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Ministro cobra UE e diz que Brasil está “indignado” com veto à carne

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta quinta-feira (3) que não há justificativa para que o Brasil fique de fora da lista de exportadores aptos a exportar carnes para a União Europeia. Segundo ele, o governo tem trabalhado com o setor privado para que o país retorne às exportações.

“Essa é uma questão tão importante que não deve ser tratada de forma isolada. O Ministério da Agricultura cumpre um papel fundamental, sobretudo do ponto de vista técnico. Nós temos trabalhado intensamente. É preciso ressaltar, destacar a parceria que nós estamos estabelecendo com o setor privado, estamos trabalhando juntos. Evidente que a gente não pode perder a oportunidade de manifestar a nossa indignação”, disse à jornalistas.

O ministro reforçou que, não “há critério que justifique” o Brasil, que sempre foi “o maior fornecedor” para o bloco e atende mais de 170 países, estar de fora da lista “enquanto tantos outros países sem nenhum critério estão lá”.

De Paula ainda destacou a missão de técnicos da União Europeia que estão no Brasil desde a semana passada para visitar estabelecimentos e órgãos de fiscalização focados na produção de frango e mel em Mato Grosso e Paraná.

A ideia é que possam atestar as exigências do bloco na criação de aves e abelhas que têm um ciclo mais curto de produção. A missão termina nesta sexta-feira (4) e o governo já trabalha para pedir urgência na publicação do relatório, que leva em torno de 60 dias para ser divulgado.

“Nós vamos seguir trabalhando, manifestando a nossa indignação em relação a essa questão. Eu tenho muito otimismo que rapidamente isso possa ser revertido”, afirmou em participação na Expointer.

Suspensão de exportações

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países aptos a exportar carnes e produtos de origem animal alegando que o país não comprovou o uso de determinados antibióticos e o rastreamento do ciclo de vida dos animais enviados ao bloco.

Ficam bloqueados animais vivos e destinados à produção de alimentos, como bois, cavalos, ovos, peixes, mel e aves.

A UE argumenta que a falta dessa informação vai de encontro às regras de controle de uso de antibióticos na pecuária adotada pela UE. No entanto, outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, continuam com as vendas permitidas.

O bloco proíbe a utilização de antimicrobianos promotores de crescimento animal para fins de consumo humano. Normalmente esse tipo de antibiótico é misturado à ração animal do bezerro para acelerar o ganho de peso e ter um aumento de produtividade.

De acordo com as normas europeias, esse tipo de medicamento deve ser usado exclusivamente em humanos para evitar o surgimento de “superbactérias”.

Desde a publicação da norma, o governo brasileiro vêm tentando reverter a decisão. O impasse maior ficou na carne bovina, que tem um ciclo de vida mais longo e não conseguiria atender às exigências por não ter um sistema sólido de rastreamento.

Apesar do país ter normas que exijam a identificação do animal e medicamentos utilizados na criação, não seriam suficientes para atender aos critérios do bloco. Desta forma o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) vem trabalhando em resoluções para endurecer o rastreamento dos rebanhos, com ampla adesão de exportadores.

As entidades representativas desses setores também firmaram acordos para melhorar a transparência e incentivar a adesão das normas pelos produtores.

A situação envolveu até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que no fim de julho enviou uma carta para a presidente da UE, Ursula von der Leyen, pedindo uma solução.

Além do Mapa, os ministérios das Relações Exteriores e da Indústria Comércio e Serviços vêm buscando alternativas e soluções diplomáticas e comerciais para reverter a situação.

“Isso é algo que tem envolvido vários setores do governo para que esse acordo União Europeia-Mercosul pudesse ser se transformar em realidade depois de 25 anos de encaminhamento e que é surpreendido com uma medida como essa que não havia sido sinalizada antes do acordo. Então, é claro que nós não estamos felizes e é claro que nós vamos a eh seguir deixando muito claro essa nossa indignação e essa nossa preocupação”, frisou André de Paula.

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Demanda forte impulsiona atividade do setor de serviços dos EUA em agosto


WASHINGTON, 3 Set (Reuters) – A atividade ⁠no setor de serviços dos Estados ⁠Unidos acelerou em agosto uma vez que a demanda ‌forte elevou os novos pedidos ao maior nível em três anos e meio e impulsionou os preços dos ‌insumos, sugerindo que a inflação pode permanecer elevada e obrigar o Federal Reserve a aumentar a taxa de juros antes do final deste ano.

O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou nesta quinta-feira que seu Índice de Gerentes ⁠de ‌Compras (PMI) do setor não manufatureiro subiu para 55,4 no ⁠mês passado, ante 54,1 em julho. Leitura acima de 50 indica crescimento no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA.

Economistas consultados pela Reuters previam que o ​PMI subiria para 54,2. O nível atual do PMI é consistente com um crescimento econômico sólido no terceiro ​trimestre.

A medida da pesquisa referente a novos pedidos recebidos por empresas de serviços disparou para 60,9, máxima desde fevereiro de 2023, ante 57,2 em julho. A força nos pedidos está alinhada à demanda doméstica robusta, ‌que está sendo impulsionada, em parte, por ​um boom nos gastos com inteligência artificial.

O índice da pesquisa referente aos preços pagos pelas empresas pelos insumos subiu de 70,3 em julho ⁠para 72,6, sugerindo ​que a ​inflação pode permanecer acima da meta de 2% do banco central dos EUA ⁠por algum tempo. O chair ​do Fed, Kevin Warsh, disse na semana passada que o banco central “terá trabalho a fazer” se as autoridades não obtiverem ​a confiança necessária de que a inflação está caindo para a meta de 2%.

Os mercados financeiros ​estão precificando uma ⁠probabilidade de cerca de 64% de que o Fed aumente sua taxa ⁠básica de juros em 25 pontos-base em sua reunião de política monetária de 15 e 16 de setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. Atualmente, os juros estão na faixa de 3,50% a 3,75%.

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Sem frango brasileiro, Europa pode sentir pressão sobre os preços, diz ABPA

A suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3), deve ter efeitos limitados no curto prazo para o mercado brasileiro, segundo o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin. Na avaliação do executivo, porém, a ausência da carne de frango brasileira pode ser sentida pelos consumidores europeus e pressionar os preços de alimentos na região caso a medida se prolongue.

Santin afirmou, em entrevista ao CNN Agro News, que os importadores europeus anteciparam compras nos últimos meses diante da possibilidade de interrupção do comércio. As exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia cresceram 73% de janeiro a julho deste ano, segundo ele.

“A exportação para a União Europeia de carne de frango representa 7% das exportações brasileiras, anteriormente era uma média de 5%”, afirmou. O Brasil, acrescentou, mantém vendas para mais de 150 países, o que permite redirecionar parte da produção para outros mercados.

O impacto, portanto, não deve ser imediato. Santin destacou que as empresas brasileiras podem registrar perda de rentabilidade, já que o mercado europeu remunera melhor o produto. 

Ele citou como exemplo o episódio de influenza aviária registrado no Rio Grande do Sul no ano passado, quando o Brasil ficou quatro meses sem vender carne de frango para a União Europeia e, ainda assim, encerrou o ano com crescimento de 1% nas exportações.

A situação pode ser diferente na Europa se a suspensão se prolongar. “O Brasil também é muito importante para a União Europeia. Quase 20% do peito de frango que eles consomem lá, especialmente para processamento, vem do Brasil. Ficar muito tempo sem o Brasil significa inflação de alimentos para os consumidores europeus”, disse.

“Nossa ausência vai ser sentida na gôndola dos supermercados europeus”, acrescentou Santin.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e, segundo o presidente da ABPA, responde por 37,6% do mercado global. Com a suspensão, a oferta brasileira que antes chegava ao mercado europeu terá de ser direcionada para outros destinos ou para o mercado doméstico.

Missão europeia avaliou controles sanitários

A entrada em vigor da suspensão ocorre após uma missão técnica da União Europeia ao Brasil, que encerrou os trabalhos na quarta-feira (2). Segundo Santin, a equipe avaliou os mecanismos de fiscalização adotados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e a aplicação desses controles pelas empresas brasileiras.

A União Europeia havia solicitado um reforço na fiscalização, incluindo visitas do Ministério da Agricultura a granjas e fábricas de ração, além dos controles já existentes, como boletins sanitários, fichas de acompanhamento de lotes e o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes.

Santin afirmou que o Ministério da Agricultura já colocou o sistema adicional em prática e que um ciclo de produção de aves já foi realizado sob o novo modelo de fiscalização.

“A Europa gostaria que o Ministério da Agricultura fizesse uma fiscalização maior para além daqueles manejos que a gente já fiscaliza, (…) e o Ministério já fez”, afirmou.

Segundo ele, a missão europeia teve como objetivo verificar se o governo brasileiro estava cumprindo os procedimentos de fiscalização apresentados à União Europeia e se as empresas continuavam atendendo aos requisitos exigidos para a exportação.

“No nosso caso, a missão europeia cumpre apenas fazer a auditoria bem feita, com transparência total, e cumprimos tudo que eles quiseram ver”, disse.

O presidente da ABPA afirmou que o setor considera que as exigências europeias vêm sendo atendidas e que o reforço da fiscalização não alterou as características dos produtos destinados àquele mercado.

Expectativa por relatório parcial

Com o fim da missão técnica, a expectativa do setor agora está concentrada na elaboração do relatório europeu. Santin disse esperar que a União Europeia produza um relatório parcial rapidamente, com os resultados preliminares da auditoria.

“O Ministério da Agricultura cumpriu sua parte e agora falta o tempo deles. (…) Espero que possam fazer um relatório parcial e o mais rápido possível”, afirmou.

Segundo Santin, a autoridade europeia também poderá convocar uma reunião extraordinária do Comitê Permanente de PAFF (Plantas, Animais, Alimentos e Rações), caso entenda necessário. A decisão, porém, cabe às autoridades da União Europeia.

Brasil busca redirecionar exportações

Enquanto aguarda uma decisão europeia, o setor de carne de frango trabalha para redistribuir os volumes que deixaram de ser destinados ao bloco. Santin afirmou que a diversificação dos mercados permite ao Brasil direcionar parte da produção para outros compradores e para o mercado doméstico.

Entre os destinos citados estão México, países da África e outras nações da América do Sul.

Santin também citou os Emirados Árabes Unidos como um mercado que continua recebendo a proteína brasileira. Segundo ele, apesar das dificuldades na região com o fechamento do estreito de Ormuz, o Brasil mantém cerca de 95% do volume que vendia anteriormente ao país.

A estratégia, segundo o presidente da ABPA, é distribuir a produção entre os diferentes mercados disponíveis, evitando tanto uma queda nas exportações quanto uma concentração excessiva de produto no mercado interno.

“Nós temos 150 mercados que a gente vende, consegue fazer isso, além do mercado interno”, afirmou.

Para Santin, a capacidade de diversificação é o principal instrumento do setor brasileiro diante da suspensão europeia. O desafio, no curto prazo, é substituir um mercado considerado mais rentável enquanto o Brasil aguarda a avaliação dos técnicos europeus e uma possível revisão da medida.

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Durigan afirma que varejo não vive crise generalizada e que juros pressionam consumo


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira, 3, em entrevista à TV Record, que o setor do varejo não vive uma crise. Pontuou, entretanto, que as taxas de juros pressionam o consumo.

“Não há crise. Você que nos assiste, que às vezes vê uma loja sendo fechada, vai seguir tendo opções para comprar os seus produtos, seja em outras lojas concorrentes, seja pelo mercado digital”, disse Durigan, lembrando que há um apelo grande para que não haja a chamada “taxa das blusinhas”, em razão da demanda de consumidores por compras por canais digitais. “Se não fosse importante, não seria um tema de tanta relevância para a discussão nacional.”

Perguntado sobre o recente fechamento ou pedido de recuperação de grandes empresas varejistas, o ministro atribuiu isso a mudanças no mercado, seja do lado do crédito, seja nos hábitos de consumo.

No crédito, ele afirmou que os cartões usados hoje pelas pessoas para fazer compras não são mais os de grandes varejistas, como no passado. Além disso, disse que a pandemia alterou o padrão de consumo da população, o que afetou essas empresas.

“Foram vários movimentos que justificam a dificuldade de algumas empresas. Então, a gente não tem que entrar num Fla-Flu, porque não há crise específica na economia brasileira, que vai bem. Nós temos dificuldades e desafios que nós precisamos reconhecer”, disse Durigan.

Por fim, o ministro afirmou que o nível elevado dos juros no País também pode explicar as dificuldades enfrentadas pelos varejistas.

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“Não estou dizendo que a taxa de juros não atrapalha. As empresas de varejo, em especial, têm uma margem de lucro pequena, e dependem muito de crédito para sobreviver”, afirmou Durigan. “As pessoas, quando compram o seu sofá ou seu móvel, usam crédito para não ter que desembolsar tudo de uma vez. E, quando a taxa de juros é mais alta, isso inibe essa compra e reduz o consumo”, completou.



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Mato Grosso busca novos destinos para carne após embargo da União Europeia

A suspensão das exportações de carne bovina para a União Europeia pode obrigar Mato Grosso a redirecionar um mercado que, embora represente apenas 3,4% do volume vendido pelo estado, paga 34,7% a mais por tonelada que a China.

De acordo com o IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária do Mato Grosso), a União Europeia não é o principal destino da carne bovina mato-grossense em volume, mas representa um mercado relevante para um estado com forte perfil exportador.

Conforme os dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o Mato Grosso enviou 20,37 mil toneladas equivalente carcaça ao bloco entre janeiro e julho deste ano, o equivalente a 3,43% das exportações de carne bovina do estado. A receita chegou a US$ 130,51 milhões, ou 4,65% do faturamento obtido com as vendas externas.

O peso do mercado europeu, no entanto, é maior quando se considera o preço recebido. No período, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.407,87 por tonelada de carne bovina de Mato Grosso, 34,7% acima dos US$ 4.756,10 pagos pela China.

Para Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o primeiro impacto é justamente a perda desse espaço comercial e a necessidade de encontrar rapidamente outro destino para a carne.

“Primeiro ponto é a perda de mercado importante. Não é o maior mercado do estado de Mato Grosso, mas é um mercado que representa 3,4%. Então, principalmente do que nós, país exportador e estado exportador, é realmente perder esse espaço e ter que redirecionar esse produto para algum outro mercado”, afirmou.

Além da participação nas exportações, Gauer destaca que a União Europeia é importante pela remuneração oferecida aos produtores que conseguem cumprir as exigências do bloco.

“É um mercado extremamente com valor agregado alto e que traz uma remuneração maior, um prêmio pago por arroba para os produtores”, disse.

 Valor da carne

O problema, segundo o superintendente, não é apenas encontrar um comprador para o volume que deixa de ser enviado à Europa. O desafio é encontrar mercados que estejam dispostos a pagar valores próximos aos praticados pelo bloco europeu.

“O desafio realmente é conseguir encaixar um produto em mercado consumidor que atenda e também que remunere na mesma proporção que nós temos”, afirmou.

Nesse cenário, a Coreia do Sul aparece como uma das alternativas consideradas pelo setor. O país é visto como um mercado com potencial de remuneração semelhante ao europeu, mas a abertura ainda depende de negociações e do cumprimento de exigências sanitárias.

“O Brasil tem feito um trabalho com a Coreia do Sul para realmente conseguir abrir esse mercado importante, que remunera na mesma magnitude que nós temos no mercado europeu, mas é um processo contínuo que precisa ser trabalhado”, afirmou Gauer.

A abertura, porém, não deve ocorrer de forma imediata. Segundo ele, o processo envolve tanto o governo brasileiro quanto as autoridades do país que receberá a carne e depende da aceitação de todas as exigências e comprovações.

“Não depende só de nós. É um processo de qualificação e abertura de mercado, principalmente do governo e do governo internacional, no caso da Coreia do Sul, em aceitar todas as exigências, comprovações, tudo que é feito”, explicou.

Gauer avalia que o Brasil tem avançado na abertura de novos mercados nos últimos anos, mas a velocidade das negociações também depende dos países compradores.

Frigoríficos terão papel central

Enquanto o governo trabalha na abertura de mercados, os frigoríficos terão de atuar comercialmente para encontrar destinos para a carne que estava direcionada à União Europeia.

Segundo Gauer, ainda não há uma definição sobre onde todo esse volume poderá ser recolocado. A estratégia dependerá das negociações individuais das empresas com os compradores internacionais.

“O setor frigorífico tem trabalhado para realmente recolocar esse produto no mercado”, afirmou.

Para o IMEA, a diferença de remuneração reforça a importância de encontrar alternativas capazes de preservar o valor da produção. O índice de atratividade calculado pelo instituto mostra que uma tonelada de carne enviada à União Europeia equivale ao retorno de 110,49 arrobas de boi gordo. Na China, o retorno é de 75,31 arrobas por tonelada.

Pressão sobre a arroba

A dificuldade para redirecionar a carne também pode ter reflexos sobre os preços pagos ao produtor, principalmente entre aqueles que produzem dentro dos padrões exigidos pelo mercado europeu.

Gauer avalia que esse grupo tende a sentir primeiro os efeitos da suspensão, justamente porque possui um mercado mais específico e recebe um prêmio pela produção.

“É um mercado de nicho, qualificado, e que realmente tem os produtores que atendem todas as exigências e características, e tem um prêmio pago por esse tipo de produto, e tendem a ser os mais impactados nesse momento”, disse.

Apesar disso, o superintendente pondera que o comportamento da arroba não dependerá exclusivamente do fechamento do mercado europeu. O setor pecuário também passa por um movimento estrutural relacionado ao ciclo do gado, que deve continuar influenciando os preços.

“Mas a gente também está passando por um outro momento estrutural, que é o ciclo pecuário, que tende a trazer uma pressão, um movimento, até para conseguir corresponder e equilibrar parte desse movimento que possa acontecer com o mercado europeu”, afirmou.

Antimicrobianos são foco das exigências

Além da busca por novos compradores, a retomada das exportações para a União Europeia depende da adequação às exigências sanitárias do bloco. Segundo Gauer, um dos principais pontos envolve a comprovação da não utilização de determinados antimicrobianos.

“O principal que a União Europeia está exigindo é a questão das comprovações de não utilização de alguns antimicrobianos”, explicou.

O superintendente afirma que os produtores já vêm realizando movimentos de adequação, mas que o problema está também na capacidade de documentar e comprovar o cumprimento das regras.

“Não é um movimento que só depende por parte do produtor. Depende da cadeia como um todo e principalmente do governo em conseguir garantir e comprovar isso ao mercado, e que o mercado europeu aceite essas comprovações”, disse.

A nota técnica do IMEA também aponta que o acesso ao mercado europeu exige certificações sanitárias, protocolos socioambientais e sistemas de rastreabilidade do rebanho desde a origem.

Segundo Gauer, o governo brasileiro já trabalha na documentação necessária, mas a retomada depende também da avaliação das autoridades europeias.

“Esse é um trabalho que já vem sendo feito pelo governo brasileiro de comprovação, de demonstração documental, mas que realmente não depende só do nosso lado, mas também do lado europeu aceitar realmente esse movimento”, afirmou.

Próximos passos

Para o IMEA, a estratégia passa, portanto, por duas frentes paralelas. A primeira é encontrar mercados alternativos capazes de absorver a carne que deixa de ser enviada à Europa e, principalmente, preservar o prêmio recebido pelos produtores.

A segunda é avançar nas negociações sanitárias e na documentação necessária para que o estado volte a ter acesso ao mercado europeu.

Nesse processo, Gauer destaca o papel conjunto de frigoríficos, produtores e governo. Enquanto as empresas precisam buscar compradores, o setor público deve atuar na abertura de mercados, na construção de alternativas logísticas e nas negociações sanitárias internacionais.

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Importador europeu de frango antecipa compras antes de restrição ao Brasil, diz ABPA


Importadores europeus de carne de frango estão antecipando compras do Brasil diante da proximidade da entrada em vigor da restrição às exportações brasileiras, prevista para esta quinta-feira, 3, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

As vendas brasileiras à União Europeia (UE) cresceram 73% de janeiro a julho deste ano e, na avaliação do executivo, a antecipação reduz o risco de pressão imediata sobre os preços domésticos enquanto o mercado europeu permanecer fechado ao produto brasileiro.

“A indústria tem atendido o que os importadores da União Europeia estão comprando”, disse Santin.

Segundo ele, as compras europeias já vinham crescendo antes do anúncio da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne de frango. O volume, que historicamente ficava entre 15 mil e 20 mil toneladas por mês, alcançou níveis acima de 30 mil toneladas mensais no primeiro semestre de 2026.

Em janeiro, foram cerca de 27 mil toneladas; em fevereiro e março, 30 mil toneladas em cada mês; e, em abril, 33 mil toneladas. Em maio, as vendas chegaram a 40 mil toneladas, recuaram para 28 mil toneladas em junho e somaram 36 mil toneladas em julho.

O executivo afirmou que o aumento da demanda europeia antecede a restrição e também está relacionado às dificuldades enfrentadas pela produção local, incluindo a influenza aviária e problemas climáticos que afetaram a oferta de grãos. A proximidade do bloqueio, porém, reforçou a antecipação das compras. “Se no dia 3 você não vai mais poder me vender, eu quero que você me venda mais agora”, relatou Santin, referindo-se ao comportamento dos importadores.

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Na avaliação do presidente da ABPA, os dados indicam que compradores europeus formaram estoques para atravessar o período de interrupção das importações brasileiras. O movimento, segundo ele, também ajuda a explicar por que a indústria não deverá enfrentar excesso de produto no curto prazo. “Olhando os números, pode-se dizer que a Europa, de certa maneira, formou um pouco de estoque”, afirmou.

Santin destacou que o aumento das vendas à Europa não significou necessariamente crescimento da produção brasileira. Como os volumes destinados ao bloco ficaram acima da média histórica, parte da oferta foi deslocada de outros mercados. “Se eu atendi a Europa com mais, eu tive que tirar de algum lugar”, explicou.

Por isso, a eventual suspensão das compras europeias por um período curto tende a ser administrável, na avaliação do executivo. A indústria também não deve reduzir a produção imediatamente em resposta à restrição. Segundo Santin, as empresas mantêm o atendimento aos clientes europeus e os protocolos necessários para uma eventual retomada.

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Santin não vê, neste momento, risco relevante de pressão sobre os preços domésticos em razão da suspensão das exportações para a UE. O presidente da ABPA ponderou, contudo, que a duração do bloqueio será determinante para os efeitos sobre o mercado. A Europa é um destino relevante para a proteína brasileira e, segundo Santin, tem papel importante na formação de preços e no consumo de produtos de maior valor agregado.

Enquanto os compradores antecipam volumes, a missão da UE que está no Brasil para avaliar os controles sanitários ainda não apresentou sinalização concreta sobre a retomada das exportações. Segundo Santin, as empresas têm apresentado aos técnicos europeus os procedimentos de segregação e os controles relacionados ao uso de antimicrobianos. O executivo ressaltou que a missão está verificando a estrutura adicional de fiscalização implementada pelo governo brasileiro.

Santin afirmou que o setor já realizava a segregação dos lotes destinados à Europa antes da criação da camada adicional de fiscalização. Produtos que tivessem recebido determinados medicamentos, ainda que sem resíduos acima dos limites permitidos, já eram direcionados a outros mercados.

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A missão teve atividades na quarta-feira, 2, incluindo visitas a plantas em Mato Grosso do Sul. Não há prazo definido para uma decisão da União Europeia. A retomada dependerá da análise dos dados coletados durante a missão e da decisão do bloco sobre a suficiência dos controles brasileiros.

A partir desta quinta, o Brasil não poderá mais certificar novos lotes destinados à UE enquanto a restrição estiver em vigor. Santin explicou, porém, que produtos certificados até esta quarta-feira ainda poderão ser embarcados posteriormente e chegar ao mercado europeu semanas depois.

O executivo ressaltou que a indústria está preparada para manter os protocolos exigidos pelo bloco durante o período de restrição. Segundo ele, o setor já demonstrava, antes da medida, que os produtos destinados à Europa não recebiam antimicrobianos como promotores de crescimento e que havia controle sobre tratamentos terapêuticos incompatíveis com as regras europeias. “Hoje a indústria brasileira já tem condições de mandar um frango para a União Europeia com a certificação reforçada”, afirmou.

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EuroChem é condenada por valor retido na compra da Fertilizantes Heringer

A Fertilizantes Heringer informou ao mercado que uma sentença parcial da Câmara de Arbitragem do Mercado condenou a EuroChem a pagar valores relacionados ao ajuste de preço da compra do controle da fabricante de fertilizantes pela família Heringer, concluída em 2022. A disputa arbitral tem valor de R$ 323,9 milhões e ainda terá novas etapas antes da sentença final.

O comunicado foi divulgado poucos dias depois de a Heringer obter na Justiça a suspensão, por 60 dias, das cobranças e execuções de credores enquanto negocia a reestruturação de suas dívidas por meio de mediação.

A arbitragem envolve a russa EuroChem, atual controladora da companhia, e os antigos acionistas controladores Dalton Dias Heringer, Eny de Miranda Heringer, Dalton Carlos Heringer e o espólio de Juliana Heringer Rezende.

O conflito tem origem no contrato de compra e venda firmado em dezembro de 2021, quando a EuroChem acertou a aquisição indireta de 51,48% do capital da Fertilizantes Heringer por R$ 554,5 milhões. A operação foi concluída em março de 2022, quando a multinacional passou a controlar a companhia.

Pela estrutura do negócio, apenas metade do valor foi paga no fechamento da operação. Outros 15% ficaram retidos para eventuais ajustes de preço e 35% como garantia para possíveis indenizações previstas no contrato de compra e venda. 

Na prática, a família Heringer recebeu R$ 277,2 milhões à vista. Posteriormente, houve um desconto de R$ 27,6 milhões, equivalente a R$ 1 por ação, relacionado a dívidas identificadas na holding da família, reduzindo o preço efetivo para R$ 19 por ação.

Após assumir o controle da empresa, a EuroChem informou aos vendedores que as perdas que deveriam ser indenizadas superavam os valores retidos e, por isso, não liberou nenhum dos montantes previstos no contrato. A família contestou a retenção e levou o caso à arbitragem.

A disputa ganhou novos contornos após uma investigação interna iniciada pela Heringer em 2022, já sob o controle da EuroChem. A apuração identificou pagamentos superfaturados a fornecedores, manipulação de processos de concorrência e outras irregularidades, conforme noticiou, à época, o Valor Econômico.

Em novembro de 2022, a companhia informou que a primeira fase da investigação havia identificado R$ 50,7 milhões em pagamentos considerados irregulares. A EuroChem passou a sustentar que esses prejuízos justificavam a retenção dos valores previstos no contrato de compra da empresa.

O que decidiu o tribunal arbitral

Na sentença parcial, o tribunal determinou que a EuroChem pague a atualização pelo CDI sobre o valor do ajuste de preço previsto no contrato, referente ao período entre o fechamento da operação, em 28 de março de 2022, e o pagamento realizado em 14 de setembro daquele ano.

A decisão também estabelece multa de 2% e juros de mora de 1% ao mês, calculados desde 15 de setembro de 2022 até o pagamento efetivo.

Além do pagamento, os árbitros decidiram que a EuroChem e a Heringer devem entregar aos vendedores a condução dos processos judiciais e administrativos relacionados aos chamados ativos contingentes, permitindo que a família assuma a estratégia dessas ações; e que a companhia e a compradora devem adotar medidas para concluir a transferência de um imóvel vendido pela Heringer aos antigos controladores.

Procurada para comentário, a EuroChem ainda não se manifestou.

Perícia ainda definirá parte da disputa

A sentença não encerra o processo arbitral. O tribunal adiou para uma etapa posterior, após a realização de perícia, a análise de pedidos relacionados à liberação dos ativos contingentes que eventualmente sejam devidos aos vendedores. Também deixou para a sentença final a decisão sobre a distribuição dos custos da arbitragem.

Segundo a Heringer, agora o tribunal irá definir o escopo da prova pericial e das demais provas do processo. As partes ainda estão no prazo para apresentar pedidos de esclarecimento sobre a decisão parcial.

Reestruturação financeira

A sentença arbitral foi comunicada ao mercado em um momento de pressão financeira sobre a Fertilizantes Heringer.

Na semana passada, a companhia iniciou um procedimento de mediação com credores e obteve uma decisão judicial suspendendo, por 60 dias, cobranças e medidas de execução enquanto tenta negociar um passivo de R$ 1,98 bilhão. 

Segundo informações do processo, cerca de 70% das dívidas estão expostas ao dólar, enquanto aproximadamente 88% das matérias-primas utilizadas pela empresa são importadas.

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ChatGPT fora do ar? Usuários relatam problemas com a plataforma


A plataforma ChatGPT, da empresa americana OpenAI, passa por instabilidade na tarde desta quinta-feira (3).

Segundo o site Downdetector, os relatos de que o site da empresa não estaria funcionando começaram por volta das 11h30.

O pico de reclamações foi por volta do meio-dia, com aproximadamente 10 mil relatos.

Por volta das 12h50, o site abriu normalmente pela reportagem.

Nas redes sociais, usuários relataram a falha do serviço de inteligência artificial com humor.



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Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA sobem 2 mil na semana, a 206 mil


O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos subiu 2 mil na semana encerrada em 28 de agosto, para 206 mil, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 3, pelo Departamento do Trabalho. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas consultados pela FactSet, que previam 205 mil solicitações.

O total da semana anterior foi revisado em alta, de 203 mil para 204 mil.

Já o número de pedidos continuados subiu 8 mil na semana encerrada em 22 de agosto, para 1,779 milhão, abaixo do consenso da FactSet, de 1,789 milhão. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.



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Exportações ucranianas de grãos caem pela metade entre julho e agosto

As ​exportações combinadas ​de grãos e oleaginosas da Ucrânia caíram para 1,2 milhão de toneladas ⁠em ​agosto, ante 2,5 ​milhões de toneladas ⁠em julho, informou ⁠nesta quinta-feira (3) ​o ‌sindicato ucraniano de ⁠comerciantes UGA.

A UGA informou que o ‌volume de ⁠agosto incluiu ‌649 mil toneladas de trigo, ⁠211 ⁠mil toneladas de milho, 254 ‌mil toneladas de canola, 66 mil toneladas de cevada ‌e alguns outros grãos e oleaginosas.

As exportações ⁠ucranianas de alimentos caíram drasticamente após ​os ataques russos ​aos portos ucranianos do Mar Negro.

Disponibilidade internacional de trigo

Importadores asiáticos de trigo adquiriram pelo menos meio milhão de toneladas de trigo australiano e argentino ​em negócios recentes, segundo três fontes do setor, à medida ​que os compradores se apressam para substituir cargas do Mar Negro atrasadas por ataques a navios e à infraestrutura de exportação de grãos.

Os importadores da região, incluindo a Indonésia, o segundo maior comprador mundial de trigo, estão pagando preços significativamente mais altos por fontes alternativas de abastecimento, afirmaram as fontes, com vários países dependendo fortemente das importações para atender à demanda interna.

“Houve negócios em grande volume na última semana a dez dias envolvendo trigo australiano e argentino ⁠para atender a necessidades urgentes”, disse um ​trader baseado na Ásia, de uma empresa de comércio internacional que fornece trigo a moinhos da ​região.

“Os importadores estão tentando obter remessas alternativas para cargas que não chegaram da Rússia e da Ucrânia.”

Os importadores ⁠globais de trigo enfrentam escassez de oferta, já que ⁠os ataques russos e ucranianos a portos e embarcações interromperam as operações nos terminais de ​grãos, ‌forçando as transportadoras a adiar ou cancelar o carregamento de dezenas de cargas durante a alta temporada de exportação.

O ⁠grupo norte-americano de commodities agrícolas ADM informou nesta quarta-feira (2) que um ataque com drone em 31 de agosto danificou seu terminal de grãos UEP no porto ucraniano de Odessa, no Mar Negro.

Os compradores pagaram cerca de US$315 a US$330 por ‌tonelada, ⁠incluindo custo e frete, ‌pelo trigo branco premium australiano, enquanto os negócios com trigo argentino foram fechados por cerca de US$310 a US$315 por tonelada, segundo os operadores.

Isso se compara à maioria das cargas do Mar Negro contratadas por cerca de US$260 a US$280 ⁠por tonelada para chegadas entre agosto e setembro.

Os contratos futuros ⁠de referência de Chicago subiram cerca de 35% desde o final de junho, impulsionados em grande parte pela escassez de suprimentos do Mar ‌Negro, enquanto os preços à vista dispararam entre os exportadores concorrentes — Argentina, Austrália e Estados Unidos.

O trigo em Chicago atingiu seu nível mais alto em três anos e meio na terça-feira, após relatos de que Moscou havia rejeitado uma moratória sobre os ataques na região do Mar Negro e lançado ataques noturnos contra a infraestrutura ‌portuária ucraniana.

Processadores de grãos na Ásia reservaram cerca de 2,0 milhões a 2,5 milhões de toneladas de trigo do Mar Negro para embarque entre julho e setembro, o que representa cerca de 30% a 50% da demanda ⁠de importação. No entanto, os crescentes atrasos nos embarques têm alimentado preocupações de que uma parte dos grãos possa não chegar aos compradores.

Além da Indonésia, outros compradores asiáticos de trigo do Mar Negro incluem Bangladesh, Vietnã, Malásia, Tailândia e ​Sri Lanka.

Embora os compradores estejam garantindo grandes volumes de trigo australiano e argentino, alguns recorreram a remessas em contêineres para ​atender às necessidades imediatas, afirmaram os operadores.

“Algumas moageiras estão preferindo contêineres, pois combinaram com os fornecedores de adiar ainda mais a chegada das cargas do Mar Negro”, disse um segundo trader com sede na Ásia. “Elas não querem se expor demais aos preços altos, então estão usando contêineres para ‌atender às suas necessidades imediatas.”

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