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Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos


Diretores do Federal Reserve (FED, o Banco Central dos Estados Unidos) vão se reunir nesta terça (16) e quarta-feira (17) para decidir os juros do país. Mas não é a decisão, em si, que atrai a atenção do mercado. Já é consenso que a opção deve ser pela manutenção do juro no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano.

O que todos estão de olho é na comunicação da decisão para saber quais serão os próximos passos da política monetária, após acordo de paz firmado entre EUA e Irã, e no pronunciamento do novo presidente Kevin Warsh, que tomou posse em maio, sucedendo Jerome Powell. 

Inflação resiliente e o choque de energia

A economia americana tem exibido dados de atividade intensos, que desafiam as projeções de desaceleração. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,5% em maio, acumulando alta de 4,2% em 12 meses. Como pontua o Bank of America (BofA), embora o setor de energia componha apenas 7,5% da cesta do CPI, ele foi responsável por mais de 60% do aumento mensal, com a gasolina acumulando alta de 30% no período.

Leia também: Acordo EUA-Irã derruba petróleo, mas alívio na inflação exige cautela

O conflito no Oriente Médio, que já ultrapassa 100 dias, é apontado pelo economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni, como o principal vetor dessa escalada, com o barril do tipo Brent acumulando um salto de 42%. Ainda que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz tenha provocado uma queda de 4% no preço do petróleo na segunda-feira (15), segundo José Faria Júnior, da Wagner Investimentos, a cautela permanece. Em análise enviada ao mercado, Luis Ferreira, do EFG Group, alerta que o núcleo do CPI, que exclui energia e alimentos, subiu 2,9% em 12 meses, com evidências claras de repasse de custos para o setor de serviços, especialmente em passagens aéreas e hospedagens.

O mercado de trabalho, por sua vez, segue como uma barreira ao afrouxamento monetário. Classificada pelo Goldman Sachs como “impressionante”, a recuperação na geração de vagas é, para Rafael Rondinelli, da MAG Investimentos, resultado da “robustez da demanda no setor de serviços”, o que gera pressões inerciais sobre a economia.

Esse dinamismo encontra eco no “super ciclo de inteligência artificial”, segundo Shinichiro Fukui, sócio da Stratton Capital. Ele explica que investimentos massivos em data centers — com quase 500 bilhões de dólares anunciados este ano — estão absorvendo mão de obra e mantendo a economia ativa, desafiando previsões de desaceleração. O resultado é uma “economia em forma de K”: enquanto uma parcela da população enfrenta endividamento, outra, ligada ao setor tecnológico e ao consumo discricionário, sustenta números robustos de emprego e atividade.

‘Era Warsh’ e a independência do Fed

A reunião desta semana será a primeira sob liderança de Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio, sucedendo a Jerome Powell. A expectativa de economistas como Andressa Durão, do ASA, e analistas do BofA e Goldman Sachs é de que a instituição abandone o “viés de flexibilização” em seu comunicado oficial, omitindo ou alterando termos que sugeriam ajustes adicionais na taxa de juros. No gráfico de pontos (dots), a previsão é de que as indicações de cortes para 2026 sejam eliminadas.

Fukui destaca que Warsh é um crítico do forward guidance e do uso exclusivo do dot plot, defendendo uma comunicação mais enxuta e o uso de indicadores forward-looking em vez de olhar apenas para o “espelho retrovisor” dos dados passados. Fukui destaca que a liderança de Warsh deve focar em eficiência, independentemente das pressões políticas sobre a autarquia.

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Juros no Brasil

O cenário americano de juros elevados por mais tempo reverbera diretamente na decisão de juros do Brasil, que também ocorre nesta quarta. Isso porque o diferencial de taxas pressiona o fluxo de capital para emergentes e levou o mercado a aumentar as  projeções para a inflação, o dólar e a Selic para os próximos anos, segundo o boletim Focus.

Leia também: Corte ou pausa da Selic? Copom enfrenta ‘ponto crítico’ na política sobre juros

O Copom terá duas frentes para avaliar e resta saber qual cenário irá pesar mais. De um lado, a reabertura do Estreito de Ormuz impulsionou expectativas de corte. A Wagner Investimentos estima 68% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, cenário acompanhado pelo Bradesco, que projeta a continuidade da calibração iniciada em março.

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Contudo, a deterioração das métricas de preço internas atua em sentido contrário. Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, ressalta que a composição do IPCA de maio é desfavorável e sustenta a possibilidade de interrupção do ciclo de afrouxamento. “Isso reforça a percepção de que é possível que não haja cortes. É provável que a gente veja uma pausa”, conclui Perri.



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produção industrial sobe 0,1% em abril ante março, como previsto


A produção industrial na zona do euro subiu 0,1% em abril ante março, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 15, pela Eurostat, como é conhecida a agência oficial de estatísticas da União Europeia.

O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pela FactSet. Na comparação anual, a produção do bloco avançou 0,3% em abril. A Eurostat revisou os dados de produção industrial de março, que passaram a mostrar alta mensal de 0,4% e queda anual de 2,8%.



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superávit comercial ajustado sobe a 1,3 bilhão de euros em abril


A zona do euro apresentou superávit comercial de 1,3 bilhão de euros em abril, segundo dados com ajuste sazonal publicados nesta segunda-feira, 15, pela Eurostat, como é conhecida a agência de estatísticas da União Europeia. Em março, o bloco havia registrado saldo positivo menor, de 600 milhões de euros, conforme número revisado.

Na comparação mensal, as exportações do bloco subiram 3,2% em abril, enquanto as importações avançaram 2,9%, também com ajuste sazonal.

No resultado sem ajustes, a zona do euro registrou déficit comercial de 1,0 bilhão de euros em abril, contrastando com o superávit de 8,7 bilhões de euros observado no mesmo mês de 2025.



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Membro do BCE não vê alívio na inflação mesmo que Estreito de Ormuz reabra em breve


FRANKFURT, 15 Jun (Reuters) – O ⁠membro do Conselho do Banco Central ⁠Europeu Joachim Nagel afirmou nesta segunda-feira que ‌não haverá alívio imediato do aumento da inflação impulsionado pelos preços da energia mesmo que o ‌Estreito de Ormuz seja reaberto em breve, pois levará meses para que o abastecimento de petróleo se recupere ao nível pré-guerra.

Autoridades dos EUA e do Irã anunciaram que chegaram a um acordo para ⁠encerrar ‌a guerra e reabrir o estreito, porta ⁠de entrada para o transporte de energia, em um pacto preliminar que fez com que os preços do petróleo caíssem.

Mas Nagel reafirmou sua opinião de que todas as opções — ou ​seja, tanto manter as taxas de juros estáveis quanto aumentá-las — permanecem em aberto para a ​próxima reunião de política monetária do banco central, de 22 a 23 de julho.

“Não há alívio à vista no futuro próximo”, disse Nagel. “Pelo contrário: mesmo que o Estreito de Ormuz volte ‌a ser navegável em breve, ​levará meses para que o abastecimento de petróleo retorne ao normal.”

O BCE elevou as taxas de juros pela primeira vez em ⁠quase três ​anos na ​semana passada para tentar conter a inflação antes que o aumento ⁠nos custos de energia — que ​se seguiu a uma interrupção sem precedentes no abastecimento ligada à guerra no Irã — espalhe-se ainda mais ​pela economia da zona do euro.

Nagel disse que deve ser esperado outro aumento da ​inflação quando as ⁠medidas governamentais para limitar as altas dos preços da energia expirarem. ⁠Essas medidas, que incluem um desconto no preço do combustível nos postos na Alemanha, reduziram a taxa de inflação na zona do euro em 0,4 ponto percentual em maio, disse Nagel.



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crescimento do PIB do G20 permanece estável em 0,7% no 1º trimestre


O Produto Interno Bruto (PIB) do G20, como é conhecido o grupo das 20 maiores economias do mundo, permaneceu estável em 0,7% no primeiro trimestre de 2026 ante os três meses anteriores, segundo dados preliminares de relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nesta segunda-feira, 15. De acordo com o documento, o resultado reflete um cenário misto entre os países do grupo.

A OCDE destaca que, entre as economias do G20, o crescimento acelerou na maioria dos países no período. O PIB se recuperou fortemente na Coreia do Sul, passando de -0,1% no quarto trimestre de 2025 para 1,8%, e o Brasil também se destacou, com avanço de 0,3% para 1,1%.

O crescimento acelerou, embora de forma mais modesta, no Reino Unido (de 0,2% para 0,6%), no Japão (de 0,2% para 0,5%), nos Estados Unidos (de 0,1% para 0,4%), na Índia (de 1,8% para 1,9%), na China (de 1,2% para 1,3%), na África do Sul (de 0,4% para 0,5%) e na Alemanha (de 0,2% para 0,3%). Ainda segundo o relatório, o crescimento manteve-se forte na Indonésia (em 1,4%) e ficou inalterado na Itália (em 0,3%). O Canadá registrou crescimento zero, após contração de 0,2% no quarto trimestre de 2025.

Em contrapartida, o crescimento do PIB enfraqueceu em cinco países: Arábia Saudita (-1,2% após alta de 1,3% no trimestre anterior), México (-0,6% após avanço de 0,7%), França (-0,1% depois de alta de 0,2%), Turquia (de 0,4% para 0,1%) e Austrália (de 0,9% para 0,3%).

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o PIB do G20 foi 3,2% maior no primeiro trimestre de 2026. Entre as economias do grupo, a Índia registrou a maior taxa de crescimento anual, de 8,0%, enquanto o Canadá apresentou o pior desempenho, com contração de 0,1%.



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Membro do FMI diz que ainda não há sinais de desaceleração, mas riscos são altos


WASHINGTON, 15 Jun (Reuters) – A economia ⁠mundial vem, até o momento, resistindo ⁠ao choque da guerra no Oriente Médio, apesar ‌do aumento nos preços das commodities, da inflação mais elevada e das tensões nas condições financeiras, sem ‌sinais, até o momento, de uma desaceleração global, afirmou na segunda-feira a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.

Georgieva saudou o acordo anunciado no domingo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra ⁠e ‌reabrir o Estreito de Ormuz, mas alertou em ⁠um novo post em um blog que uma intensificação do conflito e das interrupções no abastecimento representam um “risco claro para o crescimento global”.

O FMI divulgará uma previsão atualizada em 8 de julho. Em ​abril, o FMI apresentou três cenários para o crescimento do PIB global em 2026 e 2027, ​com seu “cenário adverso” intermediário prevendo uma desaceleração do crescimento para 2,5% em 2026 e uma inflação geral de 5,4%.

Georgieva afirmou no mês passado que o cenário adverso já estava em andamento, mas seus comentários ‌mais recentes sugerem que o fundo ​pode voltar ao seu cenário de referência, que previa uma guerra de curta duração no Irã e um crescimento de 3,1% em ⁠2026.

O acordo marca ​o maior ​avanço na resolução de uma guerra que começou com ataques conjuntos dos ⁠EUA e de Israel ao ​Irã em fevereiro, antes de se transformar em um conflito regional mais amplo que matou milhares de pessoas, abalou ​os mercados de energia e alimentou temores de recessão para a economia global.

“Mais de três ​meses após o ⁠início da guerra no Oriente Médio, a economia global parece estar se ⁠mantendo firme. Os preços das commodities, a inflação e as expectativas em relação a ela, bem como as condições financeiras, foram todos afetados — mas ainda não de forma a sinalizar uma desaceleração global”, escreveu ela.



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Leilões de propriedades rurais no Brasil disparam com avanço da dívida rural


SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) – Os leilões de propriedades ⁠rurais tomadas por credores estão aumentando vertiginosamente em todo o Brasil, segundo ⁠dados compilados para a Reuters, à medida que a inadimplência no campo cresceu para quase um quinto ‌dos empréstimos em circulação.

Preços mais baixos dos grãos, taxas de juros altíssimas e custos crescentes dos insumos, bem como os estragos causados por um clima imprevisível em um cenário de mudanças climáticas, levaram a falências e à ‌tomada de mais fazendas em todo o Brasil, disseram produtores e analistas à Reuters.

Para agravar os problemas, os agricultores brasileiros estão se preparando para um possível fenômeno climático do tipo ‘super El Niño’, que poderia prejudicar a produtividade das safras e reduzir ainda mais suas rendas.

Além disso, a alta nos preços dos fertilizantes durante a guerra no Irã levou mais agricultores brasileiros a reduzir suas ambições em relação a novos plantios.

O Rio Grande do Sul é um dos Estados ⁠que ‌sofre com a inadimplência, após as enchentes catastróficas de 2024 influenciadas pelas mudanças climáticas em ano de El ⁠Niño, de acordo com um estudo publicado em janeiro na revista ‘NPJ Natural Hazards’, da editora ‘Nature’.

As dívidas problemáticas emitidas sob as regras de crédito rural do Brasil mais que quadruplicaram em dois anos, chegando a R$171,2 bilhões no início deste ano, de acordo com dados do Banco Central que acompanham questões como empréstimos inadimplentes, inadimplências, pagamentos reescalonados e renegociações.

As dívidas inadimplentes cresceram para 19,6% dos empréstimos agrícolas, ante apenas 5,5% dois ​anos antes, mostraram os dados do Banco Central.

‘Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado’, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura do Brasil, Guilherme Campos, à Reuters.

VENDA DE PROPRIEDADES ​RURAIS

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Os credores brasileiros têm se tornado mais agressivos na tomada de terras agrícolas como garantia de empréstimos inadimplentes, aumentando o número de propriedades rurais em leilão, de acordo com dados do site agregador Leilão Imóvel compartilhados com a Reuters.

O volume desses leilões saltou para 14.219 propriedades rurais leiloadas em 2025, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.

As propriedades tomadas e leiloadas em procedimentos extrajudiciais mais rápidos quase dobraram, chegando a 2.398 no ‌ano passado.

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O Leilão Imóvel pesquisou cerca de 7% a mais de leiloeiras em ​2025, portanto os dados não são diretamente comparáveis, disse o cofundador André Figueiredo.

No entanto, as maiores leiloeiras vêm compartilhando dados desde 2019 e há uma tendência clara que mostra piores dificuldades financeiras para os agricultores brasileiros nos últimos anos, afirmou ele.

‘O volume de imóveis rurais ⁠aumentou bastante’, disse ele, acrescentando que as regiões ​voltadas para a produção de ​soja e outros grãos foram as mais afetadas.

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Os pedidos de recuperação judicial do setor agrícola aumentaram 56% em 2025, após mais que dobrarem em ⁠2024, de acordo com dados publicados pela agência de crédito ​Serasa Experian.

CLIMA TURBULENTO

Os produtores ainda lutam para se recuperar de uma série de choques, disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.

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Outros fatores que prejudicam a capacidade dos agricultores de arcar com suas dívidas, disse ele, incluem o mau tempo, ​preços mais baixos para as exportações agrícolas — particularmente a soja — e uma taxa de juros de referência brasileira que subiu de 2% para 15% em cinco anos.

‘A perspectiva para frente não é ​boa’, acrescentou ele. ‘Os juros ficaram muito ⁠altos e não sabe onde vão ficar os preços das commodities. A chance de choques por problemas climáticos é muito alta.’

Um agricultor do Rio Grande ⁠do Sul, que pediu para não ser identificado, disse que é uma luta acompanhar as taxas de juros ‘impagáveis’ depois que condições climáticas extremas arruinaram suas safras. Um credor recentemente tomou posse de mais da metade da fazenda da família.

‘A mudança climática, ela é expressiva, ela é evidente. Nós não estamos conseguindo produzir uma hora por muita chuva e outra hora por muito sol. Então eu te digo assim: o fator clima é o fator que nos colocou nessa posição.’



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Acordo EUA-Irã derruba petróleo, mas alívio na inflação exige cautela


A sinalização de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio trouxe alívio aos mercados globais e provocou um recuo recente nos preços do petróleo. A resolução diplomática diminuiu as tensões na região e abriu caminho para a normalização do fluxo comercial de energia no Estreito de Ormuz. No entanto, especialistas avaliam que o impacto dessa trégua na inflação e na trajetória dos juros globais e brasileiros esbarra em desafios macroeconômicos persistentes. 

Saiba mais: Tudo sobre o acordo dos EUA com o Irã: o que se sabe e o que falta definir

Reposição de estoques deve pressionar preços

No cenário internacional, o otimismo com a abertura do Estreito de Ormuz para o tráfego de navios tem impacto direto nas projeções de custos. Segundo Shinichiro Fukui, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, a retomada do fluxo normal de tanques petrolíferos diminui o impacto nos preços da commodity e reduz a pressão inflacionária global. 

Contudo, Fukui alerta que a inflação nos Estados Unidos e no mundo ainda sofrerá pressões nos próximos meses, reflexo do aumento do petróleo nos últimos dois meses durante a guerra. Ele explica que países como China, Japão, Coreia e nações europeias utilizaram suas reservas estratégicas de petróleo durante o conflito e, obrigatoriamente, precisarão repô-las. 

Leia também: Retomada do fluxo em Ormuz deve ser gradual e levar semanas, dizem analistas

Além dessa recomposição estrutural, a guerra evidenciou a vulnerabilidade das cadeias de suprimento globais. Segundo Fukui, economias menores e países importadores devem mudar sua dinâmica de segurança energética e, assim como acumulam dólares e ouro, devem passar a formar reservas próprias de petróleo. 

Isso deve gerar uma “demanda extra futura” que manterá os preços pressionados. “Esse impacto na inflação não tem como evitar. Você vai ter uma onda de inflação forte agora nos próximos meses, mas depois ele tende a retornar ao normal”, afirma Fukui. 

Diante desse novo xadrez de suprimento e demanda, o gestor avalia que é muito difícil que o barril retorne ao patamar de US$ 60 observado antes da guerra. 

Juros dos EUA em pausa

A redução das tensões também alivia a pressão sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Segundo Fukui, o mercado chegou a precificar até dois aumentos na taxa de juros norte-americana devido à guerra, mas o arrefecimento do conflito abre espaço para a manutenção no patamar atual. 

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Esse alívio se soma à mudança de presidência do Fed, que na próxima reunião, marcada para esta terça e quarta-feiras (16 e 17), será liderada pela primeira vez pelo novo presidente Kevin Warsh, um crítico sobre as decisões de juros baseadas na inflação do passado.

Fukui destaca que a economia dos EUA segue impulsionada pelo superciclo de investimentos em Inteligência Artificial, que tem garantido forte consumo discricionário por parte de uma parcela da população de alto poder aquisitivo e absorvido cortes de vagas das gigantes de tecnologia, mesmo com sinais de alto endividamento do consumidor médio. Todo este cenário deverá ser avaliado pelo comitê para decidir os juros americanos.

O impacto no Brasil

Embora o recuo do petróleo no mercado internacional seja favorável em escala global, seus efeitos de alívio no Brasil são limitados pelas dinâmicas internas de mercado. Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, explica que o Brasil não tem um repasse automático das variações globais para as bombas devido à política de preços individual da Petrobras. 

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Leia também: Acordo de paz entre EUA e Irã: qual o impacto na Petrobras e no mercado brasileiro?

Para Saravalle, as expectativas de inflação para o ano de 2026 – atualmente na casa de 5,20% a 5,30% – já contemplavam um cenário com o barril do petróleo variando entre US$ 85 e US$ 90. 

“Caso a gente tenha ao longo dos próximos dias um petróleo caminhando para baixo de 80 dólares, a gente poderia revisar nossas expectativas de inflação para baixo de 5%”, projeta o estrategista.

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Ainda assim, a inflação ficaria acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central. Ele afirma que, para atingir um quadro mais benigno de forma estrutural, as cotações do petróleo teriam que recuar para níveis próximos a US$ 75, um cenário possível, “mas ainda pouco provável” no curto prazo. 



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XP vê Selic a 14,25% e alerta para freio nos cortes, mesmo com fim da guerra


A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta terça e quarta-feira, deve levar a Selic a 14,25%, com um corte de 0,25 ponto percentual. Mas, mesmo com o recuo do petróleo impulsionado pela sinalização de um acordo entre Estados Unidos e Irã sobre o fim do conflito no Oriente Médio, a decisão deverá vir acompanhada de um comunicado mais duro, de tom hawkish. A XP projeta que a autoridade monetária deve sugerir a possibilidade de uma interrupção no ciclo de afrouxamento, refletindo a piora no cenário de inflação. 

O relatório “Esquenta do Copom”, assinado pelos economistas Caio Megale, Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, mostra que as projeções de inflação do Banco Central devem se distanciar ainda mais da meta oficial. A corretora avalia que a expectativa para o índice oficial da inflação, o IPCA, no quarto trimestre de 2027 — o atual horizonte relevante de política monetária — subirá de 3,5% para 3,6%. 

Apesar da piora no balanço de riscos, a XP avalia que o nível atual de juros permite a manutenção do ciclo de cortes. “Entendemos que, na avaliação do Comitê, os juros ainda estão excessivamente elevados e, portanto, podem ser reduzidos. Especialmente à luz da queda recente nos preços do petróleo, os quais vêm merecendo destaque na comunicação do Copom”, escrevem os economistas. 

Câmbio pressionado e reaceleração da demanda

A cautela do Copom deve ser motivada pela composição da inflação e a taxa de câmbio, que acenderam sinais de alerta. O real deixou de ajudar a conter as projeções inflacionárias e sofreu uma depreciação de cerca de 2% nas últimas semanas, com a cotação de referência subindo para a faixa de R$ 5,10. Além disso, a média dos núcleos do IPCA tem oscilado em torno de 5,5%, patamar que beira o dobro da meta central de 3% perseguida pelo Banco Central. 

Essa pressão sobre os preços ocorre em meio a uma expressiva reaceleração da demanda. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre registrou um crescimento anualizado superior a 4,0%. Segundo os analistas, esse avanço é explicado, em grande medida, pelo amplo conjunto de medidas fiscais e parafiscais implementadas pelo governo desde o final do ano passado. Tais estímulos possuem um impacto potencial estimado em 1,5 ponto percentual sobre o crescimento anual, limitando a ociosidade da economia. 

Choques externos e gargalos de oferta

No cenário internacional, os choques globais de oferta persistem. O documento destaca o aumento da inflação ao produtor na Ásia, reflexo da pressão nos custos de insumos tecnológicos gerada pela forte expansão dos investimentos atrelados à Inteligência Artificial (IA).

Adicionalmente, as chances de um fenômeno climático El Niño severo cresceram, o que pode resultar em menor produção agrícola e elevar os preços dos alimentos a partir do segundo semestre deste ano. 

O futuro da Selic e a comunicação

O foco das atenções do mercado financeiro deve se voltar ao comunicado pós-reunião. A XP avalia que o Banco Central evitará indicar explicitamente o término do ciclo de flexibilização monetária, optando por manter espaço para cortes adicionais caso o cenário evolua de forma favorável. No entanto, a expectativa é que o Comitê retire de seu texto oficial a tradicional menção aos “próximos passos da calibração dos juros”, sinalizando que uma pausa pode ocorrer em breve. 

O cenário-base inclui mais duas reduções de 0,25 p.p. na taxa Selic, segundo a XP, o que levaria os juros a 14% até o fim do ano. Contudo, considerando os desafios à frente, os economistas alertam que o Comitê pode optar por interromper o ciclo após a redução desta semana, pausando a Selic em 14,25%. 

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A retomada dos cortes mais sólidos ficará restrita ao próximo ano e estará condicionada ao avanço de reformas que coloquem as contas fiscais brasileiras em uma trajetória mais sustentável. Sob essa hipótese, e considerando a postura mais conservadora de curto prazo para conter as pressões correntes, a corretora projeta que a taxa Selic encerrará 2027 no patamar de 11,50%.



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Primeira coletiva de imprensa de Warsh no Fed pode revelar estratégia para inflação


WASHINGTON, 15 Jun (Reuters) – O novo chair do Federal ⁠Reserve, Kevin Warsh, tem falado longamente nos últimos anos sobre o ⁠balanço patrimonial do banco central dos Estados Unidos, a necessidade de se pronunciar menos sobre as taxas ‌de juros e por que o órgão não deve se envolver em questões como as mudanças climáticas.

Uma coletiva de imprensa do Fed na quarta-feira, porém, marcará seus primeiros comentários substantivos no cargo de chair sobre ‌o que está acontecendo com a inflação, o desemprego e as perspectivas econômicas, à medida que ele faz uma virada retórica das palavras abstratas de um analista de políticas para as palavras concretas — e potencialmente capazes de movimentar o mercado — do banqueiro central mais importante do mundo.

A inflação, em particular, parece estar estagnada mais de um ponto percentual acima da meta de 2% do Fed, e a avaliação de Warsh sobre se e quando ela ⁠provavelmente ‌cairá será um primeiro passo fundamental na evolução da política monetária sob sua liderança.

É algo que os investidores ⁠tomarão como um indício sobre a probabilidade de juros mais altos, que muitos agora prevêem para este ano.

O que poderia ter sido apenas choques de preços temporários, desencadeados pelos aumentos das tarifas de importação do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e pelos preços elevados do petróleo devido à guerra dos EUA contra o Irã, agora ameaça se tornar um problema de inflação mais persistente. Enquanto isso, ​o mercado de trabalho norte-americano está próximo do pleno emprego, as contratações se recuperaram e os colegas de Warsh nos distritos regionais do Fed sugeriram, em um relatório recente, o aumento das pressões salariais.

A coletiva ​de imprensa imediatamente após o término da reunião de política monetária do Fed, realizada entre 16 e 17 de junho, dará a Warsh a oportunidade de abordar essas correntes econômicas contraditórias enquanto constrói uma narrativa sobre os riscos que vê para o banco central e como planeja estruturar sua resposta.

Warsh, que sucedeu o ex-chair do Fed Jerome Powell há cerca de um mês, “tem se manifestado muito mais abertamente em relação ao ‌balanço patrimonial e à estratégia de comunicação. Quando se trata de qual é ​a sua teoria da mudança para a inflação, qual é a sua visão em termos da postura atual da política monetária, essas coisas são uma grande caixa preta que vamos começar a abrir”, disse Ed Al-Hussainy, gestor de carteiras de renda fixa e macro ⁠na Columbia Threadneedle, aos repórteres na semana ​passada.

Haverá muito a ser desvendado: ​a avaliação de Warsh sobre o impacto das tarifas nos preços dos bens; se o recente choque nos preços do petróleo vai persistir ⁠e se espalhar; se, como sugerem dados recentes, a melhora ​na inflação que vinha da desaceleração dos preços dos aluguéis já chegou ao fim.

Esses são os tipos de questões que Powell, que permanece no Conselho de Diretores do Fed, abordaria diretamente em suas coletivas de imprensa. Warsh afirmou que não ​quer fornecer muitas informações sobre os prováveis próximos movimentos do banco central em relação às taxas de juros. Mas onde ele traçará a linha divisória entre “orientação prospectiva” e a apresentação de ​suas perspectivas para a economia ou ⁠a inflação será um aspecto importante de sua coletiva de imprensa de posse.

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“Acho que Warsh vai evitar responder à pergunta” sobre para onde a ⁠inflação está indo e o que o Fed talvez precise fazer a respeito, disse Christopher Hodge, economista-chefe para os EUA da Natixis CIB Americas, que ainda espera que o banco central norte-americano reduza as taxas de juros em vez de aumentá-las, embora o momento ainda seja incerto. Apesar de um “tom neutro a hawkish”, disse Hodge, “não acho que ele vá descartar cortes, mas o ônus recairá sobre os dados para provar que o choque energético já passou”.



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