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Cenário fiscal ameaça investimentos no agronegócio, diz Zeina Latif

A deterioração do cenário fiscal brasileiro tem ampliado a instabilidade econômica, elevado a incerteza sobre os juros e prejudicado o ambiente de investimentos, especialmente para os setores produtivos, como o agronegócio. A avaliação é da sócia da Gibraltar Consulting, Zeina Latif, em entrevista ao CNN Agro News.

Segundo Zeina, o aumento contínuo dos gastos públicos e a ausência de uma perspectiva consistente de ajuste fiscal impedem que o mercado tenha previsibilidade sobre o comportamento da economia nos próximos anos.

“A gente não consegue ter um cenário claro do que vai ser a taxa de juros nos próximos anos no Brasil”, afirmou. Para a economista, a combinação entre dívida pública crescente, incerteza fiscal e juros elevados reduz o interesse por investimentos e compromete o crescimento econômico.

Ela defende que o debate fiscal vai além do controle das contas públicas e passa pela melhora da qualidade dos gastos do governo.

“Tem muitas políticas públicas que não entregam aquilo que prometeram, estão mal focalizadas e têm baixa eficiência“, disse. Na avaliação da economista, um ambiente macroeconômico mais estável depende de maior previsibilidade na gestão fiscal, independentemente dos ciclos políticos.

Ao comentar o cenário internacional, Zeina afirmou que as tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos tendem a permanecer, independentemente de mudanças de governo. Para ela, além das questões tarifárias, há um interesse estratégico norte-americano em minerais críticos e terras raras brasileiras, o que amplia o poder de barganha dos Estados Unidos nas negociações comerciais.

Apesar da pressão tarifária, a economista destaca que o Brasil tem conseguido redirecionar parte das exportações para outros mercados. Ela citou que, no primeiro semestre, as vendas para os Estados Unidos recuaram 13%, enquanto os embarques para outros destinos cresceram em ritmo superior, demonstrando capacidade de adaptação do comércio exterior brasileiro. Segundo Zeina, esse desempenho poderia ser ainda melhor caso o país tivesse uma rede mais ampla de acordos comerciais.

Na visão da economista, a proximidade comercial entre Brasil e China também ajuda a explicar a postura dos Estados Unidos em relação ao país. Ela avalia que o objetivo americano é limitar o avanço econômico chinês e pressionar países que mantêm relações comerciais intensas com Pequim, aumentando o ambiente de incerteza para o comércio internacional.

Sobre o abastecimento interno, Zeina rejeitou a ideia de que o crescimento das exportações prejudique o mercado doméstico. Segundo ela, há espaço para ampliar simultaneamente a oferta destinada ao consumo interno por meio do aumento da produtividade, especialmente nas pequenas propriedades rurais.

A economista também defendeu investimentos em tecnologia, melhoria do manejo agrícola e infraestrutura logística para reduzir custos e aumentar a oferta de alimentos. Para ela, elevar a produtividade no campo é o principal caminho para conter a inflação dos alimentos sem comprometer o desempenho das exportações brasileiras.

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Tarifa de 25% dos EUA pode sufocar caixa da indústria e ameaçar o agro brasileiro


A entrada em vigor da nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a partir desta quarta-feira (22), inaugura mais uma fase de tensão e ajustes para o setor produtivo nacional. Embora o debate tenda a se concentrar no risco macroeconômico, a realidade das empresas revela que o primeiro choque não será sentido no Produto Interno Bruto (PIB), mas sim no fluxo de caixa, na compressão de margens e na competitividade imediata das exportações.

Leia também: Tarifaço da vida real: como as novas regras impactam empreendedores brasileiros

“A principal dificuldade não está apenas na tarifa de 25%, mas no prazo curto para adaptação, na necessidade de conferir o enquadramento de cada produto e na renegociação de contratos que já estavam fechados”, avalia Jackson Campos, especialista em comércio exterior.

Segundo ele, desde o chamado Dia da Libertação, em abril de 2025, as empresas passaram a trabalhar com anúncios, suspensões, novas bases legais e mudanças nas listas de exceções, o que dificulta decisões sobre preços, estoques, investimentos e capital de giro. Na prática, diz Campos, os exportadores têm antecipado embarques, dividido custos com importadores, reduzido margens e buscado outros mercados, mas essa adaptação é mais difícil para quem depende muito dos Estados Unidos ou vende produtos industriais com poucos compradores alternativos.

Indústria na linha de frente

A imposição tarifária atinge segmentos com menor flexibilidade para redirecionar suas cadeias de suprimento no curto prazo, avalia Campos. Setores de maior valor agregado, além de indústrias como a de calçados, móveis, papel e celulose, máquinas, equipamentos e etanol, encontram-se entre os mais vulneráveis, segundo André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

Na prática, o efeito aparece nos contratos ainda em vigor e na competitividade do produto brasileiro no exterior, segundo Campos. Isso porque, como as mercadorias encarecem no destino, existe um forte risco de redução de pedidos, exigindo que parte do custo seja absorvida pelos próprios exportadores para manter o mercado. 

O agronegócio também liga o alerta, estimando até R$ 4,6 bilhões por ano em risco, o que equivale a mais de um terço do que o setor vende aos americanos, avalia André Matos, da Pilar Capital.

“O efeito inicial será uma combinação de perda de competitividade, compressão das margens e redução de encomendas. Em setores intensivos em mão de obra, como calçados e móveis, isso pode rapidamente chegar ao emprego nas regiões produtoras”, diz Caruso.

A saída para as empresas é não basear o planejamento na expectativa de que uma tarifa será retirada ou modificada, avalia Campos. “As empresas precisam trabalhar com diferentes cenários, incluir cláusulas de revisão tarifária nos contratos, negociar previamente quem absorve o custo, proteger o câmbio, preservar liquidez e diversificar clientes e destinos. Também é importante atuar junto aos importadores americanos, porque eles próprios podem pressionar por exceções quando a tarifa encarece insumos ou compromete suas cadeias produtivas”, afirma.

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Os efeitos de segunda ordem

Estatisticamente, o impacto direto no PIB brasileiro deve ser limitado a menos de 0,1 ponto percentual em um primeiro momento, segundo Caruso. Isso se explica pelo fato de que as mercadorias diretamente atingidas — estimadas em um fluxo de US$ 5,8 bilhões — representam uma parcela pequena da economia nacional, e produtos essenciais como café e componentes aeronáuticos foram poupados da medida. Até mesmo os frigoríficos tiveram uma proteção relativa na exclusão da carne bovina, destaca Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset.

Contudo, o custo financeiro real para a economia deve ficar acima dos R$ 5,8 bilhões, se considerados os efeitos indiretos. A redução das exportações provoca uma reação em cadeia que atinge fornecedores, encarece fretes, desorganiza cadeias produtivas e eleva a insegurança que trava investimentos.

“Existe um efeito indireto que a conta direta não captura, [como] o encarecimento de fretes, a desorganização de cadeias produtivas e a insegurança que trava investimento”, diz André Matos, CEO da MA7 Capital.

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“Antes mesmo de uma queda relevante nas exportações, muitas companhias tendem a redirecionar parte da produção para o mercado interno, preservando volume de vendas, porém com margens potencialmente menores e maior competição doméstica”, diz Valdir Piran Jr.

Essa dinâmica de realocação doméstica alonga estoques, exige maior capital de giro e restringe a capacidade de novos aportes. Para o mercado financeiro e de crédito, cria-se uma segregação entre as empresas alavancadas ou altamente dependentes do mercado americano, que terão seletividade no acesso a capital, enquanto as diversificadas tendem a atravessar a crise com maior estabilidade, segundo Piran Jr.

Leia também: Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e mercado já olha além do impacto inicial

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Substituição de mercados

Com as portas americanas mais estreitas, o redirecionamento estratégico passa a ser vital. Buscar mercados alternativos como a China se torna um caminho, ainda que estruturar exportações para o país asiático seja um projeto complexo de médio a longo prazo, dada a alta competitividade global pela atenção local, na avaliação de Felipe Teixeira, especialista em comércio exterior e fundador da Ningbo BR Goods com sede China.

O Brasil, no entanto, detém vantagens em nichos específicos. Setores ligados a alimentos, como grãos, sucos, frutas e café, apresentam grande potencial de substituição de mercado, segundo Teixeira. A evolução do padrão de consumo da população chinesa na última década favorece a exportação desses itens. 

“Acredito que os setores ligados ao alimentício, como café, grãos, sucos e frutas, podem conseguir uma substituição de maneira mais fácil porque são produtos em que o Brasil já é reconhecido pela qualidade. O consumo chinês também mudou muito nos últimos anos. Produtos que há dez ou quinze anos praticamente não eram consumidos hoje já fazem parte do dia a dia da população, o que favorece a exportação de alguns itens brasileiros”, analisa.

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A Lei de Reciprocidade

O enquadramento do Brasil na tarifa média mais alta aplicada pelos EUA na América do Sul é “atípico” e de natureza “política”, destaca Matos, devido às investigações sobre temas como o sistema Pix, propriedade intelectual, comércio digital e políticas ambientais.

Diante desse cenário, o governo Lula avalia se irá acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, o que permitiria retaliar com sobretaxas equivalentes. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que não se busca um embate de “olho por olho”, mas as ferramentas poderão ser usadas “no momento adequado”. 

Leia também: Retaliar os EUA ou não? O que o Brasil pode aprender da guerra comercial EUA-Canadá

O setor produtivo, incluindo representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), expressa cautela e se posiciona contra o mecanismo, temendo que as contramedidas agravem a relação.

O desenrolar desta disputa ditará a saúde financeira do setor externo brasileiro. Se houver rápida negociação diplomática, os danos serão contidos em segmentos específicos; se houver escalada protecionista, o abalo irá transcender o fluxo de mercadorias para as taxas de câmbio, os investimentos e a confiança geral da economia brasileira, avalia Caruso.



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Interpol descobre delegacia falsa da Polícia Federal brasileira na África | Blogs | CNN Brasil


Uma operação global antifraude envolvendo 97 países descobriu uma delegacia falsa simulando a Polícia Federal brasileira em Essuatíni, na África. O país faz fronteira com a África do Sul e Moçambique.

No local, a ação coordenada pela Interpol prendeu 82 pessoas que fingiam ser policiais federais e desmantelou uma rede que operava jogos de azar online ilegais, lavagem de dinheiro e golpes sofisticados de falsa identidade.

Os policiais – verdadeiros – apreenderam 240 dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores, além de moeda estrangeira e réplicas de uniformes da Polícia Federal do Brasil.

Segundo informações da Interpol, os golpistas fingiam ser integrantes da PF em videochamadas, convenciam as vítimas de que elas haviam sofrido um crime, levando-as a transferir fundos para “guarda segura” — valores que acabavam sendo roubados.

Com o alto volume de apreensões, uma equipe de apoio operacional da Interpol foi enviada ao país africano, a pedido das autoridades do país, para realizar a perícia forense dos dispositivos apreendidos.

Essa descoberta fez parte da operação First Light 2026, que focou no combate a golpes de engenharia social e atividades de lavagem de dinheiro associadas. Ao todo, 5.811 pessoas foram presas e houve interceptação de US$ 293 milhões em ativos ilícitos (cerca de R$ 1,5 bilhão).

Engenharia social é um termo que se refere a técnicas que exploram a confiança de uma pessoa para obter dinheiro ou informações confidenciais.

“Os golpes de engenharia social continuam a representar uma ameaça significativa para a nossa sociedade. A Interpol se dedica a apoiar os países-membros na construção de uma estratégia abrangente e coordenada para enfrentar crimes financeiros facilitados pela tecnologia, redes criminosas organizadas e a lavagem de dinheiro que as sustenta”, destaca Tomonobu Kaya, diretor do Centro de Combate a Crimes Financeiros e Corrupção.



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Tarifas dos EUA devem seguir pressionando o Brasil, diz Zeina Latif

As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem continuar influenciando o comércio internacional nos próximos anos, independentemente de quem ocupe a Casa Branca. A avaliação é da economista Zeina Latif, em entrevista ao CNN Agro News.

Segundo a economista, embora o Brasil seja um dos países mais afetados pelas tarifas norte-americanas, a justificativa vai além da relação comercial entre os dois países.

“O Brasil tem uma balança comercial deficitária com os Estados Unidos. Importamos mais do que exportamos e nem de longe ameaçamos a economia americana”, afirmou.

Na avaliação de Zeina, parte da estratégia dos Estados Unidos está relacionada ao interesse em terras raras e minerais críticos brasileiros, o que amplia o poder de barganha norte-americano nas negociações internacionais.

“Se eu estiver correta nessa leitura, pode mudar o presidente, mas o Brasil vai continuar sentindo essa pressão”, disse.

Apesar do cenário, a economista ressalta que o impacto sobre a economia brasileira tende a ser menor do que em outros países, já que o Brasil possui baixa dependência das exportações em relação ao tamanho da economia e consegue redirecionar parte das vendas para novos mercados. Ela citou que, no primeiro semestre, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 13%, enquanto os embarques para o restante do mundo cresceram em ritmo superior.

Para Zeina, a proximidade comercial entre Brasil e China também ajuda a explicar o endurecimento da política comercial norte-americana. Segundo ela, um dos objetivos dos Estados Unidos é conter o avanço econômico chinês e pressionar países que mantêm relações comerciais intensas com Pequim.

“Talvez o endereço não seja exatamente o Brasil, mas o resultado é essa incerteza que se insere no país”, afirmou.

A economista acrescenta que o desempenho das exportações brasileiras poderia ser ainda melhor caso o país tivesse uma rede mais ampla de acordos comerciais, o que ampliaria o acesso a mercados e reduziria a dependência de poucos parceiros comerciais.

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Inadimplência ameaça o próximo motor de crescimento econômico da Argentina


A inadimplência continua aumentando na Argentina, frustrando as esperanças de que o sofrimento econômico provocado pelo duro programa de austeridade do presidente Javier Milei já tivesse atingido seu pico.

Milei reduziu a inflação, que estava em três dígitos, e fez a economia argentina voltar a crescer desde que assumiu o cargo, em 2023. Seu plano de reformas rendeu ao país uma série de elevações na classificação de risco soberano, a mais recente concedida na terça-feira pela Moody’s Ratings, embora a Argentina continue profundamente em território especulativo.

O governo contava com uma retomada do crédito ao consumidor para ampliar uma recuperação liderada pelas exportações por meio de um fortalecimento dos gastos das famílias, aumentando, com o tempo, as chances de reeleição de Milei em uma disputa difícil no próximo ano.

Em vez disso, impulsionada pelo forte aumento das taxas de juros no ano passado, a inadimplência em empréstimos ao consumidor — incluindo cartões de crédito, financiamento de veículos e outros bens — subiu por 17 meses consecutivos, atingindo em abril 12, 1%, o maior nível em duas décadas, segundo os dados mais recentes do banco central.

A consultoria local 1816 Economía & Estrategia estima que mais de um quarto dos tomadores de crédito já não são considerados aptos a obter novos empréstimos, impedindo que os consumidores se tornem um motor mais relevante da economia, como ocorre em países vizinhos, como o Brasil.

“Você ficou sem políticas para estimular a economia”, afirmou Miguel Kiguel, ex-secretário de Finanças da Argentina e atual diretor-executivo da consultoria EconViews. “O estímulo fiscal está fora de questão porque não há dinheiro, e o crédito está sendo limitado justamente por causa da inadimplência.”

Autoridades do banco central esperam que a inadimplência tenha atingido o pico em junho, em parte porque as taxas de juros se estabilizaram nos últimos meses, segundo uma apresentação divulgada no fim do mês passado. Mas economistas e banqueiros esperam apenas uma recuperação gradual, argumentando que o crédito às famílias dificilmente se tornará um motor relevante da atividade econômica antes das eleições de outubro de 2027.

Ponto de vista dos bancos

Os bancos, que expandiram agressivamente a concessão de crédito à medida que as condições econômicas se estabilizavam desde o primeiro ano do governo Milei, viram esse boom do crédito se voltar contra eles. Os empréstimos inadimplentes ao consumidor não atingiam níveis tão elevados desde o período posterior à crise argentina de 2001-2002. Isso contribui para um dos piores anos do setor em termos de rentabilidade desde a pandemia e pesa sobre as ações das instituições financeiras.

“É uma consequência lógica, porque no ano passado os bancos voltaram a agir como bancos”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, durante um evento neste mês. “Antes, eles simplesmente captavam depósitos e os emprestavam ao Tesouro ou ao banco central. Nesse novo papel, o crédito cresceu rapidamente e, como parte desse processo, a inadimplência aumentou porque as taxas de juros no ano passado estavam muito, muito altas.”

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Os bancos inicialmente consideraram essa deterioração temporária. Mas têm adiado repetidamente as expectativas sobre quando a qualidade do crédito irá melhorar, ao mesmo tempo em que se tornam cada vez mais seletivos na concessão de novos empréstimos.

“Continuamos vendo que esses segmentos permanecem problemáticos”, afirmou Gonzalo Fernández Covaro, diretor financeiro do Grupo Financiero Galicia, durante a teleconferência de resultados da empresa em maio, citando a estagnação da renda das famílias como uma das razões para a lenta recuperação. “A expectativa é que, ao longo do ano, à medida que a inflação continue caindo e a economia cresça”, acrescentou, “possamos voltar a conceder crédito para diferentes segmentos. Mas, até agora, ainda não estamos vendo isso.”

A questão se tornou importante a ponto de as autoridades começarem a incentivar os bancos a refinanciar clientes inadimplentes. Os bancos estatais Banco Nación e Banco Ciudad lançaram programas de reestruturação que ampliam os prazos de pagamento e reduzem os custos dos empréstimos, enquanto o ministro da Economia, Luis Caputo, elogiou publicamente iniciativas semelhantes adotadas por instituições financeiras privadas.

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Transição econômica

Economistas afirmam que as dificuldades financeiras das famílias refletem mais do que um aumento temporário da inadimplência. A Argentina passa por uma rara transição: de um sistema financeiro moldado pela inflação crônica e pelo financiamento do governo para outro em que os bancos voltam a obter lucros avaliando o risco de crédito e emprestando recursos a consumidores e empresas.

Durante décadas, a inflação elevada desestimulou a concessão de crédito na Argentina, deixando o país com um dos sistemas bancários menos dependentes de crédito da América Latina. Grande parte da receita dos bancos vinha das tarifas cobradas e do financiamento ao setor público, e não da concessão de empréstimos a famílias e empresas.

Embora a inflação anual na Argentina, em torno de 30%, ainda seja elevada em comparação com a dos Estados Unidos, de cerca de 3,5%, ela caiu de mais de 200% registrados ainda em 2024. Para tomadores de crédito acostumados a ver o valor real de suas dívidas diminuir rapidamente com o tempo, essa mudança exigiu uma grande adaptação.

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“A redução da inflação tem um efeito significativo sobre a velocidade com que as dívidas perdem valor, o que é muito diferente do que ocorreu durante boa parte dos últimos anos”, afirmou Marcelo De Gruttola, analista da Moody’s Ratings em Buenos Aires. “Houve uma mudança muito rápida e significativa no ambiente macroeconômico, e isso alterou o comportamento dos tomadores de crédito de maneiras difíceis de prever.”

Os argentinos mais endividados tendem a viver longe da cidade de Buenos Aires, centro de maior riqueza do país, onde apenas 16% dos adultos estão com empréstimos em atraso. Em várias províncias do interior, essa taxa é o dobro, segundo a consultoria Equilibria.

O baixo crescimento dos salários e um mercado de trabalho enfraquecido dificultaram que muitas famílias quitassem suas dívidas, enquanto os bancos endureceram os critérios para concessão de crédito e passaram a direcionar novos empréstimos para empresas com menor risco. Como consequência, o crédito ao consumidor passou a desempenhar um papel muito menor na recuperação econômica do que muitos economistas esperavam.

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Mesmo após quase dobrar desde que Milei assumiu a Presidência, o volume de crédito ainda equivale a apenas cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, maior economia da América Latina, essa proporção está mais próxima de 80%.

Há muito tempo os investidores veem o sistema bancário argentino como um dos principais beneficiários da estabilização macroeconômica do país, com base na expectativa de que exista amplo espaço para a expansão do crédito quando os balanços financeiros das famílias se recuperarem.

Esse otimismo, porém, diminuiu. As ações dos bancos argentinos tiveram desempenho inferior ao do índice Merval — mais amplo e fortemente concentrado no setor de energia — à medida que os investidores avaliam os efeitos negativos da deterioração da qualidade do crédito e da proximidade das eleições.

“Os bancos tendem a ser mais sensíveis às incertezas macroeconômicas e políticas”, afirmou Ola El-Shawarby, gestora de portfólio de ações da VanEck, em Nova York. “Embora nossa visão de longo prazo continue positiva, neste momento vemos oportunidades mais atraentes no setor de recursos naturais.”



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Música inédita de Marília Mendonça é lançada no dia em que cantora faria 31 anos


Os fãs de Marília Mendonça ganharam uma homenagem emocionante nesta quarta-feira (22), data em que a cantora completaria 31 anos. A equipe da artista lançou oficialmente Tudo Vai Ficar Bem, música inédita gravada por ela antes de sua morte e que preserva sua interpretação original, mantendo viva a essência da voz que marcou uma geração de brasileiros.

O lançamento rapidamente mobilizou as redes sociais, onde admiradores celebraram a novidade e relembraram o legado da sertaneja. A divulgação da faixa foi encarada como um presente para os fãs, que destacaram a importância de manter viva a obra da artista, morta em novembro de 2021, aos 26 anos, em um acidente aéreo em Minas Gerais.

Tudo Vai Ficar Bem surgiu a partir de uma gravação-guia feita pela própria Marília Mendonça, formato que a cantora costumava utilizar para registrar novas composições apenas com voz e violão antes das versões definitivas.

A canção foi escrita em parceria com Tales Lessa, Júnior Gomes, Vini Show e Benício Neto, enquanto a produção musical ficou sob responsabilidade de Júnior Campi. Antes conhecida por parte dos fãs pelo nome Pequena, a composição circulava de forma não oficial desde 2022 e agora recebe seu lançamento definitivo nas plataformas digitais.

Um dos trechos da música transmite uma mensagem de acolhimento e esperança: “Tudo vai ficar bem e as flores vão nascer de novo depois de amanhã, porque o inverno está passando, a chuva já tá estiando e o sol voltou.”

Faixa integra série

Além do lançamento nas plataformas de streaming, a música faz parte da trilha sonora de Marília Mendonça – Sentimento Louco, série documental produzida pelo Prime Video com estreia prevista para outubro. A produção revisita momentos marcantes da carreira da cantora, desde o início como compositora até sua consolidação como um dos maiores nomes da música sertaneja brasileira.

Com direção de Susanna Lira, a série contará com quatro episódios e apresentará diferentes fases da vida da artista, além de destacar sua influência na música e o impacto que teve ao abrir espaço para uma nova geração de mulheres no sertanejo.

Fãs celebram homenagem

O lançamento surpreendeu o público e provocou uma onda de mensagens nas redes sociais. Muitos fãs afirmaram que a cantora continua presente por meio de suas músicas e agradeceram à equipe da artista por disponibilizar mais uma composição inédita

Comentários destacaram que, embora a data marcasse o aniversário de Marília, o verdadeiro presente foi para o público. Quase cinco anos após sua morte, a cantora permanece entre os artistas mais lembrados e ouvidos do país, com um repertório que continua emocionando milhões de pessoas.



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Augusto Billi é nomeado secretário de Comércio e Relações Internacionais

Augusto Billi assumiu, nesta quarta-feira (22), a SCRI (Secretaria de Comércio e Relações Internacionais) do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), conforme antecipado pela CNN Brasil. A nomeação foi oficializada pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, no DOU (Diário Oficial da União). 

O ministro da Agricultura, André de Paula, já havia adiantado em que Billi assumiria a pasta por meio de uma postagem em suas redes sociais. 

“Tenho confiança de que sua experiência, competência e compromisso com o serviço público contribuirão para fortalecer ainda mais a atuação do Mapa na ampliação de mercados, nas relações internacionais e na promoção do agro brasileiro”, afirmou na ocasião.

O cargo estava vago desde a saída de Luis Rua, no dia 13 de julho. Rua assumiu o cargo em outubro de 2024 e, ao longo do mandato, participou de mais de 400  aberturas comerciais.

Trajetória de Augusto Billi

O engenheiro agrônomo Augusto Luis Billi, formado pela Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), tem trajetória de mais de três décadas ligada ao crédito rural, à defesa agropecuária e à formulação de políticas públicas para o setor.

Ele também possui pós-graduação em Direito Administrativo e Constitucional e é fluente em inglês e espanhol.

Billi iniciou a carreira em 1993, no Banco Sudameris, na área de crédito rural, onde desenvolveu experiência em política agrícola e financiamento ao setor agropecuário.

 Em 2002, ingressou no Mapa, passando inicialmente pela área de fiscalização vegetal, na qual trabalhou por quatro anos.

Ao longo da carreira no ministério, também exerceu a função de diretor técnico na SFA-SP (Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo) e coordenou o Vigiagro (Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional), responsável pelas operações no Porto de Santos e nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos.

Entre 2010 e 2019, atuou na Divisão de Desenvolvimento Agropecuário, com participação em iniciativas voltadas ao Plano ABC, Indicações Geográficas, política agrícola, inovação, agricultura familiar, convênios e ao Selo Arte. De 2020 a 2024, Billi trabalhou como Adido Agrícola na Embaixada brasileira em Londres. 

Desde então, ele atuou na SCRI, primeiro como Diretor de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade entre 2024 e 2025 e, a partir de janeiro deste ano, como  Secretário Adjunto. 

 

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Avanço de frente fria muda o tempo em SP e mantém alerta para temporais no Sul


O Brasil terá uma semana marcada por diferentes condições de tempo, com chuva intensa em algumas regiões e predomínio de tempo firme em outras. Uma frente fria avança pelo país e deve mudar o padrão meteorológico no Sudeste a partir desta quinta-feira, 23, enquanto áreas do Sul continuam sob alerta para temporais e volumes elevados de chuva.

Segundo Maria Clara Sassaki, porta-voz da Tempo OK, a chegada do sistema representa uma mudança nas condições de temperatura e umidade, especialmente em São Paulo e em áreas próximas ao Paraná.

“Reforçamos o alerta para que a população acompanhe as atualizações e se prepare para as mudanças bruscas de temperatura e umidade”, afirmou.

A instabilidade começa a avançar nesta quarta-feira, 22, pelos estados de Santa Catarina e Paraná, onde há previsão de chuva volumosa, além de possibilidade de tempestades acompanhadas de raios, granizo e rajadas de vento. A especialista destaca ainda que os volumes elevados podem contribuir para a elevação do nível de rios e provocar pontos de alagamento, enchentes e transbordamentos.

Entre quarta-feira e sexta-feira, 25, os maiores acumulados devem se concentrar na região central e oeste do Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul. Nessas áreas, a previsão indica volumes entre 40 e 60 milímetros, podendo superar 80 milímetros em pontos isolados. Há possibilidade de tempestades com raios, granizo e ventos de até 90 km/h.

Em Santa Catarina e na faixa leste do Paraná, são esperados acumulados entre 30 e 45 milímetros, com possibilidade de ultrapassar 50 milímetros em algumas localidades. As tempestades podem vir acompanhadas de rajadas de vento de até 70 km/h.

No Sudeste, a frente fria deve provocar mudanças principalmente a partir de quinta-feira. Em São Paulo, as áreas próximas à divisa com o Paraná, o Vale do Ribeira e o litoral sul paulista devem ser as primeiras a sentir os efeitos do sistema, com possibilidade de chuvas de moderada a forte intensidade.

Para o Estado de São Paulo e o leste de Mato Grosso do Sul, a previsão indica volumes de até 20 milímetros, com possibilidade de raios pontuais e rajadas de vento de até 60 km/h.

Enquanto a frente fria avança pelo centro-sul do País, outras áreas terão predomínio de tempo seco. O Centro-Oeste e o interior do Nordeste devem enfrentar baixos índices de umidade relativa do ar, aumentando a preocupação com impactos à saúde e o risco de queimadas.

Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a previsão é de tempo firme na maior parte das áreas, com possibilidade de chuvas isoladas, mas sem expectativa de grandes acumulados. Após a passagem da frente fria, as temperaturas devem cair no centro-sul do Brasil, principalmente a partir de domingo, 27, com destaque para a Região Sul e o sul de Minas Gerais.



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Mulher é presa em Guarulhos suspeita de encomendar a morte do marido policial


Uma mulher de 56 anos, procurada por envolvimento no assassinato do próprio marido — que era policial civil —, foi presa nesta quarta-feira (22). De acordo com a Polícia Civil, ela foi localizada por agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) no bairro Pimentas, em Guarulhos, na Grande São Paulo, no exato momento em que se preparava para fugir da região.

O crime ocorreu em janeiro de 2025, em São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista. Na ocasião, o agente estava em um estabelecimento comercial quando dois homens invadiram o local e efetuaram disparos de arma de fogo contra ele. Os executores do homicídio foram identificados e presos no decorrer das investigações.

Embora a esposa da vítima já tivesse sido detida logo após o crime, ela acabou sendo solta na época por falta de elementos robustos que justificassem a manutenção da prisão. No entanto, o inquérito não foi encerrado. Equipes do Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Cerco), vinculadas à 7ª Delegacia Seccional de Polícia, aprofundaram as apurações e conseguiram reunir novas provas que apontavam a mulher como a mandante do crime, tendo contratado os atiradores para executar o marido.

Com as novas provas, a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva. “O conjunto de indícios do crime sempre apontava para a participação de mais pessoas, dentre elas a própria esposa do policial. Não desistimos do trabalho investigativo, nos aprofundamos mais e conseguimos essa decisão da Justiça”, afirmou o delegado Douglas Torres, do GOE.

O caso foi oficialmente registrado como captura de procurado no 4º Distrito Policial de Guarulhos, onde a suspeita permaneceu à disposição da Justiça.

*texto produzido com auxílio de IA



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Lotérico que ganhou na Mega-Sena conquista o maior prêmio da história da Lotofácil


O empresário e lotérico Alessandro Montenegro volta aos holofotes nacionais ao integrar o grupo vencedor do concurso 3741 da Lotofácil. O sorteio distribuiu R$ 14.429.991,91, estabelecendo a maior premiação da história da modalidade em concursos regulares.

A aposta vencedora foi realizada na modalidade de 19 dezenas e contou com a participação de 31 cotistas em Fortaleza. Com um investimento individual de R$ 590,77, cada apostador — incluindo Montenegro — garantiu um retorno estimado em R$ 465 mil. Com este resultado, o empresário atinge a marca expressiva de oito grandes premiações conquistadas somente no primeiro semestre de 2026.

Além do destaque em cinco concursos da Lotofácil, o histórico de 2026 inclui participações vitoriosas em bolões da Mega-Sena, da Quina de São João e do Dia de Sorte.

O êxito recente também impulsiona os registros da Loteria Aldeota, que alcança a marca de 14 prêmios principais em sua história. O desempenho da casa compreende:

  • 2 prêmios principais da Mega-Sena
  • 10 prêmios principais da Lotofácil
  • 1 prêmio principal do Dia de Sorte
  • 1 prêmio principal da Quina de São João



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