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Delegação da Bolívia visita fazendas e indústrias em Mato Grosso

Uma comitiva formada por empresários, representantes de entidades e autoridades da Bolívia conheceu, nos dias 11 e 12 de agosto, propriedades rurais e unidades industriais de Mato Grosso em uma agenda voltada ao intercâmbio de tecnologias e experiências no agronegócio.

Organizada pelo Comitê de Integração Brasil–Bolívia, a iniciativa reuniu lideranças dos setores público e privado dos dois países e apresentou modelos de produção em agricultura, pecuária, algodão, bioenergia, agroindústria e gestão.

Para o presidente de honra do Comitê de Integração Brasil–Bolívia, Eraí Maggi Scheffer, o conhecimento acumulado por Mato Grosso pode ajudar a Bolívia a acelerar o desenvolvimento do setor agropecuário.

Segundo ele, o estado levou cerca de 30 anos para alcançar o atual nível de produção, período marcado por testes, investimentos e adaptação de tecnologias. A avaliação é que o compartilhamento dessas experiências pode permitir que produtores bolivianos avancem em um período menor.

No primeiro dia da programação, a comitiva visitou a Fazenda Fartura e a Fazenda Filadélfia, em Campo Verde, e acompanhou uma colheita de algodão durante o deslocamento para Primavera do Leste. O grupo também conheceu a FS Biofuels, onde acompanhou o processo industrial de produção de bioetanol de milho.

Já no segundo dia, a agenda foi concentrada na região médio-norte do estado, com visitas ao distrito industrial e às fazendas Agromar e Colorado, em São José do Rio Claro. Os visitantes conheceram o sistema Compost Barn aplicado ao confinamento de gado de corte, além de práticas de manejo e modelos de integração produtiva.

O presidente da Câmara Agropecuária do Oriente, Klaus Frerking, destacou as semelhanças entre Santa Cruz e Mato Grosso, especialmente na importância da agropecuária para as economias locais.

Segundo Frerking, a comitiva buscou conhecer tecnologias aplicadas à produção de soja, algodão, milho e carne, com o objetivo de adaptar parte das experiências à realidade boliviana.

A Câmara Agropecuária do Oriente reúne cerca de 70 mil produtores e 100 mil unidades produtivas em Santa Cruz, o que, de acordo com o dirigente, amplia o potencial para novas parcerias e intercâmbio entre produtores dos dois territórios.

O presidente da Associação Boliviana dos Criadores de Zebu, Marcelo Muñoz, também ressaltou a possibilidade de acelerar a adoção de tecnologias já testadas em Mato Grosso.

Para ele, o contato direto com produtores e empresas do estado permite conhecer soluções que passaram por anos de desenvolvimento e podem ser adaptadas às condições da Bolívia.

A senadora boliviana Natalia Miserendino destacou, por sua vez, a importância da aproximação entre o setor produtivo e o poder público. Segundo ela, o intercâmbio permite conhecer mecanismos que podem reduzir burocracias e criar condições para ampliar investimentos e incorporar novas tecnologias.

Durante a visita à fazenda Agromar, a parlamentar também observou práticas relacionadas à sustentabilidade, manejo das propriedades, preservação ambiental e uso dos recursos hídricos.

A agenda entre as lideranças brasileiras e bolivianas também abordou temas como agricultura de larga escala, gestão, algodão, pecuária, confinamento, bioetanol de milho, biodiesel, logística, infraestrutura e agregação de valor.

A iniciativa faz parte do trabalho do Comitê de Integração Brasil–Bolívia para aproximar os setores público e privado e ampliar as oportunidades de cooperação entre Mato Grosso e a Bolívia.

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Justiça suspende edital da Prefeitura de SP para terceirização de 3 escolas


A Justiça suspendeu, por meio de liminar, um edital da Prefeitura de São Paulo que recorria à parceria com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para fazer a gestão de atividades educacionais e não educacionais de três escolas municipais de Ensino Fundamental I e II (EMEFs). A decisão é temporária, e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse, por meio de nota, que vai recorrer.

A decisão é do desembargador Marcelo Semer, da 10.ª Câmara de Direito Público. O magistrado optou pela suspensão do certame para evitar problemas futuros caso o procedimento avance. Semer não julgou o mérito da inconstitucionalidade do certame, conforme defende o Ministério Público. A promotoria e entidades sindicais alegam que o tipo de parceria viola diretrizes do ensino público.

Conforme o edital, publicado em julho, a parceria seria celebrada por meio de “termo de colaboração” e teria um investimento previsto de R$ 102,8 milhões ao longo de cinco anos. As três unidades escolares escolhidas para ter parte da gestão entregue às entidades ficam localizadas nos distritos de Parelheiros (zona sul), Pedreira (zona sul) e Jaraguá (zona norte).

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o modelo de gestão baseia-se em metas e resultados e prevê até a perda de repasses aos gestores privados das escolas caso não atinjam as metas nas avaliações. “A Procuradoria Geral do Município (PGM/SP) informa que o Município ainda não foi notificado, mas recorrerá da decisão”, disse a administração em nota enviada à reportagem.

O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) e o Sindicato dos Professores e Funcionários Municipais de São Paulo (Aprofem) chegaram a mover ações na Justiça para anular o edital, alegando que o certame promoveria a terceirização da gestão pedagógica e administrativa das unidades da rede municipal de ensino.

Os pedidos foram negados em primeira instância, e o Ministério Público (MP) recorreu da decisão. A promotoria sustenta que o modelo de parceria é inconstitucional e ilegal porque, além de transferir a gestão pedagógica e administrativa de escolas públicas à iniciativa privada, haveria a contratação privada dos profissionais da educação.

Isso, segundo o MP, indica “violação ao regime jurídico próprio da educação pública, à gestão democrática do ensino, à valorização dos profissionais da educação, à regra do concurso público e às normas relativas à utilização de recursos públicos”

Na decisão, o desembargador considerou que os argumentos do Ministério Público são plausíveis, mas, em vez de reconhecer a invalidade do edital, optou por suspender o certame por entender que a matéria demanda um exame mais “aprofundado” até que o procedimento avance para as próximas etapas.

No entendimento de Marcelo Semer, a continuidade do certame poderá levar a atos, como a abertura dos envelopes, escolha da organização parceira, contratação de profissionais e destinação dos recursos, que são de “difícil reversão”.

“A suspensão do procedimento, ao contrário, mostra-se medida reversível. Caso, após o contraditório e o aprofundamento da cognição, se reconheça a validade do modelo, o procedimento poderá ser retomado, observadas as providências administrativas pertinentes”, continuou o magistrado.

Em março, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) emitiu um parecer jurídico opinando a favor da celebração da parceria com as OSCs mediante algumas condições, mas descreveu o assunto como uma “matéria de inequívoca controvérsia jurídica”.

Entre as condicionantes estabelecidas pela PGM estavam a preservação integral do caráter público das EMEFs, a retenção pela Secretaria Municipal de Educação do controle sobre a política educacional das unidades e a adoção obrigatória do Currículo da Cidade.

Apesar da conclusão favorável, o parecer da Procuradoria-Geral do Município não tem efeitos jurídicos sobre a validade do edital.

Este tipo de parceria não é uma novidade na rede de ensino paulistana. Há anos, acordos com Organizações da Sociedade Civil (OSCs) são realizados para a gestão de creches na cidade. Atualmente, a maior parte dos Centros de Educação Infantil (CEIs) da Rede Municipal funciona em regime desse tipo de parceria.

No caso do Ensino Fundamental, a Prefeitura usa como referência o Liceu Coração de Jesus, colégio localizado no centro da cidade. Em 2022, a escola passou a integrar a Rede Municipal por meio de parceria com uma OSC, depois que o colégio ameaçou fechar as portas por problemas financeiros.

Conforme informou o Estadão, as OSCs podem ser escolas privadas, mas sem fins lucrativos. Caso o edital avance, cada uma receberá R$ 34 milhões ao longo dos cinco anos de contrato para fazer a gestão das três escolas da Prefeitura, que são novas e ainda estão em construção.

As parceiras privadas ficarão responsáveis por contratar os professores, que não serão servidores públicos, mas terão os salários custeados pela Prefeitura. Segundo o secretário municipal de Educação, Fernando Padula, o valor não pode ser inferior ao piso nacional dos professores (R$ 5.130). Já o piso na capital é maior, de R$ 5.831.

As escolas também continuarão responsáveis pela aquisição e reposição de livros didáticos; fornecimento de kits escolares, uniformes e transporte; serviço de alimentação escolar; e fornecimento de gás, internet e telefonia nas unidades de ensino



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Produção industrial sobe em 8 dos 18 locais pesquisados em junho, diz IBGE


A produção industrial subiu em 8 dos 18 dos locais pesquisados em junho de 2026 ante junho de 2025, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Vale citar que junho de 2026 teve um dia útil a mais que igual mês do ano anterior”, ressaltou o IBGE em nota.

Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve uma queda de 0,9%. As demais perdas ocorreram no Amazonas (-10%), Pará (-5,1%), Região Nordeste (-4,2%), Maranhão (-7,6%), Ceará (-0,1%), Rio Grande do Norte (-0,9%), Pernambuco (-5,2%), Bahia (-3,9%) e Minas Gerais (-2,6%).

Na direção oposta, houve expansão no Espírito Santo (12,2%), Rio de Janeiro (6,3%), Paraná (2,8%), Santa Catarina (1,9%), Rio Grande do Sul (10,5%), Mato Grosso do Sul (0,9%), Mato Grosso (6,1%) e Goiás (2,2%).

Na média global, a indústria nacional cresceu 1,7% em junho de 2026 ante junho de 2025.



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Inflação de serviços acende alerta no mercado e põe em dúvida novos cortes na Selic


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% em julho, um resultado que está acima do esperado, mas traz alívio ao acomodar o acumulado de 12 meses de volta à banda de tolerância do Banco Central. 

A análise dos economistas aponta um cenário qualitativo adverso, marcado pela forte resiliência da inflação de serviços e pela pressão contínua nos núcleos de preços, fatores que devem limitar o espaço para novos cortes na taxa básica de juros.

Hoje, o Comitê de Política Monetária (CopoM) divulgou a ata com informações mais detalhadas sobre os argumentos que embasaram a decisão de cortar juros na semana passada, levando a Selic a 14%. O teor do texto dividiu economistas sobre os próximos passos, já que a autoridade dá ênfase à necessidade de acompanhar os dados de inflação e atividade, sem deixar claro se haverá mais cortes ou pausa nos juros.

Saiba mais: Risco fiscal e inflação dividem mercado sobre novos cortes na Selic

Hoje, o número oficial de julho divulgado pelo IBGE ficou acima do consenso do mercado, que projetava uma variação mais tímida, entre 0,01% e 0,03%. Com esse desempenho, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,64% em junho para 4,44%, levemente abaixo do teto da meta, que é de 4,5%. No acumulado de 2026, o índice registra um avanço de 3,44%.

Período Taxa (%)
Julho de 2026 0,07
Junho de 2026 0,16
Julho de 2025 0,26
Acumulado no ano 3,44
Acumulado em 12 meses 4,44
Fonte: IBGE

Inflação impõe cautela

A economista Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, sintetiza o sentimento de cautela que tomou conta das mesas de operação, falando que “a fotografia melhorou, mas saiu menos bonita do que o mercado havia encomendado”. Ela reforça a necessidade de sobriedade na leitura dos dados. “Inflação abaixo do teto ajuda. Inflação acima da expectativa lembra que o teto nunca foi a meta. O número permite comemorar a direção, não decretar a chegada”, avalia.

Deflação de alimentos

O grande contrapeso que evitou uma aceleração maior do IPCA de julho veio do setor de alimentação, amplamente beneficiado por fatores sazonais característicos do meio do ano. 

O grupo de alimentação e bebidas registrou recuo de 0,67%, com destaque para a alimentação no domicílio, que apresentou queda expressiva de 1,14%. 

O consumidor sentiu o alívio provocado pelos fortes recuos em produtos in natura, com o tomate caindo -29,09%, a batata-inglesa, -19,59%, e a cenoura, -14,41%.

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Os bens industriais também colaboraram para conter a aceleração do índice geral, apresentando uma deflação de 0,10% na passagem mensal, impulsionado pelo arrefecimento no segmento de transportes, onde os combustíveis recuaram -1,44%. O etanol sofreu deflação de -2,26%, enquanto a gasolina, um dos itens de maior peso na cesta, recuou -1,37%.

No entanto, a economista Basiliki Litvac, da XP, alerta para a fragilidade dessa desinflação de curto prazo. A especialista ressalta que “a leitura interrompeu uma sequência de surpresas baixistas, mas o desvio ficou concentrado em itens voláteis”, o que exige máxima cautela na interpretação da melhora do índice cheio.

Serviços e energia elétrica pressionam IPCA

Se os alimentos in natura ficaram mais baratos, os gastos com a manutenção da casa e o setor de serviços mostraram força, surpreendendo os analistas de forma negativa. 

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O grupo Habitação, por exemplo, acelerou para 0,99% em julho, puxado por um salto de 3,09% na tarifa de energia elétrica residencial. Esse aumento incorpora não apenas a manutenção da bandeira tarifária amarela, mas também reajustes aplicados por concessionárias em capitais como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.

O grande vilão para a política monetária, entretanto, continua sendo o setor de serviços, que registrou alta de 0,54% no mês, superando com o consenso de 0,40% projetado pelo mercado. No acumulado de 12 meses, os serviços estão em patamares incompatíveis com a convergência da inflação, entre 5,85% e 5,90%.

O banco norte-americano Goldman Sachs destaca que a pressão foi generalizada. O relatório, assinado pelo economista Alberto Ramos, aponta que 18 categorias de serviços tiveram variações mensais acima de 0,50%. Itens como passagens aéreas saltaram 11,67%, o transporte por aplicativo subiu 1,87%, o conserto de automóveis avançou 1,41% e a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.

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A economista Claudia Moreno, do C6 Bank, enfatiza a rigidez desse segmento, pontuando que os preços seguem elevados em categorias como a de serviços subjacentes. Essa métrica, monitorada pelo Banco Central porque exclui itens voláteis, acelerou de 0,22% em junho para 0,42% em julho. Outro termômetro sensível, os serviços intensivos em trabalho, acelerou no acumulado anual para 7,29%, reflexo de um mercado de trabalho superaquecido.

Núcleos de inflação e o impacto na Selic

A piora na composição qualitativa da inflação pode ser apontada pela média dos cinco principais núcleos acompanhados pelo Banco Central, que excluem os ruídos temporários. Essa média avançou 0,26% em julho, acelerando frente aos 0,21% de junho. O acumulado em 12 meses dessas medidas de tendência manteve-se resistente e praticamente inalterado, passando de 4,44% para 4,42%.

O cruzamento desses dados com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na mesma manhã, balizou o humor do mercado. A ata ratificou o corte da taxa básica de juros para 14% ao ano, mas retirou sinalizações automáticas para os próximos passos, reforçando a extrema preocupação com a desancoragem das projeções futuras.

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Para João Debom, sócio da Supernova Investimentos, o Copom está em uma encruzilhada. “O IPCA de julho fala do presente — e o presente está comportado. A ata fala do futuro — e é sobre o futuro que o Banco Central segue desconfiado”. Debom orienta que investidores não se antecipem, pois “o ciclo de corte de juros continua, mas em ritmo mais lento e mais dependente de cada novo dado do que o mercado gostaria”.

Alberto Ramos, do Goldman Sachs, vai na mesma linha, alertando que o cenário de dinâmica inflacionária desafiadora, somado a estímulos fiscais e expectativas desancoradas, exige obrigatoriamente uma “calibração conservadora do ciclo de normalização da política monetária”, enxergando espaço limitado para a continuidade dos cortes.

O grau desse conservadorismo, no entanto, divide as instituições. Economistas do C6 Bank avaliam que a ata e a composição do IPCA justificam a manutenção da taxa Selic parada nos atuais 14% até o fim de 2026. 

Em contrapartida, casas como Suno Research, Genial Investimentos e Ativa Investimentos leem que a inflação comportada no curto prazo garante sobrevida ao ciclo, apostando em mais uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, ancorando a Selic terminal de 2026 em 13,75%. 

Já o banco Inter figura na ponta otimista, mantendo projeções de cortes sistemáticos de 25 pontos-base que levariam a taxa para 13,25% até o encerramento do ano.



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Inflação é o maior problema, afirma Goolsbee, do Fed


11 Ago (Reuters) – ⁠O presidente do ⁠Federal Reserve de ‌Chicago, Austan Goolsbee, indicou, em um vídeo que ‌não apresentou explicitamente suas opiniões sobre política monetária, estar mais preocupado com a inflação ⁠neste ‌momento do que ⁠com qualquer fragilidade no mercado de trabalho.

“O maior problema que nossa economia enfrenta ​neste momento não é o colapso da indústria ​nem a perda de empregos; é que os preços vêm subindo rápido ‌demais, temos um ​problema de inflação e as pessoas detestam inflação”, disse ⁠Goolsbee ​em um ​vídeo publicado pela Wired na ⁠terça-feira.

Analisando indicadores ​como a taxa de desemprego, a taxa de ​contratação e a taxa de demissão, ​ele afirmou: “eles ⁠dizem que o mercado de ⁠trabalho está estável, sem ser bom — é assim que eu o caracterizo”.



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El Niño deve ser forte, mas atual sistema alimentar global está mais resiliente


Cingapura/Nova Délhi – Estoques quase recordes, avanços tecnológicos e a ascensão de importantes exportadores, como o Brasil e a Rússia, tornaram o sistema alimentar global mais resiliente ao “super” El Niño deste ano, em relação a eventos climáticos semelhantes no passado.

A produção agrícola mundial tem superado o consumo e o crescimento populacional desde a década de 1980, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e analistas.

Essas mudanças foram impulsionadas por variedades de culturas de maior rendimento, maior uso de fertilizantes e melhorias na irrigação e na proteção das culturas, elevando a produtividade de alimentos básicos como arroz, trigo, milho e soja.

“Mesmo em condições de seca, uma melhor gestão da irrigação e os avanços na ciência agrícola significam que ainda podemos produzir safras comercializáveis”, disse Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3.

“Existe o impacto potencial sobre o abastecimento e os preços globais de alimentos, mas nossa melhor preparação significa que as perturbações são muito menos graves do que teriam sido nas décadas anteriores.”

Leia também: Próximo El Niño pode ser o mais devastador em 150 anos, diz físico da USP

El Niño ganha força

A seca trazida pelo El Niño já prejudicou o plantio em grande parte da Ásia, incluindo Índia, Sudeste Asiático e Austrália, enquanto a escassez de fertilizantes e diesel causada pela guerra no Irã agrava os riscos à produção global de alimentos.

A Índia enfrenta uma estação de monções fraca, enquanto perspectivas de tempo mais seco pairam sobre as principais regiões produtoras de trigo da Austrália e as safras em todo o Sudeste Asiático, incluindo Indonésia e Tailândia, sofrem com a falta de umidade.

As perspectivas podem piorar, já que um El Niño, que já é forte, deve se intensificar no quarto trimestre e no início do próximo ano, disse Chris Hyde, meteorologista baseado nos EUA que trabalha na empresa de dados e imagens de satélite SkyFi.

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“A expectativa é de que seja um dos mais fortes já registrados, ou o mais forte que o mundo já viu, e isso significa que o grande impacto da seca ainda está por vir.”

Leia também: El Niño deve custar caro ao PIB do Brasil com choques em agro e energia

Caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico oriental e central, o fenômeno climático El Niño costuma trazer seca para grande parte da Ásia e aumentar as chuvas em partes das Américas.

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Nos anos de 1997-98 e 2015-16, episódios severos do El Niño reduziram drasticamente a produção de culturas importantes, alimentando a escassez de alimentos, a inflação e prejudicando o crescimento econômico.

Os preços do açúcar e do óleo de palma dispararam depois que a seca reduziu a produção nesses anos no Brasil, na Índia, na Indonésia, na Malásia e na Tailândia, enquanto a escassez de arroz levou os produtores do Sudeste Asiático a restringir as exportações.

A seca também reduziu as exportações de trigo da Austrália e forçou os países da África Austral a aumentar as importações de milho.

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Estoques recordes

Desta vez, estoques de grãos quase recordes, sementes resistentes à seca, melhores previsões meteorológicas, agricultura de precisão, irrigação aprimorada e o surgimento de novas potências exportadoras devem amenizar grande parte das consequências.

Na Índia, importante produtora agrícola, o plantio tem se mantido, em linhas gerais, dentro do previsto após superar um atraso inicial substancial, embora as chuvas em agosto e setembro sejam cruciais para a maturação e a formação dos grãos, disse Ashwini Bansod, vice-presidente de pesquisa de commodities da Phillip Capital India, em Mumbai.

No entanto, a Índia, responsável por 40% das exportações globais de arroz, possui tanto arroz que está esgotando o espaço de armazenamento para estoques equivalentes a mais de um ano do total das exportações globais.

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Quase metade dos amplos estoques globais de trigo está nas mãos da China, maior produtora e consumidora mundial do grão, proporcionando uma reserva que deve ajudar a conter a demanda por importações caso a seca prejudique a produção na Austrália, principal fornecedora.

Os estoques globais de óleo de palma estão próximos de níveis historicamente altos, embora o agressivo programa de biodiesel da Indonésia provavelmente reduza os estoques nos próximos meses. O óleo de palma é responsável por cerca de 60% das exportações globais de óleo comestível.

Leia também: El Niño forte pode aumentar para 274 milhões o número de famintos no mundo

Exportadores: Rússia e Brasil

O surgimento de novos centros de exportação, que praticamente não existiam há algumas décadas, adicionou volumes significativos aos mercados globais.

O Brasil, por exemplo, tornou-se o maior fornecedor mundial de soja, com as exportações aumentando mais de 13 vezes desde 1997/98, enquanto os embarques de trigo da Rússia saltaram para 48 milhões de toneladas no ano passado, ante cerca de 1 milhão de toneladas em 1997/98.

Pesquisadores desenvolveram híbridos de milho tolerantes à seca, amplamente adotados na África e nas Américas desde 2015, ajudando os agricultores a manter a produtividade durante períodos de seca e chuvas irregulares.

Variedades de trigo tolerantes ao calor e à seca também ganharam espaço na Índia e na Austrália, onde avanços no melhoramento genético aumentaram a resiliência ao estresse hídrico e térmico, reduzindo o risco de perdas acentuadas causadas por condições climáticas adversas.

Leia também: Como o El Niño impactou empresas agro no Brasil em julho?

No Sul e Sudeste da Ásia, variedades de arroz de ciclo curto ajudam os agricultores a lidar com as chuvas de monção cada vez mais irregulares.

Os agricultores agora contam com um conjunto de ferramentas digitais que mal estavam disponíveis durante o evento do El Niño de 1997-98, desde o monitoramento de culturas por satélite e previsões climáticas sazonais até mapas de umidade do solo em alta resolução e aplicação de fertilizantes guiada por GPS, que lhes permitem direcionar os insumos de forma mais eficiente.

“Os governos têm informações muito melhores do que no passado e são capazes de se preparar com mais antecedência”, disse o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, à Reuters.

“Nossas previsões e a transparência do mercado melhoraram.”

Os agricultores estão aderindo em massa a plataformas de consultoria baseadas em inteligência artificial que integram previsões meteorológicas, dados do solo e informações sobre as culturas para fornecer recomendações oportunas sobre datas de plantio, irrigação, uso de fertilizantes e gerenciamento de pragas.



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PF prende suspeito de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões no RJ


A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (14), no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um homem acusado de participar do esquema fraudulento que fez uma mulher de 70 anos ter prejuízo superior a R$ 37 milhões.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Criptoabate, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul nessa quinta-feira (13), com o objetivo de desarticular um esquema de fraude eletrônica estruturado por meio de uma falsa plataforma de investimentos. O valor das fraudes pode chegar a R$ 50 milhões.

De acordo com as investigações, a organização criminosa usava a prática conhecida como “pig butchering” (golpe do abate de porcos), quando os criminosos estabelecem uma relação com as vítimas, por meio de mentorias, para induzi-las a realizar investimentos financeiros em plataformas falsas com promessa de alta rentabilidade.

Natural de Presidente Prudente (SP) e morador de Balneário Camboriú (SC), o homem é apontado como dono de instituição financeira ligada ao esquema. Ele responderá pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.



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Data centers são bons para produtividade, mas podem disparar inflação, diz Fed


O presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou nesta terça-feira, 11, que data centers de inteligência artificial (IA) possuem um efeito duplo para a economia, exigindo cautela do banco central. Por um lado, eles aumentam a produtividade, mas, por outro, podem disparar a inflação ao aquecer demais a economia no curto prazo e aumentar preços de terras, commodities, entre outros. A declaração foi dada em entrevista para a Wired.

Goolsbee disse que monitora o mercado de trabalho como possível indicador de recessão e que não vê riscos disso no momento, ao ser questionado. “O que vejo é uma hesitação das empresas em contratar, mas também não estão demitindo ninguém”, pontuou, lembrando que acompanha de perto dados macroeconômicos antes de tomar decisões monetárias.

O dirigente comentou que costuma haver muito consenso nas decisões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês), embora às vezes tenham divergências. Goolsbee também explicou que os preços de gasolina tendem a ser voláteis a choques, como a guerra no Irã.

Comparando a situação atual a crise financeira de 2008, Goolsbee apontou que os desafios agora são diferentes daquela época. “Nosso maior desafio hoje é inflação”, disse. Ele ressaltou ainda que o desempenho do mercado acionário, que tem renovado máximas sucessivamente, não necessariamente representa o estado da economia dos EUA.

A dinâmica de entrevista da Wired reuniu várias perguntas de internautas nas redes sociais, que variavam desde a economia e política monetária ao funcionamento do Banco Central dos EUA.



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IA não causa “apocalipse” no mercado de trabalho dos EUA, mas alguns sinais já surgem


Os temores de que a inteligência artificial provoque uma onda de destruição de empregos nos Estados Unidos ainda não encontram respaldo nos dados agregados da economia, segundo relatórios recentes do Bank of America (BofA) e do Morgan Stanley.

Para os dois bancos americanos, os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho continuam limitados, embora já existam evidências de pressão crescente sobre trabalhadores mais jovens e ocupações com maior exposição à IA.

O BofA tem um diagnóstico relativamente otimista e afirma que a IA tende a substituir tarefas específicas, e não ocupações inteiras, repetindo o padrão observado em outras grandes transformações tecnológicas. Até agora, os dados sugerem que a adoção da tecnologia não tem produzido perdas líquidas relevantes de empregos na economia americana.

Segundo o levantamento, há pouca correlação entre exposição à inteligência artificial e crescimento do emprego entre 206 setores analisados. Além disso, o banco também encontrou relação limitada entre o uso de IA pelas empresas e a demanda por mão de obra, medida por vagas abertas e nível de emprego.

Embora também descarte um impacto macroeconômico significativo por enquanto, o Morgan Stanley identifica evidências crescentes de que a IA já começa a afetar determinados grupos de trabalhadores.

O banco afirma que a desorganização provocada pela inteligência artificial no mercado de trabalho continua “modesta, mas cada vez mais visível”. A instituição estima que o fenômeno pode estar adicionando até 0,15 ponto percentual à taxa de desemprego dos Estados Unidos, acima dos 0,10 ponto observados no fim de 2025.

A análise mostra que ocupações mais expostas à IA vêm registrando aumento mais acentuado do desemprego desde 2023. Após ajustes estatísticos para eliminar efeitos do ciclo econômico, a taxa de desemprego desses grupos está cerca de 0,5 ponto percentual acima do que seria esperado em condições normais de mercado.

O Morgan Stanley destaca ainda que trabalhadores dessas ocupações estão demorando mais para conseguir recolocação profissional e enfrentam maior dificuldade para retornar ao mercado após perder o emprego.

Jovens concentram maiores riscos

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O principal foco de preocupação dos dois bancos está nos trabalhadores mais jovens.

O BofA aponta que as taxas de desemprego entre recém-formados e profissionais de 22 a 27 anos permanecem acima dos níveis observados antes da pandemia. Embora parte desse movimento possa ter sido influenciada por incertezas econômicas e comerciais recentes, o banco afirma que a IA pode estar contribuindo para a piora das condições de entrada no mercado de trabalho.

O Morgan Stanley chega a conclusão semelhante. Segundo a instituição, os profissionais de 22 a 27 anos representam o grupo em que os sinais de disrupção são mais evidentes. O desemprego de jovens em ocupações altamente expostas à IA continua crescendo e abriu uma distância relevante em relação aos trabalhadores menos expostos à tecnologia.

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Para o banco, os profissionais em início de carreira podem estar funcionando como a “linha de frente” dos ajustes promovidos pela adoção da inteligência artificial.

Ao mesmo tempo em que pode reduzir a demanda por algumas funções, a inteligência artificial também está impulsionando contratações em setores ligados à infraestrutura tecnológica.

O BofA destaca que a corrida por data centers e investimentos em IA tem estimulado a geração de empregos na construção civil e na manufatura. Somente neste ano, a construção não residencial adicionou cerca de 95 mil vagas, enquanto setores industriais ligados à infraestrutura de IA criaram aproximadamente 32 mil empregos. Juntos, esses segmentos respondem por cerca de um quarto dos novos postos de trabalho privados gerados em 2026.

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Esse movimento ajuda a explicar por que os efeitos negativos observados em determinadas categorias profissionais não aparecem com a mesma intensidade nos indicadores agregados de emprego.

Mais produtividade do que cortes?

Outro ponto destacado pelo Morgan Stanley é que a narrativa corporativa sobre IA continua mais associada a ganhos de produtividade do que a demissões em massa.

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Segundo levantamento do banco, cerca de 13% das empresas do S&P 500 mencionaram a relação entre inteligência artificial e trabalho em suas teleconferências de resultados mais recentes. Houve inclusive aumento das referências à criação de empregos e redução das menções ligadas à substituição de funcionários.

As discussões mais frequentes envolvem automação, desaceleração no ritmo de contratações e aumento da produtividade por funcionário, permitindo que a receita cresça mais rapidamente do que o quadro de pessoal.



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Pedidos de recuperação judicial no agronegócio sobem 22% no 1º trimestre, diz Serasa


A crise financeira do agronegócio seguiu piorando no início deste ano: no primeiro trimestre, houve 474 pedidos de recuperação judicial de produtores rurais e empresas do setor, um salto de 21,9% ante os três primeiros meses de 2025, informou a consultoria de dados Serasa Experian.

O movimento, que disparou de 2024 em diante, reflete um quadro de margens apertadas, que assola os produtores há duas safras. E tende a piorar neste ano, mesmo com a produção recorde.

Isso porque a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã elevaram ainda mais o custo dos insumos, como fertilizantes e combustíveis, que já vinham em alta, ao mesmo tempo em que as cotações de grãos como soja e milho estão pressionadas para baixo.

Mesmo que as fazendas colham mais grãos, o que sobra para o bolso do produtor mal fecha as contas.

Juros elevados atrapalham

Os juros elevados também entram na equação, porque elevam os custos financeiros para os produtores, ressaltou o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota divulgada pela consultoria.

“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”, diz a nota.

Ainda assim, Pimenta ressaltou que os dados do primeiro trimestre não foram tão ruins quando os de meados do ano passado. No segundo trimestre de 2025, foram 565 pedidos de recuperação judicial. No terceiro trimestre, 628.

No ano passado como um todo, o número de pedidos de recuperação bateu o recorde desde que a Serasa Experian passou a monitorar os processos. Foram 1.990 pedidos, salto de 56% ante 2024.

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“Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma Pimenta, na nota.

Trimestres com mais registros do 2021 e 2022 inteiros

Mesmo com menos registros do que em meados do ano passado, os pedidos do primeiro trimestre deste ano superaram todos os que foram feitos em 2022 e em 2021, de janeiro a dezembro.

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— No fim das contas, o que vemos hoje é resultado de anos de pressão, desde 2022 — disse a advogada Natalia Yazbek, sócia da área de Reestruturação e Insolvência do escritório BMA.

Nestes últimos anos, houve a invasão da Ucrânia pela Rússia — a primeira é importante produtora de fertilizantes —, uma importante quebra de safra por causa de problemas climáticos, aumento dos juros e queda nas cotações de grãos. A guerra no Irã foi o último capítulo do encarecimento de insumos.

O monitoramento da Serasa Experian considera pedidos de recuperação judicial tanto de produtores pessoas físicas quanto de empresas agrícolas.

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Perfil predominante

Em maio, o gerente de soluções agro da consultoria, Dyego Santos, disse ao GLOBO que os casos típicos de pedidos de recuperação judicial envolvem grandes proprietários, que usam o arrendamento de terras como modelo de expansão, têm uma produção muito concentrada na soja e se endividaram demais nas safras anteriores.

Os dados dos pedidos de recuperação do primeiro trimestre sinalizam para a continuidade dessa tendência.

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Tanto que as empresas rurais registraram 196 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, salto de 73,5% na comparação anual. Já os produtores pessoa física fizeram 182, queda de 6,7% sobre o primeiro trimestre de 2025.

As empresas com atuação relacionada ao agronegócio, como lojas de insumos, registraram 96 pedidos, aumento de 18,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.

Ainda assim, Natália, do BMA, vê uma queda no valor médio das dívidas incluídas nos pedidos de recuperação. É um sinal de que todo o setor, com produtores de todos os portes, está em apuros.

— Não é mais um fenômeno de grandes grupos, o problema vem descendo para produtores de menor porte — disse a advogada.



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