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Após uma série de reuniões no Nusol (Nucleo de Solução Consensual de Conflitos) do STF (Supremo Tribunal Federal) em busca de um acordo sobre os processos referentes à Moratória da Soja, os processos retornaram aos gabinetes dos ministros relatores.
Segundo o STF, as reuniões foram marcadas por um “amplo diálogo entre as partes” e pela construção de um “ambiente propício à construção de solução consensual”. Apesar do avanço nas negociações, um recuo das autoridades envolvidas ao longo das tratativas inviabilizou a celebração de um acordo, de acordo com o Nusol.
Assim, o supervisor do Núcleo, o magistrado auxiliar do Gabinete da Presidência Álvaro Ricardo, encaminhou os processos de volta para o gabinete dos relatores.
Ao todo, o impasse da moratória da soja é pautado em duas ADIs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade) principais:
ADI 7774: De relatoria do Ministro Flávio Dino, referente à lei do Estado de Mato Grosso, que proíbe a concessão de benefícios fiscais e de terrenos públicos a empresas que aderiram a acordos comerciais para a limitação da expansão agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental específica.
ADI 7775: De relatoria do Ministro Dias Toffoli, o processo é referente a uma lei semelhante, mas de Rondônia.
O STF ainda tem em pauta mais processos secundários referentes a esses impasses: ADI 7863 (de autoria do Ministro Luiz Fux, referente à legislação de Tocantins) e ADI 7823 (sem autoria, e referente à legislação do Maranhão).
Estiveram presentes nas reuniões em maio representantes da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), e dos partidos PCdoB, Psol, PV e Rede.
Também participaram de reuniões no Nusol os procuradores de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins.
Com a decisão do Nusol, os Ministros devem encaminhar os processos para votação em plenário. Como a pauta de junho já foi fechada, a expectativa é que as ADIs sejam julgadas a partir de julho.
O que é a moratória?
A Moratória da Soja é um acordo firmado em 2006 entre tradings, indústria e organizações da sociedade civil para impedir a compra de soja produzida em áreas desmatadas da Amazônia após julho de 2008.
As ações em análise no Supremo discutem a legalidade de leis estaduais que tentam limitar os efeitos da moratória.
De um lado, representantes do setor produtivo afirmam que o acordo cria restrições além das previstas no Código Florestal. Do outro, organizações ambientais defendem que a iniciativa ajudou a reduzir o desmatamento na Amazônia.
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta direcionada aos evangélicos brasileiros na qual critica o uso da fé “para fins políticos e econômicos”. O documento foi assinado pelo IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, ocorrido em Brasília, nesta segunda-feira (8/6), e reúne posicionamentos sobre temas religiosos, sociais e políticos.
A carta afirma que os evangélicos têm diferentes visões políticas e que cada fiel deve ter liberdade para formar suas próprias opiniões dentro das igrejas. O texto também critica o uso da religião para influenciar disputas políticas e condena o que considera uma exploração da fé para obter vantagens financeiras.
Outro tema abordado é a disseminação de fake news e discursos de ódio. Segundo a carta, a desinformação e a manipulação da fé representam desafios para a convivência democrática e para a qualidade do debate público.
“Manifestamos preocupação com a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e tentativas de manipulação da fé para fins políticos ou econômicos. O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum”, diz trecho da carta
Relação do PT com evangélicos
Ao tratar da relação entre o PT e o segmento evangélico, o texto afirma que os governos petistas adotaram uma postura de respeito à liberdade religiosa.
A carta também menciona as eleições de 2026. Os participantes defendem a presença dos evangélicos nos debates sobre os rumos do país e manifestam apoio à continuidade do projeto político liderado por Lula. Ao mesmo tempo, ressaltam que esse posicionamento não deve ser confundido com o uso eleitoral da religião.
A divulgação da carta ocorre em meio à tentativa do partido de ampliar sua interlocução com os evangélicos. A relação entre o presidente Lula e parte desse eleitorado tem sido marcada por resistências e disputas de narrativas ao longo dos últimos anos.
Na comparação com maio de 2025, a produção saltou 15,2%, acumulando nos cinco primeiros meses de 2026 crescimento de 7,1%, para 1,13 milhão de veículos
SÃO PAULO, 12 Jun (Reuters) – A produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos no Brasil em maio cresceu 6,3% ante abril, para 253,5 mil unidades, informou a associação de montadoras, Anfavea, nesta sexta-feira.
Na comparação com maio de 2025, a produção saltou 15,2%, acumulando nos cinco primeiros meses de 2026 crescimento de 7,1%, para 1,13 milhão de veículos.
Os licenciamentos no mês passado somaram 274,7 mil unidades, crescimento mensal de 10,6% e anual de 21,7%. No ano até o final de maio, os emplacamentos mostram crescimento de 16,4%, acima das projeções iniciais do setor, a 1,15 milhão de unidades.
As exportações de veículos montados em maio somaram 37,4 mil unidades, queda de 13,4% ante abril e de 29,9% sobre maio do ano passado. No ano, as vendas externas mostram declínio de 20%, para 179,9 mil veículos.
A participação inédita do Fórum Permanente Estadual de Gestoras Municipais de Políticas Públicas para Mulheres marcou o 4º Congresso dos Municípios de Mato Grosso do Sul, realizado pela Assomasul, como um importante passo para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres em todo o Estado.
Com apoio da Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres e do Programa Protege, o Fórum esteve presente nos dois dias de evento com estande próprio, articulações institucionais, troca de experiências entre municípios e a realização do painel “Políticas Públicas para Mulheres: da escuta à ação”.
Painel teve participações de gestoras de Ponta Porã, Corumbá, da subsecretária Manuela Nicodemos Bailosa, que fez a mediação, juntamente com as gestoras de Maracaju e Rio Brilhante.
Mediado pela subsecretária de Estado de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa, o painel reuniu representantes de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul: Jamaica do Carmo, coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres de Maracaju; Wânia Alecrim, gerente de Políticas Públicas para Mulheres de Corumbá; Eliana Rodrigues de Souza Barbosa, coordenadora do Núcleo de Políticas Públicas para a Mulher de Ponta Porã; e Francis Jaqueline, gestora da Divisão de Direitos Humanos e Cidadania e coordenadora das Políticas Públicas para Mulheres de Rio Brilhante.
Durante a apresentação, Manuela destacou que o Fórum nasceu da necessidade de fortalecer as mulheres que estão à frente das políticas públicas nos municípios.
“Nosso objetivo é organizar coletivamente as mulheres gestoras que fazem as políticas públicas acontecerem em seus territórios. Por meio do Fórum, construímos caminhos que fortalecem a atuação dessas profissionais e ampliam sua autonomia para enfrentar os desafios locais”, afirmou.
Criado como espaço permanente de articulação, o Fórum reúne atualmente representantes de 52 dos 79 municípios sul-mato-grossenses. A estrutura é composta por dez gestoras, entre titulares e suplentes, representando todas as regiões do Estado. Os encontros acontecem quinzenalmente e têm como foco a discussão dos fluxos da rede de atendimento, a auto-organização das gestoras e a construção conjunta de estratégias para fortalecer as políticas públicas para mulheres.
Segundo a subsecretária, a troca constante entre os municípios têm produzido resultados concretos.
Mediado por Manuela Nicodemos, painel trouxe propósitos e metas do Fórum Permanente.
“A troca de experiências tem colaborado para dar visibilidade aos problemas enfrentados nos territórios, mas também para encontrar soluções. As gestoras compartilham desafios, aprendizados e boas práticas que ajudam outras cidades a avançarem”, ressaltou.
Manuela também chamou atenção para a necessidade de ampliar o olhar sobre as políticas públicas para mulheres. “A pauta da violência nos consome muito, porque é urgente, mas a vida das mulheres não é atravessada apenas pela violência. Precisamos falar de autonomia financeira, saúde, trabalho, participação política e acesso a oportunidades. As políticas públicas para mulheres precisam estar presentes em todas as áreas da gestão pública”, pontuou.
Entre as metas do Fórum estão a ampliação da representatividade municipal e a criação de grupos temáticos voltados a áreas como saúde da mulher, participação política, autonomia econômica e fortalecimento institucional das políticas públicas.
Experiências dos territórios
Representando a região de Rio Brilhante, Francis Jaqueline destacou a importância de fortalecer institucionalmente as políticas públicas para mulheres nos municípios e ampliar o diálogo com gestores e prefeitos.
“Precisamos trabalhar dentro das diretrizes das políticas públicas para mulheres e olhar para todas elas. Não se trata apenas de reduzir índices de violência, mas de garantir direitos, oportunidades e cidadania”, afirmou.
À frente da política pública para mulheres em Rio Brilhante, Francis compartilhou experiências da região.
Segundo ela, fortalecer as políticas públicas para mulheres significa assegurar que os municípios compreendam seu papel na promoção da igualdade e na garantia de direitos.
“Queremos que essa discussão chegue aos prefeitos e às gestões municipais para que possamos fortalecer cada vez mais essa política. Precisamos olhar para todas as mulheres e para todas as suas necessidades”, ressaltou.
De Corumbá, Wânia Alecrim compartilhou experiências relacionadas aos desafios da região de fronteira e à necessidade de articulação permanente entre diferentes instituições.
“A política pública para mulheres não pode ser construída de forma isolada. É preciso envolver toda a rede, conhecer os territórios e entender suas especificidades para construir respostas efetivas”, destacou.
De Corumbá, Wania Alecrim narrou desafios de viver na cidade de MS onde o Brasil faz fronteira com a Bolívia.
Ela também apresentou resultados da Patrulha Maria da Penha no município, considerada referência no Estado, e reforçou a importância da integração entre poder público, sistema de justiça e sociedade civil.
“Quando pensamos em proteção às mulheres, precisamos envolver todas as instituições. A articulação entre os diversos setores é o que possibilita construir respostas concretas para as demandas de cada território”, afirmou.
Wânia também defendeu que as gestões municipais documentem suas experiências e boas práticas para garantir a continuidade das políticas públicas. “Os mandatos passam, mas as políticas públicas precisam permanecer. Por isso, é importante registrar processos, experiências e resultados para que esse legado continue beneficiando outras mulheres.”
Representando a região de Ponta Porã, Eliana Rodrigues de Souza Barbosa apresentou iniciativas voltadas à autonomia econômica e ao fortalecimento das mulheres da região de fronteira. Entre elas está a transformação do antigo Casarão do Itamaraty em um espaço de capacitação e qualificação profissional, além de ações desenvolvidas em parceria com universidades, instituições de ensino e organismos internacionais.
Desafios e também conquistas foram descritas pela gestora da política de Ponta Porã, Eliana Barbosa.
“Trabalhamos para alcançar todas as mulheres, seja no campo, nas aldeias, nos assentamentos ou em situação de privação de liberdade. Sozinhos não construímos nada. É a força da rede que torna possível transformar realidades”, afirmou.
A coordenadora também destacou o trabalho binacional realizado entre Brasil e Paraguai para enfrentamento da violência e promoção dos direitos das mulheres na região de fronteira.
“Temos reuniões permanentes envolvendo instituições dos dois países porque entendemos que a proteção das mulheres exige atuação conjunta. Quando a rede trabalha unida, conseguimos avançar muito mais.”
Momento em que representantes dos municípios sinalizaram que já aderiram ao Protege.
Representando Maracaju, Jamaica do Carmo ressaltou o papel das redes intersetoriais no acolhimento e proteção das mulheres.
“Quando investimos na rede e fortalecemos sua articulação, deixamos de permitir que aquela mulher enfrente seus desafios sozinha. O poder público passa a caminhar ao lado dela, envolvendo assistência social, saúde, segurança pública, educação e demais instituições.”
Para ela, a consolidação das políticas públicas para mulheres depende do fortalecimento dessas conexões.
“Se não tivermos uma rede ativa, forte e articulada, muitas ações acabam parando no meio do caminho. Quando todos os órgãos trabalham juntos, conseguimos oferecer proteção, acolhimento e oportunidades para quem mais precisa.”
Gestores reforçam compromisso
Prefeito de Batayporã, Germino Roz, assinando carta-compromisso proposta pelo Fórum.
A participação do Fórum também mobilizou prefeitos e prefeitas presentes no Congresso, que destacaram a importância de ampliar o debate sobre a proteção, a autonomia e a garantia de direitos das mulheres nos municípios.
Prefeito de Batayporã, Germino Roz ressaltou que a construção de uma sociedade mais justa para as mulheres também depende do envolvimento ativo dos homens, especialmente daqueles que ocupam espaços de liderança e tomada de decisão.
“As mulheres já sabem muito bem o que almejam e o que querem. Nós, homens, é que precisamos aprender mais sobre esse tema. Por mais que escutemos palestras, acompanhemos notícias ou participemos de debates, ainda precisamos compreender profundamente o que podemos apoiar, o que devemos defender e como devemos nos posicionar.”
Segundo o prefeito, a defesa das políticas públicas para mulheres deve estar acima de disputas ideológicas ou partidárias.
“Essa não é uma discussão partidária. É uma discussão em defesa da vida. Somos um país que ainda massacra mulheres e precisamos reduzir esses índices. Isso só será possível por meio de um debate sincero, justo e do reconhecimento de que vivemos em uma cultura machista que precisa ser transformada.”
Germino também destacou a responsabilidade dos gestores públicos nesse processo. “Nós temos voz, representamos instituições e somos observados pela população. Precisamos usar esse espaço para defender as políticas públicas para as mulheres, incentivar mudanças de comportamento e reconhecer o quanto determinadas práticas ainda interferem na vida delas. Quando entendermos verdadeiramente esse impacto, estaremos dando um passo importante na direção da sociedade que queremos construir.”
Parte do público presente no painel dentro do 4º Congresso dos Municípios.
Ao final, o prefeito parabenizou o Fórum Permanente Estadual de Gestoras Municipais de Políticas Públicas para Mulheres, as participantes do painel, e convidou outros gestores municipais a se somarem à iniciativa.
A prefeita de Brasilândia, Márcia Amaral, também destacou a importância da presença do Fórum no Congresso como forma de sensibilizar gestores municipais e fortalecer a construção de políticas públicas específicas para as mulheres.
“É de grande importância ver esse espaço ocupado pelo Fórum e esse convite sendo feito aos prefeitos para abraçarem essa causa. As mulheres precisam ser valorizadas em todas as políticas públicas, mas valorizadas de fato, com legislação própria, recursos direcionados e ações que realmente aconteçam na vida delas”, afirmou.
Para a prefeita, a escuta qualificada é um dos principais instrumentos para a construção de políticas públicas efetivas. “Precisamos ouvir as mulheres, entender quais são as dificuldades que elas enfrentam e verificar se as políticas públicas estão chegando até elas. É preciso saber se estão sendo acolhidas, cuidadas e atendidas em suas necessidades.”
Subsecretária da Mulher, Manuela Nicodemos Bailosa, ao lado da prefeita de Brasilândia, Márcia Amaral e da secretária da Mulher do município, Patrícia Aparecida Lopes.
Márcia ressaltou ainda o papel estratégico dos organismos de políticas para mulheres na identificação das demandas locais.
“A Secretaria da Mulher de Brasilândia se torna um apoio fundamental porque é a partir da escuta que conseguimos compreender a realidade de cada mulher e desenvolver políticas específicas para responder a essas necessidades.”
Como exemplo, ela citou uma iniciativa implantada em Brasilândia para apoiar mulheres em situação de violência. “Percebemos que muitas mulheres não tinham para onde voltar após romper um ciclo de violência. Então criamos um programa de auxílio-aluguel custeado pelo município. Durante esse período, elas recebem suporte da rede de atendimento para reconstruir suas vidas, cuidar de suas famílias e conquistar autonomia. São ações como essa que mostram como a política pública pode transformar realidades.”
Ao longo do Congresso, o Fórum também apresentou sua Carta de Compromisso com o Fortalecimento das Políticas Públicas Municipais para as Mulheres, documento que incentiva prefeitos e prefeitas a investirem na institucionalização, no financiamento e na continuidade dessas políticas.
Paula Maciulevicius, Comunicação da Cidadania Fotos: Paula Maviulevicius
A deriva de herbicidas hormonais já provocou mais de 400 ocorrências registradas em vinhedos do Rio Grande do Sul desde 2018 e passou a ser considerada um fator permanente de risco para a expansão da vitivinicultura em diferentes regiões do estado.
O levantamento realizado pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Feeng), a partir de dados oficiais da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), identificou que aproximadamente 700 hectares de vinhedos foram diretamente afetados no período analisado.
Nas regiões mais impactadas, o universo de áreas expostas ao problema supera 4 mil hectares distribuídos em cerca de 45 municípios gaúchos. Os dados apontam perdas de produtividade entre 20% e 55% nas áreas atingidas. Em algumas situações, os prejuízos podem ultrapassar 80% da produção.
A maior parte dos registros está concentrada em regiões onde a vitivinicultura divide território com sistemas agrícolas extensivos que utilizam herbicidas hormonais para o controle de plantas daninhas. Entre os princípios ativos mais utilizados estão o 2,4-D, dicamba, picloram e fluroxipir.
No entanto, os efeitos vão além da redução imediata da safra. O estudo aponta que a deriva pode provocar abortamento floral, menor pegamento dos frutos, deformações vegetativas e enfraquecimento das videiras. Em situações mais severas, os produtores precisam investir na recuperação ou até mesmo na renovação completa dos vinhedos.
A pesquisa identificou ocorrências em praticamente todas as regiões produtoras de vinho do estado, incluindo Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Região Central, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missões e, de forma mais pontual, a Serra Gaúcha. Segundo a professora doutora Shana Sabbado Flores, uma das coordenadoras do trabalho, o fenômeno deixou de ser percebido como um episódio isolado pelos produtores.
“Os resultados indicam que a deriva deixou de ser percebida pelos produtores como um evento pontual e passou a ser considerada um fator permanente de risco. Isso tem reflexos diretos sobre investimentos, expansão da atividade e perspectivas de desenvolvimento da vitivinicultura em diferentes regiões do Rio Grande do Sul”, comentou.
Para os pesquisadores, a sustentabilidade da agricultura gaúcha depende da convivência entre diferentes sistemas produtivos. O desafio, segundo o estudo, está em desenvolver mecanismos que permitam o avanço simultâneo das diversas cadeias agrícolas sem comprometer a competitividade da vitivinicultura.
Os resultados completos da pesquisa serão apresentados no próximo dia 17 de junho, em Dom Pedrito, durante evento promovido pelo Consevitis-RS.
Opções sustentáveis dentro dos vinhedos
A preocupação crescente com o tema tem levado parte do setor a rever práticas agrícolas e buscar alternativas para reduzir a dependência de insumos químicos, além do impacto da deriva de propriedades vizinhas.
Na campanha Gaúcha, a vinícola Salton tem intensificado a substituição gradual de herbicidas por plantas de cobertura nos vinhedos próprios localizados em Santana do Livramento. Desde 2021, o sistema utiliza gramíneas de inverno, como o azevém, para controlar plantas espontâneas, reduzir a erosão e contribuir para a conservação do solo.
Neste ano, a empresa entrou no Escopo 3, metodologia que contabiliza impactos ambientais gerados ao longo de toda a cadeia produtiva, desde a compra de insumos até a entrega do produto ao consumidor final. A iniciativa coloca a vinícola entre as pioneiras do setor vitivinícola brasileiro na adoção desse tipo de inventário.
Os três casos graves investigados após a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan – entre eles, duas mortes – ocorreram em profissionais da atenção primária à saúde, segundo o Ministério da Saúde. O órgão anunciou, nesta segunda-feira (8/6), a suspensão temporária e preventiva da vacinação com o imunizante.
De acordo com o ministério, cerca de 500 mil doses da vacina foram aplicadas em todo o país. Nesse período, foram notificados 42 casos de reações adversas graves, que podem estar associados ao imunizante do Butantan.
Entre a ocorrências, estão três casos graves. O primeiro envolve uma mulher, de 39 anos, que apresentou febre, dores musculares e náuseas, seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro compatível com dengue grave, com choque e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI). A paciente já recebeu alta hospitalar.
Duas mortes suspeitas
O segundo caso, um óbito, foi o de uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave associados a comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, 19 dias após a vacinação.
O terceiro caso, também de morte, ocorreu com um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber o imunizante. O paciente evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e veio a óbito.
Vacina do Butantan
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo com esquema de dose única. A estratégia de vacinação teve início neste ano, com prioridade para profissionais da área da saúde.
A suspensão, adotada enquanto as autoridades sanitárias investigam a possível relação entre os eventos e a aplicação da vacina, passará a valer a partir desta terça-feira (9/6).
Como medida de precaução, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento.
A recomendação tem como objetivo monitorar possíveis efeitos adversos e garantir atendimento médico adequado caso surjam sintomas após a imunização.
Devem ser observados:
Febre;
Dor abdominal intensa e contínua;
Vômitos persistentes;
Tontura;
Sangramentos;
Sonolência intensa;
Irritabilidade;
Sinais de desidratação;
Piora do estado geral.
A vacina estava sendo aplicada em campanhas de imunização em massa, em estados como Minas Gerais, São Paulo e Tocantins, nas seguintes cidades: Nova Lima (MG), em Maranguape (CE), em Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO).
Os casos graves, no entanto, segundo o Ministério da Saúde, não foram registrados nesses locais.
A confirmação de um novo episódio de El Niño para a temporada 2026/27 reacendeu a atenção do setor lácteo brasileiro e internacional. Embora o fenômeno climático não tenha apresentado, historicamente, uma relação direta com a produção total de leite, especialistas alertam que seus efeitos sobre pastagens, disponibilidade de alimentos para o rebanho, sanidade animal e custos de produção podem influenciar significativamente o mercado nos próximos meses.
Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), existe uma probabilidade de 63% de que o El Niño atinja intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O período coincide com a estação chuvosa nas principais regiões produtoras da América do Sul, considerada fundamental para a formação das pastagens e para o desenvolvimento das lavouras destinadas à alimentação animal.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se tornam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global e modifica os padrões de chuva e temperatura em diversas partes do mundo.
No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região, enquanto o Sul tende a registrar chuvas acima da média, o Nordeste normalmente enfrenta condições mais secas. Já o Sudeste e o Centro-Oeste costumam apresentar maior irregularidade nas precipitações e temperaturas mais elevadas.
Segundo Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX, o fenômeno exige atenção porque interfere diretamente nas condições de produção.
“Os principais impactos sobre o leite envolvem a disponibilidade de forragem e o estresse térmico, com reflexos na produção e na produtividade animal. Há também efeitos indiretos, como dificuldades logísticas e de captação, maior incidência de doenças no rebanho e nas pastagens, além de aumento nos custos de produção, especialmente com alimentação, tanto volumoso quanto ração”, explica.
Apesar dessas preocupações, os dados históricos analisados pela StoneX mostram que não existe uma correlação clara entre os episódios de El Niño e o desempenho da produção brasileira de leite. Isso ocorre porque o Brasil possui uma distribuição geográfica muito ampla da atividade, presente em praticamente todos os municípios do país.
Em muitos casos, os impactos negativos observados em determinadas regiões acabam sendo compensados por condições mais favoráveis em outras áreas produtoras.
“Embora o El Niño apresente um viés levemente negativo, os dados mostram que tanto períodos de El Niño quanto de La Niña podem gerar desvios positivos ou negativos em relação à tendência de produção. Os efeitos tendem a se contrabalançar entre as regiões”, destaca Juliana.
Nos últimos anos, o Nordeste ampliou sua participação na produção brasileira de leite graças à adoção de tecnologias, melhorias na formalização da cadeia e uso de forrageiras adaptadas ao clima local. No entanto, o avanço do El Niño pode representar um obstáculo para esse crescimento.
Os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas estão entre os mais expostos ao risco de redução das chuvas. As previsões indicam maior probabilidade de déficit hídrico entre fevereiro e março de 2027, período em que a disponibilidade de água é fundamental para a manutenção das pastagens e para a alimentação dos rebanhos.
A diminuição das precipitações pode comprometer a produção de forragem, aumentar os custos com suplementação alimentar e reduzir a produtividade das vacas leiteiras.
No Centro-Oeste e no Sudeste, onde estão alguns dos maiores polos produtores do país, o desafio tende a ser diferente. Minas Gerais, líder nacional na produção de leite, e Goiás podem enfrentar um cenário marcado por chuvas irregulares e temperaturas acima da média.
Nessas regiões, a preocupação se concentra especialmente na chamada safra do leite, período compreendido entre outubro e março. Durante esses meses, as condições climáticas determinam o desenvolvimento das pastagens e das culturas destinadas à produção de silagem, principalmente o milho.
Além disso, o aumento das temperaturas representa um risco importante para os rebanhos. O estresse térmico reduz o consumo de alimento, compromete a reprodução e afeta diretamente a produção de leite.
Internacional
Enquanto parte do Brasil pode enfrentar dificuldades, a região Sul e os países do Mercosul tendem a apresentar um cenário mais favorável. Argentina, Uruguai e os estados do Sul brasileiro devem receber volumes de chuva acima da média, o que favorece a produção de pastagens e a oferta de silagem para os rebanhos.
Essa condição pode contribuir para uma maior disponibilidade de alimento e para melhores índices produtivos. No entanto, especialistas alertam que o excesso de umidade também traz desafios. Chuvas muito intensas podem dificultar o manejo nas propriedades, prejudicar o plantio de forragens, aumentar a incidência de doenças e criar obstáculos para a logística de coleta do leite.
O impacto do El Niño também é acompanhado de perto no mercado internacional. Nova Zelândia e Austrália, dois dos principais exportadores mundiais de lácteos, possuem sistemas de produção fortemente baseados em pastagens e, por isso, costumam ser apontados como mais sensíveis às alterações climáticas.
Na Austrália, a expectativa é de condições mais quentes e secas nas principais regiões produtoras, o que pode limitar o crescimento das pastagens. Já na Nova Zelândia, os efeitos tendem a ser mais heterogêneos, com algumas áreas registrando mais chuvas e outras enfrentando condições mais secas.
Ainda assim, os estudos da StoneX mostram que, assim como ocorre no Brasil, não há uma correlação consistente entre os índices do El Niño e a produção de leite na Oceania. Fatores estruturais, tecnológicos e econômicos costumam exercer influência mais significativa sobre os resultados da atividade.
Rentabilidade
Para os analistas, o principal ponto de atenção não está necessariamente na produção de 2026, mas sim nos possíveis reflexos para 2027. Neste ano, a atividade ainda deverá responder principalmente aos níveis de rentabilidade do produtor e às condições de mercado. Entretanto, se o El Niño confirmar a intensidade projetada e permanecer ativo por um período prolongado, os impactos sobre a oferta de leite poderão se tornar mais evidentes.
Nesse cenário, uma eventual redução da produção em regiões importantes, combinada a custos mais elevados de alimentação e manejo, poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda e sustentar movimentos de alta nos preços do leite e dos derivados.
Mais do que prever uma queda generalizada na produção, a análise reforça que o setor lácteo precisará acompanhar de perto a evolução das condições climáticas ao longo dos próximos meses. Em um mercado cada vez mais dependente de eficiência produtiva e gestão de custos, a capacidade de adaptação dos produtores às mudanças impostas pelo clima poderá ser decisiva para os resultados da atividade em 2027.