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Varejo e serviços seguram atividade em maio, mas economia dá sinais de desaceleração


O consumo garantiu um alívio para a atividade econômica em maio, sustentado por avanços tanto no setor varejista quanto nos serviços prestados às famílias. Os dados são do Índice Getnet (IGet), elaborado em parceria com o Santander e divulgados nesta terça-feira (9).

No entanto, a análise mais detalhada dos indicadores indica que a recuperação no mês não é suficiente para reverter as perdas do início do ano, o que mostra uma economia pressionada pelos juros altos e pelo esgotamento dos estímulos fiscais.

Para Gabriel Couto, economista do Santander, o cenário reforça a tese de desaceleração. “Os dados de maio mostram crescimento tanto em serviços quanto no varejo, mas a abertura dos indicadores sugere um desempenho heterogêneo da atividade no segundo trimestre. Seguimos observando os efeitos combinados da política monetária restritiva e dos estímulos fiscais, o que reforça nossa expectativa de desaceleração gradual da atividade econômica ao longo do segundo trimestre”, afirma.

Leia também: Setor de serviços do Brasil fica quase estagnado em maio em meio à alta da inflação

Varejo avança impulsionado por vestuário

No comércio, o IGet ampliado cresceu 1,9% em maio, o segundo mês seguido de alta. O IGet restrito (que exclui as vendas de veículos e materiais de construção para medir o aquecimento do consumo mais cotidiano) acompanhou o movimento e avançou 1,7%, o primeiro resultado positivo do indicador restrito no ano de 2026.

Apesar da recuperação na margem, a comparação interanual mantém ambos os índices no campo negativo: queda de 0,7% no varejo ampliado e um forte recuo de 6,0% no varejo restrito.

O desempenho mensal do índice restrito foi alavancado principalmente pelo setor de vestuário, que saltou 12% em maio, seguido por outros artigos de uso pessoal (+4,9%), supermercados (+2,0%) e móveis e eletrodomésticos (+0,6%). Apenas combustíveis (-2,7%) e artigos farmacêuticos (-1,9%) registraram contração no período. Já o resultado do índice ampliado contou com a força adicional das vendas de materiais de construção (+1,9%) e de automóveis, partes e peças (+4,0%).

Leia também: Consumo sustenta alta moderada do PIB no 1º tri, mas juros e serviços acendem alerta

Serviços sentem o peso dos juros

O índice de serviços registrou alta de 0,4% na comparação com abril, marcando o terceiro crescimento mensal consecutivo do segmento prestado às famílias. Apesar da sequência positiva, o ritmo não foi forte o bastante para compensar o tombo expressivo ocorrido em fevereiro.

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A fragilidade estrutural do setor fica evidente na comparação entre o mesmo mês do ano anterior, o que ajuda evitar as distorções sazonais. Nesta métrica, os serviços continuam operando no vermelho, com queda de 3,3%.

A abertura dos dados mensais também mostra outros recuos relevantes: o grupo de alojamento e alimentação teve leve retração de 0,1%, enquanto a categoria de outros serviços às famílias encolheu 2,3%, devolvendo quase todo o avanço registrado no mês anterior.

Segundo o relatório, os juros altos exercem uma influência forte sobre os serviços, ao passo que os impulsos fiscais e a resiliência do mercado de trabalho apontam que estão perdendo o fôlego já que não conseguem eliminar o peso da política monetária contracionista.



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Argentina está perto de reclassificação no MSCI, mas não chegou lá; veja o que falta


Às vésperas da revisão de classificação de mercados do MSCI, marcada para 24 de junho de 2026, a Argentina chega ao processo com fundamentos mais sólidos e melhor acesso ao mercado do que há um ano. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que restrições remanescentes e incertezas sobre a continuidade das políticas econômicas devem impedir uma reclassificação imediata para mercado emergente.

Na visão do banco, há uma probabilidade relevante de o país ser colocado em revisão pelo MSCI neste mês, mas uma promoção efetiva deve ficar para 2027.

A Argentina perdeu o status de mercado emergente em 2021, quando foi reclassificada pelo MSCI para a categoria Standalone, ou “mercado isolado”, após anos de endurecimento dos controles de capital que dificultaram o acesso de investidores estrangeiros ao mercado local.

Embora esses controles ainda não tenham sido totalmente eliminados, o Itaú BBA destaca que o país vem avançando na flexibilização das restrições e acredita que a trajetória atual aumenta as chances de um retorno ao grupo de mercados emergentes nos próximos anos.

Avanços nas restrições cambiais

Segundo o BBA, a Argentina avançou significativamente nos critérios avaliados pelo MSCI ao longo do último ano. Entre as principais medidas estão a eliminação do prazo mínimo de permanência de 180 dias para investidores estrangeiros em junho de 2025, a autorização para distribuição de dividendos referentes aos lucros gerados a partir do exercício de 2025 e a implementação, em abril de 2026, do sistema de liquidação Delivery versus Payment (DVP) pela BYMA Clearing, considerado um requisito importante pelo MSCI.

Apesar disso, ainda existem restrições relevantes. Dividendos acumulados antes de 2025 continuam sujeitos a limitações para remessa ao exterior, e o acesso de empresas ao mercado oficial de câmbio para posições antigas permanece restrito.

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Além disso, o Itaú BBA ressalta que o MSCI exige que uma eventual reclassificação seja considerada irreversível. Nesse contexto, a proximidade das eleições presidenciais de 2027 levanta dúvidas sobre a continuidade das políticas econômicas favoráveis ao mercado.

Mercado continua dependente do risco soberano

Para o banco, as ações argentinas devem continuar acompanhando principalmente o comportamento dos spreads da dívida soberana, indicador que seguirá refletindo a confiança dos investidores na política econômica do governo.

Embora o governo tenha privilegiado financiamento doméstico e de organismos multilaterais em 2026, o Itaú BBA considera que recuperar o acesso aos mercados internacionais seria estratégico, especialmente antes das eleições de 2027.

Reservas internacionais fortalecem cenário

O relatório destaca ainda a melhora da posição externa do país. O Banco Central da Argentina já acumulou mais de US$ 10 bilhões em compras líquidas de reservas neste ano, atingindo sua meta anual em apenas cinco meses, e agora trabalha com um cenário entre US$ 13 bilhões e US$ 17 bilhões.

Esse desempenho foi impulsionado por emissões de dívida corporativa no exterior, pela forte safra agrícola e pela alta dos preços internacionais do petróleo, que elevou as receitas de exportação de energia.

Segundo o Itaú BBA, uma vez restabelecido o acesso aos mercados internacionais, a tendência é que o Tesouro argentino passe a refinanciar seus vencimentos de dívida, em vez de utilizar reservas internacionais para honrar pagamentos, fortalecendo sua posição de crédito no longo prazo.

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País tem tempo para evitar veto da UE com ação de governo e indústria, diz CEO da JBS


O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que o Brasil ainda tem tempo para atender às exigências da União Europeia (UE) para evitar o veto à exportação de produtos de origem animal e defendeu uma atuação coordenada entre governo e setor privado para garantir a continuidade do acesso ao mercado europeu.

Segundo o executivo, o principal desafio não está no cumprimento dos requisitos pelas empresas exportadoras, mas na necessidade de certificações oficiais emitidas pelo governo brasileiro. “As indústrias já fazem isso, os produtos já cumprem a legislação, mas não é isso que eles estão pedindo. Eles estão pedindo que tenha uma certificação oficial do governo”, afirmou, durante participação no Agro 360º, evento promovido por Brazil Journal e The Agribiz.

O executivo avaliou que o Brasil conseguirá se adequar às novas exigências antes da entrada em vigor das restrições. “Nós temos tempo ainda, vamos correr, vamos agir rápido, vamos conseguir atender. Agora temos um tempo até setembro para provar que somos capazes”, afirmou.

Tomazoni destacou que a adaptação dependerá da parceria entre o setor público e a iniciativa privada. “Tem de existir parceria entre governo e iniciativa privada. A União Europeia vai exigir garantias oficiais e o governo está trabalhando fortemente nisso. A indústria exportadora está participando para que possamos dar as garantias necessárias”, disse.

Para Tomazoni, embora a medida represente uma barreira comercial, ela também reflete exigências semelhantes às impostas aos produtores europeus. “É uma barreira mas, ao mesmo tempo, é uma legislação que eles usam para os produtores internos. Eles estão querendo ter equidade”, disse.

Questionado se o Brasil demorou para se preparar para as exigências europeias, o executivo evitou fazer críticas ao processo e afirmou que o foco deve estar na solução do problema. “Quando acontece, a gente olha para trás e fala que poderia ter feito isso ou aquilo. Mas ficar olhando para trás não vai resolver”, declarou.

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Apesar do desafio imediato, Tomazoni afirmou que as exigências da UE fazem parte de uma tendência mais ampla de aumento das barreiras relacionadas à segurança alimentar e à rastreabilidade. Segundo ele, os países estão cada vez mais preocupados em proteger suas cadeias de abastecimento em meio às incertezas geopolíticas.

“Claramente a gente vai viver com isso. Não vai ser a última vez que vai acontecer”, afirmou. Para o executivo, o Brasil precisará investir em mecanismos permanentes de controle para manter sua competitividade. “Nós temos de construir sistemas de rastreabilidade e transparência para garantir que o Brasil possa acessar esses mercados exigentes.”



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Governo irá propor alta de etanol na gasolina de 30% para 32%, diz Alexandre Silveira


O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (9) que pretende levar ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) a proposta de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. O tema deve entrar na pauta da próxima reunião do colegiado, prevista para ocorrer nas próximas duas semanas.

A proposta integra a estratégia do governo para reduzir a dependência de combustíveis importados e atenuar os efeitos da guerra no Oriente Médio. O anúncio foi feito por Silveira após reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, outros cinco ministros e representantes do setor sucroenergético.

Segundo o ministro, embora haja margem para avançar até o E35, os estudos técnicos atualmente permitem a elevação para E32. Ele afirmou que o pedido foi apresentado pelo setor nesta terça e que será submetido ao CNPE por determinação do presidente da República.

O conselho é composto por ministros do governo federal. De acordo com Silveira, o aumento da mistura pode levar o Brasil a zerar as importações de gasolina e alcançar autossuficiência no abastecimento. A projeção do Ministério de Minas e Energia é de que a medida reduza em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação do combustível.

Na avaliação do ministro, ampliar a participação do etanol anidro na gasolina também favorece o processo de descarbonização e reduz a exposição do país ao mercado externo, ajudando a conter os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços domésticos.

Silveira ressaltou ainda que, embora o conflito não esteja sob controle do Brasil, o governo busca adotar medidas para limitar ao máximo seus efeitos sobre o país.

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Além da menor dependência externa, o governo entende que a mudança pode trazer ganhos logísticos, ao liberar estruturas hoje usadas para a importação de gasolina e abrir espaço para tornar mais eficiente o transporte de outros combustíveis, como o diesel.

Pelos cálculos do ministério, a alteração pode evitar a entrada de cerca de 450 milhões de litros de gasolina no país. Para o ministro, isso representa mais segurança energética, preços mais acessíveis, avanço na descarbonização e estímulo ao desenvolvimento nacional, com impacto positivo sobre plantio, emprego e renda.

(com informações do O Globo)



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Correios terão pior resultado da história, mas plano prevê recuperação, diz ministra


Os Correios devem registrar em 2026 o pior resultado de sua história, mas a deterioração das contas já está prevista no plano de reestruturação da estatal, segundo a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que a expectativa do governo é de que, após esse período, a empresa volte a apresentar bons indicadores.

No primeiro trimestre, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,2 bilhões. Segundo Dweck, o resultado negativo ficou até abaixo da previsão traçada pela administração da companhia. A ministra disse que, além do prejuízo, a estatal também deve encerrar o ano com um déficit elevado, mas ressaltou que isso não representa descontrole.

De acordo com ela, parte dessa piora nas contas está ligada ao empréstimo de R$ 12 bilhões que entrou no caixa da empresa apenas no fim de 2025 e começou a ser utilizado neste ano. Os recursos, afirmou, vêm sendo direcionados à renegociação com credores e fornecedores, em uma tentativa de reduzir custos e reorganizar a operação.

Dweck também defendeu que, apesar de resultados negativos em algumas frentes, como o programa de demissão voluntária, os Correios têm avançado em medidas consideradas estruturais. Segundo a ministra, a estatal vem fechando novas parcerias, retomando contratos e melhorando prazos de entrega, o que pode abrir espaço para novas receitas. Uma parceria com a Receita Federal, na área de logística de galpões para mercadorias apreendidas, deve ser anunciada em breve.

Ao comentar o rombo primário das estatais federais entre janeiro e abril, Dweck disse que as maiores pressões vêm de Correios e Emgepron. No caso dos Correios, o déficit decorre da diferença entre receitas e despesas e se converte efetivamente em prejuízo. Já a Emgepron, afirmou, teve déficit elevado por causa do volume de investimentos, apesar de ter registrado lucro.



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Estoques no atacado dos EUA sobem 0,6% em abril ante março


O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,5% no período

Os estoques no atacado dos Estados Unidos subiram 0,6% em abril ante março, a US$ 940,3 bilhões, segundo pesquisa do Departamento do Comércio do país divulgada nesta terça-feira (9).

O resultado superou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam alta de 0,5% no período. Na comparação anual, os estoques subiram 1,1% em abril.



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teremos de nos acostumar com juros altos por mais tempo, sobretudo pelo fiscal


O economista-chefe da XP e head do Lide Economia, Caio Megale, disse nesta terça-feira, 9, que o Brasil terá que se acostumar com taxas de juros altas por mais tempo, não só por pressões externas e inflação, mas sobretudo por influências advindas da política fiscal implementada pelo governo brasileiro.

Megale é um dos mediadores do painel “Parceria Econômica Brasil & EUA em Debate”, evento organizado pelo Grupo Lide, em São Paulo.

“Vamos ter que nos acostumar com taxas de juros mais altas por mais tempo, não só por pressões externas e inflação, mas, sobretudo, por conta da nossa política fiscal”, disse o economista no evento.



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Poupança tem primeiro saldo positivo do ano em maio, mas captação é negativa no ano


No mês, saldo positivo ficou em R$ 2,603 bilhões; caderneta ainda mostra saldo negativo no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, com R$ 39,118 bilhões

Pela primeira vez no ano, os depósitos em caderneta de poupança ultrapassaram as retiradas em maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central. O saldo positivo ficou em R$ 2,603 bilhões, movimento que não acontecia desde dezembro do ano passado.

No entanto a caderneta ainda mostra saldo negativo no acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, com R$ 39,118 bilhões.

Os depósitos em maio somaram R$ 368,394 bilhões, enquanto as retiradas ficaram em R$ 365,790 bilhões.

Leia também: Poupança tem em abril a menor retirada mensal desde agosto de 2024

Em cinco meses, os aportes somaram R$ 1,758 trilhão e as retiradas alcançaram R$ 1,797 trilhão.

Em todo o ano passado, as retiradas superaram os depósitos em R$ 85,568 bilhões. Em apenas três meses (maio, junho e dezembro) a captação ficou positiva em 2025.

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IPC-S acelera em quatro das capitais pesquisadas na 1ª quadrissemana de junho


O índice subiu em relação aos 0,60% da leitura anterior, impulsionado principalmente pelos avanços registrados em Porto Alegre, São Paulo, Salvador e Belo Horizonte

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) acelerou em quatro das sete capitais pesquisadas na primeira quadrissemana de junho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 9. O índice subiu para 0,64%, resultado acima do registrado na última divulgação de 0,60%, na passagem da última quadrissemana de maio para a primeira quadrissemana de junho.

A aceleração mais significativa entre as capitais ocorreu em Porto Alegre (0,56% para 0,66%) e São Paulo (0,59% para 0,66%). Em seguida, aparecem Salvador (0,78% para 0,82%) e Belo Horizonte (0,44% para 0,52%).

Houve, por outro lado, desaceleração em Brasília (0,30% para 0,24%), Rio de Janeiro (0,80% para 0,74%) e Recife (0,87% para 0,83%).



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Opep+ aumenta produção, mas Ormuz pode frustrar alívio nos preços


A Opep+ aprovou neste domingo (7) um novo aumento nas metas de produção de petróleo, em meio à crise provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã e às restrições de fluxo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o abastecimento global da commodity.

Sete países da aliança — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — decidiram elevar seus limites de produção em 188 mil barris por dia a partir de julho de 2026. Será o quarto aumento seguido nas cotas em quatro meses, embora a capacidade efetiva de ampliar a oferta siga limitada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A decisão faz parte do processo de devolução gradual e parcial dos cortes voluntários adicionais adotados originalmente em abril de 2023. Desde abril, os principais membros da Opep+ já haviam ampliado suas cotas em quase 600 mil barris por dia.

Aumento no papel, oferta menor na prática

Apesar do avanço nas metas, a produção real do grupo recuou fortemente nos últimos meses. Segundo números da própria Opep, a produção média caiu para 33,19 milhões de barris por dia em abril, ante 42,77 milhões de barris por dia em fevereiro.

A queda reflete principalmente as restrições nas exportações dos países do Golfo, afetadas pela crise no Estreito de Ormuz. O canal, essencial para o transporte global de petróleo, teve seus fluxos reduzidos desde o início da guerra entre EUA e Irã, agravando o temor de uma crise de abastecimento.

Na prática, isso significa que o aumento das cotas pode ter efeito limitado enquanto a logística de escoamento seguir comprometida. “Um aumento de produção da Opep+ significa muito pouco enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado”, afirmou Jorge Leon, analista da Rystad e ex-funcionário da Opep.

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Risco pode virar de escassez para excesso

O mercado acompanha a decisão com cautela porque o cenário pode mudar rapidamente caso o Estreito de Ormuz seja reaberto. Para Leon, a normalização da rota poderia transformar o humor dos investidores de forma brusca.

“Quando o Estreito de Ormuz for reaberto, o mercado poderá passar muito rapidamente do medo da escassez para o medo do excedente”, disse o analista.

Esse é o ponto central para os preços do petróleo: enquanto a guerra limita a oferta física, o mercado teme desabastecimento; mas, se a circulação for restabelecida e as cotas maiores forem mantidas, a percepção pode migrar para o risco de excesso de oferta.

Saída dos Emirados muda cálculo da Opep+

O aumento aprovado para julho é o mesmo definido para junho, de 188 mil barris por dia. O valor ficou abaixo dos avanços mensais de 206 mil barris por dia registrados em abril e maio, ajuste feito após a saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep.

A saída dos Emirados, após quase 60 anos na organização, agravou a crise interna do grupo e obrigou a aliança a recalibrar os aumentos mensais nas metas de produção.

Mesmo assim, os países participantes afirmaram que manterão uma abordagem cautelosa e flexível. O grupo diz que poderá elevar, pausar ou reverter a retirada dos cortes conforme as condições de oferta e demanda no mercado internacional.

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Compensações vão até dezembro de 2026

Além do aumento nas cotas, os países reafirmaram o compromisso de compensar volumes produzidos acima dos limites permitidos desde janeiro de 2024. O prazo para essa compensação foi estendido até o fim de dezembro de 2026.

A aliança afirmou que busca “conformidade absoluta” com os termos da Declaração de Cooperação e que pretende compensar integralmente todo o petróleo extraído acima das cotas.

O acompanhamento das metas continuará sob responsabilidade do Comitê Monitor Ministerial Conjunto (JMMC), que seguirá avaliando tanto o cumprimento dos limites de produção quanto as condições do mercado e o nível das reservas remanescentes.

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Petróleo segue acima do nível pré-guerra

Na sexta-feira, os preços do petróleo caíram para cerca de US$ 93 por barril, com operadores avaliando que um novo conflito entre Estados Unidos e Irã estaria ficando menos provável. Ainda assim, a commodity permanece bem acima dos cerca de US$ 72 por barril registrados antes do início da guerra.

Os representantes do grupo passarão a realizar reuniões mensais para acompanhar a evolução do mercado, das cotas e das compensações. O próximo encontro oficial está previsto para 5 de julho de 2026.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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