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Fundos soberanos já administram US$ 16 trilhões e FMI dá dicas de governança


Os fundos soberanos tornaram-se alguns dos atores mais poderosos nas finanças globais nas últimas décadas, administrando hoje mais de US$ 16 trilhões em ativos totais, ante cerca de US$ 3 trilhões em 2008. Segundo o FMI, apesar de esses veículos de investimentos terem sido criados para agilizar aportes do patrimônio público no longo prazo, sua diversificação atual pode representar vulnerabilidades críticas.

“À medida que os fundos cresceram, seus mandatos se expandiram rapidamente além de proteger orçamentos governamentais e gerir economias intergeracionais, passando a funções tão diversas quanto construir infraestrutura e implementar políticas sociais e industriais. A crescente fragmentação geopolítica intensificou o apelo desses fundos, à medida que os países buscam ser mais autossuficientes”, comentou Yan Liu, conselheira e diretor do Departamento Jurídico do Fundo Monetário Internacional, no blog da instituição.

Ela destaca que os fundos podem impulsionar a resiliência interna, preservar a riqueza nacional, avançar objetivos de desenvolvimento nacional e fomentar o dinamismo econômico. E que, com projetos que abrangem private equity, imóveis e tecnologia, eles se tornaram alguns dos investidores mais influentes do mundo.

Ativos sob a gestão de fundos soberanos (em US$ trilhões)

(Fonte: FMI)

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Vulnerabilidades

Mas, ela também aleta que, embora esses fundos sejam peças-chave na gestão de fundos públicos, sua presença massiva e complexa criar vulnerabilidades. Yan Liu diz que mandatos vagos e sobrepostos podem enfraquecer a responsabilidade e pesar no desempenho desses fundos soberanos.

“Uma governança fraca pode permitir a apropriação indevida, como demonstrado pelas falhas de alto perfil de alguns fundos. Fundos que operam como autoridades fiscais paralelas e compradores de títulos sem uma âncora fiscal clara podem correr o risco de distorcer os orçamentos do governo, obscurecer as dívidas públicas e complicar o tratamento tributário transfronteiriço”, adverte.

Um dos desafios citados é que, olhando além das fronteiras, fundos que fazem parcerias em projetos concentram suas exposições ao risco, tornando um choque para um investidor um risco para todos.

“Os objetivos nacionais também podem divergir, por exemplo, um parceiro prioriza a criação de empregos domésticos enquanto outro foca nos retornos financeiros, enfraquecendo a governança e a credibilidade dos investidores. E se as relações entre os países parceiros piorarem, pode ser difícil proteger ativos ou sair de um projeto”, cita.

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Mas a especialistas do FMI diz que essas vulnerabilidades podem ser mitigadas por meio de leis rigorosas. “Diretrizes e práticas internacionalmente aceitas, como os Princípios de Santiago, desenvolvidos em 2008 por 26 fundos com apoio do FMI, serviram como um guia valioso. No entanto, à medida que os fundos cresceram significativamente em tamanho, complexidade e diversidade desde então, é importante examinar mais de perto como os fundos são estruturados e governados”.

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Yan Liu lista no blog do FMI caminhos para proteger esses fundos das vulnerabilidades citadas

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Acertando os mandatos

Comece pelo mandato, o arcabouço jurídico vinculativo que serve como roteiro institucional, especificando objetivos, funções e poderes do fundo. Quando claramente articulados, esses objetivos ancoram a tomada de decisão e alinham as estratégias de investimento com as prioridades nacionais.

Exportadores de commodities, por exemplo, priorizam a estabilização fiscal de curto prazo, como demonstrado pelo Fundo de Estabilização Econômica e Social do Chile. Economias mais ricas focam na poupança de longo prazo, como visto no Government Pension Fund Global da Noruega, no New Zealand Superannuation Fund e no Future Ireland Fund.

A Autoridade de Investimento da Indonésia, por sua vez, demonstra como economias emergentes e em desenvolvimento tendem a enfatizar os objetivos de desenvolvimento, incluindo a diversificação econômica. Em algumas circunstâncias, continua a conselheira, múltiplos objetivos podem ser necessários.

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Em economias historicamente dependentes do petróleo, como os Emirados Árabes Unidos, os fundos de riqueza podem combinar papéis de estabilização e diversificação econômica. Para os dois fundos de Singapura, por outro lado, o objetivo principal é a economia de longo prazo, com Temasek apoiando setores estratégicos e desenvolvimento econômico doméstico, enquanto o GIC investe internacionalmente.

No entanto, buscar múltiplos mandatos pode envolver difíceis escolhas (trade-offs). Um propósito claro é essencial para orientar os gestores de fundos, preservando a força vinculativa de cada mandato. Mandatos excessivamente amplos com múltiplos e potencialmente conflitantes objetivos em um único fundo podem criar riscos. Os riscos aumentam quando os mandatos se expandem sem ajustes correspondentes de governança e supervisão.

A separação legal — seja por meio de fundos separados ou subfundos claramente segregados — é frequentemente uma forma melhor de perseguir mandatos diferentes, garantindo clareza e coerência operacional.

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A Autoridade Soberana de Investimentos da Nigéria fornece um exemplo claro, com sua estabilização, futuras gerações e fundos de infraestrutura legalmente protegidos. A Noruega, por sua vez, opera um fundo único como veículo de poupança de longo prazo, investindo exclusivamente no exterior com um forte arcabouço legal. Sua função de estabilização é alcançada por meio do arcabouço fiscal, que limita as transferências anuais do orçamento aos retornos esperados do fundo.

Esses exemplos também destacam que a forma legal de um fundo deve seguir seu mandato.

Fundos de estabilização projetados para gerenciar liquidez e volatilidade fiscal de curto prazo geralmente são estruturados simplesmente como contas gerenciadas por unidades separadas em bancos centrais ou títulos do tesouro.

Fundos de poupança, que normalmente buscam investimentos de maior risco e menos líquidos, requerem um arcabouço legal mais amplo, incluindo conselhos independentes com deveres fiduciários e controles internos robustos.

Como alguns fundos assumem papéis domésticos e estratégicos, podem se assemelhar a empresas de capital estatal e ser melhor governados pela legislação correspondente.

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Governança e integração

Uma vez que a forma legal esteja adequada para o propósito, o próximo passo, segundo Yan Liu é fundamentar a governança na lei com a alocação legal de poderes, deveres fiduciários executáveis, relatórios transparentes e supervisão eficaz.

“À medida que os fundos de riqueza migram para investimentos diretos e não listados mais complexos, os órgãos reguladores devem estar legalmente autorizados a exercer supervisão informada e independente sobre sociedades e transações. Leis que exigem que os membros do conselho possuam um conjunto equilibrado de habilidades e expertise, auditoria institucionalizada e gestão de riscos, e funções robustas de controle interno atuam em conjunto para garantir uma boa governança”.

Ela diz ainda que, para evitar que fundos sirvam como tesouros sombra — sem controles e supervisão institucional, ou com influência política indevida — eles devem ser explicitamente integrados ao marco legal fiscal e financeiro público mais amplo.

“Os fundos estão melhor posicionados para desfrutar de autonomia operacional quando ela é claramente definida por lei. Isso inclui definir regras sobre depósito e retirada e supervisão pelo legislativo e pela sociedade civil. A coerência entre o arcabouço legal de um fundo e as leis fiscais é essencial para sua resiliência e legitimidade, além da eficácia geral dos gastos público”.

Dada a crescente escala e importância estratégica dos fundos soberanos, estruturas legais robustas são essenciais para garantir que cada uma sirva melhor aos povos de seus países, diz Liu. Eles também ajudam a garantir que o setor possa promover a estabilidade financeira global. A lei deve ser a base da eficácia dos fundos, não uma restrição.

“Os Princípios de Santiago sustentam a governança. Mas a complexidade crescente exige um novo escrutínio de suas suposições e orientações operacionais mais direcionadas para traduzi-las em estruturas jurídicas domésticas robustas”, destaca.

Ela lembra que, como esses princípios de alto nível foram em grande parte desenvolvidos para investidores passivos baseados em índices, eles não capturam totalmente as questões mais detalhadas de governança e divulgação levantadas pelos modelos de investimento mais ativos atuais, incluindo empresas estatais, investimentos diretos, participações de capital não listado, transações de private equity e coinvestimentos.

Por fim, a diretora destaca que, por meio de vigilância bilateral e multilateral, avaliações do setor financeiro e assistência técnica, o FMI apoia os países na ancoragem dos fundos em direito público sólido, disciplina fiscal e responsabilidade pública. “Aplicar os Princípios de Santiago de forma significativa no cenário de investimentos transformado de hoje exige o renovado engajamento coletivo de todos os envolvidos. O FMI está pronto para apoiar tais esforços.”



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MP-PR denuncia pai que chutou o rosto da filha de 3 anos por tortura e lesão


O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou na terça-feira, 21, o homem de 31 anos que foi flagrado chutando o rosto da filha por tortura na modalidade castigo e outros dois crimes de lesão corporal qualificada.

O caso aconteceu no dia 5 de julho, quando ele foi filmado por uma câmera de segurança agredindo a menina, de três anos, em Francisco Beltrão, no interior do Paraná. A reportagem não localizou a defesa do pai, que não teve a identidade revelada.

As imagens mostram o momento em que o homem voltava do mercado com as crianças, quando se vira para trás e desfere um chute na região do rosto e tórax da menina, que apresentou sangramento e caiu no chão. Uma testemunha tenta intervir, mas o pai parece ir embora com os filhos.

Dias antes, em 2 de julho, o acusado teria agredido o rosto do filho, de 5 anos, com um pedaço de madeira, causando lesões. O fato teria acontecido na residência da família.

Segundo o MP-PR, o homem também teria obrigado os dois filhos a permanecerem ajoelhados sobre tampinhas de garrafa, grãos de pipoca e de feijão, “com o objetivo de provocar intenso sofrimento físico e mental”.

Em depoimento obtido com exclusividade pelo Fantástico, da TV Globo, o pai afirmou que “perdeu a cabeça” durante a situação flagrada pelas câmeras e disse estar arrependido. “Ela (filha de 3 anos) estava berrando na rua. Eu tinha pedido pra ela parar de ficar berrando. Ela sempre chora ou berra direto, assim, escandalosamente”, afirmou o homem no depoimento.



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Moody’s eleva nota soberana da Argentina e dá novo impulso aos planos de Milei


A Moody’s Ratings elevou a nota de crédito da Argentina, concedendo ao país sua terceira melhor nota em menos de três meses e validando ainda mais o plano de reforma econômica do presidente Javier Milei.

A classificação de crédito da Argentina subiu de Caa1 para B3, com perspectiva positiva. Embora a melhoria ainda a mantenha em território altamente especulativo, as três principais agências de classificação de risco agora classificam a Argentina acima da categoria de alto risco, um marco para um país que passou anos entre os tomadores de empréstimos soberanos mais arriscados nos mercados globais.

“A elevação da classificação reflete nossa avaliação de que o risco de inadimplência da Argentina diminuiu substancialmente, à medida que a estabilização macroeconômica avançou além da fase inicial de ajuste para uma melhora mais duradoura nos fundamentos de crédito, um sinal de melhoria na governança”, escreveram os analistas em um comunicado divulgado na terça-feira. “As perspectivas para a posição externa da Argentina melhoraram consideravelmente, impulsionadas por um desempenho mais forte das exportações e pelo aumento do investimento estrangeiro direto nos setores de energia e mineração, além de um melhor acesso ao financiamento externo.”

A perspectiva positiva, acrescentou a Moody’s, “reflete a visão de que o perfil de crédito da Argentina pode se fortalecer ainda mais, à medida que melhorias estruturais nas finanças externas se combinam com a estabilização macroeconômica em curso”.

A medida segue a decisão da Fitch Ratings, em maio, de elevar a classificação de crédito da Argentina para B1 e uma decisão semelhante da S&P Global Ratings, em junho. Todas as agências citaram o sucesso de Milei na recuperação das contas fiscais e na redução da inflação, que estava em patamares de três dígitos. O spread dos títulos soberanos argentinos em relação aos títulos americanos está agora em quase 400 pontos-base, o menor em oito anos, enquanto o país busca superar anos de crise econômica e inadimplência.

As melhorias na classificação de risco ampliam o leque de potenciais investidores que podem deter dívida argentina. Embora uma mudança inicial para fora da categoria de “alto risco” possa começar a atrair novos compradores, melhorias subsequentes normalmente expandem o universo de investidores institucionais autorizados a manter títulos do país.

O governo de Milei manteve superávits fiscais e recorreu à emissão de dívida em dólares, de acordo com a legislação local, a acordos de recompra com bancos internacionais e a financiamento multilateral para cumprir suas obrigações de dívida. O banco central também acelerou a acumulação de reservas, atingindo a meta do governo junto ao Fundo Monetário Internacional de comprar mais de US$ 10 bilhões em moeda estrangeira durante o primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, o governo tem gradualmente flexibilizado alguns controles de capital e implementado reformas com o objetivo de normalizar o regime monetário e cambial do país.

A elevação da classificação de risco pela Moody’s reforça ainda mais os argumentos a favor do retorno da Argentina aos mercados internacionais de dívida. Os spreads dos títulos se estreitaram significativamente após as elevações de classificação pela Fitch e pela S&P, com esta última contribuindo para levar o prêmio de risco soberano aos níveis mais baixos da era Milei.

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Ainda assim, autoridades governamentais têm argumentado repetidamente que os custos de empréstimo da Argentina ainda não refletem adequadamente a melhoria dos fundamentos fiscais e externos do país, e deveriam estar mais próximos da faixa de 250 a 300 pontos-base.

A Moody’s afirmou que sua perspectiva positiva reflete a possibilidade de novas revisões para cima, à medida que a Argentina continua a implementar melhorias estruturais em suas finanças externas. A agência alertou que ainda existem riscos antes da eleição presidencial de 2027, embora tenha observado que o “gama de resultados políticos diminuiu” em relação aos ciclos eleitorais anteriores, aumentando a probabilidade de continuidade das políticas — uma preocupação antiga dos investidores.

© 2026 Bloomberg LP

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Mãe denuncia filhos suspeitos de sequestrar e matar empresário em Carapicuíba


O depoimento da mãe dos suspeitos ajudou a polícia a realizar as prisões no caso de sequestro e morte do empresário Marcelo Magalhães Almeida, de 31 anos, em Carapicuíba, na Grande SP. Conforme informações do inquérito obtidas pelo Estadão, Zamara Santos Soares, mãe de Lucas Soares de Lima, de apelido “Quadrado”, e de Paulo Sérgio Soares Almeida, procurou a polícia no dia 17 de julho para denunciar o crime.

Os irmãos “Quadrado”, de 28 anos, e Almeida, de 27, além de Júlio César Moura Batista, de 23, que não tem parentesco com os dois, foram presos pela Polícia Civil suspeitos de participação no desaparecimento do empresário. As defesas dos três não foram localizadas. O espaço segue aberto. Um quarto suspeito ainda está sendo procurado.

Conforme o inquérito, Zamara soube pela nora, mulher de um dos suspeitos, que os dois filhos teriam participado do sequestro e da morte de Marcelo e estavam aparecendo na televisão. “(Eles) roubaram, sequestraram e mataram uma pessoa poderosa”, disse a nora para Zamara.

O caso

O empresário Marcelo Magalhães Almeida, de 31 anos, está desaparecido desde a noite da última quinta-feira, 16, após sair de um bar na Estrada da Fazendinha, em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

O veículo do empresário, que é blindado, foi encontrado abandonado, conforme informações dadas pela família à polícia. O veículo tinha “possíveis sinais de sangue”, segundo informações postadas pelo 33º BPM/M nas redes sociais. As buscas pelo corpo de Marcelo continuam.

“As investigações apontam que Marcelo Magalhães foi atraído pelos suspeitos para uma área de mata, onde teria sido morto após ter valores transferidos de sua conta bancária. O corpo ainda não foi localizado. O veículo da vítima foi encontrado abandonado e foi apreendido para perícia. As investigações prosseguem para localizar o corpo da vítima e esclarecer completamente os fatos”, disse a SSP por meio de nota.

Segundo a Polícia Civil de São Paulo, os quatro suspeitos teriam sequestrado Marcelo e realizado uma transferência de R$ 8 mil de sua conta antes de matá-lo. A polícia afirma que o crime teria sido premeditado após um desentendimento financeiro entre o empresário e um dos suspeitos. A investigação aponta que ele pode ter sido vítima de homicídio qualificado.



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Brasil deve perder posto de 2º exportador de milho para Argentina em 2025/26


O Brasil deverá perder o posto de segundo exportador global de milho para a Argentina em 2025/26, à medida que o país vizinho está competitivo após uma grande safra, enquanto exportadores brasileiros enfrentam dificuldades de embarques para o Irã, tradicionalmente um grande importador, avaliou nesta terça-feira (22) a Hedgepoint Global Markets em uma conferência online.

As exportações brasileiras em 2025/26 estão estimadas pela Hedgepoint em 43 milhões de toneladas, enquanto as argentinas estão projetadas em 45 milhões de toneladas no mesmo período, segundo números da empresa de consultoria e gerenciamento de riscos.

Os dados estão em linha com as estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Leia também: Preço do milho cai ao menor nível em 8 meses com comprador afastado

O último ano em que o Brasil exportou menos que a Argentina foi em 2020/21, quando os embarques brasileiros somaram 20,85 milhões de toneladas, enquanto os da Argentina atingiram 40,9 milhões, segundo dados históricos do USDA. O mercado global de exportação do cereal é tradicionalmente liderado pelos EUA. 

“Acho que a Argentina pode ganhar ‘share’ especialmente do Brasil em 25/26, por preços mais competitivos”, declarou Luiz Fernando Roque, especialista da Hedgepoint.   

Ele disse ainda que as exportações de milho do Brasil em 2025/26 podem ser reduzidas por menores compras do Irã em meio à guerra, além da forte concorrência dos Estados Unidos.

A estimativa atual ainda indica um aumento no comparativo com o ciclo anterior, quando o Brasil exportou 41,1 milhões de toneladas, segundo números da empresa de análises.

Em 2025, o Brasil chegou a embarcar 9 milhões de toneladas para o Irã, sendo o principal destino. “O Irã não comprou nada em junho, o conflito pode atrapalhar”, disse.

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As exportações brasileiras de milho geralmente ganham força no segundo semestre.

Na primeira parte do ano, o Irã foi destino de cerca de 1,5 milhão de toneladas do cereal brasileiro, contra 2,3 milhões no mesmo período de 2025, segundo dados da consultoria.

Leia também: Como o Brasil pode ganhar com fim de restrição do etanol na gasolina nos EUA

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Fator etanol

O especialista disse considerar que a condição da Argentina como segundo exportador global deve ser conjuntural para o quadro de 2025/26, diante da grande safra.

Mas disse também que a “demanda crescente por etanol no Brasil é um fator fundamental”.

O mercado interno brasileiro tem absorvido cada vez mais milho, principalmente pelo aumento da produção de etanol, notou a empresa de análises.

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A Hedgepoint estima que o consumo de milho para etanol no Brasil deverá crescer 5,5 milhões de toneladas em relação a 2025, para 28,5 milhões de toneladas. Enquanto o consumo para ração animal deverá aumentar 200 mil toneladas na mesma comparação, para 61,2 milhões de toneladas.

Roque chamou a atenção para recente decisão do governo brasileiro de aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.

Ainda que seja uma medida provisória, o E32 poderia adicionar mais 1,5 milhão de toneladas no consumo de milho para etanol, disse ele.

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A Hedgepoint estima a safra brasileira de milho em 2025/26 em 140,3 milhões de toneladas, versus 140,5 milhões no ciclo passado. O USDA estima a safra brasileira 2026/27 em 139 milhões de toneladas.



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Onda de calor na Europa reduz a projeção da safra de grãos


A onda de calor que tem assolado a Europa desde junho reduziu em 9 milhões de toneladas a previsão de safra total de grãos de 2026 na União Europeia e Reino Unidos, segundo projeções da Coceral, associação europeia de comerciantes de commodities agrícolas.

A estimativa foi reduzida de 295,5 milhões milhões de toneladas para 286,6 milhões de toneladas – no ano passado, foram produzidas 310,0 milhões de toneladas do ano passado.

Leia também: Onda de calor na Europa provoca 3.700 mortes adicionais na França, Holanda e Bélgica

Para a produção de trigo, são esperadas 140,8 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 143,7 milhões de toneladas e abaixo das 149,8 milhões de toneladas em 2025.

Segundo a Coceral, a recente onda de calor afetou o preenchimento dos grãos de trigo no centro e sul da França, sul da Alemanha, assim como na Áustria, Polônia e Hungria.

Uma correção para baixo também foi feita na Espanha, onde uma onda de calor no final de maio causou danos tardios maiores às plantações do que o esperado.

A produção de cevada está prevista em 57,6 milhões de toneladas, um pouco abaixo da previsão anterior de 58,8 milhões de toneladas e bem abaixo dos 63,8 milhões de toneladas produzidos no ano passado.

A cevada da primavera deveria ter sofrido mais com o calor recente do que a cevada de inverno, que já havia quase terminado seu desenvolvimento antes da chegada do calor.

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Milho

A previsão de produção de milho para 2026 nos 27 países da EU e no Reino Unido também foi revisada para baixo. O clima começou a afetar a polinização do milho na metade sul da França e na Hungria. Espera-se mais danos devido à previsão de calor em outras partes da UE.

A safra total de milho agora está prevista em 52,7 milhões de toneladas, abaixo da previsão anterior de 57,2 milhões de toneladas e inferior à já decepcionante safra do ano passado, de 57,4 milhões de toneladas.

Espera-se que a safra francesa caia para apenas 9,4 milhões de toneladas (ante um total de 13,8 milhões de toneladas no ano passado), o que deve significar o menor nível em mais de 20 anos. Uma queda acentuada no plantio é outra explicação para a baixa safra.



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Paraguai negocia mercados para carne bovina na Indonésia e Turquia

O Paraguai está em fase final de negociações para ampliar as exportações de carne bovina para a Indonésia e a Turquia. Os dois países estão avaliando a habilitação sanitária e o cumprimento de requisitos técnicos para permitir a entrada da proteína paraguaia em seus mercados.

Na Indonésia, o embaixador do país no Paraguai, Sulaiman Syarif, afirmou por meio de nota que o processo para abertura do mercado está próximo de ser concluído após dois anos de negociações com o Senacsa (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal).

Segundo o diplomata, os dois países avançaram nas tratativas para permitir a exportação de carne bovina de primeira categoria do Paraguai para a maior economia do Sudeste Asiático.

A possível abertura representa uma nova alternativa para a indústria frigorífica paraguaia, que busca ampliar sua presença em mercados asiáticos. Atualmente, o país trabalha para diversificar os destinos de exportação e reduzir a concentração em compradores tradicionais.

Durante cerimônia em Assunção pelos 81 anos da independência da Indonésia e pelos 45 anos das relações diplomáticas entre os dois países, Syarif também destacou o crescimento do comércio bilateral.

Segundo dados da agência de estatísticas da Indonésia, o comércio entre os dois países alcançou US$ 151,3 milhões no último ano, o maior resultado dos últimos cinco anos, com crescimento de 40% em relação ao período anterior.

As exportações paraguaias para a Indonésia incluem algodão, hortaliças, sementes de chia, couro, óleos essenciais e produtos da floricultura. Já a Indonésia exporta ao Paraguai máquinas e equipamentos elétricos, veículos e autopeças, tabaco, calçados, produtos químicos, fibras sintéticas e vestuário.

Durante o evento também foi criado o Conselho Empresarial Paraguai–Indonésia, com o objetivo de ampliar negócios e investimentos entre os dois países em setores como segurança alimentar, energia e serviços.

Turquia

Na Turquia, o Paraguai receberá uma auditoria técnica na primeira semana de agosto para concluir os requisitos necessários para o início das exportações de carne bovina e gado vivo.

O presidente do Senacsa, José Carlos Martin, confirmou a chegada da missão turca e pediu a participação dos frigoríficos interessados em exportar para finalizar o processo.

Em junho, a Turquia concedeu a habilitação sanitária para a importação de carne bovina e animais vivos do Paraguai. Porém, ainda são necessários ajustes relacionados à certificação halal e à aprovação das plantas frigoríficas que pretendem realizar os embarques.

Durante a auditoria, técnicos turcos irão avaliar os estabelecimentos, os procedimentos de abate, os controles sanitários e as exigências religiosas necessárias para a certificação halal.

Segundo Martin, o processo com a Turquia começou em 2019 e passou por diferentes etapas de negociação. O presidente do Senacsa afirmou que o acesso sanitário é uma etapa fundamental para avançar posteriormente em condições comerciais.

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Preço da gasolina volta a ficar acima de US$ 4,00 nos Estados Unidos







Após praticamente um mês de alívio nas bombas de combustível, o preço médio da gasolina nos Estados Unidos voltou nesta semana a ultrapassar a marca de US$ 4,00 por galão, movimento atribuído à nova escalada da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços internacionais do petróleo bruto. Isso tem acendido alertas de economistas sobre a inflação americana.

Segundo cálculos da Associação Automotiva Americana (AAA), o preço médio nesta quarta-feira (22) está em US$ 4,06 por galão. Há uma semana, esse preço médio era de US$ 3,89, enquanto há um ano estava em US$ 3,14.

Leia também: Petróleo brent sobe a US$ 95 após Rubio afirmar que Irã não leva negociações a sério

Desde o início dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, o preço médio avançou de US$ 2,98 para um pico de US$ 4,56 (atingido no dia 21 de maio)

Em estados como Califórnia e Washington, os preços estão acima dos US$ 5 há meses.

Não são apenas os preços da gasolina que estão em alta por efeitos da guerra. O galão de diesel está em US$ 5,18, ante preço de US$ 3,73 há um ano.

Os combustíveis para aviação estão na mesma tendência. Antes da guerra no Irã, o combustível para aviões custava em média US$ 2,50 por galão. Até sexta-feira, esse preço estava quase 43% mais alto, em US$ 3,57 por galão, segundo dados do índice de combustível para aviação dos EUA da Argus.



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Entenda a dispensa de entrevista para inscrição no CadÚnico



Brasil

Ausência de entrevista domiciliar não poderá impedir a inscrição, atualização cadastral, ou manutenção de benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou Bolsa Família para as famílias unipessoais

O governo mudou regra em relação ao Cadastro Único (CadÚnico) para famílias de uma só pessoa, as chamadas famílias unipessoais. Agora, não é obrigatória a realização de entrevista domiciliar para validar as inscrições desse perfil familiar.
Dessa forma, a ausência de entrevista domiciliar não poderá impedir a inscrição, atualização cadastral, ou manutenção de benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou Bolsa Família para as famílias unipessoais.

As novas regras, publicadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), serão válidas até julho de 2027. Depois desse período, a entrevista domiciliar passará a ser obrigatória, ressalvadas eventuais exceções regulamentadas pelo MDS.

De acordo com o ministério, as entrevistas continuam obrigatórias para ingresso no programa Bolsa Família e para famílias em averiguação cadastral. Ou seja, famílias cujo cadastro apresenta indícios de irregularidade.

CadÚnico

Criado para integrar, catalogar e selecionar famílias brasileiras em situação de pobreza ou pobreza extrema, o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) foi instituído em 2001, e é a porta de entrada para todos os benefícios sociais públicos disponíveis no Brasil.

O CadÚnico também é importante para programas estaduais e municipais, que podem exigir a documentação para benefícios de programas locais. Pessoas que foram vítimas de desastres naturais, como enchentes e rompimento de barragens, também devem fazer o cadastro para ter acesso a fundos de emergência para a população.



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Trigo sobe mais de 4% em Chicago com temor sobre oferta global

O contrato futuro do trigo para entrega em setembro encerrou o pregão desta quarta-feira (22) com valorização de 4,09% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 7,05 por bushel. A alta foi impulsionada por preocupações com a oferta global do cereal, diante de problemas envolvendo importantes regiões produtoras.

Segundo a Royal Rural, os preços do trigo americano avançaram após ataques contra carregamentos de grãos no Mar Negro e novas estimativas apontarem um potencial produtivo menor nos Estados Unidos.

O Wheat Quality Council indicou rendimentos médios de 46 bushels por acre nas lavouras da Dakota do Norte, volume 4 bushels abaixo do registrado no ano passado. Apesar de ainda estar próximo da média dos últimos cinco anos, o resultado aumentou a cautela do mercado em relação ao desempenho das plantações americanas.

Consultorias privadas também avaliam que as condições das lavouras de trigo e milho nos Estados Unidos podem apresentar piora nos próximos relatórios, o que mantém o mercado atento ao balanço de oferta e demanda.

Além da produção americana, os investidores acompanham os riscos envolvendo as exportações do Mar Negro. Os ataques à infraestrutura portuária da Ucrânia têm afetado o escoamento de grãos do país e ampliado as preocupações sobre possíveis interrupções no fornecimento de trigo da região.

Rússia e Ucrânia têm papel relevante no abastecimento mundial do cereal, especialmente para compradores do Oriente Médio, Norte da África e Ásia. Com isso, qualquer restrição nas exportações aumenta a percepção de risco no mercado internacional.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou o pregão com valorização de 2,00% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 4,84 por bushel.

Segundo a Royal Rural, o avanço do milho ocorre em meio ao movimento de alta do trigo, já que os dois mercados possuem relação por conta do uso na ração animal, substituição de demanda e fluxo financeiro dos fundos de investimento.

Apesar de o milho não ter o mesmo fator de alta do trigo, a valorização do cereal ocorre por contágio. Com o trigo mais caro ou com maior dificuldade de origem, parte do mercado passa a avaliar o milho como uma alternativa relativa, o que aumenta a sustentação das cotações.

A Agrinvest destacou que os cereais tiveram um dia de forte volatilidade, com trigo e milho operando em alta em praticamente toda a curva de contratos. Segundo a consultoria, o aumento das tensões no Mar Negro continua elevando o prêmio de risco nos mercados agrícolas, impulsionando os preços tanto na Bolsa de Chicago quanto na Euronext.

O cenário mantém os investidores atentos aos impactos sobre o fluxo global de grãos, principalmente diante de possíveis restrições às exportações de importantes fornecedores internacionais.

Soja
O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou o pregão com queda de 0,29% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 12,22 por bushel.

Apesar da leve baixa na principal referência internacional, o complexo da soja apresentou um movimento mais positivo no mercado. A Agrinvest apontou que o óleo de soja ganhou força com o avanço dos futuros do petróleo, que voltaram a operar em níveis não vistos desde o início de junho, tanto no Brent quanto no WTI.

Os investidores também aguardam a divulgação dos dados semanais de vendas de soja dos Estados Unidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). A expectativa do mercado é que os números permaneçam próximos aos registrados na semana anterior, em torno de 2 milhões de toneladas.

No Brasil, a atenção está voltada para o ritmo de comercialização da safra velha. Segundo análise de mercado, as vendas futuras da soja brasileira não têm sido suficientes para atender à demanda das esmagadoras e das exportações até o fim do ano.

Esse cenário tem provocado um movimento de “short squeeze” no mercado brasileiro, quando participantes que apostaram na queda dos preços precisam recomprar posições, contribuindo para a elevação das cotações da oleaginosa no país.

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