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Por que Joesley Batista quer investir na Venezuela


Os irmãos Wesley e Joesley Batista, da J&F, estão de olho em um projeto petrolífero venezuelano com potencial de um bilhão de barris que pode se beneficiar dos planos de Donald Trump para reativar o setor de energia do país.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, os Batista — controladores da maior empresa de proteína animal do mundo — estão posicionados de forma discreta nos bastidores do setor de petróleo da Venezuela por meio da participação que um de seus associados mantém no projeto Petrolera Roraima.

Antes da queda de Nicolás Maduro, no início deste mês, um representante comercial dos Batista obteve participação em um conjunto de campos de petróleo que antes eram operados pela ConocoPhillips. A Fluxus, empresa de petróleo pertencente aos Batista, poderia entrar nesse ou em outros projetos do setor no país assim que o ambiente de negócios ficar mais claro, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de informações não públicas.

A J&F, holding dos irmãos Batista, disse que não possui ativos na Venezuela e que acompanha de perto os acontecimentos.

“Assim que houver um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica, estaremos prontos para avaliar investimentos”, afirmou a J&F em e-mail enviado à reportagem.

Os Batista adotaram uma postura cautelosa em relação à Venezuela desde que os EUA impuseram sanções, devido à forte exposição do grupo a investimentos americanos — incluindo a processadora de frango Pilgrim’s Pride.

Embora Trump tenha afirmado que o governo venezuelano “roubou” riquezas petrolíferas reivindicadas por empresas americanas como a ConocoPhillips durante a onda de nacionalizações de quase 20 anos atrás, ele também não demonstrou intenção de reverter essas expropriações. Isso indica que os Batista estão em posição privilegiada para ajudar a expandir a produção de petróleo do país, enquanto petroleiras americanas e europeias aguardam garantias financeiras e de segurança mais robustas.

Desde a queda de Maduro, Joesley Batista emergiu como uma figura-chave na transição de poder na Venezuela. Na semana passada, ele viajou de Washington a Caracas para se reunir com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez.

Segundo uma pessoa familiarizada com o encontro, Joesley voltou com um relato otimista para autoridades americanas, dizendo que ela estaria aberta a investimentos estrangeiros — especialmente nos setores de petróleo e gás natural.

Os Batista construíram relações com líderes de diferentes espectros políticos. A Pilgrim’s Pride fez a maior doação individual para o comitê de posse de Trump em 2025: US$ 5 milhões. No ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou Joesley Batista para negociar com Trump alívio tarifário.

Joesley Batista, de 53 anos, também vem usando relações cultivadas na Venezuela nos últimos anos para posicionar a família como uma das primeiras a entrar em um mercado que já foi o maior exportador de petróleo da América Latina. Em dezembro, ele esteve no país para pressionar Maduro a deixar o poder de forma pacífica.

O grupo J&F, da família Batista

Os laços da família com a Venezuela remontam a mais de uma década. A joia da coroa do grupo, a JBS, fechou um acordo de US$ 2,1 bilhões com o governo Maduro para fornecer carne e frango em um momento em que o país enfrentava escassez aguda de alimentos e hiperinflação.

Esse contrato foi viabilizado por Diosdado Cabello, um dos principais nomes do chavismo e atual ministro do Interior da Venezuela.

Em 2024, o Ministério do Petróleo da Venezuela concedeu direitos de exploração e produção por 25 anos no antigo projeto da ConocoPhillips, a Petrolera Roraima, à A&B Investments, liderada por Jorge Silva Cardona, associado dos Batista. Após a entrada da A&B no projeto, a produção diária subiu para 32 mil barris entre junho e outubro, mas depois despencou quando o governo Trump passou a bloquear exportações de petróleo do país, disse uma das fontes.

O projeto era considerado um marco da engenharia moderna quando entrou em operação no início dos anos 2000. Refinarias conhecidas como upgraders convertiam o petróleo pesado em cerca de 90 mil barris diários de um tipo mais leve e valioso de óleo sintético.

A estatal PDVSA detém 51% do projeto, enquanto a A&B possui 49%. Segundo fontes, os Batista também avaliam oportunidades nos setores de mineração e infraestrutura elétrica na Venezuela.



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iGreen cresce com apelo religioso e energia por assinatura


Em vídeos que circulam pelo YouTube, Instagram e TikTok, os irmãos Amanda Durante e Thiago Alexander, criadores da iGreen Energy, fundem a oferta de energia solar por assinatura a um discurso religioso que descreve o sucesso da empresa como um “mover de Deus” – uma manifestação divina, em termos mais laicos.

Amanda, CEO da companhia e pastora evangélica, diz que o objetivo da iGreen é provocar uma transformação na “vida espiritual” dos parceiros. Thiago, presidente da empresa, aposta em outro argumento para atrair novos participantes: retorno financeiro rápido.

O modelo de negócios da iGreen é o de marketing multinível. Para ingressar na rede como “licenciado”, é preciso pagar R$ 1.997.

Em vídeos de divulgação, Thiago afirma que esse valor pode ser recuperado em até dez dias e que os ganhos com comissões e royalties se estendem “até o infinito”, à medida que a rede cresce. A empresa também associa a progressão na carreira a recompensas de alto valor, como cruzeiros, viagens internacionais e carros elétricos – primeiro modelos da BYD, no fim, um Porsche Taycan.

Esse tipo de conteúdo também é replicado por milhares de licenciados espalhados pelo país. Hoje, segundo a própria empresa, são cerca de 25 mil participantes. No YouTube, um licenciado fala em “comissões mensais vitalícias e até mesmo hereditárias”. 

Em suma, as promessas clássicas do marketing multinível.

Fundada no fim de 2021, a startup de Uberlândia alega ter 500 mil clientes e promete quadruplicar esse número em 2026. E conta com um aval institucional de peso: a Vibra Energia, gigante que opera os postos Petrobras, é sócia da operação por meio da Comerc. 

Mas o modelo levanta questões. Consumidores reclamam de dificuldades para cancelar contratos. E a própria natureza do negócio — intermediar energia solar subsidiada — ocorre em um vácuo regulatório que já produziu pirâmides financeiras e outras fraudes bilionárias no setor.

Fora a questão matemática: ganhos que “se estendem ao infinito” são um desafio à lógica.

Vender & Recrutar

Thiago Alexander tinha 18 anos quando começou a trabalhar com marketing multinível. Passou por Herbalife e Hinode, onde se destacou como recrutador. Amanda, sua irmã, trabalhou em uma empresa que vendia energia por assinatura. 

Da união das duas expertises veio a iGreen. A tese era de que o modelo de vendas de energia por assinatura não funcionava na internet nem em call centers da forma tradicional. A solução, conta Thiago, foi aplicar as técnicas do marketing multinível ao setor de energia. “É a possibilidade de eu utilizar o meu network. Ou seja, é a transferência de confiança. Eu transfiro a minha confiança para aquela solução e eu consigo endossar aquilo para amigos, conhecidos e familiares”.

Desde o terceiro mês de operação, Amanda e Thiago decidiram assumir publicamente a fé evangélica como parte do negócio. “Deus tocou o coração nosso e falou: ‘Eu preciso que vocês falem disso. Porque eu vou utilizar dessa empresa para alcançar milhares de pessoas’”, conta Thiago.

“Nós temos esses momentos de oração e pregação”, explica Amanda, que afirma ter visto milhares de conversões ocorrerem por meio da empresa. 

Com o pagamento da licença, o participante ganha acesso a aplicativos que conectam o licenciado a fornecedores de energia por assinatura, telefonia e outros serviços.

A iGreen, portanto, não presta o serviço diretamente. Funciona como uma plataforma que intermedia a relação entre fornecedores e consumidores finais – que passam a comprar energia solar coletivamente. “Nós viemos como um facilitador para conscientizar o cliente que ele tem a possibilidade de entrar num consórcio”, explica Thiago, que hoje tem 32 anos.

Um executivo de uma empresa que também oferece energia por assinatura, concorrente da iGreen, diz que a startup dos irmãos Amanda e Thiago “não é uma empresa de energia, mas uma empresa que recruta pessoas que vendem produtos”. “Eles são intermediadores, eles são o Uber, enquanto a gente constrói as fazendas [de placas solares] e produz a energia.”

A remuneração dos licenciados iGreen combina comissões sobre as contas dos clientes e bônus pelo recrutamento de novos licenciados com valores crescentes à medida que o participante sobe na hierarquia da rede.

O licenciado ganha R$ 300 quando recruta outro participante diretamente e R$ 100 quando seu recrutado recruta alguém. Além disso, recebe entre 0,1% e 4% sobre as contas de luz pagas pelos clientes que ele e sua rede trouxeram.

Para acessar os royalties mais elevados, o licenciado precisa recrutar outras pessoas e fazer com que elas também recrutem. O sistema tem níveis progressivos: “S-Expansão” exige 5 clientes e 2 licenciados diretos; “G-Expansão” requer 10 clientes e 5 licenciados; “E-Expansão” demanda 20 clientes e 7 licenciados; “D-Expansão” exige 40 clientes e 10 licenciados e por aí vai. 

Ao InvestNews, Thiago afirma que mais de 90% dos licenciados só focam em atrair clientes, embora a própria estrutura de remuneração mostre que sem recrutar é impossível chegar aos royalties dos licenciados de nível mais alto. Segundo a própria empresa, 90% dos ganhos dessa elite vem das redes que seus recrutados formaram.

O selo da Vibra

No início de 2022, a Comerc, uma das maiores comercializadoras de energia do país e especializada em atender grandes consumidores no mercado livre de energia, quis investir na iGreen. Em nota, a Comerc disse que a “atuação conjunta [com a iGreen] viabiliza soluções voltadas a diferentes perfis de clientes, ampliando o acesso à energia renovável por meio da energia fotovoltaica.”

Documentos internos da Comerc mostram que a empresa pagou R$ 23 milhões por 50% das quotas da iGreen Energia Comércio e Serviços (o CNPJ que concentra os clientes) e 20% da iGreen Comercial (que concentra os licenciados).

“Imagina uma empresa do calibre deles falar para a gente: ‘vamos investir sete bilhões de reais em capacidade energética e queremos a plataforma de vocês [como parceira]’”, conta Thiago. 

Em 2024, a Vibra Energia concluiu a aquisição da Comerc por R$ 2,9 bilhões. Com isso, a gigante dos postos Petrobras tornou-se sócia indireta da iGreen. Para a startup de Uberlândia, isso representa um selo de legitimidade institucional que a empresa menciona constantemente.

A Comerc foi procurada pelo InvestNews para falar sobre o modelo de negócios da iGreen, apresentar dados financeiros da operação e esclarecer quanto do faturamento depende de recrutamento de colaboradores que pagam para entrar e quanto advém da venda de serviços de fato, mas preferiu não destacar porta-voz e não quis comentar. 

O sol é para todos

A iGreen opera em um setor que ainda carece de fiscalização adequada. A energia solar por assinatura explodiu no Brasil após 2012, quando o país criou o Sistema de Compensação de Energia Elétrica, permitindo que consumidores gerassem energia em seus telhados e injetassem o excedente na rede, obtendo créditos que abateriam suas contas — como se o relógio medidor girasse ao contrário.

Em 2022, a Lei 14.300 (Marco Legal da Geração Distribuída) permitiu a criação de consórcios e cooperativas para compra de energia solar. Pessoas sem condições de instalar painéis próprios poderiam se associar a usinas remotas e compartilhar os créditos gerados. Foi a abertura legal para as empresas de energia por assinatura.

O problema é que o consumidor raramente entende o que está contratando. Dada a complexidade regulatória, com frequência o cliente acredita estar comprando “energia mais barata”, quando na verdade está assinando uma procuração para fazer parte de um consórcio. E essa energia é “mais barata” porque se beneficia de subsídios criados para incentivar a geração distribuída — subsídios cujo custo é repassado aos demais consumidores que não possuem painéis solares.

Em 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) cobrou a Aneel, afirmando que empresas estavam realizando “comercialização disfarçada” de energia subsidiada, custando R$ 1,8 bilhão aos demais consumidores naquele ano. A Aneel respondeu que se trata de “autoconsumo remoto fracionado”, não de comercialização, e pediu o arquivamento, o que foi acatado pelo TCU.

Quem vigia?

O resultado é um vácuo regulatório. A Aneel não licencia nem fiscaliza individualmente as empresas intermediadoras. Não há regras claras sobre transparência, cancelamento ou proteção ao consumidor. E isso abriu espaço para fraudes.

Nos últimos anos, ao menos quatro grandes esquemas de pirâmide envolvendo energia solar foram desmantelados: Econ Energia, Original Energy, Alpha Energy Capital e Usinas Onda do Sol. Todas vendiam participações em usinas solares e prometiam retornos fixos fora da realidade (como 5% a 30% ao mês). A verdade é que operavam como pirâmides, dependendo de novos investidores para pagar os antigos.

“O Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que a pirâmide se caracteriza quando o pagamento dos lucros depende, essencialmente, do ingresso de novos investidores”, explica Graziela Frati, advogada especialista em direito societário e empresarial.

Nesses casos, ela descreve, o produto é apenas um “disfarce” ou um “pedágio” de adesão para camuflar o verdadeiro propósito: a captação de recursos da base para remunerar o topo.

Já no caso do marketing multinível legítimo, diz Frati, “a remuneração decorre da margem de comercialização de produtos ou serviços vendidos a consumidores finais externos à rede”. 

Thiago Alexander disse ao InvestNews que a iGreen não promete rendimento passivo – “se você paga R$ 1.997 e não faz nada, você não ganha nada” – e que essa taxa representa apenas 15% do faturamento ali; os outros 85%, diz Alexander, de comissões sobre a intermediação da venda de serviços. 

Procurada, a Aneel informou que “está em andamento uma fiscalização específica sobre esse tema”. O Ministério de Minas e Energia não respondeu. A CVM disse manter uma página para ajudar investidores a identificar pirâmides. 

O Ministério Público Federal afirmou que monitora continuamente as atividades de geração distribuída e se mantém “atento aos casos em que a remuneração dos participantes depende predominantemente do recrutamento de novos aderentes”.



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Do apagão ao petróleo: Ebrasil impõe sua agenda na Brava Energia, 2ª maior junior oil do país


O grupo Ebrasil, uma geradora de energia criada em meio à crise do apagão dos anos 2000, consolidou-se – na prática – como o principal acionista da Brava Energia, a segunda maior petroleira independente do país, atrás apenas da Prio.

A troca de CEO, promovida pela companhia na semana passada, e a compra bilionária dos ativos da Petronas na Bacia de Campos, anunciada na última sexta (16), deixaram claro que o grupo fundado pelo empresário pernambucano José Cantarelli vem conseguindo impor sua agenda estratégica.

Dona de usinas termelétricas no Nordeste, a Ebrasil (sigla para Eletricidade do Brasil) tem 6,9% da Brava é hoje o único acionista relevante ali com atuação direta no setor de energia — uma característica que passou a fazer diferença em um capital até então dominado por investidores financeiros e de infraestrutura, como a gestora JiveMauá, a família Queiroz Galvão e o Bradesco (maior acionista individual, com 12%).

A nomeação de Richard Kovacs, executivo ligado à própria Ebrasil, para o cargo de CEO da Brava no lugar de Décio Oddone — profissional de mercado e ex-diretor geral da ANP — é o capítulo mais recente de uma sequência de movimentos da Ebrasil que redesenhou a governança da petroleira nos últimos meses: a derrubada da poison pill, a articulação de um bloco acionário e, agora, o comando da gestão executiva.

Com as mudanças anunciadas em 12 de janeiro, que entram em vigor no início de fevereiro, Kovacs deixará a presidência do conselho de administração da Brava. Seu lugar será ocupado por Alexandre Cruz, CEO da JiveMauá, que assumirá como chairman da companhia.

Oportunidade

A aproximação da Ebrasil com a Brava começou em 2024, por meio do fundo Yellowstone, criado pelo grupo de José Cantarelli para investir em empresas listadas. Capitalizado após a venda de sua metade na Celse — complexo termelétrico em Sergipe adquirido pela Eneva por R$ 6,7 bilhões em 2022 —, o fundador da Ebrasil passou a buscar oportunidades de diversificação no mercado de capitais.

A estratégia inicial, segundo uma pessoa próxima da companhia, era semelhante à de um investidor tradicional: identificar empresas descontadas, com potencial de valorização. Nesse movimento, o fundo montou posições em companhias como Cosan, Eneva, Sabesp e Sanepar. A Brava, porém, rapidamente se tornou o principal investimento da carteira.

Nascida da fusão entre Enauta e 3R Petroleum, em agosto de 2024, a petroleira opera como uma corporation, com capital pulverizado. Esse perfil abriu espaço para a entrada de um acionista estratégico, acrescenta a mesma fonte ouvida pelo InvestNews.

Quem identificou a oportunidade foi o próprio Kovacs, que trabalha na Ebrasil desde 2016 e se tornou um dos executivos de confiança de Cantarelli. No primeiro mês de operação do fundo, em novembro de 2024, o Yellowstone investiu R$ 37 milhões na Brava, adquirindo 1,86 milhão de ações (0,20% de participação).

Ao longo de 2025, a posição foi sendo ampliada. Em maio, o fundo já havia aportado R$ 352 milhões; em setembro, o montante chegou a R$ 481,5 milhões, equivalentes a 26,8 milhões de ações. Atualmente, o veículo de investimento da Ebrasil detém 31,9 milhões de papéis, que lhe dá os 6,9% atuais. Essa fração coloca o Yellowstone como terceiro maior acionista individual da companhia, ao lado da Jive. 

Um grande navio FPSO chamado "Yinson", com casco vermelho e estruturas metálicas complexas, opera sob a bandeira do Brasil em um mar tranquilo com céu azul e algumas nuvens.
Plataforma Atlanta, da Brava Energia. Foto: Divulgação

Dados mais recentes do fundo na CVM mostram que 70% do patrimônio do Yellowstone está investido hoje em ações da petroleira.

Mudanças

O avanço da posição veio acompanhado de movimentos mais assertivos na governança. Em maio de 2025, a Yellowstone protocolou pedido para que a Brava convocasse uma assembleia com o objetivo de retirar a cláusula de poison pill do estatuto.

A regra obrigava qualquer acionista que ultrapassasse 25% do capital a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) por 100% das ações da companhia, com prêmio de 25% sobre o valor de tela. À época, a Yellowstone detinha pouco mais de 5% do capital da Brava. Em julho, a assembleia de acionistas aprovou a retirada da cláusula.

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Já era uma amostra de que o grupo de Cantarelli pretendia aumentar sua participação na empresa. A partir dali, iniciou-se uma reorganização mais explícita da governança, com a articulação de um acordo de acionistas liderado pelo fundo da Ebrasil, pela Jive e a família Queiroz Galvão.

Na prática, o grupo passou a exercer influência determinante sobre as principais decisões estratégicas da empresa. Pouco depois, Kovacs assumiu a presidência do conselho de administração e, agora, chega à cadeira de CEO.

Nova agenda

Sob a nova gestão, a expectativa é que a Brava avance em uma agenda mais pragmática de alocação de capital. Internamente, a companhia avalia a venda de ativos considerados não estratégicos — como a operação de gás natural — e estuda aquisições com foco em geração de caixa mais imediata.

Foi nesse contexto que a Brava viu a oportunidade para efetuar a compra, na sexta (10), de uma participação de 50% no campo de Tartaruga Verde e no Módulo III do campo de Espadarte, ambos na Bacia de Campos. O negócio aguarda aprovação do Cade e da ANP. De qualquer forma, a fatia pertence à Petronas, que é a Petrobras da Malásia – os demais 50% dos campos continuam com a Petrobras daqui mesmo.

A Prio e a BW Energy também analisaram a investida no ativo, segundo a Bloomberg. A Petrobras, como sócia na operação, poderia exercer seu direito de preferência para cobrir a proposta.

A unidade conta com 14 poços produtores — 11 em Tartaruga Verde e três no Módulo III de Espadarte. Em 2025, a produção média do complexo todo foi de cerca de 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia (boed, ou seja, contando os volumes de óleo e de gás). O grosso ali é petróleo mesmo, com parcela residual de gás natural escoada pelo gasoduto de Enchova até um terminal em Macaé (RJ).

A Brava produz 92 mil boed, atrás apenas da Prio entre as junior oils, que registra 155 mil barris diários de óleo equivalente, e bem à frente da PetroReconcavo, com 27 mil.

Com a compra de 50% do complexo de extração, a Brava adiciona uma PetroReconcavo inteira à sua produção – que vai saltar para perto de 120 mil boed.

E não é só volume, nesse caso. É qualidade também. A produção da Brava concentra-se hoje em óleo pesado, mais difícil de refinar – e, por isso, mais barato no mercado internacional. Já o óleo de Tartaruga Verde e Espadarte é de grau API médio (27º), mais valorizado.

Redução da alavancagem

Embora o acordo com a Petronas pelo ativo envolva o pagamento de US$ 450 milhões, a petroleira entende que o deal irá ajudá-la no processo de desalavancagem da companhia. É que o potencial de geração de caixa do ativo seria maior, na visão de pessoas ligadas à Brava, do que o valor empregado na negociação. “O foco dessa aquisição é desalavancar a companhia no dia do closing. O ativo já está gerando caixa e já está produzindo”, disse uma fonte com trânsito na empresa.

Para este ano, o objetivo central é reduzir o endividamento. No terceiro trimestre de 2025, a petroleira reportou dívida líquida de US$ 1,7 bilhão (R$ 7,4 bilhões), com alavancagem de 2,3 vezes dívida líquida pelo lucro operacional (Ebitda). A ideia é reduzir a alavancagem para algo em torno de 1,5 vez este ano.

Em paralelo, a Brava promoveu uma reorganização interna em outubro, com simplificação da estrutura executiva e eliminação de posições duplicadas, sobretudo em nível gerencial – ainda uma das etapas de integração entre 3R Petroleum e Enauta.

Debate estratégico

Pessoas que acompanham a Brava afirmam que o diferencial trazido pela Ebrasil não se limita à governança, mas também à forma de enxergar o negócio. Fundado por José Cantarelli em 2001, em meio à crise de escassez de energia durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o grupo atua em setores intensivos em capital e regulação.

Na área de energia, controla três usinas termelétricas no Nordeste: a Epasa, na Paraíba, com 342 megawatts (MW) de capacidade instalada; a Epesa, em Pernambuco, com 356 MW; e uma participação minoritária na TermoCabo, em Cabo de Santo Agostinho (PE), com 48 MW.

O grupo também possui investimentos em rodovias e saneamento, além de participação indireta na Ocyan — antiga Odebrecht Óleo e Gás —, responsável pela operação do navio-sonda de Papa-Terra, um dos principais projetos da Brava no offshore.

Embora a Ebrasil negue qualquer intenção de integração operacional direta entre suas termelétricas e a Brava — como contratos de fornecimento de gás —, fontes do setor avaliam que a simples presença de um acionista com esse perfil lá dentro já altera o debate estratégico dentro da companhia.

Procuradas pelo InvestNews, Brava e Ebrasil não comentaram.

Colaborou Rikardy Tooge



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Justiça prorroga suspensão de obrigações da Oi por 90 dias


A operadora Oi informou nesta segunda-feira (19) que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decidiu prorrogar por 90 dias a suspensão das obrigações extraconcursais do grupo. A decisão, proferida pela desembargadora relatora da 1ª Câmara de Direito Privado, resultou de agravos interpostos por Itaú Unibanco e Banco Bradesco contra a sentença de falência da companhia e suas subsidiárias.

Segundo a Oi, o prazo de suspensão começa em 20 de janeiro de 2026, e ao final desse período, o administrador judicial deverá apresentar um relatório de gestão ao juízo da recuperação judicial. A íntegra da decisão está disponível nos sites da operadora e da Comissão de Valores Mobiliários.

A Oi é uma das maiores empresas de telecomunicações do Brasil, mas enfrenta há anos um cenário de crise financeira. Em crise desde 2016, a empresa vendeu ativos como sua rede móvel e infraestrutura de fibra óptica para focar na operação de internet de alta velocidade. No terceiro trimestre de 2024, a empresa registrou receita líquida de R$ 6,4 bilhões e lucro líquido de R$ 12,5 bilhões.

Em novembro de 2025, a empresa Oi alcançou um marco significativo ao receber a liberação judicial de R$ 517 milhões de uma conta escrow do Bradesco, destinados à Anatel, após decisões judiciais ligadas ao seu processo de recuperação. Esta ação reflete a contínua luta da Oi para superar sua crise financeira e reestruturar suas operações no setor de telecomunicações.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.



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Bitcoin recua com risco de guerra comercial entre EUA e Europa


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União Europeia cogita tarifas sobre US$ 108 bilhões em produtos dos Estados Unidos após ameaça de Trump


A União Europeia está em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma taxa de 10% aos países europeus em 1º de fevereiro.

A UE também avalia contramedidas adicionais além das tarifas, mas primeiro tentará encontrar uma solução diplomática, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Representantes dos 27 países da UE se reuniram no domingo para começar a preparar as opções.

Os líderes da UE realizarão uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para analisar possíveis medidas retaliatórias. Em uma publicação nas redes sociais no domingo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que as nações do bloco estavam unidas em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e estavam prontas “para se defenderem contra qualquer forma de coerção”.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, a menos que haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. Trump fez a ameaça depois que os países disseram que realizariam exercícios simbólicos de planejamento militar da OTAN no território semiautônomo dinamarquês.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, criticou duramente os comentários de Trump como “completamente errados”, e Ulf Kristersson, da Suécia, disse que seu país não seria “chantageado”. O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, que chamou a ameaça como “inaceitável”, planeja solicitar que a UE acione seu instrumento de retaliação comercial mais poderoso, o chamado instrumento anticoerção.

A reação mais imediata e tangível da UE foi que ela iria suspender a aprovação do acordo comercial de julho com os EUA, que ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, o maior grupo no parlamento, afirmou que se uniria a outros partidos para bloquear a ratificação do acordo.

“O presidente Trump desencadeou uma avalanche que ameaça destruir décadas de cooperação transatlântica”, disse Stefan Lofven, presidente do Partido Socialista Europeu, em comunicado no domingo. O partido, cujo grupo parlamentar é o segundo maior em Bruxelas, apoia a suspensão do acordo comercial e pediu à UE que examine a utilização do instrumento anticoerção.

O acordo comercial, criticado por muitos na Europa por ser excessivamente desequilibrado a favor de Washington, previa que a UE concordasse em remover quase todas as tarifas sobre produtos americanos. A UE também aceitava uma taxa de 15% sobre a maioria das exportações para os EUA e de 50% sobre o aço e o alumínio. Desde então, os EUA ampliaram a lista de produtos sujeitos à alíquota mais alta de 50%, incluindo centenas de produtos adicionais que contêm esses metais.

A UE já aprovou tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos dos EUA, mas suspendeu a implementação. Se Trump levar adiante sua ameaça e impuser tarifas aos países no início de fevereiro, a UE poderá permitir a reintrodução de contramedidas, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

As medidas teriam como alvo produtos industriais americanos, incluindo aeronaves da Boeing, carros fabricados nos EUA e uísque bourbon.

A ameaça de tarifas de Trump pode se revelar uma interrupção indesejada do rali das ações europeias, que têm superado as dos EUA, conforme investidores direcionam recursos para diversos setores regionais, da defesa à mineração e fabricantes de equipamentos para chips. A perspectiva para a região tem sido impulsionada pelo aumento dos gastos fiscais na Alemanha, pela queda das taxas de juros e pela expectativa de melhora dos lucros.

Se Trump levar adiante a ameaça da tarifa total de 25%, as exportações dos países visados para os EUA poderão ser reduzidas em até 50%, sendo a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca as mais expostas, segundo estimativas da Bloomberg Economics.



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União Europeia cogita tarifas sobre US$ 108 bilhões em produtos dos Estados Unidos após ameaça de Trump


A União Europeia está em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos Estados Unidos, caso o presidente Donald Trump leve adiante a ameaça de aplicar uma taxa de 10% aos países europeus em 1º de fevereiro.

A UE também avalia contramedidas adicionais além das tarifas, mas primeiro tentará encontrar uma solução diplomática, de acordo com pessoas familiarizadas com as discussões. Representantes dos 27 países da UE se reuniram no domingo para começar a preparar as opções.

Os líderes da UE realizarão uma reunião de emergência em Bruxelas ainda nesta semana para analisar possíveis medidas retaliatórias. Em uma publicação nas redes sociais no domingo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que as nações do bloco estavam unidas em apoio à Dinamarca e à Groenlândia e estavam prontas “para se defenderem contra qualquer forma de coerção”.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, subindo para 25% em junho, a menos que haja um acordo para a “compra da Groenlândia”. Trump fez a ameaça depois que os países disseram que realizariam exercícios simbólicos de planejamento militar da OTAN no território semiautônomo dinamarquês.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, criticou duramente os comentários de Trump como “completamente errados”, e Ulf Kristersson, da Suécia, disse que seu país não seria “chantageado”. O primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, que chamou a ameaça como “inaceitável”, planeja solicitar que a UE acione seu instrumento de retaliação comercial mais poderoso, o chamado instrumento anticoerção.

A reação mais imediata e tangível da UE foi que ela iria suspender a aprovação do acordo comercial de julho com os EUA, que ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. O Partido Popular Europeu, o maior grupo no parlamento, afirmou que se uniria a outros partidos para bloquear a ratificação do acordo.

“O presidente Trump desencadeou uma avalanche que ameaça destruir décadas de cooperação transatlântica”, disse Stefan Lofven, presidente do Partido Socialista Europeu, em comunicado no domingo. O partido, cujo grupo parlamentar é o segundo maior em Bruxelas, apoia a suspensão do acordo comercial e pediu à UE que examine a utilização do instrumento anticoerção.

O acordo comercial, criticado por muitos na Europa por ser excessivamente desequilibrado a favor de Washington, previa que a UE concordasse em remover quase todas as tarifas sobre produtos americanos. A UE também aceitava uma taxa de 15% sobre a maioria das exportações para os EUA e de 50% sobre o aço e o alumínio. Desde então, os EUA ampliaram a lista de produtos sujeitos à alíquota mais alta de 50%, incluindo centenas de produtos adicionais que contêm esses metais.

A UE já aprovou tarifas retaliatórias sobre € 93 bilhões em produtos dos EUA, mas suspendeu a implementação. Se Trump levar adiante sua ameaça e impuser tarifas aos países no início de fevereiro, a UE poderá permitir a reintrodução de contramedidas, disseram as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

As medidas teriam como alvo produtos industriais americanos, incluindo aeronaves da Boeing, carros fabricados nos EUA e uísque bourbon.

A ameaça de tarifas de Trump pode se revelar uma interrupção indesejada do rali das ações europeias, que têm superado as dos EUA, conforme investidores direcionam recursos para diversos setores regionais, da defesa à mineração e fabricantes de equipamentos para chips. A perspectiva para a região tem sido impulsionada pelo aumento dos gastos fiscais na Alemanha, pela queda das taxas de juros e pela expectativa de melhora dos lucros.

Se Trump levar adiante a ameaça da tarifa total de 25%, as exportações dos países visados para os EUA poderão ser reduzidas em até 50%, sendo a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca as mais expostas, segundo estimativas da Bloomberg Economics.



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Demanda fraca e tarifas fazem gigante da indústria de diamantes reduzir preços pela primeira vez em mais de um ano


A De Beers, uma das empresas mais tradicionais e influentes do mercado global de diamantes, reduziu seus preços oficiais de diamantes pela primeira vez em mais de um ano, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, encerrando a tentativa de sustentar o mercado diante da queda da demanda.

A indústria de diamantes enfrenta uma das crises mais profundas e prolongadas da história moderna, em meio à retração dos gastos de luxo na China e à crescente popularidade das pedras sintéticas. As tarifas impostas pelos Estados Unidos à Índia, o maior exportador de diamantes do mundo, aumentaram ainda mais a pressão sobre o setor.

A De Beers costuma evitar cortes de preços porque sua influência desproporcional no mercado faz com que esse tipo de movimento afete o sentimento geral. Em vez disso, a empresa vinha vendendo pedras com desconto em negociações sigilosas, enquanto os preços oficiais permaneciam cerca de 25% acima do valor praticado no mercado para algumas categorias.

Na segunda-feira, a companhia buscou realinhar sua posição na primeira venda regular do ano. De acordo com pessoas a par da situação, que pediram anonimato por se tratar de informações privadas, a De Beers promoveu cortes significativos nos preços de diamantes brutos com peso superior a três quartos de quilate.

Um porta-voz da De Beers se recusou a comentar.

Em suas vendas regulares, a De Beers define os preços e informa aos clientes, conhecidos no setor como sightholders, quanto se espera que comprem. Embora os compradores possam recusar, isso pode comprometer o acesso futuro ao fornecimento. A empresa vende os diamantes em caixas, organizadas por diferentes categorias e tamanhos.

A dimensão exata dos cortes anunciados na segunda-feira não ficou clara de imediato. A empresa adotou uma política de faturamento em linha única — em vez de discriminar o preço de cada caixa de diamantes, apresenta um valor total único — o que dificulta a identificação dos descontos. Além disso, houve mudanças na composição de algumas caixas, tornando difíceis as comparações diretas, segundo as fontes.

A última vez que a De Beers reduziu preços foi em dezembro de 2024, e o novo corte ocorre em um momento decisivo para a companhia que ajudou a criar a indústria moderna de diamantes. O mercado começava a dar sinais de estabilização antes de a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, provocar nova turbulência no ano passado.

Em agosto, Trump impôs tarifas de 50% à Índia, onde cerca de 90% dos diamantes do mundo são comercializados, lapidados ou polidos. Os Estados Unidos são, de longe, o maior consumidor global de diamantes.

Para a Anglo American Plc, controladora da De Beers, o momento não poderia ser pior. A mineradora busca sair do negócio como parte de uma ampla reestruturação, após repelir uma oferta de US$ 49 bilhões da BHP Group em 2024.



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A Nike finalmente entrou no jogo do pickleball. Mas será que é tarde demais?


A postura de “esperar para ver” da Nike diante desse esporte de raquete em rápido crescimento, que mistura tênis, badminton e pingue-pongue, começou a mudar depois que a empresa tornou a número 1 do ranking mundial de pickleball, Anna Leigh Waters, a primeira jogadora profissional da modalidade a integrar seu time de atletas patrocinados no início desta semana. Waters atuará como embaixadora global do pickleball para a gigante de artigos esportivos.

Parecia apenas uma questão de tempo. Com o crescimento explosivo recente do pickleball, consumidores vinham se perguntando por que uma líder global em vestuário esportivo ainda não havia feito movimentos relevantes nesse segmento. Agora, uma das principais dúvidas é se a Nike não entrou tarde demais nesse mercado.

A Nike não comentou imediatamente o assunto. Mas Lisa Delpy Neirotti, diretora do programa de gestão esportiva da School of Business da Universidade George Washington, disse ao MarketWatch que ainda há tempo para a Nike apostar no pickleball. “Eles precisam entrar no negócio, porque outras empresas já estão nele”, afirmou. “Não consigo acreditar em quanto dinheiro as pessoas estão gastando com pickleball.”

Adotar o esporte de raquete cria diversas oportunidades para novos gastos por parte dos praticantes, o que é uma boa notícia para as marcas esportivas. “Não é só moda, são também os calçados”, disse Neirotti, referindo-se aos tênis específicos para mudanças rápidas de direção em quadra. “Quanto mais as pessoas jogam, mais precisam comprar equipamentos.”

“Não consigo acreditar em quanto dinheiro as pessoas estão gastando com pickleball.”

O mercado de equipamentos de pickleball, sozinho, foi avaliado em US$ 1,61 bilhão em 2024 e deve crescer para US$ 3,1 bilhões até 2031, segundo a Meticulous Research. Cerca de 48,3 milhões de americanos jogaram pickleball ao menos uma vez em 2024, e a expectativa é que esse número continue crescendo. Nos EUA, existem 68.458 quadras conhecidas de pickleball, sendo que 18.455 foram adicionadas apenas em 2024.

Outros grandes nomes no mercado de pickleball incluem Skechers e Fila, que também patrocinam atletas da modalidade. Até esta semana, a própria Waters, de 18 anos, era atleta da Fila e usava os produtos da marca nos torneios. A Skechers, por sua vez, investiu cedo no pickleball e se tornou patrocinadora oficial do US Open Pickleball Championships, além de fornecedora oficial de calçados para eventos como o APP Tour, USA Pickleball e Major League Pickleball, ainda em 2022.

O pickleball também pode ser uma forma de a Nike continuar expandindo sua base de fãs, especialmente entre mulheres. “Elas estão conquistando o público feminino”, disse Neirotti. “É um esporte novo, e a [Nike] precisa estar presente. A empresa perderia espaço se não abraçar um esporte popular que coloca muita gente em movimento.”

O patrocínio da Nike a Waters também pode sinalizar investimentos futuros na modalidade, o que pode ser uma boa notícia para investidores que acompanharam as dificuldades das ações da empresa nos últimos anos.

As ações da Nike acumulam queda de 9,2% nos últimos 12 meses e de 55% nos últimos cinco anos. O CEO da Nike, Elliot Hill, afirmou na última teleconferência de resultados que a empresa está nas “entradas intermediárias” de um plano de recuperação. Sob sua liderança, a Nike vem tentando focar mais nas necessidades dos atletas.

A companhia citou uma recuperação recente das vendas na América do Norte, mas admitiu que partes de seus negócios internacionais continuam enfrentando dificuldades. A receita do segundo trimestre caiu 16% na Grande China e recuou 4% na região da Ásia-Pacífico e na América Latina, segundo o último balanço. A analista Adrienne Yih, do Barclays, manteve recomendação neutra para as ações da Nike, com preço-alvo de US$ 64.

Ainda assim, Neirotti acredita que a influência global do pickleball pode render frutos para a Nike fora dos EUA. “O pickleball está crescendo em todos os lugares”, disse. “Há regiões no Vietnã cheias de quadras de pickleball. Na China, o esporte também cresce, porque as quadras de badminton podem ser usadas para pickleball.”

Por enquanto, a aposta da Nike no pickleball ainda está em estágio inicial. A categoria “pickleball” no site da empresa mostra basicamente produtos da linha de tênis Nike Court, com apenas dois itens descritos como específicos para a modalidade.

Patrocinar estrelas em ascensão como Waters é uma estratégia conhecida da Nike. A empresa tem um longo histórico de contratar atletas jovens que se tornaram ícones do esporte, como Michael Jordan, LeBron James, Tiger Woods, Roger Federer e Rafael Nadal, crescendo junto com a marca ao longo dos anos.

Waters afirmou que espera seguir os passos desses ídolos. “Crescendo, eu via meus ídolos usarem o Swoosh em seus maiores momentos, então entrar para a família Nike é a realização de um sonho”, disse em comunicado anunciando sua saída da Fila. “A Nike é o padrão ouro em performance, e mal posso esperar para entrar em quadra representando uma marca que acredita na mesma busca incansável pela excelência que me motiva todos os dias.”



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Mineradora australiana negocia venda de terras raras do Brasil para EUA


A Viridis Mining and Minerals está em negociações com potenciais compradores de terras raras extraídas no Brasil, conforme nações ocidentais buscam reduzir sua dependência da China para elementos usados em veículos elétricos e turbinas eólicas.

A empresa australiana de desenvolvimento mineral está em negociações com potenciais compradores dos Estados Unidos e da Europa e pretende fechar contratos com diversos clientes, incluindo refinarias de terras raras e fabricantes de ímãs, o líder da empresa no Brasil, Klaus Petersen, disse em entrevista.

As negociações incluem o estabelecimento de um preço mínimo para a produção do projeto Colossus da Viridis, avaliado em US$ 360 milhões, no estado de Minas Gerais, disse Petersen. Um preço mínimo serviria de proteção contra os baixos preços praticados na China, que responde por cerca de 90% da produção mundial de ímãs permanentes de terras raras.

As conversas acontecem num momento em que a Europa e o Brasil se aproximam de um acordo político que envolve matérias-primas essenciais. A presidente da Comissão Europeia Úrsula von der Leyen afirmou que tal acordo estruturaria uma cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — materiais que ela descreveu como essenciais para a independência estratégica em “um mundo onde os minerais tendem a se tornar um instrumento de coerção”.

O Brasil possui as maiores reservas de terras raras depois da China, mas sua produção comercial é pequena. O país busca explorar seu potencial geológico, enquanto mineradoras de pequeno porte desenvolvendo projetos de minerais críticos demandam garantias financeiras que facilitem o acesso ao financiamento.

A Viridis planeja tomar uma decisão final de investimento no segundo semestre do ano, com o objetivo de iniciar a produção em 2028.



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