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Desequilíbrio econômico da China se agrava com 1ª queda no varejo em mais de 3 anos


PEQUIM, 16 Jun (Reuters) – A economia da China apresentou um desequilíbrio crescente ⁠em maio, com as vendas no varejo caindo pela primeira vez em mais de ‌três anos e o investimento em queda, enquanto a produção industrial ganhou ritmo.

Dados oficiais divulgados nesta terça-feira destacaram um padrão de crescimento em duas velocidades na segunda maior economia do ‌mundo, com as fábricas impulsionadas por exportações surpreendentemente resilientes, mas a demanda interna enfraquecendo em meio a uma recessão de vários anos no mercado imobiliário.

As vendas no varejo, um importante indicador do consumo, caíram 0,6% em maio em relação ao ano anterior, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas, revertendo o aumento de 0,2% registrado em abril e contra estimativa de estabilidade em pesquisa da ⁠Reuters. ‌Foi a primeira queda mensal desde dezembro de 2022.

A fragilidade ficou evidente no setor automotivo. ⁠A desaceleração nas vendas domésticas de automóveis se estendeu pelo oitavo mês consecutivo em maio, ressaltando o enfraquecimento da demanda no maior mercado automotivo do mundo, onde a pressão provavelmente persistirá pelo resto do ano.

Os gastos dos viajantes durante o feriado de cinco dias do Dia do Trabalho em maio foram moderados, e o impacto do programa governamental ​de troca de bens de consumo está diminuindo. Uma base elevada em relação a maio do ano passado também contribuiu para o declínio.

Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, disse ​que os dados fracos das vendas no varejo pressionam o governo a considerar medidas para estabilizar o consumo. “Ainda espero que haja um ‘ajuste fino’ na política monetária em julho, após a divulgação dos dados do PIB do segundo trimestre.”

Em contrapartida, a produção industrial cresceu 4,5% em maio em relação ao ano anterior, acelerando ante a taxa de 4,1% em abril e superando ‌as expectativas de um aumento de 4,3%.

Um aumento no investimento global ​em IA e na demanda por tecnologias relacionadas ajudou o maior fabricante do mundo a compensar o impacto nas exportações que muitos esperavam devido à guerra com o Irã. A produção industrial de alta tecnologia da China cresceu ⁠15,1% em maio.

O consumo de serviços ​cresceu 5,4% no período ​de janeiro a maio, muito melhor do que as vendas de bens e tornando-se um motor crescente do consumo das ⁠famílias, mas também desacelerou em relação aos 5,6% registrados ​nos primeiros quatro meses.

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Os dados sobre investimentos também foram muito mais fracos do que o esperado. O investimento em ativos fixos caiu 4,1% nos primeiros cinco meses de 2026, após um declínio de 1,6% entre ​janeiro e abril. Economistas esperavam queda de 2%.

O porta-voz do escritório de estatísticas, Fu Linghui, disse que a queda se deveu, em parte, às altas temperaturas ​e às chuvas intensas em ⁠algumas regiões, bem como à transição de antigos para novos motores de crescimento.

A China ainda tem ampla margem para investimentos no ⁠futuro, com a nova urbanização, a revitalização rural, o desenvolvimento de “novas forças produtivas de qualidade” e melhorias nos serviços públicos, todos necessitando de apoio, acrescentou Fu.

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O investimento imobiliário ampliou sua queda nos primeiros cinco meses, caindo 16,2% em comparação com o mesmo período do ano passado, após uma queda de 13,7% entre janeiro e abril. As vendas de imóveis e as novas construções também registraram quedas mais ​acentuadas.



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Soja sobe mais de 1% em Chicago com rumores de compras da China

A soja encerrou o pregão desta terça-feira (16) em alta na Bolsa de Chicago, impulsionada por rumores de demanda chinesa pela oleaginosa dos Estados Unidos. O contrato com vencimento em novembro avançou 1,04% e fechou cotado a US$ 11,46 por bushel.

Segundo o portal Successful Farming, a recuperação dos preços foi motivada por informações de mercado indicando que a Sinograin, estatal chinesa responsável pela gestão de reservas estratégicas, estaria interessada na compra de soja norte-americana para embarques entre outubro deste ano e março de 2027.

O movimento trouxe suporte às cotações em Chicago ao sinalizar uma possível retomada da demanda chinesa pelo produto dos Estados Unidos. Ainda de acordo com a publicação, a soja brasileira segue mais cara em relação ao mesmo período do ano passado, mas permanece competitiva frente às ofertas americanas nos portos do Golfo do México.

A expectativa de novos negócios internacionais contribuiu para fortalecer o mercado ao longo da sessão, garantindo ganhos superiores a 1% para os contratos futuros da oleaginosa.

Milho

O contrato futuro do milho encerrou com leve valorização na Bolsa de Chicago. O vencimento para entrega em dezembro avançou 0,17%, fechando cotado a US$ 4,42 por bushel.

De acordo com a análise da Farm Futures, o mercado segue atento às projeções climáticas e à possibilidade de ocorrência de um “Super El Niño”. Segundo o analista de grãos Bryce Knorr, o fenômeno foi registrado apenas cinco vezes desde 1950 e costuma estar associado a safras acima da média nos Estados Unidos, embora essa relação não ocorra em todos os episódios.

Além das condições climáticas, outros fatores continuam influenciando a formação dos preços no mercado internacional. Entre eles estão as tensões geopolíticas em diferentes regiões do mundo e os sinais de desaceleração da economia chinesa, que mantêm os investidores cautelosos.

Com isso, o milho sustentou ganhos moderados na sessão, refletindo a combinação entre expectativas para a produção norte-americana e as incertezas que seguem presentes no cenário global.

Trigo

No caso do trigo, o vencimento para setembro registrou valorização de 0,62%, encerrando o dia cotado a US$ 6,04 por bushel.

Segundo a Farm Futures, os investidores acompanharam a evolução dos estoques de trigo da Índia, que alcançaram 53,41 milhões de toneladas em 1º de junho, o maior volume desde 2021. O montante supera com folga a meta estabelecida pelo governo indiano, de 27,6 milhões de toneladas.

O forte crescimento das reservas foi impulsionado pelas aquisições realizadas pelo governo local, que somaram cerca de 35 milhões de toneladas. Com os armazéns abastecidos, cresce a expectativa de que a Índia amplie a liberação de estoques para o mercado interno, em uma estratégia para conter a inflação dos alimentos.

A medida é acompanhada de perto pelos agentes do mercado global, já que a Índia é considerada uma concorrente do trigo norte-americano no comércio internacional. O aumento da disponibilidade do cereal no país asiático pode influenciar o fluxo global de oferta e demanda nos próximos meses.

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Uma minoria de membros do Fed pode prever uma alta dos juros; Warsh é incógnita


WASHINGTON, 16 Jun (Reuters) – Projeções das autoridades monetárias do Federal ⁠Reserve que serão divulgadas na quarta-feira devem mostrar que a maioria acredita agora que será ⁠necessário manter as taxas básica de juros dos EUA inalteradas ao longo do ano, mas um pequeno número parece ‌estar considerando uma alta de juros para impedir que um pico de inflação se consolide na economia.

Os ajustes previstos no chamado “gráfico de pontos” do Fed marcariam uma mudança para uma postura mais restritiva em relação à posição dos dirigentes do Fed há ‌apenas três meses. Eles também representam um desafio de comunicação particularmente complexo para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, conforme os ganhos no mercado de trabalho acima do esperado nos últimos meses e a inflação em alta desde o início da guerra no Irã mudaram o foco das discussões, passando da questão de se deveria haver um corte para a possibilidade de um aumento.

O presidente Donald Trump escolheu Warsh para substituir Jerome Powell com a expectativa explícita de que seu novo chefe do Fed reduzisse as taxas de ⁠juros. Warsh ‌apresentou alguns argumentos a favor do corte das taxas, incluindo o que ele considera ser o impacto desinflacionário da IA, mas ⁠também afirmou não ter feito promessas e disse aos parlamentares em sua audiência de confirmação que não acredita em dar qualquer orientação.

A maior dúvida sobre as projeções do Fed para junho é o que o próprio Warsh irá estimar — se, de fato, ele for estimar alguma coisa.

“Pode ser que o presidente Warsh simplesmente decida não participar como forma de sinalizar o pouco valor que dá a esse exercício”, escreveu o economista-chefe do Regions Bank, Richard Moody, na semana passada.

Economistas da TD ​Securities esperam que Warsh omita seu próprio ponto como “uma forma mais deliberada de minimizar qualquer mensagem ‘hawkish’ que possa decorrer do gráfico de pontos de junho”.

Outros analistas esperam que Warsh participe, mas que inicie uma revisão das comunicações do Fed que ​poderia significar o fim definitivo do gráfico de pontos, publicado trimestralmente desde 2012 e geralmente considerado uma indicação útil de para onde os 19 formuladores de política monetária do Fed veem as taxas de juros indo.

“Esperamos que Warsh apresente suas próprias projeções”, argumentou Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JPMorgan. “Não fazê-lo pareceria uma dissidência rancorosa contra seu próprio comitê.”

Pode ser que Warsh, no cargo há apenas três semanas, simplesmente alegue que precisa de mais tempo para se adaptar antes de participar das previsões. Além disso, ‌apresentar um ponto poderia representar outro risco para ele: poderia revelar que ele não ​é nem de longe tão ‘dovish’ (com postura que favorece o estímulo econômico) quanto Trump gostaria.

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Stephen Miran, em seu breve mandato como diretor do Fed nomeado por Trump no ano passado, apresentou consistentemente projeções de taxas que eram as mais baixas — por sua própria admissão — entre todos os formuladores de política monetária. Com Miran ⁠agora fora do cargo para dar lugar a Warsh ​no conselho do Fed, sua previsão ​baixa desaparecerá do cenário, e a ausência de um ponto comparativamente baixo em seu lugar revelaria Warsh como mais ‘hawkish’ (duro com a inflação).

‘Andar numa linha muito tênue’

Em março, ⁠a maioria dos banqueiros centrais dos EUA achava que o Fed provavelmente ​acabaria reduzindo as taxas até o final do ano, seja porque a inflação estava recuando, o mercado de trabalho estava enfraquecendo, ou ambos. Apenas um formulador de política monetária havia previsto um aumento nas taxas, e isso era para 2027, não para 2026.

Na quarta-feira, espera-se que os banqueiros centrais ​mantenham a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% e alterem sua declaração pós-reunião para que ela não sugira mais que o próximo passo do Fed, quando ocorrer, será um corte nas taxas. Uma ​tendência de alta nas projeções da trajetória ⁠das taxas no gráfico de pontos ressaltaria a nova abertura do comitê a um aumento nas taxas, mesmo que a maioria ainda não o espere.

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“Acreditamos que o debate dentro ⁠do FOMC agora gira em torno de se uma manutenção prolongada da política monetária seria suficiente para estabilizar a inflação ou se, ao contrário, seria necessário aumentar as taxas”, escreveram economistas do BNP Paribas na semana passada.

O Fed também publicará projeções para o mercado de trabalho e a inflação que podem refletir um maior otimismo dos formuladores de política monetária em relação aos empregos e um maior pessimismo em relação aos preços do que o sinalizado em março, visões que dariam alguma justificativa para o que se espera ser um gráfico de pontos ​alterado.



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IGP-10 tem queda inesperada em junho com deflação nos preços ao produtor, mostra FGV


SÃO PAULO, 16 Jun (Reuters) – ⁠O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) ⁠registrou queda inesperada de 0,30% em junho, depois ‌de ter avançado 0,89% no mês anterior, influenciado principalmente pela deflação nos preços ao ‌produtor.

Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses avanço de 2,15%, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A expectativa em pesquisa da Reuters ⁠era ‌de alta de 0,34% no mês.

O Índice ⁠de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve recuo de 0,71% em junho, depois ​de avançar 0,95% no mês anterior.

Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, destacaram-se quedas ​dos preços de commodities relevantes como café, cana-de-açúcar e combustíveis, ‘refletindo um cenário de acomodação nos preços internacionais e normalização de oferta’.

‘Por outro lado, houve pressões pontuais de alta ‌em itens agrícolas como batata-inglesa ​e feijão, associadas a fatores sazonais de oferta’, completou.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que responde por 30% do ⁠índice geral, ​registrou alta ​de 0,56% no mês, depois de aumento de 0,68% em ⁠maio.

O resultado do IPC ​se deu com a desaceleração de combustíveis, apesar de aumentos em alimentos in natura e tarifas ​de energia, de acordo com Dias.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), por ​sua vez, subiu ⁠0,92% em junho, depois de uma alta de 0,86% em ⁠maio.

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O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

(Por Camila Moreira; Edição de Eduardo ​Simões)



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Com resultados positivos à população, MS se torna referência nas parcerias com a iniciativa privada


Destaque nacional, Mato Grosso do Sul se tornou referência na realização de PPPs (Parcerias Públicas-Privadas) com benefícios diretos à população, em áreas como saneamento, infraestrutura e saúde. Estes exemplos de sucesso foram apresentados nesta terça-feira (16), durante a abertura da Reunião Estratégica Regional P3C, sediada em Campo Grande.

Na abertura do evento, o governador afirmou que este modelo de parceria com a iniciativa privada faz parte da estratégia de desenvolvimento do Estado. “Nós não conseguimos enxergar um outro caminho senão estabelecendo uma estrutura robusta de realizar parcerias com capital privado dentro dessa equação. Assim entregamos o melhor resultado possível na política pública, no campo financeiro e nas entregas ao cidadão”.

Governador Eduardo Riedel durante discurso na Reunião Estratégica Regional P3C

Riedel lembrou que Mato Grosso do Sul construiu um ambiente positivo de negócios, para atrair grandes empresas, gerar empregos e oportunidades às pessoas, com investimentos importantes na infraestrutura e logística, assim como saneamento e saúde. Apesar dos grandes investimentos públicos, o modelo de PPP também faz parte deste pacote.

“Temos que citar estes exemplos de sucesso como no saneamento, que chegamos a 77% de cobertura no Estado e vamos universalizar até o final de 2027, devido este modelo (PPP). Assim como melhores condições em rodovias como a MS-306, MS-112 e a nova Rota da Celulose, caminhando para mudar o perfil logístico e a competitividade do Estado. A saúde também já usamos (modelo) para trazer benefícios à população”.

Evento que discute projetos de PPP e concessões ocorre no Bioparque Pantanal

Evento

Organizado pela EPE-MS (Escritório de Parcerias Estratégicas), com apoio da Agems (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de MS), a Reunião Estratégica Regional P3C ocorre no Bioparque Pantanal, com programação, debates e painéis durante todo o dia, com a participação especialistas da área de infraestrutura de todo o país. 

Com o objetivo de fortalecer o ecossistema das Parcerias Público-Privadas (PPPs) e concessões, o evento promove discussões entre profissionais, gestores públicos, investidores e lideranças do setor privado, ampliando o debate para além dos grandes centros financeiros do país.

Guilherme Peixoto, superintendente da B3, elogiou projetos de MS

Maurício Portugal, coordenador do P3C, elogiou os projetos desenvolvidos no Estado. “Uma boa gestão pode mudar a vida das pessoas. Basta olhar os projetos desenvolvidos aqui pela EPE para ver como os exemplos podem se tornar realidade. A medida que você melhora a qualidade de vida do usuário, ele pede cada vez mais qualidade. O desafio da gestão é enorme, sempre tem um novo patamar que precisa alcançar”.

Guilherme Peixoto, superintendente de Governança em Licitações e Relações Governamentais da B3, fez questão de destacar que o Estado de Mato Grosso do Sul é um exemplo no Brasil na realização de PPPs e concessões em relação a como desenvolveu os projetos. “Unindo as melhores mentes criou um ambiente de governança, que entregou projetos de setores diferentes, que fizeram o Estado evoluir nas entregas e entregar o que há de mais sofisticado neste modelo”.

Já a secretária especial da EPE, Eliane Detoni, anfitriã do evento, agradeceu a todos os especialistas e profissionais que vieram prestigiar o evento no Estado. “Um dia incrível de discussão e diálogo. É inegável o avanço que tivemos tanto no lado institucional, como na estruturação das PPPs e concessões. Podemos dizemos que aprendemos a realizar bons projetos”.

Leonardo Rocha, Comunicação do Governo de MS
Fotos: Álvaro Rezende/Secom-MS



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Fitch reafirma rating soberano do Brasil em “BB”, com perspectiva estável


A Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BB”, com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia, a robustez das contas externas e a flexibilidade cambial como pilares de sustentação do perfil de crédito do país.

Segundo a agência de classificação de risco, o Brasil se beneficia de uma economia ampla e diversificada, além de mercados domésticos profundos, que garantem maior flexibilidade no financiamento do governo e reduzem a dependência de dívida em moeda estrangeira. Por outro lado, o rating permanece limitado por fatores estruturais, como o elevado nível de endividamento público, a rigidez orçamentária, o baixo potencial de crescimento e fragilidades institucionais.

A Fitch também destaca que a incerteza fiscal continua sendo um dos principais riscos macroeconômicos, com maior clareza sobre o rumo das reformas estruturais esperada apenas após as eleições presidenciais de outubro.

Disputa eleitoral e direções econômicas

No cenário político, a agência projeta uma disputa acirrada e polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. De acordo com a Fitch, o resultado da eleição poderá influenciar significativamente o direcionamento da política econômica e fiscal.

Em um eventual novo governo Lula, a tendência seria de continuidade, com foco em gastos sociais, tributação progressiva e menor apetite para reformas estruturais de despesas. Já uma administração de Flávio Bolsonaro tenderia a adotar uma agenda mais pró-mercado, com redução de impostos, maior eficiência do gasto público e avanço de privatizações — ainda que com incertezas relevantes quanto à capacidade de implementação.

Déficit elevado e dívida em alta

A Fitch projeta deterioração das contas públicas nos próximos anos. O déficit do governo geral deve subir para 8,6% do PIB em 2026, ante 8,1% em 2025, nível bem acima da mediana de 3,5% para países com rating semelhante (“BB”). A expectativa é de alguma redução para 8% em 2027, impulsionada por menor custo de juros e melhora do saldo primário.

Ainda assim, o quadro fiscal permanece pressionado. A dívida bruta do governo deve ultrapassar 80% do PIB em 2026, após atingir 78,6% em 2025. Na avaliação da Fitch, déficits elevados e persistentes aumentam a vulnerabilidade do país a choques externos e mudanças no apetite dos investidores.

Apesar disso, a composição da dívida mitiga parte dos riscos. A baixa participação de passivos em moeda estrangeira, a presença de investidores locais, o elevado colchão de liquidez do Tesouro e a gestão ativa da dívida ajudam a reduzir pressões de curto prazo.

Crescimento resiliente, mas desaceleração à frente

Mesmo em um ambiente de política monetária restritiva, a economia brasileira deve seguir resiliente no curto prazo. A Fitch estima crescimento do PIB de 2,1% em 2026, após expansão de 2,3% em 2025, sustentado por consumo robusto, mercado de trabalho aquecido, desemprego em níveis historicamente baixos e ganhos reais de renda.

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A agência também destaca o impacto da reforma do imposto de renda implementada em 2025, que elevou a renda disponível das famílias de menor renda — com maior propensão a consumir — ao mesmo tempo em que aumentou a tributação sobre os mais ricos.

Para 2027, a expectativa é de desaceleração do crescimento para 1,7%, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados e uma eventual redução do estímulo fiscal.

Inflação pressionada e juros mais altos por mais tempo

A inflação segue como um ponto de atenção. Após atingir 4,7% em maio de 2026, a Fitch projeta que o índice chegue a 5% no fim do ano, acima do teto da meta de inflação. Pressões vêm principalmente do setor de serviços, dos preços de alimentos e de choques globais de energia.

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Com isso, o ciclo de queda de juros deve ser mais gradual. A agência estima que a taxa Selic encerre 2026 em 13%, indicando um ritmo de flexibilização mais lento do que o antecipado anteriormente.

Contas externas seguem como ponto forte

Em contraste com o quadro fiscal, o setor externo permanece como um dos principais pontos positivos. O déficit em conta corrente deve recuar para 2,2% do PIB em 2026, beneficiado pela desaceleração da demanda doméstica e pelo desempenho das exportações de commodities.

O país segue contando com forte entrada de investimento estrangeiro direto, suficiente para financiar o déficit externo. As reservas internacionais, em cerca de US$ 371 bilhões, permanecem robustas, cobrindo mais de oito meses de pagamentos externos — patamar superior ao de muitos pares.

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O que pode mudar o rating

A Fitch aponta que melhorias no rating dependeriam de avanços consistentes na consolidação fiscal e na estabilização da dívida pública, além de sinais de aumento do potencial de crescimento econômico.

Por outro lado, um eventual rebaixamento poderia ocorrer em caso de deterioração adicional das contas públicas ou perda de credibilidade na política fiscal, especialmente se não houver medidas para garantir sustentabilidade da dívida no médio prazo.

Em síntese, a avaliação da agência indica que, embora o Brasil mantenha fundamentos sólidos em áreas-chave — como o setor externo e a estrutura de financiamento —, o desafio fiscal segue como principal entrave para uma melhora mais consistente do risco soberano.

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Ministério da Agricultura negocia aumento de 10% no Plano Safra com corte de juros


O Ministério da Agricultura negocia com o Ministério da Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior. Se a proposta avançar, o volume destinado à agricultura empresarial poderá chegar perto de R$ 570 bilhões, disse nesta terça-feira o secretário-executivo da pasta, Cleber Soares.

A declaração se refere à agricultura empresarial, e não à familiar, cujo plano é conduzido por outro ministério.

“Mas, se 10% não for possível e conseguirmos pelo menos a inflação, de quatro vírgula pouco, já será um incremento muito bom, dado o cenário e a conjuntura do país como um todo e também a conjuntura global”, afirmou Soares a jornalistas, após evento promovido pela Veja, em São Paulo.

Segundo ele, o ministério também defende que a taxa de juros “teto” do Plano Safra 2026/27 fique em um dígito. A referência é o programa Move Agro, que prevê R$ 14 bilhões para compra de equipamentos e máquinas com taxa de pouco mais de 9% ao ano.

“O jogo não é fácil”, disse o secretário. Ele lembrou que, no ciclo passado, a menor taxa de juros do plano empresarial ficou em cerca de 8%, com possibilidade de desconto na linha de agropecuária sustentável, enquanto a maior chegou a 13,5%, no Moderfrota.

“Em um cenário mais equilibrado, se reduzir em média 2 pontos percentuais, já é um grande ganho para o setor. Ou seja, chegar a um referencial de 6,5% a 11% é um grande ganho”, afirmou.

Paralelamente, o governo também trabalha no projeto de lei 5.122, que trata da renegociação de dívidas agrícolas, para evitar que produtores endividados sejam impedidos de acessar novos recursos por restrições de crédito.

“O PL está em negociação. O valor inicialmente estimado é de R$ 140 bilhões. O Ministério da Fazenda está negociando com a Frente Parlamentar para encontrar uma equação”, disse Soares.

Segundo o secretário, essa equação passa por renegociar as dívidas e, ao mesmo tempo, reduzir os juros. O novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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Gestoras abandonam “kit Brasil” e correm para o dólar antes do Copom, mostra XP


A pesquisa da XP com gestoras multimercados mostra uma mudança de posicionamento em relação a juros, dólar e Bolsa nas vésperas da decisão sobre a taxa Selic do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada nesta quarta-feira (17). Se, em abril, 100% dos gestores mantinham posições vendidas em dólar, marcando “o maior consenso já registrado na série histórica”, agora, em junho, 80% dos fundos estão comprados na moeda americana e apenas 20% seguem apostando na sua queda. 

Em relação aos juros, 84% das gestoras apostam em redução de 0,25 ponto percentual na Selic, indo a 14,25%, enquanto 16% espera a manutenção em 14,5%.

A pesquisa foi feita entre 8 e 12 de junho com 25 gestoras – antes, portanto, da divulgação do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Câmbio

O intervalo entre as reuniões do Copom mostra como as mudanças no fluxo de capital global podem alterar rapidamente as estratégias dos multimercados, destacam os analistas de fundos Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini, no relatório.

Se, em abril, a economia levava as gestoras a aumentar as apostas no “kit Brasil” — com recomendações em bolsa brasileira, valorização do real, e calibragem de juros –, em junho o ambiente se inverteu. O câmbio, que até então era um dos principais vetores de aposta no otimismo com o Brasil, agora passou a operar como instrumento de proteção financeira. Os dados mostram essa reversão:

(Imagem: Reprodução Pesqusia XP com gestoras multimercados)

O movimento em relação à moeda brasileira caminha para o lado oposto. As posições compradas em real recuaram de 91% para 31%, enquanto as posições vendidas saltaram de 9% para 69%. Para os analistas da XP, essa migração de ativos “não se trata de resistir a um teste de convicção, mas de reconhecer uma possível mudança de regime de fluxo”.

Leia também: Melhores multimercados apostam no exterior e campeão paga 1.600% do CDI em 1 mês

A mudança ocorreu no momento em que os investidores globais se concentravam em financiar o setor de Inteligência Artificial — puxando as bolsas asiáticas para cima —, e o mercado brasileiro caía, perdendo para outros países emergentes. Além disso, o cenário doméstico piorou com a alta do petróleo, que ressuscitou o medo da inflação e manteve as expectativas de juros altos, em meio à tensão de um ano eleitoral.

Juros

Apesar da aposta majoritária na redução de juros no curto prazo, a convicção sobre a extensão do ciclo de afrouxamento monetário diminui. Na visão de longo prazo, houve continuidade na elevação das expectativas para a Selic ao final de 2026, que atingiu 14,1%, impulsionada pelos riscos inflacionários e pela dinâmica global de energia e commodities. A inflação projetada para 2026 pelos fundos também subiu, fixando-se em 5,2%

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No cenário internacional, 100% dos gestores aguardam a manutenção dos juros nos Estados Unidos.

Leia também: FED: Acordo EUA-Irã e estreia de Kevin Warsh marcam decisão sobre juros americanos

(Imagem: Reprodução Pesqusia XP com gestoras multimercados)

O apetite pelo mercado acionário local também perdeu tração, apontam os analistas. O levantamento indica uma redução das posições compradas na bolsa brasileira, que recuaram de 71% em abril para 60% em junho. Em contrapartida, as posições vendidas em ações nacionais dobraram, passando de 10% para 20% no mesmo período. 

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(Imagem: Reprodução Pesqusia XP com gestoras multimercados)

Esse recuo reflete uma leitura mais cautelosa sobre a economia nacional. Segundo os dados compilados, a parcela de gestores com uma visão negativa sobre o cenário doméstico dobrou de 19% para 38%, enquanto a perspectiva positiva estacionou na faixa dos 24%. 

Leia também: Bolsas da América Latina podem ter “2ª chance” em 2026 e Brasil é favorito, diz BBI

Contudo, os especialistas ressaltam que esse reposicionamento da gestão não traduz um pessimismo estrutural definitivo com os ativos locais. O aumento de posições neutras em carteira sugere, na verdade, uma tática de preservação de capital até que haja maior clareza sobre o controle da inflação, a trajetória da política monetária e os desdobramentos do quadro eleitoral.



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Vendas no varejo têm queda de 1,5% em abril e indicam perda de fôlego no consumo


As vendas no comércio varejista apresentaram um recuo de 1,5% em abril na comparação com março, contrariando as expectativas do mercado, que projetava uma retração mais branda, de 0,6%. Os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (16). Eles mostram que o resultado interrompe uma sequência de três meses consecutivos de alta, devolvendo o patamar dessazonalizado ao nível registrado em janeiro deste ano.

No acumulado de 12 meses, o setor ainda apresenta alta de 1,5% e, na comparação com abril do ano anterior, cresceu 1%. Em janeiro, o PMC havia registrado avanço de 0,5%; em fevereiro, 0,8% e, em março, 0,7%.

Período Varejo Varejo Ampliado
Abril / Março* -1,5 -0,7
Média móvel trimestral* 0 0,1
Abril 2026 / Abril 2025 1 1,4
Acumulado 2026 2 1,8
Acumulado 12 meses 1,5 0,2
Fonte: PMC/IBGE

Queda generalizada 

Os economistas da XP Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, destacam que a queda nas vendas do varejo foi generalizada, e só não foi maior porque a categoria Supermercados, Produtos Alimentícios e Bebidas avançou 1,3%, amortecendo a queda do indicador cheio.

De acordo com os dados do IBGE, os resultados mais fracos foram registrados na categoria de Combustíveis e lubrificantes, com expressiva queda de 6,2% após avanço de 5% em março, refletindo o choque do petróleo.

Em seguida vem Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico, que caiu 4,6%; e Equipamentos e Materiais para Escritório, Informática e Comunicação, com recuo de 4,5%. Móveis e eletrodomésticos contraíram 0,8%, marcando o quinto mês consecutivo de queda.

O varejo ampliado (que inclui segmentos automotivo e de construção) também surpreendeu negativamente ao cair 0,7%, ante uma expectativa do mercado de alta de 0,2%. A categoria de Veículos decepcionou ao recuar 0,7%, e Materiais de Construção caiu 3,6%.

Para o Itaú, chamou a atenção o desempenho do setor de Atacado especializado em alimentos, que avançou 2%, mas a previsão da instituição era de 10%. Eles também citam os Combustíveis e lubrificantes, que avançaram 1,6%, mas a estimativa era de 7,2%.

“Os dados são consistentes com um início mais fraco para o varejo no segundo trimestre, e sugerem um repasse limitado dos pagamentos judiciais (precatórios) realizados no final de março. Em abril, as categorias sensíveis ao crédito apresentaram melhor desempenho, enquanto as categorias sensíveis à renda registraram queda, conforme previsto”, analisam as economistas do Itaú Natalia Cotarelli e Marina Garrido.

Condições restritivas limitam o consumo

Analisando os recortes do setor, os economistas da XP destacam a queda de 0,6% nas atividades sensíveis à renda, enquanto as atividades sensíveis ao crédito recuaram 1,4%. “Isso sugere que a fraqueza de abril foi mais visível em segmentos ligados a compras discricionárias [não essenciais] e às condições financeiras, ainda que as categorias relacionadas a alimentos tenham permanecido resilientes”, avaliam Margato e Maluf. 

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Comércio é o único setor a contrair

O resultado de abril do varejo destoa de outros indicadores econômicos do período. André Valério, economista sênior do Inter, aponta que o comércio foi o único setor pesquisado pelo IBGE a apresentar contração no mês, enquanto a produção industrial avançou 0,7% e os serviços cresceram 1,2%.

“Quando decompomos o índice de varejo de acordo com sua sensibilidade à renda e ao crédito, vemos queda em ambas as medidas, reforçando esses indícios de fragilidade no consumo, em linha com o ambiente de condições financeiras restritivas que se vê nos últimos meses”, afirma Valério. 

O economista destaca ainda que, embora o setor cresça 2% no acumulado do ano, 60% desse avanço é sustentado por itens essenciais, como alimentos, produtos farmacêuticos e combustíveis.

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Essa leitura também é observada por Leonardo Costa, economista do ASA, que enxerga no dado amplo um alerta para o curto prazo. 

“A queda disseminada entre atividades e regiões aponta para uma perda de fôlego do consumo doméstico”, avalia Costa, ressaltando que o número indica uma desaceleração no começo do segundo trimestre para o comércio. 

Trabalho e ‘bondades’ devem sustentar demanda

Apesar do balde de água fria no mês de abril, os economistas da XP ressaltam que o resultado deve ser interpretado com cautela, já que os fundamentos do consumo permanecem sólidos. “Um mercado de trabalho robusto e um amplo conjunto de medidas de estímulo anunciadas recentemente devem sustentar a demanda doméstica nos próximos meses”, avaliam os analistas, calculando que tais medidas do governo podem adicionar até 1,5 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB) neste ano

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A equipe econômica do Bradesco destaca que os dados mostram acomodação no consumo de bens, seja relacionado ao crédito ou à renda. “A desaceleração do mercado de trabalho e a política monetária em patamar restritivo tendem a pressionar o consumo das famílias para baixo. Por outro lado, as medidas de crédito divulgadas recentemente sustentam uma desaceleração mais gradual.”

Com isso, a XP recuou em sua projeção para o crescimento do PIB no segundo trimestre de 2026, que passou de 0,6% para 0,5%. O Bradesco tem a mesma projeção para o período. No fechamento do ano, a XP segue esperando uma alta de 2% no PIB total, com riscos inclinados para cima. 



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