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Embargo da UE a produtos animais afeta US$ 1,8 bi em vendas do Brasil


O embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil, que entrou em vigor nesta quinta-feira, atinge exportações brasileiras avaliadas em US$ 1,84 bilhão em 2025, principalmente carnes, uma vez que o bloco europeu busca garantias sobre a ausência de substâncias antimicrobianas no processo produtivo.

Ainda que as apostas de uma retomada em breve sejam baixas, uma inspeção europeia nesta semana na indústria de carne de frango traz alguma expectativa para este setor, pelo menos.

Do total de exportações afetadas pelo embargo da UE, a carne bovina respondeu por US$1,05 bilhão em 2025, enquanto a carne de frango somou US$763 milhões no ano passado, com os europeus se destacando em compras de cortes de maior valor agregado, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Da receita total obtida pelo Brasil no ano passado com as exportações de carne bovina, a União Europeia representou 5,8% do total embarcado. No caso da carne de frango, a UE foi destino de cerca de 8% do que o Brasil embarcou no ano passado.

A proibição — anunciada em maio com prazo para vigorar a partir desta quinta-feira — aconteceu após o governo brasileiro não conseguir apresentar garantias sobre a não utilização de substâncias antimicrobianas proibidas na UE no processo produtivo, o que deixou o Brasil fora de uma lista de exportadores autorizados. A Comissão Europeia não deu um prazo para uma possível suspensão da proibição.

Desde o anúncio do embargo, o governo brasileiro reforçou negociações com os europeus, em um processo que envolveu até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conversou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre a criação de um mecanismo bilateral para identificar dificuldades para o comércio de produtos de origem animal.

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Como parte das negociações, uma missão de técnicos europeus veio inspecionar os sistemas de produção de carne de frango e mel do Brasil, em um trabalho registrado ao longo dos últimos dias que se encerra na sexta-feira. No entanto, não são esperadas decisões imediatas, uma vez que os inspetores precisam elaborar suas conclusões sobre a visita, segundo um porta-voz da Comissão Europeia.

O governo brasileiro tinha expectativa de uma resolução mais rápida pelo menos para as exportações de carne de frango, por se tratar de um animal de ciclo mais curto, de 42 dias. Neste aspecto, seria mais fácil oferecer garantias da não utilização dos produtos proibidos pela UE, em comparação com o setor de bovinos, que tem um ciclo mais longo de vida, pouco mais de dois anos.

No caso do setor de frango, pelo fato de haver maior integração entre os criadores de animais e as indústrias, o monitoramento seria mais fácil, alguns advogam. No setor de bovinos, o número de fornecedores seria mais pulverizado e menos integrado com a indústria frigorífica.

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De janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou o equivalente a cerca de US$560 milhões em carne bovina para a União Europeia, com a Itália, Países Baixos, Espanha e Alemanha sendo os principais destinos. No caso da carne de frango, as exportações somaram US$680 milhões no mesmo período, principalmente para Países Baixos, Espanha e Alemanha, segundo dados do governo. As receitas em 2026 se recuperam ante 2025, pois no ano passado o Brasil enfrentou embargo por conta de um caso de gripe aviária em granja comercial.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa produtores de carne de frango e suína, afirma que a avicultura brasileira já cumpre integralmente todos os requisitos determinados pela União Europeia para as importações de carne de frango, embora europeus afirmem não ter obtido essas comprovações por parte do Estado brasileiro.

A Abiec, que representa produtores de carne bovina, afirma que construiu protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, que faz parte das garantias oficiais brasileiras. Segundo a associação, 100% das empresas associadas à Abiec e habilitadas ao mercado europeu estão aderidas ao protocolo.

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A UE veta uso de substâncias que poderiam estimular crescimento animal. O bloco também proíbe o uso, na produção animal, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos, incluindo antibióticos. Para a UE, o uso excessivo de medicamentos em animais poderia criar bactérias resistentes, tornando algumas infecções humanas mais difíceis de tratar.

Segundo especialistas, a medida europeia não foi tomada por causa de irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da UE de que o controle nacional sobre o uso dessas substâncias ainda é insuficiente.

A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados, disse a Abiec, ressaltando que “não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos”.

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No caso do setor de carne de frango, a ABPA afirmou anteriormente esperar alguma perda de receita, já que europeus são também importadores de produtos de maior valor agregado, como o peito.

O Brasil, maior exportador global de carne bovina e de frango, é sede de algumas das maiores indústrias de carnes do mundo, como JBS, MBRF e Minerva , que também têm operações em outros países das Américas do Norte e do Sul.



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Minerva esclarece à CVM falas sobre dívida e geração de caixa em 2026

A Minerva Foods esclareceu nesta quinta-feira (3) questionamentos feitos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre declarações do diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Edison Ticle, a respeito da redução da alavancagem e da geração de caixa da companhia em 2026.

A CVM questionou a companhia sobre declarações de Ticle a respeito da possibilidade de redução da alavancagem para 1,7 vez e de geração de R$ 1 bilhão em caixa livre ao longo de 2026.

Em resposta à CVM, a Minerva afirmou que as declarações não foram feitas durante uma apresentação pública destinada a investidores, mas em um evento realizado durante a Festa do Peão de Barretos, em São Paulo. O encontro reuniu colaboradores e teve como objetivo o relacionamento com stakeholders estratégicos.

A companhia informou ainda que disponibilizou à CVM e ao mercado o material de apoio utilizado no evento, classificado como apresentação a analistas e agentes de mercado.

Segundo a Minerva, as discussões sobre alavancagem ocorreram no contexto da apresentação de sua estratégia de desalavancagem e da definição do nível de endividamento considerado adequado para a companhia.

A empresa também afirmou que, ao abordar a utilização de caixa para reduzir a dívida, a administração mencionou a expectativa de evolução da geração de caixa livre no segundo semestre de 2026.

De acordo com a Minerva, essa perspectiva considera fatores de mercado já conhecidos, entre eles a demanda por carne bovina em mercados estratégicos, especialmente China e Estados Unidos.

A companhia também citou a maturação de investimentos realizados e divulgados no primeiro semestre, cujos efeitos operacionais tendem a aparecer com maior intensidade na segunda metade do ano.

A Minerva, porém, ressaltou que essas considerações não devem ser interpretadas como uma projeção financeira ou guidance.

A companhia reiterou que não divulga projeções e afirmou que as declarações feitas durante o evento não tiveram como objetivo estabelecer uma previsão para a alavancagem ou para a geração de caixa.

A empresa disse ainda que os comentários estavam inseridos na estratégia de redução do endividamento e na avaliação da administração sobre o cenário macroeconômico e seus possíveis impactos sobre os negócios.

O esclarecimento desta quinta-feira ocorre após a CVM já ter questionado anteriormente a companhia sobre a mesma reportagem. Em 31 de agosto, a Minerva havia divulgado um comunicado ao mercado em resposta ao primeiro ofício da autarquia.

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A Europa ‘fechou a porteira’ e Brasil ameaça reciprocidade na guerra da proteína


SÃO PAULO, 3 Set (Reuters) – ⁠O governo brasileiro pode recorrer ⁠a medidas de reciprocidade contra embargo europeu a ‌produtos de origem animal do Brasil, de acordo com um comunicado conjunto dos ministérios de ‌Agricultura e de Relações Exteriores nesta quinta-feira.

A retaliação ocorreria caso as negociações com os europeus não tenham uma solução satisfatória, observou a nota.

O comunicado foi publicado no dia em que começou a ⁠vigorar ‌um embargo da União Europeia a produtos ⁠de origem animal do Brasil, atingindo exportações avaliadas em US$1,84 bilhão em 2025, principalmente carnes.

A suspensão das importações desses produtos brasileiros acontece, segundo a Comissão Europeia, porque o bloco europeu ​ainda busca garantias do Estado sobre a ausência de substâncias antimicrobianas no processo produtivo no ​país.

A nota do governo brasileiro expressa ‘profunda preocupação’ com o início da implementação das restrições impostas pela União Europeia.

Diz ainda que o governo brasileiro mantém contato contínuo com a União ‌Europeia e com os setores produtivos ​envolvidos, com vistas à continuidade dos fluxos comerciais, mas faz uma ameaça de retaliação.

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‘Caso as tratativas não conduzam tempestivamente a ⁠uma solução ​satisfatória, o ​governo brasileiro reserva-se o direito de recorrer aos instrumentos cabíveis para ⁠assegurar condições equilibradas de ​comércio, inclusive às medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico nacional, bem como aos mecanismos pertinentes previstos ​no Acordo Mercosul-União Europeia e no sistema multilateral de comércio’, afirmou.

No comunicado o governo ​brasileiro acrescenta que ⁠os produtos afetados pelas novas restrições foram objeto de cotas ⁠e reduções tarifárias no âmbito do Acordo Mercosul-União Europeia, e que a ‘exclusão desses produtos do mercado europeu anula uma parte importante dos ganhos obtidos pelo Brasil nas negociações’.

(Por Roberto Samora; edição de Marta ​Nogueira)

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Morte da PM Gisele é compatível com ‘intervenção de segunda pessoa’, diz laudo


Laudo pericial complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a morte da soldado Gisele Alves Santana, da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), é compatível com “intervenção de segunda pessoa”. Segundo o documento, a hipótese de que a soldado tenha cometido suicídio foi descartada por “incompatibilidades materiais”.

“A avaliação do conjunto de padrões de manchas e demais elementos objetivos identificados no local contradizem a hipótese de evento suicida”, diz o laudo.

A soldado de 32 anos foi encontrada morta com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o esposo e a filha no Brás, na região central de São Paulo. Gisele era casada com o tenente-coronel da PMESP Geraldo Leite Rosa Neto.

O tenente-coronel é o principal suspeito da morte de Gisele. Ele foi denunciado por feminicídio e fraude processual.

A investigação aponta que Geraldo teria segurado a esposa e atirado na cabeça dela após uma discussão. Posteriormente, ele teria deitado o corpo de Gisele no chão e alterado a cena do crime para simular um suicídio, colocando a arma do crime na mão da vítima.

O tenente-coronel sempre negou o crime. Ele sustenta que Gisele teria cometido suicídio após receber a notícia de que o marido queria a separação.

Um mês depois da morte de Gisele, em 18 de março, Geraldo foi preso em São José dos Campos, por determinação da Justiça Militar, após investigação conduzida pela Corregedoria da PM. Atualmente, ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.

Na segunda-feira (31), o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Soares da Fonseca manteve a prisão de Geraldo. Na liminar, o magistrado avaliou ser necessário manter a prisão cautelar em razão do risco de interferência na produção das provas e dos indícios de que o tenente-coronel teria tentado eliminar vestígios e alterar o local onde a mulher foi encontrada morta.

Com informações de Estadão Conteúdo



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Algodão recua 2,79% em Nova York após forte alta em agosto

O algodão fechou em forte queda nesta quinta-feira (3) na Bolsa de Nova York, em um movimento de correção após a valorização expressiva registrada ao longo de agosto. O contrato com vencimento em dezembro recuou 2,79%, para 86,45 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o consultor independente Pery Passotti Pedro, o mercado passou por forte volatilidade nas últimas semanas, com os preços sendo impulsionados principalmente pelas preocupações com a produção nos Estados Unidos e pelas condições climáticas adversas na China.

Durante agosto, os contratos chegaram a superar os 90 centavos de dólar por libra-peso. A alta foi sustentada pelo temor de perdas na safra americana em razão da seca e das temperaturas elevadas no Texas, principal estado produtor de algodão dos Estados Unidos, além dos problemas climáticos registrados em Xinjiang, principal região produtora da China.

A partir do fim de agosto, porém, o mercado começou a devolver parte dos ganhos acumulados. Para Passotti Pedro, a queda dos últimos dias está mais relacionada à realização de lucros depois de uma alta considerada muito rápida do que a uma mudança nos fundamentos do mercado.

Nos Estados Unidos, a atenção permanece concentrada nas condições das lavouras. A seca e o calor afetaram principalmente o Texas, aumentando as dúvidas sobre produtividade e abandono de área. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já reduziu a estimativa de produtividade americana, mas a deterioração das condições das plantações ao longo de agosto mantém no radar a possibilidade de novos cortes na produção.

Na China, o cenário climático também segue como ponto de atenção. Xinjiang, responsável pela maior parte da produção chinesa de algodão, enfrentou períodos de calor extremo e falta de chuvas durante fases importantes do desenvolvimento da cultura.

“Ainda não há uma estimativa oficial de perdas na produção chinesa. A definição do tamanho da safra será importante para determinar a necessidade de importações do país nos próximos meses e, consequentemente, para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional”, informou o consultor.

O consultor avalia que as próximas semanas devem ser importantes para determinar se a alta observada em agosto foi apenas uma reação exagerada às preocupações climáticas ou se os problemas nas principais regiões produtoras vão resultar, de fato, em uma oferta mundial de algodão mais apertada.

Cacau

O cacau fechou em queda pela terceira sessão consecutiva na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em dezembro recuou 1,58% e encerrou o pregão negociado a US$ 6.174 por tonelada.

De acordo com o Barchart, a sequência de baixas ocorre em meio aos sinais de oferta mais ampla no mercado global. Na quarta-feira, a Barry Callebaut AG, maior processadora de cacau do mundo, afirmou que o mercado está bem abastecido e mais preparado para lidar com riscos do que durante o El Niño de 2023/24, quando as preocupações com a oferta levaram os preços a níveis recordes.

Também na quarta-feira, o órgão regulador do cacau da Costa do Marfim, Le Conseil du Café Cacao, informou que o país colheu 2,06 milhões de toneladas entre junho de 2025 e junho de 2026, alta de 30% em relação às 1,58 milhão de toneladas registradas no ciclo anterior.

Com relação aos estoques certificados na bolsa, as reservas atingiram 3.411.776 sacas na terça-feira, o maior nível em dois anos, reforçando a percepção de maior disponibilidade do produto e pressionando as cotações.

Café

O café ampliou nesta sessão a sequência de perdas em Nova York, pressionado pela perspectiva de aumento da oferta brasileira e pelo avanço das exportações do Vietnã. O contrato de arábica com vencimento em dezembro recuou 0,92% e encerrou o pregão a US$ 2,95 por libra-peso.

O Barchart apontou que o mercado vem registrando quedas há uma semana, levando o café arábica à menor cotação em um mês e o robusta ao menor nível em três meses. A perspectiva de uma safra brasileira maior tem aumentado a expectativa de oferta no mercado internacional e contribuído para a pressão sobre os preços.

No Brasil, a disponibilidade de espaço para armazenagem também começa a influenciar as perspectivas de comercialização. A maioria dos armazéns já não estaria aceitando novos carregamentos, diante da redução da capacidade disponível. O cenário pode levar produtores que vinham postergando as vendas à espera de preços mais elevados a aumentar a oferta no mercado.

No Vietnã, maior produtor mundial de café robusta, o avanço das exportações também adiciona pressão às cotações. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do país, os embarques de café entre janeiro e agosto de 2026 somaram 1,33 milhão de toneladas, alta de 13,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Suco de Laranja

O contrato futuro de suco de laranja concentrado e congelado para entrega em novembro fechou o pregão com alta de 4,25% na Bolsa de Nova York. A cotação terminou em US$ 1,55 por libra-peso.

Açúcar

O açúcar registrou forte queda neste pregão, pressionado pela expectativa de que a Índia precise importar menos açúcar do que o mercado projetava inicialmente. O contrato com vencimento em outubro recuou 3,37% e fechou cotado a 18,07 centavos de dólar por libra-peso.

O Barchart apontou que a pressão sobre as cotações ganhou força após o governo indiano reduzir de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para os revendedores de açúcar. A regra entra em vigor em 15 de setembro e permanece até 20 de novembro, com o objetivo de conter a especulação e ampliar a disponibilidade do produto no mercado doméstico.

A medida pode colocar mais açúcar em circulação na Índia e, consequentemente, reduzir a necessidade de importações pelo país. A perspectiva alimentou a liquidação de posições compradas nos contratos futuros e aumentou a pressão sobre os preços.

O movimento também pode ser amplificado pela posição elevada dos fundos no mercado. Dados semanais do Commitment of Traders, divulgados na última sexta-feira, mostraram que os fundos ampliaram em 2.830 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar branco negociado em Londres na semana encerrada em 25 de agosto.

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Atividade de serviços no Brasil volta a crescer em agosto, mostra PMI


SÃO PAULO, 3 Set (Reuters) – A atividade ⁠de serviços do Brasil voltou a crescer em agosto após ⁠um tropeço em julho conforme as novas encomendas e o emprego se estabilizaram, enquanto ‌a confiança aumentou, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta quinta-feira.

O PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, subiu a 50,5 em ‌agosto de 49,7 em julho, voltando a ficar acima da marca de 50 que separa crescimento de contração. Neste ano, apenas julho apresentou retração da atividade.

As empresas que relataram atividade mais forte atribuíram a melhora à ampliação de suas bases de clientes e à conquista de novos contratos. O ritmo geral de crescimento, porém, foi apenas marginal.

As condições de demanda deram sinais de ⁠estabilização, ‌com os volumes de novos negócios ficando praticamente estáveis em agosto após registrarem a queda ⁠mais acentuada em dez meses em julho.

Algumas empresas observaram uma demanda mais forte e aumento no número de novas consultas de clientes, mas outras continuaram relatando dificuldades decorrentes de cancelamentos de projetos, pressões competitivas e inflação.

As condições do mercado de trabalho também se estabilizaram, com o nível geral de emprego no setor de serviços permanecendo inalterado em ​agosto, após quedas em junho e em julho. Algumas empresas sinalizaram aumento das contratações devido ao preenchimento de vagas em aberto e à reposição de funcionários desligados, enquanto ​outras reduziram seus quadros de pessoal em meio a esforços de reestruturação e controle de custos.

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A confiança dos fornecedores de serviços brasileiros melhorou em agosto, chegando ao nível mais alto em três meses, com a parcela de companhias que esperam aumento da atividade nos próximos 12 meses subindo de 29% em julho para 32% em agosto.

O otimismo foi sustentado pela ‌expectativa de melhora das condições econômicas e por um aumento ​da confiança do mercado após a eleição presidencial de outubro.

No entanto, as pressões inflacionárias continuaram sendo um dos principais desafios para os prestadores de serviços no Brasil. Os custos de insumos seguiram em forte alta, embora o ⁠ritmo de aumento tenha desacelerado em ​relação a julho.

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As empresas ​consultadas relataram aumento dos preços de materiais como cabos, alimentos, componentes eletrônicos, tintas, têxteis e madeira, além de energia, financiamento, ⁠combustíveis, mão de obra, impostos sobre propriedades e ​transporte.

Buscando proteger suas margens, as empresas repassaram parte do aumento de custos aos consumidores e a inflação de venda se intensificou no mês. Ainda assim, a proporção de empresas que elevaram seus preços (16%) permaneceu ​bem abaixo da parcela que relatou aumento de custos (41%).

Apesar da melhora no setor de serviços, a atividade no setor privado brasileiro permaneceu em contração, pressionada pela ​retração na indústria. O PMI ⁠Composto subiu a 49,1 em agosto, de 48,8 em julho, mas seguiu abaixo da marca 50 pelo segundo mês seguido.

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‘Para ⁠a economia como um todo, o setor de serviços ofereceu algum suporte, mas o setor privado permaneceu sob pressão devido à fraqueza da indústria de transformação. Uma recuperação provavelmente dependerá de uma demanda mais forte, da redução das pressões inflacionárias e de uma maior disposição das empresas para investir e contratar’, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.



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Ministro cobra UE e diz que Brasil está “indignado” com veto à carne

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta quinta-feira (3) que não há justificativa para que o Brasil fique de fora da lista de exportadores aptos a exportar carnes para a União Europeia. Segundo ele, o governo tem trabalhado com o setor privado para que o país retorne às exportações.

“Essa é uma questão tão importante que não deve ser tratada de forma isolada. O Ministério da Agricultura cumpre um papel fundamental, sobretudo do ponto de vista técnico. Nós temos trabalhado intensamente. É preciso ressaltar, destacar a parceria que nós estamos estabelecendo com o setor privado, estamos trabalhando juntos. Evidente que a gente não pode perder a oportunidade de manifestar a nossa indignação”, disse à jornalistas.

O ministro reforçou que, não “há critério que justifique” o Brasil, que sempre foi “o maior fornecedor” para o bloco e atende mais de 170 países, estar de fora da lista “enquanto tantos outros países sem nenhum critério estão lá”.

De Paula ainda destacou a missão de técnicos da União Europeia que estão no Brasil desde a semana passada para visitar estabelecimentos e órgãos de fiscalização focados na produção de frango e mel em Mato Grosso e Paraná.

A ideia é que possam atestar as exigências do bloco na criação de aves e abelhas que têm um ciclo mais curto de produção. A missão termina nesta sexta-feira (4) e o governo já trabalha para pedir urgência na publicação do relatório, que leva em torno de 60 dias para ser divulgado.

“Nós vamos seguir trabalhando, manifestando a nossa indignação em relação a essa questão. Eu tenho muito otimismo que rapidamente isso possa ser revertido”, afirmou em participação na Expointer.

Suspensão de exportações

A União Europeia retirou o Brasil da lista de países aptos a exportar carnes e produtos de origem animal alegando que o país não comprovou o uso de determinados antibióticos e o rastreamento do ciclo de vida dos animais enviados ao bloco.

Ficam bloqueados animais vivos e destinados à produção de alimentos, como bois, cavalos, ovos, peixes, mel e aves.

A UE argumenta que a falta dessa informação vai de encontro às regras de controle de uso de antibióticos na pecuária adotada pela UE. No entanto, outros países do Mercosul, como Argentina e Uruguai, continuam com as vendas permitidas.

O bloco proíbe a utilização de antimicrobianos promotores de crescimento animal para fins de consumo humano. Normalmente esse tipo de antibiótico é misturado à ração animal do bezerro para acelerar o ganho de peso e ter um aumento de produtividade.

De acordo com as normas europeias, esse tipo de medicamento deve ser usado exclusivamente em humanos para evitar o surgimento de “superbactérias”.

Desde a publicação da norma, o governo brasileiro vêm tentando reverter a decisão. O impasse maior ficou na carne bovina, que tem um ciclo de vida mais longo e não conseguiria atender às exigências por não ter um sistema sólido de rastreamento.

Apesar do país ter normas que exijam a identificação do animal e medicamentos utilizados na criação, não seriam suficientes para atender aos critérios do bloco. Desta forma o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) vem trabalhando em resoluções para endurecer o rastreamento dos rebanhos, com ampla adesão de exportadores.

As entidades representativas desses setores também firmaram acordos para melhorar a transparência e incentivar a adesão das normas pelos produtores.

A situação envolveu até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que no fim de julho enviou uma carta para a presidente da UE, Ursula von der Leyen, pedindo uma solução.

Além do Mapa, os ministérios das Relações Exteriores e da Indústria Comércio e Serviços vêm buscando alternativas e soluções diplomáticas e comerciais para reverter a situação.

“Isso é algo que tem envolvido vários setores do governo para que esse acordo União Europeia-Mercosul pudesse ser se transformar em realidade depois de 25 anos de encaminhamento e que é surpreendido com uma medida como essa que não havia sido sinalizada antes do acordo. Então, é claro que nós não estamos felizes e é claro que nós vamos a eh seguir deixando muito claro essa nossa indignação e essa nossa preocupação”, frisou André de Paula.

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Demanda forte impulsiona atividade do setor de serviços dos EUA em agosto


WASHINGTON, 3 Set (Reuters) – A atividade ⁠no setor de serviços dos Estados ⁠Unidos acelerou em agosto uma vez que a demanda ‌forte elevou os novos pedidos ao maior nível em três anos e meio e impulsionou os preços dos ‌insumos, sugerindo que a inflação pode permanecer elevada e obrigar o Federal Reserve a aumentar a taxa de juros antes do final deste ano.

O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou nesta quinta-feira que seu Índice de Gerentes ⁠de ‌Compras (PMI) do setor não manufatureiro subiu para 55,4 no ⁠mês passado, ante 54,1 em julho. Leitura acima de 50 indica crescimento no setor de serviços, que responde por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA.

Economistas consultados pela Reuters previam que o ​PMI subiria para 54,2. O nível atual do PMI é consistente com um crescimento econômico sólido no terceiro ​trimestre.

A medida da pesquisa referente a novos pedidos recebidos por empresas de serviços disparou para 60,9, máxima desde fevereiro de 2023, ante 57,2 em julho. A força nos pedidos está alinhada à demanda doméstica robusta, ‌que está sendo impulsionada, em parte, por ​um boom nos gastos com inteligência artificial.

O índice da pesquisa referente aos preços pagos pelas empresas pelos insumos subiu de 70,3 em julho ⁠para 72,6, sugerindo ​que a ​inflação pode permanecer acima da meta de 2% do banco central dos EUA ⁠por algum tempo. O chair ​do Fed, Kevin Warsh, disse na semana passada que o banco central “terá trabalho a fazer” se as autoridades não obtiverem ​a confiança necessária de que a inflação está caindo para a meta de 2%.

Os mercados financeiros ​estão precificando uma ⁠probabilidade de cerca de 64% de que o Fed aumente sua taxa ⁠básica de juros em 25 pontos-base em sua reunião de política monetária de 15 e 16 de setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. Atualmente, os juros estão na faixa de 3,50% a 3,75%.

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Sem frango brasileiro, Europa pode sentir pressão sobre os preços, diz ABPA

A suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3), deve ter efeitos limitados no curto prazo para o mercado brasileiro, segundo o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin. Na avaliação do executivo, porém, a ausência da carne de frango brasileira pode ser sentida pelos consumidores europeus e pressionar os preços de alimentos na região caso a medida se prolongue.

Santin afirmou, em entrevista ao CNN Agro News, que os importadores europeus anteciparam compras nos últimos meses diante da possibilidade de interrupção do comércio. As exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia cresceram 73% de janeiro a julho deste ano, segundo ele.

“A exportação para a União Europeia de carne de frango representa 7% das exportações brasileiras, anteriormente era uma média de 5%”, afirmou. O Brasil, acrescentou, mantém vendas para mais de 150 países, o que permite redirecionar parte da produção para outros mercados.

O impacto, portanto, não deve ser imediato. Santin destacou que as empresas brasileiras podem registrar perda de rentabilidade, já que o mercado europeu remunera melhor o produto. 

Ele citou como exemplo o episódio de influenza aviária registrado no Rio Grande do Sul no ano passado, quando o Brasil ficou quatro meses sem vender carne de frango para a União Europeia e, ainda assim, encerrou o ano com crescimento de 1% nas exportações.

A situação pode ser diferente na Europa se a suspensão se prolongar. “O Brasil também é muito importante para a União Europeia. Quase 20% do peito de frango que eles consomem lá, especialmente para processamento, vem do Brasil. Ficar muito tempo sem o Brasil significa inflação de alimentos para os consumidores europeus”, disse.

“Nossa ausência vai ser sentida na gôndola dos supermercados europeus”, acrescentou Santin.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e, segundo o presidente da ABPA, responde por 37,6% do mercado global. Com a suspensão, a oferta brasileira que antes chegava ao mercado europeu terá de ser direcionada para outros destinos ou para o mercado doméstico.

Missão europeia avaliou controles sanitários

A entrada em vigor da suspensão ocorre após uma missão técnica da União Europeia ao Brasil, que encerrou os trabalhos na quarta-feira (2). Segundo Santin, a equipe avaliou os mecanismos de fiscalização adotados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e a aplicação desses controles pelas empresas brasileiras.

A União Europeia havia solicitado um reforço na fiscalização, incluindo visitas do Ministério da Agricultura a granjas e fábricas de ração, além dos controles já existentes, como boletins sanitários, fichas de acompanhamento de lotes e o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes.

Santin afirmou que o Ministério da Agricultura já colocou o sistema adicional em prática e que um ciclo de produção de aves já foi realizado sob o novo modelo de fiscalização.

“A Europa gostaria que o Ministério da Agricultura fizesse uma fiscalização maior para além daqueles manejos que a gente já fiscaliza, (…) e o Ministério já fez”, afirmou.

Segundo ele, a missão europeia teve como objetivo verificar se o governo brasileiro estava cumprindo os procedimentos de fiscalização apresentados à União Europeia e se as empresas continuavam atendendo aos requisitos exigidos para a exportação.

“No nosso caso, a missão europeia cumpre apenas fazer a auditoria bem feita, com transparência total, e cumprimos tudo que eles quiseram ver”, disse.

O presidente da ABPA afirmou que o setor considera que as exigências europeias vêm sendo atendidas e que o reforço da fiscalização não alterou as características dos produtos destinados àquele mercado.

Expectativa por relatório parcial

Com o fim da missão técnica, a expectativa do setor agora está concentrada na elaboração do relatório europeu. Santin disse esperar que a União Europeia produza um relatório parcial rapidamente, com os resultados preliminares da auditoria.

“O Ministério da Agricultura cumpriu sua parte e agora falta o tempo deles. (…) Espero que possam fazer um relatório parcial e o mais rápido possível”, afirmou.

Segundo Santin, a autoridade europeia também poderá convocar uma reunião extraordinária do Comitê Permanente de PAFF (Plantas, Animais, Alimentos e Rações), caso entenda necessário. A decisão, porém, cabe às autoridades da União Europeia.

Brasil busca redirecionar exportações

Enquanto aguarda uma decisão europeia, o setor de carne de frango trabalha para redistribuir os volumes que deixaram de ser destinados ao bloco. Santin afirmou que a diversificação dos mercados permite ao Brasil direcionar parte da produção para outros compradores e para o mercado doméstico.

Entre os destinos citados estão México, países da África e outras nações da América do Sul.

Santin também citou os Emirados Árabes Unidos como um mercado que continua recebendo a proteína brasileira. Segundo ele, apesar das dificuldades na região com o fechamento do estreito de Ormuz, o Brasil mantém cerca de 95% do volume que vendia anteriormente ao país.

A estratégia, segundo o presidente da ABPA, é distribuir a produção entre os diferentes mercados disponíveis, evitando tanto uma queda nas exportações quanto uma concentração excessiva de produto no mercado interno.

“Nós temos 150 mercados que a gente vende, consegue fazer isso, além do mercado interno”, afirmou.

Para Santin, a capacidade de diversificação é o principal instrumento do setor brasileiro diante da suspensão europeia. O desafio, no curto prazo, é substituir um mercado considerado mais rentável enquanto o Brasil aguarda a avaliação dos técnicos europeus e uma possível revisão da medida.

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Durigan afirma que varejo não vive crise generalizada e que juros pressionam consumo


O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira, 3, em entrevista à TV Record, que o setor do varejo não vive uma crise. Pontuou, entretanto, que as taxas de juros pressionam o consumo.

“Não há crise. Você que nos assiste, que às vezes vê uma loja sendo fechada, vai seguir tendo opções para comprar os seus produtos, seja em outras lojas concorrentes, seja pelo mercado digital”, disse Durigan, lembrando que há um apelo grande para que não haja a chamada “taxa das blusinhas”, em razão da demanda de consumidores por compras por canais digitais. “Se não fosse importante, não seria um tema de tanta relevância para a discussão nacional.”

Perguntado sobre o recente fechamento ou pedido de recuperação de grandes empresas varejistas, o ministro atribuiu isso a mudanças no mercado, seja do lado do crédito, seja nos hábitos de consumo.

No crédito, ele afirmou que os cartões usados hoje pelas pessoas para fazer compras não são mais os de grandes varejistas, como no passado. Além disso, disse que a pandemia alterou o padrão de consumo da população, o que afetou essas empresas.

“Foram vários movimentos que justificam a dificuldade de algumas empresas. Então, a gente não tem que entrar num Fla-Flu, porque não há crise específica na economia brasileira, que vai bem. Nós temos dificuldades e desafios que nós precisamos reconhecer”, disse Durigan.

Por fim, o ministro afirmou que o nível elevado dos juros no País também pode explicar as dificuldades enfrentadas pelos varejistas.

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“Não estou dizendo que a taxa de juros não atrapalha. As empresas de varejo, em especial, têm uma margem de lucro pequena, e dependem muito de crédito para sobreviver”, afirmou Durigan. “As pessoas, quando compram o seu sofá ou seu móvel, usam crédito para não ter que desembolsar tudo de uma vez. E, quando a taxa de juros é mais alta, isso inibe essa compra e reduz o consumo”, completou.



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