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Fitch reafirma rating soberano do Brasil em “BB”, com perspectiva estável


A Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BB”, com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia, a robustez das contas externas e a flexibilidade cambial como pilares de sustentação do perfil de crédito do país.

Segundo a agência de classificação de risco, o Brasil se beneficia de uma economia ampla e diversificada, além de mercados domésticos profundos, que garantem maior flexibilidade no financiamento do governo e reduzem a dependência de dívida em moeda estrangeira. Por outro lado, o rating permanece limitado por fatores estruturais, como o elevado nível de endividamento público, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e fragilidades institucionais.

A Fitch também destaca que a incerteza fiscal continua sendo um dos principais riscos macroeconômicos, com maior clareza sobre o rumo das reformas estruturais esperada apenas após as eleições presidenciais de outubro.

Disputa eleitoral e direções econômicas

No cenário político, a agência projeta uma disputa acirrada e polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. De acordo com a Fitch, o resultado da eleição poderá influenciar significativamente o direcionamento da política econômica e fiscal.

Em um eventual novo governo Lula, a tendência seria de continuidade, com foco em gastos sociais, tributação progressiva e menor apetite para reformas estruturais de despesas. Já uma administração de Flávio Bolsonaro tenderia a adotar uma agenda mais pró-mercado, com redução de impostos, maior eficiência do gasto público e avanço de privatizações — ainda que com incertezas relevantes quanto à capacidade de implementação.

Déficit elevado e dívida em alta

A Fitch projeta deterioração das contas públicas nos próximos anos. O déficit do governo geral deve subir para 8,6% do PIB em 2026, ante 8,1% em 2025, nível bem acima da mediana de 3,5% para países com rating semelhante (“BB”). A expectativa é de alguma redução para 8% em 2027, impulsionada por menor custo de juros e melhora do saldo primário.

Ainda assim, o quadro fiscal permanece pressionado. A dívida bruta do governo deve ultrapassar 80% do PIB em 2026, após atingir 78,6% em 2025. Na avaliação da Fitch, déficits elevados e persistentes aumentam a vulnerabilidade do país a choques externos e mudanças no apetite dos investidores.

Apesar disso, a composição da dívida mitiga parte dos riscos. A baixa participação de passivos em moeda estrangeira, a presença de investidores locais, o elevado colchão de liquidez do Tesouro e a gestão ativa da dívida ajudam a reduzir pressões de curto prazo.

Crescimento resiliente, mas desaceleração à frente

Mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, a economia brasileira deve seguir resiliente no curto prazo. A Fitch estima crescimento do PIB de 2,1% em 2026, após expansão de 2,3% em 2025, sustentado por consumo robusto, mercado de trabalho aquecido, desemprego em níveis historicamente baixos e ganhos reais de renda.

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A agência também destaca o impacto da reforma do imposto de renda implementada em 2025, que elevou a renda disponível das famílias de menor renda — com maior propensão a consumir — ao mesmo tempo em que aumentou a tributação sobre os mais ricos.

Para 2027, a expectativa é de desaceleração do crescimento para 1,7%, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados e uma eventual redução do estímulo fiscal.

Inflação pressionada e juros mais altos por mais tempo

A inflação segue como um ponto de atenção. Após atingir 4,7% em maio de 2026, a Fitch projeta que o índice chegue a 5% no fim do ano, acima do teto da meta de inflação. Pressões vêm principalmente do setor de serviços, dos preços de alimentos e de choques globais de energia.

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Com isso, o ciclo de queda de juros deve ser mais gradual. A agência estima que a taxa Selic encerre 2026 em 13%, indicando um ritmo de flexibilização mais lento do que o antecipado anteriormente.

Contas externas seguem como ponto forte

Em contraste com o quadro fiscal, o setor externo permanece como um dos principais pontos positivos. O déficit em conta corrente deve recuar para 2,2% do PIB em 2026, beneficiado pela desaceleração da demanda doméstica e pelo desempenho das exportações de commodities.

O país segue contando com forte entrada de investimento estrangeiro direto, suficiente para financiar o déficit externo. As reservas internacionais, em cerca de US$ 371 bilhões, permanecem robustas, cobrindo mais de oito meses de pagamentos externos — patamar superior ao de muitos pares.

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O que pode mudar o rating

A Fitch aponta que melhorias no rating dependeriam de avanços consistentes na consolidação fiscal e na estabilização da dívida pública, além de sinais de aumento do potencial de crescimento econômico.

Por outro lado, um eventual rebaixamento poderia ocorrer em caso de deterioração adicional das contas públicas ou perda de credibilidade na política fiscal, especialmente se não houver medidas para garantir sustentabilidade da dívida no médio prazo.

Em síntese, a avaliação da agência indica que, embora o Brasil mantenha fundamentos sólidos em áreas-chave — como o setor externo e a estrutura de financiamento —, o desafio fiscal segue como principal entrave para uma melhora mais consistente do risco soberano.

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Ministério da Agricultura negocia aumento de 10% no Plano Safra com corte de juros


O Ministério da Agricultura negocia com o Ministério da Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior. Se a proposta avançar, o volume destinado à agricultura empresarial poderá chegar perto de R$ 570 bilhões, disse nesta terça-feira o secretário-executivo da pasta, Cleber Soares.

A declaração se refere à agricultura empresarial, e não à familiar, cujo plano é conduzido por outro ministério.

“Mas, se 10% não for possível e conseguirmos pelo menos a inflação, de quatro vírgula pouco, já será um incremento muito bom, dado o cenário e a conjuntura do país como um todo e também a conjuntura global”, afirmou Soares a jornalistas, após evento promovido pela Veja, em São Paulo.

Segundo ele, o ministério também defende que a taxa de juros “teto” do Plano Safra 2026/27 fique em um dígito. A referência é o programa Move Agro, que prevê R$ 14 bilhões para compra de equipamentos e máquinas com taxa de pouco mais de 9% ao ano.

“O jogo não é fácil”, disse o secretário. Ele lembrou que, no ciclo passado, a menor taxa de juros do plano empresarial ficou em cerca de 8%, com possibilidade de desconto na linha de agropecuária sustentável, enquanto a maior chegou a 13,5%, no Moderfrota.

“Em um cenário mais equilibrado, se reduzir em média 2 pontos percentuais, já é um grande ganho para o setor. Ou seja, chegar a um referencial de 6,5% a 11% é um grande ganho”, afirmou.

Paralelamente, o governo também trabalha no projeto de lei 5.122, que trata da renegociação de dívidas agrícolas, para evitar que produtores endividados sejam impedidos de acessar novos recursos por restrições de crédito.

“O PL está em negociação. O valor inicialmente estimado é de R$ 140 bilhões. O Ministério da Fazenda está negociando com a Frente Parlamentar para encontrar uma equação”, disse Soares.

Segundo o secretário, essa equação passa por renegociar as dívidas e, ao mesmo tempo, reduzir os juros. O novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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Gestoras abandonam “kit Brasil” e correm para o dólar antes do Copom, mostra XP


A pesquisa da XP com gestoras multimercados mostra uma mudança de posicionamento em relação a juros, dólar e Bolsa nas vésperas da decisão sobre a taxa Selic do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada nesta quarta-feira (17). Se, em abril, 100% dos gestores mantinham posições vendidas em dólar, marcando “o maior consenso já registrado na série histórica”, agora, em junho, 80% dos fundos estão comprados na moeda americana e apenas 20% seguem apostando na sua queda. 

Em relação aos juros, 84% das gestoras apostam em redução de 0,25 ponto percentual na Selic, indo a 14,25%, enquanto 16% espera a manutenção em 14,5%.

A pesquisa foi feita entre 8 e 12 de junho com 25 gestoras – antes, portanto, da divulgação do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Câmbio

O intervalo entre as reuniões do Copom mostra como as mudanças no fluxo de capital global podem alterar rapidamente as estratégias dos multimercados, destacam os analistas de fundos Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini, no relatório.

Se, em abril, a economia levava as gestoras a aumentar as apostas no “kit Brasil” — com recomendações em bolsa brasileira, valorização do real, e calibragem de juros –, em junho o ambiente se inverteu. O câmbio, que até então era um dos principais vetores de aposta no otimismo com o Brasil, agora passou a operar como instrumento de proteção financeira. Os dados mostram essa reversão:

(Imagem: Reprodução Pesqusia XP com gestoras multimercados)

O movimento em relação à moeda brasileira caminha para o lado oposto. As posições compradas em real recuaram de 91% para 31%, enquanto as posições vendidas saltaram de 9% para 69%. Para os analistas da XP, essa migração de ativos “não se trata de resistir a um teste de convicção, mas de reconhecer uma possível mudança de regime de fluxo”.

Leia também: Melhores multimercados apostam no exterior e campeão paga 1.600% do CDI em 1 mês

A mudança ocorreu no momento em que os investidores globais se concentravam em financiar o setor de Inteligência Artificial — puxando as bolsas asiáticas para cima —, e o mercado brasileiro caía, perdendo para outros países emergentes. Além disso, o cenário doméstico piorou com a alta do petróleo, que ressuscitou o medo da inflação e manteve as expectativas de juros altos, em meio à tensão de um ano eleitoral.

Juros

Apesar da aposta majoritária na redução de juros no curto prazo, a convicção sobre a extensão do ciclo de afrouxamento monetário diminui. Na visão de longo prazo, houve continuidade na elevação das expectativas para a Selic ao final de 2026, que atingiu 14,1%, impulsionada pelos riscos inflacionários e pela dinâmica global de energia e commodities. A inflação projetada para 2026 pelos fundos também subiu, fixando-se em 5,2%

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No cenário internacional, 100% dos gestores aguardam a manutenção dos juros nos Estados Unidos.

Leia também: FED: Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos

(Imagem: Reprodução Pesqusia XP com gestoras multimercados)

O apetite pelo mercado acionário local também perdeu tração, apontam os analistas. O levantamento indica uma redução das posições compradas na bolsa brasileira, que recuaram de 71% em abril para 60% em junho. Em contrapartida, as posições vendidas em ações nacionais dobraram, passando de 10% para 20% no mesmo período. 

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(Imagem: Reprodução Pesqusia XP com gestoras multimercados)

Esse recuo reflete uma leitura mais cautelosa sobre a economia nacional. Segundo os dados compilados, a parcela de gestores com uma visão negativa sobre o cenário doméstico dobrou de 19% para 38%, enquanto a perspectiva positiva estacionou na faixa dos 24%. 

Leia também: Bolsas da América Latina podem ter “2ª chance” em 2026 e Brasil é favorito, diz BBI

Contudo, os especialistas ressaltam que esse reposicionamento da gestão não traduz um pessimismo estrutural definitivo com os ativos locais. O aumento de posições neutras em carteira sugere, na verdade, uma tática de preservação de capital até que haja maior clareza sobre o controle da inflação, a trajetória da política monetária e os desdobramentos do quadro eleitoral.



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Vendas no varejo têm queda de 1,5% em abril e indicam perda de fôlego no consumo


As vendas no comércio varejista apresentaram um recuo de 1,5% em abril na comparação com março, contrariando as expectativas do mercado, que projetava uma retração mais branda, de 0,6%. Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (16). Eles mostram que o resultado interrompe uma sequência de três meses consecutivos de alta, devolvendo o patamar dessazonalizado ao nível registrado em janeiro deste ano.

No acumulado de 12 meses, o setor ainda apresenta alta de 1,5% e, na comparação com abril do ano anterior, cresceu 1%. Em janeiro, o PMC havia registrado avanço de 0,5%; em fevereiro, 0,8% e, em março, 0,7%.

Período Varejo Varejo Ampliado
Abril / Março* -1,5 -0,7
Média móvel trimestral* 0 0,1
Abril 2026 / Abril 2025 1 1,4
Acumulado 2026 2 1,8
Acumulado 12 meses 1,5 0,2
Fonte: PMC/IBGE

Queda generalizada 

Os economistas da XP Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, destacam que a queda nas vendas do varejo foi generalizada, e só não foi maior porque a categoria Supermercados, Produtos Alimentícios e Bebidas avançou 1,3%, amortecendo a queda do indicador cheio.

De acordo com os dados do IBGE, os resultados mais fracos foram registrados na categoria de Combustíveis e lubrificantes, com expressiva queda de 6,2% após avanço de 5% em março, refletindo o choque do petróleo.

Em seguida vem Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, que caiu 4,6%; e Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação, com recuo de 4,5%. Móveis e eletrodomésticos contraíram 0,8%, marcando o quinto mês consecutivo de queda.

O varejo ampliado (que inclui segmentos automotivo e de construção) também surpreendeu negativamente ao cair 0,7%, ante uma expectativa do mercado de alta de 0,2%. A categoria de Veículos decepcionou ao recuar 0,7%, e Materiais de Construção caiu 3,6%.

Para o Itaú, chamou a atenção o desempenho do setor de Atacado especializado em alimentos, que avançou 2%, mas a previsão da instituição era de 10%. Eles também citam os Combustíveis e lubrificantes, que avançaram 1,6%, mas a estimativa era de 7,2%.

“Os dados são consistentes com um início mais fraco para o varejo no segundo trimestre, e sugerem um repasse limitado dos pagamentos judiciais (precatórios) realizados no final de março. Em abril, as categorias sensíveis ao crédito apresentaram melhor desempenho, enquanto as categorias sensíveis à renda registraram queda, conforme previsto”, analisam as economistas do Itaú Natalia Cotarelli e Marina Garrido.

Condições restritivas limitam o consumo

Analisando os recortes do setor, os economistas da XP destacam a queda de 0,6% nas atividades sensíveis à renda, enquanto as atividades sensíveis ao crédito recuaram 1,4%. “Isso sugere que a fraqueza de abril foi mais visível em segmentos ligados a compras discricionárias [não essenciais] e às condições financeiras, ainda que as categorias relacionadas a alimentos tenham permanecido resilientes”, avaliam Margato e Maluf. 

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Comércio é o único setor a contrair

O resultado de abril do varejo destoa de outros indicadores econômicos do período. André Valério, economista sênior do Inter, aponta que o comércio foi o único setor pesquisado pelo IBGE a apresentar contração no mês, enquanto a produção industrial avançou 0,7% e os serviços cresceram 1,2%.

“Quando decompomos o índice de varejo de acordo com sua sensibilidade à renda e ao crédito, vemos queda em ambas as medidas, reforçando esses indícios de fragilidade no consumo, em linha com o ambiente de condições financeiras restritivas que se vê nos últimos meses”, afirma Valério. 

O economista destaca ainda que, embora o setor cresça 2% no acumulado do ano, 60% desse avanço é sustentado por itens essenciais, como alimentos, produtos farmacêuticos e combustíveis.

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Essa leitura também é observada por Leonardo Costa, economista do ASA, que enxerga no dado amplo um alerta para o curto prazo. 

“A queda disseminada entre atividades e regiões aponta para uma perda de fôlego do consumo doméstico”, avalia Costa, ressaltando que o número indica uma desaceleração no começo do segundo trimestre para o comércio. 

Trabalho e ‘bondades’ devem sustentar demanda

Apesar do balde de água fria no mês de abril, os economistas da XP ressaltam que o resultado deve ser interpretado com cautela, já que os fundamentos do consumo permanecem sólidos. “Um mercado de trabalho robusto e um amplo conjunto de medidas de estímulo anunciadas recentemente devem sustentar a demanda doméstica nos próximos meses”, avaliam os analistas, calculando que tais medidas do governo podem adicionar até 1,5 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB) neste ano

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A equipe econômica do Bradesco destaca que os dados mostram acomodação no consumo de bens, seja relacionado ao crédito ou à renda. “A desaceleração do mercado de trabalho e a política monetária em patamar restritivo tendem a pressionar o consumo das famílias para baixo. Por outro lado, as medidas de crédito divulgadas recentemente sustentam uma desaceleração mais gradual.”

Com isso, a XP recuou em sua projeção para o crescimento do PIB no segundo trimestre de 2026, que passou de 0,6% para 0,5%. O Bradesco tem a mesma projeção para o período. No fechamento do ano, a XP segue esperando uma alta de 2% no PIB total, com riscos inclinados para cima. 



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Vendas do varejo recuam 1,5% em abril


O volume de vendas do comércio varejista do país recuou 1,5% em abril frente a março, na série livre de influências…



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Vendas no varejo do Brasil caem 1,5% e têm em abril maior queda em quase 4 anos


SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 16 Jun (Reuters) – A atividade de combustíveis pressionou o varejo brasileiro em abril e as vendas totais do setor registraram a queda mais intensa em quase quatro anos, em meio a uma política monetária ainda restritiva.

Em abril as vendas tiveram queda de 1,5% na comparação com o mês anterior, registrando alta de 1,0% em relação ao mesmo período de 2025, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.

A taxa mensal de contração foi a mais forte desde junho de 2022, quando houve queda de 2,8%, marcando o primeiro recuo das vendas neste ano.

Os resultados foram bem mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters de retração de 0,6% na comparação mensal e de ganho de 1,95% na base anual.

“Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de menor susceptibilidade”, disse o gerente da pesquisa no IBGE, Cristiano Santos.

Um mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo ao consumo vêm ajudando o setor varejista mesmo diante da taxa de juros elevada, com a Selic atualmente em 14,5%, e do aumento de preços como consequência da guerra no Oriente Médio. O BC anuncia sua nova decisão sobre a Selic na quarta-feira.

No primeiro trimestre, o consumo das famílias cresceu 1,0%, acelerando ante o trimestre anterior, de acordo com dados do PIB divulgados pelo IBGE no mês passado.

Em abril, entre as oito atividades do varejo pesquisadas pelo IBGE, seis apresentaram retração nas vendas — Combustíveis e lubrificantes (-6,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%), Móveis e eletrodomésticos (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-0,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%).

Na outra ponta, Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%) tiveram ganhos em abril.

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“Houve um rebatimento geral no indicador. O que estava puxando o índice para cima nos meses anteriores foi o que justamente caiu em abril. O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, disse Santos.

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas recuou 0,7% em abril frente ao mês anterior.



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Abates de bovinos, suínos e frangos tem o melhor resultado para um 1º trimestre


No 1° trimestre de 2026 foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos, alta de 3,3% em comparação com o mesmo período…



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BC do Japão eleva taxa de juros para maior nível em 31 anos


TÓQUIO, 16 ⁠Jun (Reuters) – O Banco do Japão elevou a taxa de ⁠juros para o maior patamar em 31 anos nesta terça-feira, marcando mais ‌um passo decisivo na normalização da política monetária, com foco em conter as pressões inflacionárias decorrentes do choque energético causado pela guerra do Irã.

O aumento foi ‌o primeiro desde dezembro e alinha o Banco do Japão com outros bancos centrais que estão adotando uma política monetária mais restritiva para combater a inflação, incluindo o Banco Central Europeu.

O vice-presidente Shinichi Uchida reconheceu o recente acordo de paz entre os EUA e o Irã, que descreveu como uma “medida bem-vinda”, mas observou riscos ⁠inflacionários ‌persistentes.

“Em comparação com a reunião anterior, o risco de uma deterioração acentuada da ⁠economia diminuiu. Por outro lado, os aumentos de preços estão se generalizando e há o risco de que a inflação subjacente se desvie de nossa meta”, disse Uchida em uma coletiva de imprensa realizada em nome do presidente Kazuo Ueda, que não compareceu à reunião por motivos de saúde.

Em ​um movimento amplamente esperado, o banco central decidiu elevar sua taxa de juros de curto prazo de 0,75% para 1%, levando os custos dos empréstimos ​a níveis vistos pela última vez em 1995.

Em comunicado anunciando a decisão, o Banco do Japão afirmou que o risco de uma deterioração acentuada da economia japonesa devido ao conflito no Oriente Médio diminuiu graças aos avanços na obtenção de fontes alternativas de energia.

Por outro lado, as perspectivas de preços merecem ‌atenção, já que as empresas estavam repassando os custos ​crescentes do petróleo umas às outras em um “ritmo relativamente rápido”, o que pode elevar os preços ao consumidor em uma ampla gama de itens, afirmou.

“Levando em conta que as expectativas de inflação de ⁠médio e longo prazo ​também continuaram a aumentar, ​há o risco de a inflação subjacente se desviar para acima de nossa meta de preços”, afirmou ⁠o banco central.

A decisão foi tomada por ​7 votos a 1. Toichiro Asada, que ingressou na diretoria em abril como o primeiro membro escolhido a dedo pela primeira-ministra Sanae Takaichi, discordou da visão de que os riscos ​de queda para o crescimento decorrentes do conflito no Oriente Médio eram maiores do que os riscos de inflação.

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O Banco do Japão ​também decidiu suspender seu ⁠programa de redução gradual de compras de títulos a partir de abril do próximo ano e continuar a ⁠comprar cerca de 2 trilhões de ienes (US$ 12,5 bilhões) em títulos do governo japonês por mês.

Ele descontinuará a prática de realizar uma revisão anual de seu plano de redução de compras de títulos, mas permanecerá pronto para ajustar o ritmo das compras, se necessário, em futuras reuniões de política monetária.



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Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos


Diretores do Federal Reserve (FED, o Banco Central dos Estados Unidos) vão se reunir nesta terça (16) e quarta-feira (17) para decidir os juros do país. Mas não é a decisão, em si, que atrai a atenção do mercado. Já é consenso que a opção deve ser pela manutenção do juro no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano.

O que todos estão de olho é na comunicação da decisão para saber quais serão os próximos passos da política monetária, após acordo de paz firmado entre EUA e Irã, e no pronunciamento do novo presidente Kevin Warsh, que tomou posse em maio, sucedendo Jerome Powell. 

Inflação resiliente e o choque de energia

A economia americana tem exibido dados de atividade intensos, que desafiam as projeções de desaceleração. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,5% em maio, acumulando alta de 4,2% em 12 meses. Como pontua o Bank of America (BofA), embora o setor de energia componha apenas 7,5% da cesta do CPI, ele foi responsável por mais de 60% do aumento mensal, com a gasolina acumulando alta de 30% no período.

Leia também: Acordo EUA-Irã derruba petróleo, mas alívio na inflação exige cautela

O conflito no Oriente Médio, que já ultrapassa 100 dias, é apontado pelo economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni, como o principal vetor dessa escalada, com o barril do tipo Brent acumulando um salto de 42%. Ainda que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz tenha provocado uma queda de 4% no preço do petróleo na segunda-feira (15), segundo José Faria Júnior, da Wagner Investimentos, a cautela permanece. Em análise enviada ao mercado, Luis Ferreira, do EFG Group, alerta que o núcleo do CPI, que exclui energia e alimentos, subiu 2,9% em 12 meses, com evidências claras de repasse de custos para o setor de serviços, especialmente em passagens aéreas e hospedagens.

O mercado de trabalho, por sua vez, segue como uma barreira ao afrouxamento monetário. Classificada pelo Goldman Sachs como “impressionante”, a recuperação na geração de vagas é, para Rafael Rondinelli, da MAG Investimentos, resultado da “robustez da demanda no setor de serviços”, o que gera pressões inerciais sobre a economia.

Esse dinamismo encontra eco no “super ciclo de inteligência artificial”, segundo Shinichiro Fukui, sócio da Stratton Capital. Ele explica que investimentos massivos em data centers — com quase 500 bilhões de dólares anunciados este ano — estão absorvendo mão de obra e mantendo a economia ativa, desafiando previsões de desaceleração. O resultado é uma “economia em forma de K”: enquanto uma parcela da população enfrenta endividamento, outra, ligada ao setor tecnológico e ao consumo discricionário, sustenta números robustos de emprego e atividade.

‘Era Warsh’ e a independência do Fed

A reunião desta semana será a primeira sob liderança de Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio, sucedendo a Jerome Powell. A expectativa de economistas como Andressa Durão, do ASA, e analistas do BofA e Goldman Sachs é de que a instituição abandone o “viés de flexibilização” em seu comunicado oficial, omitindo ou alterando termos que sugeriam ajustes adicionais na taxa de juros. No gráfico de pontos (dots), a previsão é de que as indicações de cortes para 2026 sejam eliminadas.

Fukui destaca que Warsh é um crítico do forward guidance e do uso exclusivo do dot plot, defendendo uma comunicação mais enxuta e o uso de indicadores forward-looking em vez de olhar apenas para o “espelho retrovisor” dos dados passados. Fukui destaca que a liderança de Warsh deve focar em eficiência, independentemente das pressões políticas sobre a autarquia.

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Juros no Brasil

O cenário americano de juros elevados por mais tempo reverbera diretamente na decisão de juros do Brasil, que também ocorre nesta quarta. Isso porque o diferencial de taxas pressiona o fluxo de capital para emergentes e levou o mercado a aumentar as  projeções para a inflação, o dólar e a Selic para os próximos anos, segundo o boletim Focus.

Leia também: Corte ou pausa da Selic? Copom enfrenta ‘ponto crítico’ na política sobre juros

O Copom terá duas frentes para avaliar e resta saber qual cenário irá pesar mais. De um lado, a reabertura do Estreito de Ormuz impulsionou expectativas de corte. A Wagner Investimentos estima 68% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, cenário acompanhado pelo Bradesco, que projeta a continuidade da calibração iniciada em março.

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Contudo, a deterioração das métricas de preço internas atua em sentido contrário. Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, ressalta que a composição do IPCA de maio é desfavorável e sustenta a possibilidade de interrupção do ciclo de afrouxamento. “Isso reforça a percepção de que é possível que não haja cortes. É provável que a gente veja uma pausa”, conclui Perri.



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produção industrial sobe 0,1% em abril ante março, como previsto


A produção industrial na zona do euro subiu 0,1% em abril ante março, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 15, pela Eurostat, como é conhecida a agência oficial de estatísticas da União Europeia.

O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados pela FactSet. Na comparação anual, a produção do bloco avançou 0,3% em abril. A Eurostat revisou os dados de produção industrial de março, que passaram a mostrar alta mensal de 0,4% e queda anual de 2,8%.



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