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Secretário do Tesouro dos EUA testa credibilidade ao defender agenda econômica no G20


O verão intervencionista do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já provocou reações e levantou dúvidas sobre sua credibilidade nos mercados financeiros. Agora, ele enfrenta um novo teste diante de seus pares globais.

Antes da reunião dos ministros de Finanças do G20 em Asheville, na Carolina do Norte, nesta segunda-feira, Bessent prometeu recolocar no centro das discussões entre os principais formuladores de política econômica do mundo o tema do crescimento. “Estamos realmente promovendo uma agenda americana de crescimento para o resto do mundo”, disse à CNBC neste mês.

O desafio para Bessent ao defender essa mensagem é que as maiores ameaças ao crescimento global neste ano vieram justamente da alta dos preços da energia e de outras consequências da guerra do presidente Donald Trump contra o Irã. Soma-se a isso o impacto das tarifas dos EUA, que voltaram ao foco com o início de uma nova guerra comercial contra o Canadá, também integrante do G20.

Em comunicado divulgado antes do encontro, o ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que pretende defender o fim de conflitos economicamente prejudiciais, incluindo disputas tarifárias e as guerras no Irã e na Ucrânia.

“Tudo isso é veneno para o desenvolvimento econômico mundial”, disse Klingbeil.

Enquanto Bessent vê a desregulamentação ao estilo americano como a chave para impulsionar o crescimento, uma autoridade europeia ouvida pela Bloomberg afirmou que medidas desse tipo teriam impacto limitado em um mundo cada vez mais instável por causa das ações dos próprios Estados Unidos.

Também estão no radar de muitos dos colegas de Bessent suas intervenções recentes para fortalecer o iene, reduzir os custos de financiamento de longo prazo e ameaçar com novas sanções qualquer um que faça negócios com o Irã. Os mercados ainda têm dúvidas sobre a eficácia das duas primeiras medidas, enquanto a terceira pode atingir integrantes do G20, como China e Índia, além de instituições financeiras europeias.

‘Provavelmente imprudente’

Sushil Wadhwani, gestor de investimentos e ex-diretor do Banco da Inglaterra, afirmou que a intervenção de Bessent no mercado de títulos, considerada pouco convincente, pode ter consequências.

“Tentar enfrentar o mercado com uma pistola de água provavelmente é imprudente”, disse Wadhwani. “Secretários do Tesouro precisam preservar a credibilidade junto aos mercados para os momentos difíceis.”

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Representantes do Tesouro americano não responderam aos pedidos de comentário.

O iene já devolveu parte dos ganhos obtidos após a intervenção de Bessent no fim de julho e, na sexta-feira, voltou a atingir o nível de 160 por dólar pela primeira vez desde então. Ainda assim, para países como Japão e Argentina, que se beneficiaram das medidas, o secretário do Tesouro é visto como um aliado importante.

“Ele é muito importante para o Japão”, afirmou Takahide Kiuchi, economista-chefe executivo do Nomura Research Institute e ex-membro do conselho do Banco do Japão. Segundo ele, o apoio dos EUA ao fortalecimento do iene reforçou os laços entre Washington e Tóquio.

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Na Europa, porém, a percepção é diferente. Autoridades europeias ficaram incomodadas com as vendas de euros realizadas pelos EUA para comprar ienes sem aviso prévio.

Segundo uma autoridade europeia, a intervenção foi vista mais como um gesto político em favor do Japão do que como uma estratégia econômica eficaz. Já a volatilidade recente do mercado de Treasuries estaria ligada principalmente a fatores domésticos, como os elevados níveis de endividamento dos EUA e dúvidas sobre a velocidade com que os ganhos de produtividade da inteligência artificial se materializarão.

‘Situação um pouco desconfortável’

O problema para outros membros do G20 é que a política americana inevitavelmente afeta a economia global.

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A guerra no Irã e o choque nos preços da energia contribuíram para fortalecer o dólar mais cedo neste ano. Já as intervenções recentes de Bessent vieram acompanhadas de uma desvalorização da moeda americana.

Isso coloca os formuladores de política econômica da China em uma “situação um pouco desconfortável”, segundo Christopher Beddor, diretor-adjunto de pesquisa para a China na Gavekal Dragonomics.

De acordo com ele, o Banco do Povo da China sinalizou que não deseja uma valorização muito maior do renminbi e está próximo do limite de sua tolerância. “Mantidas as demais condições, autoridades chinesas provavelmente prefeririam que a política econômica dos EUA fosse mais clara e levasse a uma recuperação do dólar”, afirmou.

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Para a China, o principal obstáculo ao crescimento no curto prazo continua sendo a guerra no Irã e a necessidade de uma reabertura completa do Estreito de Hormuz, ao mesmo tempo em que os EUA buscam aumentar a pressão econômica sobre Teerã e seus parceiros comerciais, como os chineses.

‘Inegociável’

Bessent fala abertamente sobre o uso do status do dólar como moeda de reserva global como instrumento de pressão econômica para levar aliados e adversários a atender aos interesses de Washington.

Os mercados profundos e dinâmicos dos EUA e a predominância internacional do dólar geram benefícios relevantes para parceiros, mas “não são mais incondicionais”, afirmou ele em junho. “Nossa parceria agora traz expectativas. E, em alguns casos, obrigações inegociáveis.”

As ações recentes do secretário levantaram dúvidas sobre sua influência crescente em Washington, especialmente em um momento em que o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, ainda busca consolidar sua posição após um início considerado vacilante.

Nathan Sheets, ex-integrante do Fed e do Tesouro e atualmente economista-chefe global do Citigroup, afirma que o ativismo de Bessent, combinado com o perfil mais discreto de Warsh, criou uma situação incomum em que o secretário do Tesouro se tornou a figura econômica dominante.

“Parece que, neste momento, Bessent é o irmão mais velho e Warsh é o irmão mais novo”, disse.

Os dois, porém, parecem divergir em suas prioridades. Bessent, responsável por administrar uma dívida pública de US$ 40 trilhões, busca reduzir os custos de financiamento. Warsh afirma estar concentrado em controlar uma inflação que segue elevada, mensagem reforçada na sexta-feira durante o simpósio de Jackson Hole, em meio ao debate dentro do Fed sobre a necessidade de juros mais altos.

‘Fortes ventos contrários’

A relação entre os dois é observada de perto fora dos EUA e pode ter implicações na disputa de longo prazo pela predominância do dólar.

A divergência entre Bessent e Warsh “enfraqueceu a credibilidade das instituições americanas”, afirmou Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no BNP Paribas. Segundo ela, isso reforça a determinação das autoridades chinesas de diversificar suas reservas internacionais e acelerar a internacionalização do renminbi.

Para investidores que acompanham a reunião desta semana dos principais formuladores de política econômica do mundo, uma questão central é saber se as ações recentes de Bessent são apenas táticas ou parte de uma mudança estratégica mais ampla.

Até agora, a economia global tem resistido ao choque energético provocado por Hormuz e recebido impulso dos investimentos maciços em datacenters e infraestrutura de inteligência artificial.

Esse ciclo de expansão começou nos Estados Unidos, mas está se transformando em um motor de crescimento mais amplo, afirmou a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, na semana passada.

O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento global de 3% em 2026, mas alerta que os riscos continuam inclinados para uma desaceleração. Para ilustrar os desafios, Georgieva comparou a economia mundial ao navio resiliente retratado por Christopher Nolan em A Odisseia, que segue navegando apesar das adversidades.

Por enquanto, disse ela, a economia global se parece com essa embarcação: avançando em mares agitados e “resistindo a fortes ventos contrários”.

© 2026 Bloomberg L.P.



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Grupo do Habib’s acumula R$ 70 milhões em dívidas com fornecedores do agro

O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, acumula cerca de R$ 70 milhões em dívidas com empresas do agronegócio, principalmente frigoríficos, além de fornecedores de óleo de soja, verduras e legumes.

Entre os fornecedores estão empresas como Bunge Alimentos, De Marchi, JBS S.A. e a Seara Comércio de Alimentos Ltda., Agro Comercial Campo Vitória Ltda., Clean Field Comércio de Produtos Alimentícios Ltda., Laticínios Porto Alegre Indústria e Comércio S.A. e Masterfoods Brasil Alimentos Ltda.

De acordo com a informação da advogada Camila Nicolau Juliano, especialista em Direito Empresarial e Contratual do escritório Tardioli Lima Advogados, a situação ganhou relevância após o grupo entrar em recuperação judicial no início desta semana no valor de R$ 265.207.959, 83.

Segundo a especialista, a recuperação judicial não significa que os frigoríficos possam simplesmente interromper o fornecimento. Pelo contrário, os credores do grupo devem continuar fornecendo as matérias-primas para a empresa por conta da recuperação judicial.

“A questão em si é mais preocupante, pois essas indústrias não podem deixar de fornecer os insumos por conta da recuperação judicial.”

A especialista explica que, com o processo de recuperação judicial, as execuções contra a empresa ficam suspensas pelo período previsto na legislação, inicialmente por 180 dias. Ao mesmo tempo, é necessário garantir a continuidade das atividades da companhia.

A especialista afirma que os fornecedores considerados essenciais deverão buscar uma renegociação com o grupo, de preferência com condições que ofereçam maior segurança para o recebimento dos valores.

“A lei protege esses credores. Vai precisar ter uma renegociação, inclusive dos fornecedores essenciais, e de alguma forma com alguma garantia para continuar recebendo.”

Apesar da recuperação judicial, a Juliano destaca que a situação pode gerar cautela em novos contratos e negociações. “As indústrias podem ficar receosas, e isso pode acabar impedindo novas negociações, ainda que de uma forma indireta.”

Para a advogada, o cenário é um sinal de alerta, mas não permite afirmar que outras empresas do setor necessariamente seguirão o mesmo caminho.

Entre os fatores que levou a empresa a pedir recuperação judicial estão os juros elevados, o alto endividamento e os custos das operações físicas. A especialista destaca que empresas que dependiam fortemente de lojas físicas foram impactadas pelas mudanças no comportamento do consumidor e pelo avanço do delivery.

A recuperação judicial também envolve as demais empresas que fazem parte do Grupo Gennius. O futuro da companhia, segundo a especialista, dependerá da capacidade de recuperar o caixa, implementar mudanças internas e cumprir o plano de recuperação que será submetido aos credores.

“Tudo vai depender da recuperação do caixa e de cumprir esse plano, que ainda precisa ser aprovado. Se eles fizerem as mudanças que precisam fazer, há chances de sair da recuperação.”

Franqueados também podem ser afetados

Outro ponto de atenção está nos contratos de franquia. Segundo Camila, os contratos continuam vigentes durante a recuperação judicial, assim como as obrigações previstas entre franqueador e franqueado.

A especialista ressalta que dificuldades no fornecimento de insumos precisam ser formalizadas e administradas para evitar que problemas operacionais comprometam o funcionamento das unidades.

Além disso, a rede precisa continuar cumprindo obrigações previstas nos contratos, como suporte aos franqueados e investimentos em marketing.

“Os contratos de franquia continuam vigorando e os franqueados continuam pagando royalties. Todas as dificuldades que tiveram para obter insumos precisam estar de forma escrita para que o negócio não feche.”

Para a advogada, uma reestruturação bem conduzida, com revisão das questões internas e recuperação do fluxo de caixa, pode permitir que o grupo supere a crise. Por outro lado, caso o plano não seja cumprido, o processo pode evoluir para uma situação mais grave, incluindo a possibilidade de falência.

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Déficit nominal do setor público soma R$ 97,602 bilhões em julho, afirma BC


O setor público consolidado teve déficit nominal de R$ 97,602 bilhões em julho, após um déficit de R$ 165,966 bilhões em junho, informou o Banco Central nesta segunda-feira, 31. Em julho de 2025, o resultado nominal havia sido negativo em R$ 175,576 bilhões.

O déficit nominal do setor público atingiu R$ 747,452 bilhões, ou 9,53% do Produto Interno Bruto (PIB), no acumulado do ano. Em 12 meses, o déficit soma R$ 1,240 trilhão, ou 9,34% do PIB.

O resultado nominal representa a diferença entre receitas e despesas do setor público, contando o pagamento dos juros da dívida pública.

O governo central teve déficit nominal de R$ 81,842 bilhões no mês passado. Os governos regionais tiveram saldo negativo de R$ 14,042 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit nominal de R$ 1,719 bilhão.



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Jogador do Vasco é alvo de operação contra tráfico de drogas e armas no RJ


O jogador David Corrêa, atacante do Vasco da Gama também conhecido como DVD, é alvo de uma operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas e armas e por possíveis vínculos com uma facção criminosa. Ação acontece na manhã desta segunda-feira (31).

São cumpridos três mandados de busca e apreensão em alvos na Barra da Tijuca e em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio, em ação decorrente de investigação da Polícia Civil do Espírito Santo. Um outro alvo da operação é o lateral-direito Hayner, que tem vínculo com o Santos, mas está emprestado ao Vila Nova, de Goiás. 

A operação apura a atuação de um grupo, que possui ramificações em diferentes estados. Segundo as investigações, também são analisados possíveis envolvimentos de atletas profissionais e empresários com a organização criminosa.

No Rio de Janeiro, a ação é coordenada pela 14ª DP (Leblon), com apoio da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Desarme) e de outras unidades do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC).

A operação integra uma atuação conjunta entre as Polícias Civis dos estados para o cumprimento de medidas judiciais e o enfrentamento de organizações criminosas que atuam de forma interestadual.

Investigações no ES

De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo, a operação “A Tropa” tem o objetivo de cumprir quatro mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão.

As diligências são realizadas em municípios da Grande Vitória e também em Afonso Cláudio, no Espírito Santo, além de alvos localizados nos estados do Rio de Janeiro e Goiás e no Distrito Federal.

A operação mobiliza aproximadamente 100 policiais civis e conta com o apoio operacional da Superintendência de Polícia Especializada (SPE), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).

O nome da operação, “A Tropa”, faz referência à autodenominação utilizada pelos próprios investigados para se referirem ao grupo criminoso.

Procurado pela reportagem, o Vasco da Gama afirmou que “colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações.”

A CNN Brasil tenta localizar a defesa de David. O espaço está aberto para manifestações.

A operação segue me andamento.

 



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Preços de fertilizantes fosfatados recuam com menor demanda de importação

Os preços dos fertilizantes fosfatados recuaram nas últimas semanas no mercado brasileiro, após meses de alta associada à redução da oferta provocada pela guerra no Oriente Médio. Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a queda ocorre em um período de menor demanda brasileira por importações, com a aproximação do plantio da soja.

Entre o início de maio e a última semana de agosto, o preço do SSP (superfosfato simples), um dos fertilizantes fosfatados mais utilizados no Brasil, caiu cerca de 30%. O produto havia registrado alta de aproximadamente 35% nas semanas posteriores ao início do conflito e, atualmente, está cotado abaixo dos níveis observados imediatamente antes da guerra.

O movimento também aparece em outros fosfatados, embora com menor intensidade. O MAP (fosfato monoamônico) acumulou queda de cerca de 6% entre o início de maio, quando atingiu os maiores preços de 2026, e o fim de agosto. O TSP (super fosfato triplo) apresentou comportamento semelhante no período.

A redução da demanda brasileira está entre os fatores que explicam a acomodação dos preços. Com a aproximação do plantio da soja, termina a janela de importações de fertilizantes destinada à cultura, reduzindo a demanda doméstica. Esse movimento é sazonal e costuma exercer pressão baixista sobre os fosfatados, embora a intensidade varie conforme as condições de mercado em cada ano.

“Em 2026, a queda da demanda brasileira tem produzido sinais de fraqueza nesses preços, mas há outro fator relevante. Com o preço do enxofre, matéria-prima utilizada na cadeia produtiva dos fosfatados, em níveis elevados, quedas mais acentuadas nas cotações do segmento podem ser mais difíceis neste ano”, afirmou Pernías. 

A redução dos preços ocorre em um período de custos elevados para os produtores brasileiros, que também enfrentam restrições de crédito e, em determinados momentos de 2026, preços relativamente baixos para soja e milho. Para a próxima safra de soja, porém, a redução pode ter alcance limitado entre os produtores que já realizaram suas compras de fertilizantes.

No mercado internacional, a redução da produção de fosfatados em diferentes países e as dificuldades logísticas no Oriente Médio também influenciam as condições de oferta. Segundo Pernías, o cenário do mercado de enxofre ainda não é favorável aos compradores de fosfatados.

“As perspectivas pouco favoráveis para os compradores no mercado de enxofre, por ora, não têm criado um cenário otimista para os consumidores de fosfatados no mercado internacional”, disse.

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economia

adesão ao programa termina nesta segunda-feira; veja como participar


As adesões ao Desenrola 2.0, nova versão do programa de renegociação de dívidas do governo federal, terminam nesta segunda-feira. A medida provisória (MP) que instituiu o programa irá perder validade sem ser votada e não poderá ser prorrogada. Para entrarem no Desenrola, as pessoas devem procurar os canais oficiais dos bancos.

A modalidade voltada às famílias renegociou, até o início da última semana de agosto, cerca de 5,03 milhões de dívidas. Os débitos somavam originalmente R$ 26,3 bilhões e, após os acordos, foram reduzidos para aproximadamente R$ 5,2 bilhões.

O desenho prevê a possibilidade de utilização de parte do saldo do FGTS para amortização parcial ou quitação das dívidas.

O Desenrola foi recriado em um contexto de alta do endividamento e elevado comprometimento de renda das famílias, que, na visão do governo, estava gerando outros riscos para a economia no médio e longo prazos — e vinha impactando negativamente a popularidade presidencial.

A lógica do programa é que os bancos renegociem os débitos e abram uma nova dívida, menor e com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), o que reduz o risco de inadimplência para as instituições, ao mesmo tempo em que, no médio prazo, recupera-se a capacidade de consumo das famílias.

A inadimplência das famílias foi recorde em julho, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados na semana passada. A parcela das operações com atraso superior a 90 dias subiu de 5,4% em junho para 5,8% em julho, o maior patamar desde março de 2011. O aumento ocorre mesmo com o programa Desenrola 2.0.

No crédito livre, modalidade em que os juros são pactuados livremente entre o banco e o tomador do empréstimo, o número é ainda maior: passou de 7,4% para 7,8%, também a maior taxa da série histórica. Da mesma forma, a inadimplência pessoa física foi recorde no crédito direcionado, com alta de 3% para 3,4%. O comportamento das famílias influenciou a inadimplência geral, que também alcançou o maior nível da série histórica em julho, de 4,9%, contra 4,6% em julho.

Juntamente com a inadimplência, o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas continuou subindo em junho e alcançou um novo recorde da série histórica iniciada em março de 2011. O indicador que mede o percentual do orçamento mensal que é usado para pagar as parcelas das dívidas subiu de 28,5% em maio para 28,9% em junho.

Já o endividamento das famílias, que mede qual é o percentual total de dívidas em relação à renda geral, cedeu marginalmente em junho, de 49,9% em maio para 49,8%, mantendo-se, porém, em patamares elevados considerando a média histórica.

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Como funciona o Desenrola 2.0?

Crédito novo para pagar, com descontos, dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

A dívida renegociada terá:

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Descontos entre 30 a 90%;

Taxa de juro máxima de 1,99% ao mês;

Até 48 meses de prazo;

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Prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;

Limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira;

Garantia do FGO.

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Quem pode participar do Desenrola 2.0?

Brasileiros com renda até 5 salários-mínimos (R$ 8.105).



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Polícia apura entregas por drones em dois presídios do Mato Grosso do Sul


A Polícia Penal de Mato Grosso do Sul e a Força Penal Nacional frustraram nove tentativas de entrega de drogas e celulares por meio de drones em duas penitenciárias de segurança máxima do estado. Segundo apuração do analista de segurança pública Elijonas Maia, as ações ocorreram ao longo da semana passada.

“Na terça-feira (25), na quinta-feira (27) e também ontem (domingo, 30)”, detalhou o analista durante o CNN Novo Dia desta segunda-feira (31).

Segundo Elijonas, as unidades prisionais onde houve as tentativas frustradas de envio de drogas foram a Penitenciária Estadual Jair Ferreira de Carvalho e a Penitenciária Estadual de Dourados, ambas localizadas em Mato Grosso do Sul.

Por meio do circuito interno de segurança das penitenciárias, agentes identificaram que drones estavam sobrevoando as unidades durante a madrugada. A estratégia dos criminosos consistia em fazer os materiais ilícitos caírem dentro das prisões para que os detentos tivessem acesso a eles.

Em ao menos um dos casos, policiais rastrearam um drone até sua base de operação, localizada em uma área rural de Dourados. No local, dois indivíduos foram encontrados controlando o equipamento.

“Eles confessaram que iriam de fato colocar drogas dentro de um presídio e receberiam dinheiro para isso. Um deles fugiu, e o outro foi preso”, relatou o analista.

No total, foram apreendidos um drone, dez celulares, carregadores e maconha. Somente na ação mais recente, feita no domingo, quatro celulares e carregadores foram recolhidos.

Motivações por trás do esquema

Elijonas explicou a lógica por trás do envio de drogas e celulares para o interior dos presídios: “A droga acaba virando uma moeda de troca para quem está preso, e o celular é usado para a organização de crimes fora da prisão.”

As operações de interceptação fazem parte de um esforço conjunto de combate ao crime organizado e de bloqueio à comunicação entre presos e o mundo externo.

A Força Penal Nacional, responsável pela operação, atua na segurança do sistema penitenciário e é composta pela Polícia Penal Estadual em conjunto com a Polícia Penal Federal, coordenada a partir de Brasília.



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mercado reduz projeção para inflação e PIB de 2026 e mantém Selic em 13,75%


O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (31) o Boletim Focus, com as projeções do mercado para os principais indicadores da economia. Para 2026, a mediana para o IPCA caiu de 5,02% para 5,01%, enquanto a estimativa para o PIB recuou de 1,95% para 1,92%. A projeção para o dólar permaneceu em R$ 5,20, assim como a expectativa para a Selic, em 13,75% ao ano.

Inflação

Para o IPCA, a projeção para 2026 caiu de 5,02% para 5,01%. Para 2027, a estimativa subiu de 4,25% para 4,28%, após quatro semanas em 4,22% e três semanas consecutivas de alta. Para 2028, a projeção permaneceu em 3,80%, nível em que está há pelo menos quatro semanas. Para 2029, também ficou em 3,80%, repetindo a estimativa da semana anterior e mantendo-se estável há pelo menos quatro semanas.

No IGP-M, a projeção para 2026 caiu de 4,55% para 4,38%, após ter subido de 4,54% para 4,55% na semana anterior. Para 2027, a estimativa avançou de 4,09% para 4,10%, interrompendo uma sequência de duas semanas de queda. Para 2028, a projeção permaneceu em 3,92%, após ter recuado de 3,97% para 3,92% na semana anterior. Para 2029, ficou estável em 3,83%, repetindo o nível da semana passada.

A projeção para os preços administrados em 2026 permaneceu em 4,69%, após ter caído de 4,93% para 4,69% na semana anterior. Para 2027, a estimativa recuou de 3,86% para 3,83%, após três semanas consecutivas de queda. Para 2028, ficou em 3,60%, repetindo o nível da semana anterior. Para 2029, permaneceu em 3,50%, também sem alteração na comparação semanal.

PIB

Para o crescimento do PIB em 2026, a projeção caiu de 1,95% para 1,92%, após já ter recuado de 1,99% para 1,95% na semana anterior, configurando duas semanas consecutivas de queda. Para 2027, a estimativa permaneceu em 1,50%, repetindo o nível da semana anterior e ficando estável há duas semanas. Para 2028, a projeção caiu de 2,00% para 1,98%, após ter recuado de 2,00% para 1,98% na semana anterior. Para 2029, permaneceu em 2,00%, nível mantido há pelo menos quatro semanas.

Câmbio

A projeção para o dólar ao fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, repetindo o nível das últimas semanas. Para 2027, a estimativa ficou em R$ 5,30, após ter subido de R$ 5,28 para R$ 5,30 na semana anterior. Para 2028, a projeção também permaneceu em R$ 5,30, repetindo o nível da semana passada. Para 2029, a estimativa permaneceu em R$ 5,36.

Selic

A projeção para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano, repetindo a estimativa da semana anterior e mantendo-se estável há pelo menos quatro semanas. Para 2027, a previsão também ficou em 12,00%, após ter permanecido nesse nível na semana anterior. Para 2028, a estimativa foi mantida em 10,50%, repetindo o resultado da semana anterior. Para 2029, a projeção permaneceu em 10,00% pela décima sétima semana consecutiva



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Emendas parlamentares somam R$ 47,1 bilhões após salto de 315% em 11 anos, aponta Ipea


O volume empenhado em emendas parlamentares no Orçamento federal mais que quadruplicou em 11 anos, passando de R$ 11,3 bilhões, em 2014, para R$ 47,1 bilhões, em 2025. Em valores corrigidos pela inflação, o crescimento foi de 315%.

As emendas permitem que deputados e senadores indiquem o destino de uma parte do Orçamento federal. O dinheiro pode ser usado, por exemplo, na compra de uma ambulância, na reforma de uma unidade de saúde ou na pavimentação de ruas de um município.

Nos últimos anos, as emendas parlamentares cresceram a ponto de representar uma parcela expressiva dos recursos discricionários da União. O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a exigir maior transparência e rastreabilidade na identificação de quem indica os recursos, de onde eles vêm e onde são efetivamente aplicados

Nas políticas sociais, o valor das emendas passou de R$ 9,2 bilhões para R$ 35 bilhões, alta real de 282%. Isso significa que saúde, educação, assistência e outras áreas sociais concentraram cerca de três quartos de todo o dinheiro empenhado por meio de emendas em 2025. O empenho significa que o governo assumiu formalmente o compromisso de realizar aquela despesa.

Os números fazem parte de uma série de estudos elaborada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a pedido do deputado federal Eduardo Bandeira de Mello (PV-RJ).

O levantamento aponta 2015 como um ponto de inflexão. Naquele ano, uma emenda à Constituição aprovada pelo Congresso tornou obrigatório o pagamento das emendas individuais – aquelas em que cada deputado ou senador decide sozinho o destino de sua própria cota, dentro das regras orçamentárias.

Até então, deputados e senadores já incluíam suas indicações no Orçamento, mas o governo tinha maior poder para decidir quais emendas seriam executadas. Com a mudança, o Executivo passou a ser obrigado a colocar as indicações em prática.

Os autores sustentam que a mudança enfraqueceu a lógica partidária que predominava até então e ampliou o peso das prioridades escolhidas individualmente por cada parlamentar. Na prática, deputados e senadores ganharam maior autonomia para garantir recursos aos destinos indicados por eles, sem depender da negociação política entre o governo e as lideranças partidárias.

Para os pesquisadores, o aumento não representa apenas mais dinheiro sob controle dos parlamentares. Ele altera quem decide onde e como uma parcela crescente dos recursos públicos será aplicada. O fenômeno é descrito nos estudos como “parlamentarismo orçamentário”.

A saúde concentra algumas das principais mudanças identificadas. Uma das razões é que a Constituição determina que metade do total reservado às emendas individuais seja destinada obrigatoriamente a ações e serviços públicos de saúde. Em valores corrigidos pela inflação, as despesas federais em saúde financiadas por emendas passaram de R$ 5,1 bilhões, em 2014, para R$ 24,8 bilhões em 2024.

No mesmo período, a participação das emendas nas despesas discricionárias do Ministério da Saúde aumentou de 18,6% para 45,4%. As despesas discricionárias (gastos livres) são a parcela do orçamento que não está previamente comprometida com gastos obrigatórios e sobre a qual o ministério ainda possui alguma margem de escolha.

Em outras palavras, quase metade do dinheiro que a Saúde tinha disponível para distribuir conforme o planejamento da pasta passou a depender de indicações de deputados e senadores. O perfil da despesa também se alterou. Em 2024, 91,7% dos recursos de emendas para a saúde foram destinados ao custeio, como manutenção de serviços, compra de insumos e funcionamento das unidades.

O problema é que essas despesas se repetem todos os anos, enquanto as emendas não têm garantia de continuidade, mostra o estudo do Ipea. Um hospital ou uma prefeitura que utiliza o dinheiro para manter determinado serviço corre o risco de ficar sem a mesma verba no ano seguinte. Isso dificulta o planejamento e cria dependência de novas indicações políticas para sustentar despesas permanentes.

Na educação, as emendas destinadas ao orçamento do Ministério da Educação cresceram 315,6% em termos reais entre 2014 e 2024, de R$ 375,9 milhões para R$ 1,58 bilhão, segundo o relatório atualizado da área.

Embora representem cerca de 1% do orçamento total do MEC, as emendas também passaram a financiar mais despesas do dia a dia. Os gastos correntes avançaram de 9% dos recursos da área, em 2014, para 38% em 2024.

Emendas do Pix

Na parte propositiva, a versão integral das diretrizes elaboradas pelos pesquisadores vai além de uma revisão das chamadas emendas Pix. Uma das recomendações propõe extinguir essa modalidade de transferência.

Na configuração original, as emendas Pix permitiam que deputados e senadores transferissem dinheiro diretamente para Estados e municípios, sem convênio e sem a apresentação prévia de um plano de trabalho nos mesmos moldes exigidos nas transferências tradicionais. A falta dessas informações dificultava acompanhar previamente onde e de que forma o recurso seria utilizado.

Desde 2024, porém, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino vem impondo novas exigências à modalidade, como apresentação de plano de trabalho, abertura de conta bancária exclusiva, divulgação das informações no Transferegov.br e prestação de contas. Em junho de 2026, o ministro também impôs multas a Estados e municípios que não apresentaram os documentos exigidos.

Os pesquisadores também recomendam que as emendas passem por uma análise de mérito nas comissões temáticas do Congresso, além da adoção de um identificador único para acompanhar cada recurso desde a indicação até o beneficiário final.

As comissões temáticas são colegiados especializados em áreas como saúde, educação e desenvolvimento urbano. As emendas de comissão são apresentadas coletivamente por esses grupos e, pelas regras do Congresso, deveriam financiar políticas de interesse nacional ou setorial, e não demandas individuais de deputados e senadores.

Como mostrou o Estadão, essa modalidade de emenda passou a ser usada para dar poder ao comando da Câmara.

Formalmente, a autoria dessas emendas pertence à própria comissão. O problema de transparência surge quando, durante a execução, o dinheiro é dividido entre municípios e entidades sem que seja informado qual parlamentar solicitou cada destinação.

Levantamento anterior do Estadão identificou 575 indicações que somavam R$ 596,3 milhões, aprovadas pelas comissões de Saúde, Desenvolvimento Urbano e Turismo da Câmara, nas quais o responsável aparecia registrado de forma genérica como “liderança partidária”, sem a identificação nominal do parlamentar que solicitou o recurso.



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Correios caminham para encerrar o ano com pior resultado da história


Em meio a um processo de reestruturação que já dura meses e com a perspectiva de obter injeção bilionária de recursos da União em 2027, os Correios viram seu prejuízo no primeiro semestre aumentar 30,4% na comparação com igual período do ano passado e somar R$ 5,5 bilhões. Na proposta de lei orçamentária de 2027 que o governo encaminha hoje ao Congresso, a estatal contará com a garantia de aporte de R$ 6 bilhões no próximo ano, em um sinal de que a crise ainda está longe do fim.

A expectativa do próprio governo é que os Correios encerrem este ano com o pior resultado de sua história, superando a perda recorde de R$ 8,5 bilhões registrada em 2025. O governo alega que a estatal voltará ao lucro em 2027.

Perda menor no 2º tri

A estatal destaca que os resultados do segundo trimestre — quando teve prejuízo de R$ 2,4 bilhões, valor 5,5% inferior ao registrado em igual período de 2025 — já refletem os efeitos do plano de reestruturação, com redução das despesas com pessoal e melhoria do perfil do endividamento.

Analistas ponderam que o problema estrutural permanece. Ou seja, sim, as perdas foram menores, mas o avanço está longe da magnitude necessária para estancar a crise.

A empresa continua operando com margem bruta muito apertada, diz Daniel Pecanka de Andrade, especialista em finanças. Esse indicador mostra o percentual da receita de vendas que sobra após a dedução dos custos diretos de produção ou aquisição de produtos e serviços. No primeiro semestre, a margem foi de R$ 274,5 milhões em valor, considerando receita de R$ 7,9 bilhões menos o custo das entregas. É com essa diferença que a empresa precisa pagar despesas administrativas, comerciais e financeiras.

“Apesar de o prejuízo ter caído no segundo trimestre, não dá para falar em avanço operacional”, diz Pecanka.

Ele acrescenta que os ganhos no período são tímidos frente ao tamanho dos problemas: o custo com pessoal entre o período de janeiro a junho de 2025 e 2026 recuou 4,2%, o que representou economia de R$ 233,7 milhões. 

A análise do especialista indica que a estatal apenas ganhou fôlego depois de ter recebido empréstimo de R$ 12 bilhões no ano passado com garantia do Tesouro Nacional. Mesmo esse fôlego se mostrou temporário. A direção da companhia negocia novo empréstimo de R$ 7 bilhões em condições iguais.

E a conta não termina aí. Para dar viabilidade à estatal no próximo ano, o governo incluiu em sua proposta orçamentária a nova injeção de R$ 6 bilhões. O montante não é à toa. Ele fez parte da negociação para a obtenção da linha de crédito do ano passado, que foi discutida com um grupo de bancos em dezembro.

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Em nota conjunta, os ministros das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho; da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; e do Planejamento, Bruno Moretti, afirmaram, ontem, que o objetivo é dar estabilidade à empresa.

“Com isso, a estatal terá maior estabilidade para seguir negociando com seus clientes e fornecedores, em direção ao bom andamento do seu Plano de Reestruturação e recuperação dos resultados financeiros positivos da empresa”, afirma a nota.

No texto, os ministros dizem que, desde o início do plano de reestruturação, lançado em dezembro de 2025, a empresa tem tomado medidas para reduzir despesas, ampliar receita operacional e equacionar o fluxo de caixa.

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Para Pecanka, o plano de reestruturação divulgado é genérico, cita apenas medidas como plano de desligamento voluntário (PDV), fechamento de unidades e venda de imóveis. Segundo ele, faltam detalhes, como receitas e despesas de todas as unidades de negócio: serviço postal, encomendas e mercado internacional.

Para o economista, professor e ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, Fernando Soares, o plano de reestruturação em execução nos Correios é insuficiente para reerguer a empresa. Ele afirmou que a forte concorrência no setor de entrega de encomendas e a queda do serviço postal exigem corte drástico da despesa com pessoal.

Ele argumenta que, no futuro, recursos do Orçamento poderão ser usados para pagar despesas com pessoal e que, diante disso, o ideal seria transformar os Correios em estatal dependente para aumentar as amarras em relação às despesas.

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Para reduzir o quadro de pessoal de forma proporcional à queda na atividade, Soares sugere que o governo abra discussão com o Judiciário para permitir demissões sob o argumento de deterioração da situação financeira da empresa.

“Essa questão precisa ser enfrentada, o Executivo tem que abraçar e recorrer ao Judiciário”, diz Soares.

Na rodada de entrevistas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República, o presidente Lula afirmou, na quinta-feira, que não pretende vender os Correios. O ex-presidente Jair Bolsonaro tentou privatizar a companhia, mas a medida não avançou.

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O balanço do semestre apontou queda nas receitas do segmento internacional de R$ 460,4 milhões e aumento nas despesas comerciais de janeiro a junho. De acordo com nota explicativa, no caso das unidades terceirizadas, o aumento de custos está relacionado ao maior volume de receitas comercializadas e ao reajuste tarifário aplicado no período.

Pecanka chama a atenção para a qualidade do serviço e pondera que o próprio balanço aponta aumento do gasto com indenizações, decorrentes da quantidade de objetos entregues fora do prazo, sobretudo no primeiro trimestre.

A nota interministerial destaca que o balanço do segundo trimestre mostra alongamento e barateamento da dívida, com a empresa tendo encerrado o período sem nenhum empréstimo vencendo no curto prazo, quitação de empréstimo mais oneroso e alongando a dívida de 18 para 180 meses.

A direção da estatal informou que, com o empréstimo de R$ 12 bilhões, quitou antecipadamente a dívida bancária de R$ 1,8 bilhão contratada em 2025. Outro ponto citado foi a regularização dos passivos vencidos, o que gerou uma economia de R$ 322 milhões.

A empresa afirma que a despesa com pessoal recuou 4%, mesmo com o reajuste salarial de 5,1%, reflexo do PDV, que já desligou 6.545 empregados, 2.767 deles apenas neste semestre.

‘Resultado desafiador’

Para dar continuidade ao plano, os Correios abriram novo PDV voltado exclusivamente ao fechamento de mil postos entre agências e unidades de tratamento de carga. A empresa busca avançar em parcerias com o setor público, como aluguel de balcões e com o setor privado.

“O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade e execução consistente das medidas de reestruturação. A prioridade dos Correios é a recuperação sustentável das receitas, o aumento da eficiência operacional, a revisão de despesas e contratos e a modernização do modelo de negócios, preservando a qualidade e a cobertura dos serviços prestados à população”, disse a empresa em nota.



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