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Médico é investigado por suspeita de usar óculos com câmera em exame ginecológico


Um ginecologista é investigado pela Polícia Civil da Bahia após uma paciente denunciar que ele usava óculos com uma câmera integrada durante um exame ginecológico em Salvador. Hosaná Pereira de Santana foi preso pela Polícia Militar em 10 de julho, mas foi solto no domingo (12) após passar por audiência de custódia. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça da Bahia. O processo tramita em segredo de Justiça.

Em nota, o filho de Santana, Hosanah Filho, afirmou que o pai “foi alvo de acusações infundadas” e “jamais cometeu qualquer ato ilícito”. Ele também disse que nenhuma gravação foi encontrada com o médico. Santana foi preso após uma paciente relatar que ele usava óculos com uma câmera integrada durante a realização de um exame ginecológico em uma clínica particular na Rua Laura Costa, na Vila Laura.

O caso foi registrado na Casa da Mulher Brasileira. Questionada pelo Estadão sobre o andamento da investigação, a Polícia Civil da Bahia não respondeu até a publicação deste texto. O espaço segue aberto. Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa e que sua Corregedoria instaurou uma sindicância para apurar os fatos.

O filho de Santana afirmou que o pai usava óculos da Meta. Segundo a fabricante, o dispositivo tem uma câmera capaz de tirar fotos e gravar vídeos em alta definição e comandos de voz com inteligência artificial.

Hosanah Filho disse que o acessório é usado diariamente pelo pai por ter lentes de grau e que a câmera só pode ser ativada manualmente. Ele acrescentou que ela não é escondida e que, quando acionada, emite uma luz “clara e visível”. “Esse sinal luminoso nunca foi emitido durante suas consultas, pois, como confirmado pela Justiça, não existe nenhuma gravação”, afirmou.

Inicialmente, a PM informou à imprensa local que Santana teria confessado o crime aos policiais. Hosanah, no entanto, negou que isso tenha ocorrido. “Desde o primeiro momento, meu pai colaborou integralmente com as autoridades, entregando seus dispositivos eletrônicos e senhas, demonstrando total transparência. Ainda assim, foram atribuídas a ele uma suposta confissão que JAMAIS EXISTIU, criando uma narrativa falsa e muito danosa”, afirmou.

Segundo o filho, a prisão em flagrante “foi reconhecida como ilegal por absoluta ausência de provas”. “A suposta gravação nunca existiu”, acrescentou. “Seguimos empenhados em esclarecer a verdade e responsabilizar aqueles que contribuíram para este circo midiático.”

Em nota, a PM afirmou que as informações encaminhadas à imprensa decorrem dos elementos preliminares colhidos no âmbito do atendimento da ocorrência policial, com base nas circunstâncias verificadas pelas equipes no momento da intervenção.

“Esses elementos têm caráter estritamente preliminar e destinam-se à produção do relatório inicial dos fatos observados durante a atuação policial, não se confundindo com os elementos de prova produzidos no curso da investigação criminal”, afirmou a corporação.

“Dessa forma, eventuais esclarecimentos acerca de fatos apurados posteriormente, bem como de elementos produzidos no curso da investigação, inserem-se no âmbito de competência da Polícia Civil, responsável pela apuração e elucidação da ocorrência”, acrescentou.



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Abiec defende divisão proporcional das cotas de exportação para UE

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, defendeu que as negociações sobre as cotas de exportação de carne bovina para a União Europeia levem em consideração a capacidade produtiva de cada país da América Latina.

Durante cerimônia realizada na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina, ele destacou que países com volumes diferentes de produção não devem receber tratamento igual na divisão das cotas. “É preciso tratar os desiguais na medida da sua desigualdade. Não podemos tratar países que têm diferentes volumes com divisões iguais”, afirmou.

Perosa lembrou que Brasil e Argentina possuem grande participação no mercado internacional e destacou que todos os países produtores devem ser contemplados nas negociações.

De acordo com ele, o setor privado já mantém tratativas para chegar a um entendimento. A liderança também recordou que existe um acordo firmado desde 2004 entre representantes da iniciativa privada que estabelece a divisão das cotas conforme o volume de produção.

“O Brasil está sempre aberto a ajustes para que a gente chegue a um bom entendimento e possa utilizar as cotas da melhor forma possível”, concluiu.

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EUA queriam acordo que limitava investimentos em minerais críticos – Brasil recusou


Após os Estados Unidos confirmarem um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos americanos, integrantes do governo federal que se envolveram nas negociações revelaram ontem pontos de discordância entre os dois lados durante as conversas. Um desses pontos passa pelos minerais críticos, matéria-prima da indústria tecnológica cobiçada pelos EUA.

Segundo o governo, a gestão de Donald Trump propôs um acordo envolvendo minerais críticos que, na prática, limitava investimento estatal e estrangeiro nesse mercado. De acordo com o governo, isso foi feito nas negociações envolvendo a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, confirmada nesta quarta-feira (dia 15).

— Em uma das rodadas de negociações, o que nos foi solicitado é que nós fizéssemos medidas para limitar o investimento por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiros, a exemplo como fizeram com outros países, como Reino Unido e Austrália (fecharam acordos nesses termos) — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

“Investimento por atores não orientados pelo mercado” significa, na prática, aportes estatais ou de empresas que podem operar com preços mais baixos. Os EUA têm argumentado que a China consegue derrubar o preço mundial de lítio, cobalto ou terras raras abaixo do custo de produção ocidental porque suas mineradoras/processadoras estatais não respondem a critérios de retorno de capital — o que inviabiliza investimento privado.

— Isso chegou a nos ser apresentado formalmente. E obviamente não aceitamos. Não aceitaremos porque terras raras e minerais críticos pertencem ao povo brasileiro. E eles são justamente estratégicos porque desafiam o futuro e a modernidade. E não seremos coniventes com qualquer política de ocasião — disse o ministro.

O que são minerais críticos?

São considerados críticos aqueles minerais essenciais para setores-chave da economia e cuja oferta está concentrada em poucos países ou sujeita a instabilidades. Entram nessa lista o lítio, o nióbio, o cobalto, o grafite e as próprias terras-raras.

No caso do lítio, fundamental para baterias de carros elétricos, o Brasil detém cerca de 8% das reservas mundiais. Já em nióbio, usado na produção de ligas metálicas de alta resistência para a indústria e para o setor aeroespacial, o país responde por 93,1% das reservas globais.

Dentre esses minerais, estão as chamadas terras raras, um grupo de 17 elementos considerados essenciais para a indústria de tecnologia. Apesar do nome, elas podem ser encontradas em diversos locais do mundo, mas sua extração e separação exigem procedimentos complexos.

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A China é o maior produtor desses materiais no mundo. Por isso, o tema é de interesse da agenda dos Estados Unidos com o Brasil, já que o país tenta ampliar o acesso a esses produtos.



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Produção de soja do Brasil pode crescer menos de 1% em 26/27, limitada por El Niño


A colheita de soja do Brasil, maior produtor e exportador global da oleaginosa, foi estimada nesta sexta-feira (17) em um recorde de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 0,98% em relação ao ciclo anterior, com margens mais apertadas e cautela com o fenômeno climático El Niño limitando maiores avanços, segundo relatório da consultoria Safras & Mercado.

A área cultivada com soja no Brasil em 2026/27, com plantio previsto para começar em meados de setembro, deverá crescer 1,2% na comparação com o ciclo anterior, para 49,1 milhões de hectares.

Leia também: Importação de soja pela China bate recorde em junho, impulsionada pelo Brasil

A intenção de plantio da nova safra do país aponta diversos desafios, mas ainda mantém uma perspectiva de aumento da produção, desde que não ocorram problemas climáticos relevantes decorrentes do El Niño, disse o analista de Safras & Mercado Rafael Silveira, em nota.

Paralelamente, a consultoria vê que o mercado está mais favorável ao plantio de soja do que milho na safra de verão do centro-sul, o que ajuda no cultivo da oleaginosa.

Com o crescimento da área apontado e mesmo considerando uma leve queda na produtividade média no comparativo anual, a consultoria vê chance de uma produção ainda histórica.

Silveira explicou que, mesmo com margens mais apertadas, as elevadas produtividades registradas nas últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas, permitindo que a atividade permaneça economicamente viável, o que garante o aumento de área, ainda que pequeno.

Leia também: Projeção de estoque de soja do Brasil em 2026 é a maior em 9 anos, diz Abiove

A expectativa de um evento de El Niño mais intenso, contudo, levanta preocupações para a produtividade média, especialmente por sua maior influência estar prevista para meses decisivos ao desenvolvimento da cultura e à definição do potencial produtivo.

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“Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade”, comentou Silveira, admitindo que a consultoria trabalha com números potenciais inferiores à última temporada na maioria das regiões.

Os custos de produção elevados, principalmente em função da alta dos fertilizantes ao longo do primeiro semestre, podem levar parte dos produtores a reduzir o nível de investimento em tecnologia e manejo, “fator que tende a limitar o potencial produtivo da safra 2026/27”, disse o analista.

A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, ante 3.692 quilos por hectare no ciclo anterior.



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economia

“Prévia do PIB” de maio comprova perda de potência da atividade econômica


Embora o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em maio, de +0,1%, ter sido um pouco melhor que o estimado pelos economistas, o dado foi considerado mais uma prova de que a atividade econômica vem perdendo força de forma gradual.

O indicador do Banco Central que é considerado uma espécie de prévia do PIB acompanhou os dados setoriais divulgados pelo IBGE na semana, com maior perda de potência em serviços e no comércio varejista.

Como esperado pelo fator da sazonalidade, a contribuição do agronegócio também foi negativa no mês.

A XP destacou em sua análise as revisões pelo BC nos resultados de meses anteriores. Por exemplo, o IBC-Br de abril cresceu 1,1% na comparação anual, de acordo com a série de dados atualizada, acima dos 0,9% da primeira divulgação. O efeito estatístico de carregamento para o 2° trimestre ficou em 0,5%, na margem.

Também foi comentado que a abertura setorial mostrou sinais mistos em maio. Pelo lado positivo, a indústria permaneceu em uma trajetória sólida de recuperação (+0,4% na comparação mensal). Já serviços e impostos registraram ganhos tímidos no mês (ambos com + 0,1%. Por outro lado, agricultura e pecuária recuaram 1,0% no mês, compensando parcialmente o melhor desempenho observado nos demais setores.

Leia também: Indústria no Brasil cai 0,2% em maio, interrompe 4 meses de alta e frustra projeções

Leia também: Vendas no varejo do Brasil avançam 0,1% em maio e frustram projeções do mercado

Leia também: Setor de serviços recua 0,4% em maio e frustra projeções de leve alta

Sobre o que o dado pode representar em relação ao crescimento do PIB, a XP manteve sua projeção em 2,0% para 2026, com riscos inclinados para cima. Os motivos são a renda real ainda crescendo em ritmo sólido, sustentada por um mercado de trabalho apertado e pelo aumento das transferências fiscais.

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“Além disso, um conjunto amplo de medidas de estímulo do governo continuará dando suporte à demanda doméstica no curto prazo. Na nossa visão, esses fatores devem compensar o efeito negativo das condições monetárias restritivas e da maior incerteza ao longo dos próximos trimestres”, disse a XP

Matheus Pizzani, economista do PicPay, também reforçou que excluindo o setor agropecuário da base de cálculo, o indicador do BC registrou avanço de 0,2% em sua base de comparação mensal. Ele destacou que o desempenho do setor primário no período, embora significativamente negativo, é condizente com seu comportamento sazonal, que tende a perder força nos meses relativos ao segundo trimestre.

“No que diz respeito aos demais setores, o comportamento foi relativamente semelhante ao observado nas pesquisas setoriais divulgadas pelo IBGE, com a indústria registrando alta de 0,4% e o setor de serviços com variação positiva de 0,1%, comparou.

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Pizzani detalhou que a indústria segue colhendo benefícios do ambiente externo mais positivo para setores do segmento extrativo, enquanto segmentos mais alinhados ao ciclo econômico doméstico seguem com resultados majoritariamente lateralizados ou até mesmo em queda, reflexo do impacto de elementos conjunturais importantes, como a inflação e a taxa de juros.

O dado de serviços, por sua vez, demanda uma segmentação mais acurada segundo o economista dado que a metodologia de cálculo do IBC-Br incorpora segmentos tradicionais do setor de serviços abarcados pela PMS ao comércio varejista.

Para ele, é razoável afirmar que o varejo foi o principal responsável por evitar um desempenho melhor do setor de serviços e do indicador como um todo, uma vez que a inflação se mostrou um impasse expressivo ao longo do período. Além disso, a ausência de elementos sazonais benignos fez com que as demais categorias de serviços, cuja demanda depende tanto das condições macroeconômicas correntes quanto do nível de confiança de famílias e empresas, não apresentassem avanço significativo.

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Pizzani disse que este último elemento é condição central para compreender a trajetória da atividade econômica entre o primeiro e segundo trimestre. “O crescimento acelerado verificado no início do ano, puxado tanto pelo excelente desempenho da agropecuária quanto pela maior pujança da economia doméstica, que contou com amplo suporte do consumo das famílias, se deve em grande medida à fatores sazonais e estímulos pontuais característicos do período, que costumam exercer maior impacto sobre a renda e consumo destes agentes econômicos”, analisou.

Ele disse ainda que o cenário observado até aqui no segundo trimestre deve ditar a tônica do ritmo de expansão da atividade no decorrer dos próximos períodos, com ganho de tração apenas gradual após o crescimento mais tímido entre abril e junho, estimado em 0,4%.

“Fatores exógenos, como eventuais choques de oferta resultantes da instabilidade geopolítica global ou em função de condições climáticas adversas, bem como a implementação de medidas fiscais de dinamização da demanda agregada no curto prazo, seguem como riscos de cauda com probabilidade incerta de materialização, fazendo com que a participação relativa dos elementos estruturais da economia sejam centrais do ponto de vista das projeções.”

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O PicPay mantém a perspectiva de crescimento do PIB em 1,70% para 2026.

Para Leonardo Costa, economista do ASA os dados de atividade divulgados até maio seguem compatíveis com um cenário de desaceleração gradual do crescimento ao longo de 2026. “O avanço de apenas 0,1% do IBC-Br no mês, somado aos resultados mais moderados observados no comércio e nos serviços, reforça a percepção de perda de fôlego da economia após o desempenho mais forte registrado no início do ano. Projetamos PIB de +0,5% no 2° trimestre de 2026.”



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Empresário de Brasília desaparece em SP após viajar para negociar carro


A Polícia Civil investiga o desaparecimento do empresário brasiliense Leonardo Siqueira Alves, de 26 anos, em São Paulo. Segundo familiares, ele viajou à capital paulista para negociar a compra de um veículo, mas deixou de responder às tentativas de contato dois dias após chegar à cidade.

Alves viajou dirigindo um Fiat Pulse branco. O veículo foi incluído nas informações divulgadas pela família nas redes sociais para auxiliar nas buscas.

Durante a viagem, ele ficou hospedado em um apartamento no Itaim Bibi, zona sul. De acordo com a investigação, a permanência no local estava prevista até as 11h de 14 de julho. Após o encerramento da reserva, o imóvel foi encontrado vazio, e o empresário não foi localizado.

O último contato dos familiares com o empresário ocorreu na noite de 12 de julho. Desde a manhã seguinte, não houve mais resposta às mensagens nem às ligações.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso foi encaminhado ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que realiza investigações para localizar o empresário. Policiais do 15º Distrito Policial (Itaim Bibi) também participam das buscas.



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Moagem de cacau indica recuperação tímida da demanda global após choque | Blogs | CNN Brasil

Os dados trimestrais de moagem de cacau divulgados nesta quinta-feira (16) reforçam que a recuperação da demanda global pela commodity ainda ocorre em ritmos diferentes entre as principais regiões consumidoras. A demanda começa a reagir após a crise de oferta de 2024, mas ainda sem força suficiente para sustentar uma retomada uniforme.

A Europa confirmou mais um trimestre de retração no processamento, caindo 4,6%, mesmo com a alta superior a 10% na Ásia e de 7,65% na América do Norte. 

Apesar do desempenho considerado positivo, o mercado continua atribuindo maior peso ao resultado europeu, já que a região responde pelo maior volume de processamento de cacau do mundo, cerca de três vezes o da América do Norte. E agentes do mercado enxergam que o consumo nas economias tradicionais continua pressionado pelos elevados preços das matérias-primas do chocolate. 

A moagem é considerada o principal indicador da demanda por cacau porque mede o volume de amêndoas transformadas em manteiga, pó e outros derivados utilizados pela indústria de chocolates. Como não existe um acompanhamento consolidado do consumo desses subprodutos, o processamento funciona como o principal termômetro da atividade da cadeia e influencia diretamente as expectativas para os preços internacionais da commodity.

Segundo Lucca Bezzon, analista de cacau da StoneX, a diferença entre os resultados regionais reflete o processo ainda incompleto de ajuste da indústria após o choque de oferta registrado no mercado de cacau em 2024, quando a tonelada chegou a patamares superiores a US$ 10 mil por tonelada. A disparada dos preços das amêndoas elevou os custos dos derivados utilizados na fabricação de chocolate e levou empresas a reverem formulações para reduzir despesas.

“Os preços desses subprodutos passaram a ficar insustentáveis diante de uma amêndoa que ficou muito cara. Então, nos últimos dois a três ciclos, a gente teve uma desaceleração dos dados de moagem”, afirma.

Até então, o mercado observava um comportamento diferente. Antes da crise, a moagem global crescia em torno de 3% ao ano, acompanhando a expansão do consumo de chocolate. A sequência de quedas registrada nos últimos ciclos marcou uma mudança pouco comum para um setor historicamente caracterizado por crescimento relativamente estável.

Agora, os números começam a apontar uma recuperação, mas ainda sem um padrão consistente. “Os dados que saíram ontem mostraram uma recuperação em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, mas recuaram em relação ao trimestre imediatamente anterior. Então a gente não está vendo aumentos consecutivos trimestre a trimestre”, disse Bezzon.

Na avaliação da StoneX, essa recuperação mais lenta está ligada às mudanças implementadas pela indústria durante o período de custos elevados. Fabricantes reduziram o tamanho das barras, reformularam receitas e diminuíram o uso da manteiga de cacau — principal ingrediente responsável pela textura e pelas características do chocolate — para limitar o impacto da alta de preços.

O retorno a essas formulações também tende a ser gradual. Isso porque as empresas precisam ter segurança de que a redução dos custos será duradoura antes de voltar a ampliar o uso de manteiga de cacau.

“A gente precisaria ver, por exemplo, um cenário de preços de manteiga baixos o suficiente por bastante tempo, para aí sim a gente começar a ver uma retomada mais confiável do uso da manteiga”, disse.

Outro fator observado pelo mercado é a relação entre os preços da manteiga de cacau e do óleo de palmiste, um dos principais substitutos utilizados pela indústria. Antes da crise, a manteiga costumava valer cerca de duas vezes e meia o preço do óleo. No auge do choque de oferta, essa relação chegou a aproximadamente 21 vezes, tornando economicamente viável a substituição em diferentes produtos.

Embora essa diferença tenha voltado para patamares próximos da média histórica ao longo deste ano, isso ainda não significa uma retomada imediata da demanda. Segundo Bezzon, há uma defasagem entre a queda dos preços internacionais e seu impacto efetivo sobre a indústria de chocolates, já que contratos futuros, estoques e o próprio processamento fazem com que esse movimento leve, em média, entre oito e doze meses para chegar ao custo das fabricantes.

Os números divulgados ontem são vistos pela StoneX como um sinal de que esse processo de recuperação começou, ainda que lentamente. Para o ciclo atual, encerrado em outubro, a consultoria projeta uma demanda praticamente estável em relação ao ano anterior, em torno de 4,6 milhões de toneladas — uma base já inferior ao padrão histórico de aproximadamente 5 milhões de toneladas. Para o próximo ciclo, a expectativa é de crescimento de 2,4%.

Na avaliação do mercado, esse cenário tende a favorecer uma leitura de estabilização dos preços internacionais. Depois de um período em que a destruição de demanda contribuiu para aliviar a pressão sobre as cotações, a recuperação gradual do processamento indica que o consumo começa a reagir. Ao mesmo tempo, a heterogeneidade entre as regiões mostra que a normalização da demanda ainda depende da recomposição do consumo nas economias tradicionais e da adaptação da indústria ao novo patamar de custos.

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Tarifaço deve atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro aos EUA, afirma CNA


A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro estarão sujeitas ao tarifaço de 25% que será aplicado pelos Estados Unidos a partir da próxima quarta-feira, 22. Os outros 63,5% restantes devem ficar isentos da alíquota adicional.

“Apesar da ampliação da lista de exceções, que passou a incluir produtos importantes do agro brasileiro, como pescados, mel e café solúvel, uma parcela relevante das exportações brasileiras continuará sujeita à medida”, afirmou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, em vídeo divulgado à imprensa.

Mori destacou que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ampliou as exceções para 2.126 linhas tarifárias, em comparação com a proposta preliminar de taxação divulgada em junho.

“Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro. Segundo os Estados Unidos, a ampliação das exceções reflete a dependência da indústria americana de determinados insumos brasileiros, a insuficiência da oferta doméstica e os possíveis impactos da medida sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas para o país”, explicou Mori.

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,409 bilhões em produtos aos Estados Unidos, conforme dados do Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro (Agrostat). “Em relação aos produtos do setor que serão tarifados, a lista inclui itens de madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros. Em 2025, esses produtos representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em vendas para o mercado norte-americano”, apontou Mori.

De acordo com ela, a CNA recebeu “com preocupação” o resultado da investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos, que determinou a imposição da tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os Estados Unidos”, concluiu a diretora de Relações Internacionais da CNA.

Mori lembrou que a CNA participou das etapas do processo desde a abertura da investigação, com contribuições técnicas e presente nas consultas públicas realizadas em Washington. “Ao longo desse processo, a CNA defendeu o agro brasileiro e demonstrou, em dados e evidências, que a competitividade do setor não decorre de práticas estreitas de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas”, explicou Mori. Ao USTR, a CNA defendeu a exclusão de todos os produtos agropecuários brasileiros da medida, citando a complementaridade entre as cadeias produtivas dos dois países.



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Professora é presa após tirar fotos de bebês e enviar para ex-apresentador no PR


A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu, na manhã desta quinta-feira (16), uma mulher de 52 anos, e um homem de 54, pelos crimes de produção e compartilhamento de cena de abuso sexual envolvendo crianças, no município de Céu Azul, no oeste do Paraná.

Segundo a investigação da PCPR, as fotografias eram enviadas ao empresário de 54 anos, e as fotos eram tiradas durante o expediente da mulher, que atuava como professora em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). O empresário investigado é Fernando Antonio Dorne, conhecido como “Homem do Chapéu”, que apresentou por anos um programa de sorteios de prêmios transmitido por emissoras da região de Cascavel. As informações são do g1.

Evidências apontam que as imagens eram registradas durante as trocas de fraldas dos bebês no berçário da unidade onde a professora trabalhava. O empresário solicitava o envio dos arquivos à mulher, com quem mantinha um relacionamento. A polícia também não descarta a possibilidade de que as crianças tenham sofrido abuso físico.

Com base em informações obtidas pela Jovem Pan, as investigações tiveram início após denúncias de abuso sexual envolvendo o empresário serem encaminhadas à Delegacia da Mulher de Cascavel. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca na casa do suspeito, em Céu Azul, e na empresa dele, localizada em Cascavel. O empresário já era investigado por crimes anteriores.

Os celulares dos dois suspeitos foram apreendidos e passarão por perícia, e ambos responderão pelos crimes de produzir e disseminar imagens de nudez infantil, previstos nos artigos 240 e 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Defesa dos acusados

Segundo a apuração do g1, após a prisão, Fernando Antonio Dorne e a professora foram encaminhados à Delegacia de Matelândia e, posteriormente, seriam transferidos para a Cadeia Pública de Medianeira. Em nota, a Prefeitura de Céu Azul informou que acompanha o caso, classificou o episódio como um “fato sem precedentes na história da rede municipal de ensino” e afirmou que adotará as medidas administrativas cabíveis.

A defesa de Fernando afirmou que foi surpreendida com a decretação da prisão preventiva e alegou que, até o momento, não há elementos materiais concretos que comprovem as acusações. Segundo o advogado, a decisão estaria baseada principalmente no depoimento de uma pessoa, e o empresário nega qualquer envolvimento nos fatos.

A defesa da professora não se manifestou oficialmente. A Jovem Pan busca contato e o espaço segue aberto para manifestações.



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US$ 7,2 bi dos US$ 38 bi de exportação aos EUA são afetados por tarifaço


O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, classificou as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros como uma medida “absurda do ponto de vista comercial.” Segundo Müller, a sobretaxa de 25% vai atingir US$ 7 2 bilhões das vendas aos EUA, de um total de US$ 38 bilhões.

“Ela não tem nenhuma lógica com quem trabalha com o comércio internacional”, disse Müller, durante entrevista coletiva sobre as tarifas.

O presidente da ApexBrasil salientou que entidades e empresas americanas que fazem comércio com o Brasil trabalharam para a isenção de produtos brasileiros ao tarifaço, que foi anunciado pelos EUA na noite da última quarta-feira, 15, após a conclusão de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Segundo Müller, São Paulo é o Estado com maior impacto do tarifaço em termos absolutos, com 20% da exportação para os EUA afetada, o equivalente a US$ 3 bilhões. Santa Catarina tem 65% das exportações afetadas.

“Nós vamos seguir firmes o nosso trabalho que a gente já vem fazendo nos Estados Unidos apoiando empresas e entidades, junto com empresas e entidades americanas para aumentar a isenção”, disse. “Vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos.”

A lista de exceções à nova tarifa veio com uma ampla relação de itens isentos, dentre eles celulose, petróleo bruto e gás natural, bem como aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais. Além disso, a medida não traz novidades para o setor siderúrgico, que segue taxado em 50% para exportações aos EUA.

Müller disse, ainda, que a ideia é ampliar as exportações de produtos isentos das tarifas americanas, como mel e pescados.



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