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Carlos Slim se torna barão do petróleo no México


A investida de Carlos Slim no mercado de petróleo offshore do México não dá sinais de desaceleração, com o magnata da mídia mexicano agora planejando gastar US$ 270 milhões nas ações restantes de campos de petróleo na costa de Campeche.

O Grupo Carso SAB, empresa de Slim, informou em comunicado na segunda-feira que adquirirá a Fieldwood México da russa Lukoil, obtendo assim os 50% restantes nos campos Ichalkil e Pokoch. Em 2023, Slim já havia adquirido 50% desses campos por meio da compra da PetroBal SAPI.

Essas movimentações estão rapidamente transformando o magnata da mídia mais famoso do México em seu maior barão privado do petróleo. Incluindo o acordo mais recente com a Lukoil, Slim já investiu mais de US$ 2,4 bilhões em ativos offshore no país.

Ele também herdou profissionais experientes por meio de suas aquisições da PetroBal e da Houston-based Talos Energy, onde Slim controla cerca de 80% da unidade mexicana da empresa, garantindo uma participação relevante no gigante campo de petróleo Zama.

Enquanto a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) enfrenta uma dívida crescente, décadas de queda na produção de petróleo e refinarias deficitárias, Slim se torna discretamente seu maior parceiro no setor privado.

Além de seus acordos privados, Slim firmou parceria com a Pemex para desenvolver o projeto de gás em águas profundas Lakach e assinou um contrato de US$ 2 bilhões com a estatal para perfuração de poços no campo de gás Ixachi.

A Pemex continua presa em um ciclo vicioso de pagamento de juros sobre sua dívida crescente, em vez de investir na expansão da produção de petróleo e na melhoria da eficiência de suas refinarias deficitárias.

A estatal chegou a ceder a operação do campo Zama para seu parceiro Harbour Energy no final do ano passado, após anos de disputa para assumir o controle do megacampo da Talos. Resta saber se os recursos de Slim conseguirão ajudar a Pemex a melhorar seu desempenho.

Bilionário mexicano

Carlos Slim, bilionário mexicano e o homem mais rico da América Latina, tem atualmente um patrimônio estimado em US$ 114 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, ocupando a 16ª posição entre os mais ricos do mundo.

Grande parte de sua fortuna vem da América Móvil, uma das maiores empresas de telecomunicações da região, e de seu conglomerado Grupo Carso, com participações em setores como construção, varejo e mineração.

Slim também diversificou seus investimentos ao longo das décadas, consolidando-se como um dos empresários mais influentes do continente. Sua trajetória começou na privatização das telecomunicações no México, transformando a América Móvil em um dos pilares de seu império, e expandiu-se para outras áreas estratégicas ao longo dos anos.

Nos últimos anos, o empresário tem se destacado pelo aumento de sua presença no setor de petróleo e energia, com investimentos em campos offshore, participação na Talos Energy e contratos com a estatal Pemex.

Esses movimentos reforçam sua estratégia de diversificação e mostram que Slim aposta na continuidade do petróleo como setor estratégico, mesmo diante da transição global para energias renováveis. Entre telecomunicações, energia e outros setores, Carlos Slim segue como um dos investidores privados mais influentes do México, consolidando sua posição de destaque no cenário global.



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Como a montadora Renault ajudará a França a desenvolver sua indústria de drones


A fabricante francesa de automóveis Renault está avançando com planos para auxiliar os esforços de Defesa do país em um momento de crescentes tensões geopolíticas, enquanto a Europa busca uma resposta às ameaças dos Estados Unidos em relação à Groenlândia.

“Abordado pelo Ministério das Forças Armadas da França, o Grupo Renault foi convidado a contribuir com sua experiência para o desenvolvimento de uma indústria francesa de drones”, disse a empresa em um comunicado enviado por e-mail na noite desta segunda-feira (19).

A fabricante de modelos de carros populares, como o R5 e o Scénic, trabalhará em parceria com a empresa francesa de aeronáutica e defesa Turgis Gaillard com o projeto de drones a ser supervisionado pelo Ministério da Defesa francês. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu na semana passada um aumento nos gastos militares para combater as crescentes ameaças globais, mesmo com a incerteza que persiste em relação ao orçamento do país. O financiamento solicitado proporcionaria € 36 bilhões (cerca de US$ 42 bilhões) em recursos adicionais para uma “mudança de escala” nas Forças Armadas da França até 2030, afirmou Macron em 15 de janeiro.

A Renault destinará suas fábricas de Cléon e Le Mans para o projeto, informou hoje o jornal francês L’Usine Nouvelle. Em comunicado, a Renault afirmou não poder detalhar quais de suas fábricas francesas estarão envolvidas no projeto de drones, pois precisa consultar os sindicatos primeiro. 

A empresa afirma que está participando da iniciativa devido ao seu conhecimento em projetar, industrializar e produzir em massa produtos de alta tecnologia, bem como por sua capacidade de manter a qualidade, os custos e os prazos sob controle.

Um representante da Renault, ao ser contatado pela Bloomberg, recusou-se a comentar os planos de defesa do grupo.



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Bolsas da Europa tombam com novas ameaças tarifárias de Trump


Os principais índices das bolsas de valores da Europa começaram a semana operando no vermelho, refletindo o estado de alerta dos investidores após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o bloco.

No fim de semana, Trump anunciou o objetivo de impor tarifas progressivas crescentes contra oito países europeus a partir de fevereiro.

A medida é uma nova forma de represália contra essas nações para que elas autorizem o líder norte-americano a comprar a Groenlândia, uma região autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca.


O que aconteceu

  • Na esteira das preocupações com Trump, o índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em baixa de 1,19%, aos 607 pontos.
  • Na Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, o índice DAX terminou o dia em queda de 1,34%, aos 24,9 mil pontos.
  • Em Paris, o CAC 40 registrou fortes perdas de 1,78%, aos 8,1 mil pontos.
  • Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou o pregão em queda de 0,39%, aos 10,1 mil pontos.
  • O Ibex 35, de Madri, também fechou no vermelho, com baixa de 0,26%, aos 17,6 mil pontos.

O que disse Trump

Em sua rede social, a Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre importações passariam a vigorar em 1º de fevereiro sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Grã-Bretanha. Essas sobretaxas aumentariam para 25% em 1º de junho. Elas continuariam em vigor até que fosse alcançado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.

O presidente dos EUA afirmou sucessivas vezes nas últimas semanas que considera a ilha da Groenlândia vital para os EUA – seja pela localização estratégica da região ou por causa das grandes reservas minerais. Ele não descartou o uso da força para tomá-la.

O republicano disse que a soberania dinamarquesa sobre a região é “vulnerável” frente a supostas “ambições de Rússia e China no Ártico”. Trump ridicularizou a capacidade militar da ilha, ao dizer que sua defesa se limita a “dois trenós puxados por cães”.

O presidente norte-americano pretende, entre outras ambições, integrar a Groenlândia ao “Domo Dourado”, o sistema de defesa antimísseis de última geração dos EUA. “O projeto, que prevê investimentos de centenas de bilhões de dólares e a possível extensão da cobertura ao Canadá, só atingiria sua eficiência máxima com o controle territorial e estratégico da Groenlândia”, disse Trump.

O republicano alega ainda que os EUA tentam comprar a região há mais de 150 anos – consideradas propostas históricas de aquisição da ilha feitas em 1867 e 1946. Agora, arremata Trump, o momento exige uma “resolução definitiva” da questão.



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Dólar fecha em leve queda com falas de Haddad e novas ameaças de Trump


Entrevista de Fernando Haddad, ameaças tarifárias de Donald Trump contra países europeus e novas eleições no Japão movimentaram o mercado



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STF determina bloqueio de bens de Nelson Tanure em investigação sobre o Master


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou o bloqueio dos bens do empresário Nelson Tanure, no mesmo montante do pedido relacionado a Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão é de 6 de janeiro e o bloqueio foi realizado em 14 de janeiro.

Segundo informações publicadas pela Folha de S. Paulo, Toffoli cita manifestação da PGR que aponta Tanure como “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”, conforme dados da Polícia Federal.

A medida integra a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de manipulação de mercado e fraudes financeiras. Ao todo, a operação envolveu o sequestro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens de pessoas investigadas. Tanure também teve seu celular apreendido e mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares.

O empresário, que ainda não comentou a decisão judicial, divulgou nota no dia 15 de janeiro negando envolvimento societário com o Master: “Não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente”.

Da Light à Prio

Tanure é conhecido por comprar empresas em crise e conduzir reestruturações rigorosas, mas seu modelo de negócios enfrenta fragilidade financeira, com dívidas e escrutínio sobre seus laços com o banco liquidado.

Apesar disso, o empresário não deve se afastar da Light, distribuidora de energia que atende 31 municípios do Rio de Janeiro. Embora esteja se desfazendo de sua participação na Prio, considerada a “joia da coroa” de seu portfólio, seus investimentos na Light devem ser preservados. O fundo WNT, ligado a Tanure, é o segundo maior acionista da elétrica, com 18,9% do capital.

A Light conseguiu recentemente destravar a renovação de sua concessão junto ao Ministério de Minas e Energia. A empresa planeja um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão, no qual Tanure participará para preservar sua posição, com expectativa de que a operação ocorra até 90 dias após a publicação do decreto de renovação. Tanure investe na Light desde 2023, quando a elétrica entrou com pedido de recuperação judicial, acumulando cerca de 30% da companhia e liderando negociações com credores e órgãos públicos.

No caso da Prio, Tanure abriu mão de quase toda sua participação, estimada em 20%, para pagar credores, incluindo empréstimos garantidos pelo Credit Suisse e posteriormente pelo UBS, que adquiriu o banco e buscou reduzir sua exposição ao empresário.

Mesmo enfrentando a investigação da Polícia Federal e a instabilidade financeira de parte de seu portfólio, Tanure segue atuando como acionista estratégico no mercado, mantendo presença em empresas de energia, óleo e gás, saúde e varejo.



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Volatilidade: como o ‘caso Groenlândia’ pode atrapalhar sua vida financeira


As novas ameaças comerciais de Donald Trump, agora parte do “caso Groenlândia“, voltaram a elevar a incerteza global.

Ao usar as tarifas comerciais como instrumento de pressão geopolítica, o presidente reforça um padrão já conhecido: quando a previsibilidade some, a volatilidade aumenta e a direção dos mercados se torna mais difícil de antecipar.

A experiência recente ajuda a ilustrar esse efeito. No anúncio do primeiro tarifaço, no ano passado, a volatilidade disparou e os investidores concentraram perdas justamente em ativos amplamente presentes nas carteiras, como ações, crédito e moedas de mercados emergentes, como a nossa.

Basta observar o comportamento do S&P/B3 Ibovespa VIX, índice que mede a volatilidade implícita do principal indicador da bolsa brasileira. Em termos simples, o indicador mede o grau de dispersão dos preços em relação ao seu comportamento médio esperado. Ele mostra o quanto o mercado vem se mostrando cada vez mais sensível a temas políticos e geopolíticos, dentro e fora do Brasil.

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Volatilidade, vale lembrar, não é apenas pressão negativa sobre os preços, mas a expressão da incerteza. Ela mede o grau de afastamento dos ativos em relação ao comportamento esperado diante de choques de informação e mudanças de percepção. Por isso, enfrentá-la não significa tentar prever o próximo movimento, mas estruturar o portfólio com ativos descorrelacionados antes que os choques ocorram.

“Dinheiro é rei”: liquidez como proteção estratégica

O ditado financeiro “cash is king” não se refere apenas a ter dinheiro parado, mas à capacidade de manter liquidez com baixo risco, algo essencial em ambientes de incerteza elevada, como o atual. Em ciclos de maior volatilidade, o valor da liquidez aumenta porque ela preserva opcionalidade: permite reagir rapidamente, seja para aproveitar distorções de preço, seja para amortecer perdas em outras classes de ativos.

Por isso, essa parcela do portfólio deve estar alocada em instrumentos de baixo risco de crédito, baixa volatilidade e alta previsibilidade. No Brasil, esse papel é cumprido de forma eficiente pelos títulos públicos pós-fixados, com destaque para o Tesouro Selic.

Trata-se de um ativo que carrega essencialmente o risco soberano, acompanha a taxa básica de juros e apresenta mínima sensibilidade a oscilações de mercado. Ele não é desenhado para gerar retornos extraordinários, mas para proteger capital, funcionar como reserva de emergência e servir como fonte de recursos para realocações táticas quando surgem oportunidades em ativos mais arriscados.

Títulos públicos dos EUA

Com a popularização das plataformas de investimento no exterior, o investidor brasileiro passou a ter acesso direto a ativos que historicamente cumprem um papel central na diversificação global de risco, como os títulos da dívida americana (Treasuries).

Mesmo em um ambiente de maior ruído político nos Estados Unidos, intensificado por decisões imprevisíveis da atual administração, o mercado americano continua sendo o mais profundo, líquido e institucionalmente robusto do mundo. Isso confere aos Treasuries um status singular: em momentos de estresse global, eles tendem a ser vistos como porto seguro, atraindo fluxo de capital justamente quando ativos de risco sofrem.

Do ponto de vista técnico, títulos de vencimento mais curto são preferíveis nesse contexto. Eles apresentam menor risco de duração, menor sensibilidade às oscilações de juros e funcionam quase como um “estacionamento” de capital em moeda forte, preservando valor com baixa volatilidade.

Esse comportamento explica por que Treasuries frequentemente se movem em sentido oposto a ativos como ações, crédito privado ou mercados emergentes, atuando com posição estratégica: um elemento estabilizador do portfólio na combinação com as demais classes.

O papel do dólar: a força da assimetria

O mesmo raciocínio se aplica ao dólar. À primeira vista, pode parecer contraditório investir na moeda americana em um momento em que há questionamentos sobre a liderança global dos EUA e maior busca por alternativas fora do país. No entanto, essa análise ignora um ponto crucial: a assimetria estrutural entre o real e o dólar.

O real é uma moeda de país emergente, altamente sensível a ciclos globais de liquidez, percepção de risco fiscal local, fluxo de capital estrangeiro e choques políticos e institucionais.

Já o dólar, apesar de suas fragilidades, segue sendo a principal moeda de reserva, de comércio e de financiamento global. Em períodos de aversão ao risco, o movimento típico não é a fuga do dólar, mas sim a fuga para o dólar, especialmente contra moedas emergentes.

Por isso, manter exposição cambial ao dólar não é uma aposta direcional, mas uma estratégia de hedge. Historicamente, ele tende a se valorizar justamente quando ativos locais e mercados mais arriscados sofrem, cumprindo um papel anticíclico dentro da carteira.

Por que não outras moedas?

É legítimo questionar se outras moedas fortes poderiam cumprir a mesma função. A resposta é: nem sempre.

A relação entre o real e o dólar é muito mais direta e estrutural do que com outras divisas. Além disso, nem todas as moedas têm mercados tão profundos e líquidos, nem todas funcionam como refúgio em crises globais e algumas são altamente correlacionadas com ciclos regionais específicos.

Isso faz com que o dólar continue sendo, na prática, a principal ferramenta de diversificação cambial para o investidor brasileiro.

Ouro: proteção contra risco sistêmico e geopolítico

O aumento da demanda por ativos clássicos de proteção recoloca o ouro no centro das estratégias defensivas. Diferentemente de moedas e títulos, o metal precioso não depende de governos, políticas monetárias ou sistemas financeiros para preservar valor.

Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes, uso crescente de sanções financeiras, questionamentos sobre a neutralidade do sistema financeiro internacional, o ouro passa a ser visto como um ativo “fora do sistema”, o que explica a forte demanda recente.

Esse movimento não é exclusivo dos investidores privados. Bancos centrais ao redor do mundo vêm aumentando suas reservas em ouro e reduzindo exposição ao dólar. A lógica é simples: reservas concentradas em títulos públicos estrangeiros podem ser congeladas ou confiscadas em cenários de conflito político — como ocorreu com a Rússia.

A China lidera esse processo justamente por enxergar o risco de depender excessivamente de ativos financeiros denominados em dólar. Se governos e bancos centrais estão buscando proteção fora do sistema tradicional, é razoável supor que o ouro ainda tenha papel relevante como hedge e potencial de valorização em um mundo mais fragmentado e instável.



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JHSF pleiteia autorização para voos comerciais em aeroporto privado de São Paulo


A incorporadora de luxo JHSF Participações pleiteia autorização para a operação de voos comerciais a partir de seu aeroporto executivo privado próximo à cidade de São Paulo, um movimento que pode reformular a forma como o tráfego aéreo é administrado na região mais congestionada do país, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O governo já retomou estudos para autorizar aeroportos privados a operar voos comerciais no Brasil. O tema está agora sob análise do Ministério de Portos e Aeroportos, que aguarda um parecer de sua área jurídica sobre como as regras para permitir essas operações deveriam ser feitas.

Fundada pela família de José Auriemo Neto, a JHSF é uma das maiores incorporadoras de alto padrão do Brasil, com negócios que vão de projetos residenciais de luxo a shoppings, hotéis e restaurantes que incluem marcas globais de luxo. A abertura do Aeroporto Catarina para voos comerciais representaria uma expansão significativa do negócio de aviação do grupo e poderia abrir uma nova fonte de receita.

A JHSF começou a operar o Catarina em 2019, segundo seu site. Localizado a cerca de 50 quilômetros da cidade de São Paulo, o empreendimento se apresenta como o primeiro aeroporto internacional do Brasil dedicado exclusivamente à aviação executiva e opera 24 horas por dia. Caso seja aprovado, a JHSF teria de construir um terminal de passageiros no local e fazer outros investimentos em sua pista.

As discussões evidenciam a pressão crescente sobre a infraestrutura de aviação do Brasil, especialmente em São Paulo, onde estão os dois aeroportos mais movimentados do país, Congonhas e Guarulhos. O governo espera que o tráfego aéreo na região metropolitana se aproxime sua capacidade máxima na próxima década, intensificando a busca por alternativas para ampliar a capacidade sem a construção de novos aeroportos públicos.

A JHSF se recusou a comentar. A Casa Civil informou por escrito por meio de sua assessoria que não recebeu proposta para tratar dessa mudança legal. O Ministério de Portos e Aeroportos não respondeu a um pedido de comentário.

Embora o debate sobre o aeroporto da JHSF não seja novo, ele ganhou urgência no fim de 2025, em meio a preocupações renovadas com a limitação de slots em Congonhas, o aeroporto doméstico mais movimentado do Brasil. O terminal já opera próximo da capacidade máxima, o que limita a possibilidade de as companhias aéreas adicionarem novas rotas ou frequências.

A legislação atual permite apenas que aeroportos públicos recebam voos comerciais regulares. A questão é hoje regulada por decreto, mas há um entendimento de que o assunto só poderia ser tratado por um projeto de lei. É isso que a área jurídica está analisando, segundo pessoas com conhecimento do tema.

A proposta também enfrenta resistência em outras áreas do governo, incluindo da Casa Civil. Os opositores argumentam que o plano poderia prejudicar o regime de concessões do Brasil. Concessionárias pagam uma outorga ao governo, enquanto aeroportos apenas autorizados pelo poder público pagariam somente taxas de uso.

Por outro lado, os contratos de concessão oferecem maior proteção jurídica às empresas que operam os aeroportos.



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Haddad defende fiscalização de fundos pelo Banco Central


Em meio ao avanço das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu, nesta segunda-feira (19/1), que o Banco Central (BC) tenha suas atribuições de fiscalização ampliadas para que possa se debruçar sobre fundos de investimento.

Atualmente, a tarefa de fiscalizar os fundos é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo Haddad, a proposta de ampliação do escopo de monitoramento e fiscalização da autoridade monetária vem sendo debatida pelo governo federal.

“O BC tem de ampliar o seu perímetro regulatório e passar a investigar os fundos. Isso tem impacto até sobre a contabilidade pública. O fato de que os fundos estão fora do perímetro regulatório do BC deveria ser superado com uma nova regulação”, afirmou Haddad, em entrevista ao UOL.

Para o ministro da Fazenda, que deixou claro que falava por si e não em nome do governo sobre o assunto, “essa dimensão da fiscalização e da regulação poderia ser ampliada por parte do BC”. “Porque aí fica tudo sendo supervisionado e regulado em um lugar só”, explicou.

Segundo Haddad, o tema está sendo discutido pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI). A proposta surge em um momento no qual há uma série de suspeitas sobre a possível utilização de fundos de investimento para a prática de crimes financeiros.

Em agosto do ano passado, a Receita Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do crime organizado na economia formal. Muitos fundos de investimentos foram usados para ocultar patrimônio, segundo os investidores.

No âmbito do caso envolvendo o Master, em janeiro deste ano, as investigações apontaram para a suposta utilização de fundos destinados a “inflar”, de forma artificial, os ativos do banco.

Galípolo herdou “abacaxi” com caso Master, diz Haddad

Na entrevista, Fernando Haddad abordou as investigações das autoridades sobre supostas fraudes no Banco Master. Segundo o ministro da Fazenda, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, “herdou um problema” que teve origem na gestão anterior da autoridade monetária, sob comando de Roberto Campos Neto.

“Ele [Galípolo] herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Galípolo descascou o abacaxi com a responsabilidade de ter, ao final do processo, um processo robusto para justificar as decisões duras que teve de tomar. Mas isso foi uma herança. Ele herdou um grande abacaxi, na minha opinião, resolvendo com grande competência”, disse Haddad.

Para o ministro, o caso “tem de ser apurado” com rigor pelas autoridades e órgãos competentes. “Eu faço avaliação, mas quem tem de apurar responsabilidade não é o ministro da Fazenda. Mas que o Galípolo herdou esses problemas, herdou”, afirmou Haddad.

O ministro da Fazenda também descartou qualquer possibilidade de que as supostas fraudes no Master contaminem o sistema financeiro como um todo.

“Eu sou presidente do CMN (Conselho Monetário Nacional) e digo para você que não existe nenhum risco sistêmico envolvendo o Banco Master. O que existe é cobrir o rombo pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que foi criado para essas eventualidades. Ele vai cobrir e já começou a pagar os detentores de CDBs do Master, de maneira que aquilo que a lei prevê está absolutamente coberto. É um valor muito substancial e as pessoas precisam saber para onde foi esse dinheiro”, disse.

“O que ele fez com esse dinheiro? Por que não está no caixa para ele devolver? Está tudo sendo investigado pela polícia e pelo MP. Mas não é algo pequeno”, completou Haddad.

Na semana passada, foi deflagrada a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve entre os principais alvos o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desta vez, a autoridade monetária liquidou a Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., cuja atual denominação é CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., com sede em São Paulo.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, também foi alvo da operação da PF, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Outra figura muito conhecida no mercado, o empresário Nelson Tanure, também foi atingido pela nova etapa da Compliance Zero.

Elogios a Galípolo

Questionado sobre a atuação de Galípolo à frente do BC, o ministro elogiou o chefe da autoridade monetária. “Eu faria tudo o que fiz de novo. Galípolo foi meu secretário-executivo, foi diretor do BC indicado por mim, e eu faria tudo de novo. É uma pessoa em quem eu confio. Sempre insisti em dizer: ele herdou um problema que só vai ser conhecido depois”, disse Haddad.

“Outra coisa foi a desancoragem das expectativas, em grande medida alimentada pela postura da gestão anterior, que o Galípolo teve de administrar. Quando uma autoridade monetária, no exterior e no doméstico, começa a dizer que o dólar pode chegar a R$ 8, ele desancora tudo e você tem de reconstruir a credibilidade”, prosseguiu o ministro.

Segundo o chefe da equipe econômica, “não foi uma transição normal” no BC entre Campos Neto e Galípolo. “É a primeira vez que tivemos de conviver com um presidente nomeado pelo governo anterior, e este governo anterior queria sabotar o atual governo”, afirmou.

Sobre a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, Haddad disse que, “quando ele (Galípolo) me pergunta, eu falo que tem espaço para cortar”. “Porque eu acho que tem, e muita gente acha. Eu não fico falando o que eu penso sem ser perguntado e eu dou minha opinião com toda a sinceridade. Mas eu entendo. Você não pode julgar uma pessoa que está em uma cadeira que você nunca ocupou”, concluiu.



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Haddad rebate críticas à política fiscal: “Está faltando honestidade”


Já na reta final de sua participação no primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que deve deixar o cargo nas próximas semanas, rebateu as críticas de setores da Faria Lima e do mercado financeiro relacionadas ao suposto descontrole fiscal da atual gestão.

Em entrevista ao UOL, nesta segunda-feira (19/1), o chefe da equipe econômica assegurou que o governo Lula mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal e o equilíbrio das contas públicas e aproveitou para comparar a situação atual da economia com o período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Está faltando um pouco de honestidade com números. Uma coisa é a sua percepção, sua ideologia e sua visão de mundo, e outra coisa é número. Colocando tudo na conta, o Bolsonaro mandou um Orçamento para 2023 com R$ 64 bilhões de déficit, desconsiderando duas despesas por conta de emendas constitucionais. Ele aumentou o Bolsa Família de R$ 400 para R$ 600. Só que ele não colocou no Orçamento essa diferença”, criticou Haddad. “E a PEC dos Precatórios era uma PEC do Calote, permitindo pagar só em 2027. Essa PEC foi considerada inconstitucional pelo Supremo”, prosseguiu o ministro.

Segundo Haddad, “o déficit projetado para 2023, do Bolsonaro, dividido pelo PIB do ano, é superior a 1,6% do PIB”. “Esta é a conta. Quanto foi o déficit do ano passado: 0,48% do PIB, considerando todas as exceções. Nós reduzirmos, em dois anos, o déficit primário em 70%”, afirmou o ministro da Fazenda.

Haddad disse ainda que “a meta de resultado primário para este ano é ainda mais exigente do que a do ano passado, do retrasado e do primeiro ano de governo”. “Estamos subindo o sarrafo das exigências”, afirmou o ministro.

Falando em tom de balanço de seus três anos à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad disse estar “muito convencido” de que o plano que apresentou a Lula ainda em 2022, antes do início do governo, “foi entregue”. “Não mudei a rota. Tive derrotas e vitórias? Sim. Você não vai ganhar tudo no Congresso, no Judiciário e na Casa Civil. Mas o que eu entreguei é muito próximo daquilo que eu imaginava ser possível”, concluiu.



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Ameaça de tarifas de Trump pesa sobre a Europa e derruba LVMH, Volkswagen e Mercedes-Benz


As ações europeias despencaram a partir de uma máxima próxima de recorde, enquanto os indicadores de risco de crédito subiram depois que Donald Trump reacendeu a guerra comercial entre os EUA e a Europa, ao ameaçar novas tarifas contra oito países por causa da Groenlândia.

O índice Stoxx Europe 600 caiu 1,1% às 14h32 em Paris, com os setores mais expostos ao mercado americano — incluindo montadoras e ações de luxo — sofrendo fortes perdas. O setor de defesa avançou diante do aumento das tensões geopolíticas. Os futuros de ações dos EUA também recuaram, enquanto o mercado à vista permaneceu fechado por conta de um feriado.

Os indicadores de risco de crédito europeu subiram, esfriando o que já deveria ser um início de semana mais tranquilo para emissões de dívida, dado o feriado nos EUA. O índice iTraxx Crossover, que mede o risco de crédito de empresas com grau especulativo (junk), avançou até 8,5 pontos-base, segundo dados compilados pela Bloomberg. Um indicador semelhante para empresas com grau de investimento subiu até 1,8 ponto-base.

No sábado, Trump anunciou uma tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre produtos de países europeus que se mobilizaram para apoiar a Groenlândia diante de ameaças dos EUA de tomar o território. Ele afirmou que as tarifas aumentariam para 25% em junho, caso não seja fechado um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia”. O ministro das Finanças da Alemanha disse que Trump cruzou uma linha vermelha e pediu que a Europa prepare sua medida comercial de retaliação mais forte.

“Se olharmos estritamente para o aumento das tarifas, é algo que, do ponto de vista econômico, poderia ser absorvido”, disse Vincent Juvyns, estrategista-chefe de investimentos do ING em Bruxelas. “Mas a possibilidade de uma ruptura dentro do mundo ocidental teria consequências cuja dimensão eu não consigo medir.”

Em outras classes de ativos, o dólar americano caiu frente à maioria das moedas do Grupo dos Dez, enquanto o franco suíço — um tradicional porto seguro — se destacou. Títulos públicos de curto prazo lideraram os ganhos, com o rendimento do título alemão de dois anos recuando até quatro pontos-base, para 2,07%. Os futuros dos Treasuries de 10 anos dos EUA ficaram estáveis, indicando pouca variação nos rendimentos. O mercado à vista de títulos americanos está fechado.

Embora a expectativa fosse de desaceleração na emissão de bônus na Europa após o ritmo recorde recente, em função do feriado nos EUA, alguns emissores optaram por adiar suas operações e adotar uma postura de “esperar para ver” diante da incerteza, segundo pessoas familiarizadas com as transações.

Há apenas uma oferta no mercado primário em euros, do banco suíço Zuercher Kantonalbank, com rating AAA, tornando esta a segunda-feira mais fraca para emissões desde dezembro de 2024, de acordo com dados da Bloomberg.

O anúncio de Trump provocou uma reação imediata de líderes europeus. A União Europeia estaria em negociações para potencialmente impor tarifas sobre € 93 bilhões (US$ 108 bilhões) em produtos dos EUA, caso Trump leve adiante a ameaça da tarifa de 10%. A reação mais concreta e imediata da UE foi a decisão de suspender a aprovação do acordo comercial fechado com os EUA em julho.

Montadoras caem

Entre ações individuais, a gigante francesa do luxo LVMH caiu mais de 4%, na maior queda desde abril, enquanto as montadoras alemãs Volkswagen AG e Mercedes-Benz Group recuaram pelo menos 3% cada. A empresa de defesa Rheinmetall AG subiu mais de 2%.

“Uma escalada da guerra comercial entre EUA e Europa motivada pela Groenlândia pode apagar a maior parte do crescimento dos lucros europeus em 2026”, escreveu Laurent Douillet, estrategista sênior de ações da Bloomberg Intelligence. “Isso pode desencadear uma correção de alguns pontos percentuais”, acrescentou.

Economistas do Goldman Sachs Group estimam que uma tarifa americana de 10% reduziria o PIB real entre 0,1% e 0,2% nos países afetados, via menor comércio, com a Alemanha sofrendo o maior impacto. “O efeito pode ser maior caso haja impactos negativos sobre a confiança ou os mercados financeiros”, escreveram em nota.

A ameaça tarifária de Trump interrompe de forma indesejada a recente alta das ações europeias, que vinham superando seus pares americanos à medida que investidores direcionavam recursos para setores regionais, como defesa, mineração e fabricantes de equipamentos para chips. Como resultado, o índice europeu vinha mostrando sinais de superaquecimento e agora está no nível de sobrecompra mais elevado em 26 anos.

“O nervosismo é palpável. No fim das contas, há tantos problemas se acumulando — de cartões de crédito à independência do Fed e às tarifas — que realmente não vejo motivo para os mercados acionários continuarem rompendo novos recordes”, disse Alexandre Baradez, analista-chefe de mercado da IG em Paris.

Desde o início de 2025, o Stoxx Europe 600 acumulou alta de 36% em dólares até sexta-feira, o dobro do ganho do S&P 500 no mesmo período. O índice europeu agora é negociado a quase 16 vezes o lucro projetado, acima da média dos últimos 15 anos, reduzindo o desconto em relação aos pares americanos para cerca de 30%.

O Deutsche Bank AG prevê impacto limitado para o euro, em parte devido ao quanto os EUA dependem da Europa para capital. As tarifas também podem servir de catalisador para maior coesão política na UE, o que reduziria a chance de uma desvalorização sustentada do euro frente ao dólar nesta semana.

“O principal ponto a observar nos próximos dias será se a UE decide ativar seu instrumento anti-coerção, colocando sobre a mesa medidas que afetem os mercados de capitais”, escreveu George Saravelos, chefe global de pesquisa cambial do Deutsche Bank, em nota a clientes.

Ainda assim, diversos participantes do mercado expressaram confiança de que um confronto total será evitado. Muitos citaram o jargão popular entre investidores conhecido como “Trump Always Chickens Out” (Trump sempre recua).

“Vai ser mais um TACO”, disse David Kruk, chefe de trading da La Financière de l’Echiquier, acrescentando que mantém sua visão otimista para o ano.

Krishna Guha, chefe de estratégia para bancos centrais da Evercore ISI, observou que uma decisão iminente da Suprema Corte dos EUA pode limitar a capacidade de Trump de impor tarifas.

“Os mercados vão operar em modo aversão ao risco, mas apostando que ou a Suprema Corte vai retirar de Trump essa autoridade, ou ele acabará promovendo mais uma reversão do tipo TACO”, afirmou.



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