia 0,74%
25 Canadá 0,68%
26 Reino Unido 0,58%
27 Espanha 0,52%
28 Alemanha 0,41%
29 Estados Unidos 0,33%
30 Dinamarca 0,31%
31 Portugal 0,31%
32 Áustria 0,22%
33 Grécia 0,15%
34 Holanda 0,13%
35 Nova Zelândia -0,10%
36 Taiwan -0,15%
37 Filipinas -0,19%
38 Suíça -0,36%
39 Argentina -1,05%
40 Japão -1,75%
Fonte: Money You e Lev Intelligence

Para chegar ao índice de 9,67%, o cálculo elaborado pelo economista-chefe Jason Vieira desconta a inflação projetada para os próximos doze meses. A estimativa utilizada foi de 4,31%, extraída do relatório Focus do Banco Central do Brasil, aplicada sobre a taxa DI com vencimento mais líquido para o período, em junho de 2027. 

Brasil fica em 4º lugar em ranking de juro sem descontar a inflação

Sem descontar a inflação, no ranking nominal, o Brasil tem a 4º maior taxa básica de juros. O país fica atrás da Turquia, com 37%, seguida por Argentina, com 29%, e Rússia, com 14,50%.

O levantamento mapeou a política monetária de 164 países, revelando que 72,56% das autoridades mantiveram seus juros inalterados, enquanto 21,34% elevaram as taxas e apenas 6,10% realizaram cortes em suas últimas reuniões. 

No recorte focado exclusivamente nas 40 principais economias que compõem o ranking primário, 62,50% optaram pela manutenção, 27,50% promoveram elevações e estritos 10,00% afrouxaram suas diretrizes com cortes. 



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BC corta Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (29) cortar a Selic, taxa básica de juro, em 0,25 ponto percentual (p.p.) para 14,25% ao ano, em sua quarta reunião de 2026. Foi a terceira queda seguida da taxa e a decisão foi unânime.

O Copom iniciou um ciclo de afrouxamento monetário moderado em março, após manter a Selic em 15% durante o segundo semestre de 2025.

A decisão foi em linha com o esperado, uma vez que a aposta majoritária do mercado era de que o Comitê reduzisse a Selic em 0,25 ponto percentual.

Na reunião anterior, em abril, por unanimidade, o Copom cortou os juros em 0,25 ponto percentual, sendo na ocasião a segunda vez seguida que o comitê reduziu os juros, mas o corte ocorreu em ritmo menor. Como justificativa, foram apontadas as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado.

Veja abaixo o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central após reunião de política monetária:

O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,7% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

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O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.

O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

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Na avaliação do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual. Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.

Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.

O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.

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No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.



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Nos próximos 3 anos, Infra S.A vai se tornar independente do Tesouro, diz ministro


O ministro dos Transportes, George Santoro, disse nesta quarta-feira, 17, que há um compromisso de tornar a Infra S.A uma empresa pública não dependente do Tesouro Nacional nos próximos três anos.

“É um combinado que fizemos com a Diretoria, com o Conselho de Administração, com a governança e membros independentes do Conselho de Administração. A Infra vai conseguir ter receita própria suficiente para cumprir suas despesas”, declarou.

Ele falou do tema durante a Bienal das Rodovias 2026, evento realizado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) entre esta quarta-feira e a quinta-feira, em Brasília (DF).

A empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes trabalha na operação e expansão da malha ferroviária federal e desenvolve projetos de estruturação para concessões rodoviárias.

“A Infra S.A está passando por um grande processo de transformação. Quando entramos no governo, havia um patrimônio líquido negativo. Tinha alguns bilhões negativos. Em uma empresa privada, isso seria falência. Esse ano, a Infra virou o balanço. Pela primeira vez nos últimos anos houve patrimônio líquido positivo”, declarou o ministro.

Segundo o Ministério dos Transportes, a Infra S.A é uma das três maiores estruturadoras de projetos de infraestrutura no mundo, só ficando atrás do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento da Ásia. Um decreto do governo federal, de 2025, criou regras para que empresas estatais dependentes ampliem fontes próprias de financiamento.

A perspectiva é que estatais hoje dependentes do Tesouro Nacional conquistem autossuficiência financeira e sejam custeadas unicamente com recursos da sua própria operação, sem necessidade de repasse de recursos públicos.



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Fed mantém juros, mas tom duro e revisão da inflação elevam cautela no mercado


A decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% veio em linha com o esperado, mas o conjunto da comunicação, com novas projeções econômicas e mudança de tom, foi interpretado como mais duro (hawkish) do que o antecipado pelos investidores.

O destaque ficou com a revisão altista da inflação. Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), os preços seguem acima da meta de 2% e devem permanecer pressionados por mais tempo, refletindo, entre outros fatores, choques de oferta no setor de energia. A projeção para o índice cheio saltou para 3,6% neste ano, ante 2,7% anteriormente, enquanto o núcleo avançou de 2,7% para 3,3%.

A decisão de manter os juros foi unânime, mas o chamado “dot plot” revelou um comitê dividido sobre os próximos passos: metade dos dirigentes prevê ao menos uma alta adicional até o fim de 2026, enquanto a outra metade aposta na manutenção das taxas. Para 2027, também há expectativa relevante de elevação em relação ao patamar atual.

Na leitura de Andressa Durão, economista do ASA, a combinação de manutenção da taxa com projeções mais restritivas reforça o caráter hawkish da decisão. “A mediana das projeções veio indicando uma alta este ano, enquanto as estimativas de inflação foram significativamente revisadas para cima e permanecem acima da meta até 2028”, afirma.

“O comitê surpreendeu com um tom mais duro, tanto no comunicado quanto nas projeções”, reforça Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, que destaca que o comunicado trouxe ênfase clara no compromisso com a estabilidade de preços.

Os mercados reagiram imediatamente, com o dólar e os juros dos Treasuries avançando na sequência, e impactando na Bolsa brasileira. “As novas projeções indicam juros mais elevados por mais tempo, o que aumenta a atratividade dos ativos americanos e pressiona moedas emergentes”, explica Leonel Oliveira Matos, da Stonex. O dólar voltou a operar acima de R$ 5, e o índice DXY superou os 100 pontos.

Mudanças na comunicação

Além do conteúdo econômico, a reunião marcou mudanças relevantes na comunicação institucional do Fed sob Kevin Warsh. Em sua primeira decisão à frente do banco central americano, o novo presidente adotou um comunicado mais curto e simplificado, sem indicações explícitas sobre os próximos passos da política monetária.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que a ausência de indicações futuras foi deliberada. “Warsh entende que esse instrumento não é adequado para o momento atual”, afirma. O presidente também optou por não divulgar suas próprias projeções de juros, postura coerente com convicções de longa data sobre comunicação colegiada e, possivelmente, uma forma de evitar ruídos com a Casa Branca.

Warsh também anunciou a criação de cinco forças-tarefa independentes para revisar aspectos centrais da atuação do Fed: comunicação, uso de dados, mercado de trabalho, produtividade e o regime de metas de inflação. As propostas podem alterar o formato do Sumário de Projeções Econômicas, redesenhando indicadores como o dot plot.

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“O comitê deixou claro que a inflação deve permanecer acima do desejado por mais tempo, o que exige uma política monetária mais restritiva”, afirma Camilo Cavalcanti, gestor da Oby Capital.

Apesar do tom restritivo, Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da Stratton Capital, aponta um contraponto a ser monitorado: com o conflito no Oriente Médio dando sinais de arrefecimento, um dos principais vetores de pressão inflacionária pode perder força nas próximas reuniões. Segundo Flores, o arrefecimento do conflito pode remover esse vetor de pressão já na próxima reunião do Fed, prevista para daqui a cerca de um mês e meio. “Isso pode tirar pressão inflacionária e gerar alguma surpresa à frente”, afirma.

Para os mercados emergentes, incluindo o Brasil, o recado segue desafiador: juros elevados nos Estados Unidos tendem a reduzir o fluxo de capital e pressionar ativos locais, além de reforçar a valorização do dólar.

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Quase metade das autoridades monetárias do Fed prevê aumento de juros em 2026


17 Jun (Reuters) – Quase metade dos formuladores de política monetária do Federal Reserve perdeu a confiança de que simplesmente manter os custos dos empréstimos estáveis será suficiente para reduzir a inflação de volta à meta de 2%, diante do aumento do preço do petróleo após a guerra no Irã.

Nove dos 19 membros do comitê de política monetária do banco central dos EUA acreditam agora que será necessário aumentar a taxa básica de juros do Fed ainda este ano, de acordo com projeções publicadas nesta quarta-feira, quando o Fed anunciou sua decisão de manter a taxa básica na faixa atual de 3,50% a 3,75%. Nenhum deles compartilhava dessa opinião há apenas três meses, quando o Fed publicou suas últimas projeções.

Seis desses nove, ou quase um terço do comitê, acreditam que será necessário mais de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa este ano, mostram as projeções.

Oito acreditam que as taxas devem permanecer inalteradas, e apenas um considerou que um único corte nas taxas seria adequado. Um membro do comitê, cujo nome não foi divulgado, não apresentou sua visão sobre a trajetória dos juros.

Essas visões, refletidas no chamado “gráfico de pontos” do Fed — que representa as visões individuais dos formuladores de política monetária sobre a trajetória das taxas de juros –, ilustram a rapidez com que o debate dentro do banco central mudou de um foco no tempo em que os juros deveriam ser mantidos estáveis antes de serem reduzidos para uma preocupação crescente — e, para alguns, uma convicção — de que o Fed precisará aumentar as taxas para impedir que as pressões dos preços mais altos dos combustíveis se espalhem mais amplamente para a inflação subjacente.

Isso também representa um desafio para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que foi escolhido para o cargo pelo presidente Donald Trump com a expectativa de que reduzisse as taxas de juros, uma opção que se torna menos viável à medida que o amplo apoio a tal medida vai diminuindo.

Os preços globais do petróleo caíram drasticamente desde a semana passada, quando o Irã e os EUA anunciaram um acordo para pôr fim ao conflito e restabelecer o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Mas não está claro com que rapidez o transporte marítimo e as exportações poderão se recuperar após a assinatura do acordo, especialmente considerando os danos que as instalações de energia sofreram durante os três meses de guerra.

Os formuladores de política monetária do Fed normalmente têm a opção de revisar suas projeções do “dot plot” até pouco antes da publicação; portanto, as perspectivas devem refletir os desdobramentos mais recentes no Oriente Médio.

A inflação vem se mantendo acima da meta de 2% do Fed há mais de cinco anos.

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As projeções publicadas na quarta-feira mostram que os membros do comitê se tornaram mais pessimistas em relação à inflação desde março, refletindo o forte aumento da inflação desde o início da guerra.

A inflação medida pelo índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE) é agora estimada em 3,6% até o final do ano, com base na mediana das previsões dos formuladores de política monetária. Em março, eles esperavam uma inflação do PCE de 2,7% no final do ano.

A inflação do PCE básico, que exclui os preços voláteis do petróleo e dos alimentos, deve atingir 3,3%, em comparação com os 2,7% previstos anteriormente.

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A taxa de desemprego está agora projetada em 4,3% até o final do ano, igualando o valor real registrado em maio e inferior aos 4,4% que os formuladores de política monetária esperavam em março. A previsão sugere uma confiança crescente de que o mercado de trabalho não está enfraquecendo nem precisa de apoio por meio de cortes nas taxas de juros, como alguns formuladores de política temiam no início deste ano.

O crescimento do PIB está estimado em 2,2% este ano, um resultado pior do que os 2,4% previstos em março.



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O que esperar da Era Warsh no Fed e o impacto nos juros e no Brasil


A decisão sobre os juros norte-americanos, que deve ser divulgada nesta quarta-feira (17), mobiliza a atenção do mercado global não apenas pelo patamar das taxas, mas pela estreia de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve (Fed). A expectativa é de uma mudança na condução da política monetária dos Estados Unidos: sai a dependência excessiva de dados passados, entra uma postura mais ortodoxa, atenta a sinais de mercado em tempo real e com maior rigor no controle inflacionário.

O grande desafio da “Era Warsh” será equilibrar a persistência da inflação americana com as pressões políticas da Casa Branca, além de navegar os impactos econômicos do superciclo da inteligência artificial.

Leia também: Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos

Um perfil ortodoxo e rede de influência

Warsh não é um estranho ao poder. Ex-membro do conselho do Fed, ele construiu sua credibilidade em passagens pelo mercado financeiro, atuando como sócio e assessor da Duquesne Family Office, do investidor Stanley Druckenmiller, e na academia, como pesquisador do Hoover Institution (Universidade de Stanford).

Além de sua bagagem técnica, o novo chairman transita com fluidez pelo núcleo financeiro do Partido Republicano. Nomeado por Donald Trump e confirmado pelo Senado, Warsh é casado com a herdeira Jane Lauder, filha de Ronald Lauder, um bilionário megadoador de campanhas conservadoras e aliado de longa data do presidente, com quem estudou na Wharton School.

Apesar dessa teia de conexões que pavimentou sua indicação, o mercado projeta que a sua gestão será testada no momento em que a sua visão de um Banco Central austero colidir com o histórico de Trump de exigir publicamente cortes agressivos nas taxas de juros.

Inteligência artificial e juros: a tese de Warsh

Um ponto central para entender a nova presidência é a visão de Warsh sobre a tecnologia. Gestores como Shinichiro Fukui, da Stratton Capital, empresa americana com base em Nova York, apontam que o novo presidente do Fed observa o “superciclo de inteligência artificial” como um motor de ganho de produtividade, o que poderia justificar a política de redução de juros.

Na visão de Warsh, os bilhões investidos pelas empresas de tecnologia em data centers e infraestrutura tendem a reduzir o custo unitário do trabalho e gerar ganhos massivos de eficiência, explica Fukui. Esse cenário criaria uma desinflação estrutural na economia americana, o que, no longo prazo, permitiria um patamar de juros mais baixo — sem que o Fed precise sacrificar sua ortodoxia no curto prazo.

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, as expectativas para a gestão de Warsh são de uma condução mais ortodoxa. “Embora não haja expectativa de mudanças abruptas na trajetória dos juros, investidores acreditam que sua gestão tenderia a ser menos tolerante com pressões inflacionárias persistentes e mais cautelosa na hora de iniciar ou acelerar cortes de juros”, avalia Lima. 

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Possível fim do “espelho retrovisor” e dot plot

A principal marca intelectual de Warsh, expressa em seus artigos nos últimos anos, é a dura crítica à forma como o Fed toma decisões e à expansão desenfreada de seu balanço patrimonial, diz Fukui.

Para ele, o órgão atualmente decide os juros olhando pelo “espelho retrovisor”, ou seja, ancorando-se excessivamente em modelos defasados e dados de inflação do passado. Em vez disso, ele defende a leitura de sinais de mercado em tempo real, monitorando ativos como commodities, ouro e as curvas de yields dos títulos do Tesouro.

Na prática, analistas esperam o possível fim do forward guidance (orientação futura) tradicional e do “Dot Plot”, o gráfico de pontos onde os diretores sinalizam suas previsões de juros a longo prazo. Warsh avalia que essas ferramentas engessam o Banco Central e geram ruídos desnecessários na comunicação.

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Leia também: Primeira coletiva de imprensa de Warsh no Fed pode revelar estratégia para inflação

Impacto no Brasil: dólar forte e pressão na Selic

Para o Brasil e outros mercados emergentes, essa mudança de estilo impõe desafios severos. Segundo Fábio Murad, sócio da Ipê Avaliações, e Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a menor tolerância de Warsh com pressões inflacionárias reforça a percepção de que os juros americanos permanecerão restritivos por mais tempo, sustentando a força do dólar globalmente.

O risco central, no entanto, é o aumento da volatilidade. Sem o “Dot Plot” para guiar as expectativas de forma suave, o mercado viverá de solavancos a cada novo dado econômico divulgado nos EUA. Essa imprevisibilidade importada exigirá que o Banco Central do Brasil (Copom) embuta um prêmio de risco maior na taxa Selic para blindar o real e evitar a fuga de capitais, limitando o espaço para afrouxamento monetário por aqui.

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Leia também: Dólar cai no ano e Super Quarta pode definir teste abaixo de R$ 5

O que esperar da decisão do Fed

Para a reunião inaugural de Warsh, relatórios do Bank of America (BofA) indicam a manutenção das taxas de juros, mas projetam alterações vitais no comunicado oficial.

O BofA espera a remoção completa da diretriz de afrouxamento monetário das orientações futuras, chancelando a nova postura cautelosa. Para os investidores locais, o cenário reforça a necessidade de diversificação global e exposição controlada a ativos dolarizados.

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IBC-Br sobe 0,5% em abril e mostra economia resistente a juro alto, mas desacelerando


O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,5% em abril na comparação com março, descontada a sazonalidade. O resultado veio ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,6%, mas reafirma a resiliência da economia brasileira em um ambiente de juros restritivos. Na comparação com abril de 2025, o indicador subiu 0,9%. 

Com o desempenho de abril, o IBC-Br acumula expansão de 1,6% nos últimos 12 meses e de 1,3% no ano. 

A expansão foi puxada pela Indústria, que cresceu 0,4%, e pelo setor de Serviços, com alta de 0,3%. O setor agropecuário ficou estável (0%) e o IBC-Br Ex-agro avançou 0,4%. 

Variação do IBC-Br (%)
Mês/mês Tri/tri Mês/mês ano anterior Tri/tri ano anterior Acumulado ano Acumulado 12 meses
IBC-Br 0,5 1,2 0,9 1,4 1,3 1,6
Agro 0 1,4 0,6 -0,3 -0,1 3,2
Indústria 0,4 1,4 1,3 1 0,6 0,8
Serviços 0,3 0,7 1,2 2,1 2,1 2,1
Impostos 0,3 1,5 1 1,7 0,9 0,6
IBC-Br Ex-agro 0,4 1 1,2 1,8 1,6 1,6
Fonte: Banco Central

Terceiro avanço em quatro meses

Rafael Perez, economista da Suno Research, apontou que o resultado, embora abaixo das expectativas, representa a terceira alta dos últimos quatro meses, acumulando expansão de 1,6% em 12 meses. “Os dados de atividade de abril reforçam nossa leitura de que a economia segue resiliente neste início de segundo trimestre”, afirma. 

Com o avanço, o indicador acaba “renovando o nível mais elevado já registrado em sua série histórica”, afirma Yihao Lin, economista da Genial Investimentos

Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, da  XP, apontam que o avanço no IBC-Br foi generalizado, ainda que moderado. 

Na análise por setores, Perez atribui o desempenho em serviços à retomada do consumo das famílias, que tem sido o principal vetor de sustentação da demanda doméstica neste ano. Já na indústria, ele destaca o setor extrativo, especialmente as atividades ligadas à produção de petróleo e gás, impulsionadas pela guerra, que vêm compensando a fraqueza observada na indústria de transformação. Na agropecuária, Perez sinaliza que a acomodação já era esperada, tendo em vista que o crescimento da produção costuma ficar concentrado nos primeiros meses do ano.

Para Matheus Pizzani, economista do PicPay, o dado vem alinhado às pesquisas mensais dos setores feitas pelo IBGE, como a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). “Os resultados apontaram para um crescimento baseado na melhora da demanda externa por commodities energéticas, com foco no petróleo, e da dinamização de segmentos específicos voltados para este tipo de produção, como a indústria extrativa e parte do setor de serviços”, analisa Pizzani.

Segundo o economista, segmentos mais expostos aos ciclos econômicos, como a indústria de bens duráveis e os segmentos do comércio voltados à intermediação destes mesmos itens, apresentaram desempenho avaliado como “alinhado ao atual ciclo da economia”, com juros restritivos. “O dado do IBC-Br divulgado hoje é mais um na esteira de resultados que apontam para um processo de desaceleração gradual da atividade econômica, que havia iniciado o ano apresentando resultados excepcionalmente fortes em seu primeiro bimestre”, diz.

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Revisões alteram a fotografia do trimestre

A divulgação do Banco Central trouxe revisões importantes na série histórica, mostrando que a economia operou com menor tração no início do ano do que o inicialmente medido. A retração de março, antes divulgada como 0,67%, foi ajustada para uma queda mais suave, em torno de 0,18% a 0,2%. 

Segundo Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, ajustes em janeiro (para +0,8%) e fevereiro (para +0,4%) reforçam a percepção de que “o ponto de partida da atividade econômica no início do ano foi marginalmente mais forte”. 

Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord), também destaca que essas revisões suavizam a percepção de desaceleração abrupta. 

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Consumo alto versus juros restritivos

O dado aponta, mais uma vez, que a economia vive uma disputa de forças opostas. De um lado, a atividade é sustentada pelo mercado de trabalho aquecido e por pesados estímulos governamentais. Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP, avaliam que a renda real mantém trajetória de crescimento devido ao aumento das transferências fiscais, estimando que as medidas de estímulo adicionem até 150 pontos-base ao PIB em 2026. 

Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica do Goldman Sachs, corrobora o cenário de demanda forte, destacando que a renda real bruta disponível das famílias acelerou para um ritmo de 6,3% em relação ao ano anterior em março-abril, um dado “forte”, segundo Ramos. 

Por outro lado, o aperto monetário freia lentamente o ímpeto. Lin, da Genial Investimentos, aponta o “descasamento entre as políticas monetária e fiscal” como o principal fator desse desempenho paradoxal. Matheus Pizzani, economista do PicPay, alerta ainda para os impactos de choques externos: a eclosão do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo devem “corroer parcela importante da renda das famílias” por via da inflação. 

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Gabriel Foglieni, parceiro e gestor de investimentos da Eleva Invest, afirma que, com a inflação ainda pressionada, o Banco Central deve manter os juros em patamar elevado. “E são justamente esses juros altos que continuam segurando o ritmo da atividade. Um ciclo que ainda não encontrou seu ponto de virada”, afirma.

Projeções e Selic

Com a inflação pressionada, o mercado não vê espaço para cortes agressivos na Selic. Pablo Spyer avalia que o Copom deve promover um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,25%, “mas com um discurso bastante cauteloso”, deixando a porta aberta para uma pausa devido às incertezas globais. A Genial Investimentos avalia que, devido ao cenário adverso, a diretoria “deveria interromper o ciclo nesta reunião” após o corte, mantendo a Selic em 14,25% até o fim do ano.

Valdir Piran Jr. CEO da Intra Asset, aponta que, para o Banco Central, esse movimento pode ser visto como um sinal positivo “na medida em que reduz parte das pressões de demanda”. No entanto, o dado dificilmente será suficiente, isoladamente, para alterar de forma relevante a condução da política monetária.

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Gustavo Assis, CEO da Asset, avalia que “em tese”, isso abre espaço para um Copom “mais confortável” no corte de juros, já que um crescimento mais moderado ajuda na convergência da inflação para a meta.

Para o fechamento do ano, as perspectivas de crescimento permanecem sólidas, apesar da desaceleração projetada para o segundo semestre.

O Goldman Sachs aponta alta de 0,6% no PIB do segundo trimestre e crescimento de 1,8% em 2026. A Suno Research projeta avanço de 0,6% no segundo trimestre e de 2,0% no ano.  

A XP Investimentos estima alta de 0,5% no 2º trimestre e 2,0% em 2026, mesmos indicadores da Genial Investimentos. Para maio, a XP já projeta uma estimativa preliminar de avanço de 0,6% no IBC-Br na comparação mensal. O PicPay está mais pessimista, estimando crescimento de 0,4% no 2º trimestre e 1,7% no consolidado de 2026.



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IPC-S desacelera em quatro capitais pesquisadas pela FGV na 2ª quadrissemana de junho


O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou em quatro das sete capitais pesquisadas na segunda quadrissemana de junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta (17). O índice caiu para 0,57%, resultado abaixo do registrado na última divulgação de 0,64%, na passagem da primeira para a segunda quadrissemana de junho.

A desaceleração mais significativa entre as capitais ocorreu no Rio de Janeiro (0,74% para 0,63%). Em seguida, aparecem Salvador (0,82% para 0,56%), Recife (0,83% para 0,44%) e São Paulo (0,66% para 0,57%).

Houve, por outro lado, aceleração em Porto Alegre (0,66% para 0,75%), Brasília (0,24% para 0,32%) e Belo Horizonte (0,52% para 0,54%).



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