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Defesa de Jairinho questiona quebra de sigilo de celular encontrado em cela


A defesa do ex-vereador Dr. Jairinho enviou uma petição nesta segunda-feira (6), questionando a quebra de sigilo do celular encontrado na cela do condenado pela morte de Henry Borel.

Os advogados argumentam na petição que o juízo atual é incompetente para autorizar a extração de dados. Segundo a defesa, o promotor Fábio Vieira dos Santos, que pediu a quebra, não tem essa atribuição, e a juíza Elizabeth Machado Louro, que aceitou o pedido, também não.

A juíza foi quem conduziu o júri responsável pela condenação de 43 anos de prisão de Jairinho pela morte do menino Henry Borel. A defesa argumenta que o celular foi apreendido após o julgamento e não tem relação com o fato julgado.

Outro questionamento feito pelos advogados é o fato de o aparelho ser encaminhado ao Ministério Público e não ao Instituto de Criminalística. “O que será que eles querem fazer com o equipamento, entregando-o à própria acusação e não ao órgão oficial?”, disse Rodrigo Faucz, um dos advogados de Jairinho.

A defesa pede que a decisão que autorizou a quebra de sigilo dos dados do celular seja anulada ou reconsiderada, indeferindo totalmente o pedido do Ministério Público. Como alternativa, solicitam a suspensão da decisão até que o recurso ou impugnação a ser apresentada seja julgado.

Escondido nos livros

A apreensão ocorreu após um trabalho de inteligência indicar que o detento estaria com um aparelho eletrônico, que foi encontrado após ser escondido na cela no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó.

Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seap), o celular foi localizado escondido entre livros que Jairinho mantinha no local.

Condenado a 43 anos de prisão pela morte do menino Henry Borel, Jairinho será submetido a um procedimento disciplinar e ficará em isolamento. A Corregedoria da Seap também investigará como o aparelho entrou na unidade prisional e se houve participação de servidores. O caso foi encaminhado à Polícia Civil.



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Caso Deolane: MP rebate OAB e diz que 38 advogados estão presos em SP sem Sala de Estado-Maior


Um levantamento apresentado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) aponta que 38 advogados estão cumprindo prisão preventiva em celas especiais do estado sem que haja registro de pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por transferência para Sala de Estado-Maior.

Os dados estão anexados no parecer do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que se manifestou contra o pedido da influenciadora Deolane Bezerra Santos para ser transferida de unidade ou cumprir prisão domiciliar. O julgamento do habeas corpus da advogada está marcado para esta segunda-feira (6). A informação foi confirmada pela Jovem Pan.

A atuação da OAB-SP no caso de Deolane tem chamado a atenção pela diferença com o tratamento dado a outros profissionais. Enquanto a entidade ingressou recentemente como “amiga da corte” em um habeas corpus para transferir a influenciadora a uma Sala de Estado-Maior — ambiente com banheiro privativo, iluminação natural e sem características prisionais —, o levantamento da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) revela que outros advogados cumprem prisão em celas comuns no estado sem que a Ordem tenha feito o mesmo pedido.

Segundo os investigadores da Operação Vérnix, a OAB não atuou para garantir o benefício da Sala de Estado-Maior a esses outros presos. Em sua defesa, a instituição afirma que presta assistência a 100% dos advogados que solicitam acompanhamento e destaca que, desde agosto de 2023, já formulou 27 pedidos de habeas corpus para profissionais que pediram ativamente o apoio da Ordem.

Diante do cenário, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco, argumentou que o sistema prisional de São Paulo já garante os direitos dos advogados por meio de estruturas equivalentes. O documento também destaca que os tribunais superiores autorizam que o preso fique em uma cela individual isolada e limpa quando a cidade não possui uma Sala de Estado-Maior disponível.

De acordo com o MP, “a condição especial atinente à acusada Deolane é plenamente atendida pela unidade prisional”. O promotor acrescentou no texto que “seus direitos e prerrogativas estão inteiramente preservados e respeitados, nos termos do que se oferece aos demais presos recolhidos no Sistema Prisional do Estado de São Paulo que também apresentam a qualidade de advogados”.

Para reforçar esse argumento, o Ministério Público anexou dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) indicando que os 38 advogados presos em São Paulo ocupam instalações isoladas da massa carcerária comum, sem registros de recursos da OAB-SP pedindo Salas de Estado-Maior para esses custodiados.

Condições do Pavilhão Especial

Os questionamentos sobre a infraestrutura da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, onde Deolane se encontra presa, foram respondidas pela direção da unidade por meio de relatório técnico enviado ao MP. O documento rebateu os questionamentos da defesa sobre as dimensões e habitabilidade – conforto – do Pavilhão Especial.

O Complexo Penal informou no ofício que “as medidas efetivamente aferidas da habitação são de aproximadamente 2,20 metros de largura por 3,30 metros de comprimento, perfazendo área total de 7,26 m²“. Segundo a administração prisional, o espaço supera o parâmetro regulamentar mínimo de 6,00 m² estabelecido pelas Diretrizes Básicas para Arquitetura Penal.

O documento também afirmou que a instalação de um bebedouro no pavilhão coincidiu com o ingresso de Deolane, mas que se tratou de uma benfeitoria estrutural de uso coletivo. “Não houve, entretanto, qualquer relação de causalidade entre os fatos, tampouco concessão de benefício individualizado”, diz o relatório.

STJ nega soltura imediata

No último dia 1º, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de soltura imediata de Deolane Bezerra. A decisão foi proferida pelo ministro Ribeiro Dantas no habeas corpus que tramita em segredo de Justiça. Em nota enviada à Jovem Pan, a defesa da advogada afirmou que a decisão avaliou apenas a liminar, e não o mérito, que buscava a soltura até o julgamento do caso. Os advogados ressaltaram ainda que Deolane está à disposição da Justiça e colabora com as autoridades.

O mérito do pedido será julgado pela 5ª Turma do STJ em agosto. No dia 9 de junho, a Justiça já havia negado outro pedido de liberdade. Na ocasião, a Quinta Turma do STJ manteve a decisão liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que determinava a manutenção da prisão. O relator justificou que o caso exige uma análise mais profunda, não havendo ilegalidade que justificasse um “pronunciamento antecipado”, e solicitou celeridade ao tribunal paulista para o andamento do processo.

Deolane Bezerra foi presa na manhã de 21 de abril durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo MP-SP e pela Polícia Civil para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com investigadores, a influenciadora atuaria como “caixa” da facção, recebendo depósitos em espécie provenientes do caixa do PCC sob ordens da cúpula criminosa.

As investigações, conduzidas pelo Gaeco de Presidente Prudente e pela Polícia Civil de Presidente Venceslau, começaram em 2019 após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau.

Os inquéritos identificaram que a empresa Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, era utilizada como braço financeiro para ocultar e movimentar recursos ilícitos, tendo movimentado mais de R$ 20 milhões com incompatibilidade milionária junto ao Fisco. A Justiça já havia reconhecido a transportadora como instrumento de lavagem de capitais do PCC.

Além da influenciadora, a operação teve como alvos o chefe do PCC, Marco Herbas Camacho (o Marcola); seu irmão, Alejandro Camacho; os sobrinhos Paloma e Leonardo Camacho; e o apontado operador financeiro Everton de Souza.

Conversas interceptadas revelaram que o esquema era comandado mesmo de dentro do sistema penitenciário federal pela liderança da facção, com familiares e pessoas próximas atuando na administração financeira e na divisão dos lucros.

A Jovem Pan entrou em contato com a OAB-SP, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para manifestação.



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Carro explode em acidente em Osasco e mata três pessoas, incluindo uma criança


Três pessoas morreram carbonizadas após uma colisão entre dois carros na Rodovia Castelo Branco, em Osasco, Grande São Paulo, no fim da noite de domingo (5).

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 23h49, no km 17 da rodovia, na altura do bairro Rochdale, no sentido interior. Três viaturas foram mobilizadas para a ocorrência.

As vítimas são dois adultos e uma criança, que ficaram presas às ferragens de um dos veículos, que pegou fogo após a batida. Os três morreram no local.

O motorista do outro veículo foi socorrido sob escolta policial com ferimentos leves pela equipe de atendimento da concessionária responsável pela rodovia. O homem não autorizou a realização do teste do bafômetro.



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Inflação anual na OCDE acelera para 4,6% em maio com alta da energia


A inflação ao consumidor nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acelerou para 4,6% em maio de 2026, na comparação anual, ante 4,4% em abril, impulsionada principalmente pela alta dos preços de energia, informou a entidade nesta segunda-feira, 6. O avanço da inflação cheia ocorreu em 16 dos países-membros, enquanto houve desaceleração em oito e estabilidade em outros 14.

Segundo a OCDE, a inflação de energia subiu de 13,2% em abril para 15,8% em maio, com aceleração em 26 dos 37 países com dados disponíveis. Canadá, Lituânia, Turquia e Estados Unidos registraram inflação de energia acima de 20%, enquanto Costa Rica, Dinamarca, Islândia, Japão e Noruega apresentaram variação negativa nesse componente.

Em contrapartida, a inflação de alimentos recuou 0,4 ponto porcentual, para 3,6%, na maior parte das economias da OCDE. Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, avançou para 3,8%, alta de 0,2 ponto porcentual.

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No G7, a inflação anual subiu de 3,2% em abril para 3,5% em maio, refletindo uma nova aceleração dos preços de energia, cuja inflação atingiu 17%, o maior nível desde novembro de 2022. O indicador avançou em Canadá, França, Itália e Estados Unidos, mas recuou na Alemanha após a implementação de um programa de subsídios aos combustíveis. O Japão manteve a menor inflação do grupo, em 1,5%, beneficiado por subsídios governamentais para combustíveis e serviços públicos.

Na zona do euro, a inflação anual medida pelo índice harmonizado de preços ao consumidor (HICP) aumentou de 3% em abril para 3,2% em maio. A prévia da Eurostat, porém, aponta desaceleração para 2,8% em junho, com arrefecimento tanto da inflação de energia quanto do núcleo.

Entre os países do G20, a inflação anual avançou de 4,3% em abril para 4,5% em maio, com aceleração observada, entre outros, em Brasil, Argentina, Índia, Indonésia e África do Sul.



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Exportações de frango batem recorde no primeiro semestre

As exportações brasileiras de carne de frango atingiram recordes de volume e receita no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (6) pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Em junho, os embarques de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, somaram 482,8 mil toneladas, alta de 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o país exportou 343,4 mil toneladas.

A receita obtida com as exportações no mês alcançou US$ 985,5 milhões, crescimento de 54,7% na comparação com junho do ano passado, quando o setor registrou US$ 637 milhões.

Com o desempenho de junho, o Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 2,936 milhões de toneladas exportadas, volume 12,9% superior ao registrado entre janeiro e junho de 2025, quando os embarques totalizaram 2,6 milhões de toneladas.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a receita das exportações chegou a US$ 5,7 bilhões, aumento de 17% em relação aos US$ 4,871 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Entre os principais destinos das exportações em junho, a China liderou as compras, com 50,1 mil toneladas embarcadas. 

Na sequência aparecem Japão, Emirados Árabes Unidos e  Arábia Saudita, com 46,6 mil, 46,2 mil e 33,1 mil toneladas, respectivamente.

A União Europeia aparece em seguida, com 28 mil toneladas; a África do Sul com 26,3 mil toneladas e 25,4 mil toneladas embarcadas para o México. Coreia do Sul, Filipinas e Singapura  também configuram entre os principais destinos.

Segundo a ABPA, há uma alta relacionada à baixa base de comparação de junho de 2025, período em que houve restrições temporárias às exportações em decorrência do único caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade registrado em uma granja comercial no Brasil, situação posteriormente superada.

Entre os estados exportadores, o Paraná permaneceu na liderança em junho, com 199,3 mil toneladas embarcadas. Em seguida aparecem Santa Catarina, com 103,3 mil toneladas, Rio Grande do Sul, com 56,7 mil toneladas, São Paulo, com 29,9 mil toneladas, e Goiás, com 29,4 mil toneladas.

Em nota, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, afirmou que os resultados foram alcançados em um cenário marcado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e por desafios logísticos nas rotas marítimas ligadas ao Estreito de Ormuz. 

Segundo ele, “mesmo diante desse cenário, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que manteve forte presença no Oriente Médio e expandiu oportunidades em mercados emergentes”.

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O que se comemora em SP no feriado de 9 de julho?


Nesta quinta-feira, 9 de julho, o estado de São Paulo celebra o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932. A data, que marca um dos episódios políticos e militares mais importantes da história paulista, é feriado estadual desde 1997 e altera a rotina, o trânsito e o funcionamento de serviços e comércios em todos os 645 municípios do estado.

O levante armado teve início quando as tropas e a sociedade paulista se rebelaram contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Após a Revolução de 1930, Vargas havia suspendido a Constituição de 1891 e governava o país por decretos, centralizando o poder. O principal objetivo do movimento de 1932 era a convocação imediata de uma Assembleia Nacional Constituinte e a elaboração de uma nova Constituição, visando o retorno à legalidade democrática.

Embora São Paulo tenha sido derrotado militarmente após quase três meses de combates contra as forças federais — com centenas de mortes —, os historiadores consideram que o estado obteve vitória política. A pressão gerada pelo conflito obrigou o governo federal a realizar eleições para a Assembleia Constituinte no ano seguinte, culminando na promulgação da Constituição de 1934.

Para trabalhadores e estudantes, o 9 de julho representa uma das poucas pausas no calendário durante o segundo semestre. Além do feriado paulista, julho conta apenas com o feriado estadual da Independência da Bahia, em 2 de julho. A próxima folga de âmbito nacional ocorre apenas em 7 de setembro, com a celebração da Independência do Brasil.

*texto produzido com auxílio de IA



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Advogado que organizou o próprio velório em vida morre aos 49 anos em MS


O advogado Tiago Pitthan, conhecido por organizar o próprio velório em vida, morreu aos 49 anos, em Campo Grande (MS), no domingo (5). Ele estava internado em decorrência de um câncer de estômago em estágio avançado.

A morte foi confirmada por familiares por meio das redes sociais. Antes de falecer, Pitthan publicou um vídeo de despedida no qual afirmou estar em paz e ressaltou que sua vida havia valido a pena.

No dia 30 de maio, o advogado ganhou repercussão nacional ao realizar um evento para reunir amigos e familiares. O “velório em vida” ocorreu em Campo Grande e contou com apresentações musicais de samba, rock e bossa nova.

Na ocasião, Tiago Pitthan afirmou que desejava estar presente na própria despedida para celebrar sua história e ouvir os relatos de pessoas próximas, evitando o clima de tristeza tradicional das cerimônias fúnebres.

O diagnóstico de adenocarcinoma gástrico foi realizado em março de 2024. Após a descoberta de metástases no intestino e no peritônio, a cirurgia curativa deixou de ser uma opção médica. Pitthan passou a receber cuidados paliativos, que incluíam quimioterapia e imunoterapia para controle dos sintomas e manutenção da qualidade de vida.

Durante o tratamento, o advogado manteve atividades de lazer e realizou desejos pessoais, como aprender a tocar guitarra e saltar de paraquedas.

O velório será realizado nesta segunda-feira (6), no Memorial Park, em Campo Grande. Em nota, a família informou que a cerimônia seguiu o desejo de Pitthan de ser um momento de união entre amigos.





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Último terço da compra de fertilizantes concentra risco para safra de soja

A comercialização de fertilizantes para a safra atual entra em uma fase decisiva. Embora as compras para a soja acompanhem o ritmo do ano passado, o último terço da demanda concentra os maiores riscos de alta de preços e dificuldades de abastecimento, especialmente para fertilizantes fosfatados.

Segundo o analista de insumos do Rabobank, Bruno Fonseca, até meados de junho o volume de compras para a soja estava próximo do registrado no mesmo período do ano passado, com cerca de dois terços da demanda da safra já fechados. As atenções se voltam, segundo ele, para esse último terço, em relação ao volume comprado e ao ritmo de entrega dos insumos.

Culturas como milho, café, cana-de-açúcar e citros vivem, segundo o analista, uma situação de margem mais tranquila e, por isso, têm conseguido acessar fertilizantes sem grandes dificuldades. A soja é apontada como a cultura sob maior pressão.

Por nutriente, o cenário também é desigual. No potássio, o acesso deve seguir tranquilo, com importações em volume recorde até o final de maio.

Já no fósforo, Fonseca aponta um ponto de atenção: o preço do insumo acumula oito semanas seguidas próximo de US$ 900 por tonelada no porto, patamar que pressiona a margem dos produtores. Segundo ele, os produtores que já fecharam compras tendem a ser os mais capitalizados; o risco maior está justamente no último terço da demanda, formado por quem costuma comprar em cima da hora, grupo que pode acabar pagando mais caro ou até enfrentando dificuldade de acesso ao produto.

Sobre os efeitos do conflito geopolítico do Oriente Médio sobre o consumo, Fonseca pondera que os cenários mais alarmistas traçados no início do conflito tendem a não se confirmar. O Rabobank já revisou sua projeção de entrega de fertilizantes no Brasil de 49 milhões para 47 milhões de toneladas, e o analista sinaliza que uma nova revisão, de cerca de 2 milhões de toneladas, deve ocorrer para 2026. Ainda assim, ele descarta cenários mais extremos, como uma queda para a faixa de 40 milhões de toneladas ou um retorno aos volumes de 2019. Um recuo para cerca de 45 milhões de toneladas, próximo do patamar de 2024, é, na avaliação dele, o cenário mais provável.

Os dados de importação também mostram uma mudança na composição do mix de fosfatados: cresceu a participação de produtos como super triplo e super simples, de menor concentração de nutrientes, em relação aos anos anteriores. Ainda assim, o volume total de P2O5 importado, somando super simples, super triplo e MAP, ficou um pouco acima do registrado no mesmo período do ano passado.

O destaque negativo fica com o MAP: as importações do produto estão no menor nível para os cinco primeiros meses do ano desde 2018, segundo dados da Secex. Entre janeiro e maio deste ano, foi importado cerca de 1 milhão de toneladas de MAP, volume próximo ao de 2018, quando foram importadas 715 mil toneladas no mesmo período. Em todos os outros anos da série, o volume ficou acima de 1,075 milhão de toneladas.

Para Fonseca, esse atraso na chegada de volumes importados deve gerar um período de tensão para empresas e produtores, especialmente para quem deixa a compra de fertilizante mais para o fim do ciclo.

As janelas de acompanhamento, segundo ele, são: até meados de agosto, o foco está nas importações e nas compras para a soja; a partir de agosto, a atenção se volta para o milho safrinha, começando pelas importações de ureia e, na sequência, pela evolução das compras de nitrogenados, já que o produtor tende a concentrar essas compras somente depois de fechar o último terço da demanda de soja, o que deve ocorrer a partir de meados de agosto.

Fonseca não descarta um novo repique de preços nesse momento, quando as áreas de safrinha voltam a demandar insumo de forma simultânea, efeito que pode ser amplificado por uma eventual demanda forte da Índia em leilões de importação e pela própria duração incerta do conflito no Oriente Médio.

Já Wharlhey Nunes, do Itaú BBA, avalia em relatório que deve haver uma “decisão de reduzir adubação fosfatada deve persistir em parte dos produtores, refletindo preços altos e maior restrição financeira”.

“Com a menor disponibilidade de fósforo e preços firmes, aumenta a probabilidade de ajuste no pacote tecnológico e maior exposição ao risco produtivo”, disse o analista.

Para o milho, porém, a avaliação é mais cautelosa. A comercialização da safra segue abaixo da média em praticamente todo o país, enquanto existe uma janela limitada para a entrega dos fertilizantes antes do plantio. A situação é considerada mais preocupante no Centro-Oeste, onde o calendário de semeadura é mais antecipado e as compras estão mais atrasadas. No Sul, embora o cronograma seja mais flexível, o Itaú BBA alerta que, sem perspectiva de queda nos preços do MAP semelhante à registrada na ureia, adiar as compras até o último momento pode representar um risco.

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