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Renda espremida e reajuste de 383% disparam a busca por plano de saúde barato


O alto nível de endividamento e a pressão sobre o orçamento das famílias estão afetando até o mercado de saúde suplementar brasileiro. Com 49,8% das famílias endividadas e uma inadimplência de 7,2% registrada em abril pelo Banco Central, a capacidade de absorver os aumentos das operadoras está limitada. Em dez anos, entre 2015 e 2025, os planos de saúde coletivos acumularam um reajuste de 383,5%, um salto mais de quatro vezes superior à inflação de 84% do período.

Esse descolamento entre custo e renda leva os brasileiros a reconsiderar os investimentos em planos de saúde. Isso pode ser visto no aumento de buscas de plataformas digitais que comparam preços e benefícios de planos. 

Leia também: Inadimplência atinge 82,8 milhões de pessoas; dívida média já supera o salário mínimo

Preço baixo e alerta para ‘cobertura equivalente’

De olho na redução da fatura, mas ainda mantendo o cuidado com a saúde, os brasileiros estão comparando mais os preços. No marketplace Click Planos, as simulações saltaram de 140, em dezembro de 2025, para 3.304 em janeiro de 2026 — uma alta expressiva de 2.200%. O movimento reflete a urgência por alívio financeiro, com trocas de operadoras e modalidades que prometem economia média de 28%, podendo ultrapassar os 50%. Em um dos cenários mapeados, uma mensalidade de R$ 631 caiu para R$ 256. 

Mas, em se tratando de saúde suplementar, a redução do preço pode vir atrelada a mudanças no serviço entregue. Adriana Mello, CEO da Click Planos, esclarece que a chamada “cobertura equivalente” diz respeito à segmentação regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e abrange o tipo de internação e a região, e não se refere a uma rede credenciada idêntica, como o consumidor pode associar. “Por isso, a comparação não deve ser feita apenas pelo preço”, alerta a executiva.

A plataforma afirma detalhar lado a lado hospitais, laboratórios e regras de coparticipação para dar transparência ao processo. Para viabilizar essas opções, a empresa utiliza um algoritmo próprio. Mello ressalta, contudo, que a tecnologia não altera os preços, já que são estritamente tabelados. O sistema opera varrendo o mercado para cruzar dados e encontrar as melhores relações de custo-benefício. 

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“A redução de custo não vem de um desconto criado pela tecnologia, mas da capacidade de identificar, de forma rápida e transparente, a alternativa mais adequada para cada perfil”, detalha.

Plano de saúde MEI vale a pena?

Com o aumento do empreendedorismo no país, os planos de saúde para Microempreendedores Individuais podem ser uma saída para o consumidor ter acesso a um serviço mais acessível, se comparado ao plano individual

Leia também: Planos de saúde individuais encolhem e viram impasse entre consumidores e operadoras

O país encerrou 2025 com 13,1 milhões de Microempreendedores Individuais (MEIs) ativos. Apenas no primeiro bimestre de 2026, mais de 1 milhão de novos negócios foram abertos.

Contudo, essa massa de novos clientes entra em um segmento volátil. Em 2025, os planos coletivos com até 30 vidas — exatamente o foco dos MEIs — sofreram um reajuste médio de 14,81%, mais que o dobro do teto de 6,06% aplicado aos contratos individuais. Neste caso, segundo Mello, a estratégia proposta é a reavaliação contínua.

“Nenhuma plataforma, corretora ou operadora consegue garantir o comportamento futuro dos reajustes, especialmente nos contratos coletivos, cujos índices são definidos conforme as regras contratuais e o desempenho da carteira”, afirma Mello. “Quando chega o momento da renovação, o consumidor pode voltar à plataforma para reavaliar as opções disponíveis e verificar se o plano atual continua sendo a melhor alternativa”, diz.

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Plano de saúde vai continuar caro em 2026

As oscilações do cenário macroeconômico tendem a manter o mercado aquecido. Com a perspectiva de juros e inflação mais altos no final de 2026, o estrangulamento da renda força a manutenção das pesquisas por preço. 

Embora as taxas de juros não afetem diretamente os reajustes da saúde — que são pautados pela inflação médica e pela sinistralidade —, elas limitam a renda livre do consumidor. “A pressão sobre a renda das famílias tende a aumentar a busca por alternativas com melhor custo-benefício”, observa a CEO.

Nem mesmo a queda do desemprego formal retira a força desse movimento. Segundo a executiva, a absorção de profissionais pelo regime CLT em grandes empresas não esvazia as buscas, pois o público engloba não apenas MEIs e autônomos, mas também trabalhadores com carteira assinada em busca de opções mais acessíveis para incluir dependentes.

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“No fim, a necessidade de comparar opções, entender diferenças de cobertura e buscar o melhor custo-benefício continua presente. Essa é uma demanda estrutural do mercado, independentemente das oscilações do emprego formal”, afirma Mello. 

Com a descentralização das buscas — um único hospital fora do eixo tradicional em São Paulo já concentra 20% do interesse —, o setor indica que a fidelidade à marca e à tradição perdeu espaço em definitivo para a eficiência e para o orçamento.



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Total de empresas inadimplentes cresce 1,5 milhão em um ano no Brasil, aponta Serasa


A inadimplência empresarial voltou a crescer em abril e atingiu o maior nível da série histórica da Serasa Experian. Pela primeira vez, o país chegou a 9 milhões de CNPJs negativados, segundo o indicador. Em 12 meses, o contingente nessa situação avançou em 1,5 milhão, ao passar de 7,5 milhões em abril de 2025 para o patamar atual.

No mesmo período, o total de dívidas negativadas também bateu recorde: foram 63,7 milhões de débitos em atraso, que somam R$ 220,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente tinha 7,1 contas negativadas. A dívida média por CNPJ ficou em R$ 24.665,91, com tíquete médio de R$ 3.468,99 por dívida.

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o resultado mostra que o ambiente de crédito segue restritivo para as empresas brasileiras.

“O dado de inadimplência vem sinalizando uma tendência de manutenção em um patamar bastante elevado e com potencial de quebrar novos recordes ao longo de 2026. O ambiente de juros ainda muito altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa”, afirma.

Camila avalia que, mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o custo do crédito ainda não caiu o suficiente para aliviar de forma mais consistente a situação das companhias.

“Existe hoje um quadro bastante apertado para as companhias. Mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa de juros, o nível ainda segue elevado e insuficiente para promover uma reversão mais consistente das condições de crédito”, diz.

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O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas mede o número de empresas brasileiras em situação de inadimplência. Uma empresa é considerada inadimplente quando tem ao menos um compromisso financeiro vencido e cujo não pagamento foi formalmente comunicado pelo credor. A apuração considera as notificações registradas até o último dia do mês de referência.

Serviços é o principal setor

O setor de serviços concentrou a maior parte das empresas inadimplentes em abril, com 55,6% do total. Em seguida aparecem comércio, com 32,4%; indústria, com 8,1%; e o setor primário, com 0,9%.

Na origem das dívidas, o maior peso também ficou com o segmento de serviços, responsável por 31,7% dos débitos negativados. Depois aparecem bancos e cartões (19,4%), cooperativas (8,6%), utilities — como contas de serviços essenciais — (7%) e telefonia (5,7%).

Para a economista da Serasa Experian, a composição das dívidas indica que parte relevante da inadimplência está ligada à necessidade de manter o capital de giro e as operações das empresas.

— Em um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, as companhias acabam recorrendo mais ao crédito comercial e a diferentes instrumentos de financiamento, mas enfrentam maior dificuldade para administrar esse passivo diante do acúmulo de pendências — explica Camila.

Sudeste lidera

Na análise regional, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em abril. O destaque foi São Paulo, com 3.076.064 CNPJs negativados. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 881.652, e Rio de Janeiro, com 864.722.

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Também figuram entre os estados com maior número de empresas inadimplentes o Paraná, com 588.935, e o Rio Grande do Sul, com 518.195. Segundo a Serasa Experian, a concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões.

Micro e pequenas empresas são as mais afetadas

As micro e pequenas empresas seguem como a maioria entre os negócios inadimplentes. Em abril, esse grupo somava 8,5 milhões de CNPJs negativados, também o maior número da série histórica do indicador.

Ao todo, as micro e pequenas empresas concentravam 57,6 milhões de dívidas, que somavam R$ 191,8 bilhões. Em média, cada uma acumulava 6,8 contas negativadas, com dívida média de R$ 22.503,39 e tíquete médio de R$ 3.328,73.

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— As micro e pequenas empresas continuam sendo as mais vulneráveis a um ambiente de crédito restritivo, porque dependem mais de linhas de curto prazo e possuem menor capacidade de negociação — afirma Camila.

Segundo ela, juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito dificultam a recomposição do capital de giro e a administração do fluxo de caixa, o que ajuda a manter a inadimplência em patamar elevado.



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IVA pode elevar custo da passagem aérea e reduzir demanda em 30% no Brasil


O setor aéreo da América Latina e Caribe tem grande potencial de crescimento até 2040, com estimativas de evolução anual de 3,7%, em linha com o crescimento global e acima das projeções para a América do Norte, de 2,8% no mesmo período. Mas vai precisar ultrapassar obstáculos de regulação, tributação e infraestrutura para chegar a essa meta.

As estimativas foram apresentadas neste sábado por Peter Cerdá, vice-presidente regional para as Américas da Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA), durante a assembleia anual da entidade que está sendo realizada no Rio de Janeiro.

Leia também: Medidas dos combustíveis deu fôlego às aéreas, diz ministro de Portos e Aeroportos

Ao listar os desafios do setor, o executivo da associação colocou em destaque a questão da carga tributária sobre as companhias aéreas, que chega a 29% nos países da América Latina e Caribe, o equivalente a US$ 44 dólares a mais em cada passagem. Isso é um patamar bem acima da pressão de impostos e taxas na América do Norte (15%) e dos 25% registrados na Europa, onde o padrão de renda é mais alto.

IVA no Brasil

Especificamente no Brasil, Cerdá alertou para o impacto do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), criado pela reforma tributária e que vai unificar tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. Nas contas da IATA, alíquota prevista do IVA vai reduzir a demanda por passagens em 30%, por tornar mais caras as tarifas domésticas e internacionais.

A estimativa é que a tarifa doméstica média subirá de US$ 130 para US$ 160 com a alíquota do novo IVA, enquanto a tarifa média internacional subiria dos atuais US$ 740 para US$ 930.

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Leia também: Costa Filho: Há diálogo com Fazenda sobre prejuízos às aéreas com reforma tributária

“É preciso encontrar soluções. Com a proposta atual do IVA vai ser impossível manter um crescimento sustentável no curto prazo. Chega de novos impostos”, afirmou o executivo, que contou sobre reuniões da associação e das empresas com o governo apresentando resultado obtidos por outros países da região ao adotar uma estratégia diferente, de abrir espaço para algumas isenções ou trazendo tarifas mais reduzidas, como em Barbados e na Guiana.

O Paraguai também abandonou recentemente uma tarifa extra de US$ 15, tornando a demanda por passagens mais acessível a uma parcela maior da população.

Ele lembrou que o Brasil bateu no ano passado o recorde de 100 milhões de passagens vendidas e que agora há uma previsão que o número deva cair para 90 milhões anuais. “A indústria trabalha para reduzir o custo da passagem, mas os custos adicionais a deixam inacessível”, comentou.

O caso do Brasil, no entanto está longe de ser o único. Na Argentina, onde o governo de Javier Milei é seguidamente elogiado pela abertura da economia, se pratica a tarifa aérea mais cara da região. E, mesmo após promessas de consultar a indústria antes de reajustar taxas, os órgãos reguladores argentino autorizaram dois reajustes que totalizaram 18%.

Os vários casos citados pelo executivo da IATA foram usados para ilustrar a situação de como é preciso dar importância à interconectividade na região, o que ajudará a popularizar ainda mais o transporte aéreo. Há pesquisa que mostram uma predileção pelo transporte por ônibus, em viagens que duram de 6 a 18 horas e que poderiam ser feitas de avião em 2 ou 3 horas. O preço das passagens, inflado pelos custos adicionais são a explicação, segundo o executivo da IATA.

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O jornalista viajou a convite da IATA.



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Mauro Vieira diz que tarifas dos EUA desconsideram realidade do Brasil







O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira, 4, que o governo Donald Trump ignorou os argumentos levados pelo Brasil para responder às duas investigações comerciais que terminaram com proposta de novo tarifaço ao País.

O anúncio das tarifas, antes do fim do prazo acordado entre os presidentes para tratativas, foi visto pelo governo Lula como uma decisão política do governo Trump e um tipo de ameaça.

De Paris, o ministro relatou ao Estadão como foi a conversa com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), embaixador Jamieson Greer, na véspera. Eles se encontraram brevemente antes de uma plenária da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Lembrei a ele que o anúncio das recomendações em favor das novas tarifas contra o Brasil ocorreu dentro do prazo de 30 dias que os presidentes Lula e Trump estabeleceram para que se buscasse uma solução. Também disse a ele que isso nos obriga a redobrar esforços nos próximos dias para cumprir essa instrução dos presidentes e criar um mapa do caminho para normalizar de vez a relação no campo econômico-comercial”, disse Vieira. Ele ouviu do americano que ainda há espaço para negociação.

A interação breve ocorreu logo depois que o USTR recomendou ao presidente Trump a aplicação de novas tarifas ao País, sendo 25% por supostas práticas desleais na relação bilateral, e mais 12,5% por não proibir e coibir efetivamente a importação de produtos feitos com regime de trabalho forçado. Isso porque Greer concluiu que há prejuízo à competição com empresas americanas no País e fora dele.

As duas apurações foram conduzidas em processos com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974, e para o governo Lula vão dar base legal para Trump restituir o tarifaço, derrubado pela Suprema Corte americana. A tarifa global temporária de 10% que o substituiu está prestes a caducar.

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Na primeira investigação, os EUA acusam o Brasil de práticas desleais sobre o comércio digital e o sistema eletrônico de pagamentos (Pix), combate à corrupção falho, existência de pirataria (propriedade intelectual), prevalência do desmatamento ilegal, de dar tarifas preferenciais a México e Índia e de não permitir o acesso ao mercado de etanol.

Na segunda, afirmaram dizem que é injustificável a falha do Brasil nas políticas e práticas contra o trabalho escravo. O USTR diz que os casos de trabalho análogo à escravidão na cadeia da pecuária brasileira dão vantagem competitiva ao Brasil, em competição com os americanos, na disputa pelo mercado de carne bovina congelada na China, de quem também cobram fiscalização.

“As recomendações desta semana do USTR não indicaram nenhuma disposição de levar em conta nossos argumentos e a nossa realidade”, afirmou Vieira, citando dois exemplos: desmatamento e etanol.

“A questão do desmatamento chama a atenção pela injustiça: sob a liderança do presidente Lula, o Brasil reduziu o problema, com números impressionantes, e caminha para cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030. As autoridades norte-americanas sabem disso”, afirmou o chanceler.

“Se compararmos com 2022, último ano da gestão Bolsonaro, reduzimos pela metade, em 2025, a área desmatada na Amazônia Legal. E de acordo com levantamento do MapBiomas, divulgado há poucos dias, no ano passado o desmatamento nos seis biomas brasileiros foi o menor nos últimos anos”, disse Vieira.

“Em vez de tarifas, o que o governo norte-americano deveria fazer era nos dar os parabéns pela rápida e significativa redução nas taxas de desmatamento. Isso sem falar no Pix, que é um patrimônio dos brasileiros.”

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De todos os seis quesitos investigados pelos EUA, há desde o ano passado nos bastidores do governo uma discussão sobre ceder ou não no etanol. O caso é a tarifa mais explicitamente questionada nos documentos do USTR. Os EUA se queixam de aplicar uma tarifa de 2,5% ao etanol brasileiro e de o Brasil praticar uma de 18%.

O governo brasileiro, porém, desde o ano passado, em linha com o setor privado, decidiu responder vinculando o etanol às barreiras de acesso do açúcar no mercado dos EUA. O argumento é reforçado pelo ministro. O Itamaraty não quer antecipar que posição vai levar à mesa.

“No caso do etanol, cabe lembrar que eles se queixam da nossa tarifa, mas cobram tarifa quatro vezes maior para importar o nosso açúcar”, disse.

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Rock in Rio deve movimentar R$ 3,36 bilhões na economia do RJ


Com o início da venda de ingressos na próxima segunda-feira (dia 8), o Rock in Rio projeta injetar R$ 3,36 bilhões na economia da cidade do Rio de Janeiro. A estimativa, elaborada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), representa um crescimento de 5% em relação aos R$ 3,2 bilhões movimentados pela edição de 2024.

O cálculo considera os gastos dos visitantes com hospedagem, alimentação, transporte, turismo e outros serviços durante o período do festival, que tem público estimado em 700 mil pessoas.

Com público estimado em 700 mil pessoas em 2026, o festival deve impulsionar diretamente setores como turismo, hotelaria, transporte, alimentação, comércio e entretenimento.

Leia também: Grupo Dreamers: a empresa que criou o Rock in Rio e tem faturamento bilionário

A venda do Rock in Rio Card para esta edição já registrou aumento de 20% no número de compradores de fora do estado do Rio de Janeiro em relação à edição de 2024. Pessoas de outros estados representam 55% do público que adquiriu ingressos nessa modalidade, de acordo com a organização do festival.

Para marcar o início das vendas na segunda-feira, o evento promoverá uma ação com 20 paramotores que sobrevoarão as praias da cidade, do Leme ao Recreio, neste fim de semana.

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Partindo do Recreio dos Bandeirantes, os paramotores seguirão pela orla carioca, passando pela Praia da Reserva, Barra da Tijuca, São Conrado, Ipanema, Copacabana e Leme, antes de retornarem ao ponto de origem em um percurso de aproximadamente uma hora e meia. A ação também contará com guitarras gigantes espalhadas pela cidade.

— O Rio movimentou R$ 41 bilhões com a indústria criativa no ano passado. A cidade recebe cerca de 12 milhões de turistas por ano, número muito semelhante ao total de pessoas que já recebemos nas edições do Rock in Rio até hoje — diz Roberto Medina.

Segundo o estudo, a cada R$ 1 investido na realização do festival, outros R$ 6,59 são movimentados na economia brasileira.



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Petrobras prevê importar uma carga de diesel em junho


“A Petrobras não realizou importações de diesel em maio de 2026. Para junho, está prevista apenas uma carga de importação, com chegada no fim do mês”, informou a estatal

A Petrobras prevê importar uma carga de diesel em junho, informou a estatal por meio de nota à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A empresa não detalhou volumes. “A Petrobras não realizou importações de diesel em maio de 2026. Para junho, está prevista apenas uma carga de importação, com chegada no fim do mês”.

A possibilidade de importação para o período já estava no radar do mercado. Durante coletiva de imprensa da estatal para comentar os resultados financeiros do primeiro trimestre, a diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, comentou que a sazonalidade da safra agrícola levaria a Petrobras a importar diesel no segundo semestre.

A informação de hoje,m5, foi divulgada inicialmente pelo jornal Valor Econômico.

Em ocasiões recentes, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reiterou que a estatal está comprometida com a autossuficiência do Brasil em diesel até 2030.



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Consumo de energia sobe 3,8% em abril; crescimento residencial chega a 8,7%


O consumo nacional de energia elétrica cresceu 3,8% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2025, para 49.591 gigawatts-hora (GWh), revertendo a tendência de queda vista nos dois meses anteriores. Todas as regiões aumentaram seu consumo, com destaque para o Norte, com expansão de 7,6%; seguido pelo Nordeste, com avanço de 4,9%; Sudeste, com consumo 3,3% maior; Sul, com alta de 2,9%; e Centro-Oeste, com +1,6%. As informações foram divulgadas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Entre as classes de consumo, destaque para a residencial, que registrou aumento de 8,7% no consumo, para 16.153 GWh, na maior taxa de crescimento observada desde junho de 2024. Segundo a EPE, o desempenho pode ter sido influenciado pelas temperaturas mais elevadas em parte significativa do País e pela ocorrência de onda de calor, fatores que podem ter intensificado o uso de equipamentos de climatização. Adicionalmente, a instituição cita que o ciclo de faturamento de algumas distribuidoras pode ter contribuído para a elevação observada no período.

A classe comercial apresentou expansão de 5,6% no consumo em abril, na comparação anual, para 9.584 GWh, no maior valor mensal da série histórica da EPE, iniciada em 2004. Para a instituição, o resultado reflete dados do desempenho da atividade econômica. Além disso, a ocorrência de temperaturas mais elevadas e a vigência da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional nas tarifas de energia elétrica, podem ter contribuído para o desempenho.

Já as indústrias demandaram 1,4% mais, somando 16.905 GWh. Entre os 37 setores monitorados pela EPE, 22 consumiram mais. Entre os dez setores mais eletrointensivos, oito elevaram o consumo, com destaque para Extração de Minerais
Metálicos (+7,4%; +95 GWh) e Fabricação de Produtos Alimentícios (+4,6%; +107 GWh). Também apresentaram crescimento: Produtos de Borracha e Material Plástico (+3,4%; +34 GWh), Automóveis (+2,8%; +17 GWh), Produtos Têxteis (+2,3%; +12 GWh), Produtos de Minerais Não-Metálicos (+1,4%; +18 GWh), Produtos de Metal (+1,2%; +4 GWh) e Produtos Químicos (+0,4%; +6 GWh). Na outra ponta, o consumo de eletricidade caiu nos setores de Metalurgia (-1,0%; -42 GWh) e Papel e Celulose (-2,4%; -21 GWh).

Na avaliação por ambiente de contratação, o mercado livre respondeu por 44,9% do consumo nacional, com 22.261 GWh, crescimento de 4,5% no consumo frente a abril de 2025. O número de consumidores atendidos nesse segmento subiu 22,5% no período. Já o mercado regulado, atendido pelas das distribuidoras, respondeu por 55,1% do consumo nacional, com 27.331 GWh, alta anual de 3,1%. Já o número de consumidores cresceu 1,7% no período.

A EPE cita que, desde a abertura do mercado livre para todos os consumidores do grupo A (alta tensão), em janeiro de 2024, houve migração para o mercado livre de energia de mais de 47 mil consumidores. Segundo relatório de migração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de abril de 2026, há previsão de mais de 10 mil consumidores migrarem em 2026.

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BofA engrossa o caldo de revisões da Selic e vê só mais um corte em 2026


O Bank of America (BofA) se juntou ao grupo de instituições que já contava com nomes como XP e BTG e também revisou para cima sua projeção para a Selic neste ano. Nesta nesta sexta-feira (5), o banco americano passou a projetar a taxa básica em 14,25% ao fim de 2026, o que implica em somente mais um corte este ano, seguido de uma pausa prolongada. Antes, o BofA projetava que o juro atual de 14,50% cairia até 13,25% ao fim do ano.

A avaliação levou em conta os riscos de inflação em alta, atividade econômica impulsionada por estímulos fiscais e a desvalorização do real. “O Copom provavelmente sinalizará uma pausa por meio de uma mudança de linguagem, à medida que a barreira para novas flexibilizações aumenta e os retornos mais altos por mais tempo se intensificam”, afirma David Beker, chefe de economia para Brasil e de estratégia para América Latina do Bank of America, em relatório.

Leia também: XP eleva projeção da Selic a 14% e inflação em 5,3% para o fim de 2026

Ao justificar a revisão, Becker aponta um cenário macroeconômico “significativamente menos favorável” que reflete a “deterioração da dinâmica inflacionária atual” e a desvalorização do real que, até então, estava segurando parte da transmissão dos preços por meio do câmbio.

Em entrevista recente ao InfoMoney, o economista havia destacado que o câmbio era a principal variável observada pelo banco para balizar as projeções. Nesta sexta, a divisa americana opera em forte alta, acima de R$ 5,15, após um dado de trabalho surpreendentemente alto nos Estados Unidos gerar uma nova onda de aversão ao risco.

Saiba mais: Câmbio favorável e exportação de petróleo amortecem a inflação. Qual o limite disso?

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Além disso, o banco avalia que a atividade econômica permanece sustentada por estímulos fiscais e de crédito contínuos, o que pressiona a demanda e exige juros altos para segurar a inflação, cujas projeções estão se afastando da meta do Banco Central, que é de 3%, com margem para um teto de até 4,5%.

O BofA destaca ainda que os efeitos inflacionários possivelmente trazidos pelo El Niño, que ameaça as safras de 2027, além do impacto do fim da jornada 6×1, ainda não foram incorporados na avaliação.

“Neste cenário, o espaço para novas flexibilizações monetárias é limitado, e o patamar para cortes adicionais tornou-se significativamente mais elevado, consistente com o retorno a um contexto de ‘juros altos por mais tempo’”, diz o BofA.



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EUA criam muito mais vagas que o esperado em maio


Os Estados Unidos criaram 172.000 novas vagas não-agrícolas em maio, informou Departamento do ‌Trabalho nesta sexta-feira (5). O número representa uma leve queda em relação às 179.000 vagas revisadas para cima em abril, mas bem acima da estimativa de consenso do Dow Jones, de 80.000, e de pesquisa da Reuters, de 85.000. A taxa de desemprego manteve-se estável em 4,3%, conforme esperado.

Economistas já previam que o relatório de emprego do confirmaria que o conflito no Oriente Médio, que alimentou a inflação por meio da alta nos preços do petróleo, ainda não teria impacto significativo no mercado de trabalho. Mas não por uma margem tão grande.

Embora os ganhos de emprego tenham se concentrado principalmente em poucos setores, as demissões também foram moderadas. Além disso, porém, há alguns indícios de que a inteligência artificial esteja impactando o mercado de trabalho.

As empresas têm sido cautelosas em relação ao aumento das contratações uma vez que lidam com incertezas, primeiro com as tarifas do presidente Donald Trump no ano passado e agora com a guerra dos EUA e de Israel contra o ​Irã.

As demissões baixas estão ancorando o mercado de trabalho, mantendo-o no que economistas chamam de equilíbrio ‘contratações lentas, demissões lentas’, o que ​dá ao Federal Reserve espaço para deixar a taxa de juros inalterada enquanto monitora as consequências da guerra para a inflação.

Economistas veem espaço limitado para ​grandes revisões nas contagens anteriores de criação de vagas depois que o Escritório de Estatísticas do Trabalho, que compila ​o relatório de emprego, ⁠atualizou o modelo que usa para tentar estimar quantos empregos foram criados ou perdidos devido ⁠à abertura ou fechamento de empresas em um determinado mês.

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(com Reuters)



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Inflação está aumentando e, se continuar, pode ser apropriado agir logo, diz Hammack


A presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, Beth Hammack, alertou que, se a tendência de aumento da inflação continuar, pode ser apropriado para o banco central “agir em breve”, em publicação nesta sexta-feira, 5, no LinkedIn.

Hammack ponderou que os dados do payroll de maio mostram um mercado de trabalho em aparente equilíbrio e taxa de desemprego estável em nível consistente com o pleno emprego. Por outro lado, a inflação persistentemente alta é a “maior preocupação” no momento, destacou, sob o risco de que as expectativas inflacionárias de consumidores, empresas e mercados financeiros se tornem mais elevadas no futuro.

“Uma mudança assim nas expectativas requer uma ação decisiva”, pontuou.

A dirigente lembrou que o objetivo do banco central é retomar a estabilidade dos preços com a inflação em 2%. “É algo central para o crescimento econômico e o pleno emprego no longo prazo”, frisou.

“Por hoje, é razoável manter as taxas de juros estáveis devido a incertezas nas perspectivas econômicas. Mas, se as tendências continuarem, pode ser apropriado agir em breve”, escreveu Hammack.



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