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Setor de serviços avança 1,2% em abril e recupera perdas de março


Na comparação com o mês anterior, o volume de serviços do país avançou 1,2% em abril de 2026, recuperando, integralmente,…



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churrasco da Copa do Mundo encarece no Brasil


A disparada dos preços no Brasil, maior produtor de carne bovina do mundo, significa que as famílias devem comprar menos carne vermelha quando se reunirem para assistir ao primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo neste sábado (13).

César Visini, por exemplo, abasteceu a churrasqueira com frango e linguiça para o encontro em família neste fim de semana.

“É mais econômico”, disse o professor de 29 anos, que mora na cidade litorânea de Praia Grande. Ele se diz irritado com o fato de os açougues estarem reduzindo a qualidade dos produtos para driblar o alto custo dos cortes nobres. “Às vezes o preço continua o mesmo, mas a qualidade piora. Isso tem acontecido bastante.”

Fazer churrasco e torcer pela seleção é uma tradição antiga, mas os preços da carne bovina, perto de níveis recordes, e a crise de endividamento das famílias ameaçam reduzir o apetite dos brasileiros justamente quando o país se prepara para semanas de futebol e churrasco. Nesta edição do torneio, os brasileiros devem colocar mais frango e linguiça suína na grelha do que carne bovina, segundo projeções da Worldpanel by Numerator.

A queda no consumo de carne também amplia os desafios do governo Lula às vésperas das eleições nacionais de outubro. Para um país que está entre os três maiores consumidores de carne bovina per capita do mundo, cortar o churrasco é mais um sinal de estresse econômico — e isso pode atrapalhar as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já fez campanha com a promessa de mais churrasco e cerveja.

A oferta global apertada e a forte demanda externa estão levando as exportações brasileiras a níveis recordes e reduzindo a disponibilidade no mercado interno. Isso aumenta ainda mais a pressão sobre os brasileiros de baixa renda, já sem folga no orçamento e com dificuldade para acompanhar os preços elevados dos alimentos e o alto nível de endividamento.

Nos três primeiros meses do ano, os brasileiros já destinaram uma fatia menor do orçamento às proteínas; a queda no volume de compra de carne bovina respondeu pela maior parte dessa redução, segundo Daniela Jakobovski, gerente de contas da Worldpanel.

Na cidade mais populosa do país, São Paulo, o preço da picanha — corte favorito dos brasileiros para churrasco — passou de 81 reais no ano passado para mais de 90 reais (US$ 17,75) por quilo em março, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola, órgão público de pesquisa.

A inflação elevou o preço de alguns cortes nobres em até 11% nos últimos 12 meses, segundo dados de maio do IBGE. No atacado, os preços da carne de vaca atingiram recentemente o maior nível da série histórica de mais de 20 anos do Cepea, centro de pesquisa agrícola da Universidade de São Paulo.

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“Pessoas como eu, que costumavam comer carne bovina duas ou três vezes por semana, agora estão limitando isso a uma vez por semana”, disse Thiago Durões, vendedor de 37 anos que mora em Brasília. “Estamos migrando para cortes mais baratos e, em muitos casos, substituindo a carne bovina por frango, porco ou qualquer proteína que ofereça melhor custo-benefício.”

O aumento da carne é apenas uma entre muitas preocupações no Brasil, onde um recorde de 82% das famílias tem dívidas em aberto, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Reduzir o endividamento dos brasileiros virou uma bandeira importante da campanha de Lula, que recentemente lançou um novo programa de renegociação de dívidas das famílias na tentativa de elevar sua popularidade.

O problema é particularmente preocupante entre as famílias de baixa renda, que apresentam taxas de endividamento acima da média. (Foto: Bloomberg)

O setor chegou até a culpar as apostas online. A Abiec, que representa os exportadores de carne bovina, e a Abaas, associação do varejo, pediram recentemente ao governo medidas para limitar os gastos em plataformas de apostas.

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Ainda assim, os brasileiros já enfrentaram tempos piores. Em 2022, quando a Argentina venceu a última Copa do Mundo, os preços dos alimentos dispararam depois que a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou os custos globais das commodities. As empresas frigoríficas continuam otimistas com a perspectiva de vendas maiores durante o torneio, com propagandas na TV exibindo não apenas os cortes tradicionais e mais caros de carne bovina, mas também alternativas mais baratas, como hambúrgueres, nuggets de frango e cachorro-quente.

“Acreditamos em um portfólio democrático, com opções de proteína tanto sofisticadas quanto acessíveis”, disse Luiz Franco, diretor de marketing da MBRF Global Foods (MBRF3), uma das patrocinadoras da seleção brasileira.

Mas até as carnes mais baratas enfrentam dificuldades, já que o consumidor brasileiro é muito sensível a preço. A guerra no Irã elevou custos de fornecedores em tudo, de embalagens plásticas a frete rodoviário, e os reajustes não têm conseguido acompanhar nem compensar totalmente esse aumento, segundo Ricardo Santin, presidente da ABPA.

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O conflito em curso no Oriente Médio surgiu como um novo risco inflacionário para as autoridades econômicas brasileiras. O aumento do preço do petróleo tem gerado preocupação com os custos dos fertilizantes, insumo fundamental para o agronegócio do país, ameaçando elevar os custos de produção em toda a cadeia agrícola.

“O choque nos preços internacionais do petróleo, além de afetar os combustíveis, pressionou os insumos industriais e os custos de transporte, com possíveis repercussões sobre itens da cadeia de alimentos”, escreveu o Ministério da Fazenda em boletim de maio. “Esse cenário é compatível com uma trajetória de inflação mais prolongada e persistente ao longo de 2026.”

No Olinda Bar e Restaurante, na Asa Sul, em Brasília, a carne de sol sempre foi um prato muito pedido. Mas o choque de preços tem levado cada vez mais clientes a escolher a salada Caesar.

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“A carne bovina ficou muito mais cara, e isso inevitavelmente elevou os preços do cardápio”, disse Jaqueline Rodrigues, gerente do restaurante. “Mais gente está optando por proteínas mais baratas, e algumas pessoas estão até deixando de comer carne.”
© 2026 Bloomberg L.P.



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Estimativa da soja aponta novo recorde na série histórica


A safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas deve somar 350,4 milhões de toneladas em maio de 2026, um crescimento…



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IPCA de maio rompe teto da meta e traz dilema sobre corte ou manutenção da Selic


O avanço da inflação para 4,72% no acumulado de 12 meses, acima do teto da meta, está dividindo o mercado. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (12), mostram uma melhora qualitativa nos serviços, o que sustenta apostas de um último alívio na Selic, atualmente em 14,5%.

Mas pressões em alimentos e energia também fortalecem o argumento de pausa na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho. No dado mensal, o IPCA avançou 0,58% em maio, superando as projeções do mercado, que estavam entre 0,52% e 0,55%.  

Alimentos e energia puxam alta do IPCA em maio

A composição do índice mostra que as pressões seguem enraizadas no orçamento diário dos brasileiros. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que o grupo de Alimentação e Bebidas saltou 1,33%, respondendo por praticamente metade da inflação do mês. O movimento reflete problemas de oferta impulsionados por fatores climáticos e custos logísticos, que encareceram itens da cesta in natura, como batata-inglesa (+44,69%), tomate (+20,62%) e cebola (+16,80%), além de carnes, leite e arroz.  

“O dado mais relevante não está no resultado mensal. Está nos 4,72% acumulados em doze meses. Em abril, esse número era de 4,39%. A inflação não apenas permanece acima do teto da meta. Ela voltou a ganhar altura. O mercado comemora números. O Banco Central observa tendências. E a tendência continua desconfortável”, afirma Olívia.

Outro vetor determinante de alta foi o grupo Habitação, que avançou 1,22%. O acionamento da bandeira tarifária amarela pela Aneel e os reajustes aplicados em diversas capitais levaram a energia elétrica residencial a uma alta de 3,67%, representando o maior impacto individual do mês no índice.  

Queda nos combustíveis e alívio nos serviços

Se o índice cheio assustou, as métricas subjacentes ofereceram certo conforto, segundo os economistas. Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, destaca que os Transportes trouxeram alívio ao registrar queda de 0,46%, beneficiados pelo recuo da gasolina (-1,46%) e do etanol (-6,20%). 

No entanto, o detalhe que mais atrai a atenção do Banco Central veio do setor terciário, avalia Rondinelli. O grupo de serviços, que há meses demonstrava resistência impulsionada por um mercado de trabalho aquecido, apontou desaceleração na margem em itens subjacentes e intensivos em mão de obra. A média dos cinco principais núcleos de inflação recuou de 0,50% em abril para 0,45% em maio.  

“Os grupos mais relevantes para a análise do núcleo — subjacentes, serviços, semi-duráveis e duráveis — vieram em linha com o esperado e apresentaram bom comportamento”, explica Carlos Thadeu, economista de inflação da BGC Liquidez. Para ele, a leitura para o Banco Central deveria ser benigna, ou seja, abre espaço para mais um corte de juro.

Copom: Os dados que justificam corte de juro

As surpresas mistas dividem os economistas sobre a próxima decisão do Copom. Para uma ala, a melhora na qualidade dos serviços garante espaço para o BC cumprir a sinalização dada na última reunião de fazer mais um corte.

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Para Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, a desaceleração nos núcleos da inflação dão espaço para o Banco Central reduzir os juros em 25 pontos-base, indo a 14,25% e, ainda assim, manter o discurso cauteloso, observando os sinais inflacionários. 

Na mesma linha, Julio Barros, economista do Daycoval, aponta que o número não deve alterar o cenário e que o Banco Central deve continuar o ciclo de corte com 0,25 pontos percentuais na reunião da próxima semana. 

Os dados que reforçam pausa 

Por outro lado, o avanço da inflação para além do teto e a ausência de ancoragem nas expectativas levam casas a projetarem a interrupção da queda da Selic. “A inflação não apenas permanece acima do teto da meta. Ela voltou a ganhar altura. A inflação de hoje não entrega conforto suficiente para decisões precipitadas. Juros podem até cair por expectativa. Credibilidade, não”, alerta Olívia, da Magno Investimentos. Ela chama a atenção também para os impactos da incerteza fiscal em Brasília, já que as políticas de estímulo ao crédito pressionam a alta da inflação.

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Leonardo Costa, economista do ASA, e Carlos Lopes, economista do BV, reforçam essa tese. Costa destaca que o cenário segue preocupante para o BC, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na próxima reunião. 

Alexandre Maluf, economista da XP, lembra ainda que parte do mercado já reprecificou o ciclo de juros, inclusive vendo possível alta este ano. A XP, no entanto, projeta mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, com Selic encerrando o ano em 14%. “Ainda estamos com uma visão de queda, mas com viés de uma Selic um pouco mais alta”, diz.

Efeitos do Acordo EUA-Irã no preço do petróleo

Em paralelo às pressões domésticas, os economistas observam as movimentações no Oriente Médio. O mercado repercute as negociações entre os Estados Unidos e o Irã — impulsionadas por sinalizações atribuídas a Donald Trump —, o que já levou a quedas robustas no preço do barril de petróleo Brent.  

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Peterson Rizzo, Head de R.I da Multiplike, explica que, caso a reabertura do Estreito de Ormuz se confirme, o alívio no petróleo pode se estender, contribuindo para descomprimir o câmbio e a inflação nos próximos meses, e abrindo espaço para cortes na Selic.

Porém, para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a queda do petróleo funcionaria mais como “mitigador de risco inflacionário futuro” do que como solução para as pressões domésticas já incorporadas em serviços, alimentação e núcleos de inflação. 

Antes da divulgação deste IPCA, até o dia 10 de junho, as apostas do mercado nas Opções Copom na B3 estavam caindo levemente para a manutenção dos juros, indo de 70% para 67,3%, e subindo levemente para o corte, passando de 29,5% para 31,36%.

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Resta saber qual peso o Banco Central dará a cada uma dessas forças na sua próxima deliberação. 



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Influenciada pelo grupo de Alimentos e Bebidas, inflação fica em 0,58% em maio


A inflação de maio (0,58%) desacelerou em relação ao resultado de abril (0,67%), mas acumula alta de 3,20% nos primeiros…



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Nubank envia alerta sobre liquidação por engano e causa confusão entre clientes


Clientes do Nubank foram surpreendidos nesta sexta-feira (12) por um e-mail que informava uma suposta liquidação extrajudicial da instituição financeira.

A mensagem, enviada a partir de um domínio oficial do banco, afirmava que o Banco Central teria determinado o encerramento das atividades da companhia e orientava os usuários a buscar ressarcimento junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Pouco depois, o Nubank esclareceu que o conteúdo havia sido enviado indevidamente e que não existe qualquer processo de liquidação envolvendo a instituição.

Em nota, a fintech afirmou que o episódio foi resultado de um erro operacional pontual, cuja origem está sendo investigada internamente.

Esclarecimento do banco

Após a repercussão, o Nubank divulgou um posicionamento afirmando que suas operações seguem funcionando normalmente. Segundo a empresa, o envio indevido não teve relação com problemas de segurança digital, vazamento de dados ou dificuldades financeiras da instituição.

“O caso não tem qualquer relação com a segurança da plataforma, a proteção das informações dos clientes ou a solidez da companhia. As operações do Nubank seguem normalmente, com segurança e estabilidade”, informou o banco.

Até o momento, o Nubank não informou quantos clientes receberam o e-mail enviado por engano nem detalhou quais procedimentos internos serão adotados para evitar novos episódios semelhantes.



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Custos da construção variam 0,36% em maio, com destaque para Região Sul


O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) avançou 0,36% em maio, ficando 0,36 ponto percentual acima da taxa registrada…



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Alta da gasolina deve ter impulsionado de novo inflação ao consumidor nos EUA em maio


WASHINGTON, 10 Jun (Reuters) – A inflação ao consumidor nos Estados Unidos deve ter registrado em maio o maior nível em três anos uma vez que o conflito no Oriente Médio elevou os preços dos produtos energéticos, o que daria mais argumentos para o Federal Reserve deixar a taxa de juros inalterada este ano.

A previsão de um terceiro mês consecutivo de um resultado anual forte do índice de preços ao consumidor, a ser divulgado pelo Departamento do Trabalho nesta quarta-feira, deve destacar a pressão crescente sobre as famílias, já que evidências sugerem que mais consumidores estão recorrendo às suas economias para financiar os gastos.

A inflação provavelmente superará o crescimento dos salários em maio pelo segundo mês consecutivo, um cenário que pode pesar sobre o crescimento econômico geral.

O aumento vertiginoso do custo de vida é um problema político para o presidente Donald Trump e seu partido Republicano, que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro.

Trump venceu a eleição presidencial de 2024 em grande parte devido à sua promessa de reduzir a inflação, mas viu sua popularidade despencar à medida que cresce a frustração com a gestão da economia.

“O aumento geral da inflação vai superar o crescimento dos salários pelo segundo mês consecutivo”, disse Joseph Brusuelas, economista-chefe da RSM. “Isso significa que os norte-americanos estão vendo seus salários diminuírem em termos reais, o que, se for sustentado, tende a sugerir que teremos um desafio em relação ao consumo das famílias no segundo semestre do ano.”

O índice de preços ao consumidor deve ter subido 4,2% nos 12 meses até maio, segundo uma pesquisa da Reuters com economistas. Esse seria o maior aumento anual desde abril de 2023 e seguiria um avanço de 3,8% em abril.

Na base mensal, a expectativa é de alta de 0,5% em maio, após avanço de 0,6% em abril.

O banco central dos EUA acompanha o índice de preços PCE para sua meta de inflação de 2%. Todos os indicadores de inflação estão bem acima da meta do Fed.

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O que trava o potencial da aviação no Brasil? Veja algumas respostas


Para que o Brasil possa avançar no sentido de desenvolver seu potencial de crescimento do transporte aéreo precisa avançar em alguns temas cruciais, sendo os mais urgentes combater distorções na precificação do combustível de aviação, reduzir a litigação no setor e rediscutir a taxação imposta às companhias. O assunto foi tema de debate entre especialistas durante painel da 82ª assembleia anula da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que está acontecendo no Rio de janeiro.

Um estudo divulgado pela associação colocou em números esse potencial a ser destravado. Dois indicadores-chave são o número de empregos e a contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) gerada pelo setor de aviação como um todo.

Leia também: Escala 6×1: Latam acredita em impactos diferentes em equipes de solo e tripulação

No Brasil, 246.800 pessoas estavam diretamente empregadas na aviação em 2023, gerando US$ 10,3 bilhões de produção econômica, o equivalente a 0,5% do PIB total.  Os benefícios adicionais são gerados pela cadeia de suprimentos mais ampla, gastos dos funcionários e atividades do turismo, contribuindo com um total de US$ 46,4 bilhões para o PIB e 1,9 milhão de empregos.

Já o turismo apoiado pela aviação contribui com US$ 6,6 bilhões para o PIB do país e emprega 310.000 pessoas. Estima-se que os turistas internacionais para o Brasil contribuam com US$ 6,8 bilhões anualmente para a economia através da compra de bens e serviços de empresas locais.  

Só no ano passado, o Brasil transportou 100 milhões de passageiros domésticos e a quantidade de estrangeiros voando pelo país alcançou 9,3 milhões de pessoas.

Mas também há estatísticas ruins. Os custos com o combustível pelas companhias representam 40% do total, uma das maiores proporções no mundo. Também há uma gastos de cerca de US$ 200 milhões por ano com litigação. Calcula-se que há uma ação para cada 227 passageiros transportados, o que dá quase um avião lotado. Por fim, as ameaças e propostas efetivas de isenções ou de criações de taxas por parte de poderes Executivo e Legislativo acrescentam riscos financeiros à operação.

Para Jerome Cadier, CEO da Latam no Brasil, é preciso compreender que o transporte aéreo de passageiro é muito mais do que levar as pessoas de um local ao outro, mas algo que se insere na agenda de desenvolvimento de um país, pela interconectividade que proporciona.

Sobre as constantes batalhas sobre novas leis e regulamentos criados no Brasil, ele foi enfático: “precisamos de mais estabilidade regulatória”, declarou, destacando que o setor aéreo tem investimentos de longo prazo.

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O jornalista viajou a convite da IATA.



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Selic em até 14,25%? O que mudou no cenário de juros, inflação e orçamento para 2026


O cenário de projeção macroeconômica global e doméstica mudou, e não é só a guerra que está causando impactos nas expectativas de inflação e juros para o ano. Estão pensando na conta também o desempenho da economia no primeiro trimestre, as medidas de estímulo do governo, o El Niño, e fatores globais como investimento pesado em Inteligência Artificial e a retomada da agenda protecionista dos Estados Unidos.

Diante deste cenário, bancos e gestoras de investimento estão refazendo as contas e estimando que a taxa básica de juros, a Selic, deve terminar o ano em até 14,25%, com espaço de apenas mais um corte. Outras vêem espaço para dois cortes de 0,25 pontos-base, uma projeção bem diferente daquela espelhada no primeiro Boletim Focus do ano, em que a Selic ao fim de 2026 era projetada em 12,25%. Atualmente, a Selic está em 14,5%.

O Boletim Focus desta semana já reflete essa postura mais defensiva, elevando a mediana das expectativas da Selic para 13,50% no fim de 2026, com o IPCA avançando para 5,11% neste ano e 4,03% em 2027. 

Cenário externo: choque de oferta e reprecificação de juros

A economia global também está impactando as projeções de juros e inflação no Brasil. O conflito no Oriente Médio, especialmente as restrições no Estreito de Ormuz, seguem sendo um vetor de risco altista para energia e cadeias produtivas, não só porque limitam a oferta atual de petróleo, mas também porque o prolongamento do conflito faz com que aumentem as chances de danos nas infraestruturas produtoras de petróleo, o que não irá se recompor facilmente mesmo com o fim da disputa.

A XP ressalta que, além do petróleo, os pesados investimentos globais em inteligência artificial têm gerado gargalos e pressionado os custos de componentes tecnológicos em todo o mundo. Simultaneamente, a retomada da agenda protecionista nos Estados Unidos, com possíveis novas tarifas de importação, amplifica os custos globais. 

Esse cenário afeta diretamente as decisões dos bancos centrais. Nos Estados Unidos, o payroll mostrou a criação de 172 mil postos de trabalho em maio, número acima das  expectativas e que acendeu um alerta para um possível aumento de juros por lá, destaca José Raymundo Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, que usa a expressão “aspirador de dólares” para ilustrar a fuga de capital estrangeiro do Brasil. 

Para Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, o ajuste da curva de juros é uma “reprecificação necessária” diante de um ambiente global com “inflação mais persistente, déficits fiscais elevados e aumento dos riscos geopolíticos”. 

Segundo ele, a elevação das taxas reais indica que o mercado passou a incorporar juros neutros mais altos diante da “piora da dinâmica fiscal global”. 

Resiliência doméstica: orçamento, mercado de trabalho e El Niño

No Brasil, os fundamentos apontam para uma inflação de serviços resistente, impulsionada por um mercado de trabalho apertado, com o desemprego recuando para a faixa de 5,5% a 5,8%. 

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O PIB do primeiro trimestre confirmou o aquecimento da atividade, avançando 1,1% na margem, o que levou instituições como Itaú e BNP Paribas a elevarem suas projeções de crescimento para 2,1% e 2,3% em 2026, respectivamente. 

Esse dinamismo, no entanto, é impulsionado por estímulos do governo, mantendo o impulso fiscal elevado e evitando melhoras nas contas públicas. A XP e o BNP Paribas estimam que programas como o novo Desenrola e as linhas para renovação de frotas representam um pacote de até R$ 200 bilhões.

O Bank of America (BofA) reforça essa leitura, pontuando que a atividade econômica “permanece sustentada por estímulos fiscais e de crédito contínuos”, o que tem adiado o ajuste necessário na demanda. Em relatório, o banco analisou o PIB do primeiro trimestre e classificou a composição como “pouco convincente”, observando que a recuperação dos investimentos (3,5%) parece mais influenciada por políticas públicas do que indicativa de uma reaceleração estrutural duradoura. 

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Para a 4intelligence, esses estímulos fiscais e creditícios ocorrem em um momento no qual a economia já opera acima do seu produto potencial. 

Pelo lado da oferta doméstica, o clima impõe riscos severos. A maior probabilidade de um El Niño severo em 2026 levou as instituições a revisarem a inflação de alimentos. O BNP Paribas, por exemplo, elevou sua projeção de alimentação no domicílio para 8,5% em 2026 e 7,0% em 2027, incorporando o risco de secas no MATOPIBA (sigla referente aos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e chuvas excessivas no Sul. O Itaú revisou o IPCA para 5,4% em 2026 e 4,5% em 2027, e a XP subiu suas estimativas para 5,5% e 4,2%, respectivamente.

Leia também: Além da guerra, El Niño é outra fonte de pressão sobre safras e inflação no Brasil

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A deterioração da dinâmica de preços motivou alertas do BofA, que destacou a aceleração do núcleo médio da inflação de serviços para 6,2% ao ano. David Beker, chefe de economia para o Brasil do banco, ressalta que “riscos adicionais de alta decorrentes de choques como o El Niño e a mudança para o turno de trabalho de 6×1 ainda não foram incorporados”, mas já apontam para uma maior inércia e persistência da inflação no futuro. 

Limites para cortes do Copom

Com a desancoragem das expectativas, o mercado aposta em uma postura conservadora do Comitê de Política Monetária (Copom), com espaço reduzido para cortes nas reuniões de 16 e 17 de junho. 

Selic IPCA
BofA 14,25 5,09
Genial 14,25 5,3
XP 14 5,3
Pine 14 5,6
BNP Paribas 14 5,6
Itaú 13,5 5,4
Boletim Focus 13,5 5,11

A Genial Investimentos e o Banco Pine defendem a interrupção do ciclo desde já, estacionando a taxa em 14,00%. A XP projeta apenas duas reduções de 0,25 ponto percentual, encerrando o ano também em 14,00%. Já o BNP Paribas prevê um corte de 0,25 ponto em junho e uma pausa prolongada até dezembro, enquanto o Itaú estima a Selic terminal em 13,75%. A 4intelligence alerta para a probabilidade de encerramento do ciclo antes do patamar de 13,50%. 

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Engrossando o caldo das revisões institucionais, o BofA alterou sua projeção para a Selic no fim de 2026, saltando de 13,25% para 14,25%. A casa prevê “apenas um último corte de 25 pontos-base em junho, seguido por uma pausa prolongada até meados de 2027”, retomando o afrouxamento apenas em conjunto com o Fed. 

Para Beker, as condições financeiras restritivas e o real mais fraco limitam a margem de manobra. “O patamar para novos cortes tornou-se significativamente mais alto, consistente com o retorno a um contexto de inflação mais elevada por um período prolongado”. 



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