Ação realizada no último sábado contou com a participação do grupo RIR, da UFMS, do Moto Clube Abutres e do grupo especial de doação de Sidrolândia, que homenagearam doadores e reforçaram a importância da doação de sangue e do cadastro de medula óssea
O Hemosul Coordenador promoveu no último sábado (27) uma manhã dedicada à solidariedade, à humanização e ao incentivo à doação de sangue. Doadores e visitantes participaram de uma programação especial que reuniu arte, acolhimento e mobilização social, por meio de uma parceria com o grupo de extensão “RIR é o Melhor Remédio”, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), e com o Moto Clube Abutres.
Além das atividades de conscientização e homenagem aos voluntários, o Moto Clube Abutres realizou uma campanha de doação de sangue e cadastro de medula óssea, reforçando a importância do gesto solidário para a manutenção dos estoques da Rede Hemosul.
Criado em 2010, o projeto de extensão “RIR é o Melhor Remédio” atua na promoção da humanização no ambiente hospitalar por meio da arte do palhaço, desenvolvendo atividades junto aos pacientes do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian. Esta foi a segunda participação do grupo em ações realizadas no Hemosul.
A coordenadora da Rede Hemosul, Marina Sawada Torres, ressaltou que as parcerias estabelecidas pela instituição são fundamentais para sensibilizar a população sobre a importância da doação regular.
“As parcerias que a Rede Hemosul promove com grupos, entidades e empresas são extremamente importantes para ampliar a conscientização sobre a doação de sangue e o cadastro de medula óssea. Recebemos parceiros muito especiais, que por meio da humanização e da arte do palhaço homenagearam e conscientizaram os doadores. Também contamos com a participação do Moto Clube Abutres, que realizou doações de sangue e cadastro de medula. Com iniciativas como essa conseguimos manter os estoques e atender a demanda de todo o Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Segundo a responsável administrativa do dia no Hemosul, Rudylene Zanúncio, ações diferenciadas tornam o ambiente ainda mais acolhedor tanto para os doadores quanto para os profissionais da instituição.
“É muito importante proporcionar atividades diferentes para o doador. Além do gesto solidário da doação, essas ações oferecem momentos de alegria e tornam a experiência ainda mais especial. Isso também impacta positivamente toda a equipe, criando um ambiente de trabalho mais leve e acolhedor”, explicou.
Rudylene reforçou ainda que, apesar da melhora nos estoques obtida por meio das campanhas realizadas nos últimos meses, a demanda permanece elevada, especialmente para os tipos sanguíneos O positivo e O negativo.
Humanização além do ambiente hospitalar
Integrante do grupo RIR, Maria Luiza Diniz explicou que a proposta do projeto é levar acolhimento e esperança às pessoas em situação de vulnerabilidade, ampliando essa atuação para além do ambiente hospitalar.
“Muitas pessoas permanecem internadas por longos períodos e, às vezes, não recebem visitas ou contato externo. O trabalho dos palhaços busca levar esperança, acolhimento e um pouco de felicidade. Percebemos que também existe toda uma rede de apoio ao redor do paciente, formada por familiares, acompanhantes e doadores. Por isso decidimos expandir nossas ações para outros espaços, como o Hemosul”, relatou.
Segundo ela, o grupo também participou da campanha por meio da doação voluntária de sangue.
“A doação de sangue é extremamente importante. Além de conscientizar, nós também incentivamos nossos integrantes a se tornarem doadores. Queremos mostrar que o cuidado vai além do tratamento clínico e que acolher as pessoas faz toda a diferença”, afirmou.
Solidariedade que inspira
A campanha também contou com a mobilização do Moto Clube Abutres. O integrante Fábio Capibaribe explicou que a iniciativa surgiu após um integrante do grupo sofrer um grave acidente motociclístico e necessitar de transfusões sanguíneas.
“Foi nesse momento que percebemos, na prática, a importância dos estoques de sangue e a dificuldade para mobilizar doadores rapidamente. A partir dessa experiência, decidimos realizar ações permanentes de incentivo à doação de sangue”, destacou.
Profissional da área da saúde, Capibaribe reforçou que a necessidade de sangue é constante.
“Vemos diariamente acidentes e pessoas precisando de transfusões. Apenas uma pequena parcela da população doa regularmente, enquanto muitas pessoas precisarão de sangue em algum momento da vida. Por isso buscamos conscientizar não apenas os motociclistas, mas toda a sociedade”, acrescentou.
A solidariedade também mobilizou grupos organizados do interior do Estado. Moradora de Sidrolândia, Fátima Aparecida participou da ação representando o grupo Love Sidro, que reúne voluntários para doações regulares no Hemosul.
Doadora há mais de 15 anos, Fátima explicou que o grupo organiza caravanas mensais para Campo Grande.
“Todos os últimos sábados do mês reunimos voluntários e viemos ao Hemosul para realizar esse gesto de amor. Atualmente nosso grupo conta com cerca de 150 participantes engajados nessa causa”, relatou.
Doador há 16 anos, Marcos Vieira destacou que o ato de doar sangue se transformou em um compromisso pessoal.
“Doar sangue passou a ser um dever de cidadania. Sempre que somos chamados, procuramos ajudar. É um gesto simples que pode salvar vidas”, afirmou.
Para ele, ações de humanização como essa, tornam o ambiente ainda mais acolhedor e reforçam o caráter solidário da doação.
“O bom humor e a alegria fazem bem em qualquer ambiente, especialmente no hospital. Iniciativas como essa levam acolhimento e esperança para quem precisa”, concluiu.
Para doar
Para doar sangue é necessário estar em boas condições de saúde, estar bem alimentado e hidratado, ter dormido bem na noite anterior e apresentar documento oficial com foto. Podem doar pessoas com idade entre 16 e 69 anos, menores de 18 anos devem estar acompanhados pelo responsável legal e pesar no mínimo 51 quilos.
A Rede Hemosul reforça a importância da doação regular, especialmente dos tipos sanguíneos O+ (positivo) e O- (negativo), devido à alta demanda transfusional em todo o Estado.
Medalhas foram entregues a alunos que se destacaram na OBMEP em 2025; prova foi aplicada a 332 mil alunos de escolas públicas e particulares, com 91 premiados
Estudantes premiados em Dourados por bom desempenho na OBMEP em 2025
A semana começou com um misto de emoção, orgulho e sentimento de vitória para dezenas de estudantes sul-mato-grossenses e seus familiares. Nesta segunda-feira (29), a coordenação regional da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) entregou as medalhas e certificados a estudantes de escolas públicas e particulares da região centro-sul e conesul do Estado. A prova, aplicada no ano passado, envolveu 332 mil alunos de escolas públicas e privadas do MS (municipais, estaduais e federais), do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, em duas fases e três níveis de dificuldade. 16,6 mil passaram para a segunda fase e 91 foram premiados. 74 premiações foram entregues em cerimônia na capital, e outros 17 estudantes receberam as medalhas em Dourados – incluindo também os municípios de Paranhos, Sete quedas, Juti, Nova Andradina, Caarapó, Amambai, Naviraí, Itaquiraí e Deodápolis.
O coordenador estadual da OBMEP, Bruno Dias Amaro, explica que o bom desempenho na prova pode ir muito além do destaque e das premiações. Pode garantir vaga em universidades sem vestibular (as chamadas vagas olímpicas), projeto de iniciação científica e até bolsas de estudo financiadas pelo governo federal ou instituições privadas como o Itaú Social e Bolsa de Valores B3. “Uma das instituições mais concorridas por estes alunos é o IMPA Tech, maior centro de matemática do Brasil. É gratuito, com custeio de hospedagem, alimentação e ajuda de custo de R$ 2,5 mil para se manter no Rio de Janeiro. Hoje, temos alunos de MS matriculados e desfrutando destes benefícios conquistados a partir da OBMEP”, explica.
Conquistar uma vaga no IMPA Tech é inclusive uma das metas do estudante Victhor Rodrigues Medina, de Caarapó. Com apenas 15 anos, já acumula três medalhas na Olimpíada, uma delas de ouro. “Pretendo conquistar uma vaga a partir da OBMEP, e cursar engenharia de software. Se isso não for possível, vou tentar fazer na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)”, afirma.
O pai dele, Lincoln Mendes Medina, não esconde a emoção diante de tantas conquistas. “Ele é filho único, e me dá muita alegria e orgulho. Sempre foi inteligente e com desempenho acima da média. Eu sei que ele pode chegar onde quiser”, afirmou o eletricista.
Para o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, a cerimônia realizada em Dourados representa muito mais do que a entrega de medalhas: é o reconhecimento do talento, dedicação e esforço dos estudantes, professores e de toda a família. “Estas conquistas individuais dialogam com os excelentes indicadores que Mato Grosso do Sul vem alcançando na educação básica. Os avanços registrados mostram que investir na aprendizagem, valorizar os educadores e fortalecer a parceria com os municípios produz resultados concretos”, avalia o vice-governador, um entusiasta da educação.
“As medalhas da Olimpíada Brasileira de Matemática são a prova de que estamos no caminho certo: uma educação de qualidade abre oportunidades, transforma vidas e prepara uma geração capaz de construir um futuro ainda melhor para o nosso Estado e para o Brasil”, completou.
Mirando no futuro
O estudante Miguel Henrique Bandeira da Silva, 15 anos, foi premiado com uma medalha de prata. Aluno da escola estadual Manuel Guilherme dos Santos, em Itaquiraí, já foi premiado em outras participações. “Entendo que é uma coisa bem importante para o meu futuro. É uma prova bem difícil, muito concorrida, e que destaca não só o estudante mas também os municípios pequenos. Minha cidade tem menos de 20 mil habitantes, e sei que o desempenho chama a atenção principalmente por ser aluno de escola pública”, comenta.
Filho de professores, Miguel é orgulho para toda a família. “Nós vemos a dedicação dele, que estuda e se prepara para essas provas. A gente percebe que ele vem crescendo a cada ano, ganhando mecanismos melhores para ter um bom desempenho. Para nós, é um grande orgulho. Ele sempre foi bom aluno, sempre muito dedicado”, garante a mãe, Barbara Camila Bandeira.
Além dos 91 alunos premiados no Estado, a 20ª edição da OBMEP também destacou o desempenho de toda a estrutura da educação no Estado. Foram premiados 17 professores, 20 escolas e duas secretarias municipais de educação.
“A realização da prova e o destaque para estes alunos favorece não só a matemática, mas o aprendizado como um todo. Eu penso que uma disciplina está interligada às outras, então a partir do momento que o aluno consegue trabalhar com a matemática, também terá melhor desempenho em língua portuguesa, biologia ou história. É muito bonito ver esses elementos se destacando dessa forma e ter o privilégio de participar desse processo”, argumentou a coordenadora regional de Educação em Dourados, Karina Santos Garcia.
Da pavimentação dos bairros às grandes obras rodoviárias, investimentos impulsionam a infraestrutura do município e acompanham o crescimento econômico vivido pela cidade.
Impulsionada pelo acelerado crescimento econômico dos últimos anos, Ribas do Rio Pardo vive um dos maiores ciclos de investimentos públicos de sua história. Para acompanhar essa transformação, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém aproximadamente R$ 393 milhões em investimentos no município, contemplando infraestrutura, habitação, saneamento, educação e saúde. Neste domingo (28), representando o governador Eduardo Riedel, o vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, cumpriu uma extensa agenda no município, marcada pela entrega de obras, assinatura de novas ordens de serviço e supervisão de empreendimentos em andamento.
Ao lado do prefeito Roberson Luiz Moureira, parlamentares federais e estaduais, vereadores e lideranças locais, Barbosinha participou de uma série de ações voltadas à melhoria da infraestrutura urbana, da logística regional e da qualidade de vida da população.
Durante a agenda, o vice-governador destacou que os investimentos acompanham o novo momento vivido por Ribas do Rio Pardo e reforçam a capacidade do Estado de preparar o município para o futuro. “O resultado aparece na vida das pessoas. São casas, asfalto, obras de saneamento, investimentos em saúde e rodovias que conectam regiões e trazem desenvolvimento”, afirmou o vice-governador.
Rodovias fortalecem logística e desenvolvimento
A primeira agenda do dia aconteceu na MS-338, onde as autoridades participaram do descerramento do totem que marca a conclusão de uma das mais importantes obras de infraestrutura rodoviária de Mato Grosso do Sul. Com extensão de 66,26 quilômetros, a pavimentação da rodovia recebeu investimentos superiores a R$ 219 milhões e consolida um novo corredor logístico para Ribas do Rio Pardo e toda a região.
O conjunto de investimentos em infraestrutura viária também contempla a implantação e pavimentação de 12,18 quilômetros da MS-357, com aporte de R$ 33,6 milhões, além da construção da passagem inferior na MS-338 para a travessia segura dos hexatrens, obra que recebeu aproximadamente R$ 10 milhões em recursos estaduais.
Para Barbosinha, as obras representam um divisor de águas para o desenvolvimento regional. “São praticamente 120 quilômetros de pavimentação asfáltica que interligam Ribas do Rio Pardo, Camapuã, o Estado de Goiás e o Estado de Mato Grosso. A pavimentação dessas rodovias muda o perfil do município.”
O prefeito Roberson também ressaltou o impacto das novas ligações rodoviárias para o crescimento da cidade. “A ligação da MS-357 até Camapuã, conectando o norte do Estado, Goiás e Mato Grosso, representa uma redenção para Ribas do Rio Pardo. É uma obra que transforma uma região que sofreu durante décadas pela falta de infraestrutura.”
Segundo ele, o crescimento acelerado do município exige investimentos permanentes em infraestrutura. “Temos empresas chegando ao município, mas precisamos preparar Ribas do Rio Pardo para esse futuro. Queremos deixar de ser uma cidade de passagem para ser uma cidade de destino.”
Asfalto, drenagem e mais qualidade de vida para três bairros
Em seguida aconteceu a assinatura da ordem de serviço para as obras de pavimentação asfáltica e drenagem de águas pluviais nos bairros Boa Vista, Nossa Senhora Aparecida e Jardim das Palmeiras. O investimento de mais de R$ 13 milhões, por meio do programa MS Ativo II, vai levar infraestrutura completa a uma região que, há décadas, convive com problemas provocados pela falta de drenagem e pelas ruas sem pavimentação.
Além do asfalto, a obra prevê um robusto sistema de drenagem, fundamental para eliminar pontos de alagamentos e garantir mais segurança e mobilidade aos moradores.
“É uma alegria vir aqui no Boa Vista para assinar a ordem de serviço da obra de pavimentação asfáltica que vai mudar o Boa Vista, o Nossa Senhora Aparecida e o Jardim das Palmeiras, com asfalto, drenagem e rede de esgoto”, destacou o vice-governador.
O chefe do executivo municipal lembrou que a obra representa uma reivindicação histórica da comunidade. “Essa obra é um sonho antigo da população e de várias gestões que passaram pelo município. Nós não tínhamos condições de fazer um investimento dessa magnitude. Dos R$ 13 milhões aplicados aqui, cerca de 70% são destinados à drenagem, para acabar definitivamente com as enchentes e com a invasão da água da chuva nas casas.”
Os aportes em drenagem e pavimentação acompanham também a expansão da rede de saneamento no município, que já alcança índices próximos da universalização. “Essa obra é fundamental. Com o avanço da coleta e do tratamento de esgoto, diminuem as doenças de veiculação hídrica e melhora a qualidade de vida da população”, ressaltou Barbosinha.
Um sonho esperado há mais de duas décadas
A expectativa pela obra era antiga. Durante anos, moradores do Boa Vista, Nossa Senhora Aparecida e Jardim das Palmeiras conviveram com ruas de terra, com muita lama durante o período chuvoso e poeira na estiagem. A implantação da drenagem e da pavimentação representa uma mudança significativa na rotina de centenas de famílias.
Entre elas está dona Gerci de Oliveira, moradora do Boa Vista há 23 anos e uma das primeiras a construir sua casa no bairro. Depois de acompanhar durante décadas as dificuldades enfrentadas pelos moradores, ela comemorou o início das obras. “Estou muito feliz. Ribas do Rio Pardo está melhorando cada vez mais”, resumiu.
Habitação acompanha crescimento da cidade
Durante a programação, Barbosinha e as autoridades também acompanharam o andamento da construção de 100 unidades habitacionais no Jardim das Acácias. A obra, realizada em parceria entre Governo do Estado e Prefeitura, recebe investimentos de R$ 8,6 milhões e já está em execução.
O empreendimento integra uma política habitacional mais ampla desenvolvida pelo Governo do Estado em Ribas do Rio Pardo, que contempla centenas de novas moradias, lotes urbanizados e subsídios habitacionais voltados à população.
Para o prefeito, o projeto representa mais do que a construção de casas. “As 100 moradias representam dignidade para famílias que hoje vivem em condições precárias. Estamos construindo essas casas em parceria com o Governo do Estado para oferecer uma nova oportunidade a essas pessoas.”
Investimentos que transformam a vida das pessoas
Ao encerrar a agenda, Barbosinha destacou que o conjunto de investimentos realizados em Ribas do Rio Pardo demonstra o compromisso do Governo do Estado em acompanhar o crescimento acelerado do município, investindo em infraestrutura, habitação, saneamento e logística para garantir mais qualidade de vida à população.
“O crescimento só faz sentido quando vem acompanhado de investimentos que melhoram a vida das pessoas. É isso que estamos fazendo em Ribas do Rio Pardo: preparando a cidade para o futuro”, afirmou o vice-governador.
Somando investimentos em infraestrutura urbana, logística, habitação, saneamento, educação e outras áreas estratégicas, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém aproximadamente R$ 393 milhões aplicados em Ribas do Rio Pardo. Um conjunto de ações que acompanha o acelerado desenvolvimento do município e prepara a cidade para um novo ciclo de crescimento econômico e social.
Empreendedorismo, investimentos e qualificação conectam o crescimento econômico às oportunidades, à renda e à melhoria da qualidade de vida dos sul-mato-grossenses
A trajetória da empreendedora Marlene Alzira Teixeira Andrade, de 49 anos, ajuda a ilustrar uma transformação que se repete em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul: pequenos negócios que surgem dentro de casa, ganham mercado, se profissionalizam e ampliam sua contribuição para a economia local.
Há dez anos, a produção da Lene Salgados acontecia na cozinha da família, com uma pequena panela que permitia fritar apenas dez salgados por vez. O que começou como uma alternativa para complementar a renda evoluiu para uma empresa estruturada, equipada com fritadeira industrial, masseira, modeladora, freezers e espaço próprio para produção.
O caminho até essa expansão não foi simples. Em 2021, Lene recebeu o diagnóstico de câncer de mama e precisou enfrentar dois anos de tratamento. Durante esse período, contou com o apoio da família para manter a empresa em funcionamento. A filha assumiu parte da produção enquanto a empreendedora conciliava a recuperação da saúde com a gestão do negócio.
Antes de se dedicar integralmente à empresa, ela trabalhava em um supermercado da cidade. O incentivo decisivo veio do marido, José Erivaldo, que investiu na compra de um freezer para ampliar a capacidade de produção e ajudar a transformar o empreendimento em uma atividade permanente.
Com o aumento das vendas, vieram novos investimentos em equipamentos, qualificação e gestão. A empreendedora deixou de atuar como Microempreendedora Individual (MEI) e migrou para o Simples Nacional, adotando uma estrutura empresarial mais robusta.
Salgados sendo preparados por Lene (Foto: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA)
Hoje, a empresa conta com acompanhamento contábil, planejamento de crescimento e apoio de instituições como o Sebrae e a Sala do Empreendedor. A produção, que no início alcançava cerca de três mil salgados, chegou à marca de 15 mil unidades, enquanto o cardápio passou a incluir produtos gourmet para atender às novas demandas do mercado.
Além de contratar diaristas nos períodos de maior movimento, Lene já planeja ampliar a equipe de forma permanente. Para ela, empreender significa mais do que vender produtos, é gerar renda, criar oportunidades e construir relações duradouras com os clientes.
“O dia que percebi que precisava deixar de ser MEI e virar empresa de verdade foi quando caiu a ficha de que aquele sonho tinha crescido. Já não era mais só eu fazendo salgado. Era uma empresa sustentando projetos, gerando renda e abrindo novas possibilidades para a minha família”, conta.
A história de Lene ajuda a explicar como o crescimento econômico alcança as pessoas, transformando esforço individual em geração de renda, fortalecimento dos pequenos negócios e novas perspectivas para as famílias.
É o que também apontam dados da Receita Federal sobre a expansão do número de empresas no Estado. Entre 2023 e 2025, o Mato Grosso do Sul registrou um crescimento expressivo na abertura de empresas, passando de 53,1 mil para 69,5 mil novos negócios, um avanço acumulado de 30,8% no período.
O destaque foram os pequenos negócios, que responderam por quase 96% das aberturas em 2025, com 66,6 mil registros, além do empreendedorismo feminino, que cresceu de 17,8 mil empresas abertas em 2024 para 24,1 mil em 2025, alta de 35,5%. Os números de 2026, ainda parciais, já apontam para a continuidade desse movimento, com 40,9 mil novas empresas abertas até junho, sendo 39,7 mil pequenos negócios.
Histórias como as da Lene estão longe de ser um caso isolado, elas são semelhantes a muitas outras que têm se multiplicado em Mato Grosso do Sul, impulsionadas pelo avanço do empreendedorismo feminino e pela crescente participação das mulheres na economia.
Movimento que, segundo a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, tem se consolidado como uma importante força de geração de renda e desenvolvimento no Estado. “O empreendedorismo feminino tem crescido porque cada vez mais mulheres enxergam nele um caminho concreto para a independência financeira, a realização pessoal e a geração de impacto nas suas comunidades. Esse movimento tem se consolidado como uma força econômica relevante em Mato Grosso do Sul”, afirma.
Os dados do Sebrae confirmam essa maturidade. Entre as empreendedoras atendidas pelo programa Sebrae Delas, 61% possuem negócios com mais de três anos de existência. Isso significa que as mulheres não estão apenas abrindo empresas, mas conseguindo mantê-las e estruturá-las ao longo do tempo. É um sinal de uma presença cada vez mais consistente e qualificada no mercado.
Para Sandra Amarilha, o fortalecimento dessa presença feminina também está relacionado à existência de redes de apoio, capacitação e troca de experiências.
Sandra Amarilha é diretora técnica do Sebrae e analisa o bom cenário de MS (Foto: Sebrae-MS)
“Além do suporte técnico, iniciativas como o Delas Day contribuem para esse movimento ao criar espaços de conexão e apoio mútuo entre empreendedoras. Neste ano, o evento reuniu mais de 30 instituições parceiras mobilizadas para fortalecer o protagonismo feminino em Mato Grosso do Sul, o que mostra que essa agenda vai além do Sebrae e envolve toda uma rede de atores comprometidos com o avanço das mulheres no mercado”, destaca.
Os números revelam não apenas o crescimento da participação feminina no empreendedorismo, mas também uma mudança no perfil desses negócios. Assim como ocorreu com Lene, muitas mulheres estão avançando para uma nova etapa, marcada pela profissionalização da gestão, ampliação da capacidade produtiva e busca por novos mercados.
Embora comércio e serviços continuem concentrando a maior presença feminina, especialmente em áreas como alimentação, beleza, saúde, educação e economia criativa, a atuação das empreendedoras vem se diversificando.
“As mulheres estão chegando com força também em segmentos ligados à inovação, à tecnologia e aos negócios digitais. Mas o que mais chama atenção é que elas não estão preocupadas apenas em abrir uma empresa. Existe uma busca cada vez maior por qualificação, estruturação dos processos, ampliação das vendas e consolidação dos negócios no mercado”, afirma a diretora técnica do Sebrae.
“O empreendedorismo é um dos caminhos para promover uma economia mais inclusiva e sustentável. Ele permite a autonomia financeira e cria oportunidades de trabalho e renda para quem historicamente tem menos acesso a elas, como mulheres, pessoas com deficiência e pessoas de baixa renda. Nesse contexto, a economia criativa surge como uma alternativa cada vez mais relevante, gerando impactos positivos nas comunidades ao promover a valorização da cultura local e das identidades regionais”, avalia.
Do balcão ao PIB – o ambiente que impulsiona o desenvolvimento
As histórias de empreendedores que ampliam seus negócios ajudam a revelar uma transformação maior. Enquanto novos empreendimentos surgem e se consolidam em diferentes regiões, Mato Grosso do Sul vive um dos mais intensos ciclos de crescimento econômico de sua história recente, impulsionado por investimentos privados, industrialização e integração logística.
Em 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) estadual cresceu 13,4%, resultado mais de quatro vezes superior à média nacional no período. O desempenho refletiu a força de setores como agropecuária, indústria e serviços, além de um ambiente favorável à instalação de novos empreendimentos.
Atualmente, Mato Grosso do Sul reúne mais de R$ 105 bilhões em investimentos privados anunciados e, desse total, R$ 81 bilhões já estão consolidados, evidenciando a confiança do setor produtivo no potencial de crescimento do Estado. Os aportes estão distribuídos em áreas estratégicas como celulose, bioenergia, proteína animal, logística e infraestrutura.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o projeto da Arauco, em Inocência, considerado um dos maiores investimentos privados em andamento no Brasil. Com previsão de aporte de US$ 4,6 bilhões, a nova fábrica de celulose reforça a posição de Mato Grosso do Sul como um dos principais polos mundiais do setor e amplia a capacidade de atração de novos negócios para a região.
Fila de caminhões com eucalipto na estrada (Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo)
As perspectivas de crescimento também são impulsionadas pela Rota Bioceânica, corredor internacional que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico. A iniciativa representa uma mudança estrutural na logística de exportação brasileira, ao aproximar o Estado dos mercados asiáticos e reduzi tempo de deslocamento e custos associados ao transporte de cargas.
O impacto vai além do setor exportador. Com acesso mais rápido aos portos do Pacífico, Mato Grosso do Sul amplia sua capacidade de inserção em cadeias globais de valor, fortalece a atração de investimentos e consolida sua posição como plataforma logística da América do Sul.
Para o governador Eduardo Riedel, esse movimento faz parte de um ciclo de desenvolvimento que combina competitividade econômica com políticas públicas voltadas à preparação das pessoas para as novas oportunidades criadas pela expansão da economia.
“O crescimento econômico é o ponto de partida, não o ponto de chegada. Nosso compromisso é criar um ambiente que atraia investimentos, gere empregos e fortaleça a economia, mas, ao mesmo tempo, garantir que esse desenvolvimento chegue às pessoas por meio de educação de qualidade, qualificação profissional, infraestrutura, saúde e políticas públicas capazes de ampliar oportunidades. Crescer é importante. Fazer esse crescimento melhorar a vida das famílias sul-mato-grossenses é o que realmente mede o sucesso desse trabalho.”
Crescimento com reflexos sociais
Os efeitos desse ciclo de expansão econômica começam a aparecer também em indicadores ligados à qualidade de vida da população. Embora o crescimento do Produto Interno Bruto seja um dos sinais mais visíveis do desempenho da economia, especialistas destacam que o desenvolvimento de um território depende da capacidade de transformar riqueza em oportunidades, renda e melhoria das condições de vida do sul-mato-grossense.
Para o PhD em Economia e professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Michel Constantino, os resultados observados em Mato Grosso do Sul ganham relevância quando analisados à luz do cenário nacional. Ele lembra que o Brasil ainda convive com elevados níveis de desigualdade de renda e figura entre os países mais desiguais do grupo analisado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Nesse contexto, avalia que o desempenho sul-mato-grossense demonstra a importância de combinar crescimento econômico com políticas capazes de ampliar oportunidades e promover inclusão social.
Michel é PhD em Economia e destaca relevância de MS nacionalmente (Foto: Arquivo Pessoal)
“Enquanto o PIB estadual projetado para 2025 aponta um crescimento de 6,86%, muito superior à projeção nacional de 2,3%, o Estado também comemora a saída de 40 mil pessoas da linha de pobreza entre 2023 e 2024. Distribuir resultados significa fortalecer o mercado consumidor local, reduzir a dependência de programas assistenciais no longo prazo e garantir que o ciclo de prosperidade seja mais duradouro e menos vulnerável a crises externas”, afirma.
Os indicadores de capital humano ajudam a explicar por que o crescimento econômico tem produzido reflexos sociais cada vez mais perceptíveis em Mato Grosso do Sul. Em 2025, o Estado alcançou a segunda posição nacional no pilar Capital Humano do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), consolidando-se como referência nacional em aspectos ligados à formação, empregabilidade e desenvolvimento da população.
O desempenho está associado a iniciativas voltadas à preparação da mão de obra para atender às novas demandas da economia. Entre elas está o MS Qualifica, política estadual criada para ampliar o acesso à capacitação profissional e aproximar trabalhadores das oportunidades abertas pelo ciclo de investimentos em curso no Estado. Já são mais de 500 mil qualificações.
Os reflexos desse processo também podem ser observados nos indicadores sociais. Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul caiu de 2,7% para 1,6%, uma redução superior a 40% em dois anos.
O resultado reforça uma discussão que ganha cada vez mais espaço entre gestores, economistas e especialistas em desenvolvimento: mais do que acelerar o crescimento econômico, é preciso garantir que seus benefícios alcancem um número cada vez maior de pessoas.
Nesse contexto, a geração de empregos, a qualificação profissional, o fortalecimento do empreendedorismo e a ampliação da renda passam a ser indicadores tão importantes quanto o próprio desempenho da economia. Para Michel Constantino, a capacidade de transformar crescimento em desenvolvimento depende diretamente da atuação do poder público.
“Em Mato Grosso do Sul, essa estratégia tem acompanhado a chegada de grandes empreendimentos. O Estado tem direcionado esforços para preparar os territórios e ampliar as oportunidades para a população. Esse trabalho envolve investimentos em infraestrutura, saúde, educação e qualificação da mão de obra, criando condições para que trabalhadores e empresas locais participem dos benefícios gerados pela expansão econômica.”
Segundo o economista, essa preparação ajuda a explicar parte dos resultados alcançados pelo Estado nos últimos anos. Mato Grosso do Sul possui atualmente a maior taxa de investimento público do país, equivalente a 15,3% da Receita Corrente Líquida, além de indicadores que refletem um ambiente favorável aos negócios, como a elevada abertura de empresas e a agilidade nos processos de formalização.
“O poder público atua na criação de um ambiente de negócios favorável, evidenciado pela alta taxa de novos negócios (55,4% em 2025) e pela agilidade na abertura de empresas, que fomenta o empreendedorismo local. O papel estatal, portanto, é o de construir a ponte entre o grande capital investidor e o pequeno empreendedor ou trabalhador local, garantindo que a riqueza circule dentro do Estado”, avalia.
Elaine Paes, Comunicação Segov Foto de capa e galeria: Eduardo Menezes/Cogecom/PMNA
Projetos ligados à biotecnologia, inovação rural e pesquisa aplicada tentam transformar conhecimento acadêmico em soluções para produção de alimentos e permanência no campo
Em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã, jovens filhos de agricultores familiares discutem inteligência artificial, produção de alimentos e problemas do cotidiano rural. O ambiente lembra mais um laboratório comunitário do que a imagem tradicional associada ao agronegócio de alta tecnologia, marcado por grandes máquinas e extensas plantações mecanizadas.
É nesse espaço que pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolvem projetos voltados à educação, ciência e inovação rural, numa tentativa de aproximar tecnologia e realidade do campo. A iniciativa faz parte do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul.
A coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, afirma que o trabalho começou a partir da escuta da comunidade local. Segundo ela, o objetivo era entender quais eram os principais desafios enfrentados pelos moradores antes de definir estratégias de atuação.
“O foco sempre foi alinhar produção de alimentos, desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento”, afirma.
A experiência em Nova Itamarati ajuda a ilustrar uma transformação mais ampla em curso no Estado. A incorporação de tecnologia ao agronegócio deixou de se restringir à mecanização das lavouras e passou a incluir pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e agricultura de precisão desenvolvidas dentro de universidades e centros de pesquisa.
Biotecnologia ganha espaço na economia do Estado
Entre as áreas consideradas estratégicas está a biotecnologia, setor que reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura, sustentabilidade e desenvolvimento industrial. A estimativa é de que esse mercado movimente cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até 2030.
As pesquisas incluem desde vacinas para doenças do rebanho até soluções para problemas agrícolas, como o greening — doença que afeta plantações cítricas — além de iniciativas ligadas à melhoria genética, produção de bioinsumos e tecnologias voltadas à indústria sustentável.
Parte dessa estratégia passa pelo incentivo às chamadas Deep Techs, startups de base científica criadas a partir de pesquisas acadêmicas. A proposta é transformar conhecimento produzido nas universidades em produtos, serviços e empresas capazes de alcançar mercados fora do Estado e até do país.
Segundo o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, a intenção é aproximar pesquisadores e setor produtivo para ampliar a aplicação prática das pesquisas.
“A estratégia consiste em aproximar a academia do setor produtivo, criando um ambiente favorável para que pesquisadores e estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos, empresas e novos negócios”, disse.
Educação e permanência dos jovens no campo
No assentamento de Ponta Porã, a inovação aparece também como tentativa de enfrentar outro desafio histórico do meio rural: a saída de jovens para os centros urbanos.
O Hub de Educação e Inovação Rural atua justamente para fortalecer vínculos entre estudantes e o território onde vivem. O projeto reúne professores, técnicos, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação em ações voltadas à formação tecnológica e produção rural.
Segundo Juliana Carrijo, a equipe reúne cerca de 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e busca financiamento em editais públicos de pesquisa e extensão tecnológica.
Ela afirma que o espaço deverá funcionar como uma espécie de vitrine tecnológica voltada à agricultura familiar, conectando conhecimento científico e saberes locais em projetos aplicados à realidade do assentamento.
Pesquisa aplicada mira novo perfil econômico
A aposta em ciência aplicada ao agro faz parte de uma estratégia mais ampla do Estado para diversificar a economia ligada à produção rural. Drones com inteligência artificial, agricultura de precisão e desenvolvimento de bioinsumos aparecem entre as áreas vistas como promissoras.
Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa passam a ocupar papel cada vez mais próximo das cadeias produtivas, em uma tentativa de transformar conhecimento científico em atividade econômica.
Mais do que ampliar o uso de tecnologia nas lavouras, o movimento busca criar soluções desenvolvidas dentro do próprio Estado, com potencial de aplicação em outros mercados.
O irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, o tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, foi baleado durante umatentativa de execução na manhã deste sábado (27), na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Eloá foi sequestrada quando tinha 15 anos, pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 à época. O caso comoveu o país e foi transmitido em tempo real por diversos canais de televisão, em 2008.
Foram100 horas de negociações com a polícia, acompanhadas por depoimentos de vizinhos, especulações sobre as motivações do crime, tensão pelo desfecho e até entrevista com o próprio sequestrador.
Eloá conheceu Lindemberg aos 12 anos. Na época do crime, ele invadiu o apartamento da ex-namorada, que realizava trabalhos escolares com colegas. Inicialmente, dois reféns foram liberados, restando no apartamento Eloá e Nayara, amiga da vítima e uma das sobreviventes do caso.
Eloá foi mantida em cárcere com o criminoso por quatro dias. No último dia, agentes realizaram uma operação para invadir o apartamento. Após a invasão da polícia, Lindemberg fez três disparos: um deles atingiu o rosto de Nayara e outros dois atingiram a cabeça e a virilha de Eloá.
O caso é frequentemente lembrado como um exemplo de feminicídio, com sinais evidentes de ódio baseado no gênero e tentativa de controle do criminoso sobre a vítima.
Na época, o homem foi preso em flagrante após a invasão dos policiais na cena do crime. Posteriormente, ele foi condenado por 12 crimes, incluindo homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e cárcere privado. A pena inicial foi de 98 anos e 10 meses de reclusão, posteriormente reduzida para 39 anos e três meses em 2013.
Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP), conhecida por abrigar “presos famosos”. E segundo a sua defesa, o detento tem um “comportamento exemplar”, estudando e trabalhando desde o momento em que foi preso.
Em 2021, a Justiça concedeu a progressão para o regime semiaberto, decisão que foi revogada meses depois. No final de 2022, ele conseguiu novamente o benefício, que lhe permite trabalhar ou estudar fora da prisão durante o dia, retornando para dormir.
Em março deste ano, o Ministério Público de São Paulo rejeitou o pedido de redução de pena de Lindemberg. Na decisão, o MP explicou que ele não atingiu a pontuação mínima exigida para que a participação na prova gere remição da pena.
Tenente baleado na Grande São Paulo
De acordo com informações confirmadas pela CNN Brasil, o policial saía de uma academia, quando foi surpreendido por dois rapazes em uma moto.
De acordo com apurado pela reportagem, Ronickson saía de uma academia antes da tentativa de execução.
Segundo a PM (Polícia Militar), ele recebeu os primeiros socorros do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ainda no local e depois foi encaminhado a uma unidade hospitalar pelo helicóptero Águia do Grupamento Aéreo da PM.
No início da tarde deste sábado, fontes afirmaram à CNN Brasil sobre a morte do policial. No entanto, segundo informações oficiais da PM, a vítima ainda passa por atendimento médico e está em cirurgia.
Os rodoviários do Rio de Janeiro aprovaram uma greve por tempo indeterminado que deve começar à 0h desta segunda-feira (29). A decisão foi anunciada pelo Sindicato dos Rodoviários após assembleia realizada neste domingo (28), Não houve acordo na campanha salarial da categoria.
Entre as principais reivindicações estão:
Piso salarial de R$ 4 mil para motoristas;
Salário de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados;
Reajuste de 17% para todos os trabalhadores;
Tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
Plano de saúde e odontológico;
Fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com contratação pelo regime CLT.
Apesar da paralisação anunciada, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinou, em decisão liminar, que pelo menos 50% da frota de ônibus permaneça em circulação durante todo o período da greve, por linha e itinerário.
A decisão também estabelece multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, aplicada de forma independente ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) e ao Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus).
A Prefeitura do Rio informou que acompanha a situação e afirmou que o sistema BRT, operado pela Mobi-Rio, funcionará normalmente com a programação de dias úteis. O município também informou que pediu à Justiça o aumento do percentual mínimo de ônibus em circulação para reduzir os impactos aos passageiros.
Nesta terça (23/05), o Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) abriu um leilão de veículos em bom estado de conservação, que podem voltar a circular. São 97 lotes divididos em 81 motocicletas e 16 automóveis.
Uma HARLEY DAVIDSON/XR 1200, ano 2009/2009 é o grande destaque desse leilão. Com o lance inicial de 9.127 reais, uma motocicleta dessas, pode valer mais 37 mil reais pela tabela FIP. Entre os outros 80 lotes de motocicletas, estão marcas como Honda, Yahama, Shineray e Kasinsk, com valores inicias de lance que variam de mil a cinco mil reais.
O destaque entre os automóveis é um RENAULT/DUSTER 4X2, ano 2014/2014, com preço que pode chegar a 51 mil reais, segundo a tabela FIP. Esse veículo está em leilão com lance inicial de R$ 11.858,00.
Os interessados no certame têm até o dia 07 de julho para registrar seus lances no portal www.marcaleiloes.com.br. Para quem deseja inspecionar os veículos presencialmente, eles estarão disponíveis em Campo Grande e Dourados. Para saber em qual pátio o veículo interessado esta, basta verificar no portal do leiloeiro.
A visitação será nos dias 03 e 06 de julho de 2026, das 08h às 11h e das 13h30 às 16h30:
Pátio em Dourados: PMAX, Avenida Moacir Djalma Barros, nº. 11.355, Bairro Núcleo Colonial.
Pátio em Campo Grande: PMAX, Rua Gigante Adamastor, nº. 16, Bairro Jardim Santa Felicidade.
Sucatas
Além dos veículos que retornam às ruas, os leilões do Detran-MS também cumprem um importante papel ambiental ao destinar veículos para desmonte e reciclagem. No edital de desta terça-feira, o órgão está oferecendo 56 lotes de sucata aproveitável, sendo 75 motocicletas e 48 automóveis, cujas peças podem ser comercializadas por empresas do ramo.
Ainda está em oferta um lote único e sucata inservível, voltado para exclusivamente para pessoas jurídicas credenciadas (siderurgia, fundição ou reciclagem). Este lote único contabiliza cerca de 21.076,00 kg de material ferroso.
O edital completo, que detalha todas as condições de participação, memorial descritivo dos lotes e preços mínimos, está disponível para consulta no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (23), nas páginas 159 a 179. (Clique aqui).
Ação do Núcleo de Computação Forense reuniu 22 participantes e mostrou como confirmar mensagens suspeitas, proteger contas e preservar vestígios
Horas antes de participar de uma palestra sobre golpes digitais, Nilson João Neves, de 73 anos, recebeu no celular uma mensagem que pedia a atualização de um cadastro. Havia um problema: o aposentado nunca havia feito aquele cadastro. Desconfiou do link e bloqueou o número.
A situação antecipou uma das principais orientações apresentadas pela PCi-MS (Polícia Científica de Mato Grosso do Sul) na terça-feira (23), na Associação Amor pela Vida, em Campo Grande: diante da urgência, interromper o contato e confirmar a informação antes de clicar, fornecer dados ou transferir dinheiro.
Promovida pelo Núcleo de Computação Forense, a ação reuniu 22 pessoas idosas e integrou as atividades do Junho Prata, campanha voltada à valorização e à proteção dessa população.
A associação mantém atividades gratuitas de convivência, saúde e artesanato para pessoas idosas e prepara um projeto de inclusão digital. Mesmo com a tarde fria, os participantes chegaram acompanhados por filhos e outros familiares. Nilson participou ao lado da esposa, Jane da Silva São Romão, de 76 anos, e da bisneta.
Nilson João Neves, de 73 anos, a esposa, Jane da Silva São Romão, de 76, e a bisneta participaram da dinâmica com orientações para prevenção de golpes digitais.
Há pouco mais de um mês, o casal passou a frequentar a associação. Nilson participa das atividades físicas e acompanha Jane nas oficinas de crochê. Em casa, os dois também dividem aprendizados sobre o celular: ela usa o aparelho para conversar com familiares e acompanhar conteúdos no TikTok; ele realiza pagamentos e acessa serviços bancários.
“Hoje eu pago minhas contas de casa. Se não fosse isso, teria que ir ao banco ou à lotérica. A tecnologia facilita muito a vida da gente”, afirmou Nilson.
A familiaridade com os serviços digitais, porém, não elimina os riscos. O aposentado já sofreu um golpe bancário e reconhece que mesmo quem utiliza aplicativos diariamente pode ser enganado. “A gente não está livre de cair. Foi bom para aprender”, disse.
Autonomia com segurança
Jane contou que já recebeu mensagens com promessas de dinheiro e pedidos de pagamento para a liberação de supostos valores. Ao identificar uma abordagem suspeita, evita fornecer códigos ou informações pessoais e conversa com o marido antes de tomar qualquer decisão.
“Eu não passo de jeito nenhum. Tenho que ficar atenta a todas as ligações e mensagens que chegam”, relatou.
Responsável pela palestra, o perito criminal Jefferson Lucena, especialista em Computação Forense e Segurança da Informação, explicou que os criminosos exploram principalmente a pressa, o medo, a confiança e a promessa de vantagem.
Entre os exemplos apresentados estavam pedidos urgentes de Pix, falsos familiares que dizem ter mudado de número, links enviados por SMS, perfis copiados e produtos anunciados por preços muito abaixo dos praticados no mercado.
Também foram abordadas situações em que fotografias, áudios e vídeos são usados para simular pessoas conhecidas. A orientação é interromper o contato e confirmar o pedido por outro canal, utilizando um número já conhecido ou os meios oficiais da empresa ou instituição envolvida.
O perito criminal explicou que perfis públicos e solicitações de desconhecidos podem facilitar o acesso a fotografias e informações pessoais, posteriormente usadas na criação de contas falsas.“O ideal é que você só aceite convite de pessoas que conhece”, orientou.
Mesmo mensagens enviadas por contatos conhecidos devem ser confirmadas por outro canal, porque a conta pode ter sido invadida ou reproduzida por criminosos.
Como medidas adicionais de proteção, o perito recomendou ativar a autenticação em duas etapas, criar senhas fortes, manter os aplicativos atualizados e limitar a exposição de informações pessoais em perfis públicos.
Quando a mensagem se torna vestígio
Além da prevenção, os participantes receberam orientações sobre como agir quando o golpe já ocorreu. Conversas, áudios, números de telefone, perfis, links, horários e comprovantes podem constituir vestígios digitais importantes para a apuração.
A vítima deve evitar apagar mensagens, restaurar o celular ou descartar o aparelho antes de receber orientação. Também é necessário comunicar rapidamente o banco ou a plataforma envolvida, bloquear cartões, alterar senhas, avisar familiares e registrar a ocorrência.
No Núcleo de Computação Forense, celulares, computadores, arquivos e registros digitais podem ser submetidos a exames periciais. O trabalho técnico busca identificar, preservar, analisar e documentar elementos que possam contribuir para a investigação e para a produção da prova técnico-científica.
Durante a atividade, uma maleta com materiais utilizados pela Polícia Científica em exames de locais de crime ficou exposta aos participantes. O recurso permitiu apresentar parte da rotina de identificação, documentação e preservação de vestígios.
O especialista também auxiliou participantes a localizar configurações de privacidade e segurança nos próprios aparelhos. A demonstração aproximou as orientações da rotina de quem ainda encontra dificuldade para acessar essas funções.
Informação para levar para casa
Ao final da palestra, os participantes receberam um folder com dez orientações práticas e escolheram placas com mensagens como “senha e código são secretos”, “antes do Pix, confirme”, “guarde provas”, “não clique em links suspeitos” e “na dúvida, peça ajuda”.
Cada pessoa escolheu a recomendação que considerava mais importante. A dinâmica transformou o conteúdo da palestra em mensagens simples, que poderiam ser fotografadas, lembradas e compartilhadas com os familiares.
Ao final, Jane disse que pretende reforçar os cuidados ao receber mensagens inesperadas e evitar a abertura de links desconhecidos. “Deu para a gente ficar mais alerta com tudo o que vem acontecendo. Foi uma tarde maravilhosa de aprendizagem”, afirmou.
Os participantes também receberam pequenas mudas preparadas para a ação. A entrega encerrou uma atividade voltada não apenas à prevenção de prejuízos, mas à manutenção da autonomia de pessoas que utilizam o celular para conversar, pagar contas, buscar informação e acessar serviços.
Para Nilson, abandonar a tecnologia não é uma alternativa. O caminho é aprender a utilizá-la com mais atenção. “Hoje em dia é necessário aprender. Tem que saber para não cair em golpe”, concluiu.
Animal ameaçado de extinção não era recebido pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mato Grosso do Sul há mais de 20 anos
Um filhote fêmea de cachorro-vinagre (Speothos venaticus), espécie considerada vulnerável à extinção, está sob cuidados especializados do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), unidade vinculada ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O caso é considerado de grande relevância para a conservação da fauna brasileira, uma vez que há mais de 20 anos o centro não recebia um exemplar da espécie.
O animal foi encontrado por uma moradora em uma estrada vicinal do município de Água Clara, sem a presença da mãe ou do grupo familiar nas proximidades. Diante da situação de vulnerabilidade e do risco de atropelamento, foi realizado o recolhimento preventivo.
Após comunicação aos órgãos responsáveis, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio) acionou o CRAS/MS, que efetuou o resgate e o transporte seguro do filhote.
Espécie rara e ameaçada
O cachorro-vinagre é um dos canídeos mais raros da América do Sul e está classificado como Vulnerável (VU) nas listas de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Entre as principais ameaças enfrentadas pela espécie estão a perda e a fragmentação dos habitats naturais, além da transmissão de doenças provenientes de animais domésticos.
Além da raridade em vida livre, a população mantida em instituições zoológicas e programas de conservação é extremamente reduzida. Estima-se que existam atualmente entre 150 e 200 indivíduos distribuídos em instituições credenciadas em todo o mundo, submetidos a rígidos programas internacionais de manejo e conservação genética.
Para o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o atendimento ao filhote representa mais um exemplo da importância do trabalho desenvolvido pelo Estado em prol da fauna silvestre. “Receber um animal tão raro e ameaçado de extinção reforça a relevância do trabalho realizado pelo CRAS e pelo Imasul. Cada atendimento representa uma oportunidade de contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira e demonstra a capacidade técnica instalada em Mato Grosso do Sul para atuar na proteção das espécies silvestres”, destaca André Borges.
Animal foi encontrado em estrada vicinal do município de Água Clara
Quadro clínico crítico
Ao chegar ao Hospital Veterinário do CRAS, o filhote apresentava quadro clínico grave. Com apenas 700 gramas de massa corporal, a paciente encontrava-se em estado de prostração, com desidratação severa, desconforto abdominal intenso e diarreia.
Diante da situação, a equipe técnica instituiu imediatamente um protocolo de suporte intensivo, com monitoramento durante os primeiros dias de internação. O tratamento teve como objetivo estabilizar o estado geral do animal, corrigir os distúrbios hidroeletrolíticos e promover o controle da dor. Atualmente, a paciente permanece sob vigilância clínica contínua, com acompanhamento veterinário 24 horas por dia.
Recuperação apresenta evolução favorável
Após a fase crítica inicial, o filhote vem apresentando excelente resposta ao tratamento. O peso corporal passou de 700 gramas para 1 quilo, demonstrando um desenvolvimento físico consistente e compatível com a idade estimada entre seis e oito semanas de vida.
A paciente encontra-se ativa, responsiva aos estímulos ambientais e sem sinais dos problemas gastrintestinais observados no momento do resgate. O manejo inclui alimentação balanceada, cuidadosamente adaptada à faixa etária e à fase de transição alimentar, além do suporte medicamentoso necessário para a manutenção do quadro clínico.
Segundo a gestora do CRAS, Aline Duarte, a recuperação do animal é resultado do trabalho integrado e da dedicação permanente das equipes envolvidas. “Casos como este evidenciam a importância do atendimento especializado prestado pelo CRAS. O acompanhamento contínuo e o manejo adequado são fundamentais para garantir a recuperação do filhote e ampliar as possibilidades de sucesso em sua reabilitação, contribuindo para a conservação de uma espécie rara e ameaçada”, afirma Aline Duarte.
Conservação exige alta complexidade técnica
Segundo a médica-veterinária do CRAS, Paloma Gabrieli da Silva, o atendimento a indivíduos de Speothos venaticus demanda elevado grau de especialização e reforça a importância dos centros de reabilitação na conservação da fauna silvestre.
“O manejo de cachorro-vinagre ressalta a importância dos centros de reabilitação na conservação. A reabilitação de filhotes exige alta complexidade técnica, envolvendo monitoramento contínuo, biometria periódica, manejo nutricional adaptado aos ciclos etários e análise do desenvolvimento ponderal, demandando esforço técnico concentrado para garantir a sobrevivência e a higidez do espécime”, destaca a médica-veterinária.
Marco para a conservação da fauna sul-mato-grossense
O caso representa um importante avanço para os esforços de conservação da biodiversidade em Mato Grosso do Sul. A recuperação bem-sucedida do filhote reforça o papel desempenhado pelo Imasul e pelo CRAS no atendimento especializado à fauna silvestre e na preservação de espécies ameaçadas, contribuindo para a manutenção do patrimônio natural brasileiro.
Infraestrutura do Hospital Ayty
O Ayty, considerado o maior hospital de animais silvestre da américa latina, unidade do Imasul, foi fundamental na reabilitação desses indivíduos. O hospital conta com infraestrutura avançada, incluindo farmácia, salas de controle, setor de esterilização, antissepsia, raio-X e centro cirúrgico completo, garantindo suporte integral para a recuperação de espécies resgatadas.
A iniciativa do Imasul reforça o compromisso do Estado com a preservação da fauna pantaneira, proporcionando aos animais resgatados uma segunda chance de retornar ao ambiente natural de forma segura e sustentável.
“O trabalho desenvolvido pelo Imasul por meio do CRAS e do Hospital Ayty é essencial para garantir que esses animais tenham uma nova oportunidade na natureza, sempre com acompanhamento técnico especializado”, destaca André Borges, diretor-presidente do Imasul.