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Crédito rural em áreas de risco ambiental soma R$ 92,4 bi desde 2019

As operações de crédito rural público em áreas com alerta de desmatamento acumulam, desde 2019, 831 mil contratos e R$ 92,4 bilhões em volume financiado, segundo dados do novo Monitor do Crédito Rural do MapBiomas.

De acordo com o estudo, mais de 400 instituições financeiras oferecem crédito rural no Brasil, mas 60% do volume de recursos estão concentrados em apenas cinco delas: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.

Em número de operações, o Banco do Nordeste concentrou 56% do total entre 2019 e 2025 (somando 6,67 milhões de contratos). Já em valor total desembolsado nesses sete anos, o Banco do Brasil lidera o ranking com R$ 306 bilhões.

O levantamento revela ainda que mais de 68% das operações contratadas são de investimento e cerca de 58% estão ligadas a atividades pecuárias — sendo 23% voltadas à aquisição de animais e cerca de 27% destinadas ao financiamento de atividades envolvendo bovinos.

A mesma concentração se repete em transações realizadas em áreas de sobreposição a camadas socioambientais, que incluem locais com alertas de desmatamento, embargos ambientais, florestas públicas tipo B (áreas formalmente arrecadadas pelo poder público, mas sem destinação específica), terras indígenas, unidades de conservação e quilombolas.

Nesses locais protegidos ou sob restrição, 63% das operações foram concedidas pelo Banco do Nordeste. Já em volume financeiro, o Banco do Brasil concentra 33% do total de crédito disponibilizado.

Os dados são do MapBiomas Alerta, sistema que identifica alertas de desmatamento e degradação da vegetação nativa em todos os biomas do país e cruza os dados com informações das plataformas de operação de crédito rural público.

Entre os estados, o Piauí lidera em volume de operações com algum tipo de sobreposição a camadas socioambientais, registrando 336 mil contratos entre 2019 e 2025. Já no critério de volume total de crédito liberado nessas áreas, o Tocantins lidera com R$ 13,9 bilhões, seguido por Mato Grosso (R$ 13,3 bilhões) e Rondônia (R$ 13 bilhões).

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Tarifa adicional de 25% dos EUA prejudica competitividade brasileira, avalia CNI


A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada na noite desta quarta-feira (15), a entidade afirmou que a medida intensifica as dificuldades enfrentadas pelas exportações nacionais e aumenta a insegurança para empresas dos dois países.

Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos já são perceptíveis na indústria brasileira e tendem a se agravar com a nova sobretaxa.

Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente.

A CNI informou que, desde o início da adoção das tarifas pelos Estados Unidos, em 2025, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. Conforme a entidade, a queda foi impulsionada principalmente pela redução de 8,7% nas vendas de produtos industriais, com destaque para itens como produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço.

Apesar da retração, os Estados Unidos seguem como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. A confederação também destacou que os reflexos das tarifas atingiram a maior parte do país.



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Yara vê janela de compras de fertilizantes se fechar com atraso de até 16%

A demora dos produtores rurais para fechar a compra de fertilizantes já compromete o abastecimento para a próxima safra de verão e deve reduzir o volume comercializado em 2026. O presidente da Yara Brasil, Marcelo Altieri, afirmou que o mercado já não tem tempo hábil para atender toda a demanda caso os agricultores decidam adquirir os insumos nas próximas semanas.

“O agricultor está aguardando o último momento para tomar a decisão. Esse é o problema: já não dá mais tempo“, afirmou.

Em entrevista exclusiva à CNN Agro, Altieri afirmou que a companhia projeta uma retração de cerca de 12% nas entregas de fertilizantes ao produtor neste ano. Segundo ele, os dados de mercado já mostram um atraso relevante nas compras em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com o executivo, as entregas de fertilizantes ao produtor devem cair de 49 milhões de toneladas, registradas pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) no ano passado, para aproximadamente 43 milhões de toneladas neste ano.

“O que estamos entendendo do mercado é que, comparado com o ano passado, ele está entre 14% e 16% atrás. Eu acho que isso vai se materializar até o final do ano”, disse.

Altieri afirmou que, mesmo que os produtores decidam comprar agora, as limitações logísticas impedem que toda a demanda seja atendida a tempo. “Não vamos conseguir [entregar] porque toma tempo. Você traz o barco, chega, descarrega, tem congestionamento nos portos. Vai ser um desafio para o agricultor.”

O movimento já desloca parte das negociações para a safrinha de milho, cujo plantio começa em janeiro.

Fosfatados

Além do atraso nas compras, o mercado enfrenta preços elevados dos fertilizantes fosfatados, impulsionados por restrições na oferta global de matérias-primas.

O executivo explicou que a produção de fertilizantes fosfatados disputa insumos como enxofre e ácido fosfórico com a indústria de baterias e de transição energética. Ao mesmo tempo, conflitos geopolíticos restringem a oferta de enxofre. “Essa concorrência entre energia e indústria alimentar é o que está gerando uma distorção e mantendo os preços nesses níveis”, afirmou. 

“Essa restrição de matéria-prima faz com que a indústria não consiga produzir tudo o que a demanda exige”, disse. Os preços do fósforo nos portos giram em torno de US$ 900 por tonelada desde meados de abril. 

Segundo ele, a Yara reduziu sua dependência de regiões específicas ao diversificar a origem das matérias-primas e ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado. A empresa também mantém produção local em suas unidades industriais no Rio Grande (RS), Ponta Grossa (PR) e Cubatão (SP).

Enquanto parte da indústria de fertilizantes, como a OCP e Mosaic, reduziu a produção de fosfatados diante do cenário de preços elevados e demanda mais fraca, a Yara manteve seu planejamento para 2026, segundo o executivo. Altieri, porém, afirmou que a principal incerteza está na capacidade de absorção do mercado.

“A gente manteve o que está planejado para o ano. Não estamos reduzindo a produção, mas não sabemos se a demanda vai vir porque a conta está difícil de fechar. Aí é uma decisão que está do lado do agricultor”, disse

Segundo o executivo, diante da pressão sobre a rentabilidade, parte dos produtores pode optar por reduzir as doses de fertilizantes ou buscar outras fontes de nutrientes.

Crédito 

Na avaliação de Altieri, a dificuldade financeira dos agricultores não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Segundo ele, os preços internacionais dos grãos deixaram de acompanhar a alta dos insumos, reduzindo a rentabilidade da atividade.

“É um problema do agricultor no mundo, porque os preços dos grãos não acompanharam a curva dos insumos. O que aconteceu na guerra da Rússia e Ucrânia foi que os preços dos grãos acompanharam e, então, a relação de troca se manteve, e o lucro para o agricultor era até melhor. Mas hoje isso não acontece”, disse.

O executivo também citou os elevados estoques globais de grãos, a menor atuação da China nas compras internacionais, os impactos da quebra de safra em parte dos produtores brasileiros na temporada anterior e o aumento do custo do crédito.

“Os desafios principais são rentabilidade, fluxo de caixa e acesso ao crédito”, afirmou. Segundo ele, o custo do financiamento ao produtor brasileiro hoje gira em torno de 24% ao ano. Altieri acrescentou que a incerteza climática também permanece no radar do setor, especialmente em ano de El Niño. 

Questionado sobre o aumento do financiamento privado diante das dificuldades de acesso ao crédito bancário, Altieri afirmou que a Yara manteve as mesmas linhas de crédito oferecidas aos produtores nos últimos anos. Contudo, o montante não foi ampliado.

Produção nacional

Altieri também avaliou que a produção nacional de fertilizantes deve continuar em queda, e atribuiu o movimento à perda de competitividade da indústria química brasileira frente a outros países. Segundo o executivo, o principal fator é o elevado custo da energia no Brasil, especialmente do gás natural, insumo importante para a produção de fertilizantes.

Como exemplo, ele afirmou que o gás natural no Golfo do México custa entre US$ 3 e US$ 5 por milhão de BTU, enquanto no Brasil o valor varia de US$ 15 a US$ 18 por milhão de BTU.

Além do custo da energia, Altieri afirmou que o Brasil enfrenta uma concorrência estrutural com fabricantes instalados no Hemisfério Norte. Segundo ele, como o país é o principal mercado consumidor de fertilizantes do Hemisfério Sul, empresas estrangeiras aproveitam o período de entressafra em seus mercados para manter as fábricas em operação abastecendo a demanda brasileira.

“Se você vai instalar uma indústria aqui, você tem que ser mais competitivo que os demais na safra baixa”, disse.

Na avaliação do executivo, o país reúne condições para ampliar a produção doméstica de fertilizantes, sobretudo pelo potencial de uso de fontes renováveis de energia, como hidrelétricas, energia solar, eólica e biometano. No entanto, ele defende a adoção de políticas de longo prazo para estimular novos investimentos no setor.

“O Brasil tem o mercado, mas não tem os incentivos nem um marco regulatório que ajude a trazer mais investimento”, disse.

Altieri citou o Plano Nacional de Fertilizantes como uma iniciativa positiva, mas afirmou que o fortalecimento da produção doméstica exige uma estratégia permanente. “Isso tem que ser um plano de país, um plano de longo prazo. Não esperar a crise acontecer. Cada vez que tem uma guerra ou uma distorção geopolítica, todo mundo lembra que poderia produzir mais no Brasil”, defendeu.

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Entenda por que os EUA isentaram a carne bovina brasileira do tarifaço

A carne bovina brasileira ficou fora da tarifa adicional anunciada pelos Estados Unidos. A decisão, já esperada pelo setor exportador, ocorre em um momento de forte dependência do mercado americano das importações, diante da escassez histórica de gado e dos desafios sanitários enfrentados pela pecuária local.

Dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostram que o rebanho bovino americano somava 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro de 2026, o menor nível desde 1951. O número de vacas de corte caiu para 27,6 milhões de cabeças, enquanto a safra de bezerros foi estimada em 32,9 milhões, o menor volume desde 1941.

A redução do rebanho é resultado de um ciclo pecuário marcado por anos de seca em importantes regiões produtoras, aumento dos custos de produção e descarte elevado de matrizes. Mesmo com a melhora das condições climáticas, a recomposição do plantel leva anos, mantendo a oferta de carne limitada.

Diante desse cenário, os Estados Unidos ampliaram as importações de carne bovina para atender à demanda da indústria e do consumo doméstico. O Brasil passou a ocupar um papel estratégico nesse abastecimento, consolidando-se entre os principais fornecedores de carne bovina ao mercado americano.

As projeções mais recentes do USDA indicam que o país deverá importar cerca de 6,1 bilhões de libras, o equivalente a aproximadamente 2,77 milhões de toneladas de carne bovina em 2026. O volume representa um crescimento de cerca de 12% em relação a 2025, quando as compras externas ficaram próximas de 5,45 bilhões de libras, ou aproximadamente 2,47 milhões de toneladas.

Para Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado, a decisão do governo americano segue uma lógica econômica. Segundo ele, os Estados Unidos enfrentam escassez de alguns produtos estratégicos e, por isso, optaram por excluí-los da nova tarifa.

“A carne figurar na lista de exceções é uma estratégia bastante lógica dos Estados Unidos. Assim como café e suco de laranja, são produtos que também devem permanecer nessa lista por um simples motivo: faltam esses produtos no mercado norte-americano hoje”, afirma.

O analista destaca que a escassez de bovinos já indicava que seria difícil para Washington impor uma tarifa adicional sobre a carne brasileira.

“Nós temos uma escassez histórica de gado nos Estados Unidos, com o menor rebanho desde a década de 1970. O entendimento, desde o começo, era de que seria difícil os Estados Unidos impor tarifas sobre a carne bovina justamente por isso.”

Segundo Iglesias, outros setores do agronegócio podem sentir mais os efeitos da medida, mas a carne bovina atende a uma necessidade do mercado americano.

“A escolha de não colocar tarifas sobre o produto brasileiro vai em linha com essa grande necessidade de compra que os Estados Unidos têm hoje.”

Durante a consulta pública promovida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos), que recebeu manifestações de empresas e entidades sobre a proposta de sobretaxar produtos brasileiros, as principais associações da proteína animal brasileira, como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), optaram por não participar das audiências.

Impactos sanitários

Além da restrição na oferta, a pecuária dos Estados Unidos também enfrenta um desafio sanitário. Levantamento da Terra Investimentos, elaborado com base em dados do Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA APHIS), mostra que o país registra 39 casos confirmados da bicheira do Novo Mundo (New World Screwworm), quatro a mais do que na atualização anterior. Desse total, 18 casos permanecem ativos.

Todos os registros ocorreram em animais domésticos, sendo 38 casos no Texas e um no Novo México. Até o momento, não há confirmações da doença em animais silvestres ou ferais nem registros positivos em armadilhas para captura da mosca.

A bicheira do Novo Mundo é causada pela larva da mosca Cochliomyia hominivorax, que deposita ovos em feridas abertas. As larvas se alimentam de tecido vivo de animais de sangue quente, podendo provocar lesões graves, perda de produtividade e, em casos mais severos, a morte dos animais.

Embora o número de casos ainda seja relativamente limitado, o avanço da doença aumenta a preocupação das autoridades sanitárias e do setor pecuário justamente em um momento em que os Estados Unidos tentam reconstruir seu rebanho. Qualquer fator que comprometa a recuperação da oferta de bovinos tende a prolongar a necessidade de importações.

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EUA decidem impor novas tarifas ao Brasil, mas sinalizam lista de exceções


Veículos como CNN Brasil e g1 informaram que o chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, disse a interlocutores do governo que já levou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a recomendação final de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.

De acordo com o colunista Daniel Rittner, da CNN, a administração americana sinalizou com uma lista de exceções maior do que a atual.

Na última reunião entre os dois países, realizada na terça (14), Greer deu as negociações por encerrado e reclamou da falta de empenho por parte do Brasil, segundo relatos feitos à CNN.

Segundo o g1, que ouviu interlocutores do Palácio do Planalto, após a divulgação da decisão, o governo brasileiro vai analisar o teor do anúncio para definir qual será a reação.

Entre as possibilidades em discussão estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas com os americanos.

De acordo com integrantes do governo, três temas concentraram os principais impasses: i) o sistema de pagamentos PIX; ii) a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro; iii) uma proposta de moratória para que plataformas digitais não sejam obrigadas a pagar tributos e multas durante quatro anos.

De acordo com esses interlocutores ouvidos pelo g1, os três pontos foram apresentados pelos americanos ao longo das negociações, mas foram classificados pelo governo brasileiro como inegociáveis.

(com Estadão Conteúdo)



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