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Relações Rússia-Brasil se desenvolvem com sucesso, diz Putin em mensagem a Lula sobre 7/9


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em mensagem enviada nesta segunda-feira (7) ao presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que as relações entre Rússia e Brasil “estão se desenvolvendo com sucesso no espírito da parceria estratégica”. O texto, de felicitações pelo Dia da Independência no Brasil, foi publicado no perfil da embaixada da Rússia no país.

“Os nossos países cooperam ativamente nas mais diversas áreas, coordenam esforços no âmbito da ONU, do #BRICS, do G20 e de outras estruturas multilaterais“, pontua o presidente russo.

Na mensagem, Putin chama Lula de “caro amigo” e observa que “nós, sem dúvida, continuaremos o trabalho junto construtivo para fortalecer ainda mais todo o conjunto de vínculos russo-brasileiros mutuamente benéficos. Isso atende plenamente aos interesses dos nossos povos amigos, está em consonância com a construção de uma nova ordem mundial — mais justa e multipolar”.

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais, incluindo Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, e o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem teve atritos recentemente devido à imposição de tarifas pelos EUA a produtos importados do Brasil “Eu não tenho adversários”, ressaltou Lula em entrevista à Rádio Progresso.



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Policial militar é preso suspeito de feminicídio em Embu das Artes


A Polícia Civil cumpriu, na tarde desta segunda-feira (7), o mandado de prisão temporária contra o policial militar Vinícius Costa Silva, marido de Larissa Cruz Morata, de 29 anos. Ele é suspeito de ter cometido feminicídio contra Larissa.

Ela morreu com um tiro na cabeça no banheiro da casa em que morava com o policial, na cidade de Embu das Artes na região metropolitana de São Paulo. Foi o próprio Vinícius quem chamou a PM, afirmando ter achado a mulher morta ao acordar.

Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a medida foi decretada após as investigações apontarem indícios de “ocorrência de infração penal a ser investigada, dada a dinâmica dos fatos e elementos objetivos preliminarmente angariados”.

Por ser soldado da Polícia Militar (PM), Vinícius foi apresentado pela Corregedoria da PM e será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes (PMRG). “O caso é investigado como morte suspeita pela Delegacia de Embu das Artes. As diligências prosseguem para esclarecer todos os fatos”, disse a SSP-SP.

Entenda o caso

A Polícia Civil investiga a morte de uma mulher de 29 anos, vítima de um disparo de arma de fogo na cabeça, dentro de uma residência no bairro Chácaras Bartira, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Larissa Morata foi localizada no imóvel na manhã do domingo (6).

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o marido da vítima, um policial militar, prestou depoimento sobre o caso.

Conforme o relato dado aos agentes que atenderam à ocorrência, a mulher teria cometido suicídio. A arma utilizada no disparo, que pertencia ao policial, foi apreendida no local e estava sob o corpo da vítima.

caso foi registrado na Delegacia de Embu das Artes como morte suspeita. A Polícia Científica realizou perícia na residência, e foram solicitados exames nas mãos da vítima e do marido, além de exames balísticos na arma e análises dos demais vestígios recolhidos.

As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias da morte.

*Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo



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São Paulo registra tarde mais fria para um mês de setembro em 26 anos



Brasil

 Capital registrou 13,6 °C, a menor temperatura máxima registrada foi de 13,1 °C, em 26 de setembro de 2000

A cidade de São Paulo registrou nesta segunda-feira (7) a tarde mais fria para um mês de setembro em 26 anos. A previsão indicava temperatura máxima de 13 °C, porém, foram registrados 13,6 °C. Portanto, o recorde não foi confirmado na capital paulista, uma vez que, a menor temperatura máxima registrada foi de 13,1 °C, em 26 de setembro de 2000.

Temperatura nos termômetros começou a cair a partir daí e às 17h, quando marcava 13°C.

O registro é da meteorologista Josélia Pegorin, da agência Climatempo, com base em dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) da estação meteorológica no Mirante de Santana, localizada na zona norte paulistana, onde é feita a medição oficial da cidade.

Segundo dados da Defesa Civil, na madrugada desta segunda-feira, foi registrado 10,1 °C na estação de Interlagos. São Paulo não teve a noite mais fria no mês de setembro em quatro anos, pois em 24 de setembro de 2022 registrou 9,3 °C.



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Boehringer amplia vendas em mais de 30% na avicultura no 2º trimestre

A Boehringer Ingelheim registrou crescimento expressivo nas vendas de produtos para saúde animal no segundo trimestre de 2026, com avanços em todas as principais espécies atendidas pela companhia. O destaque ficou com a avicultura, segmento em que as vendas cresceram mais de 30% no período, impulsionadas principalmente pela maior procura por vacinas vivas.

Segundo José Peron, head de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim, o resultado reflete uma tendência de maior investimento dos produtores em prevenção de doenças, imunização e bem-estar animal. O movimento ocorre tanto na produção de aves e suínos quanto na pecuária bovina, embora com diferentes tipos de produtos.

“De forma geral, o que nós vemos é uma continuidade do investimento em ferramentas de sanidade, de saúde animal, que vão promover bem-estar, prevenção de doenças e imunização dos rebanhos”, afirmou Peron.

Na avicultura, o crescimento superior a 30% ficou concentrado praticamente todo nas vacinas vivas. De acordo com o executivo, o desempenho ficou bastante acima do mercado e demonstra a maior busca dos produtores por soluções preventivas capazes de reduzir a ocorrência de doenças e melhorar a eficiência dos sistemas de produção.

A estratégia de prevenção também aparece na suinocultura. No segundo trimestre, as vendas para o segmento cresceram cerca de 9%, com forte participação dos produtos biológicos. A demanda esteve concentrada principalmente em soluções para prevenção de doenças entéricas e da circovirose.

Já na pecuária bovina, o comportamento foi diferente. Os principais destaques foram os produtos terapêuticos e os medicamentos utilizados no controle de parasitas.

A classe de anti-inflamatórios da companhia apresentou crescimento de aproximadamente 30%, segundo Peron. O executivo relaciona o avanço à busca dos produtores por soluções que contribuam para o bem-estar dos animais.

Os ectoparasiticidas, utilizados no controle de parasitas externos como carrapatos, bernes e bicheiras, também apresentaram desempenho positivo, com crescimento de cerca de 5%, acima do mercado.

Mudança no perfil de tratamento

A procura por terapêuticos não antibióticos também vem ganhando espaço na produção animal. Para a Boehringer, o movimento não deve ser interpretado apenas como uma resposta às novas exigências de mercados compradores, mas como parte de uma transformação estrutural na produção de proteína.

Peron afirma que a busca por prevenção já ocorre há anos e está relacionada à necessidade de manter os animais saudáveis para aumentar a eficiência produtiva. Animais com menor incidência de doenças e submetidos a melhores condições de bem-estar tendem a apresentar melhor desempenho e conversão alimentar.

O executivo reconhece, porém, que as discussões envolvendo as exigências sanitárias da União Europeia deram novo impulso ao debate sobre o uso de medicamentos e sobre os protocolos de segregação destinados a atender diferentes mercados.

“Esse crescimento dos terapêuticos vai justamente nessa tendência”, disse.

A mudança ganha importância para o Brasil, um dos principais produtores e exportadores mundiais de proteínas animais. Para acessar mercados com diferentes exigências sanitárias, os produtores precisam cada vez mais combinar prevenção, controle de doenças, rastreabilidade e protocolos específicos de produção.

Investimento global em inovação

O avanço da demanda por produtos de saúde animal também está relacionado à estratégia de inovação da Boehringer Ingelheim. A companhia mantém investimentos globais de aproximadamente 500 milhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento voltados a todas as espécies animais.

O valor equivale a cerca de R$ 3 bilhões considerando a conversão mencionada pelo executivo.

Os recursos são destinados ao desenvolvimento de novas vacinas, terapias e ferramentas para prevenção e tratamento de doenças, além de soluções voltadas ao bem-estar e à produtividade dos animais.

Segundo Peron, o investimento em inovação é contínuo e busca acompanhar a evolução dos desafios sanitários enfrentados pela produção animal em diferentes regiões do mundo.

Bicheira volta ao radar nos Estados Unidos

Um exemplo dessa diferença entre os mercados está nos Estados Unidos. Segundo Peron, problemas relacionados à bicheira e a outras infestações que já haviam sido erradicadas voltaram a exigir atenção dos produtores americanos.

No Brasil, por outro lado, o controle de parasitas como berne e bicheira já está incorporado aos protocolos sanitários de parte da pecuária, em razão das condições climáticas e epidemiológicas do país.

“Somos um país tropical, como sabemos, em que há mais mosquitos, há mais vermes e, portanto, isso já faz parte do nosso protocolo preventivo”, afirmou.

A experiência brasileira também pode favorecer a utilização de medicamentos que já são conhecidos pelos produtores locais no combate a problemas sanitários que passaram a preocupar novamente a pecuária norte-americana.

Perspectiva positiva para o terceiro trimestre

Apesar das diferenças entre os segmentos, a Boehringer mantém uma avaliação positiva para o mercado de saúde animal nos próximos meses.

A expectativa está apoiada principalmente na perspectiva de continuidade do consumo de proteínas animais e na posição do Brasil no mercado internacional de carnes.

Peron afirma que a procura por vacinas, produtos biológicos, antiparasitários e terapêuticos tende a permanecer firme diante da necessidade de aumentar a eficiência da produção e reduzir os impactos provocados por doenças.

“Continuamos com uma visão muito otimista sobre o setor”, afirmou.

Saúde animal e segurança alimentar

Além dos impactos econômicos para o setor, a Boehringer defende uma abordagem integrada entre saúde animal e saúde humana. A avaliação é de que a prevenção de doenças nos rebanhos e a adoção de boas práticas de produção são fundamentais para garantir a oferta de proteínas seguras e de qualidade.

O conceito também envolve a prevenção de zoonoses, especialmente na relação entre seres humanos e animais de companhia, e o controle sanitário dos animais destinados à produção de alimentos.

Para a companhia, a discussão sobre saúde animal tende a ganhar ainda mais relevância à medida que os mercados consumidores ampliam suas exigências sobre bem-estar, segurança dos alimentos, prevenção de doenças e sustentabilidade dos sistemas produtivos.

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Quem compôs o Hino da Independência do Brasil e os bastidores da sua criação


O Hino da Independência é uma das obras mais conhecidas do repertório patriótico nacional, mas sua criação envolve dois nomes distintos e momentos separados. Diferente do que muitos imaginam, a composição não nasceu pronta e musicada no dia 7 de setembro de 1822. A obra é fruto da união entre os versos do poeta e livreiro Evaristo da Veiga e a melodia criada pelo próprio imperador Dom Pedro I, consolidando-se ao longo dos anos como a trilha sonora oficial da emancipação brasileira.

Os nomes por trás da letra e da música

A resposta para a autoria do hino exige a separação entre o texto e a partitura. A letra foi escrita em agosto de 1822 por Evaristo da Veiga, um influente intelectual e político da época. Originalmente, o texto não foi pensado para ser um hino oficial, mas sim um poema intitulado Hino Constitucional Brasiliense, criado para inflamar o sentimento de autonomia que tomava conta da província do Rio de Janeiro naqueles meses tensos.

A melodia, por sua vez, foi adicionada posteriormente por Dom Pedro I. O então príncipe regente era um músico amador de grande talento, que tocava diversos instrumentos e tinha noções avançadas de composição. Ao entrar em contato com os versos de Evaristo da Veiga, que já circulavam em panfletos populares, Dom Pedro I decidiu criar um arranjo marcial e vibrante para acompanhar as palavras. O imperador compôs a música ainda no ano de 1822, garantindo que a obra ganhasse o formato de canção.

O clima de 1822 e a urgência de um símbolo nacional

O contexto histórico em que o poema foi escrito ajuda a entender a força da mensagem. O Brasil vivia uma pressão constante das Cortes de Lisboa, que exigiam o retorno imediato de Dom Pedro a Portugal e a anulação das liberdades comerciais e administrativas conquistadas desde a vinda da Família Real em 1808.

Evaristo da Veiga capturou exatamente esse sentimento de resistência. Quando o poema começou a circular de mão em mão nas ruas do Rio de Janeiro, ele funcionou como uma espécie de manifesto a favor da autonomia. A população precisava de símbolos que materializassem a ideia de um país independente, e os versos que falavam em não temer a morte pela liberdade serviram perfeitamente a esse propósito cívico.

A versão esquecida do maestro Marcos Portugal

Um fato pouco conhecido sobre a história do Hino da Independência é que a melodia de Dom Pedro I não foi a única a acompanhar o poema de Evaristo da Veiga. O renomado compositor português Marcos Portugal, que vivia no Brasil e era o mestre de música da corte, também criou uma partitura para os mesmos versos.

Durante os primeiros anos após a independência, a versão de Marcos Portugal chegou a ser tocada em solenidades oficiais e eventos públicos. No entanto, o peso político e a força simbólica de Dom Pedro I fizeram com que a melodia composta pelo imperador se tornasse a favorita popular. Com o passar das décadas, a composição do monarca se estabeleceu de forma definitiva, enquanto a partitura do maestro português acabou restrita aos arquivos históricos.

O significado dos versos de liberdade

A linguagem utilizada no hino reflete o romantismo cívico do século XIX. O trecho inicial, que canta “Já podeis da Pátria filhos / Ver contente a mãe gentil”, é uma mensagem direta aos brasileiros, afirmando que a nação (a mãe gentil) já podia se orgulhar de sua nova condição de liberdade.

O refrão “Ou ficar a pátria livre / Ou morrer pelo Brasil” ecoa o famoso grito do Ipiranga (“Independência ou morte”). A letra reforça a ideia de que o sacrifício pessoal era um preço justo a se pagar para evitar o retorno aos grilhões coloniais. Não há menções a batalhas sangrentas, mas sim uma celebração da coragem civil e da esperança de um futuro autônomo, livre das amarras de Portugal.

Dúvidas frequentes sobre a obra

O Hino da Independência é mais antigo que o Hino Nacional?

Sim, o Hino da Independência foi composto em 1822. Já a melodia do atual Hino Nacional Brasileiro foi criada por Francisco Manuel da Silva em 1831, e sua letra definitiva, escrita por Osório Duque-Estrada, só foi oficializada em 1922.

A música foi realmente composta no dia 7 de setembro?

Não há registros históricos que comprovem que Dom Pedro I compôs a melodia exatamente no dia do Grito do Ipiranga. A versão mais aceita pelos historiadores é que ele trabalhou na partitura semanas depois do evento, já no Rio de Janeiro.

Quando o Hino da Independência deve ser executado?

A lei brasileira estabelece que a obra deve ser executada em cerimônias cívicas, especialmente durante as comemorações da Semana da Pátria, em setembro, para celebrar a memória da emancipação política do país.

A popularidade duradoura do Hino da Independência mostra como a união de uma poesia engajada com uma melodia de apelo popular conseguiu atravessar séculos. A obra não apenas documenta o espírito de uma época de ruptura, mas continua sendo uma peça central nas celebrações da identidade nacional brasileira.



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Entenda os mitos e verdades sobre o famoso quadro da Independência do Brasil


O Sete de Setembro de 1822 está eternizado no imaginário do povo brasileiro de uma forma muito específica: um príncipe erguendo a espada sobre um cavalo majestoso, cercado por uma guarda de honra impecável e uma multidão eufórica. No entanto, ao investigar quais os mitos e verdades sobre o famoso quadro da Independência ou Morte de Pedro Américo, a historiografia revela um abismo entre o pincel do artista e a realidade. Compreender o que é fato e o que é invenção nessa obra ajuda a desvendar os bastidores políticos da separação entre Brasil e Portugal, mostrando que a fundação do país ocorreu de maneira muito mais improvisada e humana do que os livros escolares tradicionais sugerem.

A origem da encomenda: por que o Império precisava de um herói pintado a óleo

Para compreender a pintura, é essencial olhar para o calendário. A tela monumental não foi criada no calor do momento, mas sim finalizada em 1888, exatos 66 anos após o rompimento oficial com Portugal. O Brasil vivia o crepúsculo do Segundo Reinado. O imperador Dom Pedro II, filho do protagonista da independência, enfrentava uma grave crise política. O movimento republicano ganhava força acelerada e a monarquia perdia rapidamente seus pilares de sustentação na sociedade.

Nesse cenário de fragilidade, a Coroa precisava de um símbolo poderoso que reafirmasse a legitimidade do regime e criasse um sentimento de união nacional. Pedro Américo, um pintor paraibano que residia em Florença, na Itália, recebeu a missão e o orçamento do governo imperial para pintar uma cena que servisse como a certidão de nascimento visual do Brasil. A ordem não era fazer um retrato documental, mas sim construir uma epopeia clássica que gerasse orgulho.

O artista tinha plena consciência de que estava monumentalizando a realidade a serviço de um discurso oficial. Ele precisava transformar um rompimento político burocrático, lido às pressas no meio do mato, em um espetáculo de heroísmo inquestionável. Por isso, as escolhas estéticas do pintor foram friamente calculadas para exaltar a monarquia, ignorando propositalmente os aspectos mundanos e desgastantes daquele dia.

O abismo entre a arte e a realidade às margens do Ipiranga

Na prática, o rompimento com a Corte de Lisboa foi o clímax de uma tensa articulação política, e não uma batalha coreografada. No dia 7 de setembro, Dom Pedro vinha de uma viagem exaustiva rumo a São Paulo, subindo a Serra do Mar após passar por Santos. A comitiva era pequena, formada por um grupo de aproximadamente 14 pessoas, composto por auxiliares de confiança e alguns poucos seguranças. Não havia uma plateia de camponeses assistindo ao evento de forma organizada, como sugere o canto esquerdo da pintura.

Quando os mensageiros vindos do Rio de Janeiro alcançaram o grupo no alto da colina, eles traziam cartas decisivas assinadas por Maria Leopoldina e pelo ministro José Bonifácio. Os documentos alertavam que Portugal havia rebaixado o Brasil novamente à condição de colônia e exigia o retorno imediato do príncipe. Foi a leitura tensa dessas correspondências que forçou a decisão de separação imediata.

O impacto real desse momento foi puramente estratégico. As margens do riacho do Ipiranga serviram apenas como o ponto geográfico aleatório onde o carteiro alcançou o destinatário. Se a notícia chegasse duas horas depois, a independência teria sido proclamada em uma estalagem qualquer ou no centro da cidade. A arte de Pedro Américo pegou essa coincidência logística e a transformou em um altar sagrado da pátria.

Os três maiores mitos criados pela tela de Pedro Américo

Para transformar a viagem cansativa em um marco heroico, o pintor precisou alterar drasticamente os elementos visuais da cena. Abaixo, detalhamos as principais licenças poéticas que moldaram a memória nacional.

1. A troca das mulas de carga pelos cavalos de guerra

A imagem dos majestosos cavalos empinando durante o grito é puramente ficcional. Para vencer as estradas de terra esburacadas, cheias de lama e pedras na íngreme subida da Serra do Mar, a comitiva utilizava animais muito mais resistentes. Dom Pedro I montava uma mula de carga, especificamente uma besta baia (de pelagem castanha). O cavalo de raça, embora imponente para retratos militares europeus, não suportaria as condições severas do relevo paulista daquela época.

2. As fardas de gala que ainda não existiam

Os soldados ao redor do príncipe vestem vistosos uniformes brancos com capacetes dourados, conhecidos como os trajes dos Dragões da Independência. Na realidade histórica, essa guarda de honra sequer existia com essa configuração em 1822. O grupo que acompanhava o príncipe regente usava roupas comuns de montaria, cobertas de poeira e adequadas para o desgaste de uma viagem de semanas. Os uniformes de gala foram inseridos no quadro para conferir o peso institucional que a narrativa exigia.

3. O estado de saúde crítico do príncipe regente

O detalhe mais humano e frequentemente ocultado sobre o Sete de Setembro é que Dom Pedro I estava gravemente indisposto. Relatos de testemunhas da época, como o coronel Manuel Marcondes, indicam que o príncipe sofreu de uma forte infecção intestinal durante todo o trajeto, possivelmente devido à ingestão de água contaminada ou alimentos estragados no litoral paulista. A comitiva precisou parar diversas vezes no matagal para que ele pudesse se aliviar das dores abdominais. Pedro Américo, compreensivelmente, suprimiu essa fragilidade física em favor de uma postura altiva e inabalável.

Dúvidas frequentes sobre o quadro da Independência do Brasil

Onde o quadro de Pedro Américo está exposto atualmente?

A pintura original é a peça central do acervo do Museu Paulista, popularmente conhecido como Museu do Ipiranga, localizado na cidade de São Paulo. A tela é tão superlativa que o salão nobre do edifício foi projetado e construído sob medida para abrigá-la de forma permanente.

Quais são as dimensões reais da obra?

A tela é monumental e impressiona os visitantes pelas suas proporções físicas. Ela mede 4,15 metros de altura por 7,60 metros de largura, ocupando praticamente uma parede inteira do salão principal do museu.

Dom Pedro I realmente gritou “Independência ou Morte”?

A historiografia moderna aponta que as palavras exatas são de difícil comprovação. Embora existam relatos de que ele tenha proferido palavras de ordem rompendo os laços com Portugal após amassar as cartas de Lisboa, o lema “Independência ou Morte” foi consolidado posteriormente como um slogan político poderoso para simplificar e dramatizar a fundação do Império.

A Casa do Grito já existia no momento da proclamação?

Não. Embora a pintura mostre uma pequena casa rústica de pau a pique ao fundo da cena, pesquisas arquitetônicas indicam que a chamada “Casa do Grito”, que ainda hoje existe no Parque da Independência, só foi construída anos depois do evento. O pintor a incluiu na composição final para reforçar o cenário rural de forma bucólica.

Desconstruir as pinceladas de Pedro Américo não diminui o peso do Sete de Setembro, mas aproxima a história oficial da vida do cidadão comum. Ao trocar o mito do cavalo branco e da espada reluzente pelas mulas cansadas e pela urgência política de um príncipe doente, a fundação do Brasil ganha contornos reais e palpáveis. A verdadeira utilidade de conhecer os bastidores dessa obra é entender que as nações não nascem de momentos mágicos e perfeitos, mas de decisões complexas tomadas por pessoas reais, sujeitas às intempéries do tempo, dos interesses políticos e das limitações do próprio corpo.



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Veja quais são os próximos feriados do 2º semestre


Para quem vive a correria da rotina, a folga no meio da semana ou o descanso prolongado junto ao sábado e domingo dá um fôlego extra. Depois do Dia da Independência nesta segunda-feira (07), o segundo semestre de 2026 ainda tem mais cinco feriados para recarregar as energias.

O primeiro deles é o feriado de 12 de outubro, o dia de Nossa Senhora Aparecida, data que também é celebrado o Dia das Crianças. Em seguida, 2 de novembro, Dia de Finados, que também cai numa segunda-feira e abre espaço para outro descanso prolongado.

Já em 15 de novembro, domingo, é celebrada a Proclamação da República – feriado que, por cair em dia já de folga, não altera a rotina de trabalho da maioria.

A sequência de feriadões continua em 20 de novembro, quando se comemora o Dia Nacional de Zumbi e Consciência Negra. E o ano se encerra com o Natal, em 25 de dezembro, sexta-feira.

Veja abaixo todos os feriados do ano.

Próximos feriados de 2026

  • Nossa Senhora Aparecida 12 de outubro (segunda-feira)
  • Finados 2 de novembro (segunda-feira)
  • Proclamação da República 15 de novembro (domingo)
  • Dia Nacional de Zumbi e Consciência Negra 20 de novembro (sexta-feira)
  • Natal 25 de dezembro (sexta-feira)

Pontos facultativos

  • Dia do Servidor Público 28 de outubro (quarta-feira)
  • Véspera de Natal 24 de dezembro (quinta-feira) após às 13h
  • Véspera de Ano Novo 31 de dezembro (quinta-feira) após às 13h



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Índia enfrenta congestionamento em portos por excesso de óleo vegetal

As compras agressivas de óleo vegetal pela Índia causaram congestionamento nos principais portos, ​atrasando o descarregamento de navios em até 10 ​dias, à medida que os tanques em terra se enchem e as refinarias encontram dificuldades para dar escoamento às cargas, informaram autoridades do setor à Reuters.

A expectativa é de que o congestionamento leve as refinarias indianas a reduzirem as compras de óleo de soja e óleo de palma para remessas em outubro, o que pode aumentar os estoques nos principais países produtores — ⁠Indonésia, Malásia e Argentina — e ​pesar sobre os contratos futuros de referência do óleo de palma e do ​óleo de soja.

“Os tanques em terra estão cheios, e a falta de espaço de armazenamento ⁠está atrasando o descarregamento dos navios que ⁠transportam óleos comestíveis”, disse Sandeep Bajoria, diretor-executivo da corretora de óleos vegetais ​Sunvin ‌Group.

“Pelo menos nove navios transportando 300 mil toneladas de óleos comestíveis aguardam para descarregar no ⁠porto de Kandla.”

Kandla, no Estado de Gujarat, no oeste do país, é o maior ponto de entrada da Índia para importações de óleo comestível, movimentando quase um terço do total de chegadas ao ‌país.

Haldia, ⁠o segundo maior ‌porto de entrada para importações de óleos comestíveis na costa leste, também enfrenta congestionamento, embora em menor grau do que Kandla, segundo os corretores.

As importações de óleos comestíveis do país do ⁠sul da Ásia em agosto atingiram uma alta de ⁠11 meses, chegando a 1,54 milhão de toneladas, e é provável que uma quantidade semelhante seja importada em ‌setembro também, afirmaram.

Como os óleos comestíveis para entrega imediata estavam mais baratos do que os contratos para meses posteriores, as refinarias indianas aumentaram suas compras para entrega em agosto e setembro, causando um excesso de oferta nos portos, disse Rajesh Patel, sócio-gerente da empresa de ‌comercialização GGN Research.

As refinarias ampliaram as importações antecipando uma demanda forte durante o período de festividades, mas o consumo não aumentou como esperado, o que desacelerou o escoamento da ⁠carga das refinarias localizadas nos portos, disse Patel.

A Índia celebra uma série de festivais entre agosto e novembro, quando a demanda por óleos comestíveis costuma atingir o pico.

O acúmulo de estoques ​agora está levando as refinarias a reduzirem as compras para remessas de outubro a dezembro, disse ​Bajoria.

A Índia obtém a maior parte de suas necessidades de óleo de palma da Indonésia e da Malásia, enquanto o óleo de soja e o óleo de girassol são importados principalmente da Argentina, do Brasil, da Rússia e da ‌Ucrânia.

(Reportagem de Rajendra Jadhav)

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Quadrilha invade e furta casa em área nobre de São Paulo


Quatro suspeitos invadiram e furtaram uma casa no Jardim Paulista, bairro nobre da zona oeste de São Paulo, na noite do sábado (05). Um homem de 25 anos foi preso em flagrante. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, a Polícia Militar foi acionada e, ao chegar ao local, flagrou quatro suspeitos saindo da residência.

Ao avistarem os policiais, os suspeitos abandonaram os itens furtados e fugiram. Um deles, no entanto, foi alcançado e detido pelos agentes na Avenida Nove de Julho. Ele permanece à disposição da Justiça. A SSP informou que os itens foram devolvidos ao proprietário e que foi solicitada perícia ao Instituto de Criminalística (IC). A identidade da vítima não foi revelada.

O caso foi registrado como furto a residência e associação criminosa no 14º Distrito Policial, de Pinheiros. A Polícia Civil realiza diligências para localizar e prender os outros suspeitos.



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Letônia planeja tarifa de 300% sobre grãos da Rússia e Bielorrússia

O governo da Letônia ​planeja impor uma tarifa ​de 300% sobre os grãos provenientes da Rússia e da Bielorrússia, afirmou nesta segunda-feira o primeiro-ministro do país báltico, Andris Kulbergs.

Autoridades da Letônia e da vizinha ⁠Lituânia afirmaram ​na semana passada que consideravam ​interromper os embarques de grãos russos ⁠por meio de seus ⁠portos, depois que Moscou intensificou ​os ‌trânsitos em resposta aos ataques ⁠da Ucrânia aos portos bálticos russos.

Exportadores russos estão transportando grãos pela Letônia, membro da ‌UE ⁠e da ‌Otan, para outros mercados, segundo analistas e comerciantes.

Uma proibição ou tarifas elevadas ⁠poderiam cortar uma ⁠alternativa fundamental, em um momento em que as ‌rotas do Mar Negro e do Mar de Azov estão paralisadas por ataques de drones ucranianos.

A Rússia exportou 46,3 ‌milhões de toneladas de grãos pelos portos do Mar de Azov e ⁠do Mar Negro na última safra de exportação, de julho de 2025 ​a junho de 2026, o que ​representou 90% do total das exportações marítimas de grãos da Rússia, segundo dados do setor.

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