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Primeira coletiva de imprensa de Warsh no Fed pode revelar estratégia para inflação


WASHINGTON, 15 Jun (Reuters) – O novo chair do Federal ⁠Reserve, Kevin Warsh, tem falado longamente nos últimos anos sobre o ⁠balanço patrimonial do banco central dos Estados Unidos, a necessidade de se pronunciar menos sobre as taxas ‌de juros e por que o órgão não deve se envolver em questões como as mudanças climáticas.

Uma coletiva de imprensa do Fed na quarta-feira, porém, marcará seus primeiros comentários substantivos no cargo de chair sobre ‌o que está acontecendo com a inflação, o desemprego e as perspectivas econômicas, à medida que ele faz uma virada retórica das palavras abstratas de um analista de políticas para as palavras concretas — e potencialmente capazes de movimentar o mercado — do banqueiro central mais importante do mundo.

A inflação, em particular, parece estar estagnada mais de um ponto percentual acima da meta de 2% do Fed, e a avaliação de Warsh sobre se e quando ela ⁠provavelmente ‌cairá será um primeiro passo fundamental na evolução da política monetária sob sua liderança.

É algo que os investidores ⁠tomarão como um indício sobre a probabilidade de juros mais altos, que muitos agora prevêem para este ano.

O que poderia ter sido apenas choques de preços temporários, desencadeados pelos aumentos das tarifas de importação do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos preços elevados do petróleo devido à guerra dos EUA contra o Irã, agora ameaça se tornar um problema de inflação mais persistente. Enquanto isso, ​o mercado de trabalho norte-americano está próximo do pleno emprego, as contratações se recuperaram e os colegas de Warsh nos distritos regionais do Fed sugeriram, em um relatório recente, o aumento das pressões salariais.

A coletiva ​de imprensa imediatamente após o término da reunião de política monetária do Fed, realizada entre 16 e 17 de junho, dará a Warsh a oportunidade de abordar essas correntes econômicas contraditórias enquanto constrói uma narrativa sobre os riscos que vê para o banco central e como planeja estruturar sua resposta.

Warsh, que sucedeu o ex-chair do Fed Jerome Powell há cerca de um mês, “tem se manifestado muito mais abertamente em relação ao ‌balanço patrimonial e à estratégia de comunicação. Quando se trata de qual é ​a sua teoria da mudança para a inflação, qual é a sua visão em termos da postura atual da política monetária, essas coisas são uma grande caixa preta que vamos começar a abrir”, disse Ed Al-Hussainy, gestor de carteiras de renda fixa e macro ⁠na Columbia Threadneedle, aos repórteres na semana ​passada.

Haverá muito a ser desvendado: ​a avaliação de Warsh sobre o impacto das tarifas nos preços dos bens; se o recente choque nos preços do petróleo vai persistir ⁠e se espalhar; se, como sugerem dados recentes, a melhora ​na inflação que vinha da desaceleração dos preços dos aluguéis já chegou ao fim.

Esses são os tipos de questões que Powell, que permanece no Conselho de Diretores do Fed, abordaria diretamente em suas coletivas de imprensa. Warsh afirmou que não ​quer fornecer muitas informações sobre os prováveis próximos movimentos do banco central em relação às taxas de juros. Mas onde ele traçará a linha divisória entre “orientação prospectiva” e a apresentação de ​suas perspectivas para a economia ou ⁠a inflação será um aspecto importante de sua coletiva de imprensa de posse.

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“Acho que Warsh vai evitar responder à pergunta” sobre para onde a ⁠inflação está indo e o que o Fed talvez precise fazer a respeito, disse Christopher Hodge, economista-chefe para os EUA da Natixis CIB Americas, que ainda espera que o banco central norte-americano reduza as taxas de juros em vez de aumentá-las, embora o momento ainda seja incerto. Apesar de um “tom neutro a hawkish”, disse Hodge, “não acho que ele vá descartar cortes, mas o ônus recairá sobre os dados para provar que o choque energético já passou”.



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Durigan defende discussão sobre possíveis ajustes em índice de inflação


BRASÍLIA, 15 ⁠Jun (Reuters) – O ministro ⁠da Fazenda, Dario ‌Durigan, se mostrou favorável a uma discussão sobre ‌possíveis ajustes na apuração da inflação no Brasil, argumentando que estudiosos apontam uma ⁠defasagem ‌na composição dos ⁠índices de preços.

Em podcast produzido pela Warren Investimentos, Durigan afirmou que o modelo vigente ​no país “dá peso para coisas que hoje ​não têm mais o peso que tinham anteriormente”, enquanto há uma representação ‌menor de itens ​que ganharam importância nos últimos anos, como serviços de ⁠streaming ​e ​serviços digitais de nuvem.

A entrevista foi ⁠gravada na ​sexta-feira e divulgada nesta segunda-feira.

O ministro ainda ​disse ver com bons olhos o debate ​sobre ⁠aprimoramentos no boletim Focus do ⁠Banco Central para que a pesquisa ganhe mais transparência.



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51,2% dos trabalhadores creem estar difícil ou muito difícil conseguir trabalho


Cinco em cada dez trabalhadores, uma fatia de 51,2%, creem estar difícil ou muito difícil conseguir trabalho no País atualmente. Por outro lado, 25,5% acreditam estar fácil ou muito fácil arranjar um emprego, o maior valor nos 12 meses de série histórica da Sondagem do Mercado de Trabalho, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

As respostas sobre a percepção de como está conseguir um trabalho no momento mostraram 9,3% dos trabalhadores avaliando estar muito difícil arrumar emprego; 41,9% disseram estar difícil; 23,3% relataram estar normal; 23,3% reportaram estar fácil; e 2,2% avaliaram estar muito fácil.

Quanto às expectativas futuras, 33,6% acreditam que a situação no mercado de trabalho brasileiro deve estar mais difícil nos próximos seis meses, e 3,5% relatam que ficará muito difícil. Uma fatia de 33,3% preveem que a situação permaneça igual; 28,9%, que esteja fácil; e 0,7%, muito fácil.

“Por um lado, a percepção sobre o momento presente segue melhorando, indicando um mercado de trabalho ainda aquecido. Mas por outro lado, as pessoas têm se mostrado cada vez mais cautelosas com a manutenção desse cenário”, avaliou Rodolpho Tobler, economista do Ibre/FGV, em nota oficial.

De acordo com o economista, a primeira metade do ano tem sido de taxa de desocupação em níveis baixos em termos históricos, abaixo do mesmo período do ano anterior, mas já se observa diminuição no ritmo das contratações.

“A desaceleração da atividade econômica e o aumento de incerteza no cenário macroeconômico ajudam a explicar a expectativa menos otimista para os próximos meses.”

A sondagem mostrou ainda uma redução na fatia de pessoas muito satisfeitas com o próprio trabalho principal, de 13,1% em abril para 12,6% em maio, enquanto a proporção de satisfeitos subiu de 63,8% para 64,1% no período, e a de insatisfeitos caiu de 7,5% para 6,9%.

A proporção de pessoas que enxergam a renda atual do trabalho como suficiente para arcar com despesas essenciais diminuiu de 70,8% em abril para 70,3% em maio.



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Boletim Focus eleva projeção da inflação e vê Selic em 13,75% no fim de 2026


O mercado financeiro elevou pela 14ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central. A estimativa para o IPCA deste ano passou de 5,11% para 5,30%. No mesmo relatório, os economistas elevaram a projeção para o PIB de 2026 de 1,91% para 1,96%, aumentaram a expectativa para a taxa Selic ao fim do ano de 13,50% para 13,75% e revisaram o câmbio de R$ 5,15 para R$ 5,20 por dólar.

Inflação

A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, marcando a 14ª alta consecutiva. Para 2027, a estimativa avançou de 4,03% para 4,10%, na quarta elevação seguida. Em 2028, a expectativa passou de 3,65% para 3,68%, na primeira alta após um período de estabilidade. Para 2029, a projeção foi mantida em 3,50% pela 41ª semana consecutiva.

As estimativas para o IGP-M também foram revisadas para cima. Para 2026, a projeção passou de 6,10% para 6,22%, na 15ª alta consecutiva. Para 2027, avançou de 4,00% para 4,04%, na primeira alta após estabilidade. Para 2028, permaneceu em 3,82% pela quinta semana seguida. Já para 2029, subiu de 3,70% para 3,77%, na primeira elevação.

Nos preços administrados, a projeção para 2026 aumentou de 4,98% para 5,00%. Para 2027, a estimativa recuou de 3,84% para 3,81%. Em 2028, a projeção avançou de 3,50% para 3,60%. Para 2029, permaneceu em 3,50% pela 48ª semana consecutiva.

PIB

A expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,91% para 1,96%, na quarta alta consecutiva. Para 2027, a projeção foi mantida em 1,70% pela terceira semana seguida. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, estáveis há 118 e 65 semanas, respectivamente.

Câmbio

A projeção para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20. Para 2027, a expectativa avançou de R$ 5,20 para R$ 5,25. Para 2028, a estimativa foi mantida em R$ 5,30 pela terceira semana consecutiva. Já para 2029, a projeção aumentou de R$ 5,35 para R$ 5,40.

Selic

A expectativa para a taxa básica de juros ao fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75% ao ano, na segunda alta consecutiva. Para 2027, a projeção avançou de 11,50% para 12,00%, também na segunda elevação seguida. Para 2028, a estimativa passou de 10,00% para 10,25%. Para 2029, a projeção permaneceu em 10,00% ao ano pela sexta semana consecutiva.



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Corte ou pausa da Selic? Copom enfrenta ‘ponto crítico’ na política sobre juros


O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira (16 e 17) para avaliar os indicadores da economia brasileira e global e deliberar se cabe mais um corte de juro na atual taxa Selic, que está em 14,5%, ou se já é hora de fazer uma pausa.

Pesam no cenário de avaliação os dados de inflação de maio, registrados em 0,58%, e o acumulado de 12 meses, que superou o teto da meta. A análise da autoridade monetária deve incluir a visão de longo prazo, o ritmo de alta da inflação e os dados de atividade econômica, que se mostraram robustos.

No cenário externo, o conflito no Oriente Médio adiciona incertezas aos preços de insumos, enquanto a reprecificação de juros nos Estados Unidos traz a possibilidade de reversão na trajetória de queda do dólar.

Para Paulo Vicente, professor associado da FDC, a palavra para a próxima reunião do Copom é “tensão”. “Trata-se de uma reunião marcada pela coexistência de pressões inflacionárias relevantes, sobretudo ligadas aos combustíveis e ao cenário internacional, ao mesmo tempo em que cresce a atenção dos agentes econômicos para os efeitos do ciclo eleitoral sobre as expectativas. O Banco Central precisará sinalizar firmeza no combate à inflação sem perder de vista os riscos para a atividade econômica”, afirma.

O dilema da manutenção

Neste contexto, parte dos agentes econômicos avalia que o Copom deverá fazer uma pausa nos cortes. Na Pilar Capital, o cenário-base ancora a manutenção da Selic em 14,5%, diz Cassio Viana de Jesus, diretor de investimentos e negócios. Ele avalia que há uma combinação de vetores que afetam a decisão desta reunião, incluindo a expectativa de inflação acima do teto da meta, o petróleo pressionado, a piora na leitura fiscal e o câmbio sensível. “Cortar juros agora poderia transmitir ao mercado uma mensagem de tolerância maior com a inflação, justamente quando as expectativas estão se deteriorando”, afirma o diretor. 

Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos, afirma que o Copom está em um “ponto crítico” na condução da política monetária. Para ele, o comitê deve manter os juros em pausa, já que os dados macroeconômicos e a situação geopolítica confirmam a leitura de “indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos” do conflito no Oriente Médio apresentada pelo Copom na última reunião. 

“Há de se observar que foram raros os casos na história recente do Brasil em que a autoridade monetária tomou decisão semelhante, ou seja, cortou juros enquanto as medidas de inflação corrente e as expectativas se deterioravam rapidamente em um ambiente de elevada incerteza”, afirma Vital, em relatório.

Para Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, o Copom deve optar pela manutenção dos juros em 14,50%. “Ainda há riscos demais no cenário para continuar com o ciclo de flexibilização”, diz. Ele reforça que fatores como o crédito sustentando a demanda, efeitos climáticos sobre os alimentos e a possível saída de capital estrangeiro justificam a prudência na decisão. 

Espaço para o corte residual

Em contrapartida, especialistas de diferentes instituições projetam um corte residual na taxa. Leonardo Costa, economista do ASA, avalia que o Copom deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25%, sinalizando o encerramento do ciclo de cortes devido à deterioração do cenário e à resistência nos núcleos de serviços. 

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Arnaldo Lima, economista da Polo Capital, também espera um corte da mesma magnitude, pontuando que o choque de oferta provocado pela guerra aparenta ser temporário, sem espaço para alta de juros no momento. 

Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, reforça a previsão de queda de 0,25 ponto percentual. “O atual nível de juro real, bastante restritivo, permite a continuidade do ciclo de queda no ritmo atual”, diz. 

Relatórios institucionais corroboram a viabilidade do corte. O banco Itaú vê espaço para “um novo, modesto, corte de juros na decisão de junho”, de 0,25 ponto percentual, deixando “o futuro em aberto”, com a autoridade monetária comunicando que o espaço para calibração adicional é incerto, de acordo com relatório assinado pelo economista-chefe Mario Mesquita.

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A equipe do J.P. Morgan defende o corte sob o argumento de que a política permanece restritiva e atua como um seguro contra um aperto excessivo na economia. 

Leia também: Revisões de bancos e gestoras já colocam a Selic em até 14% no final de 2026 

Impactos da política restritiva na economia

A manutenção dos juros em patamares elevados gera consequências diretas na atividade produtiva. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a política monetária permanece em terreno excessivamente restritivo, com a taxa real em torno de 10% ao ano, o dobro da taxa neutra estimada pelo Banco Central. 

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A entidade aponta que interromper a queda da Selic neste momento configura um erro para a atividade produtiva. Segundo a CNI, o custo da restrição de crédito resultou em níveis recordes de endividamento corporativo e inadimplência no país. Para a confederação, os juros elevados representam a “corrosão da base produtiva e das indústrias de menor porte, que sustentam o emprego e o investimento”. 

Projeções e comunicação do Banco Central

Diante da pluralidade de fatores, a comunicação do Copom assume papel central na ancoragem de expectativas. Viana de Jesus atribui a palavra “cautela” para a reunião, definindo-a como uma atitude defensiva e de preservação de credibilidade. 

As projeções do mercado para o encerramento de 2026 refletem a reprecificação dos ativos. Costa, do ASA, revisou a projeção de Selic apra 14,25% ao fim do ano e inflação em 5,5%. Rondinelli, da MAG Investimentos, projeta a Selic a 14% e a inflação em 5,4% para o mesmo período. 

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Na Warren Investimentos, a projeção é de que o BC irá manter os juros inalterados e adotar tom neutro na comunicação, podendo voltar a encontrar espaço para corte na última reunião do ano. Neste cenário, a Selic terminaria 2026 em 14,25%.

A XP alterou seu cenário-base e, agora, prevê a taxa Selic em 14% e IPCA em 5,3% ao fim de 2026. O BTG Pactual ajustou a estimativa do IPCA de 4,9% para 5,3% em 2026, incorporando formalmente o repasse do choque do petróleo e os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño. O banco projeta corte de 0,25 p.p. nesta reunião, o último do ano, levando Selic a encerrar 2026 em 14,25%.



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Inflação ao produtor na China atinge em maio maior nível em quase quatro anos


PEQUIM, 10 ⁠Jun (Reuters) – Os preços ao produtor na China subiram pelo ⁠terceiro mês consecutivo em maio, atingindo o nível mais alto desde julho ‌de 2022, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu elevada uma vez que os preços da energia aumentaram as pressões de custo sobre os fabricantes e elevaram o ‌custo de vida das famílias.

As pressões de custo decorrentes da guerra no Irã podem comprimir os lucros das empresas e reduzir ainda mais o consumo interno, embora a demanda global relacionada à IA tenha impulsionado alguns setores.

Para os fabricantes que não atuam na indústria de ponta, repassar os preços mais altos dos insumos aos consumidores pode ⁠continuar ‌sendo difícil, destacando os desafios que as autoridades enfrentam em seus esforços para ⁠apoiar o mercado de trabalho e fortalecer a demanda interna, que ainda se mantém fraca.

O índice de preços ao produtor subiu 3,9% em maio em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas, acima da previsão de 3,8% em uma pesquisa da Reuters e do ​aumento de 2,8% registrado em abril.

“Em setores onde a demanda é sólida, como IA, as empresas podem repassar o custo mais alto dos insumos e até ​mesmo cobrar um sobrepreço dos consumidores finais”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit. Esse não é o caso de setores como o automotivo, afirmou ele.

A demanda mais forte por poder de computação contribuiu para o aumento dos preços ao produtor, informou o escritório em comunicado. O índice dos preços ao ‌produtor subiu 0,5% em relação ao mês anterior, menos ​do que o aumento de 1,7% registrado em abril.

Os preços da energia dispararam desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no final de fevereiro, e as pressões de ⁠custo provavelmente persistirão, já que ​o fechamento do Estreito ​de Ormuz continua a interromper os fluxos de petróleo e gás do Golfo Pérsico. A retomada dos fluxos ⁠levará tempo, mesmo após a reabertura da ​via navegável.

Os preços ao consumidor subiram 1,2% em maio em relação ao ano anterior, principalmente devido ao aumento dos preços da gasolina, das joias de ouro e dos serviços, de ​acordo com o departamento de estatísticas. O indicador registrou um aumento de 1,2% em abril, e os economistas esperavam alta de 1,3% para ​maio.

Os preços dos alimentos caíram ⁠1,7% em relação ao ano anterior, com os preços da carne suína caindo 16,1%. Os preços domésticos da ⁠gasolina recuaram em relação ao mês anterior, mas subiram 23,5% na base anual.

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“Os preços dos alimentos e dos imóveis estão ajudando a conter a inflação geral por enquanto. Mas o aumento mais generalizado dos preços sugere que estamos saindo de um ambiente de deflação para um de inflação baixa”, disse Lynn Song, economista-chefe da ING para a Grande ​China.



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Presidente do BC do Japão é hospitalizado e não participará da reunião de junho


TÓQUIO, 10 Jun (Reuters) – ⁠O presidente do Banco ⁠do Japão, Kazuo Ueda, foi ‌hospitalizado e não participará da reunião de política monetária de 15 ‌e 16 de junho, informou o banco central nesta quarta-feira.

O vice-presidente Ryozo Himino comandará a revisão da taxa de juros no ⁠lugar ‌de Ueda, e o ⁠outro vice-presidente, Shinichi Uchida, deve conduzir a coletiva de imprensa após a reunião, informou o Banco do Japão em comunicado.

Ueda, ​de 74 anos, deverá permanecer hospitalizado por cerca de duas semanas ​para tratar um cisto infectado no fígado, trabalhar remotamente e participar da próxima reunião de política monetária, marcada para ‌30 e 31 de ​julho, informou o banco central.

A expectativa é de que o Banco do Japão eleve ⁠sua ​taxa básica ​de juros de curto prazo para 1%, ⁠ante 0,75%, na ​reunião da próxima semana, o que levaria os custos de empréstimos a ​níveis não vistos em três décadas.

O anúncio ocorre após ​o Banco ⁠do Japão informar, no fim de maio, que ⁠Uchida havia recebido alta hospitalar depois de se recuperar de um tratamento contra leucemia.



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Inflação ao consumidor da China avança 1,2% em maio, um pouco abaixo do esperado


O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) da China subiu 1,2% em maio ante igual mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 10, pelo NBS, como é conhecido o escritório de estatísticas do país. O resultado ficou levemente abaixo da expectativa de economistas consultados pela FactSet, que previam avanço de 1,3%.

Em relação a abril, o CPI caiu 0,1% no mês passado.

Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI) chinês teve alta anual de 3,9% em maio. Os economistas consultados pela FactSet estimavam um avanço de 3,8%. Na comparação com o mês anterior, o PPI subiu 0,5%.

*Com informações da Dow Jones Newswires



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Inflação CPI dos EUA sobe 0,5% em maio, em linha com o esperado pelo mercado


WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) – A inflação ao consumidor nos Estados Unidos registrou em maio o maior nível em três anos à medida que o conflito no Oriente Médio elevou os custos da gasolina e de outros produtos energéticos, dando mais motivos para que o Federal Reserve deixe a taxa de juros inalterada até 2027.

O índice de preços ao consumidor subiu 4,2% nos 12 meses até maio, maior alta desde abril de 2023, informou nesta quarta-feira o Departamento de Estatísticas do Trabalho do Ministério do Trabalho. Em abril, o índice havia avançado 3,8% na base anual.

Os preços aumentaram 0,5% em meio em relação ao mês anterior, após alta de 0,6% em abril.

Economistas consultados pela Reuters previam que altas de 4,2% na base anual e de 0,5% em relação ao mês anterior.

O terceiro mês consecutivo de forte alta nos preços ao consumidor destacou a pressão crescente sobre as famílias, já que evidências sugerem que mais consumidores estão recorrendo às economias para financiar seus gastos. A inflação superou o aumento dos salários pelo segundo mês consecutivo, o que pode pesar sobre o crescimento econômico geral.

O aumento vertiginoso do custo de vida é um problema político para o presidente Donald Trump e seu partido Republicano, que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.

Trump venceu a eleição presidencial de 2024 em grande parte devido à sua promessa de reduzir a inflação, mas viu sua popularidade despencar à medida que cresce a frustração com a gestão da economia.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do índice de preços ao consumidor subiu 2,9% em maio em na base anual, de 2,8% em abril. Em maio o núcleo teve alta de 0,2% na comparação com abril, quando subiu 0,4%.

O banco central dos EUA acompanha o índice de preços PCE para sua meta de inflação de 2%. Todos os indicadores de inflação estão bem acima da meta do Fed.

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CPI mostra inflação “teimosa” em serviços e risco de alta de juros nos EUA continua


O avanço de 0,5% na inflação americana de maio veio em linha com o esperado, mas frente a maio do ano passado a inflação já chega a 4,2%, maior valor desde abril de 2023. A alta em energia se repete pelo terceiro mês consecutivo, refletindo o impacto do conflito no Oriente Médio – em três meses, o avanço foi de quase 20%.

Segundo o Bradesco, o número oferece um respiro pontual, mas não tira o ônus da prova com relação às pressões inflacionárias da economia americana.

No balanço geral, os economistas acreditam que o Federal Reserve terá poucos argumentos para reduzir as taxas de juros neste ano – na verdade, os riscos da necessidade de uma elevação estão crescendo.

Leia também: Nova alta nos juros nos EUA entra no radar após alerta de inflação na ata do FOMC

Guerra puxa preços de energia nos EUA

O grupo de energia registrou elevação de 3,9% no mês e de 23,5% no acumulado de doze meses. O economista Vitor Kayo, da Nomad, relata que este componente representou mais de 60% da variação mensal do índice, tracionado pela gasolina, que subiu 7% em maio.

Na avaliação da equipe econômica do Bradesco, isso é um sinal de que a acomodação após o choque do Oriente Médio ainda não se completou. E, para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, os preços de petróleo e não devem ceder tão cedo. “O bloqueio do Estreito de Ormuz e os danos às instalações energéticas na região tendem a manter os preços de energia pressionados”, afirma Moreno.

O diretor de investimentos do EFG Group, Luis Ferreira, acrescenta que o combustível apresentou variação de 58,9% em doze meses, e a eletricidade teve alta de 5,9% no mesmo período.

Apesar das altas, o economista André Valério, do Inter, afirma que não há indicativos de contaminação da inflação pelo choque do petróleo nos demais setores da economia até o momento.

Desaceleração dos núcleos

Excluindo os grupos de alimentação e energia, o núcleo da inflação registrou variação de 0,21% em relação ao mês anterior, índice abaixo da expectativa de mercado. A economista Isadora Junqueira, da AZ Quest, indica que o núcleo de bens marcou variação de -0,11%, apontando a dissipação de efeitos de tarifas aplicadas no ano anterior.

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A equipe econômica do Bradesco classifica o recuo do núcleo como de “composição relativamente frágil”, resultante da deflação em bens, incluindo veículos e produtos médicos, e da queda no seguro de veículos.

O núcleo de serviços, no entanto, mantém aceleração de preços. A economista Andressa Durão, do ASA, afirma que a inflação de serviços se mantém disseminada e que os aluguéis desaceleraram menos do que o consenso projetava.

Os economistas Mario Mesquita, Bernardo Dutra e Pedro Henrique Werneck, do Itaú, ressaltam que o índice de serviços registrou recuo por conta do item habitação, mas alertam que a estimativa do índice PCE de 0,28% mantém a autoridade monetária atenta à resistência na desaceleração do núcleo de preços.

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Risco de alta de juros nos EUA

A leitura de inflação afeta as projeções para a política monetária dos Estados Unidos. Kayo pontua que a autoridade enfrenta choques de preços simultâneos, mencionando as tarifas, os custos de energia e os investimentos em inteligência artificial.

O economista avalia que Kevin Warsh, que assume a liderança do Comitê de Política Monetária dos EUA na próxima semana, deve manter o tom de cautela e ter pouco espaço para sinalizar cortes no horizonte próximo.

Para Moreno, do C6, não há espaço para cortes de juros nos EUA neste ano, e que existe a possibilidade de o Fed voltar a subir os juros. No C6, a projeção é de manutenção da taxa no intervalo de 3,5% a 3,75% até o fim de 2026.

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Valério avalia que, com os dados disponíveis até agora, será difícil encontrar justificativa para retomar os cortes de juros frente a um mercado de trabalho em reaceleração e expectativas de inflação futura desancoradas.

Ferreira projeta manutenção do juro em 3,75% na reunião do dia 17 e sinaliza a probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual em dezembro. Este cenário de manutenção de juros nos Estados Unidos impacta os mercados emergentes, destaca Ferreira, com reflexos na saída de capital da Bolsa e na variação da taxa de câmbio no Brasil.

Durão, do ASA, projeta taxa de juros parada ao longo do ano, com riscos cada vez mais “inclinados para cima”.



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